Quem ainda estava nos bancos escolares e universitários nos anos 80 lembra, com certeza, da coleção Primeiros Passos da Editora Brasiliense. Agora, a versão profundada é a série FGV de Bolso, da Editora Fundação Getúlio Vargas. Estou acabando de ler este Os Índios na História do Brasil, escrito com maestria pela professora Maria Regina Celestino de Almeida. Leitura super prazerosa, e muito mais aprofundada do que aqueles primeiros passos. O mais bacana é a atualização da visão/interpretação dos historiadores atuais do papel e do comportamento dos primeiros e ancestrais habitantes do Brasil no período colonial. Desmancha aquela a imagem do índio vítima, que recebia espelhos em troca das riquezas da terra recém-"descoberta". Como tudo no Brasil, "a indefinição é o regime". Tudo foi e continua a ser tudo meio lusco-fusco abaixo do Equador...
A sinopse do livro (abaixo) resume bem. Mas, arrisco dizer: Os Índios na História do Brasil é leitura obrigatória.
Este livro trata da
história de índios em contato com as sociedades coloniais e
pós-coloniais no Brasil. Índios que, até muito recentemente, quase não
mereciam a atenção dos historiadores. O objetivo é apresentar uma
revisão das leituras tradicionais sobre o tema, a partir de pesquisas
recentes que têm revelado o amplo leque de possibilidades de novas
interpretações sobre as trajetórias de grupos e indivíduos indígenas. É
importante assinalar que essas novas leituras não resultaram apenas da
descoberta de documentos inéditos, mas principalmente de novas
interpretações fundamentadas em teorias e conceitos reformulados.
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
11 de setembro de 1973 - Nunca esqueceremos
Presidente Allende Presidente
(Hakim Amokrane - Mouss Amokrane - Ángel Parra - Mauro di Domenic)
¡El pueblo unido jamás será vencido!
Allende, presidente,
usted fue la esperanza
de un mundo de justicia,
sin odios ni venganza.
Allende, compañero,
usted que resistió,
la metralla en la mano,
tenía la razón.
El pueblo desarmado
no tuvo protección,
cae la noche en Chile,
torturas y prisión.
La CIA, los fascistas,
pagados en Washington.
Allende, presidente,
que sirva la ocasión;
denuncio aquí la infamia,
la noche del terror.
Allende, presidente,
te vengo a saludar,
tu presencia está viva
de la montaña al mar.
sábado, 7 de setembro de 2013
7 de Setembro
Bem Brasil (Premeditando o Breque & Caetano Veloso)
E en tal maneira hé graciosa
Que querendo a aproveitar darse a neela tudo
per bem das ágoas que tem
Paro o mjlhor fruito que neela se pode fazer
Me pareçe que será salvar esta jemte
E esta deve ser a principal semente que Vosa Alteza
Em ela deve lamçar (Pero Vaz de Caminha)
Há 500 anos sobre a terra
Vivendo com o nome de Brasil
Terra muito larga e muito extensa
Com a forma aproximada de um funil
Aquarela feita de água benta
onde o preto e o branco vem mamar
O amarelo almoça até polenta
E um resto de vermelho a desbotar
Sofá onde todo mundo senta
onde a gente sempre põe mais um
Oh! berço esplendido agüenta
Toda essa galera em jejum
Apesar de Deus ser brasileiro
outros deuses aqui tem lugar
Thor, Exu, Tupã, Alá, Oxossi
leus, Roberto, Buda e Oxalá
Aqui não tem terremoto
Aqui não tem revolução
É um país abençoado
Onde todo mundo põe a mão
Brasil, potência de neutrons
35 watts de explosão
Ilha de paz e prosperidade
Num mundo conturbado
E sem razão
A mulher mais linda do planeta
Já disse o poeta altaneiro
Que o seu rebolado é poesia
Salve o povão brasileiro
Mais do que um piano é um cavaquinho
Mais do que um bailinho é o carnaval
Mais do que um país é um continente
Mais que um continente é um quintal
Aqui não tem terremoto
Aqui não tem revolução
É um país abençoado
Onde todo mundo mete a mão
Brasil, potência de neutrons
35 watts de explosão
Ilha de paz e prosperidade
Num mundo conturbado e sem razão
E en tal maneira hé graciosa
Que querendo a aproveitar darse a neela tudo
per bem das ágoas que tem
Paro o mjlhor fruito que neela se pode fazer
Me pareçe que será salvar esta jemte
E esta deve ser a principal semente que Vosa Alteza
Em ela deve lamçar (Pero Vaz de Caminha)
Há 500 anos sobre a terra
Vivendo com o nome de Brasil
Terra muito larga e muito extensa
Com a forma aproximada de um funil
Aquarela feita de água benta
onde o preto e o branco vem mamar
O amarelo almoça até polenta
E um resto de vermelho a desbotar
Sofá onde todo mundo senta
onde a gente sempre põe mais um
Oh! berço esplendido agüenta
Toda essa galera em jejum
Apesar de Deus ser brasileiro
outros deuses aqui tem lugar
Thor, Exu, Tupã, Alá, Oxossi
leus, Roberto, Buda e Oxalá
Aqui não tem terremoto
Aqui não tem revolução
É um país abençoado
Onde todo mundo põe a mão
Brasil, potência de neutrons
35 watts de explosão
Ilha de paz e prosperidade
Num mundo conturbado
E sem razão
A mulher mais linda do planeta
Já disse o poeta altaneiro
Que o seu rebolado é poesia
Salve o povão brasileiro
Mais do que um piano é um cavaquinho
Mais do que um bailinho é o carnaval
Mais do que um país é um continente
Mais que um continente é um quintal
Aqui não tem terremoto
Aqui não tem revolução
É um país abençoado
Onde todo mundo mete a mão
Brasil, potência de neutrons
35 watts de explosão
Ilha de paz e prosperidade
Num mundo conturbado e sem razão
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Morrissey vs Thatcher
Entendo perfeitamente a análise comparativa entre a direita conservadora britânica e a direita tupiniquim dos anos 70 e 80, feita por Elio Gaspari e reproduzida por Scylla Lage Neto, no post E se Thatcher tivesse sido brasileira . Aliás, Gaspari tem mesmo esse dom de entrar na cabeça da Direita, por que hein? Mais, enfin... No Brasil, no contra-campo, os dissidentes em nada ficaram a dever à esquerda britânica, e também souberam gritar: "Que país é esse?", perguntava Renato Russo, um artista que encarnou no Brasil o que o Morrissey foi e ainda é hoje na cena musical crítica inglesa. O ex-líder do The Smiths foi sempre uma das vozes contra Thatcher das algumas enumaradas por mim no post Maggie, musa do avesso,
Há dois dias, no blog dele, Morrissey baixou o cacete no que ele chama de tentativa de se reescrever a História agora que a "sweet Maggie" se foi: "Thatcher não era uma líder forte ou formidável. Ela simplesmente não queria saber das pessoas, e esta frieza foi delicadamente transformada em bravura pela imprensa britânica, que está a tentar reescrever a história para proteger o patriotismo". Morrissey analisa fundo: "o nome de Thatcher deve ser protegido não por causa de todo o mal que ela fez, mas porque as pessoas ao redor dela permitiram que ela o fizesse, e, portanto, qualquer crítica à Thatcher lança uma luz perigosamente absurda em toda a máquina da política britânica".
E ataca o aparato de segurança do funeral de Thatcher marcado para a semana que vem, a um custo de 10 milhões de libras (11 milhões de euros ou 25 milhões de reais): "O funeral vai ter segurança pesada por medo de que os contribuintes britânicos possam finalmente expressar seu ponto de vista sobre Thatcher. Eles serão expulsos com gás lacrimogêneo ao menor gesto pela polícia." Amargo, Morrissey conclui: United Kingdom? Syria? China? What's the difference?.
Não é à toa que o blog se chama True to you.
Há dois dias, no blog dele, Morrissey baixou o cacete no que ele chama de tentativa de se reescrever a História agora que a "sweet Maggie" se foi: "Thatcher não era uma líder forte ou formidável. Ela simplesmente não queria saber das pessoas, e esta frieza foi delicadamente transformada em bravura pela imprensa britânica, que está a tentar reescrever a história para proteger o patriotismo". Morrissey analisa fundo: "o nome de Thatcher deve ser protegido não por causa de todo o mal que ela fez, mas porque as pessoas ao redor dela permitiram que ela o fizesse, e, portanto, qualquer crítica à Thatcher lança uma luz perigosamente absurda em toda a máquina da política britânica".
E ataca o aparato de segurança do funeral de Thatcher marcado para a semana que vem, a um custo de 10 milhões de libras (11 milhões de euros ou 25 milhões de reais): "O funeral vai ter segurança pesada por medo de que os contribuintes britânicos possam finalmente expressar seu ponto de vista sobre Thatcher. Eles serão expulsos com gás lacrimogêneo ao menor gesto pela polícia." Amargo, Morrissey conclui: United Kingdom? Syria? China? What's the difference?.
Não é à toa que o blog se chama True to you.
domingo, 17 de março de 2013
A propósito do Papa argentino
Bergoglio, aliás então futuro papa Francisco I, dá a comunhão ao general Jorge Videla.
A " Santa" Sé realmente mostrou não está mesmo nem aí para o mundo, para a atualidade e muito mesmo para o passado ao eleger Jorge Mario Bergoglio como papa. Aliás, o que esperar de um grupo que acolhe em sua cúpula figuras como o cardeal flamengo Godfried Danneels e os cardeais irlandeses, que se calaram durante décadas sobre os casos de pedofilia na Igreja belga e irlandesa? Ao ver Chico I ladeado de Danneels na sua primeira aparição pública pensei: esses cardeais tomaram iogurte com Johnnie Walker, ou seja (com licença da expressão): estão cagando e andando.Mas, como conheço os nossos hermanos, sabia que logo vozes conscientes iriam se levantar, porque argentino engajado, meus caros, não deixa barato. Me lembrei dos famosos escrachos - manifestações com bumbos e gritaria na porta da casa de ex-torturadores, que presenciei em Buenos Aires em pleno ano de 2006.
Pois, passada a euforia e o momento fofura, eis que os jornais europeus do final de semana ecoam vozes, como a de Horacio Verbitsky, autor do livro Doble Juego - La Argentina Católica y Militar.
E a de León Ferrari, um dos mais respeitados artistas plásticos argentinos, que teve uma exposição depredada em 2004, depois de ser declaro blasfemador pelo cardeal Bergoglio.
Para quem quer se aprofundar, recomendo a cobertura de Verbitsky para o jornal Página /12 sobre a primeira conferência de imprensa de Francisco I.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Lavagem cerebral
Quando eu era bem criança, a minha meca era a banca de revistas do Largo de Santa Luzia.
Grande, aliás, enorme (assim me parecia), cheia de quadrinhos reluzentes e revistas de capas bem coloridas, a banca levava toda a minha verba mensal e ainda me provocava desejos atrozes de comprar mais e mais revistas.
Desenvolvi então um "sonho acordado" que envolvia uma espécie de "dinheiro imaginário" que eu sempre carregava no bolso direito da minha bermuda, na verdade uma bilhete supostamente assinado pelo então presidente Emílio Garrastazu Médici, ordenando que o dono da banca me fornecesse todas as revistas que eu desejasse.
Havia um outro bilhete, que ficava guardado no meu bolso esquerdo, no qual o presidente ordenava gentilmente que a Padaria Circular, na esquina da Tv. Dom Pedro com Tv. Jerônimo Pimentel, me desse todos os pastéis de queijo que eu pedisse.
Não tenho como recordar disso tudo sem rir sozinho.
E é lógico que jamais tive coragem de usar o "dinheiro" do General Médici.
Não consigo me lembrar até quando esse delírio persistiu, mas é bem claro na minha memória embaralhada sobre aqueles anos tão difíceis da nossa história (e eu nem suspeitava que havia uma ditadura em curso!) que não chegou a atingir o governo Geisel, pois dele jamais tive ordem alguma nos bolsos.
Hoje me indago como pude ter os meus infantis neurônios tão bem lavados nas aulas de Educação Moral e Cívica e sequer desconfiar?!...
Como?!
domingo, 10 de fevereiro de 2013
domingo, 30 de dezembro de 2012
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Cérebros e mapas
O século 16 foi o período da nossa história mais sulcado por
embarcações que tinham a missão de reconhecer o mundo e de mapeá-lo para o nosso
entendimento e deleite.
Naquele tempo os oceanos eram (e ainda permanecem) fontes inesgotáveis
de surpresas, e começaram a confirmar uma forte suspeita de que a complexidade
do mundo é tal que não devemos ousar nos aproximar dos seus fundamentos.
Séculos se passaram e nos arriscamos, mesmo sem ainda
conhecermos sequer o fundo dos mesmos oceanos singrados pelos nosso antepassados,
a romper essa ilha de trevas, de desconhecimento e de inércia na qual não nos
conformamos em viver.
E, com todo o respeito à física quântica e à astrofísica,
dissecar o cérebro humano nos seus aspectos morfológicos, neuro-bioquímicos e
fisiológicos, me parece ser a tarefa mais importante a ser executada pelo homem
neste momento histórico.
Os potenciais de exploração cerebral só não são maiores do
que os riscos envolvidos em se arranhar profundamente a ética e a moral. Afinal, manipular cirúrgica-
e/ou quimicamente o córtex normal apenas para angariar informações para a nossa
espécie, não é um ato isento de pesadas críticas.
Mas e se houver uma patologia envolvida? Podemos explorar um
pouquinho além do propósito inicial da cirurgia, estimulando áreas próximas?
Vou ilustrar com um fato do cenário neurocirúrgico contemporâneo,
publicado em periódico idôneo e reverberado mundo afora em congressos
específicos na área da Neurocirurgia Funcional.
Há poucos anos, durante procedimento de Neuromodulação (implante de eletrodos no cérebro para posterior estímulo elétrico),
visando tratar descargas elétricas anômalas em um paciente portador de um tipo
de epilepsia do lobo temporal, houve um pequeno desvio do alvo (região a ser
estimulada) e os neurocirurgiões canadenses se depararam com algo inusitado.
Ao se estimular as áreas “erradas” durante a cirurgia (que é
feita em grande parte em vigília plena), o paciente relatou lembranças
extremamente vívidas de um episódio ocorrido em sua infância, o qual
aparentemente era destituído de importância. Houve então uma descrição
meticulosa de odores, de cores de objetos, de frases longas ditas por parentes e
até de sentimentos experimentados naquele momento “esquecido” antes do estímulo.
Tudo foi documentado e publicado, e desde então o mesmo
grupo passou a ampliar a área de pesquisa, tendo havido relato verbal em um
congresso recente de mais seis procedimentos semelhantes, sempre aproveitando
cirurgias para epilepsia, e, é claro com o consentimento dos pacientes.
Podemos concluir, leigos ou não, que tudo relacionado à
memória está lá, guardado no cérebro. Absolutamente tudo registrado durante as nossas vidas. O problema é como acessar
essas informações.
Fica então a pergunta final no ar: se, na fronteira do saber, nem tudo estará dentro de possíveis inteligibilidades, até onde nos
levará um punhado de conhecimento que até poucos anos repousava nos braços da ficção
científica? Teremos capacidade de compreender o mapa cerebral que apenas começamos
a traçar?
O século 16 parece não ter acabado.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Memórias da ditadura
Em 1973, nem propaganda de absorvente escapava da fúria dos censores do governo militar.
Quase quarenta anos depois, a pergunta continua no ar: o que pode haver de "afronta à moral e aos bons costumes" no comercial acima, estrelado pela então jovem e promissora atriz Marília Pera?
sábado, 6 de outubro de 2012
A urna eletrônica e a segurança: mito ou realidade?
![]() |
| Imagem: TSE |
Amanhã, uma vez mais, vamos nos encontrar com ela: a urna eletrônica.
Para quem não sabe, à grosso modo a urna é uma jovem senhorita com cerca de 26 anos. Se levarmos em conta sua primeira utilização no ano de 1986, mesmo que não exatamente com o perfil, amplitude e tecnologia embutidas na atualidade, esta é sua idade. Entretanto, se considerarmos o momento em que de fato foi implantada em todo o território nacional, ela ainda é uma criança emberbe com apenas 12 anos.
Ao longo do tempo, muitas modificações foram feitas, sempre objetivando a segurança e a eficiência da apuração dos votos. Algumas, muito importantes (e surpreendentes). Como por exemplo, a mudança de seu sistema operacional de Windows CE (pasmem!!) para Linux a partir de 2008.
Contudo, apesar de toda esta trajetória de contínuo aperfeiçoamento, seria a votação eletrônica realmente segura?
A resposta para muitos da área de TI é conhecida e costuma vir na ponta da língua: nenhum sistema é absolutamente seguro. Mesmo assim, o TSE continua afirmando oficialmente que a urna é superhipermega segura. À tal ponto que, nós brasileiros, com a mãe no peito e o hino nacional na ponta da língua, teríamos carradas de motivos para nos orgulharmos de todo o processo eleitoral eletrônico adotado no país.
Bem. Segundo o Gizmodo BR, talvez não seja bem assim.
Atualmente, a mistura considerada ideal é de confiança em software, mas também em transparência em sua apuração, seja com votos impressos ou escaneados, seja com a confirmação pessoal de um registro digital — a garantia de que seu voto realmente foi computado.
Leia a íntegra clicando aqui.
"Garimpando" a Belém de outrora
A fotografia tem essa mágica: eterniza em uma imagem alguma informação. Como se congelasse em uma fração de segundo, uma mágica fatia do tempo.
Garimpando no Google Imagens, encontrei alguns belos exemplos de fotografias históricas do extinto "Grande Hotel" em Belém.
Quando criança, ainda cheguei a conhecê-lo já desativado. Lembro bem que tinha um inexplicável medo da escada de incêndio que se localizava em sua fachada lateral direita. Bem mais adiante, a maravilha arquitetônica seria demolida para a construção do atual Hilton Belém.
As imagens abaixo são espetaculares. Seja pela boa qualidade, seja por aspectos curiosos.
![]() |
| Grande Hotel em Belém - Imagem de fonte desconhecida, via Google Images. |
Situado na principal avenida da região central da cidade, o hotel (bem como outras magníficas edificações) foi símbolo do esplendor de uma época áurea na região, conhecida como "ciclo da borracha".
![]() |
| Charme e elegância do "Palace Theatre" no Grande Hotel Belém - Imagem de fonte desconhecida via Google Imagens. |
Em seu andar térreo, um elegante café reunia o grand monde de uma época onde os bondes, as ruas com paralelepípedos, o chapéu panamá e o summer (aquele paletó todo branco) eram a tônica (interessante que o uso do summer, deveria confundir garçons com usuários, não?).
Entretanto, sem a menor dúvida, a imagem mais surpreendente e curiosa que encontrei foi esta.
![]() |
| Imagem: Rótulos Antigos. |
Um incrível rótulo original do Grande Hotel obtido no blog Rótulos Antigos.
Que tal?
1 ano sem Steve
A Apple lembrou ontem o primeiro ano sem Steve Jobs.
Ainda disponível na home page de seu website oficial, este belo vídeo relembra alguns ótimos momentos de Steve.
Ainda disponível na home page de seu website oficial, este belo vídeo relembra alguns ótimos momentos de Steve.
Em meio a imagens históricas e fundo musical clássico, o vídeo elenca algumas citações marcantes feitas pelo inesquecível CEO de Cupertino.
Entretanto, em minha opinião, a mais interessante é esta.
Entretanto, em minha opinião, a mais interessante é esta.
"It's in Apple's DNA, that technology alone is not enough. It's technology married with liberal arts, married with humanities that yields us the result that makes our heart sing".
Saudade!
Foi como Steve resumiu brilhantemente o conceito que perseguiu em todos os produtos que a Apple desenvolveu ao longo de seu comando.
Saudade!
domingo, 23 de setembro de 2012
Amazônia revisitada
Para aqueles que perderam o lançamento, em 2011, o Guia Histórico AMAZÔNIA EXÓTICA será relançado na Feira do Livro, na próxima quarta-feira, com a presença dos autores Olímpia Resque e Daniel Giese.
Considero a obra essencial para os apaixonados pela nossa região, e certamente flanarei por lá, uma vez que a segunda edição do caderno de anotações Os Viajantes será lançada simultaneamente.
Anotem!
sábado, 25 de agosto de 2012
O Cortejo da Árvore de Ouro II
O Cortejo Árvore de Ouro - a reinvenção
Na Europa, as velhas cidades costumam recriar fatos históricos em grandes cortejos que atraem turistas e promovem essa aura histórica. É assim com o Pálio, a corrida de cavalos medieval em Siena, na região da Toscana, na Itália. Aqui na Bélgica, há vários cortejos, mas talvez nenhum tão grandioso quanto o Grande Cortejo da Árvore de Ouro (em neerlandês De Praalstoet van de Gouden Boom). Para começar, ele acontece somente a cada cinco anos: ou seja, quem perder os dois domingos de desfile em 2012, só vai ter outra chance em 2017.
Este ano, é a segunda vez que assisto o cortejo. O argumento básico é um fato histórico. Na metade do século XV, Flandres era um riquíssimo condado governado por Carlos, o Temerário (Karel, de Stoute). Para firmar alianças, o então Conde de Flandres se casa com Magarita de York, irmã Eduardo IV e Ricardo II, reis da Inglaterra. O casamento foi realizado em julho de 1468. A noiva veio da Inglaterra e desembarcou em Damme, a 5 km de Brugge. De lá, veio em grande cortejo e entrou na cidade. Imaginem os festejos. Um dos eventos na praça central foi um torneio de cavaleiros com lanças, chamado torneio da Árvore de Ouro.
Pois, essa história toda foi remontada num cortejo já no meio do século XX. A primeira vez foi em 1958 e aí se estabeleceu que seria quinquenal. Nessa 12ª edição, pelo menos 2.000 atores e figurantes desfilam pelas ruas de cidade. O cortejo tem momentos de teatro de rua, com encenações e falas históricas e muita música ao vivo, garantida pelas bandas sinfônicas e fanfarras. Eles contam não somente o casamento de Carlos e Margarita, mas também relembram fatos históricos de Brugge, como por exemplo, a invasão viking, antes da Idade Média...
a luta contra dragões (este mostrengo fica estacionado, antes de entrar em cena, na porta da nossa casa, pois a concentração dos atores e figurantes é aqui no nosso bairro).
a riqueza dos bruggelingen (os moradores da Brugge medieval)...
que deixou Margarita de York (abaixo) abismada: "Eu pensava que não haveria gente tão elegante fora da Inglaterra, e aqui eles são centenas!"
A escolta do conde, os temidos cavaleiros flamengos.
e no final, uma representação da nobreza medieval européia por crainças, mostrando que, apesar da crise, a Europa sabe ainda se reinventar.
As fotos acima foram feitas por mim tanto na edição de 2007 e quanto na edição de 2012, que aconteceu no domingo passado, dia 19 de agosto, e se repete amanhã, dia 26. Brugge espera receber pelo menos 50 mil pessoas só para o ver o cortejo.
que deixou Margarita de York (abaixo) abismada: "Eu pensava que não haveria gente tão elegante fora da Inglaterra, e aqui eles são centenas!"
Aqui, os pais do noivo, Felipe, o Bom e Isabel de Portugal.
E, à direita, o feliz Carlos, o temerário - aqui numa versão 2012, um tanto baby face.
Os gigantes legendários aparecem também no cortejo.
As fotos acima foram feitas por mim tanto na edição de 2007 e quanto na edição de 2012, que aconteceu no domingo passado, dia 19 de agosto, e se repete amanhã, dia 26. Brugge espera receber pelo menos 50 mil pessoas só para o ver o cortejo.
domingo, 29 de julho de 2012
O doce e o azedo
Uma rápida olhada nos sites de notícias brasileiros, já nos azedou o dia. As reações no Planalto à supresa foram as mais sórdidas possíveis, afinal ninguém sabia, nem mesmo a presidente Dilma, que a ex-ministra participaria com tanto destaque de um evento global transmitido ao vivo. Entre outras coisas, se falou até em "ofensa ao Governo brasileiro", "mal-estar na comitiva presidencial" etc. O ministro do Esporte, Aldo Rabello, ironizou a participação de Marina. Segundo ele, não é o governo quem escolhe a pessoa que vai levar a bandeira olímpica e sim a Casa Real.“Não podemos determinar quem a Casa Real vai convidar, fazer o quê?”, afinetou. “A Marina Silva sempre teve boas relações com a aristocracia europeia”. Errado!!! Quem organiza o evento é o Comitê Olímpico Internacional , e para o COI, Marina Silva mereceu ser convidada, pela “luta contra a destruição da floresta brasileira”, além de “enfrentar a oposição política e o assassinato de seu colega Chico Mendes”.
O sábio Tom Jobim dizia que sucesso no Brasil é ofensa pessoal. Eu acrescentaria que é também ofensa mortal quando quem faz sucesso é da oposição, de origem pobre e amazônida.
As reações dos políticos no poder não podem "apequenar" um grande momento histórico para o Brasil e para a luta pelos povos da Amazônia, como disse a própria Marina, numa emocionada entrevista à TV Estado.
Aqui, preferi postar um outro depoimento da mais importante ativista amazônida. Ela fala sobre como foi estar lá, junto com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, o maestro argentino-israelense Daniel Barenboim, Sally Becker (voluntária durante a Guerra da Bósnia com a Angel Operation), Shami Chakrabati (presidente da British Civil Liberties Advocacy Organisation), Leymah Gbowee (primeira mulher presidente da Libéria e Nobel da Paz em 2011), Haile Gebrselassie ( o etíope considerado um dos maiores maratonistas da História), Doreen Lawrence (ativista britânica que teve dois filhos mortos em crimes raciais). E ainda, o grande Mohammed Ali.
Marina Silva estava ali por todos nós! Viva Marina! Viva o Brasil que resiste!
sábado, 21 de julho de 2012
Mosqueiro, Apollo 11 e a mágica
Eu era apenas um tímido moleque de apenas 7 anos. Para minha alegria, os vizinhos habituais do Murubira estavam presentes com seus filhos. Eles eram a minha garantia de diversão nas férias escolares de julho. Vanvan, Carol, Avany, Tatá, Pinga, Cilinha, Tony, Ruizinho, entre tantos outros que se somavam para curtir a praia, bater uma bolinha e, à noite, brincar de "Cai-no-poço", "Pó, Ruge e baton", "Pira", "Esconde-esconde", etc. Ou então, em momentos algo mais reflexivos, olhar para o céu noturno e arrepiar os cabelos com histórias e suposições sobre outros planetas e extra-terrestres, as enormes distâncias que nos separavam deles, e admirar a lua, sua beleza e seus mistérios.
Gorducho, retraído e criado em ambiente de rígida moralidade cristã, era mais ingênuo que a média das crianças de mesma idade. Claro que era alvo preferencial de inevitáveis "encarnações" que acabava absorvendo com naturalidade. Na época, nem existia o termo bulliyng da atualidade (muito embora a prática nefasta já existisse epidemicamente nas escolas e outros ambientes). Contudo, por alguma razão, nunca senti nada próximo a qualquer tipo de sofrimento com aquela turma querida. Era algo que rolava numa boa, sempre entremeado com manifestações de respeito e amizade, que terminavam por amenizar tudo.
Já encarava as primeiras paixões platônicas pelas garotas superhipermega lindas da turma. Uma tremenda ousadia para um gordinho com péssima autoestima. Daquelas que você em algum momento pensa: "te manca e vai procurar alguém pro teu bico, rapá!". De fato, somente bem mais adiante, já aos 15 anos, eu iria dar meu primeiro beijo na linda menina que nunca mais iria ver. Foi apenas uma noite e fim! Foi inaugurada então a primeira "ficada" da minha vida.
![]() |
| Petromax |
Neste cenário, há exatos 43 anos atrás, uma pequena televisão ADMIRAL de 14 polegadas em preto e branco, conectada a um tosco "regulador de voltagem" e a uma indispensável antena externa, mostraria precisamente as imagens abaixo.
Olhava para aquilo tudo e não conseguia disfarçar minha excitação infantil. Aquele instante mágico, de alguma maneira, era também a realização de um sonho pessoal. A família toda reunida em torno daquelas 14 polegadas, não dava uma palavra. Estavam todos encantados!
Meu pai esforçava-se para responder todas as perguntas que fazíamos. Eram muitas. Eu já me incomodava com o fato de que havia um grande atraso entre o fato e a imagem que nos chegava. Indignado eu pensava: "sacanagem! Isso tudo já aconteceu e só agora estamos vendo"! Mal entendia o empenho tecnológico necessário para que aquelas imagens desfocadas e atrasadas chegassem aos mais variados e distantes rincões do mundo.
Se não me falha a memória, a transmissão iniciou por volta da hora do almoço. As famílias estavam todas em casa. Poucos possuíam televisão no país. Menos ainda na agradável ilha. Talvez muitos nem tenham tomado conhecimento da façanha. Pude comprovar isso cerca de 5 anos mais tarde.
Aficcionado do plastimodelismo, montei um kit da Revell que constava de: 1 foguete Saturno, a cápsula Apollo 11 e o módulo lunar (veja aqui o kit, que ainda está à venda). Uma maravilha que montei com esmero e deixei em exposição no enorme quarto que dividia com meus 3 irmãos. O brinquedo não escapou da curiosidade de Antonio, filho da empregada de minha mãe.
Oriundo da cidade de Igarapé-Miri e apenas 1 ano mais velho que eu, ele tinha o típico perfil de caboclinho amazônico. Brincávamos muito enquanto sua mãe trabalhava. Um dia ele me perguntou sobre "aquela coisa". Espantado com a pergunta, com toda a paciência, descrevi todos os detalhes da missão Apollo 11, indicando o papel de cada um daqueles elementos. Para minha surpresa (e posterior indignação), ele simplesmente não acreditava!!
Desafiado, na sequência emprestei-lhe então uma edição especial da revista Veja (que guardo até hoje) dedicada a então designada "corrida espacial". Ricamente encadernada e ILUSTRADA. Não adiantou! Para minha absoluta irritação, ele não tirava da cara um riso maroto, (que tenho dificuldade em descrever). Mas em síntese, eu traduziria aquele riso assim: "essealmofadinha cara pensa que vai me enganar"?
Para ler e ver mais:
Meu pai esforçava-se para responder todas as perguntas que fazíamos. Eram muitas. Eu já me incomodava com o fato de que havia um grande atraso entre o fato e a imagem que nos chegava. Indignado eu pensava: "sacanagem! Isso tudo já aconteceu e só agora estamos vendo"! Mal entendia o empenho tecnológico necessário para que aquelas imagens desfocadas e atrasadas chegassem aos mais variados e distantes rincões do mundo.
Se não me falha a memória, a transmissão iniciou por volta da hora do almoço. As famílias estavam todas em casa. Poucos possuíam televisão no país. Menos ainda na agradável ilha. Talvez muitos nem tenham tomado conhecimento da façanha. Pude comprovar isso cerca de 5 anos mais tarde.
Aficcionado do plastimodelismo, montei um kit da Revell que constava de: 1 foguete Saturno, a cápsula Apollo 11 e o módulo lunar (veja aqui o kit, que ainda está à venda). Uma maravilha que montei com esmero e deixei em exposição no enorme quarto que dividia com meus 3 irmãos. O brinquedo não escapou da curiosidade de Antonio, filho da empregada de minha mãe.
Oriundo da cidade de Igarapé-Miri e apenas 1 ano mais velho que eu, ele tinha o típico perfil de caboclinho amazônico. Brincávamos muito enquanto sua mãe trabalhava. Um dia ele me perguntou sobre "aquela coisa". Espantado com a pergunta, com toda a paciência, descrevi todos os detalhes da missão Apollo 11, indicando o papel de cada um daqueles elementos. Para minha surpresa (e posterior indignação), ele simplesmente não acreditava!!
Desafiado, na sequência emprestei-lhe então uma edição especial da revista Veja (que guardo até hoje) dedicada a então designada "corrida espacial". Ricamente encadernada e ILUSTRADA. Não adiantou! Para minha absoluta irritação, ele não tirava da cara um riso maroto, (que tenho dificuldade em descrever). Mas em síntese, eu traduziria aquele riso assim: "esse
Para ler e ver mais:
- NASA - Apollo 11 Partial Restoration HD Video Streams
- TechCrunch - 43 years ago today, we walked on the moon
- Plastimodelismo - Revell
- Wikipedia - Apollo 11
- Petromax (Website oficial)
- Vídeo - O Petromax de meu pai era exatamente este!
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Inesquecíveis e colecionáveis
Como Belém é uma metrópole marginal por excelência, ficamos à margem da fantástica coleção de miniaturas automotivas Carros Inesquecíveis do Brasil, à venda em quase todas as bancas e revistarias dos outros estados da nossa república federativa.
Os belíssimos carrinhos, em escala 1/43 (a minha favorita), são lançados quinzenalmente e preenchem uma lacuna histórica de documentação da indústria automobilística nacional. Serão no total 50 lançamentos, englobando modelos produzidos de 1950 a 1990.
Tive a felicidade de conhecer a dita coleção em junho, no Rio de Janeiro, e consegui comprar os 3 primeiros exemplares (Opala SS, Fusca e Puma GTE). Os próximos serão o Maverick e o Karmann Ghia.
Para os interessados nestas preciosidades, é possível encomendar toda a coleção pelo site da Editora Planeta Deagostini.
Pra lá de imperdível!
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Dia mundial do Fusca
Graças à lembrança do nosso comentarista frequente, Pedro do Fusca, o Flanar pôde comemorar hoje o Dia Mundial do Fusca, compartilhando imagens de um punhado de belos beetles, bugs, kaeffer, escarabajos, coccinelles, vochos, maggiolinos ou simplesmente, fuscas.
Parabéns, besouros!
Parabéns, besouros!
Split 1953
1960
Fuscão
Fafá
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