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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Massive Attack no bairro

O inverno - este ano, ameno, mas cinzento e pontuado de tempestades -  ainda não acabou. Mas a luz do verão é antecipada pelo anúncio das atrações dos festivais na Bélgica. O nosso querido Cactus Festival, sai na frente com uma bomba: vai trazer Massive Attack,  o  grupo inglês de trip-hop e rock experimental; O Massive Attack é conhecido por ser engajadíssimo politico e socialmente.
Jùa estùa na agenda: dia 14 de julho, no Minnewater Park, aqui  no bairro ao lado.
Tomara que eles tragem a Liz Faser, a super vocalista do Cocteau Twins, que canta Teardrop com eles neste vídeo em 1998.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Maestro polivalente

Para encerrar o ano, nosso maestro bruxellois publica mais um video de fôlego: homem, mulher, homem... Como classificou um amigo meu: é pan, é trans, é polivalente .Com vocês, le grand Stromae!!!
PS: o verso Matte une dernière fois mon derrière, il est à côté de mes valises (olha pela última vez a minha bunda, ela está ao lado das minhas malas) é, para mim, o verso de despedida conjugal da década.

sábado, 26 de outubro de 2013

Shows that we ain't gonna stand shit

Glória da Cidade Natal

Eu estive andando o mesmo caminho que sempre andei
Sentindo falta das fendas no pavimento
E quebrando o meu salto e machucando meus pés
"Há alguma coisa que eu possa fazer por você, querida?
Há alguém para quem eu possa ligar?"
"Não e obrigada, por favor, madame
Não estou perdida, só vagando"

Ao redor da minha cidade natal
Memórias são frescas
Ao redor da minha cidade natal
Ooh, as pessoas que conheci
São as maravilhas do meu mundo
São as maravilhas do meu mundo
São as maravilhas deste mundo
São as maravilhas agora

Eu gosto da cidade
Quando o ar é tão espesso e opaco
Eu amo ver todo mundo em saias curtas
Shorts e sombras
Eu gosto da cidade quando dois mundos colidem
Você vê as pessoas e o governo
Todo mundo tomando lados diferentes

Mostra que não vamos aguentar coisas ruins
Mostra que somos unidos
Mostra que não vamos tolerar isso
Mostra que não vamos aguentar coisas ruins
Mostra que somos unidos

Ao redor da minha cidade natal
Memórias são frescas
Ao redor da minha cidade natal
Oh, as pessoas que conheci

São as maravilhas do meu mundo
São as maravilhas do meu mundo
São as maravilhas deste mundo
São as maravilhas do meu mundo

sábado, 21 de setembro de 2013

Novo Pink Martini: contagem regressiva



Get Happy é o novo álbum da banda Pink Martini, baseada no Oregon, Estados Unidos, mas que desde 1997 faz enorme sucesso nos dois lados do Atlântico. O CD sai do forno na próxima quarta-feira, dia 24. Para os fãs, como o Carlos Barretto e eu, uma contagem regressiva temperada pelos teasers que a banda tem postado no site repaginado do Pink Martini.
Desde 2009, com Splendor in the Grass, a banda não lançada um álbum de inéditas - isso se a gente não considerar dois CDs de projetos especiais: Joy to the World (2010), com músicas de Natal, e 1969 (lançado em 2011) do Pink Martini com Saori Yuki, a mega star japonesa, num álbum beneficente para as vítimas do tsunami no Japão.
Com Get Happy, a trilha sonora desse final de 2013 tem garantia de qualidade. O clima é esse da foto  de Thomas Lauderdale e China Forbes, a cabeça e a voz do Pink Martini.
(foto do newsletter do Pink Martini)

domingo, 1 de setembro de 2013

As trilhas do DJ Dolores

(Foto: Facebook DJDolores)

Helder Aragão de Melo é a perfeita tradução de "Pernambuco falando para o mundo" - como o slogan da Rádio Jornal do Commercio 780 AM, no ar desde de 1948.
Como DJ Dolores,  ele é um dos maiores artistas da cena contemporânea brasileira. Produtor, músico, DJ, vencedor do BBC Awards, na categoria “Club Global”. Dolores tem um boa lista de trilhas de cinema para filmes como  "A Máquina”, “Narradores de Javé”, e mais recentemente, “Estradeiros”, “O Som ao Redor” e “Tatuagem”, premiado no Festival de Cinema de Gramado (RS) deste ano.
Também compôs músicas originais para teatro e dança.

Hoje, me deparei com um post dele, como Helder, no Facebook, partilhando uma preciosidade: uma seleção de faixas de trilhas sonoras de cinema feita à pedido do site Deep Beep (d-.-b).
Reproduzo aqui abaixa  a lista com os comentários do DJ Dolores, e você pode ouvir na Rádio d-.-
 Biscoito mais do que fino! 

 1. Ennio Morricone & Chico Buarque – Funerale Di Un Contadino
Morricone é um dos grandes mestres. Seu senso narrativo é comparável aos dos diretores com quem ele colaborou. Escolhi esse track conhecido de Chico Buarque produzido por ele para mostrar a dimensão do arranjo do grande maestro/arranjador.
02. The Troublemakers – Get Misunderstood
O projeto Troublemakers, de Marselha, costuma fazer trilhas sonoras imaginárias. Essa é uma das melhores e me fazem pensar na França situacionista de 68. Quando entra o canto, política e paixão se misturam. Como na vida real.
 03. DJ Dolores – Subúrbio Soul
Fiz esse tema no começo dos anos 2000 para o filme “O Rap do Pequeno Príncipe contra as Almas Sebosas”. Adoro a ambiência da cidade, com gente falando. Lembra o centro do Recife, vivo e sujo, com uma enorme dose de melancolia.
 04. S. D. Burman – The Burning Train
Um clássico de um dos maiores compositores de Bollywood, S. D. Burman. A produção era industrial e dizem que os músicos gravavam lendo a partitura, sem ensaio prévio, tal era a urgência. O fato de estar mais concentrada num canal apenas seria decorrente da pressa?
 05.  Shankar Jaikishan & Anand Bakshi – Jaan Pehechan Ho
Mais um clássico da indústria cinematográfica indiana, composta pela dupla Shankar Jaikishan e Anand Bakshi. Tornou-se popular no ocidente ao ser citada no filme “Ghost World”.
 06. Goran Bregovic – Ya Ya (ringue ringue raja)
Uma incrível versão do clássico americano “Waiting for My Ya Ya”, um primor de letra nonsense, aqui cantado por Goran Bregovic, sob encomenda para o filme “Underground”.
 07. DJ Dolores – Fúnebre
Livre adaptação produzida por mim para a peça de teatro “O Bem Amado”.
 08. DJ Dolores – Satie Dub
Outra adaptação livre de um tema de Eric Satie, com elementos da música nordestina. Assim como o tema seguinte, foi feito para o filme “Os Últimos Cangaceiros”.
 09. DJ Dolores – Mulher Rendeir
Criei a ambiência de western e acrescentei a letra em função da necessidade do filme. Particularmente é uma homenagem aos temas sensacionais dos faroestes italianos.
 10. Angelo Badalamenti – Dub Driving
Não poderia deixar Angelo Badalamenti de fora desse set.
 11. Morton Stevens -  The Long Wait
Um tema cinematográfico por natureza, por Morton Stevens. É incrível como ele nos conduz em climas diferentes até um maravilhoso crescente no final. Arrepiante!
 12. The Lecuona Cuban Boys – Tabou
Lecuona Cuban Boys fixeram bastante sucesso na Europa no começo do Século XX. Essa gravação me impressiona pela ambiência sonora que poderia estar em qualquer produção cinematográfica tal é a quantidade de elementos imagéticos que ela sugere.

sábado, 27 de julho de 2013

O grande bis de Gaby Amarantos



O Sfinks Mixed Festival, em Antuérpia, Bélgica, acaba de anunciar que Gaby Amarantos volta ao palco do festival hoje à noite em horário nobre, 21 h. Ontem, ela se apresentou no Sfinks às 18 horas, como uma estreante, mas abalou o festival. Sortuda, Gaby, que teria um dia de descanso hoje, foi chamada para substituir,  hoje à noite, um grupo cubano que não conseguiu chegar à Bélgica. No anúncio do festival, os organizadores dizem que "ela causou furor ontem com uma apresentação de tirar o fôlego e assim estamos contentes de tê-la de volta".


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Ela chegou lá, ou melhor, aqui

Semana passada ela estava no Central Park in NY. Ontem , estava no Barbican Centre, em London, com resenha no jornal The Guadian. Hoje, ela sobe ao palco do simpático Festival Sfinks, em Boechout, em Antuérpia, considerado a vitrine de novidades entre os mais de 250 festivais de música na Bélgica - muita gente que passa por lá volta em outros festivais nos anos seguintes.
Gaby Amarantos tem tudo para fechar a mini-turnê internacional hoje na Europa com novos convites para o ano que vem. Tomara!

domingo, 14 de julho de 2013

L'enfant (terrible) de la Patrie

"Allons enfants de la Patrie
Le jour de gloire est arrivé..
Aux armes et caetera..."

A impagável versão da La Marseillaise, o hino nacional francês, que rendeu muita controvérsia a Serge Gainsbourg, em 1979.
Aumenta o volume aí, c'est Le 14 Juillet !!!! Vive La France !!! (apesar do insosso François Hollande...).


sábado, 13 de julho de 2013

A trilha do fim de semana - Cactus Festival em Brugge

O verão nos traz os festivais, entre eles o Cactus Festival, em Brugge, Bélgica, considerado o melhor pequeno festival da Europa - pequeno quer dizer com público por volta dos 25 mil -30 mil espectadores por dia. Hùa trës anos, escrevi aqui sobre esse evento anual, que tem mais de três décadas. Ontem, fomos  à abertura da edição 2013. E a atração principal foi o grupo belga Hooverphonic. A apresentação foi a do mais recente trabalho do grupo: Hooverphonic with Orchestra (no vídeo, a canção Mad about You, um hit do grupo que vendeu mais de 300 mil cópias desse álbum). O show foi de tirar o fôlego. E é incrível, como eles conseguem uma altíssima qualidade de som num parque - o Minnerwater, o mais belo espaço verde de Brugge (foto abaixo).



quarta-feira, 10 de julho de 2013

Coração (latino) americano

Para Milton Nacsimento, ela era a voz da América Latina, quem sabe a voz do Terceiro Mundo: Mercedes Sosa, que hoje faria 78 anos anos, como bem lembrou Erka Morhy, em Celebremos a poesia, pos poetas,e as poetizas.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Le Sacre du Printemps - 100 anos

29 de maio de 1913 ficou, na História da Arte, como o dia de uma revolução na música e na dança. No Théàtre des Champs Elysées, em Paris, Les Ballets Russes quebrou todas as convenções com  Le Sacre du Printemps (A Sagração da Primavera), com música de Igor Stravinsky e coreografia de Wlaclav Nijinsky.
A obra é considerada até hoje como o marco da dança e da música  moderna, indicando caminhos dessas duas artes no século XX.
Primeiro, o que é essa música?  Stravinsky parte de sons da natureza - pássaros, chuva, trovões - e vai num crescendo de contrastes e rompantes que até hoje são considerados obras-primas da música clássica inovadora e experimental.
Segundo, o que é essa coroeografia? Nijinksky, na flor de seus 23 anos e no auge de sua genialidade, quebra todas as convenções. Ele  retrata, no balé, um ritual pagão dos povos eslavos em que uma virgem é eleita para o sacrifício e dança até morrer. Um choque para a época. Os bailarinos dançavam com os pés entortados para dentro, num ato de anti-balé completo. Claro, a Paris de então ("caretas de Paris", já cantou Caetano Veloso) não estava aberta para  atitudes tão avant-garde.
A crítica se dividou, o público também.Le Sacre du Printemps foi vaiado e aplaudido. Logo saiu dos reportório da companhia dirigida por Sergei Diaghilev, sendo reencenada mais uma meia dúzia de vezes na Inglaterra e na Áustria.
A coreografia de Nijinsky já teve mais de 200 releituras - de Maurice Béjart a Pina Bausch, todos os grandes nomes da dança moderna tiraram o chapéu para Nijinski.
Neste mês de maio, em todas as capitais culturais da Europa, os 100 anos da obra de Nijinsky-Stravinsky são comemorados com espetáculos, conferências, exposições. Em Brugge, Bélgica, o Concertgebouwn, o teatro da cidade, trouxe Brussels Philharmonic Orchestra ao palco e convidou o bailarino canadense Jose Navas para uma releitura minimalista do Sacre du Printemps. Foi uma maravilha!!!

domingo, 26 de maio de 2013

Will you still love me when I'm no longer young and beautiful ?

-Of course we'll do, darling!!!.

A nova super diva está na trilha sonora de The Great Gatsby, o novo filme Baz (Moulin Rouge/Romeoa and Juliette) Luhrmann.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Caetaneando com Thiago de Melo

Thiago de Melo (poeta amazonense) verbaliza:
"Mas o homem em seu desejo -para sempre insatisfaeito- rouba a cadência da terra,
deixando, por onde passa, marcas profundas no chão: que em cânones se transformam
e indicam, perseverantes -à maneira de faróis balizando em mar bravio-, a tão procurada fonte onde todos beberão".
 
Caetano Veloso (compositor) reitera:
"Marcha o homem sobre o chão 
Leva no coração uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão da infinita beleza
Finda por ferir com a mão essa delicadeza
A coisa mais querida
A glória da vida...
"

sábado, 13 de abril de 2013

De bigode e salto alto em Israel e no mundo

Há um tempo escrevi algo sobre a música e a cena dance de Israel. Tel Aviv tem umas das noites mais animadas e diversas que conheço. Nos últimos anos, o hype israelense corre o mundo graças ao sucesso do projeto Arisa. O produtor Omer Tobi  teve a ideia de tocar músicas típicas do Oriente Médio  em uma festa gay que acontece uma vez por mês em Tel Aviv e que reúne cerca de 2 mil Ele teve a inspriração de chamar Uriel Yekutiel (o bigodudo)  e Eliad Cohen (que faz o tipo bofe/barbie) para fazer performances das músicas ao vivo e  em vídeos, que viraram febre na páginal oficial do projeto no Youtube.  Isso foi o estopim para que a festa gay se tornasse a mais descolada festa do país, atraindo inclusive o público heterossexual.
Depois, eles sairam organizando noites Arisa pela Europa, pelo mundo, e chegaram a ir a São Paulo em 2011, numa das Viradas Culturais.
Uriel Yekutiel, de cílios postiços, maquiagem e bigode, é personagem em clip de outras bandas descoladas da cena israelense, como a The Young Professionals, sobre a qual escrevi aqui, em setembro de 2011, o post Tel Aviv Beats.
 Os videos da Arisa são hilários porque brincam com estereótipos,  e isso no berço de todo  radicalismo religioso, Israel.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Maggie, musa do avesso

(image from the blog Occasional Links and  Commentaries http://anticap.wordpress.com/2011/07/11/thatcher-killed-football/)

Talvez não exista na História do Pós-Guerra figura pública que tenha merecido ódio em verso e prosa quanto  Margaret Thatcher. A ex-primeira-ministra britânica partiu hoje aos 87 anos deixando atrás de si um legado devastador na economia e um bom punhado de canções contra ela - na verdade, contra os tubarões que ela representou tão bem. Pelo menos duas canções contra Maggie desejavam-lhe a morte e duas a acusavam de alta traição. Todas compostas pela nata da nata do Pop Rock Brit: Morrisey, Elton John, Roger Waters e Elvis Costello.

-Margaret on the guillotine: o bardo Morrisey, logo depois de acabar com The Smiths, dedicou uma faixa do primeiro álbum solo (Viva Hate)  à "fofa" da 10 Downing Street .  Nenhum rock visceral, mas uma suave canção, com harpa, um som de guilhotina no final e alguns versos singelos como estes:

The kind people
Have a wonderful dream
Margaret On The Guillotine
Cause people like you
Make me feel so tired
When will you die ?


O povo amável
tem um sonho maravilhoso
Margaret na guilhotina
Porque pessoas como você
me fazem sentir tão cansado
Quando você vai morrer?

-Merry Christmas Maggie Thatcher: Sir Elton John escreveu essa para o musical Billy Elliot, a versão West End londrino do filme de Stephen Daldry, que retrata os confrontos da greve dos mineiros ingleses, em Durham em 1985.

So merry Christmas Maggie Thatcher
May God's love be with you
We all sing together in one breath
Merry Christmas Maggie Thatcher
We all celebrate today
'Cause it's one day closer to your death


Então feliz natal Maggie Thatcher
Possa o amor de Deus estar com você
Nós cantamos juntos num só fôlego
Feliz Natal Maggie Thatcher
Nós todos celebramos hoje
Porque é um dia mais perto para a sua morte

- Get your filthy hands off my desert: Roger Waters escreveu essa para o álbum The Final Cut do Pink Floyd in 1983. Era um protesto contra o que ele chamava de traição de Maggie aos valores do pós-guerra ao levar os ingleses ao inferno da Malvinas.

Brezhnev took Afghanistan.
Begin took Beirut.
Galtieri took the Union Jack.
And Maggie, over lunch one day,
Took a cruiser with all hands.
Apparently, to make him give it back
 
Brezhnev tomou o Afeganistão.
E Begin tomou Beirute.
Galtieri tomou a União Jack (a bandeira britânica)
E Maggie, no almoço um dia,
tomou um cruzeiro com todas as mãos.
Aparentemente, para fazê-lo devolver


-Tramp The Dirt Down: Elvis Costello em uma super poética canção de ódio dizia:



When England was the whore of the world
Margeret was her madam
And the future looked as bright and as clear as
the black tarmacadam
Well I hope that she sleeps well at night, isn’t
haunted by every tiny detail
‘Cos when she held that lovely face in her hands
all she thought of was betrayal

 Quando a Inglaterra era a puta do mundo
Margaret era a cafetina
E o futuro parecia brilhante e claro como seria
o asfalto negro
Bem, espero que ela durma bem à noite,

que não seja obcecada por cada peaueno detalhe
Porque  quando ela sustentava seu formoso rosto nas mãos

tudo o que ela pensava era traição.

 Bem, Maggie era mesmo a anti-musa; E olha que eu nem vou escrever aqui sobre as bandas punks que tinham a meiga como alvo favorito nos anos 80.

domingo, 7 de abril de 2013

Domingo no PAARque com Gilberto Gil.


Sábado, quando a lua chega, traz a noite ao quintal da minha casa, que dá defronte pr'um largo rio. Vejo a luz dos aviões reluzindo no espelho dágua aprumando Val-de-Cans. Amanhã é domingo; lembrei-me da Síria e Ceará. De uma cruzam torpedos; a outra não tem espelho d’água...


(A noite escorreu Amazônia adentro, no peito de "meu amigo João").


Domingo, quando o sol balbucia seus primeiros raios, traz a bruma da manhã e um presságio: o rio entorna o vermelho. Vejo daqui do meu quintal, Prontos-Socorros abarrotados e um esgoto rutilante. É gente nadando pelo corredor, num rio de sangue que vela a bruma. Relembrei-me da Síria e do PAAR, bairro no Pará:

"Olha a faca!
Olha o sangue na mão
Ê, José!
Juliana no chão
Ê, José!
Outro corpo caído
Ê, José!
Seu amigo João
Ê, José!"

terça-feira, 26 de março de 2013

Terça da Poesia com Ronaldo Silva

Peço licença pra contar caso de atiro,
Era cancão, era Quintino a embainhar, 
Dispara rifle a valentia fazendeira,

o sangue na rede esse grileiro não matar,

Eu fecho um olho e o outro eu deixo espiadeiro, 
Um pro Amazonas e outro eu cambo pro Jauacá, 
Abro a janela e vejo os bruxos do chué,

Os Parintins e os Tocantins na mergulheira,

Buio nas llhas, filho das cobras mugiro

E só de namoro eu vim procurando as estrelas
A flor que cheira, é uma beija - flor nas voadeira
Canção da beira é Joao Gomes no letrar,
Oh jardineira me regue no couro, 

Ronca besouro meu ouro desgovernar
Eu ja vou indo nessa de mola bobina
A carabina me aponta nesse vingar,

Cruz credo mano na forra das ingazeiras
 Eu vejo um encante o levante do Juruá.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Anton Corbijn, um outsider

Acabo de ver o documentário Shadow Play - The making of Anton Corbijn, sobre o trabalho do mais brilahntes diretor de arte e fotógrafo holandês.  É um retrato do fotógrafo e diretor que nasceu perto de Rotterdam, na Holanda, mas que firmou carreira  na Inglaterra como fotógrafo da então emergente cena pós-punk na Grã-Bretanha, depois elevada ao mainstream. Ele é o fotógrafo de capas de álbums e vídeoclips clássicos do U2, R.E.M, Depeche Mode, Tom Waits, Nick Cave, e Nirvana só para citar alguns.
Mas, Corbijn foi, e sempre será, ligado à história da legendária banda de Manchester, Joy Division. "Foi por causa deles que eu saí da Holanda, e claro, porque fui demitido da revista onde trabalhava porque minhas fotos eram consideradas muito dark", conta Corbijn.
Essa fama de ser fora do convencional, apesar de trabalhar com o supra sumo do mundo rock/pop dos anos 80, 90 e até agora, quase fez com que Corbijn fosse "desconvidado" da direção do filme Control, a biografia de Ian Curtis, o líder do Joy Division, que se matou em 1980.
Quem viu o filme sabe que nenhum outro diretor conseguiria mergulhar daquela maneira no universo atormentado de Curtis. Shadow Play foi feito justamente em 2007, durante o processo de produção de Control. 
Soube que há outro documentário mais atual sobre Corbijn. O trailer de Inside Out  está também no Youtube.
Para quem quiser saber mais sobre o Corbijn, recomendo o site dele, que é uma obra de arte só. Ah, ele também dirigou George Clooney, em O Americano.

sábado, 19 de janeiro de 2013

The Pearl 70


Há exatos 70 anos, na pequena Port Arthur, no estado do Texas, nascia a pérola do rock, soul e, principalmente, do blues  para uma trajetória fulgurante e curtíssima. Viveu 27 anos e 9 meses, mas entrou para a História como uma das maiores vozes de todos os tempos. Seu nome: Janis Lyn Joplin. Entre as preciosidades dessa carreira intensa e curta está a presença dela no Festival de Woodstock, em Bethel, no estado de Nova York. Era 16 de agosto de 1969. Janis se  apresentou com a The Kozmic Blues Band. Aqui, 10 minutos dessa performance antológica. E para mergulhar no universo de Pearl, como a chamavam,  recomendo o site oficial de Janis.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Alô, alô interior!




 Alô, alô interior! Alô, alô interior! Atenção, Dona Cleinha! Atenção, Dona Cleinha! Seu filho Durval manda avisar que a esposa Jandirá acabou de parir. É seu primeiro neto e se chama Antonio - Tonico para os mais íntimos...

A mensagem saiu de uma rádio difusora, a primeira forma de se comunicar pelo interior, principalmente da Amazônia. Essa espécie de pombo-correio eletrônico-sonoro era o meio de se matar saudade, anunciar notas fúnebres, felicitações de aniversário, além de outros enunciados do cotidiano da floresta. São mensagens por vezes íntimas e pessoais, que em boa parte, só se tornam públicas pela necessidade da informação. 
Agora me vem esse moço, Ney Conceição, fazer-nos lembrar desses tempos idos de vida interiorana, ao lançar o quarto trabalho de música instrumental, intitulado “Alô, alô interior!”. O título nos remete a esse alumbramento, essa coisa nostálgica. O trabalho é fruto de pesquisa da musicalidade interiorana, daí o título. Percebe-se tal elemento na zabumba, triângulo e sanfona, entre tantos elementos acústicos. Do frevo ao carimbó, a sonoridade desse artista embala o resultado de sua pesquisa: magnífica. As pitadas de jazz enobrecem o disco

Se hoje Ney Conceição é considerado um dos maiores contra-baixistas do país, o produto do experimentalismo só podia ter lançamento no Teatro Experimental Waldemar Henrique, em Belém, sua casa. Acompanhado de músicos locais e nacionais, esse paraense da gema do açaí, por ora assentado no sudeste do País, deixa claro que o título remete a uma forma de se comunicar, de enviar notícias de um mundo geograficamente maior para outro mais distante, através da arte. Nada melhor do que a música, uma metáfora das ondas tropicais dos rádios, para esse trabalho de autopsia da história das difusoras.

O show de lançamento (13/01/2013), em si, foi eletrizante, estonteante. Atingiu a maior amplitude de onda quando tocou a música-título em homenagem ao interiorano Dominguinhos, entubado numa CTI, sob risco de sucumbir. Foi uma espécie de oração ao ritmo do nordeste. Além de Arimatéia, um trumpetista participativo de realengo que tufava a jugular com seus sopros metálicos, havia ainda o baterista Cristiano Galvão e o percussionista Dadadá. As Participações do trio Manari e Sebastião Tapajós fez-nos mostrar quão possível é a integração entre os povos, basta ler a partitura da vida. Mas o maior destaque, afora o Ney, foi o carioca Luiz Otávio, de 23 anos, tecladista. Converteu-se em Stevie Wonder e reluziu. Reluziu no sentido jazzístico, ainda que suas turvas retinas lhe escondam a luz.

A platéia estava extasiada. Eram músicos, artistas de outras áreas, professores ligados à arte, e eu, acompanhado de meu filho, um irrequieto contrabaixista e admirador do Ney. Olivar Barreto contorcia seu pomo; Almirzinho Gabriel se maravilhava; Nego Nelson pedia bis. Marcos Puff, o destemido Ariel e uma turma de saxofonistas invadiram o palco, no final, para regozijar Ney. Uma festa interiorana, dessas com direito a bingo. João Pedro, o filho, dedilhava às escondidas um contrabaixo que eu fingia ver. E eu? Só batia palmas. Era o que me restava. É a única coisa que sei fazer.

... Alô, alô interior! Alô, alô interior! Atenção Dona Cleinha! Atenção Dona Cleinha! Ele manda dizer também: assim que findar o resguardo, e tão logo as chuvas minguarem, ele pega um popopô no rumo da boca e vara por aí. Prepare um caldo de Gurijuba que é pra dar sustância pro Bacuri e também pra ele já ter nas ideias a vida de pescador.