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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Adeus às curvas

 "O que me atrai é a curva
livre e sensual. A curva
que no encontro sinuoso
dos nossos rios, nas nuvens
do céu, no corpo da mulher
preferida. De curva é feito 
todo o universo. O universo
curvo de Einstein."


(1907-2012)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Na cabeceira da existência: a Faculdade de Medicina





Às tardes, 
meu caminho encontrava um casarão de esquina,
cinzento, 
onde via, 
na porta, 
pessoas que se inteiravam do mistério de curar.
Com a mente cheia de sonhos
 um dia entrei lá.

Aristóteles de Miranda, médico e poeta.



Nestor perguntou à enciclopédia de História qual caminho para o Largo de Santa Luzia, pois sabia da existência de um rubi da ciência na Amazônia. A enciclopédia pediu-lhe para abri-la na página 1923 d.C.: vagalumiou uma seta que apontava para o norte.
Tomou a bússola e saiu, tal como um cão farejador, pela selva de concreto permeada por mangueiras frondosas, na direção almejada. Entre uma esquina e outra, pela calçada, Nestor achou capa de jornal velho (janeiro de 1982), caroço de manga chupada, pedal de bicicleta – etc... -, até encontrar uma biografia pelo caminho: era a rota certa.
De posse do Livro, no exato meio-fio dos cruzamentos defronte do Largo, ele abriu na folha 52 e reviu o passado distante do seu ontem. Empinou o olhar em direção àquela edificação de esquina, cinzenta até hoje, saracoteando um segundo olhar à página, que dizia: “arquitetura eclética, dois pavimentos com platibanda ornada em balaústres”. Não entendeu a linguagem, mas parecia um palacete em art noveaus, ou art déco, ou coisa assim: eclética, amodernada.
Perguntou a um velhinho de sandália de dedo, que vendia farinha ao seu lado: – Como se entra acolá? “Acolá” dava sensação de distanciamento.
- Pela porta, moço, desde que saibas ler com os olhos da ciência e do humanismo. Respondeu com intimidade.
Perpassando as páginas seguintes, recebeu um choque nos nervos, um trisca. A obra radiografou o prédio da Faculdade de Medicina (e Cirurgia, como no princípio). Em verdade, acabou por deflagrar um minuto do momento mais doído da economia amazônica: a fratura exposta do ciclo da borracha. “Por outro lado, não se pode deixar de reconhecer que com a ‘quebra’ da borracha a sociedade empobrecera; ficara mais dificil, se não impossivel, mandar os filhos para a Europa. E por que não criar, então, condições para a elite estudar em casa, mesmo, permitindo, de qualquer maneira, que se mantivesse o status quo?”, dizia a página condutora de elétrons.
(A história é um fio desencapado e de alta tensão, cuja tomada fica plugada na literatura. Ao tocar, a descarga atiça os nervos. Só não fica magnetizado quem anda em desplugado da Literatura ou faz terra com a História).
Portanto, a crise financeira fez “ovar” o curso de Medicina. Começou num modesto espaço dentro Colégio Paes de Carvalho, em 1919, conforme relatam Aristóteles de Miranda e José Maria de Abreu, médicos e membros do Instituto Historico e Geográfico do Pará, no eletrocutante “Memória Histórica da Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará”, (2010, UFPA). Citam Paes de Carvalho como idealizador do curso (que era médico), mas que só foi implantado por abnegação de um grupo de médicos incomodados com a espera do Governo, em farta crise. Camilo Salgado usou seu prestígio para liderar a força-tarefa, quando o Governador era Lauro Sodré.
Depois houve a aquisição da atual sede, na página 1923. O local fora comprado de uma nobre família e era conhecido como Palacete da Praça de Santa Luzia.  Foi desembolsado menos de 100 contos de reis, quando valia 200, pois a crise da borracha alfinetava a bolha imobiliária. O Governo inteirou com cinco contos. O resto foi doação, e muitas delas por anônimos em apreço aos médicos.
Ao findar a leitura, seis anos já se iam. Nestor fechou o livro num sopapo, flexionou o tronco diante daquela arquitetura, fez o sinal da cruz e pediu proteção aos “camilianos”. Depois comprou um quilo de farinha e tomou o rumo do nariz. Voltou a freqüentar o casarão a partir de 1997, para saber se os cômodos e as platibandas ornadas em balaústres ainda estavam no seu devido aconchego.

Para: Elias Pinto (Jornalista), Haroldo Baleixe, Maria Alice Penna e Cybelle Miranda (Arquitetos). 

Artigo recomendado:
Abreu Junior JMC. A Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará: da fundação à federalização 1919-1950. Rev Pan-Amaz Saude 2010; 1(4):11-16.

terça-feira, 1 de maio de 2012

1° de Maio





Imagens: Edvan Feitosa Coutinho- 2005

Em junho de 2005, fomos a Berlim e o guia Lonely Planet recomendava um passeio ao lado oriental da cidade -  símbolo da divisão do mundo pós-Segunda Guerra. Nessa época, esta parte da velha Berlim ainda guardava em sua arquitetura os traços dos anos de chumbo. Num dos prédios públicos - talvez sede de algum ministério da antiga República Democrática da Alemã (RDA) - vimos uma série de pinturas murais no melhor exemplo do Realismo Socialista - a estética de estado da União Soviética também adotada pelos países da chamada Cortina de Ferro. Ainda se podia ver no mesmo prédio, uma imensa fotografia de algum 1° de maio  dos anos 50. Lembrei dessas fotos que fiz ao pensar no Dia do Trabalho e  de nós, Trabalhadores - sempre personagens centrais da engrenagem que move o mundo, e em nome de quem regimes,  de esquerda e de direita, se arvoram em falar em nome e impor estéticas, sejam elas de estado ou de mercado. Mas, enfim, acima de tudo isso, viva o Trabalhador!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Luzes contra o blues do inverno



Programa obrigatório para os belgas neste weekend...O Festival de Luzes na cidade de Gent, nos Flandres Orientais.
Um espetáculo para espantar aquela tristeza que se abate sobre nós sempre no inverno, passado o clima das festas de final de ano. Aqui podem ver mais fotos e videos: http://www.lichtfestivalgent.be/en/

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Uma boa rede, na hora certa




Viena, Áustria, em pleno badalado quarteirão dos museus, a gente tem uma agradável surpresa: um galpão chique com redes Made in Ceará em quatro pavimentos. É a Flederhaus, um oásis de relaxamento desenhado por top arquitetos para provar que sim, é possível construir usando madeira reciclada. O público dos museus tem adorado.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Autocad para Mac também em outubro

Outubro, parece ser mês de novidades para Mac. Atenção arquitetos, engenheiros e demais "cadistas". Após quase 20 anos, o AutoCad volta para o MAC OS X. Com lançamento previsto para outubro deste ano e preço sugerido de incríveis 4000 dólares, o Autocad para Mac será lançado também com uma supresa: um aplicativo gratuito para iPhones/iPods Touch que deverá ser chamado de Autocad WS, que fará apenas a visualização, compartilhamento e edição rápida de documentos. Boa notícia para os profissionais que o utilizam, obrigados a rodar seus Autocads para Windows no Mac, utilizando o Boot Camp ou mesmo softwares de virtualização como VMware Fusion ou Parallels Desktop. E ele vem funcionando com tranquilidade desta maneira. Contudo, certamente não deve ser com a mesma performance que teria funcionando nativamente na plataforma Mac OS X.

domingo, 18 de abril de 2010

Em LAX, o "disco" está quase pronto para pousar


O The New York Times informa hoje que o famoso restaurante do Aeroporto de Los Angeles (LAX) está quase pronto para funcionar. Conhecido como Theme Building, após sofrer abalos em sua estrutura, foi fechado por quase 3 anos. Contudo, após um projeto de restauração e reforço estrutural orçado em U$ 12,3 milhões, logo deverá voltar a ser o cartão de visitas desta frenética cidade americana.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Projeto Murutucu - Viola no saco

Bem que o meu sentido de aranha avisou.
Alertado pela preocupação do nosso confrade Francisco com a nossa segurança, quando fôssemos visitar o Engenho Murutucu, resolvi me antecipar e fazer uma sondagem. Em síntese, queria saber se teríamos algum problema de acesso, seja de ordem oficial, seja por riscos a nossa integridade física.
Fui até o local e, lá chegando, deparei-me com uma porteira fechada com corrente e cadeado. Como a placa indicativa das ruínas fica de cara para a portaria da Ceasa, fui até lá. Um funcionário me disse que existem duas entradas, mas ambas estão bloqueadas porque tudo está abandonado. Recomendou-me que fosse à administração da Ceasa e pedisse informações na recepção. Foi o que fiz.
A recepcionista teve boa vontade e telefonou para alguém, fazendo a consulta. O retorno que me deu, confessando-se surpresa, foi que o IBAMA assumiu a responsabilidade pelas ruínas e eu teria que tratar com ele.
Voltei para casa e comecei uma batalha para conseguir encontrar o número do telefone do IBAMA. Procurando pela Internet, todos os números estão errados, exceto um. Este único, por ser o da telefonista, deu ocupado em várias tentativas. Quando consegui falar, expliquei o assunto e a telefonista, com aquele jeitão de servidora pública clichê, disse apenas "Momento..." e me transferiu. Falei com uma segunda pessoa e ela, após consultar alguém, disse que as reservas são de responsabilidade do Instituto Chico Mendes, sugerindo que eu ligasse para lá.
Após mais uma chateação para falar de novo com a telefonista, esta me forneceu o número, mas teve a gentileza de me transferir.
No Chico Mendes, atendeu-me um rapaz. Quando mencionei "ruínas do Murutucu", ele me perguntou: "E onde é que fica isso?"
Putz!, pensei. Hoje é o dia!
Para variar, o rapaz consultou alguém (repararam como nesta história todo mundo consultou alguém?) e me respondeu que as ruínas do Murutucu não correspondem a nenhuma reserva sob responsabilidade deles. Provavelmente, ela deve ser administrada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Ou talvez com o Patrimônio Histórico. Que eu me informe lá.
O fato é que eu não tenho tempo para mergulhar agora numa investigação sobre quem manda no abandonado Murutucu. Por isso, lamento informar que a visita está suspensa sine die. Na próxima semana, tentarei contato com a SEMA e sei lá com mais quantos me mandarão falar, para descobrir quem tem as chaves dos cadeados.
Tudo isto começou com a constatação de que algo estava ruim. Agora está bem pior.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Projeto Murutucu

Meus caros, não sei como anda o tempo de vocês, mas o meu anda cada vez pior, já que me encaminho para a fase mais pauleira do semestre letivo. Por isso, tudo o que eu tiver para fazer por simples prazer terá que ser feito logo, ou então ficar para dezembro, mais provavelmente na segunda quinzena.
Disto isto - e considerando o interesse demonstrado por valorosos amigos em anterior postagem -, comunico que irei neste domingo, 15 de novembro, visitar as ruínas do Engenho Murutucu e, se Deus e a bandidagem permitirem, tirar umas fotos e sair de lá com elas.
Considerando que o meu tempo aos finais de semana é regido por uma criaturinha de setenta e poucos centímetros que passa o dia dizendo "ai, menina!", devo chegar ao local por volta das dez da manhã, embora eu preferisse mais cedo, devido ao calor. Não adianta, entretanto, programar para mais cedo e não cumprir o horário.
Agora quero ver quem é guerreiro de verdade!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Engenho Murutucu


Imagem: Skycrapercity

Aceitando a provocação do confrade Yúdice Andrade, em seu outro blog, e complementando a postagem anterior sobre o turismo em Belém, indico aqui o caminho das ruínas do Engenho Murutucu, raridade arquitetônica da nossa cidade, infelizmente em péssimas condições de preservação.

Chega-se às ruínas do Engenho, cuja construção da capela é atribuída ao arquiteto italiano Antonio Landi, pela Estrada da Ceasa. Em frente à entrada da Central de Abastecimento, do outro lado da rua, caminha-se um pouco e se avistam as ruínas.

Sugiro a ida em um dia claro, ensolarado, devidamente acompanhado - de preferência, com muita gente. A área é um pouco perigosa, por ser meio erma.

No Google Earth, pode-se avistar as ruínas nas coordenadas 1°26'47"S 48°25'40"W. Bom passeio!


Exibir mapa ampliado

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A liberdade é azul, a fraternidade, vermelha

Foto: Agência France Press

No exato momento em que esta postagem vai ao ar, é assim que o símbolo nacional francês deslumbra os olhos de quem está na Cidade Luz, esta noite.

A Torre Eiffel completa 120 anos neste 2009. A iluminação festiva permanece, em um show diário, até 31 de dezembro. Ainda há tempo para ir lá e ver ao vivo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sobre pobres de espírito

É incrível como a idiotia reinante no país deixa as pessoas cegas, obcecadas por considerações ideológicas sobre personagens que têm outro valor, além do político.

É assim com Chico Buarque, por exemplo. Para além de suas preferências políticas – que qualquer um, evidentemente, pode questionar –, existe um legado do artista na canção brasileira que é inegável e que deixará heranças para os séculos dos séculos. Ocorre que a patrulha de plantão sempre exalta seus elogios a Fidel Castro e ao regime cubano, pretendendo desmerecer suas músicas, obras únicas da cultura nacional.

Agora, o mesmo tom de discurso é usado para falar de Oscar Niemeyer.

Qualquer país do mundo se orgulharia da produção do centenário arquiteto. Por aqui, porém, quando se fala da doença de Niemeyer – que está há mais de uma semana internado na CTI do Hospital Samaritano, no Rio, após submeter-se a uma cirurgia para retirar um tumor do intestino – há sempre abutres que, encarniçados por seu estado de saúde, parecem torcer por sua morte, acreditando que assim varrerão esta praga, os comunistas, da face da Terra.

Pobres mortais. Como diria Mário Quintana: eles passarão, Niemeyer passarinho. À eternidade.

___________
P.S.: A propósito, Oscar Niemeyer deverá, entre hoje e amanhã, sair da CTI e passar à unidade semi-intensiva. Como no célebre ditado árabe, sempre lembrado por Ibrahim Sued, os cães ladram e a caravana passa.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O nascimento da loja mais famosa do mundo


Tempos de You Tube no Flanar.
Neste curta metragem, você pode assistir ao making off do quinto lugar mais fotografado do mundo. Este poster afortunado, lá esteve em 2008. E claro que fotografou.
Quer saber que lugar é este? Assista ao vídeo ou clique no link acima.

Dica desta galera aqui.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Viva Para a História

Do encontro de dois mestres, surgiu essa obra de arte; a Casa Cavanelas projetada por Oscar Niemeyer com jardins de Burle Marx. Contudo no país do descaso para com o patrimônio histórico, foi descoberta abandonada pelo atual proprietário, que a reviveu para os olhos da atualidade. Detalhes dessa jóia arquitetônica estão aqui.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Belém da saudade

Saudade é uma palavra viva. É mesmo a palavra que dá vida a tudo o que está morto. Palavra que faz ressurgir tudo o que já não existe. Palavra que traz para junto de nós tudo o que está longe.

Assim o poeta e ensaísta Osvaldo Orico, paraense que foi membro da Academia Brasileira de Letras, define a palavra saudade em seu livro A Saudade Brasileira (Editora A Noite, RJ, 1940).

Hoje, senti uma saudade imensa da minha cidade. Saudade de algo que não está morto, mas cuja vida lateja com bem menos viço, em determinadas partes de seu corpo. Belém que, sistematicamente mal-tratada, vê-se constantemente ante encruzilhadas, costumeiramente escolhendo o caminho errado.

Saí cedo, pelas ruas, para procurar a Belém que eu lembrava da infância. Apaixonei-me por Belém à distância, já que minha vida até a pré-adolescência foi passada longe daqui. Mas apaixonei-me de verdade, porque a lonjura trazia-me sempre em pensamento para cá.

Nesta cidade, em que a ignorância e o desamor surgem como mato que os terçados mais afiados relutam em desbastar, vez ou outra surgem pérolas nos escombros. Uma destas jóias foi recentemente restaurada: o prédio que abrigava, no início do século XX, a Livraria Universal, de Eduardo Tavares Cardoso, na Rua João Alfredo, no Comércio.

A iniciativa é um sopro de brisa fresca no rosto de todos que, como eu, amam Santa Maria de Belém do Grão-Pará. A Belém da nossa intimidade ainda é linda: ela continua a brilhar, apesar de tanta barbaridade.

domingo, 31 de agosto de 2008

Livraria Universal

Eduardo Tavares Cardoso era um livreiro famoso nos anos 1900, em Belém. Português de Peniche, município litorâneo na região central do país, veio para o Pará no final do século XIX e, além da Livraria Universal - a primeira fundada na cidade, na época áurea da borracha - era proprietário do Chalé Tavares Cardoso, na antiga Vila de Pinheiro, atual distrito de Icoaraci, nos arredores da capital.

Início do século XX: interior da Livraria Universal

Na administração Edmilson Rodrigues, o Chalé Tavares Cardoso foi totalmente reformado para servir de biblioteca pública aos moradores de Icoaraci. Depois disto, foi abandonado à própria sorte. Ignoro se ainda serve de espaço público; o fato é que o prédio está novamente em péssimo estado.
Livraria Universal em 31/08/2008, totalmente reformada

Porém, a família Tavares Cardoso, ainda proprietária do prédio da Livraria Universal, no centro da cidade, tomou a iniciativa de reformá-lo. O projeto recebeu financiamento do Monumenta, do Ministério da Cultura, e fez valer a pena a resolução dos donos do imóvel.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Siza em Belém

Numa cerimônia simples e carregada de emoção, a UFPA concedeu nesta manhã o título de Doutor Honoris Causa ao arquiteto português Álvaro Siza, talento mundialmente reconhecido pelas obras e prêmios em vários países.
Daqui a pouco Siza dá uma palestra no teatro Maria Silvia Nunes, na Estação das Docas e abre amanhã, às 19:00 hs., a exposição "Siza, Júlio e Alvaro". Julio, bisavô de Álvaro, morou em Belém no século passado e fotografou a cidade, especialmente a arquitetura dos prédios, praças e mercados.

Serviço:
'Siza: Júlio e Álvaro', de 03 de junho a 06 de julho na sede do Fórum Landi (Praça do Carmo – Rua Siqueira Mendes, nº 60 – Cidade Velha).
Informações pelo telefone (91) 3224-5929 ou no http://www.forumlandi.com.br/.
Entrada franca.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Relógio digital e luminária



Mas por enquanto, é só um projeto artístico da empresa Realities United. Imagina só, ficar vendo o tempo passar acima de sua cabeça.
Mais uma do Gizmodo.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Vidro, maçãs e tecnologia



Quem já esteve numa Apple Store sabe. Elas são sempre caprichadas. E amanhã, a cidade histórica de Boston (EUA) inaugura mais uma Apple Store. Leia mais a respeito no MacObserver e veja mais imagens no Gizmodo.

domingo, 30 de março de 2008

Belo Centro

O Liberal de ontem traz reportagem sobre o importantíssimo trabalho de diagnóstico da potencialidade de habitação do Centro Histórico de Belém que os arquitetos e professores da UNAMA Paulo Ribeiro e Antônio Lamarão realizam, em conjunto com a COHAB, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Regional e alunos do último ano do curso de Arquitetura da instituição.

Sob o título Como valorizar o centro histórico?, a matéria já havia sido antecipada aqui no Flanar em 26 de outubro do ano passado. Segue a reportagem do jornal das ORM:

Desafios

Pesquisa enumera responsabilidades políticas e de morador com o início de Belém

Aline Monteiro

Da Redação

Qual a infra-estrutura urbana presente hoje no Centro Histórico de Belém? Essa é a pergunta inicial de que partem os cerca de 50 alunos do quinto ano do curso de arquitetura da Universidade da Amazônia (Unama) que elaboram um diagnóstico dos bairros da Campina e da Cidade Velha, como base para uma proposta de intervenção. A pesquisa é restrita a um trabalho acadêmico e tem como finalidade principal a formação profissional, mas levanta a discussão sobre quais as funções essa zona urbana deveria assumir e as demandas da população em relação a ela.

No trabalho, os acadêmicos de arquitetura levantarão aspectos como circulação, áreas de estacionamento, pontos de táxi, circulação de pedestres, uso e ocupação do solo (residencial, comercial ou misto), estado de conservação dos imóveis, arborização, presença de mobiliário urbano (como telefones públicos, bancas de revista, postes, lixeiras e caixas de correio), etc. Para os professores Paulo Ribeiro e Antônio Lamarão, embora não tenha a função de preencher lacunas de informação para os órgãos públicos - e Paulo diz que informação existe bastante sobre o centro histórico, ainda que não sistematizada -, o trabalho ajuda os futuros arquitetos a constituir uma visão do centro dentro de uma abordagem urbana, em vez de restrita aos edifícios. 'Todos os projetos de intervenção que já foram feitos no centro histórico são abordagens micro, ações pontuais, como a recuperação do Ver-o-Peso, a (rua) João Alfredo, o projeto do Belo Centro, o Espaço Palmeira, o Feliz Lusitânia. O que acontece na maioria dos casos é que os projetos têm um certo período de vida, mas os espaços acabam voltando para a situação anterior e de forma agravada. Isso porque falta a visão de conjunto e a ação articulada dos órgãos públicos nas diferentes esferas. Está faltando ver esses espaços dentro do contexto da cidade para saber que tipo de função devem ter', opina Lamarão.

Paulo Ribeiro faz esse questionamento fundamental a respeito do centro histórico: 'Será que todas as funções que hoje se desenvolvem lá deveriam estar no centro? Por exemplo, o Ver-o-Peso é um entreposto de comercialização de pescado de dimensões nacionais. Há gente que vai ali para buscar peixe que será vendido em São Paulo, mas existe por isso uma circulação muito pesada de caminhões fazendo esse transporte, e sem um entreposto com condições sanitárias, com controle fiscal. Será que esse hoje ainda é o lugar mais adequado a esse comércio?'. Lamarão também provoca a reflexão a respeito da organização do comércio, especialmente no bairro da Campina. 'O comércio já mudou, com a transferência das lojas de luxo para os shoppings e centros de compra como a avenida Braz de Aguiar. Talvez o comércio popular seja o caminho do centro, mas precisa ser bagunçado do jeito que é?'

DIAGNÓSTICO

Se considerarmos o que diz o projeto de lei do Plano Diretor do Município de Belém que atualmente tramita na Comissão de Obras da Câmara Municipal, o Centro Histórico - cujos limites são definidos pela Lei de Desenvolvimento Urbano, a Lei 7.401, de 29 de janeiro de 1988, e que constitui conjunto arquitetônico e paisagístico tombado pela Lei Orgânica do Município de Belém - foi caracterizado como uma área com infra-estrutura consolidada, mas com problemas a resolver como a mobilidade reduzida, degradação paisagística e ambiental, edificações históricas descaracterizadas e grande número de imóveis desocupados ou subutilizados. Elaborado a partir de um processo de discussão com a participação popular, o projeto revisa o plano em vigência desde 1993, e define o instrumento básico da política urbana do município.

Pelo PDU, a área do centro foi dividida em três, com diretrizes diferenciadas. Na parte onde tradicionamente se desempenham as funções de centro comercial, administrativo e de serviços, a indicação é requalificar e conservar o núcleo histórico, melhorar a infra-estrutura e estimular o uso habitacional, a partir da promoção de programas habitacionais. Num segundo setor, caracterizado pelo uso misto (residencial e comercial), predomínio de ruas estreitas e diversidade arquitetônica, um dos objetivos é deter a degradação dos imóveis históricos, controlar o adensamento das construções e melhorar a acessibilidade. Na área da orla, o plano propõe desestimular o uso habitacional, eliminar o risco das ocupações precárias, a recuperação de áreas degradadas, e o estímulo a atividades turísticas e culturais.

Morador reclama ações públicas

Quem transita pelo centro ou mora por lá espera pelo avanço das políticas públicas. Como o estudante Enerson Cardoso, 21, que há um ano e meio trocou São Luís por um apartamento na rua Manoel Barata, onde mora com a mãe e o irmão caçula. 'Minha mãe morava no Tapanã, mas veio para cá porque é menos perigoso. Mas não acho bom. De dia, tem muito barulho, começou a movimentar o comércio, tem que acordar, não tem jeito. De noite é tranqüilo, silencioso, mas não tem aquela coisa dos outros bairros, de visitar o vizinho, tomar um café, conversar. Também não tem muito o que fazer por aqui. Quando chega o final de semana, vou para a casa da minha namorada, que fica no Jurunas', diz o rapaz.

Sacristão na Igreja das Mercês, uma das mais antigas de Belém, ele tem por lá uma boa referência sobre os problemas diários do bairro. 'Há a violência e as drogas, muito consumidas pelos moradores de rua, que acabam cometendo furtos por causa da droga. É um problema que existe em outros bairros. Mas aqui na igreja não existem grupos trabalhando com essas pessoas. Existe uma dificuldade de criar pastorais, porque essa é uma igreja de trânsito. Normalmente quem vem aqui são as pessoas que trabalham no comércio, que assistem à missa no horário de almoço, turistas e estudantes, por conta do aspecto histórico da igreja.'

Também moradora da Manoel Barata, a arquiteta Marília Fonseca está prestes a deixar a casa que por anos pertenceu à família do marido, especialmente pela exigência das duas filhas mais novas, de 13 anos, que anseiam por vizinhos. 'São são quem reclama mais. Querem morar em prédio. Aqui, quando chega final de semana, se mandam para a casa de colegas. O mais velho, que tem 20 anos, já está acostumado, mas para elas é mais complicado.'

Marília diz que a família nunca teve problemas com segurança, mas que o barulho constante, a poluição visual e o descaso da maioria dos comerciantes com os prédios de caráter histórico incomodam, assim como o tempo gasto no trânsito para deixar as meninas no colégio. 'Por outro lado, tudo é perto. Para comprar ou resolver qualquer coisa, tem o comércio aqui ao lado', pondera, dizendo, no entanto, que não vai sentir falta do local.

INFRA-ESTRUTURA

A falta de infra-estrutura citada por Enerson e Marília é um dos maiores entraves quando se pensa no estímulo à habitação no bairro, que é vista por muitos como uma ocupação essencial para resolver o problema da conservação em sítios históricos. Talvez por isso a implantação de projetos de requalificação de antigos edifícios comerciais para prédios residenciais seja mais lenta. 'Há projetos interessantes, como o que a Caixa Econômica fez no prédio Justo Chermont, em frente ao Arquivo Público. A Companhia de Habitação do Pará também está fazendo um estudo de oferta e demanda para projetos residenciais no centro. Mas a visão de investimento não pode ser só o prédio, tem que ser pensado o espaço. É verdade que o centro carece desse comércio voltado para a habitação, como padarias, pequenas locadoras', diz Paulo Ribeiro, enquanto Antônio Lamarão completa: 'A criação dessa infra-estrutura precisa acompanhar esses projetos, senão, daqui a pouco, as pessoas começam a demandar coisas que não vão encontrar e aí começam a abandonar os prédios.