segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Um Curioso Exemplo de Higienismo na Política Brasileira

Em comentário à postagem As Fúrias Tropicais, pediram-me opinião sobre o seguinte texto: Lula é aquilo que, abusando do jargão, se passou a chamar de “força da natureza”. É uma esplêndida culminação de instintos vitais. Mas sem a menor condição de autoconhecimento, de reflexão e de análise. Sua maior malignidade está em se infiltrar sem ser percebido. E, mesmo sendo impossível, passar a ser aceito como normal.
Eu não sei exatamente a procedência do texto, mas qualquer que seja a origem dele é de pouca importância para responder o que me foi solicitado. De cara observamos que o parágrafo apresentado exemplifica um viés ideológico do autor (a), ao apresentar uma visão estereotipada do presidente Lula. Chamam a atenção os elementos textuais que tem correspondência com às idéias dos higienistas raciais que contaminaram vergonhosamente a ciência desde os meados século XIX e levaram aos desvios éticos da eugenia no século XX. Os termos "força da natureza" e "culminação de instintos vitais", "malignidade", "infiltrar", "normal" remetem com força à linguagem própria dessas disciplinas que deram sustentáculo ao nacional-socialismo alemão e seus conhecidos crimes contra a Humanidade.
Para clarificar melhor o conteúdo narrativo do texto, cito Roso e colaboradores*, que descrevem de forma aguda a fisiologia do estereótipo: estereotipar faz parte da manutenção da ordem social e simbólica, estabelecendo uma fronteira entre o “normal” e o “desviante”, o “normal” e o “patológico”, o “aceitável” e o “inaceitável”, o que “pertence” e o que “não pertence”, o “nós” e o “eles”. Estereotipar reduz, essencializa, naturaliza e conserta as ‘diferenças’, excluindo ou expelindo tudo aquilo que não se enquadra, tudo aquilo que é diferente.
Podemos contextualizar os elementos dessa explicação no exemplo a seguir, extraído de "Minha Luta" (Mein Kampf), opera omnia de Adolf Hitler: As qualidades intelectuais do judeu formaram-se no decorrer de milênios, Ele passa hoje por "inteligente" e o foi sempre até um certo ponto. Somente, sua compreensão não é o produto de evolução própria, mas de pura imitação.
Minha opinião, portanto, quanto ao parágrafo que me foi solicitado comentar, é a constatação do quanto a paixão política pode levar as pessoas ao exercício das mais baixas inspirações ideológicas.

*Cultura e Ideologia: A Mídia Revelando Estereótipos Raciais de Gênero. Psicologia & Sociedade; 14 (2): 74-94; jul./dez.2002 .

21 comentários:

Anônimo disse...

O texto é do Lúcio Flávio Pinto. http://blogdoestado.blogspot.com/2010/09/lula-o-bom-ditador.html

Itajaí de Albuquerque disse...

Lamentável. Fica mantida a análise publicada.

Itajaí de Albuquerque disse...

Anônimo das 23:50, publicaremos sua postagem quando ela trouxer elementos que justifiquem sua afirmação.

Anônimo disse...

Tenho 61 anos, 45 de jornalismo, e nunca jamais, para citar o Lula, alguém me havia feito acusação tão grave quanto fez o Itajaí nessas poucas linhas, a partir de um mínimo trecho de um artigo bem maior, concatenado entre vários parágrafos em defesa de uma tese. Por ele, deixei escapar meus instintos mais satânicos: nazismo enrustido, higienismo, preconceito et caterva. Tudo isso por fanatismo anti-Lula, a quem eu imaginava ter analisado com todo empenho da minha inteligência. Deixo ao distinto público, se é que me conhece de fato, fazer seu juízo a respeito da acusação (acusação, não: sentença inquisitorial). Sobre o Itajaí, eu já fiz o meu. Seu texto dogmático diz tudo, para mim, sobre sua seriedade intelectual e condição humana. Um abraço, Lúcio Flávio Pinto

Itajaí de Albuquerque disse...

De minha parte, e acredito que acompanhado por segmento dos teus leitores, aguardamos um texto que supere esse que infelizmente tu escreveste, sei lá porque sem a seriedade intelectual que evitasse a dura análise que fiz.
Obrigado por comentar no Flanar.

Anônimo disse...

Só uma dúvida final e derradeira, Itajaí: leste o texto completo? Infelizmente, não sou leviano o bastante para, tendo escrito o que escrevi, substituí-lo por outro artigo, só porque consideras que meu texto não tem a seriedade que exiges para me poupar da tua dura análise (profeta do dura lex, sed lex). O que eu repeti do Lula no último JP não é novidade. Já escrevi isso várias vezes, sem merecer tão duras - e, a meu ver, inconsistentes e absurdas - acusações. O que mudou é a campanha eleitoral. Estás nela. Eu. não. Continuo fiel ao jornalismo que sempre fiz. Não o pratico para agradar a "a" ou "b", seja quem for, dono do poder ou seu áulico, intelectual ou operário. O que tento é me aproximar da verdade, expondo meus argumentos e os fatos em que se baseiam. A tua é outra. Podes ficar com ela que eu fico com a minha. E os leitores, que se manifestem, conforme suas próprias visões. Não sei se eles te deram procuração para falares por eles. Abraço a todos. Lúcio Flávio Pinto

Anônimo disse...

Utajaí: meu último comentário ainda não foi postado. Algum problema? Lúcio

Anônimo disse...

Caro sr. Itajai,

Acho que o anônimo que solicitou-lhe o comentário ao parágrafo isolado do texto do Sr. Lúcio Flávio Pinto pregou-lhe uma peça.

Ele acabou prestando um deserviço ao bom debate que só pode ser feito pelas almas livres, capazes de não se esconder atrás do anonimato.

Seu Pedro

Anônimo disse...

Prezado Lúcio Flávio Pinto, o debate foi interessante, porém, analisando seu artigo (LULA, O BOM DITADOR), o mesmo faz crer que a nova classe média é produto exclusivo ou em grande medida, dos programas “paliativos” do governo federal, o que destoa das constatações recentes da FGV-RJ sobre o PNAD, onde a mesma atribui ao EMPREGO COM CARTEIRA ASSINADA a principal variável explicativa para o surgimento e poder de compra desta nova classe.

O outro fator que põe em xeque vossa avaliação, quando tentar limitar programas como bolsa família a um mero instrumento assistencialista, é o fato de 2 milhões de pessoas já terem deixando o programa por conta de terem conseguindo emprego com carteira assinada, fruto da qualificação que receberam oriundos de programas complementares relacionados a qualificação e inserção profissional, formação de micro-empreendimentos, concessão de microcrédito, estratégias de apoio à aquisição, construção ou reforma de unidade habitacional.

Acredito que foi interessante a tentativa de constitui um Lula populista e ditador pai de todos, e dessa forma, sem oposição e intocável, porém nos pontos acima expostos, infelizmente forçaste a barra meu amigo. E pela forma como as coisas se dão, não creio que este governo seja um protótipo fascista moderno, constituídos de medidas remediativas que não projeta pessoas, como afirmas, o que fundamentalmente desconstitui, a abordagem, em termos gerais, de seu artigo.

Porém acredito na seriedade e imparcialidade de seu trabalho, e faço votos que continue sendo o bom jornalista que és.

Forte abraço meu amigo,

Belém, 15 de Setembro de 2010

Marcello Santos Chaves
Economista

Anônimo disse...

O Marcelo mandou seu comentário também para O Estado do Tapajós. Reproduzo a resposta que acabo de enviar ao blog do Miguel Oliveira:
Caro Marcelo
Você está certo e eu não estou errado. Em nenhum momento do meu artigo eu fiz a relação entre o Bolsa Família e essa "nova classe média", produto de dois movimentos: de pessoas de renda inferior que ascendem e da tradicional classe média que se empobrece. O primeiro movimento certamente supera o segundo, mas, como digo no artigo, já vimos isso antes. Não com a expressão quantitativa de hoje, que se explica pelo crescimento da população entre o "milagre econômico" do regime militar e o atual "boom", mas com características semelhantes, a maior das quais é o endividamento. Hoje mesmo a imprensa confirma o que observei no artigo: o sinal amarelo intenso da inadimplência, por conta de um crédito fácil, por ocasião da tomada, e difícil, no momento da quitação. Quanto à evolução de famílias que integravam o programa assistencial, por encontrarem emprego com carteira assinada, o que você considera expressivo eu acho de pouca significação. Compare o programa de remediação do Lula com o do Roosevelt e verá porque, a partir daí, o crescimento dos EUA, imperialismos à parte, se tornou contínuo, até o paroxismo da especulação financeira de 2008.
Não digo que o governo do Lula seja fascista. Digo que pode levar a um fascismo. Não por Dima se eleger (o artigo deixa bem claro que considero justo Lula fazer o sucessor), mas pela engrenagem corrupta e corruptora que se montou à generosa sombra dele, que nunca sabe de nada e é pai para bandidos nada deletérios. Sim, já os houve antes - e até piores. Mas o PT devia ter mudado esse aparelhamento e essa pirataria nos cofres públicos e na estrutura de poder, cada vez mais vertical e concentrada. Lula é um "bom ditador", conforme a subiedade intencional do título, porque atropela as leis, inclusive a maior, a Constituição, e tudo fica por isso mesmo, porque ele é simpático, é do povo, fala ao íntimo do povo, e a economia cresce (graças às exportações, que fizeram a delícia de Delfim Netto, especialmente de commodities não renováveis). É aquela flor arrancada do jardim e que, repetida, por falta de vigilância e controle, acaba por provocar a destruição do jardi,m. Como na república de Weimar, na Alemanha. Tenha como indicador dessa onda de intolerância a reação dos petistas a qualquer crítica que se faça ao cerne da questão que lhes interessa.
Obrigado por suas observações e pelo crédito.
Grande abraço,
Lúcio

Itajaí de Albuquerque disse...

Lúcio,
Ditadores não se definem dessa forma, mas pela força com que arruinam as instituições democráticas e negam os direitos e garantias individuais. Articular a idéia de que partidos de massa, com tradição de esquerda, tem propósitos fascistas é um insulto a história da esquerda nesse país, que sempre souberam desafiar os verdadeiros fascistas que habitam esse país, ainda que hoje travestidos de liberais.
Além do mais fica difícil crer que alguém com quase 80% de aprovação, líder de massa, pretenda ser ditador com o Legislativo funcionando, o Judiciário fortalecido, inclusive praticando a judicialização da política - e, este sim, um claro sinal preocupante que exige análise complexa.
Uma outra questão surge nessa sua resposta ao Marcelo: onde reside o defeito de uma política pública, que retira famílias da indigência, dá-lhes poder aquisitivo e por haver consumo, há endividamento? Estaríamos frente ao pesadelo imoral de que seria melhor mantê-los na miséria para que não se endividassem? Ou melhor seria o Grande Líder tutelá-los, como os pais fazem quando dão mesadas aos filhos? Afinal, qual é o problema real?
Também não vejo a mais remota comparação entre o que aconteceu com a Alemanha no interregno entre a Primeira e a Segunda Guerra e o Brasil de 2010. Aliás, há sim um paralelo: a sordidez da campanha tucana, fundamentada numa retórica feroz de ódio em tudo semelhante aos que conspiravam contra o governo democrático de Weimar. Só nos falta as tropas das SA nas ruas, gritando Heil ou a sua forma tupininquim de Anauê. Tenho certeza que acaso houvesse chance essa gente já teria organizado algum putsch de cervejaria, que afinal também é a bebida nacional.
E a propósito: em que pese nossa profunda e irremdiável divergência no que tange ao tratamento que você deu ao texto sobre o Lula, motivador desse intenso debate, chamo-lhe a atenção de que suas intervenções foram todas elas publicadas, inclusive a primeira que disse o que queria, mas não ouviu o que não queria. Portanto, não há porque aqui se queixar de intolerância ou de descortesia. Esse não é um debate pessoal, ainda que minha crítica assim lhe soe.

Herbert Marcus disse...

Interessante notar que tanto Itajaí quanto Lúcio Flávio chegam a uma mesma conclusão: fascismo.

Itajaí a partir da análise de um fragmento de texto e Lúcio ao opinar sobre a personalidade de Lula em relação à política brasileira.

A exegese feita por Itajái peca pela descontextualização e a de Lúcio pela indignação visível em seu texto, que o leva a ver ameaças na trajetória de Lula e do PT.

Por razões bem diferentes, Lúcio repete a cantilena da direita do olha o lobo! olha o lobo!

Em textos produzidos pelos ideólogos da direita, principlamente os do PIG, o tema é recorrente - com Lula e o PT estamos caminhando para o facismo, ou para a ditadura comunista, ou simplesmente para a merda.

Não sou eleitor do PT, sequer votei em Lula nas útlimas eleições, mas atribuir todos o males do Brasil à ascensão de Lula ao poder é ficar no nunca antes na história desse país, e haja saco para suportar o refrão.

É como se corrupção, aparelhamento do Estado, uso da máquina pública et caterva passassem a existir com Lula. Não, Lúcio Flávio não afirma isso, mas faz uma diferença de grau, ressalvando que caberia ao PT pôr fim nisso.

Afirmar que o PT aparelhou o Estado e que faz (para eleger Dilma) o "uso mais abusivo da máquina pública de que se tem notícia em 80 anos de eleição no Brasil" é precisamente desconsiderar o passado histórico do Estado brasileiro, do uso do aparelho estatal que as elites sempre fizeram para a reprodução e manutenção do poder, pelo simples fato do Estado existir em função disso e para isso.

Cientelismo, populismo, e patrimonialismo (+etc) são marcas registradas da ainda pré-república brasileira. Que o PT não tenha concretizado outro tipo de República, tal como muitos desejavam, é fato. E creio que o Lúcio já escreveu sobre isso.

Mas fica nos devendo uma análise mais aprofundada, outra que não tenha esse tom aborrecido, uma certa "rabugice" de intelectual indignado com os rumos que o lulismo e o petismo estão tomando.

Que, a meu ver, é quase o mesmo caminho trilhado pela social-democracia francesa, e européia.

E, quem sabe, Lula não terá o mesmo declínio e fim de Miterrand, que chorou diante das câmeras, pedindo perdão pelos seus "erros de juventude", após as denúncias de colaboracionismo com o governo de Vichy durante a ocupação alemã.
(de forma alguma estou igualando as duas personalidades, bem distintas, por sinal)

Não sou profeta nem vidente, se o fosse já teria faturado a Sena sozinho, mas vejo exageros nos textos de Itajaí e de Lúcio Flávio.

Saudações, Herbert Marcus

Anônimo disse...

(Continuação)

Ocorre que o Sistema Monetário Brasileiro não é lastreado por transações de ativos de credito derivativos, e sim na relação pessoal entre credor e clientes (pessoa física/jurídica), o que facilita a Auditoria e controle do Banco Central sobre os bancos em relação aos créditos estabelecidos. Esta ultima é uma forma rudimentar de expandir ativos financeiros de crédito, porém desde a década de 80 os ativos derivativos são mais utilizados pelos países de 1º mundo, pois facilitam as transações, com elevada liquidez.

É em função disto que o Sistema Financeiro e Monetário Brasileiro não foi contaminado pela crise mundial de 2008, e explica também o fato dos países desenvolvidos terem obtido em 2009 elevadas quedas em suas economias (EUA: - 2,4% e Japão: - 5%), em quanto que o Brasil sofreu uma retração em 2009 de apenas - 0,2%. Por tanto, a inadimplência, nem de longe, poderá constituir em nossa economia um cenário de caos econômico como ocorrido nos países desenvolvidos em 2008, por incrível que pareça, porém isso não quer dizer que não seja um indicador a ser devidamente monitorado, principalmente pelos bancos públicos, que são os principais credores do mercado.

Quanto vossa preocupação quanto à tomada de crédito, com dificuldades posteriores de quitação, afirmo que se você tem uma economia que demostra claramente sinais de sustentabilidade, pois esta lastreada efetivamente pelo aumento do trabalho e da renda, e não no consumo, é pouco provável que passaremos de um sinal amarelo, pois possuem plena capacidade de recuperação no médio prazo.

Em relação a vossa avaliação quanto aos 2 milhões de pessoas que deixaram os programas sociais em função de empregos, devo dizer que em nenhum momento eu afirmei que tal número é expressivo, porém dado que o mesmo reflete uma politica não-assistencialista de fato, pois dar mostras disso, creio que seja equivocado de vossa parte transcrever em seu artigo a seguinte expressão:

“Não projeta essas pessoas, não lhes dá condições para o futuro, não as tornam espinhas dorsais do progresso brasileiro.”

Pois da forma como esta posta, todos as 50 famílias atendidas pelo programa bolsa família vivem de uma tutela populista, digna de um governo fascista, o que não posso tomar como verdadeiro.

Quanto às questões atinentes a corrupção, clientelismo e patrimonialismo no governo Lula, devo lembra-lo que tais práticas não são exclusividade do mesmo, pois da forma como discorre, o mesmo deixa o entender de que a politica no Brasil começou em 2003, deixando 503 anos de pleno exercício de tais praticas para traz, porém acredito que o controle social da maquina publica seja um instrumento efetivo de combate a essas mazelas da politica tradicional e conservadora em debate. No entanto compreendo frustações como os escândalos de corrupção ocorridos em 2005 por parlamentares e dirigentes do Partido dos Trabalhadores.

Forte Abraço meu amigo.

Belém-PA, 16 de Setembro de 2010.


Marcello Santos Chaves
Economista

Itajaí de Albuquerque disse...

Herbert Marcus,
Grato por tua colaboração.
Tua intervenção me fez lembrar o fundamento marxista de que os homens fazem história, sem necessariamente ter condições de escolha. Embora básico, aplicável a qualquer cenário da aventura humana, é incrivel como as pessoas que dizem conhecer o assunto, teimosamente ignoram esse princípio quando dispõe-se a analisar assuntos de ordem histórica. Nesse aspecto tua lembrança de Mitterrand me parece perfeitamente ajustada à questão em debate.
Aceitar a falibilidade, contudo, não é um passe-livre para panos quentes sobre erros e desvios de autoridades, mas humaniza a questão e assim permite uma análise ética da história e não necessariamente um arrazoado moralista como transparece nesses textos acusatórios que discutem o governo Lula.
Mas, verdade seja dita, não é terreno fácil de caminhar. Você assinala que Lúcio Flávio, por exemplo, exige que o governo petista tivesse acabado ou diminuído a corrupção no país. É quase como aquela conversa de alguns candidatos que disputam com Dilma, quando berram por investigações para apurar a violação do sigilo fiscal da filha de Serra. E fazem-no com tal misencene que um desavisado pensaria que o governo estaria levando o assunto na flauta, quando mesma mídia que divulga-lhes os falsos libelos, também dá notícia em contrário.
Pode ser negado tudo ao atual governo do Brasil, menos duas coisas ululantes:1) a vida de 30 milhões de miseráveis/pobres mudou para melhor; 2) a polícia federal nunca operou tanto, colocando malandro atrás das grades.
Mas, curiosamente, a mentalidade conservadora vê naquela primeira uma cabal demonstração de populismo e nesta a a vergonhosa instauração de um estado policial! Que retrocesso é esse, onde o exercício democrático parece palavra sem cor e peso, ao sabor do interesse de partidos, candidatos e seus ton-ton macoutes assalariados da mídia?
São questões que merecem atenção quando se discute mídia, democracia e cidadania.
Eu não tenho dúvida de que este governo com seus acertos, com suas falhas, foi muito mais democrático e tolerante que os oito anos de governo do PSDB. Até nos fatos que trazem suspeitas que levaram a substituição de autoridades governamentais. Que eu saiba na época do FHC e de Serra não há registro que os denunciados por corrupção tenham sido afastados dos cargos ou sofrido alguma forma de punição. Se na época essa patota levou no bico, agora quer levar no tapetão.

Itajaí de Albuquerque disse...

Marcelo Chaves,
Obrigado por complementar seu comentário anterior.
Eu faria um pequeno acréscimo de ordem ilustrativa em sua postagem, no que diz respeito a efetividade do Bolsa Família no Nordeste: o programa de transferência de renda modificou o perfil econômico de municípios brasileiros com até 100 mil habitantes, que é a grande maioria deles. Salvo erro há pesquisa publicada nesse sentido, feita pela UFBA e pelo IPEA.
Além do mais o que no início motivou intensos debates do governo com o BID, que foi a questão da porta de saída, hoje ela demonstra ser uma realidade pela perspectiva da estabilidade econômica e do mercado de trabalho, que permitem às famílias superarem a situação de risco social e deixar de perceber o auxílio mensal. Esse fato no meu raciocínio demonstra que a economia não foi mesmo a tragédia esperada com enorme ansiedade pelas elites e seus parlapatões aquartelados no chamado Pig. Estava certo o presidente quando classificou que para o Brasil a crise econômica internacional se comportaria como marola, sem maiores efeitos como você demonstrou.

Anônimo disse...

O post onde é feito uma relação entre um pequeno trecho do texto O Bom Ditador, de LFP, e o livro Minha Luta, de AH, é, no mínimo incosistente. Trata-se de uma tentativa superficial e deslocada para forçar uma "literatura comparada"? O que se quer insinuar, q Lúcio Flávio promove uma caça às bruxas do Lulismo???? Toda análise de um texto exige em primeiro lugar uma leitura detida e minuciosa do próprio texto analisado, o q parece q o sr. Itajaí não fez.

Itajaí de Albuquerque disse...

Anônimo de hoje (11:15), que leu apressado a postagem e saiu para o almoço, preste atenção na prosa:
1) Li todo o artigo de Lucio Flávio Pinto (LFP) antes de decidir manter a postagem prévia. O próprio autor reconhece no blogue /Norte que existe concatenação lógica entre o parágrafo que analisei e o restante do texto publicado.
2)Não fiz comparação alguma entre o texto de LFP e o de Adolf Hitler. Escrevi sim que o autor ao estereotipar Lula terminou por usar elementos narrativos que tem correspondência com aqueles comumente encontrados em artigos relacionados ao higienismo social, que prevaleceu na ciência até metade do século XX. E atente para a palavra correspondência, que se você não sabe o que é, esclareço o significado dela com base na última edição do Caldas Aulete:
" 4. Relação de conformidade de algo ou alguém, de certo conjunto ou contexto, com outro, em outro conjunto ou contexto;".
3. Em seguida contextualizei a afirmação do estereótipo com base na citação de artigo, ao qual dei referência que você deveria ler, antes de opinar.
4. A citação referente a Mein Keimpf está vinculada à narrativa do terceiro parágrafo, conforme demonstram os termos: " Podemos contextualizar os elementos dessa explicação". Caso eu me referisse ao texto de LFP, eu teria substituído o "dessa" por "aquela" para manter a coerência da narrativa.
Se toda essa explicação básica não lhe fizer efeito, recomendo que busques um bom curso de leitura e interpretação de textos, de preferência que use aqueles relacionados a higienismo social. Assim apanharás dois coelhos numa mesma gaiola.
Por fim quero deixar um registro aqui: Lúcio não tem, nem nunca teve partido político. A ideologia dele é um mosaico de influências que conformam um perfil conservador e profundamente reativo a qualquer projeto de esquerda que análise, pois neles só vê e aponta defeitos. Ainda assim acompanhá-lo é importante, pois sempre nos permite ter "insights" interessantes.

Anônimo disse...

Prezado Itajaí,

desculpe inportunar, mais o comentário que coloquei na Quinta-feira, Setembro 16, 2010 11:34:00 PM, é apenas uma parte de um maior. Creio que houve algum problema no envio, mais tentarei enviar agora o que já postei no blog Folha do Tapajós.

Desculpe por enviar um comentário multilado, pois o espaço para comentários não suportou o número de caracteres de meu texto.

Agradeço a compreenção.


Marcello Santos Chaves
Economista

Anônimo disse...

Prezado Lúcio Flávio,

Achei estivesse certo? Mais tudo bem! Vamos lá.

Quer dizer que o crescimento demográfico entre o “apogeu” econômico militar e o atual “bom” é a explicação para ascensão econômica de 29 milhões de pessoas? Bem meu caro Lúcio, acredito que neste ponto forçaste a barra mais ainda, pois acredito que crescimento demográfico seja uma variável que reflita um suposto mercado consumidor potencial, mais se não houver politicas publicas de geração de emprego e renda, cresça o quanto crescer esta população, que não iremos visualizar uma ascensão entre classes com a envergadura desta que esta posta, se não, nenhuma.

Você traz a baila outra variável que supostamente explique esta mobilidade econômica entre classes, o endividamento.

Bem, como já afirmei anteriormente, segundo o Centro de Políticas Sociais (CPS) da FGV, cerca de 29 milhões de pessoas entraram para a classe C entre 2003 e 2009, tal fato é explicado pelas melhores condições de geração de trabalho. Portanto afirmar que o endividamento, assim como o crescimento demográfico, são as variáveis explicativas para esse fenômeno de transformação social, é no mínimo equivocado.

E para corroborar que a escalada do crescimento econômico da renda das famílias não está lastreada, exclusivamente ou em grade medida, pelo endividamento, vejamos qual a constatação de Marcelo Neri, do Centro de Politicas Sociais da FGV analisando o PNAD do IBGE:

"O crédito é importante mas não é o protagonista desse crescimento, é o coadjuvante. O Brasil teve duas grandes estabilizações, a primeira do Real em 1994 e a segunda do "real do Lula", que foi o choque de confiança na economia, mostrou que não ia quebrar contratos firmados, e tirou o 'bode da sala'. O trabalho e a educação do brasileiro ainda estão muito ruins, mas melhoraram"

(...)

"não é só crédito e programas sociais (a razão do crescimento da renda) - o Brasil foi para a escola nos anos 90, conseguiu trabalho com carteira assinada, está contribuindo para a Previdência, está investindo em computadores",

Fonte: G1.com

Como se pode inferir, a expansão econômica está baseada em melhores condições de trabalho e renda do brasileiro do que na expansão do crédito.

Outro detalhe interessante em sua análise é o suposto sinal amarelo da inadimplência. Partindo de sua avaliação de que o endividamento é variável que melhor explica a mobilidade econômica das famílias, vejamos o que se pode depreender dos distúrbios econômicos atinentes à inadimplência.

Existe um temor mascarado nesta retórica de sinal amarelo, de que o sistema financeiro brasileiro poderia entrar em colapso em função de um surto de inadimplência oriunda do sistema bancário, face a expressiva expansão de crédito no país, pois foi dessa forma que a crise financeira de 2008 eclodiu nos EUA, especificamente no ramo de credito imobiliário.

Anônimo disse...

Ocorre que o Sistema Monetário Brasileiro não é lastreado por transações de ativos de credito derivativos, e sim na relação pessoal entre credor e clientes (pessoa física/jurídica), o que facilita a Auditoria e controle do Banco Central sobre os bancos em relação aos créditos estabelecidos. Esta ultima é uma forma rudimentar de expandir ativos financeiros de crédito, porém desde a década de 80 os ativos derivativos são mais utilizados pelos países de 1º mundo, pois facilitam as transações, com elevada liquidez. É em função disto que o Sistema Financeiro e Monetário Brasileiro não foram contaminados pela crise mundial de 2008, e explica também o fato dos países desenvolvidos terem obtido em 2009 elevadas quedas em suas economias (EUA: - 2,4% e Japão: - 5%), em quanto que o Brasil sofreu uma retração em 2009 de apenas - 0,2%. Por tanto, a inadimplência, nem de longe, poderá constituir em nossa economia um cenário de caos econômico como ocorrido nos países desenvolvidos em 2008, por incrível que pareça, porém isso não quer dizer que não seja um indicador a ser devidamente monitorado, principalmente pelos bancos públicos, que são os principais credores do mercado.

Quanto vossa preocupação quanto à tomada de crédito, com dificuldades posteriores de quitação, afirmo que se você tem uma economia que demostra claramente sinais de sustentabilidade, pois esta lastreada efetivamente pelo aumento do trabalho e da renda, e não no consumo, é pouco provável que passaremos de um sinal amarelo, pois possuem plena capacidade de recuperação no médio prazo.

Em relação a vossa avaliação quanto aos 2 milhões de pessoas que deixaram os programas sociais em função de empregos, devo dizer que em nenhum momento eu afirmei que tal número é expressivo, porém dado que o mesmo reflete uma politica não-assistencialista de fato, pois dar mostras disso, creio que seja equivocado de vossa parte transcrever em seu artigo a seguinte expressão:

“Não projeta essas pessoas, não lhes dá condições para o futuro, não as tornam espinhas dorsais do progresso brasileiro.”

Pois da forma como esta posta, todos as 50 famílias atendidas pelo programa bolsa família vivem de uma tutela populista, digna de um governo fascista, o que não posso tomar como verdadeiro.

Quanto às questões atinentes a corrupção, clientelismo e patrimonialismo no governo Lula, devo lembra-lo que tais práticas não são exclusividade do mesmo, pois da forma como discorre, o mesmo deixa o entender de que a politica no Brasil começou em 2003, deixando 503 anos de pleno exercício de tais praticas para traz, porém acredito que o controle social da maquina publica seja um instrumento efetivo de combate a essas mazelas da politica tradicional e conservadora em debate. No entanto compreendo frustações como os escândalos de corrupção ocorridos em 2005 por parlamentares e dirigentes do Partido dos Trabalhadores.

Forte Abraço meu amigo.

Belém-PA, 16 de Setembro de 2010.


Marcello Santos Chaves
Economista

Itajaí de Albuquerque disse...

Marcelo,
Ontem de fato eu notei que o blogspot estava com algum problema. Não tem problema, de modo algum é incômodo. Aguardemos o debate.
Obrigado por contribuir.