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segunda-feira, 11 de março de 2013

O consumidor, o cidadão, precisa saber

O Blog do Espaço Aberto publicou um texto da jornalista Ana Diniz sobre o segundo incêndio no Shopping Boulevard, na semana passada. Coloco o link porque considero importante as pessoas em geral saberem daqueles detalhes. Afinal, trata-se do principal shopping da cidade, hoje em dia.

O acontecido me lembrou alguns episódios. A começar pelo desabamento de uma parte do forro, na praça de alimentação, logo depois da inauguração, instituindo a política de ocultação e negação daquele empreendimento. Na época, o fato foi atribuído à rápida construção do prédio, em menos de um ano, o que não me parece um argumento razoável, já que hoje existem técnicas construtivas muito eficientes. Em suma, tecnologias existem; resta saber se foram empregadas.

Antes mesmo de eu conhecer o local, um amigo arquiteto mencionou a rampa de acesso ao estacionamento, pela Ó de Almeida: imensa, muito inclinada e com duas pequenas curvas em "S". Disse que não sabia como as autoridades competentes autorizaram um projeto com aquelas características. Nós, interlocutores, começamos a especular sobre os motivos. Tempos depois, a cidade conheceu o escândalo da venda de Habite-se e, bem, vocês já entenderam. Temos motivos para nos preocupar.

O motivo desta postagem é simples: se o empreendedor não se preocupa com a nossa segurança; se as autoridades públicas falham em cumprir os seus deveres, resta-nos cuidar de nossas próprias vidas, o que no caso implica em conhecer as regras de segurança e ficar atentos aos sinais, a todos os sinais. O preço a pagar é que a ideia de relaxar e esquecer os problemas, na hora do entretenimento, não funciona mais. É triste, mas real.

Cada um que cuide de si e dos seus.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Todo cuidado é pouco


Minha mãe, correntista do Banco do Brasil da Conselheiro Furtado, ao lado do Supermercado Yamada da Batista Campos, foi vítima de um golpe, ontem pela manhã. Minha tia, correntista da mesma agência, havia sido vitimada da mesma maneira, um mês atrás.

Minha mãe se dirigiu a um dos caixas eletrônicos que ficam dentro da agência. Ao inserir o cartão no leitor do caixa, foi surpreendida pelo travamento da máquina, que após a leitura do chip de segurança não liberou o cartão. Um sujeito de boa aparência, bem vestido, que estava na fila atrás dela, aproximou-se e ofereceu ajuda. Postou-se à frente e, rapidamente, após alguns movimentos na máquina, deixou-o no leitor. Disse à minha mãe que o cartão estava liberado e rapidamente saiu da agência. Ao puxar o cartão, deixado no equipamento, ela percebeu que o cartão era de um terceiro: o dela havia sido levado pelo pulha que a abordara.

Fizemos a ocorrência na delegacia virtual no mesmo dia, poucos minutos depois do ocorrido e cancelamos o cartão. Hoje pela manhã, minha mãe foi à agência para levar o boletim policial e solicitar um novo cartão, quando soube da notícia: haviam transferido, por meio eletrônico, R$ 5.000,00 da conta bancária de alguém que ela não conhece para a dela e sacado R$ 1.000,00, usando o cartão dela que havia sido furtado. A senha provavelmente foi vista pelo pilantra no momento em que ela o digitou, ja que ele era bem mais alto que ela. A transferência, certamente feita por hackers.

Mais que nunca, portanto, está na hora da legislação brasileira mudar para atingir duramente os crimes de internet. Ainda estamos claudicando no uso das mesmas figuras penais que não alcançam os novos crimes. Para não variar, o crime se adapta mais rápido aos temos modernos que a legislação e as autoridades.
Ao Banco do Brasil, cabe melhorar a segurança de suas agências, principalmente nos caixas eletrônicos e aos finais de semana. É um absurdo que correntistas sejam vítimas de golpes dentro das agências. Também cabe melhorar a segurança de suas operações, já que o golpe só se concretiza porque alguém consegue fazer transferências eletrônicas burlando o sistema do banco.

Aos correntistas, como fazem os cidadãos todos os dias, cabe virarem-se sozinhos para não se deixar engolir pela violência – que não é só física, como vemos – que passa ao seu redor todos os dias, e num deles os transformam de testemunhas em vítimas.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Um debate sobre segurança pública - II

Na caixinha do post Um debate sobre segurança pública, o professor Fábio Castro, que iniciou a discussão em seu Hupomnemata, deu sequência ao debate fazendo o seguinte comentário:

(...) Para esclarecer: Os dados que coloquei foram apurados pelo Instituto Zangari, que há dez anos publica o seu Mapa da Violência - Anatomia dos Homicídios no Brasil. É uma instituição séria.

O último ano apurado foi 2007, por isso ainda não há dados referentes a anos mais recentes do governo Ana Júlia. De qualquer forma, não se pense que haverá uma mudança tão rápida na questão da violência. O que quero dizer é que uma política de segurança ostensiva não é suficiente para reduzir, efetivamente/sustentavelmente os índices da violência. O que é necessário é o investimento em políticas sociais. Os grandes exemplos de combate à violência dão conta disso.

O governo AJ tinha um programa de política de segurança social, o Segurança Cidadã, mas a urgência do combate à criminalidade exigiu que a maior parte do orçamento fosse destinada, de fato, à segurança ostensiva, sobretudo às operações policiais. Não penso que seja o ideal, mas percebo que foi o politicamente possível.

Por tudo isso, o impacto não será imenso. Porém, terá impacto, nos números futuros, certamente, a contratação de mais de 2 mil policiais. Fazia 10 anos que não havia contratação, e a população do Pará, ainda que menos que a criminalidade, subiu bastante nesse tempo.

Em seu próprio blog, Fábio responde à provocação que um comentarista fez à postagem que originou o debate. Recomendo sua leitura.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Um debate sobre segurança pública

Por motivos óbvios, o debate sobre violência e segurança pública nunca deixou de estar na ordem do dia, no Brasil. Mais ainda no Pará, cuja capital é uma das cidades mais violentas do país.

Em tempo de eleições, é mais ainda previsível que a discussão grasse e, muitas vezes, em um nível baixíssimo. Por isso, quando o debate é republicano, como se costuma dizer, é necessário difundi-lo, para que todos dele participem e nele expressem sua opinião.

O professor Fábio Castro, ex-secretário de Comunicação do Estado, fez uma interessante provocação sobre o tema em seu Hupomnemata. Um anônimo gostou do repto e puxou o fio. Tomara que o debate vá longe, e no mesmo nível em que começou.

Entenda como tucanos e democratas aumentaram em 195,8% a taxa de homicídio de crianças e jovens no Pará

Resumindo algumas informações do Mapa da Violência, citado no post anterior.
Os dados mais recentes são referentes ao ano de 2007. Observando a linha histórica que vai de 1997 até esse ano, temos o resultado da política demo-tucana de segurança pública. Uma década perdida para o Pará. Nesse tempo, o estado passou da condição de 20º estado mais violento do país para a de 7º mais violento.
As taxas de homicídio para cada grupo de 100 mil habitantes subiram 130,3% na década demo-tucana. Em Belém, exclusivamente, elas subiram 74,6%. Considerando a região metropolitana de Belém, o crescimento do número de homicídios na década tucana foi de 121,8%, o segundo maior do Brasil.

O maior sinal de falta de compromisso e de incompetência dos tucanos, no entanto, se dá quando se lê os dados referentes aos homicídios de crianças e adolescentes. Na faixa da população que tem entre 0 e 19 anos, o número de homicídios cresceu, durante a década demo-tucana, 195,8%. Em 2006, por exemplo, 352 crianças e adolescentes foram assassinados no Pará. Foi o quinto maior crescimento desses índices, dentre os estados brasileiros. Em Belém, essa variação foi de 60,4% e na região metropolitana foi de 122,5%. Para se ter um elemento de comparação, poide-se observar que, em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, houve quedas expressivas nas taxas de homicídio de crianças em jovens no mesmo período: - 31,6% e – 65,5%, respectivamente.

Como o Pará chegou a essa tragédia? Olhem para os governos do PSDB e do DEM que eles dão a receita perfeita para matar crianças e jovens: sucatear as escolas, desgastar a carreira docente, ausência de políticas para a juventude, esporte e lazer, política cultural que perde de vista seu compromisso social, política de comunicação que se pretende como marketing, e não como política social, esquecer das políticas de saneamento e moradia. Sim, e além disso passar dez anos, dez anos inteiros, sem aumentar o efetivo policial, sem comprar equipamentos e sem treinar as polícias.

Segue o comentário do anônimo:

Sim, conhecemos nossos problemas históricos e sabemos bem dar nome aos "bois", apontar os responsáveis por nossas mazelas sociais.

Mas, tratando-se de partido, questiono se o governo petista promoveu realmente uma ruptura com o modo de fazer política das outras legendas e/ou das gestões anteriores.

As mudanças necessárias - aquelas de longo prazo que não rendem votos imediatos nem são tão atraentes nos jornais institucionais - foram e estão sendo feitas efetivamente a ponto de nos tranquilizar a respeito de melhora dos indicadores para os próximos anos ou décadas. Duvido muito.

Além disso, falar de comunicação que se pretende como marketing depois da sua saída do governo, tal como foi, parece brincadeira. De mau gosto.

Nos moldes atuais, o uso político de todo aparato técnico da Comunicação pelo governo não pode ser tratado lá como uma política pública de interesse social, que mereça ser tratada como um ponto a favor dessa gestão em detrimento da anterior.

Ainda que os avanços existam em termos de profissionalização, há distorções entre o potencial que essas políticas teriam e a sua função atual.

Como apontou o Barbero numa entrevista ao Roda Viva há alguns anos, na América Latina vivemos uma crise que abarca não apenas a política, mas o político.

Vejo com ressalvas as críticas em relação ao modus operandi antigo, quando muito disso ainda se perpetua, independente de quem está no governo. Os nossos grupos políticos estão viciados e, do ponto de vista ético, certas alianças e coalisões inter e intrapartidárias são injustificáveis, sendo mais abusivos ainda os desdobramentos disso na realidade, no que tange o estabelecimento de políticas que afetam – ou deixam de afetar como deveriam – a vida do cidadão comum, acostumado a não tirar nenhum proveito e nem usufruir dos serviços e as benesses que deveriam ser públicos.

As elites econômicas são as mesmas e elas têm um poder enorme no cenário de tomada de decisões, mantendo-se como “posição” independente dos partidos que estejam no poder. Elas definem regras quem poucos ousam confrontar.

Agora, me diga, esse potencial de destruição da sociedade é privilégio de alguns partidos políticos ou resulta das distorções da política, do político, do público, as quais nos acostumamos a assistir e mesmo a pactuar, como se fossem “naturais” em nome da governabilidade e de supostos projetos de governo , sempre considerados transformadores, ao menos aos olhos de seus planejadores?

Realmente, eu não consigo ver sentido em usar partidos como categorias dessa análise política. Pode ser fruto de uma "inconsistência" intelectual minha, mas me atrevo a questionar se outras categorias não nos ajudariam a entender melhor as rupturas e continuidades históricas e políticas que se dão no nosso estado.

Precisamos de novas enzimas para "ruminar" adequadamente essa realidade truncada, que nos mantém ora perplexos ora paralisados, enquanto o tempo e as possibilidades de mudanças escoam ralo abaixo, tornando inclusive a nossa capacidade de predição cada vez mais pessimista, quando não embotada.

Sim, conhecemos nossos problemas históricos e sabemos bem dar nome aos "bois", apontar os responsáveis por nossas mazelas sociais.

Mas, tratando-se de partido, questiono se o governo petista promoveu realmente uma ruptura com o modo de fazer política das outras legendas e/ou das gestões anteriores.

As mudanças necessárias - aquelas de longo prazo que não rendem votos imediatos nem são tão atraentes nos jornais institucionais - foram e estão sendo feitas efetivamente a ponto de nos tranquilizar a respeito de melhora dos indicadores para os próximos anos ou décadas? Duvido muito.

Além disso, falar de comunicação que se pretende como marketing depois da sua saída do governo, tal como foi, parece brincadeira. De mau gosto.

Nos moldes atuais, o uso político de todo aparato técnico da Comunicação pelo governo não pode ser tratado lá como uma política pública de interesse social, que mereça ser tratada como um ponto a favor dessa gestão em detrimento da anterior.

Ainda que os avanços existam em termos de profissionalização, há distorções entre o potencial que essas políticas teriam e a sua função atual.

Como apontou o Barbero numa entrevista ao Roda Viva há alguns anos, na América Latina vivemos uma crise que abarca não apenas a política, mas o político.

Vejo com ressalvas as críticas em relação ao modus operandi antigo, quando muito disso ainda se perpetua, independente de quem está no governo. Os nossos grupos políticos estão viciados e, do ponto de vista ético, certas alianças e coalizões inter e intrapartidárias são injustificáveis, sendo mais abusivos ainda os desdobramentos disso na realidade, no que tange o estabelecimento de políticas que afetam – ou deixam de afetar como deveriam – a vida do cidadão comum, acostumado a não tirar nenhum proveito e nem usufruir dos serviços e as benesses que deveriam ser públicos.

As elites econômicas são as mesmas e elas têm um poder enorme no cenário de tomada de decisões, mantendo-se como “posição” independente dos partidos que estejam no poder. Elas definem regras quem poucos ousam confrontar.

Agora, me diga, esse potencial de destruição da sociedade é privilégio de alguns partidos políticos ou resulta das distorções da política, do político, do público, as quais nos acostumamos a assistir e mesmo a pactuar, como se fossem “naturais” em nome da governabilidade e de supostos projetos de governo , sempre considerados transformadores, ao menos aos olhos de seus planejadores?

Por favor, me dê uma aula de Sociologia, Ciência Política ou mesmo uma bofetada (teórica, no caso), se for preciso e puder responder a essas questões que muito me angustiam, como cidadão e ser humano.

domingo, 6 de junho de 2010

O mundo anda tão complicado


A foto ao lado é da manifestação de juízes de paz belgas na quinta-feira passada, dia 3, logo após o assassinato à tiros da juíza Isabelle Brandon, de 61 anos de idade, e do escrivão judiciário André Bellemans, de 59 anos, - pasmem! - em plena sala de audiência do Palácio de Justiça, em Bruxelas. O autor dos tiros foi preso no mesmo dia. É o cidadão belga Abdollahazim Fati Valmi, de 46 anos. Ele nasceu no Irã, mas há 25 mora na Bélgica, onde foi acolhido como refugiado político e, em 2002, recebeu a nacionalidade belga. O motivo do duplo assassinato: Fati Valmi foi despejado, com ordem judicial, em 2007, depois de vários problemas com o dono de um apartamento que o belgo-iraniano alugava na região de Bruxelas. O caso é inédito na Bélgica. Nunca um juíz ou um funcionário do Judiciário havia sido assassinado no exercício de suas funções. O país, chocado e atingido num dos pilares da democracia, a Justiça, vai às urnas nó próximo dia 13. E, mais do que antes, o assassinato dos funcionários do Poder Judiciário, traz ao primeiro plano das discussões, as leis de imigração, concessão de refúgio polítivo e de nacionalidade na Bélgica.

Pensei em meu colega flâneur Francisco Rocha Junior que, na semana passada, no post Medo de viver resumiu um sentimento que, confesso, compartilho com ele, mesmo morando no que se costuma chamar de primeiro mundo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A selva

Conheço o Shopping Cidade Jardim, no bairro Jardim Panorama, em São Paulo. É um belo passeio, até mesmo pela simples curiosidade.

Do centro, chega-se pela Ponte Estaiada Otávio Frias, orgulho tucano, até a ode à plutocracia paulistana. Das janelas do Café Santo Grão, dentro da aprazível Livraria da Vila, vê-se a Marginal Pinheiros, longe dos cheiros e engarrafamentos. Nas vitrines de marcas famosas – Armani, Chanel, Zegna, Ferragamo – não há produto que custe menos de quatro dígitos. Nas salas vip de cinema serve-se vinho e senta-se em poltronas de primeira classe, a quase R$ 50,00 o ingresso. No último piso, come-se um bife de chorizo legitimamente argentino no Pobre Juan ou uma paleta de cordeiro no Due Cuochi. Nada lembra um shopping, a começar pelo jardim interno que vai de ponta a ponta do prédio.

Pois este lugar, que parece tão longe da violência urbana, foi alvo de um assalto, neste domingo. Oito homens invadiram a loja da joalheria Tiffany e levaram consigo uma quantidade não especificada de peças. Ao menos um tiro de escopeta foi deflagrado na ação.

Sobram sinais da necessidade de reformulação das políticas públicas de segurança em todos os lugares do país. Uma escopeta não é algo que se possa carregar livremente por aí. Fatos como este são a comprovação cabal do fracasso da política de desarmamento iniciada em 2003, dentre outras medidas adotadas pelo Governo Federal e de vários Estados para tentar diminuir a violência nas ruas. As armas continuam a chegar aos locais comandados, principalmente, pelo tráfico de drogas e outras organizações criminosas, e às mãos dos soldados do pó.

Se é assim no Cidade Jardim, aonde muitos frequentadores chegam de carro blindado e com seguranças no entorno, faça-se uma ideia do que acontece para além do Morumbi. Tal qual em O Coração das Trevas, poderíamos dizer, como Kurtz: o horror, o horror.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Só a capa

Ontem, o Diário do Pará publicou a notícia de que o jornalista Ney Messias sofreu um assalto e, ato contínuo, procurou policiais militares. Estes, sem se abalar, teriam dito saber para qual beco os criminosos teriam fugido. Contudo, os castrenses alegaram não poder ir até lá, por ser um local "muito perigoso".
Na edição de hoje, foi publicada a informação de que o Ministério Público Militar requisitou a instauração de inquérito policial para apurar os fatos, eis que o risco, inclusive de morte, é inerente à atividade policial.
Coincidência ou não, ontem um policial militar comentou comigo que a tropa estava indignada com a governadora Ana Júlia. Ela teria promovido oficiais na solenidade pelo dia de Tiradentes, patrono da Polícia Militar. Quanto à raia miúda, os praças, que aguardavam ansiosos por boas notícias, não houve promoções, alegadamente por inexistência de recursos financeiros para suportar a majoração dos soldos. A consequência disso é que os policiais, na surdina, ameaçam com uma espécie de greve branca. Nas palavras do meu conhecido, vão fazer a capa: se ocorrer um assalto para um lado, os policiais correrão para o outro. "Ela finge que dá reajuste e a gente finge que trabalha." Por outras palavras, nós é que pagaremos o pato.
Fosse eu o governador, logo no primeiro ano do mandato mandaria implementar medidas de impacto financeiro nas carreiras do serviço público, especialmente nas de saúde, educação e segurança pública. Primeiro porque, nelas, a satisfação do servidor seria sentida diretamente pelo público (meio idealista, eu sei, mas às vezes é preciso ser); e segundo, no plano utilitarista, porque são carreiras repletas de servidores. E cada um deles tem família, ou seja, milhares e milhares de votos.
Em suma, um serviço público ruim e falta de inteligência político-eleitoral. Isso é estratégia?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Comparações

O blog Hupomnemata, do professor Fábio Castro, propõe um exercício simples que combina espaços públicos de lazer e a distribuição de renda na área urbana de Nova York, buscando comparar a realidade da cidade americana com a nossa, em Belém.

O texto é interessantíssimo. Demonstra que, ao contrário do que muitos por aqui acreditam, não é somente com política de tolerância zero que se combate a criminalidade.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Google Buzz e as ameaças à privacidade

Mal chegou e já foi logo esquentando polêmica.
O Google Buzz continua sendo discutido mundialmente. Infelizmente, por alguma razão inexplicável, não pelas suas qualidades. Mas principalmente por alguns de seus graves defeitos. Entre eles, ameaças à privacidade, com o compartilhamento automático de contatos, além de expor seu perfil púbico do Google para uma quantidade "viral" de pessoas.
Recomendamos então a leitura atenta deste pequeno tutorial da PC World BR, mostrando como deixar as coisas algo mais seguras no serviço, que se assim continuar, vai acabar ganhando o rótulo de "a gafe do ano".

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Advogados e segurança

Nesta, nesta e nesta postagens, o Espaço Aberto, do jornalista Paulo Bemerguy, aborda um tema sensível a muitos advogados: a insubmissão dos colegas às exigências de segurança dos órgãos judiciários.

Advogados têm o direito de ingressar livremente, dentre outros locais, nas salas e dependências de audiências, secretarias, cartórios, ofícios de justiça, serviços notariais e de registro, e, no caso de delegacias e prisões, mesmo fora da hora de expediente e independentemente da presença de seus titulares. Também têm livre trânsito em qualquer edifício ou recinto em que funcione repartição judicial ou outro serviço público onde deva praticar ato ou colher prova ou informação útil ao exercício de sua atividade profissional, dentro do expediente ou fora dele, e serem atendidos, desde que se ache presente qualquer servidor ou empregado. É isso o que literalmente dizem as alíneas "b" e "c" do inciso VI do art. 7o do Estatuto da OAB.

Porém, compete aos tribunais, por força de lei complementar federal (art. 21, V, da Lei Complementar n. 35/79, a chamada Lei Orgânica da Magistratura), exercer a direção e disciplina dos órgãos e serviços que lhe forem subordinados. Dentre tais serviços, obviamente, está a segurança dos prédios públicos que abrigam os foros e tribunais.

Mais do que um embate legal, porém, a questão exige bom senso. É um aspecto cultural a ser observado, de lado a lado, para que a relação entre Poder Judiciário e advogados não descambe para uma postura duelística em aspecto tão comezinho. Se é para o bem comum, que todos sejam submetidos às regras de segurança dos foros e tribunais, indistintamente, sejam advogados, juízes, promotores, serventuários, partes ou simples visitantes. Sem direito a carteirada, arroubos de arrogância ou demonstrações de empáfia.

Não é mais cabível o "sabe com quem está falando". Esta atitude é, no mínimo, altamente cafona.

Lembrando que em passado recentíssimo, um advogado matou um promotor de Justiça em pleno Fórum de Marapanim, o que você tem a dizer sobre isso?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Faroeste caboclo

Terça-feira, 9:42 h. Rua Boaventura da Silva entre 14 de março e Alcindo Cacela. Bairro do Umarizal.
A princípio, ouvimos 1 estampido seco, seguido de mais 3, espaçados por cerca de 1 segundo. Olhei para o despertador e confirmei a hora exata dos estampidos. Seriam tiros, perguntávamos? Dane-se! Enfiei a cabeça no travesseiro e continuei tentando o sono que havia sido interrompido. Contudo, alguns minutos depois, o ruído de sirenes foi ficando mais forte e mais encorpado. Com certeza, mais de 1 viatura. Não podendo mais resistir à curiosidade, resolvi levantar e olhar da sacada.
Esta foi a imagem que registrei logo em seguida, já às 9:54 h.
Nela podem ser vistas 1 ambulância do Samu, 2 viaturas e 2 motocicletas da PM. Mas no momento em que cheguei à sacada para conferir, haviam de fato 2 ambulâncias SAMU e cerca de 6 viaturas da PM, sendo que uma delas, na contramão.
Assustado, pelo interfone liguei para o porteiro do prédio onde moro. Afinal, eles sempre sabem de tudo.
Foi então que ele informou que era o final de uma perseguição policial. Um suposto assaltante, em fuga da polícia, havia sido alvejado na mão, perdido o controle da bicicleta e finalizado seu desenfreado caminho ali mesmo.
E agora há pouco, passado o susto, a visão do mesmo lugar, dentro da mais absoluta normalidade.
Cenas do faroeste caboclo que ronda a cidade. Desta feita, contudo, com vitória da polícia que mobilizada, desativou mais um em direção ao HPSM.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A Morte e a Morte de Evandro João Silva

Os fatos relativos ao latrocínio que vitimou Evandro João Silva, coordenador do movimento Afroreggae, demonstram com clareza o estado de desagregação moral e de corrupção na cidade e no estado do Rio de Janeiro. Podemos dizer que Evandro João Silva morreu duas vezes. Aqui o porquê.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Rapina da Verdade

O rapper Marcelo D2 polemiza se curiosos e dependentes químicos são responsáveis pelo sustento a violência do narcotráfico. Para o músico, que é réu em 18 processos por apologia ao uso de drogas, não há porque dar essa responsabilidade ao usuário. Como substância para seu argumento, o nacional defende que nenhuma das armas utilizadas nos morros cariocas, foi para lá trazida por consumidores de substâncias ilegais.
Trata-se de um argumento tão pífio, quanto é transitória a mastigação rítmica de D2. Nem como argumento para sustentar a não criminalização do usuário presta, pois não lhe dá o status de alguém que precisa de ajuda social ou medicalizada para superar as condições de risco ou para o abandono de uma exposição que o aniquila física, psicologica e moralmente perante a sociedade.
O narcotráfico dimensiona uma economia transnacional que, calcula-se, represente 8% do comércio munidal, ou algo em torno de US$ 600 bilhões de dólares, sem considerar receitas resultantes de investimento em outros negócios ilícitos (prostituição, comércio de produtos falsificados, etc) e da lavagem de dinheiro. O assombroso montante representa, comparativamente, três vezes o Produto Interno Bruto do estado do Rio de Janeiro, que escandaliza o país quando apresenta o maior indíce nacional de mortes violentas (14,6 mil homicídios dolosos e 12 mil casos de desaparecimento entre 2007-2009), a maioria delas decorrentes da ação criminosa dos narcotraficantes.
Marcelo D2, portanto, ao considerar que o consumidor não contribui para os níveis de violência do narcotráfico, usa de descarada má fé e despreza um princípio comercial inquestionável: não há comércio sem que exista consumidor. Mas, com certeza, no que lhe diz respeito ao mercado musical, o músico bem sabe calcular quantos ingressos pagam as despesas fixas de seus shows, ou quantos reais são necessários para investir na compra de um melhor sampleador. Também aquele que comercializa drogas calcula o quanto tem de vender para comprar armas e munições para assegurar um mercado formado por quase 900 mil brasileiros, que, além do gosto musical, apreciam maconha, cocaína e outros baratos da morte.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Oxigenando a PM PA na Web

O Diário informa hoje que a 12ª Companhia Independente de Polícia Militar localizada em Oriximiná, oeste do Pará, produziu um folder com 45 dicas de segurança para a comunidade que será lançado no próximo sábado. Ótima iniciativa!

Contudo, animado com a boa idéia, resolvi visitar o Portal da PM do Pará. Lá chegando, confesso que me decepcionei. Faça você mesmo a visita e tire suas conclusões.

O que pude observar por lá é um website eminentemente corporativo, voltado para si mesmo, praticamente de costas para a comunidade. Lá, por exemplo, você vê links inteiros batizados de Cultura e Segurança, onde sob o título Cabo da Polícia Militar "transmite sentimentos em suas telas", um jovem cabo da PM mostra seus dotes artísticos.

De antemão, parabenizo o Cabo Reinaldo Costa pela ótima idéia. Ele nada tem a ver com a crítica que é direcionanda a iniciativa web de sua corporação. Até mesmo pelo fato, que a manchete lá colocada em alusão a sua veia artística, parece até gritar no subtexto, de que "transmitir sentimentos" talvez não seja uma coisa muito bem vinda pelas bandas da corporação. Tanto que rendeu um link inteiro no website corporativo. E nada mais.

Mas levando em conta a estruturação do Portal, cliquei em Cultura e Segurança em busca de informações de máximo interesse da comunidade, no tocante a prevenção de todo o rol de maldades que nos esperam ao sair de casa. Qual não foi minha supresa ao cair na boa iniciativa do Cabo Reinaldo.

No mais, há uma área restrita aos militares da PM PA, um widget com os usuários logados no sistema, e informações de mais absoluto interesse da própria corporação. Aí não poderia faltar o contracheque do mês, é claro.

Talvez de interesse para a comunidade, apenas 2 links sobre Procurados e Desaparecidos, sendo que o primeiro, é um blog já conhecido em nossa seara da blogosfera.

É inevitável portanto concluir que o Portal da PM do Pará, perde uma excelente oportunidade de voltar-se ao cidadão, fornecendo informações importantes para sua segurança. Muitas idéias poderiam ser aproveitadas neste sentido. Por exemplo, baseados nas estatísticas da criminalidade, a PM bem que poderia disponibilizar para download em qualquer formato (PDF. DOC ou mesmo apresentações em PPS) informações sobre áreas de alto risco em nossa cidade, recomendações sobre atitude segura do cidadão no sentido de preservar sua integridade física, e até mesmo o folder que ora lançam em Oriximiná. Outras idéias, certamente, os próprios leitores poderiam sugerir.

Um possível primeiro passo neste sentido, seria dividir o portal em 2 áreas distintas: uma corporativa (que obviamente já está pronta) e outra, inteiramente dedicada às dúvidas e anseios da sociedade. Esta última, é a dívida maior da PM, tendo em vista que absolutamente inexistente no website atual. Sendo assim, eu o remodelaria completamente, desde a Home Page, criando um extenso e rico viés de informações de utilidade pública e até serviços.

Sei que talvez muitas destas sugestões podem trazer algum contraditório de parte dos especialistas em segurança pública. Falo como leigo, em busca de informações para a segurança de nossos leitores. Penso que esta seria uma maneira marcante de aproximar-se um pouco mais da comunidade, que hoje também acessa a internet através de cybercafés e lan houses.

A crítica é neste momento, inteiramente construtiva. Por favor, deixem o Cabo Reinaldo em paz com sua nobre iniciativa e debrucem-se sobre uma nova proposta para o Portal da PM.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Malandragem continua aterrorizando Belém pelo telefone

Os malandros encarcerados, parecem continuar a ter acesso a telefones móveis e aterrorizar a população, mesmo de dentro de presídios. E Belém, além de outras desvantagens, parece ter virado também alvo preferencial destes vagabundos.

Esta semana, um irmão meu foi vítima do velho golpe do falso sequestro. Partindo de um celular não identificado no caller ID de seu telefone móvel, ele recebeu uma ligação onde supostamente seu filho parecia pedir ajuda. Logo em seguida entra a voz do sacripanta, tratando-o por "véio", informando que se ele não sacasse cerca de 30 mil reais, seu filho morreria. Aterrorizado e ainda em momento vulnerável, acabou por fornecer ao bandido seu número fixo para um segundo contato que seria feito para combinar o "pagamento de resgate". Com isso, ganhou tempo para checar que seu filho estava à salvo, para logo em seguida receber uma segunda ligação, quando então informou ao meliante que havia descoberto a jogada, desligando em seguida o telefone. Foi o suficiente para que o bandido fizesse nova ligação, desta vez para o telefone fixo, informando aos berros para a empregada que atendeu o telefone, dizendo:

- Minha senhora! Seu filho vai morrer!

Mês passado, minha irmã foi vítima de outro golpe parecido. Só que o plano era bem diferente. Desta feita, de um celular identificado como de Fortaleza, o meliante informava que ela teria sido contemplada com um Gol Zero Km na promoção SBT "alguma coisa". Mas, para receber o prêmio, deveria efetuar depósito de créditos em telefones móveis pré-pagos no valor de 100 reais, para um número fornecido pelo bandido. Desprevenida, chegou a fornecer seu endereço para contato, onde seria entregue o prêmio.

Dois casos em menos de 1 mês, na mesma família. Pelo visto, eles ainda estão na letra B da lista telefônica. Por estas e outras, não atendo telefones partindo de números não identificados. Muito importante também, é preservar dados pessoais na internet. De maneira nenhuma, divulgue endereços ou números telefônicos em redes sociais e afins. Melhor mesmo, nesta terra de ninguém aqui do lado de baixo do equador, é evitar participar delas.
Infelizmente.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Teia

Não sou da área de segurança pública e, bem a propósito, na semana passada especialistas debateram os problemas e as soluções para o tema, em uma conferência estadual destinada a este fim.

No entanto, uma dúvida me assola, na qualidade de cidadão e usuário do serviço público: milícias armadas não deixaram de ser um fenômeno regionalizado? Ouve-se falar de milícias em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, fora nosso dia-a-dia paraense. Estes grupos armados, matadores de bandidos, provavelmente proliferam também em outros centros, tão ou um pouco menos fora da mídia nacional quanto Nova Délhi (© Juvêncio de Arruda). Não seria a hora de estudar um eventual liame, formal ou não, deliberado ou involuntário, entre eles, e formular uma política nacional de combate a este tipo de crime? Ou isto é mera coincidência?

Neste ramo, o vulgo faz crer que não exista acaso. E não deve mesmo existir.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Quadrilha

Quem ainda duvida que a insegurança pública nas ruas da capital e do interior do Pará tem raízes mais profundas que as aparentes, sugiro a leitura das reportagens dos jornais de hoje sobre a prisão de uma quadrilha de traficantes com atuação em Santarém e Belém.

Aqui, a reportagem do Diário do Pará; no O Liberal, disponível no caderno Polícia.

Neste caso, as láureas devem ser dadas a quem merece: foi um belo trabalho da Polícia Civil paraense.

sábado, 28 de março de 2009

Cada vez pior

O assalto que vitimou Giolene Lúcia da Silva Rebelo, ocorrido na noite de ontem em Belém, pode ter sido o passo que faltava para o abismo.

Se antes a população que linchava os marginais respeitava (ou temia) a intervenção da polícia, que assim salvaguardava a integridade física dos acusados, hoje não mais: o Diário do Pará relata que “policiais chegaram a apanhar da população” ao tentar tirar os ladrões do meio da turba.

“Nunca vi a população tão enfurecida como estava”, disse o sargento da PM que presenciou e não pôde conter o linchamento.

Os elementos deste caldo de fúria são conhecidos de todos: frustração, insegurança, medo, dentre outros sentimentos, alimentados pela ausência do Estado, em seu conceito amplo. Deste modo, vamos penetrando cada vez mais no escuro, no que se poderia denominar de uma nova Idade Média.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Você é o juiz

Veja com atenção o vídeo abaixo.


Gravado pela câmera de viatura policial, ele mostra um cidadão algemado por dirigir em alta velocidade em uma estrada da Flórida (EUA).
A princípio, foi multado em 175 dólares. Mas ao recusar-se a assinar a citação de multa, foi-lhe dada voz de prisão, sendo em seguida algemado. Eis que supreendentemente o infrator decide sentar-se no chão, e chorando copiosamente, recusa-se a entrar na viatura. Em determinado instante, após tentar levantá-lo do chão sem sucesso, o policial utiliza seu taser, (versão doméstica, entre 300 e 350 dólares, uso não autorizado no Brasil, mas franqueado na maioria dos estados americanos), uma arma considerada não letal capaz de aplicar choques curtos de até 50.000 volts, provocando paralisia momentânea.
Após aplicar uma sequência de 3 choques, o policial não conseguiu convencer o cidadão a entrar na viatura. Fato que só foi acontecer após a chegada de outro policial que então ajudou-o a conduzir o infrator a delegacia.
Acontece que depois de pagar a multa, o infrator acionou o policial, acusando-o de violência desproporcional ao fato. E o caso chegou na Suprema Corte americana e inaugura sua chegada na era do You Tube.
Leia mais detalhes sobre o caso aqui.
Você é o juiz.