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sábado, 21 de julho de 2012

Mosqueiro, Apollo 11 e a mágica

Mosqueiro, 21 de julho de 1969.

Era mais uma manhã ensolarada de inverno amazônico. 
Eu era apenas um tímido moleque de apenas 7 anos. Para minha alegria, os vizinhos habituais do Murubira estavam presentes com seus filhos. Eles eram a minha garantia de diversão nas férias escolares de julho. Vanvan, Carol, Avany, Tatá, Pinga, Cilinha, Tony, Ruizinho, entre tantos outros que se somavam para curtir a praia, bater uma bolinha e, à noite, brincar de "Cai-no-poço", "Pó, Ruge e baton", "Pira", "Esconde-esconde", etc. Ou então, em momentos algo mais reflexivos, olhar para o céu noturno e arrepiar os cabelos com histórias e suposições sobre outros planetas e extra-terrestres, as enormes distâncias que nos separavam deles, e admirar a lua, sua beleza e seus mistérios. 

Gorducho, retraído e criado em ambiente de rígida moralidade cristã, era mais ingênuo que a média das crianças de mesma idade. Claro que era alvo preferencial de inevitáveis "encarnações" que acabava absorvendo com naturalidade. Na época, nem existia o termo bulliyng da atualidade (muito embora a prática nefasta já existisse epidemicamente nas escolas e outros ambientes). Contudo, por alguma razão, nunca senti nada próximo a qualquer tipo de sofrimento com aquela turma querida. Era algo que rolava numa boa, sempre entremeado com manifestações de respeito e amizade, que terminavam por amenizar tudo. 

Já encarava as primeiras paixões platônicas pelas garotas superhipermega lindas da turma. Uma tremenda ousadia para um gordinho com péssima autoestima. Daquelas que você em algum momento pensa: "te manca e vai procurar alguém pro teu bico, rapá!". De fato, somente bem mais adiante, já aos 15 anos, eu iria dar meu primeiro beijo na linda menina que nunca mais iria ver. Foi apenas uma noite e fim! Foi inaugurada então a primeira "ficada" da minha vida. 

Petromax
A ilha - que na época, mesmo em "alta temporada" ainda podia se chamar bucólica - estava com movimento acima do normal. Mesmo movimentada, não se via a barbárie que se vê hoje. Os poucos postes de iluminação pública existentes (ainda em madeira), geravam apenas um pequeno e tênue halo de luz amarelada logo abaixo. A energia elétrica fornecida por um gerador público só funcionava até às 22 h. Depois dessa hora, só velas, toscos candeeiros de querosene ou os modernos (e importados) "Petromax" das residências forneciam o mínimo de luz para as necessidades básicas. Dormia-se bem cedo. Nas praias e ruas, reinava a escuridão absoluta. Esta discutível precariedade, na verdade seria a responsável por uma das minhas mais belas lembranças de infância. Ela deu à todos o presente mais difícil de encontrar nos dias atuais: o céu mais estrelado que pude ver em toda minha vida. 

Neste cenário, há exatos 43 anos atrás, uma pequena televisão ADMIRAL de 14 polegadas em preto e branco, conectada a um tosco "regulador de voltagem" e a uma indispensável antena externa, mostraria precisamente as imagens abaixo.



Olhava para aquilo tudo e não conseguia disfarçar minha excitação infantil. Aquele instante mágico, de alguma maneira, era também a realização de um sonho pessoal. A família toda reunida em torno daquelas 14 polegadas, não dava uma palavra. Estavam todos encantados!

Meu pai esforçava-se para responder todas as perguntas que fazíamos. Eram muitas. Eu já me incomodava com o fato de que havia um grande atraso entre o fato e a imagem que nos chegava. Indignado eu pensava: "sacanagem! Isso tudo já aconteceu e só agora estamos vendo"! Mal entendia o empenho tecnológico necessário para que aquelas imagens desfocadas e atrasadas chegassem aos mais variados e distantes rincões do mundo.

Se não me falha a memória, a transmissão iniciou por volta da hora do almoço. As famílias estavam todas em casa. Poucos possuíam televisão no país. Menos ainda na agradável ilha. Talvez muitos nem tenham tomado conhecimento da façanha. Pude comprovar isso cerca de 5 anos mais tarde.

Aficcionado do plastimodelismo, montei um kit da Revell que constava de: 1 foguete Saturno, a cápsula Apollo 11 e o módulo lunar (veja aqui o kit, que ainda está à venda). Uma maravilha que montei com esmero e deixei em exposição no enorme quarto que dividia com meus 3 irmãos. O brinquedo não escapou da curiosidade de Antonio, filho da empregada de minha mãe.

Oriundo da cidade de Igarapé-Miri e apenas 1 ano mais velho que eu, ele tinha o típico perfil de caboclinho amazônico. Brincávamos muito enquanto sua mãe trabalhava. Um dia ele me perguntou sobre "aquela coisa". Espantado com a pergunta, com toda a paciência, descrevi todos os detalhes da missão Apollo 11, indicando o papel de cada um daqueles elementos. Para minha surpresa (e posterior indignação), ele simplesmente não acreditava!!

Desafiado, na sequência emprestei-lhe então uma edição especial da revista Veja (que guardo até hoje) dedicada a então designada "corrida espacial". Ricamente encadernada e ILUSTRADA. Não adiantou! Para minha absoluta irritação, ele não tirava da cara um riso maroto, (que tenho dificuldade em descrever). Mas em síntese, eu traduziria aquele riso assim: "esse almofadinha  cara pensa que vai me enganar"?

Para ler e ver mais:

domingo, 8 de janeiro de 2012

Flanando por Mosqueiro

Há meses não conseguia voltar a minha tão querida Ilha de Mosqueiro. Uma viagem, muito trabalho e os sufocantes compromissos de fim-de-ano acabaram por me afastar de Mosqueiro por longos 2 meses. Mas neste fim-de-semana, finalmente a almejada oportunidade apareceu. Nem perdi tempo. Reuni pessoas queridas e todo o equipamento fotográfico que poderia transportar até lá. E o resultado, é essa leve flanada pela ilha. 

Imagem: Carlos Barretto. Todos os direitos reservados.
Naturalmente, não poderia deixar de fazer o clássico registro da lua, que surgia no cair da tarde e varava a noite, iluminando a maré cheia, com as ondas batendo na amurada das praias de Murubira e Porto Artur.
Na sexta-feira, o movimento estava adequado e tranquilo. Contudo, no sábado, já era sensível o aumento do movimento de carros e visitantes. O termômetro para isso? Engarrafamento na praça central da Vila à noite. Uma pena.

Imagem: Carlos Barretto. Todos os direitos reservados.
Entretanto, o foco central deste ensaio, acabou mesmo no clima alegre, vibrante e cheio de cores daquele logradouro. Este espaço de convivência, cada vez mais concorrido, atrai os visitantes em busca das delícias servidas nas já tradicionais barraquinhas. Tapioquinhas com os mais variados recheios, sanduíches, mingaus, comidas típicas, crianças e seus zelosos pais, animais de estimação e até uma incomum reunião ao ar livre em pleno coreto central. O clima perfeito para que eu fizesse o passeio com a câmera. Eis então o resultado.
Imagem: Carlos Barretto. Todos os direitos reservados.

Imagem: Carlos Barretto. Todos os direitos reservados.
Imagem: Carlos Barretto. Todos os direitos reservados.
Imagem: Carlos Barretto. Todos os direitos reservados.
Imagem: Carlos Barretto. Todos os direitos reservados.
Imagem: Carlos Barretto. Todos os direitos reservados.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O "outro lado" das "grandes" obras públicas


Ao inaugurar a ponte ligando por terra Belém ao balneário de Mosqueiro, em 1976. o general-presidente Ernesto Geisel perguntou ao governador Aloysio Chaves o que havia na ilha que justificasse a obra. Pensava numa atividade produtiva que precisasse da ligação para se desenvolver melhor ou do efeito multiplicador do investimento em infra-estrutura. Desacostumado ao lazer, o hierático presidente cobrava resultados que garantissem retorno à aplicação de dinheiro público. (...)

Como sou Mosqueirense de carteirinha, não poderia deixar de recomendar aos leitores este excelente artigo do jornalista Lúcio Flávio Pinto no O Estado do Tapajós Online.  
Como frequentador da ilha, desde a mais tenra idade fui testemunha ocular do processo que ele relata no texto (mesmo que de forma periférica a uma tese mais profunda). Conheci e me encantei, enquanto criança, com um perfil de Mosqueiro. E atualmente, enfrento os problemas de outro perfil, que em nada difere daquele que se encontra na grande metrópole. 

Para saber o restante da história, não deixe de ler Pontes amazônicas e o "outro lado".

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Memória e felicidade

Imagem: Carlos Barretto. Todos os direitos reservados
Esta imagem talvez seja simplória, não traga novidades para ninguém e talvez seja mesmo muito comum. Mas ela tem um enorme valor pessoal para mim, e certamente para boa parte de minha família. 
Ela foi feita em Mosqueiro, em uma manhã iluminada na Praia Grande. O sol estava quase à pino, a maré ainda "enchia", a água estava morna e as ondas estavam seguras. Eis então que surge esta alegre criança.  Tomava banho sozinha e curtia o momento sob o olhar vigilante da mãe, sentada na praia. Pulava, "plantava bananeira", nadava meio sem jeito, daquele jeito caboclo, mexendo a cabeça para ambos os lados.
De imediato, me vieram a cabeça memórias. Lindas memórias dos tempos em que fazia e sentia exatamente o mesmo que ele na hora do banho de praia. Memórias também de meus filhos, ainda em tenra idade, curtindo as mesmas sensações. 
A câmera estava à tira-colo, equipada com uma lente clara de 80-200 mm. Nem duvidei. Liguei o "multi-burst" e sem disfarçar que ia fotografar, comecei a disparar. Com um só aperto no disparador, cerca de 20 imagens em sequência foram feitas. Ele percebeu que eu fotografava e atiçou mais ainda suas peraltices na água. 
Ao final, ao baixar a sequência de imagens no Mac, escolhi esta única. O resto, tenho certeza que vocês já entenderam.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Qual o nome deste pássaro?

Imagem: Carlos Barretto. Todos os direitos reservados.
Quem souber, pode ir dizendo o nome deste belo pássaro. É arisco, tem um belo canto e aparece ao amanhecer e entardecer em Mosqueiro. Sempre quis fotografá-lo. Quase que não consigo. Mas pela pressa em registrá-lo, nem tive tempo de regular direito a câmera. Era assim, ou nunca.

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Editado às 19:38 para encerrar o desafio. O leitor Lafayette Nunes acertou em cheio, o nome popular deste belo pássaro. Trata-se do "Suí" ou "Sanhaçu-da-Amazônia". É o que confirma o Wiki-Aves.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cidadania é disposição de luta

Ainda sobre o post  Sai o "Sítio da Ilha", ganha a AMAMURUBIRA há uma reparação histórica a ser feita, que faz muita diferença na avaliação final que os leitores venham a fazer sobre o caso. Em especial, sobre como atuam as instituições que deveriam estar alinhadas seja na defesa da cidadania, seja na promoção da justiça. Há necessidade de desprendimento significativo das sempre envolventes atividades cotidianas. E muitas vezes, bem mais do que isso, para conseguir o resultado que interessa à todos. O que mais uma vez, prova que neste particular, o Brasil, ainda está bem longe de consolidar sua democracia.
E quem esclarece por e-mail, é meu irmão Marcelo Barretto, engenheiro eletrônico e igualmente membro de grande atuação na associação.

Uma correção. Fizemos 2 representações que não chegaram a se constituir em ações judiciais.
Uma na DEMA (Delegacia do Meio Ambiente/Governo Estadual) e outra na SEMMA (Secretaria Municipal de Meio Ambiente/Prefeitura). Todas duas não resultaram em nada.
Finalmente demos entrada no Ministério Público/Promotoria de Meio Ambiente. Só aí as coisas funcionaram. O processo foi para a Promotoria de Justiça Distrital de Mosqueiro. O promotor Dr. José Maria Gomes dos Santos, CONVIDOU os envolvidos e só aí é que se comecou a fazer acordos.

Marcelo Barretto

domingo, 10 de abril de 2011

Convivência Cidadã

Organizações Pompílio
Recebi e-mail de meu irmão, André Barretto, psicólogo e vice-presidente da AMAMURUBIRA, sobre o post Sai o "Sítio da Ilha", ganha a AMAMURUBIRA, que publico na íntegra abaixo.

De fato, eu mesmo vi nesta última sexta-feira dia 8 de abril a faixa anunciando a "Festa de despedida" do Sítio da Ilha. Por curiosidade aproximei-me do local e vi o que poderia chamar de um ambiente mal cuidado. Meio destruído e acabado: reflexo da concepção de "investimento" aplicada ao local. Explorar até o máximo e depois simplesmente abandonar. Descartar, como uma fruta chupada e atirada ao lixo. Não fosse nossa reação, meio tardia, e estaríamos até hoje limitados em nossos direitos de usufruir dos resultados de nosso trabalho, com tranquilidade e bem estar. Houve algumas perdas no caminho. O caseiro e sua família que lá perto moravam, não resistiram e sairam de lá. Alguns de nós, se afastaram daquela área, passaram a frequentar menos suas próprias casas. A sensação era a que estávamos sendo expulsos de nosso território por forças que visam o lucro a qualquer custo. E de abusos praticados sem nenhuma ação dos orgãos fiscalizadores. Não deve ter sido "light" a última festa. O tom do abuso foi dado por uma aparelhagem, a Premier, (sic) cuja altura do som fica muito acima do chamado som ao vivo que o organizador da festa apregoava falsamente. Ainda temos o MURUBA`S, o ASA DELTA que devem infernizar os vizinhos que como nós são desrespeitados em seus direitos. A luta deve continuar. Outros cidadãos atingidos devem juntar-se a nós para prosseguir. A AMAMURUBIRA veio pra ficar. Cabe a nós mantê-la atuante em prol da luta pelos direitos ambientais e por uma ação educativa e fiscalizadora pelo respeito aos mínimos direitos ao sossego, ao lazer e a convivência cidadã.
Por ora, comemoremos essa etapa vencida. Parabéns a todos os que de alguma forma colaboraram com nosso movimento. 
E que este fim de etapa, seja o recomeço da outra.
Abraços amamurubirianos,

André Maurício Lima Barretto

sábado, 9 de abril de 2011

Sai o "Sítio da Ilha", ganha a AMAMURUBIRA!

"Sítio da Ilha", Murubira, Mosqueiro/PA
Para quem acompanha este blog, a questão não deve ser novidade. Mas não somos pretensiosos, à ponto de imaginar que tenhamos leitores assim tão assíduos. Nossa taxa de lealdade é baixa. Em torno de 15 a 20%, o que indica um blog modesto, como de fato somos. Mas estamos satisfeitos com nossos 20% leais visitantes.
Voltando ao assunto, em 8 de março do ano passado, revoltados com um cenário que parecia apoderar-se em definitivo da bucólica praia do Murubira em Mosqueiro, fizemos o post Caos sonoro no Murubira: Basta!, denunciando os abusos inaceitáveis que vínhamos presenciando naquela parte, da outrora calma e bucólica ilha de Mosqueiro. Passado mais de 1 ano, a Associação de Amigos e Moradores do Murubira (AMAMURUBIRA) foi de fato constituída legalmente e entrou com 2 ações judiciais contra o empresário responsável pelo empreendimento "Sítio da Ilha", retratado no post. Como resultado, obteve um acordo onde o empresário se obrigava a cumprir um cronograma de festas mais apertado, que respeitava as vontades dos moradores tradicionais,  que exigiam o retorno a normalidade de seus imóveis e moradias, subitamente vilipendiados por atividades pouco compatíveis com a habitual calma e tranquilidade do local, em períodos de baixa temporada. Em outras palavras, os moradores e proprietários de imóveis, além de habitualmente terem que tolerar o afluxo superlativo de "playbas" e malucos de todas os gêneros na chamada "alta temporada",  teriam naquele momento, que  tolerar as atividades do empreendimento "Sítio da Ilha", também na "baixa temporada". Algo inaceitável, sob qualquer ponto de vista. Um abuso, em qualquer sociedade, sob qualquer ponto de vista.
Avisados do suposto "poder" e prestígio do empresário patrocinador do evento, um grupo de moradores, alguns com imóveis exatamente ao lado do empreendimento, reuniram-se e constituíram uma associação, que foi batizada de AMAMURUBIRA. 
Ao longo do ano, em acordo com promotores e juízes, e no curso de 2 ações judiciais legítimas, conseguimos diminuir e regular as atividades do empreendimento (golpe "no bolso"). Foi quando conseguimos voltar a usufruir da tranquilidade nativa da localidade. E também, reduzir os lucros do proprietário do estabelecimento. Certamente, desestimulando-o a permanecer por lá.
Pois voltamos aqui para comunicar aos leitores as últimas novidades desta questão, que se arrastou por apenas 1 ano. Tempo bastante curto, se levarmos em consideração, outros tipos de ações judiciais.
Comunicamos, que amanhã, será a última festança produzida pelo "Sítio da Ilha" na praia do Murubira. Anunciada em propagandas volantes pela localidade, parece ser a "festa de despedida" do empreendimento.  Se assim de fato for, sem dúvida, será uma vitória da cidadania, da justiça e do chamado "estado democrático de direito".  Que mesmo tendo que "comer pelas bordas", digamos,  consegue fazer prevalecer o bom senso e a verdadeira justiça, que interessa a todos os cidadãos.
Foi apenas uma batalha. Há outros empreendimentos por lá, igualmente necessitando serem regulados e adaptados a vontade e aos interesses dos moradores e à todos aqueles interessados em preservar as leis ambientais, francamente desrespeitadas por empresários do entretenimento, mas também por cidadãos comuns em verdadeiras boates móveis. 
Que este exemplo, sirva como estímulo, à todos que se sentirem vilipendiados em seus direitos fundamentais, na certeza de que cidadania, a exemplo da liberdade, não se ganha. Simplesmente, deve ser conquistada.
E que as autoridades cidadãs, façam valer a leis e fiscalizem o cumprimento das leis. Elas não são novas. E estão aí para serem cobradas e cumpridas. A AMAMURUBIRA, legalmente constituída desde o ano passado, vai continuar vigilante. Vigilante em relação aos cidadãos que devem cumprir as leis ambientas, bem como aos "fiscalizadores", que as devem fazer cumprir.
Nossos agradecimentos, à todos aqueles que contribuíram a esta questão nobre, seja dando aconselhamento pertinente, seja divulgando a causa que não é nossa. Mas de todos aqueles que ainda desejarem visitar aquele lugar, e vê-lo minimamente de acordo com a natureza exuberante que o cerca.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Dolo presumido


Imagem: Silvina Bertolo

Esta veio da nossa amiga Silvina.

Para aqueles que se dirigem à bucólica ilha de Mosqueiro, ela recomenda observar a nada bucólica placa situada um pouco antes do portal, à direita.

Mas é recomendável espiá-la bem de longe.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Coração batendo forte


Cada vez que volto a Mosqueiro, sempre reservo boa parte do tempo para passeios no amplo quintal que disponho em minha casa do Murubira. Faço isso desde os tempos mais remotos, quando me aventurava por ele, quando inclusive, ainda nem existiam as cercas e os muros que delimitavam as propriedades. Nesta época mágica, tudo era uma coisa só, ao sabor do ritmo da floresta que de fato, um dia houve lá. Conseguíamos ver bandos de macacos, atiçados pelas frutas da época. E também cobras e lagartos, é bom que se diga. Mas uma coisa, ontem ou hoje, sempre me chamava a atenção: as mudanças que o quintal sofria com a alternância das estações. Os odores das frutas da época. O taperebá, o cupuaçu, muruci, abiu, jaca, mangas, jambos. Enfim, uma ampla variedade de espécies. Naqueles tempos, cheguei a me perder numa picada por um curto período. Quase não acerto o caminho de volta para a segurança do lar. 
Atualmente, este quintal nem chega perto da exuberância que chegou a ter no passado, quando se misturava sem barreiras aos quintais desocupados de outrem. Muros foram construídos, o mato foi capinado, preservando-se apenas as espécies frutíferas e substituindo todo o resto por grama. Uma pena. Mas ao mesmo tempo, inevitável.
Ao sabor destas lembranças, contento-me agora, junto com meus dois filhos, a fazer o mesmo passeio que eles um dia, talvez o farão observando outras mudanças. Fazemos isso sistematicamente todas as vezes que vamos lá. Observamos todos os detalhes e abismados, percebemos claramente o relógio da natureza, impondo-se a despeito das flagrantes alterações patrocinadas pelos homens.
E assim, com esta lua maravilhosa (imagem acima) do cair da tarde, fotografada ao fundo de um céu azul total começamos nosso exercício lúdico pelo quintal da magia, das lembranças e do coração.


E a primeira coisa que nos recebe, é o velho balanço artesanal, pendurado à sombra de uma grande castanholeira (árvore não nativa) que sempre trouxe a alegria das crianças. As mesmas crianças que hoje já avançam na idade e já não mais se interessam pelo prazer que ele um dia os proporcionou. Mas eles o visitam sempre. Pelo simples fato de que ele ainda está lá. Caminham ao redor pensativos e às vezes até o usam. Mas logo a atenção é atraída para outros alvos. E são muitos.


Como por exemplo, esta bela flor que aos montes, constituem um belo cenário em volta do centenário flamboyant que adorna a fachada da casa. Uma flor que tem um capricho. Abre-se de manhã cedo e vai se fechando até sumir por completo, já por volta das 10 h.


Em seguida, vem as jaqueiras, igualmente centenárias, que abrigam um pequeno banco. Quem já leu o post Mosqueiro e uma parte de meu coração (outubro de 2010), já viu as imagens deste banco. Na oportunidade, alguns comentaristas manifestaram a dúvida sobre como a jaca, um fruto enorme, se fixa a sua árvore. Preocupei-me desta vez, atiçado pelos leitores, a registrar a resposta. Elas se fixam assim, como na imagem acima.


E aos montes, ao longo do tronco, como nesta outra imagem. Pessoalmente, já afirmei que não gosto de jaca. É um fruto enorme, às vezes ao alcançe das mãos, de aspecto espinhoso e odor forte. Mas faz a alegria de alguns nativos e outros visitantes que a apreciam.


Alguns outros moradores, também podem ser encontrados às centenas. Mas estes, certamente, não são habitantes exclusivos de Mosqueiro. Na verdade, bom é ver alguns camaleões que ainda transitam pelos quintais. Mas o calango, a exemplo do balanço, das jacas, da lua e das flores, simplesmente estava lá.

Deixando o quintal, fizemos a outra parte do pacote Mosqueiro que adoramos fazer, almoçar e passear no belíssimo jardim/quintal do Hotel Farol. Merecia um capítulo à parte. Mas o tempo não vai permitir. Tenho que dar a sequência exata dos prazeres vividos por mim e meus filhos naquele lugar que ainda lutamos para preservar, à salvo das brutalidades e imbecilidades da vida contemporânea.
E o passeio pelo jardim do velho Hotel, revela o esmero de sua proprietária original (já falecida) e de seus descendentes, que hoje ainda tocam o negócio, daquele mesmo jeitinho de sempre. O toque familiar. Os proprietários ainda assistem televisão na sala principal do Hotel, junto com os hóspedes.
Mas vejam agora o que aquele jardim nos revelou.
Em primeiro lugar, algumas flores novas, como esta da imagem abaixo, que ainda não conhecíamos. Mas ela sempre esteve lá. Trata-se da sua hora, sua época de florir.


As árvores, todas frondosas e certamente centenárias, quase todas possuem belas bromélias em seus caules. A maioria, ao alcance das mãos e dos olhos curiosos, em busca do que estaria no interior de seu cálice.


E meu filho mais velho, hoje com 19 anos, jamais perdeu seu carinho e curiosidade pelos detalhes das plantas. Ele sabe. Há sempre algo lá. E vejam só o que ele descobriu, no interior de uma bromélia premiada.


Não é mesmo um prêmio? Esta simpática perereca, permitiu que eu a fotografasse, sem chegar muito perto. Seus olhos, talvez assustados, ou quem sabe, tão surpresos quanto os nossos.

Mosqueiro ainda é um paraíso para os olhos que o buscam com carinho e respeito. Ainda é um enorme santuário de lembranças maravilhosas da infância. Da minha, e felizmente, agora também de meus filhos. E tudo o que foi retratado agora aqui, com um pouco de sorte, ainda estará lá. Mas não por muito tempo. Passados alguns dias, semanas ou meses, tudo estará diferente. Mas estes singelos e lindos personagens estarão lá. E por este prêmio, eu sempre os registrarei. Na câmera, ou na memória.

* Todas as imagens são do poster. Todos os direitos reservados.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Canto do Sabiá em Mosqueiro


Para alguns, que podem ter chegado aqui, pensando se tratar de um post sobre uma maravilhosa residência localizada em Mosqueiro, peço desculpas.  Não é sobre ela que irei falar. Mas falarei sim, sobre um mero pássaro, cujo canto, rico em fraseados melódicos, sempre me encantou. E neste fim de semana em Mosqueiro, resolvi registrar seu canto empolado, que saltava aos olhos de todos que pelo quintal passearam. Senhoras e senhores, com vocês, o maravilhoso canto do sabiá. Imagens geradas em HD mas disponíveis apenas em baixa resolução no meu estranho canal de vídeos do You Tube. Afinal, o que importa, não é o vídeo propriamente. Ou estaria errado?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Mosqueiro e uma parte de meu coração

Mosqueiro, como os leitores habituais já devem saber, tenta ser a minha praia preferida. As razões para isso já foram fartamente explicadas em dezenas de posts a respeito. Uma longa trajetória familiar, construiu a casa que mantemos naquele lugar. Desde os tempos mais difíceis (e belos) quando não havia luz elétrica, nem telefones e nem água encanada. Vem desta época inclusive, as imagens mais marcantes da minha infância, onde podia ver um céu de estrelas fantástico, sem a desagradável interferência da iluminação pública. Vem desta época, a lembrança do frenesi que animava a família, no período de férias escolares, onda lá passávamos um mês inteiro. 
Mas o tempo passa e aos poucos, vamos absorvendo a idéia de que esta visão romântica não mais voltará. Passou! Fim! 
Hoje, Mosqueiro ainda continua tentando ser o lugar onde tento ouvir a voz de meu coração. É pena que muitas vezes, as vozes das ruas não permitam esse elementar exercício de introspecção. E as vozes das ruas, na esmagadora maioria, vem de aleijados mentais que montados em carros de alto custo, assolam as praias com suas boates de mal gosto ambulante. Carros de alto custo, eu disse.
Mas tirando esta desagradável contenda, sempre há um dia onde ainda podemos surpreender os aleijados e lá, poder curtir os bons ventos de outubro/novembro.
Neste fim de semana, resolvi fazer uma das coisas que mais aprecio fazer com meus filhos. Uma ronda no amplo quintal com 70 metros de profundidade, onde algumas espécies nativas foram preservadas, outras foram plantadas e a grama foi sendo ampliada até quase atingir seu antes, quase inacessível fundão. Neste passeio, vamos sempre sentindo o relógio que ciclicamente a natureza cumpre por ali. Tem a época dos abius, dos taperebás, do cupuaçu, dos camaleões, dos passarinhos, etc. Enquanto nós visitamos a ilha de maneira periódica, um motor continua girando por lá, a despeito de tudo e de todos.


Após me instalar nesta inesquecível salinha e fazer os contatos rotineiros, saí com os filhos para o passeio que  agora compartilho com os leitores. 


Primeira parada. O pé de mogno, plantado solenemente no início deste ano, junto com meus filhos. Digo solenemente, porque ensinei-os a nunca plantar uma árvore de forma inconsequente. Há que se escolher a hora certa e estudar meticulosamente o local do plantio. De lá, com sorte, aquela árvore jamais será removida. E seu impacto no quintal, deve ser estudado. E assim fizemos, como forma de retribuir um presente de uma bela, doado do fundo do coração. Pois ele está lá. E para nossa surpresa, até um pequeno ninho abandonado estava por lá.


Fomos em seguida ao cupuaçuzeiro, que nos reservava outro espetáculo. Um ninho ocupado por dois passarinhos, que, sonolentos, esperavam a mãe. Ficamos encantados com a oportunidade de olhar bem de pertinho. Eles nem se aborreceram com nossa presença. 

 Aqui, um outro símbolo, que apesar de aparentemente vulgar, é de fato uma outra marcação de minha infãncia em Mosqueiro. Os caminhos de saúva. Jamais esqueci uma de minhas brincadeiras preferidas. Pegar umas duas ou três saúvas, colocar em um papel, que era fechado, de maneira a construir uma espécie de bolha acústica, onde ouvíamos o ruído agudo das bichinhas. Nunca fizeram isso? Experimentem.


Este é outro ponto marcante do vasto quintal. Um banquinho, construído entre duas enormes e antigas jaqueiras. A jaca, aliás, é um fruto que nunca me atraiu. Mas há quem goste. O que realmente me agrada é sua sombra e o tamanho de seu fruto. Mas neste banquinho, ao menos duas gerações de crianças já apertaram seus corações.


Eis a grande novidade desta temporada. Um exuberante pé de capim-marinho, cresce e se desenvolve, cuidado pelas mãos experientes de nossa querida caseira Patrícia.


E a sempre esperada apoteose do passeio. A visão impressionante dos 3 taperebazeiros - provavelmente centenários, uma vez que lá já se encontravam antes da construção da casa - que na passagem de ano, perfumam a área com seu odor característico. Podemos senti-lo da praia, alguns metros em frente.


E ao final, é claro, nada como ver meu menorzinho, levar de lavada naquela "bolinha", fustigado pelas crianças nativas, mais ágeis, mais coradas e mais experientes. Mas ele não tá nem aí. Segue quebrando as canelas dos rapazes. Por conta disso, o estoque de roupas que tenho que levar pra ele quando vamos para lá, é sempre maior. Há que  trocá-las periodicamente ao longo do dia. Isso, se não quisermos que ele por inércia, mantenha-se com a mesma roupa imunda e lamacenta ao longo do período.

domingo, 15 de agosto de 2010

Mosqueiro perfeito

Este é o meu Mosqueiro perfeito. Sem bárbaros, inconvenientes e barulhentos, com muito vento e ainda nos proporcionando este belo pôr-do-sol. Que ficou aqui registrado em duas imagens.
Apenas duas imagens em um par de dias perfeito, onde a natureza ainda nos reservaria uma chuvinha na parte da noite, transformando a dormida em algo difícil de descrever. E em meio a um bom papo, alguns vinhos e queijos, pudemos aproveitar o máximo da noite.
E fomos dormir cedo desta vez. Como começamos o encontro por volta das 16:30 h, e embarcamos na idéia de acompanhar o ritmo que a natureza nos impunha, sem perder um só segundo de apreciação do espetáculo da maré cheia noturna, por volta de meia noite, já estávamos pensando em dormir.
E assim se foi mais um sábado. Para amanhecer hoje em pleno esplendor de ventos. O que nos levou aos pasteizinhos do Oliveira e ao já consagrado almoço no Hotel Farol. Elementos indissociáveis daquela região, na boca da Baía do Marajó. Desta vez, cometemos um esquecimento. Não comemos o tradicional camarão no bafo, com farofa feita na hora, molho de vinagrete e pimenta de cheiro. Mas em seu lugar, curtimos quase 1 hora de banho nas águas mornas. Poucas pessoas faziam o mesmo. Uma praia quase que inteirinha para nós. Um bate-papo animado em meio a água morna. Muitas histórias, muitas coisas a resolver, a entender. Saímos quase cozidos, mas felizes e aptos ao almoço simples porém cumpridor.
E poucas pessoas foram a ilha. Via-se claramente seus praianos mais habituais. Mais interessados naquilo que ela realmente tem vocação para nos presentear.
Apesar de mal tratada e mal conduzida, Mosqueiro ainda tem salvação. Basta escolher a época certa de frequentá-la, sem abrir mão da luta pelo respeito a mútua convivência e as leis ambientais. Aos pouquinhos, educando e lutando pelo respeito aos limites que à todos interessam. Quem sabe assim, não fazemos todas as épocas, as épocas de Mosqueiro.

sábado, 1 de maio de 2010

Mosqueiro e seus efeitos colaterais


Aqui uma visão da praia de Murubira, Mosqueiro, em frente a minha casa, neste exato momento. Tempo nublado, com chuvisco ocasional.
Aproveitando a folga, resolvi dar uma passeada no velho quintal, talhado por anos a fio por pai e mãe, e agora sendo cuidado pelos filhos, e futuramente, pelos filhos dos filhos.
Uma macro do pé de mogno, com todo o carinho, citado no post Raízes fincadas e o resto do tempo para seguir em frente.
Esta é uma antiquíssima árvore de taperebá, das 3 que existem em meu quintal. Provavelmente lá já estavam, antes da construção da casa, que já tem mais de 50 anos.
E aqui, a razão pela qual, não se pode subir numa árvore de taperebá para apanhar os frutos. Estas farpas de seu frondoso caule, cortam feito navalhas. Resta-nos, colher os frutos do chão, quando caem de maduros ou balançados pelo vento.

Raízes fincadas e o resto do tempo para seguir em frente


Este pequeno pé de mogno, ganhei de uma bela.
Na forma de uma pequena muda, que sobreviveu em meu apartamento por mais de um mês, ainda em sua diminuta quantidade de terra. Por pouco, quase morre. Mas, quando enfim pude emergir de uma sequência de circunstâncias indesejáveis, consegui pôr meus olhos nele e, junto com meus 2 filhos, o plantamos no quintal de nossa casinha, aqui em Mosqueiro, há cerca de 15 dias.
Como sempre fazemos, plantamos juntos, seguindo um ritual de respeito e carinho. Em lugar nobre, de onde poderá ser visto a qualquer hora, a qualquer momento.
E ele respondeu. Ei-lo, com folhas novas, verdinhas, revigorado de seu sofrimento enquanto estava naquele apartamento, aguardando sua destinação final. E ela lhe foi dada com carinho. E ele respondeu. Com jovem formosura. Eis a resposta que damos à bela. Igualmente formosa

segunda-feira, 15 de março de 2010

Legítima defesa

A leitura da postagem imediatamente abaixo desta, na qual o nosso confrade Barretto fala sobre a iminente constituição da Associação dos Moradores do Murubira, em Mosqueiro, remeteu-me ao ano de 1995, quando fui estagiário da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente. Àquela altura, 8 em cada 10 reclamações versavam sobre poluição sonora, praga que domina esta cidade.
Certo dia, atendi a uma senhora muito fina, que se queixava de um clube na Alcindo Cacela (Norte Brasileiro, se não estou enganado). Ela não suportava mais não poder descansar, ver televisão, conversar ao telefone dentro de sua própria casa, aos sábados e domingos. Lá pelas tantas, ela me disse:
- Sabe a vontade que eu tenho? Reunir uns vizinhos e colocar umas caixas de som gigantescas voltadas para o clube. E deixá-los o dia inteiro ouvindo música clássica!
Sorri, pois era apenas um desabafo. Hoje, contudo, penso que o abuso dos calhordas é tanto, assim como a omissão das autoridades públicas, que às vezes é preciso mesmo dar uma de doido. Com doido, doido e meio, não é assim?
Chega uma hora em que o cidadão de bem, chefe de família, recolhido em Mosqueiro em busca de paz, deve ser encarado como em legítima defesa caso acione a vizinhança e, p. ex., bloqueie a rua para impedir a passagem dos veículos que trarão os insumos necessários para a realização das malditas festas. Nada de aparelhagem, nada de caminhão de cerveja, nada de carro do proprietário do dançará. Arme-se o maior salseiro. Aposto que, confusão armada, vai aparecer polícia, bombeiro, imprensa... e os que quiserem falar terão a oportunidade. Pode ser a última oportunidade do cidadão oprimido de ser visto pelas autoridades e fazer algo de bom acontecer.
Mas veja bem: eu não estou dando sugestão nenhuma...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Caos sonoro no Murubira: Basta!

Os moradores da Praia de Murubira em Mosqueiro, estão indignados com a "casa de shows" e "restaurante" Sítio da Ilha, que tornou a parte mais pacata da praia num caos. Com festas toda semana, ocorrência de brigas, uso de drogas e até sexo na via pública, os moradores se organizam para pedir a atuação do Ministério Público, para que moradores, incluindo crianças, possam enfim voltar a curtir a praia da "bucólica", longe do som de altíssimos decibéis das festas de aparelhagem, que se extendem até às 5 hs da madrugada.
Localizado bem no centro de tradicional área residencial...
... da praia de Murubira em Mosqueiro...
... o Sítio da Ilha já mostrou para que veio...
...e tem um responsável que se chama Pompílio.
A Polícia Militar que por lá passa muitas vezes, faz algumas abordagens de frequentadores suspeitos, como pudemos testemunhar neste fim-de-semana. A maioria, jovens e adolescentes em grupos de 3 ou 4, além de carros com verdadeiras aparelhagens ambulantes, que estacionam ao longo da orla, no entorno do empreendimento. Mas a PM nada faz para inibir o flagrante abuso ao sossego dos moradores do entorno, em festas de alta octanagem, absolutamente incompatíveis com o ambiente residencial, de quem busca a paz e o sossego. O uso de álcool por jovens e adolescentes é amplo e irrestrito. Muitos ainda conduzem veículos. Brigas de gangs bem como a invasão dos terrenos vizinhos na tentativa de adentrar a festa pelos fundos tem sido relatada pelos caseiros.
A situação é insustentável e suplantou todos os limites da legalidade. Não existe mais possibilidade de acordo. Revoltados com os abusos observados, os moradores do entorno devem se reunir nesta semana para organizar uma ação coletiva contra um flagrante desrespeito a vários ítens legais, incluindo ambientais. Da iniciativa, fala-se inclusive na fundação da Associação de Amigos e Moradores da Praia de Murubira (AMAMURUBIRA), que nasce para combater este tipo de empreendimento no local, trazendo de volta o sossego e a tranqulidade que sempre caracterizou aquela região. Nomes e telefones foram anotados. A disposição de ir aos tribunais é unânime.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Outros olhares sobre Mosqueiro

Esta, entre outras boas imagens, acompanhadas de um ótimo texto, você vai encontrar no Domisteco Fernandel, blog do advogado Fernando Gurjão Sampaio, de codinome Tanto.
Atraí-me de imediato pelo texto, por falar de um lugar dos mais preciosos de minha vida. E com o texto, confirmei o óbvio: em Mosqueiro, existe sempre um olhar diferente a ser conhecido.
E Tanto, dedicou até o momento 3 posts as suas últimas incursões na ilha. De Mosqueiro 1, onde absorve a atmosfera reflexiva daquele lugar; Mosqueiro 2 onde ressalta algumas lembranças do passado; Mosqueiro 3, onde faz um fotopost com uma das inúmeras histórias que você poderá ouvir por lá, se tiver o coração aberto.
Sou um cara absolutamente suspeito para falar de Mosqueiro. E, apesar das barbaridades que tem vicejado por lá, de maneira agressiva e descontrolada por alguns frequentadores e empreendedores que não vêem limites (embora eles existam na lei e na ordem), ainda tenho Mosqueiro ocupando 60% de meu coração. E Tanto fez por merecer a ilha. E a ilha, deu-lhe a mão amiga.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Mosqueiro e lembranças

Neste fim-de-semana em Moscow, num golpe do mais absoluto acaso, tive a supresa de conhecer pessoalmente "RZ". Uma antiga, embora infrequente, comentarista deste blog. Vinha acompanhada de "S", um velho amigo dos tempos do NPI/UFPa.
RZ, a quem equivocadamente tratava como homem, é na verdade uma alegre mulher. E ela, ao ver o fotopost que fiz logo abaixo, encaminhou ao blog um belo comentário que trazemos para a ribalta. Algo que definitivamente tem a ver com a magia daquele lugar, enterrado para sempre em minha memória. A ela e a "S", meus agradecimentos pelo insight perfeito.

Temos tentado, eu e S., reavivar o que suas fotos sugerem. Parece que temos andado pelos mesmos desvãos. Tudo tem estado tão belo e tão bom nessa ilha de lembranças! E aí, foi quase inevitável chegar a esse belo poema de René Char.
Abs, Rz

L'ordre légitime est quelquefois inhumain

Ceux qui partagent leurs souvenirs,
La solitude les reprend, aussitôt fait silence.
L´herbe qui les frôle éclôt de leur fidélité.

Que disais-tu? Tu me parlais d'un amour si lointain
Qu'il rejoignait ton enfance.
Tant de stratagèmes s'emploient dans la mémoire!

René Char, Les Loyaux Adversaires.

Achei essa tradução, com a qual implico um pouco, mas vamos lá:

Aqueles que partilham lembranças
Regressam à solidão, mal o silêncio se instala.
A erva que os toca desponta da sua fidelidade.
Que dizias tu? Falavas-me de um amor tão longínquo
Que remontava à tua infância.
Tantos estratagemas a memória tece!


René Char, Leais Adversários.

http://nocturnocomgatos.weblog.com.pt/arquivo/cat_dialogos.html
(novembro 29, 2007)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Imagens de Moscow*

Há tempos não fazia um fotopost como este. E como o fim-de-semana foi perfeito na ilha, nada como compartilhar algumas imagens que registram os detalhes desta época do ano. De natureza exuberante, ventos fortes e ondas grandes e perigosas.
Época do Círio de N. Sra do Ó, padroeira da ilha de Mosqueiro. Por incrível que pareça, nenhum chato automotivo compareceu para aborrecer. As praias estavam quase vazias e a noite foi primorosa, regada a um vinho chileno (de lavra da casa Concha y Toro) e outro português alentejano. Como foi uma ida meio que não planejada, não haviam charutos e nem grandes coisas para acompanhar a bebida. Apenas prosaicos hamburguers que preparei para os filhos.
Que os adultos restantes, açodados pelo vinho de boa qualidade, acabaram por atacar também ao final da noite.

Na frente de casa, a maré revela diferentes tonalidades.

Uma grande angular da Praia do Farol.

No Hotel Farol, o banquinho está torto, mas convida.

Os jardins do Hotel, revelam algumas surpresas captadas em macro.

Detalhe do parquet...

...do incrível "salão nobre" do Hotel Farol.


Um auto retrato no espelho do "salão nobre".

* termo adotado pelo poster para designar a bucólica Ilha de Mosqueiro, Belém, Pará.