1942 foi certamente um annus mirabilis da música popular brasileira. Naquele ano nasceram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola e Tim Maia. Esse, em especial, faz aniversário hoje.
Transgressor, doidão, intragável e irresponsável: Tim Maia era tudo isso. Mas mais que qualquer adjetivação pejorativa, Tim era talentosíssimo, genial no que melhor sabia fazer. Marcou com um estilo próprio e inigualável o cancioneiro brasileiro, com pérolas como Você, Azul da Cor do Mar e Não Quero Dinheiro. Ainda na adolescência, montou uma banda (um "conjunto", como se dizia na época) com nada menos que Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Jorge Ben - antes de ter o americanizado "Jor" apensado ao seu nome. Flertou com o misticismo abilolado e aproveitador, ganhou muito dinheiro, perdeu mais ainda, mergulhou no álcool e nas drogas. Foi um autêntico bad boy avant la lettre - não daqueles musculosos e porradeiros, mas um gordo maluco e debochado, que ganhava as brigas no grito.
Tim viveu em uma gangorra emocional, de saúde e financeira, consequência própria do desregramento com que pautou sua vida. Deixou, porém, uma obra de importância imensurável para a música brasileira. De herança para o soul, por exemplo, deixou a maravilhosa Gostava Tanto de Você, para mim a jóia da coroa de seu repertório.
Bom final de semana a todos, com a alegria do síndico da MPB.
-- Ei mano!? Te liguei, passei mensagem, deixei recado no Twitter, Orkut, Facebook... Qual é, heim?!!
Era um convite para o show de aclamação de Gaby Amarantos após o resultado do VMB da MTV Brasil.
Há pelo menos duas décadas, a fulanização de atrações populares, marteladas sem dó nem piedade nas plataformas a serviço da mass media; emburrece, aliena, destrói algumas das construções positivas de política cultural anteriores planejadas, executadas e com o devido processo de prestação de contas ao financiador.
Meus parabéns a Gaby.
Meus pêsames ao atual processo de formação de público que consome cultura.
Querem um exemplo?
Brasileiro Profissão Esperança – 1974 Clara Nunes & Paulo Gracindo
Um trabalho inteligentíssimo de Paulo Pontes. Não é preciso dizer nada sobre o espetáculo: é maravilhoso. Prefiro falar mais às quatro forças deste show, diretamente: Gracindo, Clara, Bibi e Paulinho. Uma beleza. Antonio Maria (1921 – 1964) e Dolores Duran (1930 – 1959) se tivessem sido irmãos não seriam tão parecidos. Os dois gostavam de viver mais de noite que de dia, os dois faziam canções, os dois precisavam de amor para respirar, eram puxados pra gordo e, mesmo na hora da morte, os dois foram atingidos por um só inimigo: o coração.
A obra que os dois deixaram, hoje espalhada pelos jornais e gravadoras do País, reflete essa indisfarçável identidade. Mas prestando atenção nas coisas que disseram e escreveram e nas músicas que eles fizeram é que a gente descobre a expressão maior dessa semelhança: os dois se refugiavam do absurdo do mundo, que eles revelaram com humor e amargura, na desesperada aventura afetiva.
O amor era o último reduto dos dois. A montagem do texto de “Brasileiro Profissão Esperança” se apoia no permanente cruzamento dessas duas vidas, de tal forma que ninguém sabe o que é de Antonio Maria e o que é de Dolores. Uma crônica de Maria vira um dado para explicar a existência de Dolores, assim como uma canção de Dolores exprime e sensibilidade de Maria.
Bibi Ferreira/Paulo Pontes, extraído da contra-capa.
Brasileiro Profissão Esperança Clara Nunes & Paulo Gracindo
Lado 1 Ternura Antiga (J. Ribamar – Dolores Duran) Ninguém me ama (Fernando Lobo – Antonio Maria) Valsa de uma cidade (Ismael Neto – Antonio Maria) Menino grande (Antonio Maria) Estrada do sol (Antonio C. Jobim – Dolores Duran) A noite do meu bem (Dolores Duran) Manhã de carnaval (Luiz Bonfá – Antonio Maria) Frevo número dois do Recife (Antonio Maria) Castigo (Dolores Duran) Fim de caso (Dolores Duran) Por causa de você (Antonio C. Jobim – Dolores Duran) Lado 2 Pela rua (J. Ribamar – Dolores Duran) Canção da volta (Ismael Neto – Antonio Maria) Suas mãos (Antonio Maria – Pernambuco) Solidão (Dolores Duran) Se eu morresse amanhã (Antonio Maria) Noite de paz (Durando)
Brasileiro Profissão Esperança – 1974 Clara Nunes (1943 – 1983) & Paulo Gracindo (1911 – 1995) Texto de Paulo Pontes (1940 – 1976) Direção: de Bibi Ferreira
-- Conhecem esse show?
Foi no Canecão, Rio de Janeiro, no ano de 1974. Estréia da baiana e novata Clara Nunes, cuja carreira foi interrompida precocemente devido a um grosseiro erro médico.
Meus caríssimos leitores. Dá pra comparar com a porcaria que hoje nos oferecem?
Ah, se eu soubesse não andava na rua Perigos não corria Não tinha amigos, não bebia, já não ria à toa Não ia enfim Cruzar contigo jamais Ah, se eu pudesse te diria, na boa Não sou mais uma das tais Não vivo com a cabeça na lua Nem cantarei: eu te amo demais Casava com outro, se fosse capaz Mas acontece que eu saí por aí E aí, larari, lairiri Ah, se eu soubesse nem olhava a lagoa Não ia mais à praia De noite não gingava a saia, não dormia nua Pobre de mim Sonhar contigo, jamais Ah, se eu pudesse não caía na tua Conversa mole, outra vez Não dava mole à tua pessoa Te abandonava prostrado a meus pés Fugia nos braços de um outro rapaz Mas acontece que eu sorri para ti E aí, larari, lairiri Pom, pom, pom.. Ah, se eu soubesse nem olhava a lagoa Não ia mais à praia De noite não gingava a saia, não dormia nua Pobre de mim
Sonhar contigo, jamais Ah, se eu pudesse não caía na tua Conversa mole, outra vez Não dava mole à tua pessoa Te abandonava prostrado a meus pés Fugia nos braços de um outro rapaz Mas acontece que eu sorri para ti E aí, larari, lairiri
Não recordarei Caetano Veloso, no dia de seus 70 anos, pelas inúmeras canções - que fazem parte da trilha sonora da nossas vidas - mas pelas palavras de discurso numa noite memorável em 1968. Vaiado pelo público do III Festival da MPB da TV Record, antes mesmo de começar a cantar É Proibido Proibir, Caetano Veloso fez um dos mais importantes manifestos da História das Artes no Brasil do século XX. Transcrevo o discurso caetânico abaixo e acima postei o áudio. Para ler mais detalhes e ver fotos históricas, recomendo o excelente site Tropicália, um projeto da pesquisadora Ana de Oliveira:
Mas é isso que é a juventude que diz quer tomar o poder? Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado. São a mesma juventude que vão (sic) sempre, sempre matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem. Vocês não estão entendendo nada, nada, absolutamente nada. Eu vim dizer aqui que quem teve coregem de assumir a estrutura de festival, não com o medo que o senhor Chico de Assis pediu, mas com a coragem, quem teve a coragem de assumir essa estrutura e fazê-la explodir foi Gilberto Gil e fui eu! Não foi ninguém. Foi Gilberto Gil e fui eu! Vocês estão por fora! Vocês não dão (sic) pra entender. Que juventude é essa? Mas que juventude é essa? Que juventude é essa? Vocês jamais conterão ninguém. Vocês são iguais sabem a quem? São iguais sabem a quem? Tem som no microfone? Vocês são iguais sabem a quem? Àqueles que foram na Roda Viva e espancaram os atores! Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada. E por falar nisso, viva Cacilda Becker! Viva Cacilda Becker! Eu tinha me comprometido a dar esse viva aqui, não tem nada a ver com vocês. O problema é o seguinte: vocês estão querendo policiar a música brasileira. O Maranhão apresentou, este ano, uma música com arranjo de charleston. Sabem o que foi? Foi a Gabriela do ano passado, que ele não teve coragem de, no ano passado, apresentar por ser americana. Mas eu e Gil já abrimos o caminho. O que é que vocês querem? Eu vim aqui para acabar com isso! Eu quero dizer ao júri: me desclassifique. Eu não tenho nada a ver com isso. Nada a ver com isso. Gilberto Gil. Gilberto Gil está comigo, para nós acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Acabar com tudo isso de uma vez. Nós só entramos no festival pra isso. Não é Gil? Não fingimos. Não fingimos aqui que desconhecemos o que seja festival, não. Ninguém nunca me ouviu falar assim. Entendeu? Eu só queria dizer isso, baby. Sabe como é? Nós, eu e ele, tivemos coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas. E vocês? Se vocês forem… se vocês, em política, forem como são em estética, estamos feitos! Me desclassifiquem junto com o Gil! junto com ele, tá entendendo? E quanto a vocês… O júri é muito simpático, mas é incompetente. Deus está solto! Fora do tom, sem melodia. Como é júri? Não acertaram? Qualificaram a melodia de Gilberto Gil? Ficaram por fora. Gil fundiu a cuca de vocês, hein? É assim que eu quero ver. Chega!
De longe a cena musical brasileira parece se recuperar de um certo marasmo pós-Chico Science. Temos a cena paraense: sem dúvida a mais efervescente e com reais chances de cruzar as fronteiras - vide as previsões do site francês Mondomix há dois anos, noticiado aqui por Carlos Barretto - e mais recentemente a elogiosa crítica do jornal inglês The Guardian à Gaby Amarantos. Mas, na "metrópole", São Paulo, temos também sangue rap, não tão novo assim, mostrando que há vida inteligente no... samba. Trata-se de Kleber Cavalcante Gomes, ou melhor Criolo, que ano passado disponibilizou um álbum inteiro gratuitamente na internet, o excelente Nó na Orelha. Desde ontem, na TV Folha, se pode ouvir o cantor e compositor conversando sobre música e apresentando duas canções inéditas (Casa de Mãe e Gelo no Inferno) acompanhado por dois cavaquinhos. Simples e arrepiante assim.
Para fechar este domingo chuvoso na terrinha. Nada como um novo samba do último CD de Chico Buarque, ou simplesmente "Chico". Ouçam e vejam que delícia.
Era Aurora Não, era Aurélia Ou era Ariela Não me lembro agora É a saia amarela daquele verão Que roda até hoje na recordação
Foi na Penha Não, foi na Glória Gravei na memória Mas perdi a senha Misturam-se os fatos As fotos são velhas Cabelos pretos Bandeiras vermelhas Foi Garrincha Não, foi de bicicleta Juro que vi aquela bola entrar na gaveta Tiro de meta
Foi na guerra É, noite alta Gritou o astronauta Que era azul a Terra Quando a verde-e-rosa saiu campeã Cantando Cartola ao romper da manhã
Salve o dia azul Salve a festa E salve a floresta, salve a poesia E salve este samba antes que o esquecimento Baixe seu manto Seu manto cinzento Foi Glorinha Não, era Maristela Juro que eu ia até casar na Penha com ela A vida é bela
É, não é Era Zizinho era Pelé Aliás, Soraia era Anabela Era amarela a saia Foi quando a verde-e-rosa saiu campeã Cantando Cartola ao romper da manhã Salve o dia azul Salve a festa E salve a floresta, salve a poesia E salve este samba antes que o esquecimento Baixe seu manto Seu manto cinzento Era Aurora Não, era Barbarela Juro que eu ia até o Cazaquistão atrás dela A vida é bela
A Revista Trip é um dos poucos sinais de vida inteligente no mercado editorial brasileiro. Na linha de arte & comportamento, a revista promoveu o reencontro de Luhli & Lucina - separadas artisticamente há 14 anos. Pela primeira vez, pelo menos pelo que eu saiba, elas falam sobre o famoso casamento à três que viveram durante anos com o fotógrafo Luiz Fernando da Fonseca, e claro, do encontro delas e da parceria que nos deu pérolas como Fala, O Vira, Bandoleiro e outras tantas. O vídeo acima é um trecho de um documentário sobre elas, artistas que seguiram um trajeto alternativo na MPB, mas que sempre foram fonte de uma arte refinadíssima, biscoitos finíssimos que a massa comeu na voz de Ney Matogrosso, Nana Caymmi e as Frenéticas, por exemplo. A reportagem completa, escrita por Pedro Alexandre Sanches, vocês podem ler aqui. E, depois, dar um volta no excelente site da revista. Eu recomendo.
A Red Hot Organization que, desde o final dos anos 80, arrecada dinheiro para a luta contra a Aids (quem não se lembra do Red Hot + Blues, com estrelas reinterpretando Cole Porter?) lançou, há uns meses, a sequência para sua coletânea de homenagem à bossa nova "Red Hot + Rio" (1996). O novo álbum duplo, chamado "Red Hot + Rio 2", é um tributo ao movimento da Tropicália brasileira da década 60. As colaborações são pra lá de interessantes: Beck e Seu Jorge, Of Montreal e os Mutantes, David Byrne e Caetano Veloso, Madlib e Joyce Moreno, Cults and Superhuman Happiness, Devandra Banhart, Marisa Monte e Rodrigo Amarante, Javelin e Tom Zé, e mais outros. Uma das faixas favoritas é essa do grupo Beirut. O vocalista Zach Condon, um apaixonado pelo Brasil e pela MPB, se esforça na pronúncia do português na sempre fofa O Leãozinho, de Caetano Veloso. O resultado é bonito, sobretudo pelo arranjo.
Um dos grande prazeres de dar aulas de português aqui na Bélgica é que aprendo, descubro e redescubro muitas coisas do Brasil, e da lusofonia em geral, com os alunos. Hoje, recebi de um dos meus mais diletos e curiosos cursistas, Philippe De Grande, um programa inteiro da rádio CBN de SP com um dos meus artistas favoritos: Vitor Ramil. Ele está em turnê com o show Délibáb, do CD do mesmo nome, que é inteiramente de milongas, feitas sobre poemas musicados do mestre argentino Jorge Luis Borges e do gaúcho (também mestre, mas quase desconhecido) João da Cunha Vargas. No programa da CBN, Ramil cantou ao vivo, contou um pouco de sua história profissional, falou sobre o portruguês do gaúcho, do contato com Mercedes Sosa e Caetano Veloso (que participa do recente CD de Ramil), entre outros temas. Um ouvinte perguntou ao músico gaúcho como a música dele é recebida fora do Sul e Sudeste do Brasil. Ele respondeu que, depois de Porto Alegre, o público mais numeroso e fiel que tem é o de Belém do Pará. E rasgou elogios à cidade das mangueiras. Disse que depois de Pelotas, é a cidade mais bonita que conhece e que se sente muito feliz em Belém. Depois, navegando pelo Youtube, vi esse pequeno vídeo sobre o processo de gravação de Délibáb. Um prazer ver Vitor Ramil tão produtivo e nos lembrando dessa diversidade que é o Brasil austral.
Em 1° de agosto de 1941, na pequena Bela Vista, Mato Grosso (hoje Mato Grosso do Sul), nascia Ney de Souza Pereira. Em 1973, nos palcos, nascia Ney Matogrosso. À frente dos Secos & Molhados, ele era uma luz nas trevas da ditadura e de toda a caretice do Brasil sob as botas dos militares. Hoje, ele chega aos 70 anos de idade saracoteando pelos palcos, com a voz cada vez mais apurada, mantendo um público que vai dos 8 aos 80 anos. Alterna clássicos da MPB e novos compositores, e se mantém o mais coerente artista brasileiro de todos os tempos - coerente consigo mesmo e com o público. O site de Ney é um primor e merece uma visita. Tudo está lá: fotos, discografia completa (mais de 30 discos em 40 anos de carreira), vídeos históricos e novidades - sim porque, ele consegue ser uma novidade permanente. "E o que me importa é não estar vencido". Salve Ney!!!
Diretamente das pick-up's brasilienses para a Silvina.
– Ei amore! Que techno brega, que nada!!
Negócio é Techno Bossa!!!
Mira a onda.
A proposta é uma nova roupagem para o que já é "bão demais da conta!!!".
– O set é totalmente dedicado ao mestre (Tom Jobim) com carinho.
Set List Daniela Mercury - "Corcovado (Rio In Da House)" Isabella Taviani - "Garota De Ipanema (Sambahouse)" Carlinhos Brown - "Luiza (Broken Bossa Beat)" Paulo Ricardo - "How Insensitive (Insensatez)" Paulinho Moska - "Eu Sei Que Vou Te Amar" Orquestra Som Livre - "Ligia (Carioca Source)" MPB-4 - "Samba Do Avião (Carnabeat 2004)" Martinho da Vila - "A Felicidade (Electro Samba)" Lenine - "Wave (Fast Bossabeat)" Zé Renato - "Triste (Jobim`s Tune Up)" Quarteto em Cy - "Desafinado (Big Bossabeat)" João Bosco - "Águas De Março (Tom ́s Dub)" Leila Pinheiro - "Sem Você (R&BOSSA)" Ivan Lins - "O Amor Em Paz (Chill Rio Lover's)"
Cooming soon série de 20 volumes com o Deep Purple.
Nordestino, desde a infância foi ligado à música e sempre "sentiu" que apresentava o dom de tocar, causando atritos com a família.
O pai, da Marinha mercante, saiu de casa quando Bezerra era pequeno, indo morar no Rio de Janeiro. Com isso, depois de ingressar e ser expulso da Marinha mercante, descobriu o paradeiro do pai e foi atrás dele. Causando mais atritos com o pai, foi morar sozinho, no Morro do Cantagalo, trabalhando como pintor na construção civil. Juntamente, era instrumentista de percussão e logo entrou em um bloco carnavalesco, onde um dos componentes o levou para a Rádio Clube do Brasil, em 1950.
Durante sete anos viveu como mendigo nas ruas de Copacabana, onde tentou suicídio e foi salvo por um Santo da Umbanda. A partir daí passou a atuar como compositor, instrumentista e cantor, gravando o primeiro compacto em 1969 e o primeiro LP seis anos depois.
Inicialmente gravou músicas sem sucesso. Mas a partir da série Partido Alto Nota 10 começou a encontrar o público. O repertório dos discos passou a ser abastecido por autores anônimos (alguns usando codinomes para preservar a clandestinidade) e Bezerra. Antes do Hip Hopbrasileiro, ele passou a mostrar a sua realidade em músicas como: "Malandragem Dá um Tempo", "Sequestraram Minha Sogra", "Defunto Caguete", "Bicho Feroz", "Overdose de Cocada", "Malandro Não Vacila", "Meu Pirão Primeiro", "Lugar Macabro", "Piranha", "Pai Véio 171", "Candidato Caô Caô".
Considero Bezerra da Silva um dos gênios da Música Popular Brasileira e na verdade um grande injustiçado pela mídia.
Suas letras são crônicas da duríssima realidade de exclusão social nos morros cariocas, e porque não, das periferias das grandes cidades. Denunciam e advertem sobre alguns códigos a serem cumpridos para sobreviver num país tão desigual como é o Brasil.
Ouçam com atenção.
Músicas utilizadas
Bezerra da Silva - "Malandro Rife"
Bezerra da Silva - "Defunto Cagüete"
Bezerra da Silva - "Bicho Feroz"
Bezerra da Silva - "Os Federais Estão Te Filmando"
Bezerra da Silva - "E O Bicho É O Bicho"
Bezerra da Silva - "Grampeado Com Muita Moral"
Bezerra da Silva - "No Hora da Dura"
Bezerra da Silva - "Defunto Grampeado"
Bezerra da Silva - "As 40 Dps"
Bezerra da Silva - "Fofoqueiro É a Imagem do Cão"
Bezerra da Silva - "Meu Bom Juiz"
Bezerra da Silva - "Eu Não Sou Santo"
Bezerra da Silva - "Preconceito de Cor"
Bezerra da Silva - "Ela Cagüeta Com O Dedão do Pé"
Bezerra da Silva - "Malandro Rife"
Cooming soon série de 20 volumes com o Deep Purple.
Eu lamento muito não ter a oportunidade de caminhar pela cidade de Belém, especialmente pelo bairro do Comércio, onde fenômenos visuais e auditivos interessantes devem ocorrer a cada fração de segundo.
Hoje cedo fui vítima de inusitada experiência: enquanto dirigia pela Av. Pres. Vargas, observei um rapaz correndo loucamente pela calçada, na altura do BASA, carregando o que parecia ser um disco de vinil.
Quando parei no sinal do emblemático Edifício Manoel Pinto da Silva, vi o mesmo moço, esbaforido e ainda correndo rumo à Avenida Nazaré, e pude então identificar a sua carga preciosa: tratava-se do disco Incomparável, da cantora Angela Maria.
Continuei dirigindo manhã adentro, pensativo. Será que a nossa cidade é cenário de algum filme de Luis Bunuel?
Rua do Amparo, centro histórico de Olinda, Pernambuco. Em pleno Carnaval de 1996, tive o privilégio de bater papo com um dos mais inovadores artistas do Brasil em todos os tempos. Ele se chamava Francisco de Assis França, mas todo mundo o conheceu como Chico Science. Entre um bloco e outro, Chico contava que estava escutando carimbó. Tinha garimpado em sebos de discos alguns LPs de Pinduca. Sabia que Mestre Lucindo era "o cara" e planejava uma viagem ao Pará. Ele dizia que o carimbó era primo do maracatu e que a mistura poderia dar um "bom samba". Chico lembrava com carinho o show do CD "Da lama ao Caos" que tinha feito poucos anos antes no African Bar, em Belém - apresentação que tenho na minha lista Top 10 das mais impressionantes performances que tive a sorte de testemunhar. Nessa mesma lista está também o show de lançamento do CD "Afrociberdelia", dele e da Nação Zumbi, neste mesmo fevereiro de 96, no Festival Recbeat, em Recife.
Um ano mais tarde, no dia 2 de fevereiro de 1997, os tambores pernambucanos silenciaram. Chico morreu num acidente de carro na rodovia entre Recife e Olinda. Os historiadores da cultura brasileira dizem que ali terminava a safra da melhor música do Brasil dos anos 90. O desaparecimento de um dos criadores do Movimento Mangue Beat interrompeu a linha evolutiva da música verde-e-amarela de qualidade. Chico era o digno herdeiro do Antropofagismo de Osvald de Andrade, e do Tropicalismo de Gil, Caetano, Tom Zé, Torquato Neto & Cia. Mas ele era aquele herdeiro que não desperdiça a herança. Pelo contrário, aumenta o patrimônio que herdou.
Aquele 2 de fevereiro nos privou de um gênio que há 14 anos nos faz e nos fará falta para sempre.
Leila Pinheiro, Uma Flor de Talento , muito bem descrita no post de Val-André Mutran, é mesmo uma rainha. Quando ainda era princesa, lá pelos anos 80, tive contato com ela e isso guardo na memória com um carinho imenso. Eu começava a fazer produção de documentários na TV Cultura do Pará. Um dos meus primeiros trabalhos ( e olha que sorte e que honra!), foi produzir o histórico documentário sobre o mestre supremo Waldemar Henrique. Liguei para Leila, e a primeira surpresa foi que a própria atendeu o telefone. Ela já era famosa, tinha participado do festival da Globo, com a música "Verde", já estava entrando no circuito das estrelas da MPB. Expliquei que queríamos mostrar uma pessoa da nova geração, cantando Waldemar. E mais, queríamos promover um encontro dela com o maestro. Ela nem titubeou: "marca o dia, a hora e a gente faz, com certeza. Nem que eu tenha que adiar viagem ou outro compromisso. Muito obrigada por me escolher".
Fizemos uma surpresa para o maestro. Levamos ele ao auditório Ettore Bosio, do Conservatório Carlos Gomes, para uma gravação. E lá, Waldemar encontrou Leila - que o maestro conhecia porque frequentava a família Pinheiro. Ele conheceu Leila ainda garotinha, começando a estudar piano. Foi uma emoção só. Ao lado dele no piano, Leila cantou "O Uirapuru". Tudo está registrado no documentário "Waldemar Henrique Pereira da Costa", dirigido por Marlicy Bemerguy, com a direção de fotografia de Peter Roland.
Se um dia a TV Cultura reprisar, vejam. É uma das jóias do arquivo da TV pública no Brasil.
Comecei esta semana uma nova unidade nas aulas de português brasileiro para os alunos do sétimo nível da língua de Camões na escola SNT, em Brugge. E o tema é Música do Brasil. Falar da nossa arte maior não é tarefa fácil: como explicar tanta diversidade, tanta criatividade, tanta coisa para gente que, em sua maioria, nunca pisou no Brasil? Resolvi então começar com a Pequena Notável. Escolhi este vídeo do You Tube e mostrei a eles. Foi incrível a reação maravilhada dos alunos, todos entre 40 e 60 anos de idade. Nenhum deles tinha ouvido falar de Carmen Miranda, mas alguns tinham referências da iconografia cantora-com-frutas-na-cabeça-e-saia-rodada... O vídeo é uma jóia, e na gravação, a voz do nosso buda-nagô Dorival Caymmi é de arrepidar. Afinal, foi ele quem inventou Carmen Miranda e ajudou a mostrar ao mundo, o que que a baiana e o Brasil têm.
De repente me lembro do verde da cor verde a mais verde que existe a cor mais alegre a cor mais triste o verde que vestes o verde que vestiste o dia em que te vi o dia em que me viste
De repente vendi meus filhos a uma família americana eles têm carro eles têm grana eles têm casa a grama é bacana só assim eles podem voltar e pegar um sol em Copacabana
* Música sugerida pela reprodução aleatória do iPod. Fico cada vez mais impressionado como ele parece acertar meu estado de espírito. Casamos!
Laura Calhoun, artista plástica e videomaker paraense-americana, amiga de longa data, lança em Belém, no próximo final de semana, o documentário Choro na Saldosa. Um trabalho lindo, que tive o privilégio de assistir um teaser, meses atrás, quando trocamos idéias sobre o documentário, num link Nova York-Brugge. Nessas horas queria ter aquela liberdade de pegar um voo a Belém para participar de um evento que, na verdade, vai ser uma celebração: do talento dos nossos músicos da melhor qualidade, da beleza de Belém e arredores, e do toque de primoroso trabalho artesanal que Laura consegue dar em tudo o que faz, mesmo que o faça usando novíssimas tecnologias digitais. Viva o talento paraense!
Havia um certo respeito No velório do Heitor Muita gente concordava Que apesar de catimbeiro Era bom trabalhador Houve choro e ladainha Na sala e no corredor E por ser considerado Seu desaparecimento Muita tristeza causou
Quem mais sentiu foi Nair Que só falava das virtudes do Heitor E pelos cantos da memória procurava Todo o tempo Em que ao seu lado caminhou Os amigos mais chegados comentavam Que não houvera Outro cara tão legal E muita gente concordou em ajudar Uma família que ficara Num desamparo total
Pode se dizer que aquele velório Transcorreu na maior tranqüilidade Até o momento Em que surgiu aquela dama de preto Trazendo flores E chorando de saudade Como ninguém conhecia a personagem Nair foi tomar satisfação E aí chamaram até o Osório Que é delegado porque o velório Virou a maior confusão Porque simplesmente o velório Virou a maior confusão