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quarta-feira, 10 de julho de 2013

INDIGNAÇÃO REPRIMIDA

José J. Camargo (*)

    Todos os que tentam explicar a intensidade crescente do clamor do povo nas ruas, citam fatos e circunstâncias, mas há um pasmo geral pela densidade dos protestos que revelam uma demanda de indignação reprimida, a ponto de uma simples revolta pelo aumento do preço de passagens ter servido de gatilho para um movimento que não parece ter data para terminar.
     O que impressiona mais é a mudança de atitude de um povo que aparentava alienação e que, de repente, se descobriu poderoso e indomável.
    Há cerca de três anos, estava em São Paulo esperando um avião para voltar para casa, quando fui surpreendido pela greve dos controladores de vôo e assisti estarrecido à naturalidade com que centenas de passageiros, diante da noticia de que não haveria decolagens naquela noite, assumiu a postura de cordeirinhos submissos, e sem mais que uns resmungos inconsequentes, deitaram no chão do saguão do aeroporto de Congonhas, a lamentar sua sorte, conformados e inertes.
     Aquele gesto representou para mim o emblemático comportamento de um povo que, desrespeitado nos seus direitos mais elementares, se encolheu como um cão de rua, revelando a perda absoluta de sua incapacidade de indignação.
     Mas aquilo foi apenas um incidente minúsculo do infindável rosário de atropelamentos de sua já combalida auto-estima. Mais estava por vir. E veio.
    Depois disso, as denúncias de corrupção inundaram os noticiários, a falta de segurança nos transformou em pigmeus amedrontados, os mais pobres passaram a morrer nas filas de espera por atendimentos nos hospitais sucateados, enquanto se construíam arenas milionárias em cidades onde nunca mais se jogará futebol depois da Copa.
     Como a espiral do acinte é ilimitada, se sucederam alguns primores de humilhação: um senador que renunciara temendo ser cassado por corrupção, voltou ao palco do poder para assumir a presidência da casa, deputados condenados no processo do mensalão assumiram postos na Comissão de Constituição e Justiça (!) e, quando se sentiram intocáveis e prestigiados, iniciaram um movimento para reduzir o poder de quem os condenara.
     Em nome da governabilidade, que é a justificativa técnica para o que conhece como conchavo, os ministérios se multiplicaram e, até as 17 horas, quando enviei esta coluna, já eram 39.
    Quando a crise da saúde pública ficou intolerável, os médicos foram convocados para assumir a culpa, porque eles se negavam a trabalhar nos rincões mais remotos do País sabendo que lá não existem hospitais, nem exames elementares, nem medicamentos, e que estariam condenados ao exercício de impotência de assistir às mortes evitáveis.
Diante da negativa, a solução solerte foi anunciar a importação de médicos estrangeiros sem exame de capacitação, quando os bem informados sabem que tudo não passa de uma manobra despistadora para repatriar os companheiros, que incapazes de passar no vestibular no Brasil, foram enviados para um faz de conta de estudar medicina lá fora. E agora estava hora de trazê-los de volta para a pátria amada, idolatrada.
     E claro, sem nenhum exame de revalidação, que serviria para desmascarar o arremêdo de formação técnica que tiveram. Se não fosse assim, por que se recusar a fazer a prova a que se submetem regularmente todos os estrangeiros que pretendam fazer medicina em outro país?
     Verdade que o povo mais humilde não lê jornais, mas pela TV, antes da novela da 9, deve ter ficado estarrecido quando anunciaram que o governo brasileiro, no instante em que a economia estagnou e inflação está de volta, anunciou garboso, o perdão de uma dívida de quase um bilhão de dólares.
     Com esta sucessão de sandices e desmandos, se acabou atingindo o limite de tolerância. A pressa em consertar os estragos, e o turbilhão de projetos desengavetados (e se eram tão bons porque não foram utilizados antes?) revelam a enorme perplexidade que tomou conta dos nossos governantes.
     Provavelmente o maior erro que cometeram foi ignorar que quem é obrigado a dormir no chão, um dia levanta com raiva. Muita raiva!
JJ Camargo é Médico - Cirurgião torácico -, e amigo particular. Membro Titular da Academia Nacional de Medicina.

terça-feira, 30 de abril de 2013

O muro de arrimo do "doutorzeco"

Claudio de Moura Castro

A notícia trágica desaba sobre uma universidade séria: levou bomba no MEC o curso de engenharia civil! O assunto justifica infindáveis elucubrações, mas me detenho apenas em um aspecto, por ser uma birra minha, por décadas.
Na justificada ânsia de consertar, foram trocados seis professores. Não tinham mestrado e foram substituídos por doutores em tempo integral, como gosta o MEC. Com isso, atende-se a uma das exigências para reabrir os vestibulares.
Esse remendo está no epicentro de um dos maiores equívocos do MEC. A legislação do ensino superior veio da cabeça de cientistas - alguns notáveis. Por isso, as atividades clássicas de pesquisa nas áreas científicas foram corretamente tratadas e valorizadas.
Lastimavelmente, esse marco legal ignorou a existência, dentro do ensino superior, de cursos profissionais e de serviço. Em engenharia, direito, administração, pedagogia e outros é necessário somar bons professores nas disciplinas de fonnação teórica aos das aplicadas. E, de quebra, cumpre oferecer a experiência prática de aplicar.
Em um livro clássico (The Reflective Practitioner), D. Schoen fala das ruminações não verbalizadas dos profissionais ao realizar o seu trabalho. São descritas como experiência tácita, "teoria do olho clínico", ou o interstício não codificado entre o que descreve a teoria e o ato de fazer. Daí que: (1) adquirir essa metalinguagem é parte inseparável da profissionalização; (2) apenas verdadeiros profissionais podem transmitir essa dimensão do profissionalismo; (3) leva tempo para formar um profissional.
Um belo exemplo é dado pelo programa de um hospital australiano que, por seu sucesso, foi replicado pelo mundo afora. A direção do hospital notou que morriam três quartos dos pacientes por parada cardíaca. Identificando o problema como demora no atendimento, criou uma equipe sempre pronta para agir tão logo ouvisse pelos alto-falantes o termo "Code Blue". Com isso, caiu a mortalidade, mas apenas alguns pontos porcentuais. Nova providência: qualquer médico ou enfenneira poderia acionar o Code Blue, mesmo que os sinais vitais do paciente estivessem nonnais. Ou seja, se o jeitão estivesse suspeito, mesmo sem os sintomas clássicos, poderiam soar o alarme. Surpresa! A mortalidade caiu para menos da metade. Moral da história: o que salva os pacientes é o que não está nos livros de medicina, mas na "teoria da prática". É o "olho clínico". O próprio médico não sabe explicar por que chegou a tal diagnóstico, mas intui que algo está errado. Os novatos precisam adquirir tal experiência, mas apenas quem a tem pode oferecê-Ia.
Portanto, cada disciplina requer professores com o perfil talhado para ela. Do professor de cálculo, nada melhor do que exigir um doutorado. Mas o professor que ensina a construir prédios deveria ser alguém que acumulou anos no canteiro de obras. Se houvesse doutores com essa experiência, tanto melhor. Mas não há, pois doutorados preparam para a pesquisa e para a universidade.
Se o MEC melhora as notas de quem substitui verdadeiros profissionais por jovens doutores que nada sabem de construir prédios, o resultado desse equívoco é grotesco. Premia quem ensina uma profissão que não tem, apenas leu livros e escreveu papers.
Os professores dispensados, com mais de 35 anos de experiência, tinham escritório de engenharia respeitado e prestavam consultaria. E, obviamente, ensinavam em tempo parcial, pois não poderiam abandonar sua empresa. Para os alunos, isso é ótimo, assegura que o professor ensina a engenharia que se pratica de verdade. Para o MEC, tempo parcial perde ponto. Não deveria ser o contrário, perder ponto se fosse tempo integral?
Igualmente ausente das políticas públicas é a valorização da competência na sala de aula. É a didática do cotidiano, adquirida com a experiência. No caso, professores consagrados e estimados pelos alunos foram substituídos por jovens que ainda vão aprender a dar aula. Péssimo para os alunos, mas não comove o MEC.
Conversa de corredor na universidade: "Pois é, tiraram nossos engenheirões e os substituíram por 'doutorzecos' que jamais fizeram um muro de arrimo". Quem tem razão, os alunos ou o MEC?
CLAUDIO DE MOURA CASTRO é economista.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

E assim caminhou a Humanidade


E procurando uma boa tradução para  Le Sonnet du Trou du Cul  de Rimbaud / Verlaine na internet, para o post Mariage pour tous,  me deparei com essa animação dirigida por Rodrigo Burdman, com texto de Marcelino Freire, narrado pelo Paulo Cesar Pereio (grande ator e narrador insuperável).
Para refletir nesses tempos infelicianos.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Mariage pour tous


A França se torna o 14° país a adotar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. E, garanto, meus caros, a vida seguirá seu curso normal, como aqui na Bélgica, o 2° país onde o casamento homoafetivo virou lei (2003) - o 1° foi a Holanda, em 2001.
Em dez anos, a sociedade belga não desapareceu, nenhum castigo divino caiu dos céus, a família vai bem, obrigado, e não existe nem sombra de uma "ditadura gay" -  mesmo desde  2011, ano em que  o país passou a ser comandado por um notório homossexual, o chefe do governo, o nosso primeiro-ministro, Elio Di Rupo.
E é incrível que a terra do Liberté, égalité, fraternité demorou tanto para avançar nessa questão fundamental para uma grande parcela de seus cidadãos. Não deixei de pensar em geniais franceses que amam e amaram o amor que não ousa (ousava) dizer seu nome: a tenista Amelie Mauresmo e sua esposa Sylvie Bourdon, o mestre Yves Saint-Laurent e o seu marido Pierre Bergé, e, claro, eles da fotografia acima, os nossos chouchous Paul Verlaine e Athur Rimbaud.
E para homenagear este avanço na terra do croissant, ouso publicar o clássico Soneto do Olho do Cu, dessa dupla do barulho no final do século XIX. Não que eu queira reduzir o amor entre iguais numa questão anatômica, mecânica, como algumas manifestações que vi no Facebook, onde os contrários ao casamento gay comparam pessoas a parafusos/porcas, plugs/tomadas para ilustrar que, na vida afetiva/sexual, num mundo onde a religião de uns devem ser a lei para todos,  apenas os contrários são complementares. 
Poesia como transgressão. Poesia como reflexo do ser humano. Poesia como expressão do Amor.

Segue mais abaixo uma livre tradução desse Soneto maldito feita pelo mestre dos mestres José Celso Martinez Correa e Marcelo Drumond,  para montagem do Oficina para a peça de Jean Genet, As Boas, em 1991 - tradução que foi musicada por José Miguel Winisk, que pode ser ouvida aqui no Youtube.


 Le Sonnet du Trou du Cul

(Paul Verlaine - Arthur Rimbaud)

Obscur et froncé comme un oeillet violet
Il respire, humblement tapi parmi la mousse
Humide encor d'amour qui suit la pente douce
Des fesses blanches jusqu'au bord de son ourlet.


Des filaments pareils à des larmes de lait
Ont pleuré, sous l'autan cruel qui les repousse,
À travers de petits caillots de marne rousse,
Pour s'en aller où la pente les appelait.


Ma bouche s'accoupla souvent à sa ventouse ;
Mon âme, du coït matériel jalouse,
En fit son larmier fauve et son nid de sanglots.


C'est l'olive pâmée, et la flûte caline ;
C'est le tube où descend la céleste praline :
Chanaan féminin dans les moiteurs éclos !


Soneto do Olho do Cu
(Verlaine- Rimbaud - tradução livre José Celso Martinez Corrêa e Marcelo Drumond)

Oculto , com pregas humilde , úmido ainda do amor cravo roxo ,
escondido respira no meio de mousse
que na bunda branca desce em doce debruce ,
em colo que rola na orla do arrocho ;

corrimentos escorrem , lágrimas de leite
por peidos cruéis expulsos , choram ,
pedrinhas de barro vermelhas molham , convulsam ,
escorregam na descida onde chamam ,'' Vem , deite ''

Sempre caí de boca e língua nessa ventosa ,
minha alma tri na foda material , invejosa ,
ela fez dele lacrimário rubro , ninho de soluço , sabre , brocha , tabu ;

mas é azeitona babada , flauta carinhosa ,
tubo onde desce a amêndoa oleosa ,
Canaã feminina na umidade abre , desabrocha , molha , olha , vê
oh cu !

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Morrissey vs Thatcher

Entendo perfeitamente  a análise comparativa entre a direita conservadora britânica e a direita tupiniquim dos anos 70 e 80, feita por Elio Gaspari e reproduzida por Scylla Lage Neto, no post E se Thatcher tivesse sido brasileira . Aliás, Gaspari tem mesmo esse dom de entrar na cabeça da Direita, por que hein? Mais, enfin... No Brasil, no contra-campo,  os dissidentes em nada ficaram a dever à esquerda britânica, e também souberam gritar: "Que país é esse?", perguntava Renato Russo, um artista que encarnou no Brasil  o que o Morrissey foi e ainda é hoje na cena musical crítica inglesa. O ex-líder do The Smiths foi sempre uma das vozes contra Thatcher das algumas enumaradas  por mim no post Maggie, musa do avesso,
Há dois dias, no blog dele, Morrissey baixou o cacete no que ele chama de tentativa de se reescrever a História agora que a "sweet Maggie" se foi: "Thatcher não era uma líder forte ou formidável. Ela simplesmente não queria saber das pessoas, e esta frieza foi delicadamente transformada em bravura pela imprensa britânica, que está a tentar reescrever a história para proteger o patriotismo". Morrissey analisa fundo: "o nome de Thatcher deve ser protegido não por causa de todo o mal que ela fez, mas porque as pessoas ao redor dela permitiram que ela o fizesse, e, portanto, qualquer crítica à Thatcher lança uma luz perigosamente absurda em toda a máquina da política britânica".
E ataca o aparato de segurança do funeral de Thatcher marcado para a semana que vem, a um custo de 10 milhões de libras (11 milhões de euros ou 25 milhões de reais): "O funeral vai ter segurança pesada por medo de que os contribuintes britânicos possam finalmente expressar seu ponto de vista sobre Thatcher. Eles serão expulsos com gás lacrimogêneo ao menor gesto pela polícia."  Amargo, Morrissey conclui: United Kingdom? Syria? China? What's the difference?.
Não é à toa que o blog se chama True to you.

domingo, 29 de julho de 2012

O doce e o azedo

 Marina Silva carregando a bandeira olímpica na abertura dos Jogos Olímpicos em Londres foi um dos momentos mais doces e emocionantes nessa minha vida de brasileiro que vive fora do Brasil. No dia seguinte,  com um saudável orgulho, passamos um tempo explicando, aos nossos poucos amigos europeus que ainda não a conheciam, porque Marina estava ali.
Uma rápida olhada nos sites de notícias brasileiros, já nos azedou o dia. As reações no Planalto à supresa foram as mais sórdidas possíveis, afinal ninguém sabia, nem mesmo a presidente Dilma, que a ex-ministra participaria com tanto destaque de um evento global transmitido ao vivo. Entre outras coisas, se falou até em "ofensa ao Governo brasileiro", "mal-estar na comitiva presidencial" etc. O ministro do Esporte, Aldo Rabello,  ironizou a participação de Marina. Segundo ele, não é o governo quem escolhe a pessoa que vai levar a bandeira olímpica e sim a Casa Real.“Não podemos determinar quem a Casa Real vai convidar, fazer o quê?”, afinetou. “A Marina Silva sempre teve boas relações com a aristocracia europeia”. Errado!!! Quem organiza o evento é o Comitê Olímpico Internacional , e para o COI, Marina Silva mereceu ser convidada, pela “luta contra a destruição da floresta brasileira”, além de “enfrentar a oposição política e o assassinato de seu colega Chico Mendes”.
O sábio Tom Jobim dizia que sucesso no Brasil é ofensa pessoal. Eu acrescentaria que é também ofensa mortal quando quem faz sucesso é da oposição,  de origem pobre  e amazônida.
As reações dos políticos no poder não podem "apequenar" um grande momento histórico para o Brasil e para a luta pelos povos da Amazônia, como disse a própria Marina, numa emocionada entrevista à TV Estado.
Aqui, preferi postar um outro depoimento da mais importante ativista amazônida. Ela fala sobre como foi estar lá, junto com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, o maestro argentino-israelense Daniel Barenboim, Sally Becker (voluntária durante a Guerra da Bósnia com a Angel Operation), Shami Chakrabati (presidente da  British Civil Liberties Advocacy Organisation),  Leymah Gbowee (primeira mulher presidente da Libéria e Nobel da Paz em 2011),  Haile Gebrselassie ( o etíope considerado um dos maiores maratonistas da História), Doreen Lawrence (ativista britânica que teve dois filhos mortos em crimes raciais). E ainda, o grande Mohammed Ali.
Marina Silva estava ali por todos nós! Viva Marina! Viva  o Brasil que resiste!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Funeral



O disco de Rock n' Roll que revelou ao mundo os canadenses do Arcade Fire, é o tipo de obra que comove aos de espírito livre. Aqueles que acordam e agradecem por estar vivos. Aquele tipo de gente anônima que trabalha duramente em busca de sua dignidade num mundo assustadoramente ameaçador. Inclusive sob a sombra de Igrejas.

Funeral é um disco muito especial e exige várias audições.

Nesse primeiro volume da obra do casal canadense Win Butler e Régine Chassagne, a dor é destacada com uma carga de poesia, que me comoveu profundamente.

Somos, todos, regidos pela perda. E a perda de entes queridos, a partir de agregarmos alguma maturidade para encarar esse mundo muito louco e injusto. Me tocou profundamente.

Aos 40 e poucos. Já perdi muita gente que amava.

-- Dói muito o sentimento de perda de pessoas que valem a pena estar aos nosso lado, mais alguns anos. Para que possamos aprender algo que a Bíblia sob a versão dos que se apresentam como "seus detentores", jamais saberão o que é. Leia o post anterior.

Nesse primeiro momento. Alinho os três discos oficiais do Arcade Fire.

No segundo volume, porém. Publicarei aqui, só raridades dessa banda fenomenal que nosso companheiro flanante Raul Reis, também apreciou.

Set List

01 - CD Arcade Fire 2003 – Old Flame

02 - CD Arcade Fire 2003 – No Cars Go

03 - CD Arcade Fire 2003 – The Woodlands National Anthem

04 - CD Arcade Fire 2003 – My Heart Is an Apple

05 - CD Arcade Fire 2003 – Headlights Look Like Diamonds (minha predileta do álbum)

06 - CD Arcade Fire 2003 – I'm Sleeping in a Submarine

07 - CD Arcade Fire 2003 – Vampire-Forest Fire

“Funeral”, de 2004, é um CD Duplo

08 - CD Arcade Fire – Funeral 2004 – Disc 1 – 01 - Neighborhood #1 (Tunnels)

09 - CD Arcade Fire – Funeral 2004 – Disc 1 – 02 - Neighborhood #2 (Laika)

10 - CD Arcade Fire – Funeral 2004 – Disc 1 – 03 - Une Annee Sans Lumiere

11 - CD Arcade Fire – Funeral 2004 – Disc 1 – 04 - Neighborhood #3 (Power Out)

12 - CD Arcade Fire – Funeral 2004 – Disc 1 – 05 - Neighborhood #4 (7 Kettles)

13 - CD Arcade Fire – Funeral 2004 – Disc 1 – 06 - Crown Of Love

14 - CD Arcade Fire – Funeral 2004 – Disc 1 – 07 - Wake Up

15 - CD Arcade Fire – Funeral 2004 – Disc 1 – 08 - Haiti

16 - CD Arcade Fire – Funeral 2004 – Disc 1 – 09 - Rebellion (Lies) (minha predileta do CD 1 do álbum)

17 - CD Arcade Fire – Funeral 2004 – Disc 1 – 10 - In the Backseat

18 - CD Arcade Fire – Funeral 2004 – Disc 2 – 01 - My Buddy (Alvino Rey Orchestra)

19 - CD Arcade Fire – Funeral 2004 – Disc 2 – 02 - Neighborhood #3 (Power Out) [August Session]

20 - CD Arcade Fire – Funeral 2004 – Disc 2 – 03 – Brazil ( Claro que essa é a minha predileta no CD 2 do álbum)

21 - CD Arcade Fire – Funeral 2004 – Disc 2 – 04 - Neighborhood #3 (Power Out) [Live]


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Rock n' roll & Bossa Nova

Desde os primeiros acordes 4x4 de um maluco que "fundeou" um "Porto" de um Mar em plena deriva. Num desconhecido mundo de muitos caretas. O Rock n' Roll surgiu como um "tapa", no lombo de uma sociedade, calcada em valores duvidosos e fundamentalista de seus interesses. Muito diferente de uma lei da natureza. Seu nome: hipocrisia.

Um monte de novos oráculos surgiram na esteira da nova música.

Pastores que juram que são a reencarnação do filho de Deus. Vomitaram e vomitam:

-- Este é o ritmo do diabo!! E fogo neles (os que gostam de rock) é o que temos que alertar para as boas e sadias famílias do mundo!!!!!!

Na verdade uma lei física que propôs muitas explicações e pouca comprovação quando distanciada dos complicados elementos que arvoram-se a explicar:

1. Quem somos?
2. De onde viemos?
3. Para onde vamos?

Isso tudo. Claro. Se imbecis aos borbotões por ai, que posam de líderes de povos subjugados. Não resolverem, por conta própria. Anteciparem nosso destino comum, que é do pó e voltarmos, ao nada, antes da hora, --e, nos mandar para os ares todos. Por conta de uma visão apocalíptica de uma Bíblia, cujo evangelho é interpretado segundo suas taras pessoais.

Ritmo algo alucinado, extraído e inspirado da alquimia rítmica de muitas raízes. Decantadas do rhythm and blues, do country e de elementos do rockabilly. Poderíamos dizer que essa gênese, gerou o rock como conhecemos hoje. O rock que surgiu na década de 50?!

Para os crentes do país de origem do Rock. Essa é mais uma teoria que comprova, aos hipnotizados seguidores, que trata-se de mais um elemento do grande complô contra Deus.

-- Jesus. Fala com a boca cheia. Em transe. Um desses pobres pregadores.

-- Não voltou para a Terra, graças a "esses" (quem escuta algo que tenha um ritmo fora da Igreja dele) pervertidos. Eles foram "marcados" para destruir a boa família. Enquanto que eu (que gosto de rock), fui ungido pelo satanás para fazer o mal.

A boa família americana que seus embaixadores. Agora, por conta, das calças arriadas pelos seus próprios membros. São desnudados, num prosaico site na internet (http://wikileaks.org), trata-se de mais uma obra do diabo --, de acordo com 100% dos 100% dessas tristes criaturas que nos julgam.

E eles. Nossos julgadores. Que sequer concurso têm para fazê-lo -- se tiverem -- gostaria muitíssimo de examiná-lo. Bradam algo parecido ao fim dos tempos.

-- Tá dominado! É palavra proibida.

Mas, o que tá dominado? Sacripanta?!

-- Eu pergunto:

-- O rock?

E grita-se mais alto que um solo de guitarra. Apenas gritam, para apavorar os pobres coitados que os ouvem, e logo depois têm suas carteiras substancialmente aliviadas pelo dízimo. O dízimo sagrado que professam.

E onde fica, na alquimia? O Blues, Country e o Jazz?

Nos infernos?

Como disse. Só pode ser por ai, para muitos. E onde fica no caldeirão desandado? O caribe, samba e mantras?

Assim surgiu o Rock?

O rock é a mistura de vários outros tipos de músicas sejam elas Rock n' roll ou não?

E antes do Rock?

A principal novidade em termos musicais no rock and roll foi a utilização de um instrumento que havia nascido pouco antes do que o próprio ritmo, a guitarra elétrica. As primeiras foram criadas na década de 30 do século XX, sendo a primeira gravação de um solo de guitarra realizada no ano de 1938, por Eddie Durham, violonista e trombonista de jazz. Porém foi somente duas décadas mais tarde, com o rock clássico, e seu descendente direto, o rock and roll, que o instrumento foi utilizado em sua plenitude de recursos. O rock foi feito para o som estridente da guitarra elétrica, assim como a guitarra parece ter sido feita para tocar o enérgico rock and roll. Além disso, o rock é uma música híbrida, com heranças culturais tanto brancas (o Country and Western e o Bluegrass) quanto negras (o Jazz, Blues, Rhythm and Blues, Gospel e outros).

Antes de Elvis Presley, em 1948, Roy Brown gravou Good Rockin' Tonight (mais tarde regravada por Elvis) e, apesar de manter o compasso do blues, alterou o estilo triste para um acompanhamento mais acelerado e frenético, com um toque dos cantos religiosos negros, mais gritados que sussurrados. Essa versão rápida de blues deu lugar ao que se chamou de rhythm and blues (r & b) e que mais tarde seria interpretado por cantores brancos e fundido com o rock and roll. Em 1952, Alan Freed batizou seu programa de Moondgo's Rock'n'Roll Party, o que acabou definindo a expressão como designativa de um tipo específico de música. Foi o próprio Freed que organizou o primeiro concerto de rock and roll (1953), e acabou se transformando num grande sucesso, com participação de Big Joe Turner, Fats Domino, The Moonglows e The Drifters, tudo isso antes de Elvis Presley.

O grupo Bill Haley & His Comets já fazia sucesso nos EUA antes de Elvis, sem contar Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Boppe...

Historiadores apontam a música "Rocket 88", escrita por Ike Turner (marido de Tina Turner) em 1951, como a primeira gravação de rock.

Aqui no Brasil. Um tal João Gilberto, marcaria outro gênero: a Bossa Nova.

Sobre a Bossa Nova. Escreverei depois.

De uma coisa sei, porém. Nós, humanos. Nunca mais fomos os mesmos, depois desses malucos.

E de malucos em palcos. Prefiro os que cantam aos que querem o meu dinheiro.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pontos e contrapontos

Nunca é demais repetir: este blog se caracteriza pela diversidade de opinião. Diversidade entre os leitores, entre os comentaristas e, talvez principalmente, entre os editores.

Para quem acompanha o Flanar, é um caso emblemático a discussão que travei, durante algumas postagens, sobre a concessão ou não de asilo político ao italiano Cesare Battisti com nosso confrade Itajaí de Albuquerque.

Portanto, não há que causar espanto eventual discordância entre os autores do blog, que, também repito, são maiores, vacinados e, por isso, respondem plenamente por suas opiniões.

Dito isto, ressalvo meu entendimento sobre o texto a respeito do qual um anônimo, na caixa de comentários do post As Fúrias Tropicais, pediu a opinião do Itajaí. Tratava-se de um trecho do artigo “Lula, o Bom Ditador”, que o jornalista Lúcio Flávio Pinto publicou em seu Jornal Pessoal da 2ª quinzena de agosto último, e que foi republicado no site do O Estado do Tapajós, do também jornalista santareno Miguel Oliveira. A seguir, a parte transcrita pelo anônimo:

Lula é aquilo que, abusando do jargão, se passou a chamar de “força da natureza”. É uma esplêndida culminação de instintos vitais. Mas sem a menor condição de autoconhecimento, de reflexão e de análise. Sua maior malignidade está em se infiltrar sem ser percebido. E, mesmo sendo impossível, passar a ser aceito como normal.

Tomado fora do contexto, a redação causou no poster do Flanar indignação, que ele expressou na postagem Um Curioso Exemplo de Higienismo na Política Brasileira. Aqui, para mim, está o primeiro motivo de discordância com meu companheiro de blog: não se pode tomar um texto por parte dele. Não se pode criticá-lo a partir de mera análise descontextualizada, sob risco de incorrer no mesmo equívoco dos cegos da fábula, que tomaram um elefante por tudo aquilo que ele não era.

Mas assim fez meu caríssimo Itajaí. E por isso desconsiderou a análise – para mim, perfeita – que LFP fez a respeito do alcance que esta quase unanimidade do presidente Lula traz para a crítica política brasileira. O artigo espelha o que penso a respeito do tema, focando a absoluta indigência de posicionamento, de crítica e até mesmo de marketing que a oposição brasileira tem revelado nestas eleições.

É preciso, é necessário, é imprescindível para a democracia que haja o contraponto. Lula e o Partido dos Trabalhadores não são a nona maravilha do mundo moderno. Dentre outras coisas, Lula foi incapaz de romper com o modus operandi político das elites brasileiras: teve que se vergar a elas, atraindo para seu lado, em nome da quase maldita governabilidade, gente da estirpe de Jader Barbalho, José Sarney, Renan Calheiros e Fernando Collor. Traiu, na verdade, a esperança de milhões que queriam mudanças no modo de fazer política quando, sob a luz inevitável dos holofotes, mostrou que o PT trata a máquina administrativa exatamente como PFL, PMDB, PTB e até o próprio PSDB o fazem: para multiplicar e manter o poder.

Claro que o governo Lula tem seus méritos. Um deles, atacar aquilo que os governos sociais-democratas não conseguiram (ou não quiseram): aplacar a fome da população. Mas esta não pode ser uma justificativa suficiente para que se esqueçam os inúmeros erros, por inconsequência, omissão ou deliberação, que o governo petista cometeu. Aí deveria estar a oposição para, se responsável fosse (ou se tivesse moral), levantar o debate.

Por tudo isso, a figura do bom ditador é paradigmática. Mas se a oposição deve ser contraponto, a situação também deveria por a mão na consciência e, se fizer a crítica interna das ações e omissões do governo, expô-la ao respeitável público. Afinal, se o PT foi o maior algoz de Rubens Ricúpero no hoje já histórico “escândalo da parabólica”, parece não ter querido aprender a lição pela experiência dos outros.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Quem faz parte do pacote

O nosso querido Val-André Mutran, aguerrido defensor da revisão geopolítica do território brasileiro, ou mais especificamente da criação do Estado do Carajás, publicou abaixo a postagem "Brasil, um país de todos, mas nem tanto", conduzindo-nos a artigo publicado no site do futuro Estado do Carajás, no qual o renomado economista Roberto C. Limeira de Castro tece considerações sobre a colonização brasileira, como um processo que ainda não terminou.
A despeito da festa que o nosso confrade faz em relação ao autor do texto - que não discuto, posto que não conheço o economista, nem disponho da qualificação necessária para questioná-lo -, fiquei com a impressão de que o artigo era um texto mais ufanístico do que técnico, o que é frustrante, na medida em que a postagem me deu a entender que eu leria argumentos econômicos capazes de provar a viabilidade do novo Estado, opondo-se a uma das mais rotineiras críticas que se faz à ideia.
Não encontrei nada disso por lá. E em que pese a fundamentação factual que embasa o texto, creio que ele pode ser sintetizado numa premissa principal: somente os moradores das regiões a serem desmembradas é que teriam direito a se manifestar no plebiscito.
Para o autor, é uma excrescência que "os brasileiros espoliados têm que pedir a concordância dos seus espoliadores para terem direito à emancipação, o que é a negação do conceito de emancipação". Por afirmações nessa linha é que considerei o texto panfletário. Questões de estilo à parte, Castro faz uma analogia com questões propriamente jurídicas ("O filho de maioridade, o escravo alforriado, o preso encarcerado ou a mulher casada são exemplos de emancipações no direito" e em nenhum desses casos "o emancipando têm que pedir permissão ao seu tutor para obter o direito à autonomia, à liberdade, à alforria, sair do julgo ou à emancipação"). Assim, fico mais à vontade para meter o bedelho.
A par de que os exemplos citados são completamente distintos (a maioridade é uma condição legal inelutável, que só não ocorre se o indivíduo morrer antes; o escravo podia comprar sua alforria, de acordo com as leis vigentes; o preso deve ser libertado ao término de sua pena e isso é indiscutível; a igualdade entre homens e mulheres foi reconhecida pela Constituição - ou seja, em todas essas hipóteses, a emancipação não é uma questão de escolha), faço as seguintes provocações:
1. Quando um casamento se dissolve, as partes, em juízo ou fora dele, precisam partilhar os bens do extinto casal. Seja mediante acordo, seja por sentença, a partilha é feita após escutar ambas as partes. O juiz não consulta apenas o autor da ação ou aquele que pareça mais frágil na relação. Ele escuta ambos para decidir, sob pena de nulidade.
2. Idêntico raciocínio faríamos numa dissolução de sociedade, quando todos os sócios precisariam ser ouvidos sobre o quanto e o como da divisão, a fim de prevenir danos e arbitrariedades.
Trazendo tal raciocínio à revisão geopolítica, precisamos lembrar que ela modificaria drasticamente o território, a população, o PIB, a arrecadação tributária e vários outros aspectos. Como tomar uma tal decisão sem ouvir aqueles que sofrerão as perdas? Lamento, mas a hipótese não me parece razoável.
Esta a provocação que lhes trago, para o debate. Tenho outra. Mas vou esperar que me tasquem as pedras primeiro.

PS - Acabei de extrair, do Hiroshi Bogéa Online, esta postagem sobre a proposta de divisão do Município de Marabá, que pode torná-lo o menor Município do Estado e, muito provavelmente, fazê-lo perder os royalties da exploração mineral ou, ao menos, de boa parte dela. É o caso de perguntar: os divisionistas estão de acordo com essa mudança? Se não estiverem, quais são os argumentos?

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Quem de pedra passa a vidraça, um dia se fere nos cacos de vidro

O ajuste no dito popular é o que se pode dizer do que está acontecendo com a remoção do painel do artista plástico Osmar Pinheiro de Souza Neto que desde 1985 ornava a esquina do Boulevard Castilhos França com a Avenida Portugal, em frente ao Mercado do Ver-o-Peso, na capital paraoara.

Não há como deixar de apontar uma certa tendência stalinista na pretensão de reescrever a história da cidade apagando qualquer lembrança de seus administradores anteriores. Vergonhoso para um partido que se diz democrático e popular.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Uma Questão de Esclarecimento

Tem um cidadão que vem nos criticando pelo espaço que alguns flanares deram a blogueira Franssinete Florenzano, a propósito do frege estabelecido na blogosfera, depois que a governadora Ana Júlia Carepa convidou blogueiros para tomar um cafezinho. Alega nosso visitante que a jornalista seria de direita, posição que a incompatibilizaria para receber maiores atenções no Flanar, e mais especialmente porque André Nunes, em outro comentário publicado, deu a Florenzano o título de musa. Nada demais, para quem de fato, se não inspirou, ao menos levantou a bola da reação a uma série de ofensas publicadas contra aqueles que participaram do referido encontro com a governadora do Pará.
Cabe porém um esclarecimento ao equívoco de avaliação do anônimo, tão zeloso quanto a nossa pureza ideológica, em risco iminente de ser maculada pela proximidade com esta formosa dama ...
Em primeiro lugar, este blogue não é, nem será um blogue de esquerda. Nunca foi esta a proposta, resumida em nosso banner, em que asseguramos nosso propósito de respeito à diversidade de opiniões. Dialogamos com todos, independente de estarem à direita, à esquerda, no centro ou em qualquer outra combinação possível relacionada as três primeiras posições políticas.
Mas há uma regra pétrea, ainda não escrita, que é tácita entre aqueles que editam o blogue: não será concedida tolerância a quem desrespeita o limite saudável do debate das idéias, seja quem for. Enquanto forem respeitosos, todos os que aqui chegarem receberão de nós a acolhida de cavalheiros.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ORVIL, A História Mal Contada

Não é a grafia errada do nome de um dos irmãos Wright, que os historiadores norte-americanos pretendem catapultar como pais da aviação, ao modo do avião secreto que eles desenvolveram, para negar o reconhecimento à prioridade de nosso Alberto Santos Dumont. Orvil é a palavra livro de trás para a frente, nome - quanta criatividade! - que os últimos centuriões dos governos militares deram à iniciativa de registrar a versão da caserna sobre os fatos que redundaram no golpe militar de 64 e na ditadura de mesma alcunha.
Observa-se, claramente, no rascunho apresentado aqui, um esforço intelectual ou psicológico em compreender a ação das esquerdas no país, de antes de 1 de abril de 1964 até o anteato do advento da Nova República, à ocasião do governo do general -presidente João Batista Figueiredo, aquele que declarava preferir o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo. O documento, entretanto, foi só efetivamente apresentado à ocasião do governo José Sarney, e assim mesmo de modo confidencial.
Não é um livro de História ou de Ciência Política, mas é fonte primária para o estudo do assunto e nos dá com clareza a real imagem do pensamento militar brasileiro. Entretanto, a medida que acompanhamos a narrativa anônima, fica notório que o documento vai perdendo profundidade pelo inexorável esgotamento da metodologia para a obtenção de informações/ dados e de sustentabilidade política: pelo enfraquecimento da repressão linha dura, motivada pela progressiva falta de apoio interno e externo ao regime de exceção; fatos que Elio Gaspari resumiu como A Ditadura Derrotada, título certeiro do último volume de sua narrativa sobre a evolução do golpe militar de 64.
Essas constatações são identificadas a medida que as mais de 9oo páginas desse documento vão chegando ao fim. Pelo relato apressado, percebe-se que, ao final, os autores já subordinavam a análise ao colhido de tabela dos meios de comunicação, o que lhes impossibilitava avaliar variáveis fundamentais como a distância entre o contexto, o discurso e a efetiva capacidade de ação militar do inimigo.
No esforço de assinar uma versão que os justificasse perante a História, os centuriões ignoraram que, mutatis mutandi, ela julga os homens com olho mais terrível e a distância, quando livre de amarras à circunstâncias e sob a luz da ética e da legitimidade democrática. Quem se interessar sobre os fatos narrados no ORVIL, pode ler uma das cópias aqui. Na pretensão de narrar com inteireza os fatos que justificavam aos autores redigir o documento, encontramos relatos interessantíssimos sobre o que teria sido a luta armada em Belém do Pará, nos anos de chumbo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Da censura no país do Carnaval

Haverá coisa mais sórdida que a censura? A liberdade de pensamento e expressão, infelizmente, ainda sofre muitos (e duros) golpes no B do Bric, igualando-nos aos demais componentes desta nova confraria em matéria de antidemocracia.

Ontem, humoristas do programa Pânico na TV, da Rede TV!, foram impedidos de filmar um quadro em que aparecem travestidos de Lula e Sarney na rampa do Palácio do Planalto. Pode-se questionar o bom gosto do programa e criticar a rudeza de suas piadas, na maioria das vezes grosseiras. Mas isto faz parte do espetáculo; suportá-lo, da democracia.

A crítica política historicamente se expressa, e não somente no Brasil, por meio do humor. Impedir a filmagem e, mais, ameaçar de prisão os humoristas é censura pura - censura mesmo, sem espaço à cabotinagem que assola os mal-intencionados que defendem o sangue nos jornais paraenses.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Anonimato

Do blog do Luís Nassif, edição de hoje:

A lei Azeredo e os Blogs apócrifos

O principal inimigo da liberdade da Internet não é o dispositivo do Senador Eduardo Azeredo sobre o tema. São os crimes contra a honra cometidos no anonimato.

Esse é o ponto central de discussão de todos aqueles que acreditam e defendem a liberdade de expressão na Internet.

Um Blog apócrifo, cometendo assassinatos de reputação, spams com ataques difamadores, são a matéria prima da qual se alimentam aqueles que pretendem colocar um feio na liberdade da Internet.

Não se trata apenas da mancha da covardia, que marca todos os que se valem do anonimato para crimes contra a honra. Aí é um problema individual de cada um. A questão maior são os efeitos de tais atitudes sobre o conjunto da blogosfera.

A princípio, discordo de Nassif.

Nos tempos atuais, é difícil manter anonimato total via internet. No caso de cometimento de crimes, e com a devida autorização judicial, a quebra do sigilo dos provedores permite, por meio de ferramentas que conseguem localizar IPs em máquinas e no espaço geográfico, responsabilizar os meliantes que deles fazem uso para "assassinar reputações".

A se considerar o que o LN diz, teríamos também que tomar como risco à blogosfera os comentaristas anônimos. Estes, todos os que frequentam os blogs sabem, são essenciais ao caráter participativo do meio virtual.

Parece-me que o que falta, efetivamente, é uma cultura de uso das ferramentas de comunicação na internet - principalmente na moderação de comentários pelos editores e na não replicação de postagens apócrifas oriundas de blogs anônimos. Aos poucos, porém, isto vai sendo aperfeiçoado. Dia chegará em que este debate será desnecessário.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

ELP Special -- Peace and love for Forum World Social

Mosaico by Val-André com fotos de livre circulação na internet



Emerson, Lake & Palmer Special

Você gosta de histórias bem engendradas?

Rogai aos céus puristas ouvintes do rock progressivo.

Ajoelhai-vos!

Com vocês a música cerebral – não tanto assim para não perder o outro viés – do Emerson, Lake & Palmer, nesse set exclusivo e com convidados muito especiais, dentre eles King Crimson, Jimmy Hendrix & Cia...

É para escutar sempre.

É um clássico de uma época que não volta mais.

Quem a viveu e, deve ter vivido intensamente. Lembrará!

Receito uma dose diária de ELP pra espantar qualquer indício de depressão.

Para quem não conhece. Eis a chance em tempos de Fórum Social Mundial na minha querida Belém do Pará.

>>Set List<<

1 Emerson, Lake and Palmer - From The Beginning CD 1 - Take A Pebble
2 Emerson, Lake and Palmer - From The Beginning CD 2 - Tarkus
3 Emerson, Lake and Palmer - From The Beginning CD 1 - Epitaph – (With King Crimson)
4 Emerson, Lake and Palmer - From The Beginning CD 1 - The Barbarian – (With Jimmy Hendrix) {Live}
5 Emerson, Lake and Palmer - From The Beginning CD 3 - Cèst La Vie (uma das mais belas músicas do rock)
6 Emerson, Lake and Palmer - Brain Salad Surgery (Deluxe Edition) - Jerusalem
7 Emerson, Lake and Palmer - From The Beginning CD 3 - Piano Concerto No 1
8 Emerson, Lake and Palmer - From The Beginning CD 3 - Pirates {Live}
9 Emerson, Lake and Palmer - From The Beginning CD 4 - Honky Tonk Train Blues
10 Emerson, Lake and Palmer - From The Beginning CD 4 - Tiger In A Spotlight
11 Emerson, Lake and Palmer - From The Beginning CD 4 - Canario
12 Emerson, Lake and Palmer - From The Beginning CD 4 - Desede La Vida
13 Emerson, Lake and Palmer - From The Beginning CD 4 - Black Moon
14 Emerson, Lake and Palmer - From The Beginning CD 4 - Romeo And Juliet

--------------Emerson, Lake & Palmer Special----------------------

Do you like very engineered histories?

Pray to the skies purists listeners of the progressive rock.

It kneels! With you the cerebral music – not as much as to do not lose the other Emerson, Lake & Palmer, in this set exclusive and with guests very special, among them King Crimson, Jimmy Hendrix & Co...

It is to listen always.

It is a classic of a time that does not come back anymore.

Who lived her and, should have lived intensely.

It will remind!

I prescribe an ELP's daily dose for frighten any depression indication.

To who does not know.

There you have the chance in times of World Social Forum in my dear Belém do Pará.