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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Vergonha que não é alheia, é nossa III

Publicado na edição de 31/03/2014 do jornal Metro, edição flamenga

Curso de segurança para torcedores na Copa do Mundo
Bruxelas - Torcedores que vão torcer pelos Diabos Vermelhos (NT: apelido dos jogadores de seleção belga) na Copa do Mundo de Futebol no Brasil podem se armar via um curso especial de segurança contra os criminosos. Em Ranst (NT: cidade da província de Antuérpia,  a 55 km ao norte de Bruxelas), Campus Vesta,  o centro provincial de treinamento para policiais, bombeiros e socorristas médicos de urgências, organiza tal treinamento junto com seu parceiro holandês ProCentrum.
A Brazilian Experience é um curso interativo e se desenrola num bar fictício. Os torcedores ganham uma prova da noite noturna  brasileira com samba ao vivo e deliciosos tira-gostos, mas também com batedores de carteira profissionais. "Você pode ler na internet o que pode  fazer e o que deve evitar, mas logo se esquece. Mas se você mesmo descobre, então fica mais na sua cabeça", garante Ben Cuypers, treinador de controle de agressões.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Harmonias bonitas, possíveis, sem juízo final

Como você revista um homem que antes era mulher? Essa é uma das perguntas na nova cartilha de treinamento da Polícia na Bélgica. A publicação faz parte de uma campanha que quer  preparar melhor os policiais a lidar com os cidadãos transgêneros. Esse é mais um passo, ou melhor, um pulo à frente nesse pequeno paìs, que foi o segundo no mundo a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo (isso há mais de 10 anos) e onde a mudança de sexo nos documentos civis é um procedimento administrativo e não judicial. E desde então , a família, a ordem e a segunça pública não desmoronaram. Vão bem, obrigado.
Na reportagem sobre a iniciativa de Polícia, publicada no jornal  Het Nieuwsblad semana passada (foto acima) , o personagem na foto é o agente Arend Vandecasteele, 36 anos de idade, 16 dos quais trabalhando na Polícia da província belgo-flamenga  de Limburg. Nos primeiros dez anos de serviço ele era uma inspetora, mulher. Há seis anos, ele ganhou um novo prenome, depois de um período de transformação. Durante a mudança, ele continuou a trabalhar, de modo que os colegas acompanharam a transição física. "A maioria dos colegas inspetores demonstrou compreensão. Uma minoria, um pouco menos, mas eu posso melhor lidar com piadinhas, desde que tudo fique na esfera dessa nova campanha de treinamento: Respeito pelos outros!" Arend trabalha no grupo de Intervenção Especializada - um corpo de elite da polícia onde a exigência de capacidade física é constante. Ele é um de uma dezena de policiais transgêneros na Polícia belga - que aliás tem um grupo LGBT organizado: a Rainbow Cops Belgium (banner do site abaixo).
Como diz Caetano Veloso,  na canção Fora de Ordem:
"Eu não espero pelo dia
Em que todos
Os homens concordem
Apenas sei de diversas
Harmonias bonitas
Possíveis sem juízo final.."




sábado, 7 de setembro de 2013

Steve Jobs, entre a devoção e o menosprezo

É impossível acompanhar este blog sem saber que o nosso chefe de redação, Carlos Barretto, é um dos inúmeros fãs de carteirinha de Steve Jobs e consumidor contumaz de produtos tecnológicos que, quando produtos de informática, são da Apple. Assim, este não seria exatamente o local mais adequado para reproduzir o texto abaixo, uma crítica ao filme jOBS, que o público de Belém finalmente poderá assistir, escrita por Pablo Villaça, do Cinema em Cena, que como todo crítico é um chato, alternando momentos de brilhantismo com outros da mais cansativa marrentice.

Caberá a quem ler a crítica e ver o filme (devo vê-lo hoje) avaliar até onde Villaça foi feliz. Devo alertar que ele já começou a escutar. As primeiras respostas de leitores dadas a sua crítica (leia aqui) foram aborrecidas. Fazem-lhe acusações. Felizmente para ele, num nível decente e merecedor de respeito, que em suma dizem que ele não escreveu sobre o filme. Talvez algum despeito inconfesso tenha movido o rapaz. Mas há, claro, quem também elogie o crítico e a lucidez de seu texto, que fala sobre o comportamento das pessoas neste mundo de hoje.

Quem me conhece sabe que, desta vez, concordarei com Villaça. Naturalmente, não sobre os aspectos de um filme que não vi. Mas certamente sobre Ashton Kutcher ser um ator limitado e sobre computadores, telefones e gadgets, de um modo geral, serem apenas... máquinas. Ele os chama debochadamente de "eletrodomésticos". Um exagero, decerto, mas mesmo nós, modestos blogueiros domésticos, recorremos habitualmente a recursos de estilo para dramatizar, chocar e prender a atenção. Já fui bombardeado mil vezes por causa disso. E até admiti que devo evitar as generalizações.

Enfim, os gadgets de um modo geral, e mesmo os da Apple (também concordo com Villaça quando não consegue identificar a proclamada superioridade da marca), podem ser muito mais do que eletrodomésticos e contribuírem para mudanças radicais no modo como as pessoas vivem (p. ex., fazer um cara como eu, que sou professor, ter que competir com o WhatsApp...), mas eles continuam sendo máquinas e nada mais. São questões claras para mim, a ponto de não merecerem questionamento: bichos, por mais amados que sejam, não são pessoas; máquinas não são sujeitos de direitos. Daí a frase de Villaça, para mim, foi luminosa: eu também jamais aplaudiria um produto vendido em shoppings.

Mas cada qual no seu quadrado. Deixo-lhes a crítica e, se eu conseguir ver o filme, depois volto para falar algo a respeito. Há duas pessoas que eu queria ouvir sobre o tema. Uma é o nosso Barrettão, por isso fiz esta postagem aqui. A outra é um amigo filósofo, que convidarei para ler.

No mais, um belo final de semana para todos.

Eu tenho um iPhone. Aliás, neste exato momento estou usando o aparelho para ouvir canções organizadas numa lista especial que emprego sempre que escrevo. É uma invenção útil, sem dúvida alguma, e que facilitou bastante meu cotidiano pessoal e profissional. Dito isso, permanece sendo um aparelho, um eletrodoméstico. Não se trata da cura do câncer, de uma obra de Arte inesquecível ou de um tratado filosófico. Assim, quando, na cena inicial deste Jobs, o personagem-título apresenta o iPod como “uma ferramenta para o coração” e é aplaudido de pé por dezenas de pessoas enquanto travellings aproximam a câmera do rosto de personagens que sorriem com expressão de terem testemunhado a História sendo feita, tive a sensação de estar assistindo a uma comédia. Como membro da classe média, sou consumista como qualquer um, mas posso garantir algo: jamais me verão aplaudindo um objeto vendido em shoppings.
Terceira parte de uma trilogia informal que conta também com A Rede Social e Os Estagiários, este Jobs pode ser encarado como uma prequel dos capítulos anteriores, já que a aborda parte do surgimento da tecnologia que permitiria a propagação da Internet para os lares de todo o mundo: o computador pessoal. Escrito pelo estreante Matt Whiteley, o longa reconta a história da fundação da Apple a partir da trajetória de Steve Jobs (Kutcher), que passa boa parte da projeção celebrando vendas recordes e apresentando invenções “revolucionárias” para seus adoradores – e seu gênio para vendas pode ser constatado a partir da legião de fãs que atingem orgasmos múltiplos apenas com a menção de seu nome, atribuindo ao sujeito a responsabilidade por tudo de bom e justo que aconteceu no planeta nos últimos 30 anos.
O que é curioso, pois, se julgarmos pelo que é apresentado aqui, Jobs era bem canalha. Demonstrando seu descaso para com qualquer outro ser humano ao estacionar sempre na vaga para deficientes de sua empresa, o protagonista diz, em um instante, não ligar para posses materiais apenas para, momentos depois, ficar sem fala ao receber uma oferta de 5 mil dólares para completar um trabalho, não hesitando em mentir para o amigo Steve Wozniak (Gad, que, apropriadamente, também esteve em Os Estagiários) a fim de ficar com a maior parte do dinheiro resultante dos esforços deste. Tratando os subalternos com estupidez e agressividade, Jobs não vê problema em roubar a ideia de um parceiro comercial ao conceber o Apple II como uma máquina completa (em vez de uma simples placa-mãe), mas, hipocritamente, irrita-se ao suspeitar ter sido plagiado por um Bill Gates em início de carreira.
Aliás, se Jobs tem uma virtude é justamente o fato de evitar se transformar em uma hagiografia, retratando o personagem-título como um indivíduo egoísta, egocêntrico e mesmo cruel. Infelizmente, o longa falha ao jamais estabelecer uma conexão lógica ou mesmo alguma transição entre as várias fases e facetas do sujeito: em um instante, Jobs surge lamentando ter sido abandonado pelos pais biológicos (em uma troca de diálogos risível, diga-se de passagem); em outro, expulsa a namorada grávida de sua casa sem hesitar um segundo, recusando-se a visitar a criança mesmo depois de ter sua paternidade comprovada por exames – e quando, subitamente, a filha (já adolescente) aparece morando em sua casa, o filme não se preocupa em explicar como ele subitamente se transformou em “pai do ano”, contentando-se em mostrá-lo chamando a garota para tomar café e observando o filho caçula brincando no jardim. (E, do ponto de vista psicológico, seria no mínimo interessante observar que o nome do computador Lisa é o mesmo da filha por ele abandonada.)
Dirigido pelo mediano Joshua Michael Stern, Jobs traz constantes planos nos quais seguimos Steve Jobs enquanto caminha pelo campus, pelos corredores da Apple e em feiras de informática, como se acompanhássemos uma figura icônica – um ícone que permanece indecifrável e cuja natureza mutante se reflete nos figurinos: aqui, usa coletes e ternos para parecer mais profissional; ali, é o único a surgir usando roupas casuais em encontros de negócios. Enquanto isso, o design de produção faz um trabalho exemplar não só de recriação de época (melhor: épocas), como também é hábil ao sugerir a atmosfera amadora do início da Apple e, posteriormente, o ambiente estéril e corporativo que tomaria conta da empresa. Este cuidado com a fidelidade, aliás, é exibido com orgulho nos créditos finais, quando vemos fotos das figuras reais ao lado dos atores que as encarnaram – e, ao longo da projeção, o cineasta inclui inúmeros planos abertos que têm, como único objetivo aparente, demonstrar como Ashton Kutcher aprendeu a imitar o caminhar típico de Steve Jobs.
Kutcher que, infelizmente, não consegue ir muito além de uma imitação em sua performance, já que, em nenhum momento, conseguimos esquecer que ali se encontra o astro de That 70’s Show e Cara, Cadê Meu Carro? e cuja vida pessoal tem mais destaque que a profissional. Ator naturalmente limitado, ele constantemente deixa clara a artificialidade de sua composição – e quando Jobs se levanta abalado após ser excluído da empresa que ajudou a fundar, a expressão de Kutcher denota um ator que aprendeu a imitar uma emoção em vez de vivê-la em cena. Por outro lado, parte do problema de seu personagem deve-se mesmo ao roteiro, que falha em decidir-se não apenas com relação à natureza do protagonista, mas também de sua empresa. Steve Jobs era um idealista ou um mercenário? Sentia remorso de suas ações passadas ou achava-se justificado? E já que em vários momentos ouvimos personagens falando orgulhosamente sobre “o que a Apple representa”, creio ser razoável que perguntemos, então, o que ela representa, afinal – algo que o filme jamais se preocupa em esclarecer. Quando pensamos na marca, o que deve vir à mente: produtos úteis no cotidiano e de design elegante ou as fábricas na China que exploram trabalho escravo, incluindo mão-de-obra infantil? E se estivermos falando da primeira opção, o que torna a Apple diferente da Sony, da Microsoft ou da HP? Se a resposta for “o estilo” ou mesmo “a qualidade dos produtos”, sinto em dizer que isto não “representa” nada do ponto de vista filosófico (como muitos parecem querer acreditar), tratando-se meramente de características industriais.
E é aqui que Jobs peca como narrativa: mesmo enxergando seu protagonista como um homem falho, o longa ganha tons reverenciais sempre que aborda a Apple como empresa, com direito a trilha inspiradora durante a apresentação dos produtos, quando beira o puro infomercial. Além disso, ao estabelecer Steve Wozniak como o verdadeiro gênio por trás das tecnologias apresentadas pela companhia, o filme inspira mais interesse pelo sujeito do que pelo personagem-título – o que, associado à performance multifacetada de Josh Gad, sugere que, num mundo justo, estaríamos assistindo a Woz em vez de a Jobs.
Porque se Steve Jobs tinha um talento especial, este dizia respeito ao comércio, já que suas apresentações repletas de frases de efeito e hipérboles levavam os MacHeads ao delírio, quando aplaudiam empolgadamente produtos (o que já é ridículo por natureza) sem nem mesmo terem uma ideia clara do que estes faziam (o que cruza a fronteira do patético). Se provocar devoção a ponto de levar adultos a permanecerem dias e dias numa fila interminável apenas pelo prazer de se encontrarem entre os primeiros a comprar um eletrodoméstico é algo digno de admiração, Jobs homenageia a pessoa certa; por outro lado, se a criatividade, o puro gênio e um bom caráter fossem os critérios avaliados, o filme se beneficiaria caso se concentrasse no gordinho barbudo que, mesmo criando tudo que estabeleceu a Apple como a Apple, virou coadjuvante de luxo do sujeito que se encarregou de vender suas invenções e descartar todos que deixavam de ser úteis ao seu projeto pessoal de grandeza.
Um homem tão falho que nem o longa que recria sua trajetória parece aturar.
05 de Setembro de 2013

sábado, 8 de junho de 2013

Des Perles du Bac



  (do blog Veteran :  http://veteran.canalblog.com/archives/2010/06/23/18403409.html)

Para quem pensa que só no Brasil, nos vestibulares e Enems da vida, os estudantes criam "pérolas" como respostas absurdas, indico a leitura do livro Brèves de copies de Bac.  É uma publicação anual que reúne as respostas mais "criativas" nas provas de Baccalauréat, bateria de teste conhecida como Bac, uma espécie de Enem a que são submetidos os estudantes do último ano nos lycées (liceus) de ensino médio na  França - uma espécie de brevet para ingressar no ensino superior.  O Bac foi criado por decreto de Napoleão Bonaparte em 1808. E de lá pra cá já criou enciclopédias de pérolas, como estas, da foto, e abaixo (reproduzo  em francês para manter um "sabor original", logo seguido da tradução com algumas explicações entre parênteses):

Na montagem acima, Prova de História -
Quando queimaram Joana D'Arc, as pessoas sentiram um cheiro de santidade.

-Un octogénaire este une figure avec huit côtés.
Um octogenário é uma figura de oito lados.

-Platon est surtout célèbre pour ses banquets
Platão é  célebre sobretudo pelos seus banquetes.

-Pendant la guerre froid, deux blocs s'affrontent, un bloc chaud, les États-Unis avec Miami et ses belles plages, et un bloc froid, la Russie, avec ses immensités de glace, la Siberie.
Durante a guerra fria, dois blocos se enfrentam, um bloco quente, os Estados Unidos com Miami e suas belas praias, e um bloco frio, a Rússia, com suas imensidões de gelo, a Sibéria.

-Question: Citez des couples d'homophones
Réponse: Jean Marais et Cocteau, Rimbaud et Berlaine (sic), Delanoë mais je ne sais pas avec qui.

Questão: Cite duplas de (palavras) homófonas.
Resposta: Jean Marais e Cocteau, Rimbaud e Berlaine (em vez de Verlaine), Delanoë, mas eu não sei com quem.

(Bertrand Delanoë é um político socialista francês, abertamente homossexual, que é prefeito de Paris desde 2001).

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O professor Fábio Fonseca de  Castro, num comentário, contribui com mais pérolas do Bac. Merci, Fabiô!!!

-Les nazis ont commis des crimes humanitaires.
Os nazistas cometeram crimes humanitários.

-Pablo Picasso était un célèbre écrivain du 18e siècle. Parmi ses livres, Harry Potter est sans doute le plus connus.
Pablo Picasso foi um célebre escritor do século XVIII. Entre seus livros, o mais conhecido é, sem dúvida, Harry Potter.

- Qu'est ce que la liberté selon vous ? La liberté c'est comme un petit poney qui court dans un champs. 
 Questão: O que é a liberdade para você? Resposta: A liberdade é como um pequeno pônei correndo num campo.

- Rimbauld se moque de la bourgeoisie plus particulièrement de chaque bourgeois.
 Rimbaud ironiza a burguesia e, mais particularmente, cada burguês.
-La Première Guerre a été la première et dernière des guerres mondiales. La deuxième étant la Seconde.
A Primeira Guerra foi a primeira e última das guerras mundiais. A segunda sendo a Segunda.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

1° de Maio

1° de Maio (Chico Buarque - Milton Nascimento)

Hoje a cidade está parada
E ele apressa a caminhada
Pra acordar a namorada logo ali
E vai sorrindo, vai aflito
Pra mostrar, cheio de si
Que hoje ele é senhor das suas mãos
E das ferramentas

Quando a sirene não apita
Ela acorda mais bonita
Sua pele é sua chita, seu fustão
E, bem ou mal, é o seu veludo
É o tafetá que Deus lhe deu
E é bendito o fruto do suor
Do trabalho que é só seu

Hoje eles hão de consagrar
O dia inteiro pra se amar tanto
Ele, o artesão
Faz dentro dela a sua oficina
E ela, a tecelã
Vai fiar nas malhas do seu ventre
O homem de amanhã

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Mariage pour tous


A França se torna o 14° país a adotar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. E, garanto, meus caros, a vida seguirá seu curso normal, como aqui na Bélgica, o 2° país onde o casamento homoafetivo virou lei (2003) - o 1° foi a Holanda, em 2001.
Em dez anos, a sociedade belga não desapareceu, nenhum castigo divino caiu dos céus, a família vai bem, obrigado, e não existe nem sombra de uma "ditadura gay" -  mesmo desde  2011, ano em que  o país passou a ser comandado por um notório homossexual, o chefe do governo, o nosso primeiro-ministro, Elio Di Rupo.
E é incrível que a terra do Liberté, égalité, fraternité demorou tanto para avançar nessa questão fundamental para uma grande parcela de seus cidadãos. Não deixei de pensar em geniais franceses que amam e amaram o amor que não ousa (ousava) dizer seu nome: a tenista Amelie Mauresmo e sua esposa Sylvie Bourdon, o mestre Yves Saint-Laurent e o seu marido Pierre Bergé, e, claro, eles da fotografia acima, os nossos chouchous Paul Verlaine e Athur Rimbaud.
E para homenagear este avanço na terra do croissant, ouso publicar o clássico Soneto do Olho do Cu, dessa dupla do barulho no final do século XIX. Não que eu queira reduzir o amor entre iguais numa questão anatômica, mecânica, como algumas manifestações que vi no Facebook, onde os contrários ao casamento gay comparam pessoas a parafusos/porcas, plugs/tomadas para ilustrar que, na vida afetiva/sexual, num mundo onde a religião de uns devem ser a lei para todos,  apenas os contrários são complementares. 
Poesia como transgressão. Poesia como reflexo do ser humano. Poesia como expressão do Amor.

Segue mais abaixo uma livre tradução desse Soneto maldito feita pelo mestre dos mestres José Celso Martinez Correa e Marcelo Drumond,  para montagem do Oficina para a peça de Jean Genet, As Boas, em 1991 - tradução que foi musicada por José Miguel Winisk, que pode ser ouvida aqui no Youtube.


 Le Sonnet du Trou du Cul

(Paul Verlaine - Arthur Rimbaud)

Obscur et froncé comme un oeillet violet
Il respire, humblement tapi parmi la mousse
Humide encor d'amour qui suit la pente douce
Des fesses blanches jusqu'au bord de son ourlet.


Des filaments pareils à des larmes de lait
Ont pleuré, sous l'autan cruel qui les repousse,
À travers de petits caillots de marne rousse,
Pour s'en aller où la pente les appelait.


Ma bouche s'accoupla souvent à sa ventouse ;
Mon âme, du coït matériel jalouse,
En fit son larmier fauve et son nid de sanglots.


C'est l'olive pâmée, et la flûte caline ;
C'est le tube où descend la céleste praline :
Chanaan féminin dans les moiteurs éclos !


Soneto do Olho do Cu
(Verlaine- Rimbaud - tradução livre José Celso Martinez Corrêa e Marcelo Drumond)

Oculto , com pregas humilde , úmido ainda do amor cravo roxo ,
escondido respira no meio de mousse
que na bunda branca desce em doce debruce ,
em colo que rola na orla do arrocho ;

corrimentos escorrem , lágrimas de leite
por peidos cruéis expulsos , choram ,
pedrinhas de barro vermelhas molham , convulsam ,
escorregam na descida onde chamam ,'' Vem , deite ''

Sempre caí de boca e língua nessa ventosa ,
minha alma tri na foda material , invejosa ,
ela fez dele lacrimário rubro , ninho de soluço , sabre , brocha , tabu ;

mas é azeitona babada , flauta carinhosa ,
tubo onde desce a amêndoa oleosa ,
Canaã feminina na umidade abre , desabrocha , molha , olha , vê
oh cu !

domingo, 17 de março de 2013

A propósito do Papa argentino II

E coincidência do destino, chegou nesse fim de semana às salas européias o filme Elefante Blanco,  o mais recente de Pablo Trapero, o diretor argentino dos excelentes El Bonarense (2002),  Leonera (2008) e Carancho (2010).
O filme conta a história de dois padres engajados social e politicamente  na periferia de Buenos Aires. O bairro se chama Ciudad Oculta  e neles os padres Julián (Ricardo Darin, os mais consagrado ator argentino dos últimos anos)  e Nicolás (o belga Jéremie Renier, indicado a Trapero pelos irmãos Dardenne), trabalham junto com  a assistente social Luciana ( Martina Gusmán, que foi protagonista de Leonera). Eles  lutam para resolver os problemas sociais da comunidade, mas para isso,  enfrentam tanto  a hirarquia eclesiástica como aos poderes do governo e do narcotráfico.
Bem que Francisco I, se não viu, poderia assistir. Talvez para refeletir sobre uma possível penitência.
O trailer é uma mostra do que os críticos belgas chamam de vigor narrativo.

sábado, 29 de setembro de 2012

Socos preenchendo o vazio


Ontem à noite revi em DVD o cultuado e polêmico filme Clube da Luta (1999), de David Fincher.
O thriller, com Edward Norton e Brad Pitt, foi um fracasso (relativo) nas telas, obtendo, no entanto, enorme sucesso após o seu lançamento em DVD, tendo inclusive gerado uma enxurrada de teses e dissertações nos meios acadêmicos americanos.
Por surfar no perigoso e violento tema da crítica de costumes da geração consumista e hiper-conectada do final do século passado, tema este, por sinal, ainda atualíssimo, a película inspirou atentados pelo mundo, inclusive no Brasil (um estudante de medicina metralhou a platéia que assistia ao filme em São Paulo, em 2002, matando três pessoas e ferindo mais quatro).
Nesta minha segunda incursão ao filme, talvez por ter lido recentemente o livro homônimo que o inspirou, de Chuck Palahniuk, não consegui identificar sequer traços de uma suposta apologia franca à violência e à intolerância, tão criticada pelos detratores da obra.
Clube da Luta põe um dedo direto na ferida ocidental, seja como filme ou como livro, atingindo em cheio o psiquismo dos mais variados tipos de pessoas. 
Comprar itens desnecessários, usar drogas lícitas ou ilícitas, frequentar grupos de auto-ajuda, bater e/ou apanhar, ou mesmo pagar para assistir lutas de MMA na televisão por assinatura, podem ser sinais e sintomas de uma síndrome psicossocial degenerativa tão poderosa, e ainda assim imperceptível para a maioria de nós. Seria algo como a "Síndrome do Vazio Ocidental Progressivo", num neologismo improvisado, e Clube da Luta nos mostra que somos vítimas reais ou virtuais desta "doença".
Mas filme cult é cult: ame-o ou odeie-o, com fervor e paixão, mas sinta algo forte por ele!

PS1: a atuação do cantor/ator Meat Loaf neste filme é extraordinária.
PS2: até hoje grupos de homens de cabeça raspada e vestidos de preto entoam em bares americanos o mantra do Projeto Caos, mencionado no filme: "his name is Robert Paulson!".
PS3: filme e livro têm finais totalmente distintos - vale a pena conferir.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Eliminando a palavra

O editor-chefe do  DeMorgen, Wouter Verschelden, anunciou hoje, numa entrevista na TV, que a partir de amanhã o maior jornal flamengo deixa de usar a palavra allochtoon - em português, alóctone - um termo composto que vem do grego: allos (outros) + khton (terra), o que não é originário da região onde mora,  e antônimo de autóctone, nativo, originário do lugar onde vive.
Na edição de amanhã, o jornal explicará essa decisão, mas hoje na TV e  no site, se antecipou alguns argumentos. "Nós devemos reconhecer que allochtoon é uma maneira prática de classificar uma importante minoria no nosso país e certamente nas cidades. Tão prática que chega a ser um fenômeno linguístico único: em inglês e em francês essa terminologia simplesmente não existe. Não que França ou Reino Unido não tenha grandes problemas sociais com minorias etnico-religiosas, mas somente nunca essas minorias foram nominadas ou  colocadas sob o mesmo termo ou expressão", explicou o jornalista.
O interessante é a charge usada pelo próprio jornal para ilustrar o anúncio da decisão (acima). Diz o leitor do jornal: "Resolvido! Não há mais nenhum allochtoon nas celas das prisões".
 Mais uma vez, o cartunista Zak se firma como um dos meus favoritos. Como a gente diz no Brasil, tirou da minha boca o que eu penso.  Basta ver as estatísticas belgas: as taxas de desemprego, baixa escolaridade, condições de vida abaixo da linha da pobreza, ctiminalidade  etc são sempre maiores  quando se trata de allochtonen.
Eliminar a palavra não muda a realidade. Mas, enfim, quero ainda ler melhor o que o jornalão argumenta. Isso ainda vai gerar muita conversa. 

domingo, 22 de abril de 2012

De novo, o preço dos carros no Brasil

Já sabemos disso, mas não custa nada atualizar as informações factuais.

O que se paga pelos carros no Chile é de causar espanto - e indignação - em qualquer brasileiro, em parte pela carga tributária muito menor cobrada pelo governo de lá e, talvez, também por margens de lucro mais estreitas em um mercado tão competitiva.

Leia o restante da matéria, conheça alguns preços e se lembre de que nossa vida poderia ser melhor, neste país, se fôssemos melhores não apenas como eleitores, mas também como consumidores. Boicote aos carros caros, já!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Tenho, quero e exigo o meu direito

Reproduzo o micro texto abaixo, publicado no meu perfil do Facebook. Na esperança de identificar aliados que queiram compartilhar angústias resultantes desses nossos dias.

Pessoas que não estejam mais dispostas a permanecer acomodadas com a sucessão de fatos que afetam-nos diretamente.

O pouco ou quase nada que não fazemos para que tudo isso tenha um basta. Tem um preço muito alto enderaçado a nós mesmos.

Peço, que após a leitura de meu sincero desabafo. Nossos leitores, sintam-se convidados a interagir conosco e relatar suas agruras. Expressar sua realidade. Dividir esse sentimento incômodo de abandono. Como se nós, aos olhos do Governante, detivésse-mos uma vida estável e construtiva.

Acredito que os demais colaboradores e amáveis leitores simpatizantes deste espaço, pudessem exercer a prerrogativa cidadã de narrar como estão lidando com esse conjunto de fatores que desestabiliza até o mais controlado e previdente cidadão. Independente de cor, credo ou preferência estética.

Caso você teve – ou tem – a paciência de observar. Rapidamente notará que, enquanto a chamada "classe média" estiver "adormecida", por conta de sistêmica sensação de independência resultante de esforços pessoais de preparo. Infindáveis anos de estudo. Sólida formação moral e expectativa real de crescimento profissional. Não é suficiente para a garantia de reconhecimento e condizente tratamento por parte do Governo.

Ao fim e ao cabo só servimos para pagar a conta.

Pensem nisso.

No rabo da fila
Já que a presidente Dilma Roussef concedeu aos empresários do setor industrial um "pacote de medidas" para salvaguardar o setor. Eu pergunto: por quê a classe média de trabalhadores desse país não é prestigiada com o anúncio da redução dos juros do cheque especial, cartão de crédito e empréstimos de curto prazo?
Nós estamos lascados e mal pagos.
– Aliás!
Até quando a classe média só será lembrada para pagar a conta quando as coisas no Brasil não andam bem?
Olhe por nós, presidente Dilma, porque essa Páscoa será uma grande parada para rezar por um milagre para nos salvar dos bancos nos quais estamos pendurados e à mercê dessas taxas imorais que não param de aumentar.
Após esse desabafo. Desejo uma Feliz Páscoa aos meus amigos e amados.

sábado, 10 de dezembro de 2011

A última especulação antes da votação

Uma coisa que me surpreendeu, quando divulgaram a primeira pesquisa sobre intenções de voto do plebiscito que ocorrerá amanhã, foi que a rejeição ao Carajás era maior que ao Tapajós. Uma diferença pequena, mas que se confirmou o tempo todo. Minha surpresa se atrelava a uma percepção simplória de que uma região com mais habitantes, mais dinheiro e interesses privados muito mais nítidos deveria ter mais força para conduzir sua campanha. Com o tempo, fui entendendo a moral da história e, esta semana, um conhecido meu, ao explicar o seu voto pessoal, acabou dizendo algo que, acredito, seja um pensamento maior, capaz de explicar esses números.
Meu amigo nasceu em Santarém e está radicado há duas décadas em Belém. Aqui trabalha e criou uma filha. Remetendo-se a sua infância, e portanto há um tempo muito anterior às campanhas de hoje e mesmo aos movimentos políticos que ensejaram o plebiscito, disse que a população do Oeste do Estado sempre se sentiu tão isolada do Leste — um isolamento natural, de fundo geográfico —, que muitos realmente nunca se consideraram paraenses. Havia vínculos mais fortes com Manaus do que com Belém. Isto se percebe até nas manifestações culturais populares: vejam-se as semelhanças entre o Festival das Tribos de Juruti e o Festival de Parintins. São manifestações próprias, diferentes das nossas, que têm mais a ver com os cabeçudos, com as tradições marajoaras, da marujada de Bragança, etc. Embora, é claro, o boi não nos seja nada estranho — que o diga o Arraial do Pavulagem.
O movimento pró-Tapajós seria, assim, a materialização de um sentimento genuinamente popular, que talvez por isso se disseminou mais, mesmo com menos gente e muito menos dinheiro.
Já o Estado de Carajás seria obra de um povo forasteiro (a expressão, muito lembrada nas últimas semanas, foi usada por meu amigo), de diferentes procedências e que por isso mesmo não possui nenhum vínculo étnico, cultural ou emocional com a nossa região, a qual lhes pareceria apenas um lugar onde se fixar, trabalhar e ganhar dinheiro. Não vejo nenhum problema nisso, desde que o trabalho seja honesto. Afinal de contas, sou avesso a essa xenofobia toda. Uma pessoa que se fixa em nossa região só não é paraense de nascimento, mas passou a ser um indivíduo socialmente produtivo para nós. O processo não é recente, por isso os filhos e netos desses imigrantes já são paraenses de nascimento, se isso faz alguma diferença. E se são divisionistas, não podem ser criticados, já que apenas expressam um pensamento de seus antepassados, uma fórmula que deu certo de algum modo.
Mesmo assim, para meu amigo o movimento pró-Carajás é um projeto que não nasceu no povo, e sim em partidos políticos, mas que seduziu o povo porque, convenhamos, tem lá muitos atrativos para aquela região. Assim, ele votará 77 para Tapajós e 55 para Carajás.
Vale lembrar que os vínculos entre o Sudeste do Estado e a capital sempre foram mais fortes do que em relação ao Oeste. Se nada mais pudesse ser dito, lembremos que o nome do Município de Paragominas foi produzido pela fusão dos locais de origem dos imigrantes e do ponto onde se fixaram. Eles sempre souberam que estavam no Pará.

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Honestamente, abstraindo preferências pessoais, nunca achei que houvesse a menor chance de o projeto divisionista ter sucesso. Amanhã, a partir do final da tarde, acabará o disse-me-disse e restará apenas a dura realidade. O que mais me incomoda — além de pensar nos milhões e milhões de reais gastos para se chegar a uma resposta que já se conhecia de antemão, mas tudo bem: democracia é isso —, é pensar no que vem depois.
O lado vencedor não saberá vencer. Espero deboche, menosprezo e mais xenofobia. Estou certo de que sentirei vergonha das coisas que serão ditas. E o lado perdedor imprecará todas as suas maldições e fará ameaças. Sentirei muita raiva, porque toda vez que escuto alguém me chamar de "elite", fico com vontade de socar esse idiota.
Se Belém — uma cidade com 6% de saneamento básico, trânsito quase estagnado e condições de saúde altamente deficitárias — pode ser considerada elite, então o planeta Terra se tornou realmente um lugar muito ruim para se viver.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Jacilene já morreu

Edyr Augusto Proença, em seu Opinião não se discute, escreve um post que, desde já, reputo como antológico na blogosfera paraense. Ele nos conta apenas uma história. Uma história triste e dramática. Certamente apenas uma, entre tantas outras do cotidiano de nosso país. Mas em especial de nosso estado, que insiste em permanecer na triste ribalta nacional de histórias bizarras e escandalosas envolvendo menores.
No post Eu já morri, Edyr Augusto nos conta a estória de Jacilene. Uma garota em período escolar, que bem que poderia ser sua filha. Afinal, seu erro não foi tão singular, levando em conta as histórias terríveis que, por vezes, tomamos conhecimento à boca pequena, envolvendo adolescentes de famílias ditas abastadas. As circunstâncias iniciais, são absolutamente semelhantes às de Jacilene. Contudo, o poder econômico das famílias envolvidas, tem a mágica de produzir finais bastante diferentes. O "final" da história de Jacilene, certamente é o mais provável entre os 70% que constituem a chamada base da pirâmide social.
A história é contada em um texto impecável. E certamente, é para corações fortes. Para mim, foi muito difícil entendê-la como ficção.
Simplesmente leia.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Ao vento


























O começo do verão aqui na Europa marca a temporada das manifestações dos ciclistas nudistas. Em Bruxelas, foi na semana passada. Em Lisboa, deve ser no próximo domingo. Em Londres é por esses dias. O movimento é organizado em rede pela World Naked Bike Ride (WNBR), que tem uma versão em português de seu site. A ordem é "proteste contra a dependência do petróleo e celebre a individualidade dos nossos corpos". Numa rápida olhada na internet, consegui ver que houve um passeio assim em São Paulo em 2008. O evento acabou com prisões de alguns participantes - sabe como é, político roubar pode, andar nu de bicicleta é outra coisa.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Enjôo real

A artista gráfica e ilustradora inglesa Lydia Leith lançou uma série de sacos para vomitar - como aqueles sempre disponíveis à bordo dos aviões- em homenagem ao casamento do príncipe William e de Kate Middleton. Os sacos têm até mesmo a recomendação: "manter este à mão no dia 29 de abril de 2011". É uma bem-humorada crítica ao marketing em torno do casamento do neto da rainha Elizabeth II. Nas lojas do Reino Unido se pode encontrar de tudo em referência ao tal casamento do ano: de canetas a camisetas, de louça a réplicas do tal anel de noivado que pertenceu à princesa Diana, mãe de William . Os sick bags de Leith já viraram hype. No site da artista, formada pelo Edinbugh College of Art, se pode comprar esses mimos. Mais brithish humor impossível.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Siouxsie & The Banshees: A 5ª essencia do pós punk



Sabe aqueles dias que o sujeito (a) chega em casa totalmente consumido por uma jornada puxada e que a única coisa que deseja é tomar uma ducha quente, e no caminho do banheiro tomar uma dose de scotch?

– Pois é exatamente assim que estava quando cheguei essa noite em minha casa.

Liguei o possante. Passei rapidamente a vista nas opções e, vai saber por quê? Resolvi selecionar uma sequência aleatória da banda pós-punk Siouxsie & The Banshees.

Aumentei o som e fui para o banheiro.

Na segunda música, uma energia invisível me deslocou – como numa máquina do tempo – para a Belém de 1983.

– Lá embaixo, no piso térreo de minha casa. Enquanto acionava a forma de gelo para preparar um drink pós happy hour que não rolou – Brasília apresenta aos moradores um clima maluco: mistura de secura, chuva e calor dos infernos (nunca fui lá, mas parece que deve ser assim) –, aproveitei para brincar um pouco com meu cãozinho.

Sua companheira, bem mais velha, morreu quando estive em Belém há três semanas atrás.

A nossa poodle Lessie, morreu de causas naturais, por velhice – ela tinha 17 anos –, mas era a namorada do vigoroso Teddy. Um patife de raça misturada que, agora, faz carreira solo no terreno daqui.

Pois bem.

Enviei uma senha de prioridade para meu servidor dedicado e fiz um upload do especial da banda em tela para que os leitores do blog, possam avaliar, segundo seus próprios critérios, o quanto eu penso que Siouxsie & The Banshees influenciou e continua influenciando bandas supermodernas como The Strokes, Pulp, The Fall, Muse... e mais uma plêiade de promessas para esses dias de século XXI.

Seria ótimo que os vestais que soltam sentenças a torto e a direita, pudessem, um dia, prestar um pouco a atenção nas letras dessa bandas referencial.

E nesses dias que hoje vivemos, diga-se de passagem: quebram ditadores. Desnudam vagabundos que adoram praticar o assalto ao dinheiro público e tiram de circulação, a bem do serviço público e regozijo da sociedade, funcionários públicos, pagos com nossos impostos, que não merecem estar entre nós a nos julgar.

Dias em que a Justiça tenta – jamais conseguirá – calar a boca de Lúcio Flavio Pinto, Ana Célia Pinheiro e Augusto Barata e o jornal O Estado de S. Paulo.

Dias de alegria e cansaço por aqui. De preocupação e indignação com a Justiça do Estado do Pará, aplaudidas por um nicho de porcas lideranças covardes que, muito brevemente, mergulharão em suas insignificâncias.

Pós-punk como remédio contra o recrudescimento da censura.

– Xô!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Sob Vara, senhor juiz

O nobre magistrado que trata de censurar o jornalista Lúcio Flávio Pinto, exemplo de homem de bem e inigualável profissional, tem que rever sua interpretação da Lei.

O tal Rominho et Caterva, surrupiaram dinheiro público. Isso é crime do colarinho branco. Dá cadeia em qualquer lugar onde as Leis funcionam.

O tal Rominho, faltou a três audiências, na próxima, o douto magistrado o convoca por mandato com urgência.

O mandato senhor juiz, tinha que ser sob Vara. Ele tripudia da justiça ou o senhor magistrado interpreta a lei diferente do que está escrito?

O senhor Sílvio Santos teria, igualmente de ir para a cadeia. O crime que praticou com seu banco Panamericano é contra o sistema financeiro nacional. Uma indecência que o fez lucrar R$ 400 milhões após a quebra tecnicamente da instituição financeira e causar prejuízo de R$ 4 bilhões, informa a imprensa especializada.

Quando esse país tomará rumo com uma Justiça dessa?

Quer dizer que o crime do colarinho branco compensa?

sábado, 18 de dezembro de 2010

A face mais cruel da imigração brasileira na Europa


Vacature (em livre tradução, vaga de emprego), uma das mais lidas revistas belgas, estampou em sua última edições a primeira de uma série de reportagens sobre a máfia belgo-brasileira do setor de construção civil. O roteiro é simples, mas com desdobramentos complexos. O setor, que responde por 5 % do PIB deste riquíssimo país - coração da União Européia -, estaria até o pescoço envolvido em tráfico de pessoas, falsificação de documentos, fraudes fiscais e sociais e lavagem de milhões de euros. Há muito tempo, a Bélgica - e mais especialmente a área urbana da capital, Bruxelas - virou o destino preferido dos brasileiros de baixíssima escolaridade, oriundos em sua grande maioria de Goiás e Minas Gerais, que vêm à Europa realizar o sonho de uma vida melhor. Fala-se de dezenas de milhares. ONGs locais arriscam dizer que residem até 40 mil brasileiros ilegais na Bélgica, embora o governo belga estime em torno de 20 mil . Aqui, os brasileiros se empregam de maneira clandestina na construção civil em empresas, geralmente mantidas em nome de cidadãos portugueses. Ganham entre 5 e 7 euros (ou entre 12 e 16 reais) por hora de trabalho, quando o salário-mínimo/hora, na Bélgica, chega quase ao dobro. Na maioria das vezes fazem jornadas de até 12 horas por dia, sábados, domingos e feriados. E, em muitos casos, podem simplesmente não receber salário algum. E, se isso acontece, não têm nem a quem recorrer, uma vez que são ilegais na Europa. Ir a um tribunal de Trabalho ao ir à Polícia significa ficar até um mês num centro de detenção, antes de ser repatriado ao Brasil.
Para burlar as regras de residência de não-europeus na Bélgica, alguns empregadores recorrem à falsificação de passaportes. Se o brasileiro é tem um sobrenome de origem lusitana, uma rede de "fornecedores" em vilas do interior de Portugal, pode oferecer passaporte português. Se é um sobrenome de origem italiana, a máfia se encarrega de arranjar um passaporte italiano. E assim os brasileiros passam a "ser" europeus - que não precisam de visto para permanecer nos países que integram a União Européia. A falsificação seria mais ampla no que se refere à contabilidade. Uma rede de contadores belgas ajudaria a "esquentar" a documentação contábil para fins de imposto e controle trabalhista.
A reportagem aponta que até mesmo grandes prédios públicos foram construídos com o trabalho desses brasileiros ilegais - geralmente usados através de sub-empreiteiras. E cita exemplos do futurista Palácio de Justiça de Antuérpia, a metrópole flamenga e até de prédios da Polícia federal belga. Também as obras de megacorporações contaram com mão-de-obra brasileira ilegal, como seria o caso do banco Fortis-BNP-Paribas.
Há dois testemunhos na reportagem. O primeiro é do rapaz da foto acima (capa da revista). Ele veio de Minas Gerais e vive há 9 anos na condição de ilegal. Com esse tempo, já consegue ganhar 10 euros por hora e diz que recebe entre 1.500 e 2 mil euros por mês, trabalhando 10 horas do por dia. Ele já foi repatriado uma vez, mas conseguiu voltar e já pediu visto permanente pelo tempo que reside na Bélgica. Ainda aguarda uma decisão. A muher dele está também ilegal e trabalha como faxineira.
O segundo personagem é um brasileiro que em 2006 recorreu a uma organização contra o tráfico humano. Assim consegiu ser reconhecido como vítima e ganhou visto de permanência. O ex-explorador dele, um português , foi condenado a uma multa. Pena bem mais leve do que os 4 anos de prisão decretados contra os acusados do últimos casos levados à Justiça, envolvendo vítimas brasileiras, em fevereiro deste ano.
A revista promete a segunda reportagem da série para este segunda-feira, dia 20. Os repórteres viajaram à Goiânia, onde estaria o centro do esquema de envio de brasileiros. Ele contaria com a participação de mais de uma centena de agências de viagens.
Assim, a imprensa belga abre um debate que há muito tempo deveria estar na agenda das altas esferas verde-amarelas. Como explicar que a sétima economia do mundo, o país "da hora", comandado pelo "cara", ainda não conseguiu ser o Eldorado para seus próprios cidadãos? O que faz um brasileiro deixar parte da família e amigos para trás, se arriscar em condições de trabalho e moradia precárias em terras tão distantes? Acho que são perguntas a serem respondidas no Brasil, assim como a Bélgica tenta resolver as questões que colocam em xeque o controle fiscal e humano de suas políticas públicas.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Um convite disputado












Eis o convite enviado pelo presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney aos convidados, para a Sessão Solene de posse da Exma. Senhora Dilma Roussef e do Exmo. Senhor Michel Temer, nos cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, no dia 1º de janeiro de 2011, sábado, às 14 horas e 30 minutos, no Plenário da Câmara dos Deputados.

O cartão amarelo é para o estacionamento.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Limites que muitos não enxergam

Vivemos em uma democracia. Frágil, incipiente, sujeita a abalos, é certo. Mas é tudo o que conseguimos construir após 20 anos de violenta ditadura militar. Ditadura esta, onde muitos que hoje usam a internet para falar o que vem a cabeça, nem sequer conheceram. Já entraram para a vida, com a casa mais ou menos arrumada.
Liberdade de pensamento é um dos pilares de toda democracia. Contudo, todavia, porém, há limites. E criar filhos sem limites é algo prejudicial. Todo pai deveria repetir isso incontáveis vezes todos os dias. 
Sendo assim, homicídios, roubos, furtos, injúria e difamação são crimes mais do que sabidos por todos. Mas homofobia é crime também. Racismo é crime também. Portanto, liberdade de pensamento nunca foi e nunca será ultrapassar os limites daquilo que a sociedade convencionou como inaceitável. E uma destas pessoas, que talvez não tenha recebido educação onde lhe deixassem esclarecidos os limites da convivência social, vai aprendê-los da pior maneira. Da maneira que muitos espalhados Brasil afora, certamente estão merecendo. Torço para que, no processo de aperfeiçoamento que vivemos, a tolerância seja a grande vencedora. Mesmo que para isso, tenhamos que vez por outra, ver com tristeza alguns cometimentos e suas desagradáveis consequências.
Clique aqui para saber mais.