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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Humanos de Brasília


Muito interessante a entrevista da adolescente Marina Serra dos Santos, ontem, no Programa de Jô Soares.
A entrevistada participa do blog Humanos de Brasília, e é filha de Cristina Serra, jornalista paraense que integra o quadro Meninas do Jô.
No cardápio, ativismo e política vistos sob um prisma quase inocente, porém inteligente, direto e reto, nos mostrando que o frescor da juventude pode ser muito benéfico ao nosso por vezes embotado raciocínio.
Assista aqui.

sábado, 4 de maio de 2013

The wall



“Eu sou de um país que se chama Pará” - IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
O Estado de S.Paulo - 03/05/2013

Por que tanta gente de talento não chega ao Sul? Onde fica o muro que nos separa?

BELÉM

Quando a mediadora Renata Ferreira disse que o meu conto o homem que viu a osga comer meu filho a tinha aterrorizado, assustei-me. Não tenho este conto. Ela riu e explicou:“O que vocês chamam de lagarto ou lagartixa, chamamos de osga.Aliás, está no Aurélio”. Estava certa, o conto existe.
Quando ouvi a fotógrafa Elza Lima contar uma história minha em que os olhos dos cavalos do carrossel de meu avô eram petecas, reagi: “Como petecas? Eram bolas de gude”. Elza: “Pois aqui, petecas são as bolasde gude”.Caminhava pelo Espaço Palmeira, um feirão popular, no centro da cidade.Aqui foi uma tradicional fábrica de bolachas, biscoitos e doces, fundada em 1892. Demolida, restou uma área de piso concretada sobre a qual se armam as barracas.Então,ouvi: “Vamos fazer nossa sombra aqui”, disse o mulato de chapéu branco. E sentou-se com dois amigos num canto. Não havia sombra alguma, ao contrário, era um solão, mas gostei da expressão. Porque grande e diverso é o Brasil.

Vim para a 17.ª Feira Pan-Amazônica do Livro, que no ano passado vendeu 850 mil livros, me contou Paulo Chaves Fernandes, secretário de Cultura, arquiteto que criou as Docas e o Mangal das Garças, imperdíveis. A Pan-Amazônica deste ano termina no próximo domingo com Affonso Romano de Sant’Anna. Pelo palco principal passaram Ziraldo,Tony Bellotto, Cristovão Tezza, Guilherme Fiuza, Tiago Santana e José Castello. Para terem ideia, o folheto com a programação tem 74 páginas com oficinas, seminários, aulas, lançamentos, mesas-redondas, salão do humor.

Tudo acontece no Hangar, um centro de convenções moderno e funcional. Ao falarmos,temos à nossa disposição auditórios variadosque vãode300 a 1.500 espectadores. Distante daqueles espaços fechados por divisórias de eucatex da Bienal do Livro de São Paulo, ondea barulheira do salão penetra e ninguém ouve o que se fala.

Lembrei-me que estive na primeira Pan-Amazônica, ainda no centro, sufocada, apertada, mas cheia de gente. Assim como me lembro de uma casa de sucos da terra, onde havia um de pinha que era puro regalo. A casa fechou, virou loja. Por outro lado,nas sorveterias você mergulha a colher em taças de sorvete de tapioca (deslumbrante), buriti, bacuri, cupuaçu, açaí, graviola, manga.

Quem me indicou a Cairu como o melhor sorvete da cidade foi Fafá de Belém. Opinião considerável.O Pará é terra da Fafá, da Gaby Amarantos, da Dira Paes, da Olga Savary (que está na cidade em que nasceu, emocionada,há muito não vinha), Leah Soares. E de Dalcídio Jurandir, um dos grandes escritores brasileiros de todos os tempos.

A feira deste ano foi dedicada a Ruy Barata, poeta, compositor, jornalista, político progressista, ícone paraense, homem que navegou em todas as águas. Dele é a frase epígrafe desta 17.ª Pan-Amazônica: “Eu sou de um país que se chama Pará”. Milhares de crianças vagando entre centenas de estandes. Perguntando: “O senhor é escritor?”. Correndo atrás do Ziraldo, que se intitula “o velhinho maluquinho”. Vi Ziraldo, com tremenda luxação no ombro, cheio de dores, sentar-se e autografar centenas de livros. Mais do que profissional, ele ama o que fez e adora ver ameninada em torno.

Certa noite,fomos jantar nas Docas, olhando o rio de frente.Chegavam homens feitos querendo tirar uma foto com o “menino maluquinho”. Chegavam também jovens querendo uma foto com TonyBellotto, que tinha acabado de fazer uma bela fala sobre seu romance Machu Picchu.Depois,elas viravam para mim:“ E o senhor é alguma coisa?”.Respondi com a maior seriedade: “Não, sou apenas pai do Bellotto”. E elas: “Não precisamos tirar fotos do senhor, não?”. Felizes com minha negativa, partiam, ruidosas, enquanto voltávamos ao filé de filhote, peixe delicioso, com risoto de pupunha e jambu, e ao pato com tucupi. Belém é sabor e é necessário comer, de preferência à noite, no Mangal das Garças, parque nascido à beira- rio,cheio de pássaros, tartarugas, borboletário. Iguanas verdes, figuras pré-históricas, vagueiam pelos gramados.

Tomei um avião e cheguei a Marabá 50 minutos depois. O nome da cidade vem de um poema de Gonçalves Dias. Região ligada à siderurgia e celebrizada pela Serra Pelada. Estudantes e professores se juntaram no Cine Marrocos para conversar com escritores. É a Pan-Amazônica expandida. A feira não acontece apenas em Belém, vai ao interior, agrega, abre-se às populações. A ideia avança pelo Brasil. A fotógrafa Elza Limame contou que esta “feira fora de feira” nasceu após a leitura de uma crônica, aqui, minha no jornal, falando de Fortaleza, da bienal fora da bienal, quando autores vão aos bairros e às cidades do interior. Andressa Malcher, coordenadora,apanhou a ideia no ar e desenvolveu.

Sentei-me no palco ao lado de Ademir Brás, jornalista, advogado e poeta de primeira linha. Ele descreve sua terra, a gente, as paisagens, o Rio Tocantins,manso e largo, silencioso. Pequenas casas coloridas inclinam se para as águas. A poesia de Ademir oscila entre a ternura e a indignação, com ritmo e afeto. Por ele e pelos jovens, soube do Pará.E contei das coisas de cá. Porque tanta gente de talento como Ademir não chega ao Sul? Onde fica o muro que nos separa?

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Com ou sem contraste?


Talvez a imprensa seja sensacionalista porque nós, humanos, definitivamente o somos.
E a notícia da morte de três pacientes por injeção de contraste à base de Gadolíneo (Gd), durante exames de Ressonância Magnética em Campinas, no início da semana, repercutirá por anos a fio.
De agora em diante os pacientes brasileiros dificilmente aceitarão a injeção do dito contraste, mesmo que tal atitude dificulte o diagnóstico de uma gama enorme de patologias, como tumores, processos inflamatórios e doenças degenerativas.
Curiosamente os contrastes a base de Gadolíneo, usados em todo o mundo para otimizar as imagens adquiridas pelo método, são tidos como extremamente seguros, sendo as reações anafiláticas raríssimas (algo entre 1/4.000.000 e 1/50.000.000).
O que aconteceu em Campinas ainda será investigado e muitas possibilidades têm sido aventadas.
Pessoalmente acredito que outra substância tenha sido acondicionada nos frascos, seringas ou mesmo no soro usado para a diluição. Falha humana, de equipamento ou mesmo contaminação proposital não podem ser descartados num raciocínio inicial.
Vejo que o esclarecimento da causa das mortes e a sua divulgação ampla talvez possam minimizar o efeito bombástico causado pelo excesso de sensacionalismo empregado pela mídia neste caso.
Afinal, é muito mais "perigoso" tomar um simples comprimido de um analgésico com dipirona, por exemplo, do que receber uma injeção de gadolíneo.
Mas quem acredita nisso?

Halo de captação de Gd - toxoplasmose cerebral

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ainda sobre o incêndio

Blog do Sakamoto; ontem:

Um alvará não torna uma casa noturna segura em São Paulo

Por conta da estúpida e dolorosa tragédia dos 231 mortos em Santa Maria (RS), muito se discute sobre a falta de alvará para funcionamento da boate que pegou fogo.
Não posso dizer como ocorre em Santa Maria, mas em São Paulo, que congrega a maior quantidade de casas noturnas do país, um alvará pode não significar absolutamente nada. Há locais que o possuem e estão dentro das normais. Mas outras totalmente irregulares também contam com o documento. Uma das razões é a velha e conhecida máfia que se estabelece em torno do processo de emissão e fiscalização de licenças de bares, restaurantes e casas noturnas na cidade.
Muitos já se escreveu sobre isso: de diretores de órgão públicos que ficaram milionários dando licenças para grandes empreendimentos, shopping centers que funcionam sem poder funcionar até funcionários que reclamam de perseguição (quando pedem propina para continuar o trabalho). O fato é que qualquer prefeito que tentar mudar essa realidade, desburocratizando e digitalizando os processos de obtenção de certidões e licenças e punindo os servidores públicos corruptos, por exemplo, é bem capaz de cair antes da própria máfia.
Sob o impacto do que ocorreu em Santa Maria, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad determinou a criação de uma comissão para verificar se a legislação para prevenção de incêndios em locais fechados está adequada à cidade, aprofundar a atuação do poder público e evitar que tragédias semelhantes ocorram. Agora, precisa combinar isso com os russos, como diria Garrincha. Porque lei é letra morta se a fiscalização não operar de acordo com ela.
Conversei com envolvidos com essa rede que pediram para não serem identificados. Para obter uma licença de funcionamento, bares, restaurantes e casas noturnas têm que apresentar à Prefeitura de São Paulo uma série de documentos, como por exemplo, certidão da instalação de gás, laudo de acústica, um vistoria dos bombeiros…
O problema é que, não raro, você apresenta tudo, mas o status segue “em análise”. Até que, um dia, um fiscal aparece e te multa por funcionamento sem licença.
- Ah, sim temos um problema de morosidade dos processos aqui na repartição, mas você só poderia funcionar depois que tivesse a obtido sua licença.
Funcionar sem licença é errado, claro. Mas funcionários do próprio Estado criam dificuldades para o andamento do processo para vender facilidades.
Tudo bem, vamos pelo comportamento correto. Você aluga um imóvel, tira todas as certidões e espera a prefeitura conceder o documento antes de abrir o seu bar. Muitas vezes, a prefeitura simplesmente não se manifesta. Depois de um ano, as certidões vencem. Ou “são vencidas” pelo tempo.
- Poxa, não sei o que está acontecendo. Já gastei milhares de reais em aluguel jogado fora sem abrir a minha casa noturna, sendo que está tudo ok em questões de segurança. Ninguém me dá um prazo! E se demorar mais seis meses, vou ter jogado meu dinheiro fora.
 – Vou te ajudar. Liga para esse engenheiro aqui, o Robervias. Ele resolve tudo para você. O cara é bom.
Aí você liga e o sujeito aparece para uma reunião.
- Olha, o alvará de casa noturna nesta região custa R$ 30 mil.
 – Como é que é? Mas não deveria ser gratuito?
 – Hehehe. Não é bem assim que as coisas funcionam.
 – Ah, mas meu estabelecimento está de acordo com a lei. Prefiro continuar tentando.
 – Boa sorte, então.
E as certidões continuam a vencer depois de um ano sem que alguém as analise.
Por vezes, o dono do estabelecimento não possui todas as certidões. Alguns querem economizar com a insegurança alheia. É um pára-raios que falta aqui, uma saída de emergência fora do padrão ali, extintores de incêndio em número insuficiente, um isolamento térmico que não existe. Elementos que deveriam impedir o funcionamento de qualquer lugar que reúna multidões. Nesse caso, um pagamento pode resolver.
- Então, estou meio irregular, sabe?
 – Vai custar R$ 35 mil para resolver tudo, incluindo o alvará. Pode confiar. Quando sair no Diário Oficial, você me paga.
 – E o que garante que, uma vez emitida a licença, eu não dê um calote em você?
 – Hahaha. Você não vai.
O número daqueles que se beneficiaram dessa prática, sendo empurrados para isso como alternativa oara existir ou que buscaram economizar comprando o direito de funcionar, é tão grande que revelar todas as histórias significaria rever uma quantidade significativa dos estabelecimentos comerciais da cidade. Porque, na prática, poucos são os que tiraram alvará sem passar por uma das situações aqui descritas. Isso significaria fechar alguns, refazer o projeto de outros. Lembrando que, quanto maior o estabelecimento, menor as chances de adequação depois de aberto. Por que? É o poder econômico, estúpido! É só pegar os casos que foram trazidos a público pela mídia e ver que fim deu.
Enquanto isso, pessoas que analisam tragédias dizem que é necessário reforçar a fiscalização e criar novas leis. Com as conhecidas denúncias contra a fiscalização de estabelecimentos urbanos que temos no Brasil? Sem combater a corrupção antes? Isso seria enxugar gelo. Há funcionários públicos que não compactuam com isso. Outros fazem vistas grossas para sobreviver na selva. E, claro, parte deles é do esquema. Portanto, melhor seria “refazer” a estrutura, praticamente a partir do zero, criando processos transparentes e rápidos e impedindo a política do “faz-me rir”.
São Paulo não é marcada por grandes tragédias em incêndios de casas noturnas, apesar da profusão delas. Mas fica a pergunta: uma cidade como a nossa está preparada para garantir que isso não vá ocorrer de fato? É possível resolver o drama da fiscalização, no sentido de que ela garanta segurança a quem utiliza os estabelecimentos comerciais e os locais públicos da cidade? Ou São Paulo continuará bradando seu moralismo hipócrita de que é preciso manter nossos jovens seguros, criando regras para inglês ver e escondendo a cabeça debaixo da terra quando investimentos tiverem que ser feitos para adequar negócios à lei?

Leonardo Sakamoto

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Eliminando a palavra

O editor-chefe do  DeMorgen, Wouter Verschelden, anunciou hoje, numa entrevista na TV, que a partir de amanhã o maior jornal flamengo deixa de usar a palavra allochtoon - em português, alóctone - um termo composto que vem do grego: allos (outros) + khton (terra), o que não é originário da região onde mora,  e antônimo de autóctone, nativo, originário do lugar onde vive.
Na edição de amanhã, o jornal explicará essa decisão, mas hoje na TV e  no site, se antecipou alguns argumentos. "Nós devemos reconhecer que allochtoon é uma maneira prática de classificar uma importante minoria no nosso país e certamente nas cidades. Tão prática que chega a ser um fenômeno linguístico único: em inglês e em francês essa terminologia simplesmente não existe. Não que França ou Reino Unido não tenha grandes problemas sociais com minorias etnico-religiosas, mas somente nunca essas minorias foram nominadas ou  colocadas sob o mesmo termo ou expressão", explicou o jornalista.
O interessante é a charge usada pelo próprio jornal para ilustrar o anúncio da decisão (acima). Diz o leitor do jornal: "Resolvido! Não há mais nenhum allochtoon nas celas das prisões".
 Mais uma vez, o cartunista Zak se firma como um dos meus favoritos. Como a gente diz no Brasil, tirou da minha boca o que eu penso.  Basta ver as estatísticas belgas: as taxas de desemprego, baixa escolaridade, condições de vida abaixo da linha da pobreza, ctiminalidade  etc são sempre maiores  quando se trata de allochtonen.
Eliminar a palavra não muda a realidade. Mas, enfim, quero ainda ler melhor o que o jornalão argumenta. Isso ainda vai gerar muita conversa. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sob nova direção

Estamos mais do que orgulhosos em dizer que Raul Reis, nosso amigo de longas décadas e correspondente deste Flanar nos States, é agora diretor da mais do que prestigiada escola de Jornalismo (Jounalism & Mass Comunication) da Florida International University, sediada em Miami - EUA.
Raul, saído da turma de 1984 do curso de Comunicação Social da UFPA, era, desde de 2000, professor da California State University in Long Beach, onde chefiava o departamento de Jornalismo. Raul concluiu o PhD em Comunicação e Sociedade, em 1998, na School of Journalism and Communication, da Universidade do Oregon. A tese foi “A Gente se Fala Depois da Novela: An Ethnography of Television
Viewing in the Brazilian Amazon" -
um trabalho minucioso sobre o ato de ver televisão em São João de Pirabas - Pará. Com esse trabalho, Raul ganhou, em 1997-1998, os prêmios de melhor tese na categoria International/Intercultural Doctoral Dissertation - pela National Communication Association (NCA) dos EUA e na School of Journalism and Communication, University of Oregon. Antes disso, tinha feito Master of Science in Journalism and Mass Communications, em 1994, pela A. Q. Miller School of Journalism and Mass Communications, pela Kansas State University, com a dissertação “Environmental News: Coverage of the Earth Summit by Brazilian Newspapers."
Há anos, Raul mantém seus alunos norte-americanos antenados com o que se passa na Amazônia e no Brasil através de viagens anuais de estudo à Belém e Florianópolis. Bem, agora, ele começa uma nova etapa na vida profissional. Essa, sem dúvida, de muitos desafios que estão à altura dele, o acadêmico mais pé no chão que eu conheço.
Parabéns, Raul!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

SuperObama




O escritor chileno Ariel Dorfman, em interessante artigo publicado no jornal argentino Página 12, vincula a morte de Osama bin Laden à recente renúncia da cidadania americana por parte do SuperHomem (vide postagem aqui no Flanar).


Segundo Dorfman, "ao matar Bin Laden, Obama provou que os Estados Unidos não precisa de um homem musculoso que voa e atravessa paredes para se defender dos terroristas, mas que para isso tem helicópteros e os Seals -- força de elite dos EUA --, computadores e armas de ferro".


Vale a pena conferir a matéria, recheada de ironia.


Curiosamente, Ariel Dorfman, nascido em Buenos Aires e cidadão chileno, naturalizou-se americano em 2004.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Siouxsie & The Banshees: A 5ª essencia do pós punk



Sabe aqueles dias que o sujeito (a) chega em casa totalmente consumido por uma jornada puxada e que a única coisa que deseja é tomar uma ducha quente, e no caminho do banheiro tomar uma dose de scotch?

– Pois é exatamente assim que estava quando cheguei essa noite em minha casa.

Liguei o possante. Passei rapidamente a vista nas opções e, vai saber por quê? Resolvi selecionar uma sequência aleatória da banda pós-punk Siouxsie & The Banshees.

Aumentei o som e fui para o banheiro.

Na segunda música, uma energia invisível me deslocou – como numa máquina do tempo – para a Belém de 1983.

– Lá embaixo, no piso térreo de minha casa. Enquanto acionava a forma de gelo para preparar um drink pós happy hour que não rolou – Brasília apresenta aos moradores um clima maluco: mistura de secura, chuva e calor dos infernos (nunca fui lá, mas parece que deve ser assim) –, aproveitei para brincar um pouco com meu cãozinho.

Sua companheira, bem mais velha, morreu quando estive em Belém há três semanas atrás.

A nossa poodle Lessie, morreu de causas naturais, por velhice – ela tinha 17 anos –, mas era a namorada do vigoroso Teddy. Um patife de raça misturada que, agora, faz carreira solo no terreno daqui.

Pois bem.

Enviei uma senha de prioridade para meu servidor dedicado e fiz um upload do especial da banda em tela para que os leitores do blog, possam avaliar, segundo seus próprios critérios, o quanto eu penso que Siouxsie & The Banshees influenciou e continua influenciando bandas supermodernas como The Strokes, Pulp, The Fall, Muse... e mais uma plêiade de promessas para esses dias de século XXI.

Seria ótimo que os vestais que soltam sentenças a torto e a direita, pudessem, um dia, prestar um pouco a atenção nas letras dessa bandas referencial.

E nesses dias que hoje vivemos, diga-se de passagem: quebram ditadores. Desnudam vagabundos que adoram praticar o assalto ao dinheiro público e tiram de circulação, a bem do serviço público e regozijo da sociedade, funcionários públicos, pagos com nossos impostos, que não merecem estar entre nós a nos julgar.

Dias em que a Justiça tenta – jamais conseguirá – calar a boca de Lúcio Flavio Pinto, Ana Célia Pinheiro e Augusto Barata e o jornal O Estado de S. Paulo.

Dias de alegria e cansaço por aqui. De preocupação e indignação com a Justiça do Estado do Pará, aplaudidas por um nicho de porcas lideranças covardes que, muito brevemente, mergulharão em suas insignificâncias.

Pós-punk como remédio contra o recrudescimento da censura.

– Xô!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Tsunami de mau humor


Charge de João Montanaro (Folha de São Paulo)

Às vezes tenho dificuldades para entender a reação das pessoas diante das tragédias, como o recente terremoto e o tsunami no Japão.

A grande maioria corre para o YouTube para ver, rever e divulgar os vídeos. A televisão repete as imagens até a exaustão e a mídia escrita vende muito mais: todos querem ver e comentar o assunto, não conseguindo evitar um certo prazer ao fazê-lo.

E isso acaba sendo rotulado como normal e como politicamente correto, se repetindo tragédia após tragédia.

No sábado, 12/3, o jornal Folha de São Paulo publicou uma charge retratando o tsunami e desencadeou a ira de centenas de leitores. Como pode alguém fazer um desenho sobre a tragédia, perguntou a opinião pública.

O autor, João Montanaro, de 14 anos, baseou-se em clássica xilogravura de Katsushika, retratando o tsunami de forma inocente, bem longe de fazer uma piada a respeito da onda gigante e de suas conseqüências, ou de desrespeitar as vítimas e suas famílias.

Na minha opinião pessoal, a imagem algo poética criada por Montanaro nos faz pensar e refletir sobre os acontecimentos e a recepção negativa exagerada dos leitores reflete apenas a hipocrisia, a chatice e o mau humor coletivo: um verdadeiro tsunami de mau senso e paranoia.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O "The Daily" mal chegou e já vai?

The Daily, em captura de tela feita agora há pouco
Há cerca de 1 semana, acompanhei calado a iniciativa de mais um magnata da imprensa americana, Rupert Murdoch. Dono do New York Post e de outras empresas, ele lançava em NYC um  agregador de notícias diárias com enorme estardalhaço na imprensa especializada. Trata-se do The Daily, um aplicativo para o iPad, (com assinatura anual de 40 dólares ou semanal de 1 dólar) que se propõe a substituir os jornalões convencionais e transformar o iPad agora em companheiro matinal do breakfest americano.
Em meio ao festejado lançamento, o The Daily era oferecido gratuitamente por um período experimental de 2 semanas de uso. Estimulado pela mídia que acompanha o iPad, baixei e passei a experimentá-lo. 
Logo de início, causou-me espécie o longo tempo de download de conteúdo. De imediato, atribuí esta "sensação" as nossas combalidas conexões locais à internet, que jamais poderão deixar de ser consideradas em experiências deste gênero. Contudo, dias após, comecei a ler comentários desfavoráveis na própria mídia americana, consumidora voraz deste tipo de produto. Todos reclamando do mesmo vício de origem: lentidão. Houve até quem o submetesse a vergonhosas avaliações, que parecem atingi-lo no fígado. Um usuário chegou a comparar o tempo que levava entre ir até a banca de jornais mais próxima e o final do longo carregamento do The Daily. Logo, ele já estava lendo a versão impressa de seu jornal favorito, enquanto o aplicativo ainda terminava de carregar conteúdo. 
Neste ponto, já seria cômico se não fosse trágico. Mas hoje, o Observatório de Imprensa vem com um artigo assinado pelo jornalista Paulo Rebêlo, que parece demolir completamente a iniciativa de Murdoch, naquilo que ele teria de mais crucial: a qualidade da informação. Veja o que ele diz.

Disponível, por enquanto, exclusivamente para leitores-usuários nos Estados Unidos, o Daily não passa de versão reduzida e mesclada, bem colorida e obviamente multimídia, do New York Post, um jornal de segunda (para alguns, de quinta) categoria da News Corp. de Murdoch, a mesma dona da Fox, Sky, DirecTV — e a lista segue. O New York Post vende bem, a exemplo de todos os jornais populares no mundo, inclusive no Brasil. Se, para o mercado, vender bem é sinônimo de bom jornalismo, o Daily é um sucesso: muitas fotos do mundo fashion, fofocas de celebridades e "matérias" bem curtas cujo conteúdo perde lugar para a forma.

Sendo assim, parece que ainda não veremos em termos de informação, algo que seja de fato interessante, à ponto de nos cobrar uma assinatura mensal ou anual. E neste sentido, existe um aplicativo inteiramente gratuito, que apesar de não exatamente fornecer o tipo de informação que agrade a todos, ao menos permite que o usuário personalize exatamente aquilo que teria maior probabilidade de gostar de ler.  Trata-se do modesto Flipboard. Com ele, além de acessar algumas publicações escolhidas no mundo online, você pode agregar redes sociais como o Twitter e o cada vez mais onipresente Facebook. Entre as publicações online disponíveis citamos CNN, ABC News, USA Today, BBC World News, The New York Times Photojournalism Picks, etc.  Há várias opções na área de tecnologia como Wired, CNET, Gizmodo, Engadget, All Things Digital, MacStories, entre outros. E há também opções muito interessantes como o National Geographic e o The Lonely Planet. Enfim, trata-se de um agregador de informações normalmente disponíveis online, sem que para isso, você precise necessariamente desembolsar um só centavo de dólar.
Mas não é só isso que parece estar no caminho do magnata americano. Se você acessar o The Daily Indexed, um website que resolveu beber na mesmíssima fonte do aplicativo de Murdoch, vai acessar o mesmíssimo tipo de informação disponível no The Daily, sem também pagar um centavo. Até quando, não se sabe, mas ele ainda está lá.
Enquanto isso, que fim estará reservado para o The Daily, no atual cenário? Melhor esperar para ver. Sem pagar.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

US$315 milhões pelo Huffington Post


Segundo o New York Times, o blog Huffington Post foi comprado pela AOL (America On Line) pela bagatela de $315 milhões de dolares! O Huffington Post foi fundado pela jornalista de esquerda Arianna Huffington em 2005. Diz a matéria que o custo/investimento inicial do blog foi de apenas US$1 milhão.

Arianna é uma das jornalistas mais famosas, militantes e controversas dos Estados Unidos. Em tempo recorde, o Huffington Post tornou-se "blog de rigueur" para a intelligentsia americana. Durante as eleições presidenciais de 2008, eu iniciava meu dia checando o HP e o Politico.com, antes mesmo de ler os jornais e beber uma gota de café. E assim é com muitos ativistas/jornalistas/blogueiros americanos.

A grande surpresa é o blog ser comprado pelo AOL, e por um valor tão alto. Segundo a matéria do NYT, Arianna vai ficar com o controle editorial não só do HP, mas também de outras iniciativas do AOL, no que diz respeito à produção de conteúdo original.

A grande sacada do HP e de outros blogs como ele, foi exatamente produzir conteúdo original. Eles contrataram e foram capazes de atrair muitos jornalistas famosos para produzir conteúdo original, o que muitos outros blogs e blogueiros não tem ainda estratutura para fazer.

É engraçado também que o AOL, depois de "casar" e se "divorciar" da Time Warner, agora está tentando ser novamente um produtor de conteúdo--só que desta vez de conteúdo jornalistico.

Arianna Huffington veio falar no meu campus em novembro de 2010. Eu e centenas de outros (incluindo meus alunos) fomos assistir. Ela está sempre no "cutting edge" do que está acontecendo no mundo politico e jornalistico. Eu espero que realmente ela não ceda o controle editorial do HP para o AOL ou qualquer outra empresa...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Jornalistas brasileiros são presos e expulsos do Egito

Esta noticia vem do conceituado site/blog Knight Center for Journalism in the Americas: jornalistas brasileiros da Rádio Nacional e da TV Brasil são detidos e expulsos do Egito.

Jornalistas viram alvo no Egito



Agora são os jornalistas internacionais que viraram alvo das forças de segurança do ditador Mubarak. O blog Boing-Boing noticia que os militares estão indo apreender jornalistas, câmeras e outros equipamentos dentro do hotel onde eles estão hospedados! Aparentemente, o hotel em questão (o Hilton) está complacente com estas ações descabidas do governo. É o desespero tomando conta da ditadura...

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Jornalismo colaborativo

Para quem não conhece, o perfil @belemtransito, do Twitter, é um achado de uso inteligente e útil de rede social. Sobre sua atuação, o jornalista Pedro Loureiro faz comentários interessantes, em seu Bitácora do Pedrox.

Vale a leitura para entender como funciona o tal jornalismo 3.0.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Quatro publicações sobre qualidade do jornalismo no Brasil

Publicado no blog Hupomnemata de Fabio Castro, via blog Monitorando:

Um conjunto de quatro publicações lançado pela Unesco no Brasil coloca em discussão a necessidade de parâmetros de qualidade para as empresas jornalísticas no país. Os títulos fazem parte da série de debates em Comunicação e Informação iniciada em novembro de 2009, e que se insere entre as prioridades do escritório local da Unesco.
Desenvolvida pela Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi) em parceria com a Unesco no Brasil, a pesquisa “Indicadores da Qualidade da Informação Jornalística” resultou em quatro publicações:“Indicadores da Qualidade no Jornalismo: políticas, padrões e preocupações de jornais e revistas brasileiros”, assinada por Rogério Christofoletti; “Jornalistas e suas visões sobre qualidade: teoria e pesquisa no contexto dos Indicadores de Desenvolvimento da Mídia da UNESCO”, de Danilo Rothberg;“Sistema de gestão da qualidade aplicado ao jornalismo: uma abordagem inicial”, de Josenildo Luiz Guerra; e “Qualidade jornalística: ensaio para uma matriz de indicadores”, de Luiz Augusto Egypto de Cerqueira.
Lançadas simultaneamente para facilitar a discussão sobre o tema da qualidade no jornalismo, as quatro publicações ajudam a compor um panorama de como jornais e revistas brasileiros vêm se organizando internamente para enfrentar desafios mercadológicos e a cada vez mais crescente exigência de seus públicos. Para isso, os pesquisadores recorreram a um amplo levantamento histórico das experiências e inovação e busca de excelência técnica, entrevistaram editores e gestores das principais publicações brasileiras, fizeram uma survey com jornalistas e desenvolveram bases para uma matriz de avaliação da qualidade nos meios impressos.
As publicações são gratuitas, estão em formato PDF e podem ser baixadas facilmente:

* “Indicadores da Qualidade no Jornalismo: políticas, padrões e preocupações de jornais e revistas brasileiros” – Baixe aqui
* “Jornalistas e suas visões sobre qualidade: teoria e pesquisa no contexto dos Indicadores de Desenvolvimento da Mídia da UNESCO” – Baixe aqui
* “Sistema de gestão da qualidade aplicado ao jornalismo: uma abordagem inicial” – Baixe aqui
* “Qualidade jornalística: ensaio para uma matriz de indicadores” – Baixe aqui

domingo, 11 de julho de 2010

Para Navegar, de Imagem É Preciso

Hélio Gueiros, ex-senador e ex-governador do Pará pelo PMDB, diz em sua coluna dominical no jornal Diário do Pará que a sociedade brasileira em todas as suas classes produz mais Brunos do que José de Alencar, comparando um acusado de brutal assassinato com a figura exemplar do nosso vice-presidente da República.
Faço questão de registrar aqui meu repúdio à tal pensamento destituído de mínima base científica que a justifique, e lamentavelmente emitida no momento em que a sociedade brasileira necessita de estímulo que a mantenha na linha d'água, para prosseguir em direção a um futuro menos adverso que aquele que lhe foi legado pelas sucessivas gerações de figuras públicas, que conduziram as políticas e os negócios de Estado nos últimos cinquenta anos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Diploma para Jornalistas



Tenho "mixed feelings" sobre requerer o diploma para jornalistas, mas fiquei muito decepcionado com a maneira como a decisão foi tomada no ano passado, sem nenhuma consulta ou respeito pelos profissionais. Acho que pelo menos vale à pena reabrir as discussões no Parlamento.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O Inferno Que Dante Não Viu

Sempre que escuto as análises políticas do jornalista Merval Pereira, da Globo, duas coisas sucedem: primeiro, eu duvido da inteligência humana; segundo, vejo que ela existe e o inferno é mesmo aqui.

domingo, 6 de junho de 2010

Um Diário Desatualizado

Hoje, 15:18 horas de 6 de junho, a página eletrônica do Diário do Pará continua com a edição de sábado. E não há quem publique aquele sambado desculpe nossa falha.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Novo blog no ar

Desde sexta-feira, está no ar o blog da jornalista Rita Soares.

Em ano de eleição, é mais uma ótima fonte para saber como andam os bastidores da política paraoara, vistos só de soslaio pelos cidadãos e isto quando interessa aos protagonistas e jornalões da terra.

O novo espaço virtual já está linkado aí ao lado, na mira do Flanar.