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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Sincronicidade

Imagem: Scylla Lage Neto

A imagem acima é do tempo da fotografia convencional, e faz parte de uma série então dedicada ao que eu chamava de "Homo sapiens sapiens". Foi tirada em 2003, na Ilha de Maiandeua, e encontrada hoje dentro do livro RACE TO THE SOUTH POLE, sobre a minha banheira.
Atrás da foto, há um adesivo com os seguintes dizeres, sem menção de data:

"O caminho leva à foz;
A foz conduz à paz;
Na paz reside o amor." 
Scylloca

Coincidência ou consequência?

sábado, 26 de outubro de 2013

Shows that we ain't gonna stand shit

Glória da Cidade Natal

Eu estive andando o mesmo caminho que sempre andei
Sentindo falta das fendas no pavimento
E quebrando o meu salto e machucando meus pés
"Há alguma coisa que eu possa fazer por você, querida?
Há alguém para quem eu possa ligar?"
"Não e obrigada, por favor, madame
Não estou perdida, só vagando"

Ao redor da minha cidade natal
Memórias são frescas
Ao redor da minha cidade natal
Ooh, as pessoas que conheci
São as maravilhas do meu mundo
São as maravilhas do meu mundo
São as maravilhas deste mundo
São as maravilhas agora

Eu gosto da cidade
Quando o ar é tão espesso e opaco
Eu amo ver todo mundo em saias curtas
Shorts e sombras
Eu gosto da cidade quando dois mundos colidem
Você vê as pessoas e o governo
Todo mundo tomando lados diferentes

Mostra que não vamos aguentar coisas ruins
Mostra que somos unidos
Mostra que não vamos tolerar isso
Mostra que não vamos aguentar coisas ruins
Mostra que somos unidos

Ao redor da minha cidade natal
Memórias são frescas
Ao redor da minha cidade natal
Oh, as pessoas que conheci

São as maravilhas do meu mundo
São as maravilhas do meu mundo
São as maravilhas deste mundo
São as maravilhas do meu mundo

terça-feira, 4 de junho de 2013

Memento


Matéria publicada ontem na Folha de SP me trouxe à tona a figura de Brenda Milner, notável neurocientista nonagenária que surfa num assunto que me fascina: a memória.
A britânica de 94 anos (fará 95 em 15/07 próximo) pesquisa a diferença entre os hemisférios direito e esquerdo e está baseada atualmente no Montreal Neurological Institute, braço da renomada universidade McGill, orgulho canadense desde os tempos coloniais.
A pesquisadora nos forneceu e fornece um importante legado de conceitos referentes a diferentes tipos de aprendizado e ao fracionamento da memória e, principalmente, nos mostra que os neurônios não devem se “aposentar” jamais.
Vida longa à Prof. Milner!

"I wouldn't want to be lying on a beach somewhere—I'd feel like the world is passing me by. 
I like to make a little noise when I walk."

Brenda Milner

domingo, 28 de abril de 2013

Paralamas da memória



"Luis Inácio falou, Luis Inácio avisou..."
Ao assistir esta rara gravação da "música mais falada e menos ouvida do Brasil", de 1995, tudo soa muito estranho.
Afinal, dezoito anos depois, quem lembra dos "anões do orçamento"?!...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Mariage pour tous


A França se torna o 14° país a adotar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. E, garanto, meus caros, a vida seguirá seu curso normal, como aqui na Bélgica, o 2° país onde o casamento homoafetivo virou lei (2003) - o 1° foi a Holanda, em 2001.
Em dez anos, a sociedade belga não desapareceu, nenhum castigo divino caiu dos céus, a família vai bem, obrigado, e não existe nem sombra de uma "ditadura gay" -  mesmo desde  2011, ano em que  o país passou a ser comandado por um notório homossexual, o chefe do governo, o nosso primeiro-ministro, Elio Di Rupo.
E é incrível que a terra do Liberté, égalité, fraternité demorou tanto para avançar nessa questão fundamental para uma grande parcela de seus cidadãos. Não deixei de pensar em geniais franceses que amam e amaram o amor que não ousa (ousava) dizer seu nome: a tenista Amelie Mauresmo e sua esposa Sylvie Bourdon, o mestre Yves Saint-Laurent e o seu marido Pierre Bergé, e, claro, eles da fotografia acima, os nossos chouchous Paul Verlaine e Athur Rimbaud.
E para homenagear este avanço na terra do croissant, ouso publicar o clássico Soneto do Olho do Cu, dessa dupla do barulho no final do século XIX. Não que eu queira reduzir o amor entre iguais numa questão anatômica, mecânica, como algumas manifestações que vi no Facebook, onde os contrários ao casamento gay comparam pessoas a parafusos/porcas, plugs/tomadas para ilustrar que, na vida afetiva/sexual, num mundo onde a religião de uns devem ser a lei para todos,  apenas os contrários são complementares. 
Poesia como transgressão. Poesia como reflexo do ser humano. Poesia como expressão do Amor.

Segue mais abaixo uma livre tradução desse Soneto maldito feita pelo mestre dos mestres José Celso Martinez Correa e Marcelo Drumond,  para montagem do Oficina para a peça de Jean Genet, As Boas, em 1991 - tradução que foi musicada por José Miguel Winisk, que pode ser ouvida aqui no Youtube.


 Le Sonnet du Trou du Cul

(Paul Verlaine - Arthur Rimbaud)

Obscur et froncé comme un oeillet violet
Il respire, humblement tapi parmi la mousse
Humide encor d'amour qui suit la pente douce
Des fesses blanches jusqu'au bord de son ourlet.


Des filaments pareils à des larmes de lait
Ont pleuré, sous l'autan cruel qui les repousse,
À travers de petits caillots de marne rousse,
Pour s'en aller où la pente les appelait.


Ma bouche s'accoupla souvent à sa ventouse ;
Mon âme, du coït matériel jalouse,
En fit son larmier fauve et son nid de sanglots.


C'est l'olive pâmée, et la flûte caline ;
C'est le tube où descend la céleste praline :
Chanaan féminin dans les moiteurs éclos !


Soneto do Olho do Cu
(Verlaine- Rimbaud - tradução livre José Celso Martinez Corrêa e Marcelo Drumond)

Oculto , com pregas humilde , úmido ainda do amor cravo roxo ,
escondido respira no meio de mousse
que na bunda branca desce em doce debruce ,
em colo que rola na orla do arrocho ;

corrimentos escorrem , lágrimas de leite
por peidos cruéis expulsos , choram ,
pedrinhas de barro vermelhas molham , convulsam ,
escorregam na descida onde chamam ,'' Vem , deite ''

Sempre caí de boca e língua nessa ventosa ,
minha alma tri na foda material , invejosa ,
ela fez dele lacrimário rubro , ninho de soluço , sabre , brocha , tabu ;

mas é azeitona babada , flauta carinhosa ,
tubo onde desce a amêndoa oleosa ,
Canaã feminina na umidade abre , desabrocha , molha , olha , vê
oh cu !

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Por onde anda?

Em maio de 2007, o saudoso Juvêncio de Arruda postou o seguinte texto (aliás, primoroso na concisão, no ritmo e na poética) no seu Quinta Emenda:

O Engenheiro Roberto
Roberto é um jovem de pouco mais de 20 anos.
Santareno, vive a mais de mil kms de casa, em Marabá, onde é aluno da primeira turma de Engenharia de Minas, no campus da UFPA inaugurado por Lula em fevereiro de 2006.
Infra de primeiro mundo, o curso do Roberto, construído com ajuda da CVRD. Professores doutores, laboratórios moderníssimos, ambiente acadêmico.
Mas Roberto sobrevive em condições duríssimas, dando aulas no primeiro grau da rede pública municipal, a R$ 4,20 a hora/aula. "Já dei aula até de geografia", disse-me encabulado, como se tivesse cometido uma infração.
Mora num kit net com mais cinco colegas - de diferentes cidades dos quatro cantos do Pará - que comemoram quando a mãe de um deles passa uma temporada por lá, sinônimo de roupa passada e comida decente.
Nas primeiras férias, saudoso de casa, encarou a Transamazônica na última viagem da temporada: o inverno havia começado e a estrada seria interrompida.
Não deu outra: foram cinco dias de viagem.
O busão quebrou duas vêzes, e Roberto, sem grana para mais de dois dias, pediu comida nas casas simples da beira da estrada.
Semestre seguinte a saudade apertou de nôvo e Roberto, escaldado, resolveu encarar uma carona nos caminhões da PA-150 até Nova Déli.
Três etapas, com escalas em Goianésia e Tailândia, para troca de caminhão.
Desembarcou na capital com R$ 10,00 no bolso e foi direto prá Estrada Nova, atrás de um barco para Santarém.
Encontrou o Nélio Correa, dos maiores, e pediu carona.
Ganhou, em troca de um dia e meio de trabalho, em cima de uma bóia, lavando o casco do navio. E tres dias de esfregão no convés de passageiros até chegar em casa.
Agora em julho Roberto quer repetir a dose, prá poder cheirar o suvaco das lindas santarenas e beijar a mãe, no bairro da Prainha, reduto dos arigós, como êle.
Ficou de passar cá em casa, antes de pegar o navio.
Vai encher a pança de comida e levar um farnel prá subir o Amazonas.
Vai levar, também, a admiração deste poster.
Roberto daqui mais tres ou quatro anos vai ganhar uma grana, muito bem empregado. Enquanto isso come o pão que o diabo amassou porque a família é dura e nenhuma entidade - tipo essas que tem grana para remunerar consultorias caríssimas - tem grana para ajudar os estudos do rapaz.
Há interesses maiores.
Inda bem que o Roberto é maior que eles.
Pisa aí, garôto! 

São comuns em programas de TV e sites esportivos quadros do tipo "por onde anda" e "que fim levou". Seria o caso, aqui, de perguntar (o que talvez nossa co-editora, a querida Marise Morbach, possa responder): por onde anda o Roberto?

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A gata borralheira do rock


Na segunda metade dos anos 1980 eu tinha uma certa dose de preconceito em relação às bandas americanas de rock. Hard rock, ou era britânico, ou simplesmente não prestava.
Claro que isso logo caiu por terra com Guns N' Roses, Bon Jovi, Motley Crue e outros tantos grupos que invadiram a minha mente e nunca mais a abandonaram.
Recentemente resgatei uma banda a qual eu havia renegado àquela época, Cinderella, que despejava um som pesado de alta eficiência, baladas incríveis e letras pra lá de diferenciadas em relação ao padrão da época.
A banda não conseguiu sobreviver aos anos 1990, vítima da ditadura da então poderosa (e absolutamente  "thatcheriana")  MTV, que só priorizava o grunge e ainda boicotava todos os grupos cujos vídeos não fossem "muderninhos".
Hoje entendo que eu, naqueles tempos um candidato a jovem macho-alfa, jamais poderia curtir em público ou mesmo usar uma camiseta de uma banda chamada... Cinderella!
Mas me perdoo...

sexta-feira, 1 de março de 2013

Lavagem cerebral


Quando eu era bem criança, a minha meca era a banca de revistas do Largo de Santa Luzia.
Grande, aliás, enorme (assim me parecia), cheia de quadrinhos reluzentes e revistas de capas bem coloridas, a banca levava toda a minha verba mensal e ainda me provocava desejos atrozes de comprar mais e mais revistas.
Desenvolvi então um "sonho acordado" que envolvia uma espécie de "dinheiro imaginário" que eu sempre carregava no bolso direito da minha bermuda, na verdade uma bilhete supostamente assinado pelo então presidente Emílio Garrastazu Médici, ordenando que o dono da banca me fornecesse todas as revistas que eu desejasse.
Havia um outro bilhete, que ficava guardado no meu bolso esquerdo, no qual o presidente ordenava gentilmente que a Padaria Circular, na esquina da Tv. Dom Pedro com Tv. Jerônimo Pimentel, me desse todos os pastéis de queijo que eu pedisse.
Não tenho como recordar disso tudo sem rir sozinho.
E é lógico que jamais tive coragem de usar o "dinheiro" do General Médici.
Não consigo me lembrar até quando esse delírio persistiu, mas é bem claro na minha memória embaralhada sobre aqueles anos tão difíceis da nossa história (e eu nem suspeitava que havia uma ditadura em curso!) que não chegou a atingir o governo Geisel, pois dele jamais tive ordem alguma nos bolsos. 
Hoje me indago como pude ter os meus infantis neurônios tão bem lavados nas aulas de Educação Moral e Cívica e sequer desconfiar?!...
Como?!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Os não-anos 80


Não era muito fácil ouvir rock na década de 1980 em Belém do Pará. O rótulo de rockeiro não era muito bem-vindo, e soava mal como outras expressões da época, tipo hippie ou maconheiro.
Nenhum pai queria, por opção própria, ter um rebento (cabeludo ou não) que vivesse ouvindo aqueles riffs estranhos, pesados, acompanhados por gritos e uivos. Mesmo que as notas fossem boas no colégio ou na faculdade, e que não se ingerisse (muita) bebida alcoólica (ou outros aditivos orgânicos), ainda assim era preferível ter um filho ou filha ouvindo música "normal", como disco music, midback, MPB, samba, bossa nova, ou no máximo The Beatles.
Não é a toa que Belém engatou nos anos 80, inclusive no plano musical. Quem aqui viveu aqueles longos momentos sabe que Madonna, Cindy Lauper, Pet Shop Boys, Donna Summer, Patrick Hernandez e tantos outros grudaram de tal forma nos neurônios daqueles então jovens, que de certa maneira o gosto por este tipo de som foi geneticamente transmitido para os seus descendentes, que até hoje choram nas pistas de dança ao ouvir um hit daqueles “bons tempos”, como West End Girls, por exemplo. Midback parece combinar com farinha e tucupi...
E havia poucos refúgios para quem necessitava instintivamente fugir da Signos, Saudosa Maloca, Gemini e similares. Festas privadas, como as que ocorriam no Colégio do Carmo, podiam tocar até músicas de bandas “mais raras”, tipo UFO, então eu e minha tchurma íamos a todas. E foi assim, nessas festas particulares , que acabei conhecendo muitas pessoas nas vilas militares e fazendo bons amigos de várias naturalidades (gaúchos, paulistas, cariocas, baianos e até paraenses) e participando inclusive de shows da banda Stress, pioneira do hard rock em nosso estado. Era o nosso universo paralelo, uma espécie de não-anos oitenta.
Mas os verdadeiros templos eram as lojas de discos 33 & ¼ e Gramophone, locais onde podíamos até encontrar outros alienígenas para bater um papo sobre bandas que fora dali soariam tão estranhas quanto a língua klingon. Edyr Augusto e Floriano talvez não tenham ideia de quão importantes eles foram para uma geração que tentava nadar fora do mainstream musical da ‘Magueirosa oitentista”.
Bom, de certa forma eu tinha que paralelamente “engolir” a trilha sonora oficial da primeira metade dos anos 80 ou não teria tido uma namorada sequer. Ia apanhar as moças ouvindo AC/DC no carro, trocava para a “fita da ganhação” (sim, tinha que tocar Lionel Ritchie!) e depois de devolvê-las em segurança ao lar voltava para casa ouvindo Iron Maiden.
Hipocrisia? Mimetismo? Instinto? Não o sei. Mas era muito legal ser underground disfarçado de burguês (ou burguês disfarçado de underground?!).
Em 1985 fui morar em São Paulo e lá outras trilhas sonoras se agregaram e mudaram o meu comprimento de onda, sempre dentro do rock.
Voltei à Belém uns bons anos depois e logo na minha primeira semana por aqui um tio meu insistiu para que eu fosse ver um show da banda Solano Star no Teatro Waldemar Henrique. Lá chegando, ele apontou para o palco e cheio de orgulho, exclamou: "o guitarrista é meu filho, é o teu primo!".
Naquela fração de segundo percebi que os não-anos 80 haviam definitivamente acabado e se transformado nos anos 90.
Sorte do meu primo e de sua geração.
Long live rock’n’roll!
Vida longa à diversidade!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Musa underground insuperável




Sexta-feira retrô. Desde ontem escuto Nico, aqui junto com o Velvet Underground, em Femme Fatale. A canção traduz um pouco essa  cantora e modelo alemã, musa de Andy Warhol, namorada de Jim Morisson e Alain Delon (com quem teve o filho Ari).
Ano passado relançaram o mais que clássico álbum Velvet Underground & Nico - de 1967, com o icônico desenho de uma banana by Warhol.  Femme Fatale é uma das faixas
E agora,  mês passado, em Nova York, John Cale, produtor dos discos solos da alemã,  começou a turnê americana em homenagem à musa justamente ititulada Life Along the Borderline: A Tribute to Nico.
Num mundo tão sem divas underground ( agora chamado indie), Nico parece ser insuperável.

sábado, 19 de janeiro de 2013

The Pearl 70


Há exatos 70 anos, na pequena Port Arthur, no estado do Texas, nascia a pérola do rock, soul e, principalmente, do blues  para uma trajetória fulgurante e curtíssima. Viveu 27 anos e 9 meses, mas entrou para a História como uma das maiores vozes de todos os tempos. Seu nome: Janis Lyn Joplin. Entre as preciosidades dessa carreira intensa e curta está a presença dela no Festival de Woodstock, em Bethel, no estado de Nova York. Era 16 de agosto de 1969. Janis se  apresentou com a The Kozmic Blues Band. Aqui, 10 minutos dessa performance antológica. E para mergulhar no universo de Pearl, como a chamavam,  recomendo o site oficial de Janis.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Adiós La Brugeoise

Como nossa correspondente na região do rio da Prata, Erika Mohry, anda num tour volta às raízes (ver o post Conciliações Possíveis), tomo a liberdade de escrever sobre mi Buenos Aires querido. Mais precisamente sobre a grande repercussão aqui na Bélgica da retirada dos velhos trens da linha A do metrô (Subte, como dizem os portenhos) da capital argentina.


 É que esses trens são conhecidos como La Brugeoise, nome da fábrica onde foram feitos entre 1913 e 1919, aqui no bairro ao lado de nossa casa, em Brugge. (Foto abaixo, feita ainda em Brugge antes da entrega dos vagões). Tive o privilégio ao visitar duas vezes Buenos Aires de  andar nesses lindos trens, com interior de madeira em estilo art-déco.

 Pena que eles saem de cena, apesar dos protestos. Abaixo, a foto atual de La Brugeoise, em Brugge, que virou, em parte,  um centro de eventos, mas que ainda preserva os grandes galpões que abrigam a  fábrica de veículos de transporte coletivo, agora de trens e trams,  da Bombadier.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Cérebros e mapas


O século 16 foi o período da nossa história mais sulcado por embarcações que tinham a missão de reconhecer o mundo e de mapeá-lo para o nosso entendimento e deleite.
Naquele tempo os oceanos eram (e ainda permanecem) fontes inesgotáveis de surpresas, e começaram a confirmar uma forte suspeita de que a complexidade do mundo é tal que não devemos ousar nos aproximar dos seus fundamentos.
Séculos se passaram e nos arriscamos, mesmo sem ainda conhecermos sequer o fundo dos mesmos oceanos singrados pelos nosso antepassados, a romper essa ilha de trevas, de desconhecimento e de inércia na qual não nos conformamos em viver.
E, com todo o respeito à física quântica e à astrofísica, dissecar o cérebro humano nos seus aspectos morfológicos, neuro-bioquímicos e fisiológicos, me parece ser a tarefa mais importante a ser executada pelo homem neste momento histórico.
Os potenciais de exploração cerebral só não são maiores do que os riscos envolvidos em se arranhar profundamente a ética e a moral. Afinal, manipular cirúrgica- e/ou quimicamente o córtex normal apenas para angariar informações para a nossa espécie, não é um ato isento de pesadas críticas.
Mas e se houver uma patologia envolvida? Podemos explorar um pouquinho além do propósito inicial da cirurgia, estimulando áreas próximas?
Vou ilustrar com um fato do cenário neurocirúrgico contemporâneo, publicado em periódico idôneo e reverberado mundo afora em congressos específicos na área da Neurocirurgia Funcional.
Há poucos anos, durante procedimento de Neuromodulação (implante de eletrodos no cérebro para posterior estímulo elétrico), visando tratar descargas elétricas anômalas em um paciente portador de um tipo de epilepsia do lobo temporal, houve um pequeno desvio do alvo (região a ser estimulada) e os neurocirurgiões canadenses se depararam com algo inusitado.
Ao se estimular as áreas “erradas” durante a cirurgia (que é feita em grande parte em vigília plena), o paciente relatou lembranças extremamente vívidas de um episódio ocorrido em sua infância, o qual aparentemente era destituído de importância. Houve então uma descrição meticulosa de odores, de cores de objetos, de frases longas ditas por parentes e até de sentimentos experimentados naquele momento  “esquecido” antes do estímulo.
Tudo foi documentado e publicado, e desde então o mesmo grupo passou a ampliar a área de pesquisa, tendo havido relato verbal em um congresso recente de mais seis procedimentos semelhantes, sempre aproveitando cirurgias para epilepsia, e, é claro com o consentimento dos pacientes.
Podemos concluir, leigos ou não, que tudo relacionado à memória está lá, guardado no cérebro. Absolutamente tudo registrado durante as nossas vidas. O problema é como acessar essas informações.
Fica então a pergunta final no ar: se, na fronteira do saber, nem tudo estará dentro de possíveis inteligibilidades, até onde nos levará um punhado de conhecimento que até poucos anos repousava nos braços da ficção científica? Teremos capacidade de compreender o mapa cerebral que apenas começamos a traçar?
O século 16 parece não ter acabado.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A respeito do Largo de Nazaré

Imagem: acervo digital de Antonio Sales

Reproduzo abaixo comentário feito por uma leitora do blog a respeito da postagem 1978: Largo de Nazaré, a qual solicita ajuda para um trabalho na faculdade.

"Olá, eu sou estudante da UEPA do curso de Pedagogia e estou fazendo um trabalho sobre história oral e pesquisando sobre o Largo de Nazaré, eu e minhas amigas estamos fazendo entrevistas com pessoas que moraram no local ou próximo para falar sobre o local, como era antigamente, as transformações ocorridas, estamos encontrado um certa dificuldade de encontrar entrevistados. Bom, vi que vocês conhecem bem o lugar, quem poder me ajudar ficarei muito agradecida, de verdade, não precisa se identificar, é um entrevista informal, podem ficar seguros. entrem em contato no meu email aline.uepa@gmail.com"

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Achados e perdidos


“Somos aquilo que lembramos.”

“Somos aquilo que lembramos e aquilo que esquecemos.”
(releitura feita por Ivan Izquierdo)


Pouco entendemos sobre o real mecanismo pelo qual adquirimos e armazenamos as informações, e muito menos sobre como realmente as perdemos.
Se esquecer é essencialmente  tão importante quanto lembrar como parece (e é!), me pergunto se a indústria farmacêutica não investirá num futuro breve em remédios para apagar memórias, talvez com a mesma sofreguidão quer o faz para desenvolver substâncias que as preservem.
A seletividade do quanto e do que poderá ser deletado talvez dê início ao processo de desconstrução verdadeira da essência do ser humano: a humanidade.
Mas, quem se importará, se lucrativo for?!
Quem viver, verá. 
Quem viver, verá, mas talvez não lembrará.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Adeus às curvas

 "O que me atrai é a curva
livre e sensual. A curva
que no encontro sinuoso
dos nossos rios, nas nuvens
do céu, no corpo da mulher
preferida. De curva é feito 
todo o universo. O universo
curvo de Einstein."


(1907-2012)

domingo, 18 de novembro de 2012

Há 1.248 domingos...



...o mundo inteiro ouvia Sunday Morning, da banda inglesa The Bolshoi.
Uma pitada de melancolia matinal, no melhor dia da semana.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

1978: Largo de Nazaré


A fotografia acima foi feita da janela do meu quarto, pelo meu amigo e então estudante de intercâmbio Win Larsen.
Conclui-se, numa rápida olhada, que a procissão do Círio de Nazaré já era então algo de gigantesca magnitude.
Outra conclusão inevitável é a de que o Largo de Nazaré era medonho.
Para os saudosistas do "arraiá", lembro que o temido brinquedo Tira-prosa ficava bem ao lado da mangueira (à esquerda).
Quem encarou o desafio?