Só não direi que o Brasil é mesmo o país da piada pronta, como diz o Simão, porque é trágico demais para ser engraçado.
Vinha me perguntando se José Sarney deixaria, enfim, a sua presidência vitalícia do Senado ou se ele faria, mais uma vez, contra a própria vontade, o sacrifício cívico de assumir esse encargo. Segundo se está anunciando, ele deve levantar da cadeira, mas deixando no lugar ninguém menos que Renan Calheiros, que dispensa apresentações. Pode ficar pior? Claro que pode: a Câmara também ficaria sob o comando do pior partido deste país, o PMDB, um tal de Henrique Eduardo Alves.
Reza a lenda que Dilma Rousseff não vai com as fuças nem de um, nem de outro. Mas tem a tal da governabilidade, sabe como é. E os governos sempre necessitam negociar mundos e fundos com sua base de sustentação. E se há um nome para negociar vantagens, esse nome é PMDB.
Dane-se o Brasil.
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
domingo, 29 de maio de 2011
Valha-te Couto
Após burlescas atuações na Tribuna do Senado Federal, onde trabalha uma imagem de "o senador da moralidade", em sucessivos, grosseiros e deploráveis discursos contra a ex-governadora Ana Júlia Carepa. Matéria de hoje, no Diário do Pará, apurada pela jornalista Rita Soares, desmonta o Teatro de Revista de 5ª categoria que se tornou o senador, mais conhecido no Pará como "Tapiocouto." Que nega, peremptoriamente as suspeitas que recaem sobre sua cabeça e outros de seus comandados.
– Não senhores (as), não estou pré julgando ninguém, mas, contra os fatos há, naturalmente a negação de autoria, estratégia manjada por quem conhece os operadores do direito.
Sua filha e braço direito, deputada Cilene Couto, estão envolvidos em gravíssimas suspeitas de corrupção de alto poder destrutivo – para ambos – se o "senador da moralidade" e sua dileta filha forem alcançados pelo braço da Lei e restar provado suas participações nos ilícitos.
O fiscal da Lei, Nelson Medrado, um dos promotores que investigam a maior roubalheira aos cofres do erário público legislativo da história do Pará, já foi avisado pelo próprio senador que será objeto de discurso, a ser proferido na Tribuna do Senado, na próxima terça-feira. Aliás, será campeão de audiência, essa transmissão a ser realizada pela TV Senado.
Estima-se que algo em torno de R$ 60 milhões foram surrupiados e dividos entre os membros de sucessivas organizações instaladas dentro daquele Poder. Na Folha de pagamento não se tem mais dúvidas, e nos processos licitatórios da Casa, tudo aponta para uma sangria ainda maior, envolvendo gente graúda, teúda e manteúda.
Pela consistência do material que servirá de prova para os procedimentos cabíveis ao Ministério Público, denunciando à Justiça os envolvidos no caso que tem repercussão nacional e coloca o Legislativo paraense, literalmente num "mar de lama", à sociedade só resta uma reação: protestar e exigir de seus representantes no Parlamento, definitivamente, a extinção, da imundície chamada, foro privilegiado. Prerrogativa para Santos, coisa nos dias de hoje, convenhamos, difícil de localizar.
O foro privilegiado é guarda-chuva de condutas desse jaez e que é sinônimo de impunidade de autoridades e servidores públicos de todos os matizes.
–Abaixo o foro privilegiado já!
– Não senhores (as), não estou pré julgando ninguém, mas, contra os fatos há, naturalmente a negação de autoria, estratégia manjada por quem conhece os operadores do direito.
Sua filha e braço direito, deputada Cilene Couto, estão envolvidos em gravíssimas suspeitas de corrupção de alto poder destrutivo – para ambos – se o "senador da moralidade" e sua dileta filha forem alcançados pelo braço da Lei e restar provado suas participações nos ilícitos.
O fiscal da Lei, Nelson Medrado, um dos promotores que investigam a maior roubalheira aos cofres do erário público legislativo da história do Pará, já foi avisado pelo próprio senador que será objeto de discurso, a ser proferido na Tribuna do Senado, na próxima terça-feira. Aliás, será campeão de audiência, essa transmissão a ser realizada pela TV Senado.
Estima-se que algo em torno de R$ 60 milhões foram surrupiados e dividos entre os membros de sucessivas organizações instaladas dentro daquele Poder. Na Folha de pagamento não se tem mais dúvidas, e nos processos licitatórios da Casa, tudo aponta para uma sangria ainda maior, envolvendo gente graúda, teúda e manteúda.
Pela consistência do material que servirá de prova para os procedimentos cabíveis ao Ministério Público, denunciando à Justiça os envolvidos no caso que tem repercussão nacional e coloca o Legislativo paraense, literalmente num "mar de lama", à sociedade só resta uma reação: protestar e exigir de seus representantes no Parlamento, definitivamente, a extinção, da imundície chamada, foro privilegiado. Prerrogativa para Santos, coisa nos dias de hoje, convenhamos, difícil de localizar.
O foro privilegiado é guarda-chuva de condutas desse jaez e que é sinônimo de impunidade de autoridades e servidores públicos de todos os matizes.
–Abaixo o foro privilegiado já!
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Tablets para o povo!
Pouco após a edição da Medida Provisória 534, que incluiu os tablets na política de desoneração tributária materializada na chamada "Lei do Bem", desde que fabricados no Brasil (ou seja, no futuro), tomo conhecimento de um projeto de lei do Senado (PLS 114/2010, do senador Acir Gurgacz, PDT-RO) que pretende estender, a esses equipamentos, as mesmas isenções hoje existentes para livros. Com isso, o imposto de importação seria atingido, promovendo uma significa queda dos preços de tablets fabricados fora do Brasil.
Bacana, não? Difícil crer que Executivo e Legislativo andem tão preocupados em fazer alguma coisa, ainda que isolada, de interesse público. Mas o fato é que o projeto vem tramitando com aprovação no Senado, e em caráter terminativo (que dispensa aprovação em plenário). Isso pode permitir uma aprovação rápida, seguida de encaminhamento à Câmara dos Deputados.
Claro que existem muitas implicações, inclusive no que tange aos empregos que podem ser gerados pela fabricação em território nacional. Mas se as duas medidas vigorarem, o cenário do consumo certamente se modificará muito. Afinal, os tablets estão na moda (observe o tanto que se escreve sobre eles) e só não estão mais popularizados no Brasil por conta do preço. O mais famoso deles, o iPad2, possui no Brasil o preço mais alto do mundo. Assim fica difícil.
Bacana, não? Difícil crer que Executivo e Legislativo andem tão preocupados em fazer alguma coisa, ainda que isolada, de interesse público. Mas o fato é que o projeto vem tramitando com aprovação no Senado, e em caráter terminativo (que dispensa aprovação em plenário). Isso pode permitir uma aprovação rápida, seguida de encaminhamento à Câmara dos Deputados.
Claro que existem muitas implicações, inclusive no que tange aos empregos que podem ser gerados pela fabricação em território nacional. Mas se as duas medidas vigorarem, o cenário do consumo certamente se modificará muito. Afinal, os tablets estão na moda (observe o tanto que se escreve sobre eles) e só não estão mais popularizados no Brasil por conta do preço. O mais famoso deles, o iPad2, possui no Brasil o preço mais alto do mundo. Assim fica difícil.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Meio ambiente, inclusive humano
I.
Tanto tempo, tanta briga e, finalmente, a Câmara dos Deputados aprovou ontem o novo Código Florestal. Mas o preço a pagar por ele foi elevado: a aprovação da emenda 164, principal fator de discórdia entre o Executivo e o Legislativo. O primeiro quer exclusividade para decidir sobre exploração agropecuária em áreas de preservação permanente; já os parlamentares querem conceder essa prerrogativa aos Estados, que é a porta aberta para cada um fazer o que bem entender, inclusive anistiar madeireiros vagabundos, autores de danos ambientais. A presidenta Dilma Rousseff já avisou que não tolerará nenhuma anistia a desmatadores e o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), avisou que o Executivo pretende vetar o dispositivo e aceita os ônus políticos de se isolar nesse ponto.
Uma vergonha, da qual não comungaram somente o PT, o PV e o PSB. O PSOL votou contra o projeto inteiro. Resta a deliberação do Senado.
É como sempre digo: o Brasil não terá nem desenvolvimento nem justiça social (isto, muito menos) enquanto essa ordinaríssima bancada ruralista continuar tendo tanto poder. De justiça social nem preciso falar, mas quando afirmo que nem desenvolvimento haverá tenho em mente o fato de que esse empresariado canalha (odeio esclarecer, mas como há muitos iletrados açodados na rede, sou obrigado a lembrar que, se a carapuça não lhe serve, não a vista: nem todo empresário é canalha, ora pois) adota práticas predatórias, que lhes permitem lucros rápidos, mas ao custo da degradação ambiental, em prejuízo da fauna, da flora e dos seres humanos.
Essa gente gera divisas para o país porque não tem jeito: há tributação. Mas se investissem em tecnologia e qualidade, poderiam produzir mais e aumentar seus lucros, sem causar tantos problemas à sociedade. Só que aí entra o fator burrice: não se gasta com tecnologia, para ter lucros de médio ou longo prazo. Tudo é imediatismo. E quem estiver na frente que se lasque.
II.
Enquanto isso, o mundo repercute o assassinado dos líderes extrativistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo, em Nova Ipixuna. Motivo do crime? Os dois lutavam pela preservação da floresta e já vinham sendo ameaçados de morte. Como de praxe, o poder público não lhes assegurou nenhuma proteção e, mais uma vez, o Estado do Pará ganhou o noticiário internacional como cenário de derramamento de sangue, em situações típicas de distorções sociais.
Os ruralistas devem estar felizes.
III.
Pobre Brasil.
Tanto tempo, tanta briga e, finalmente, a Câmara dos Deputados aprovou ontem o novo Código Florestal. Mas o preço a pagar por ele foi elevado: a aprovação da emenda 164, principal fator de discórdia entre o Executivo e o Legislativo. O primeiro quer exclusividade para decidir sobre exploração agropecuária em áreas de preservação permanente; já os parlamentares querem conceder essa prerrogativa aos Estados, que é a porta aberta para cada um fazer o que bem entender, inclusive anistiar madeireiros vagabundos, autores de danos ambientais. A presidenta Dilma Rousseff já avisou que não tolerará nenhuma anistia a desmatadores e o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), avisou que o Executivo pretende vetar o dispositivo e aceita os ônus políticos de se isolar nesse ponto.
Uma vergonha, da qual não comungaram somente o PT, o PV e o PSB. O PSOL votou contra o projeto inteiro. Resta a deliberação do Senado.
É como sempre digo: o Brasil não terá nem desenvolvimento nem justiça social (isto, muito menos) enquanto essa ordinaríssima bancada ruralista continuar tendo tanto poder. De justiça social nem preciso falar, mas quando afirmo que nem desenvolvimento haverá tenho em mente o fato de que esse empresariado canalha (odeio esclarecer, mas como há muitos iletrados açodados na rede, sou obrigado a lembrar que, se a carapuça não lhe serve, não a vista: nem todo empresário é canalha, ora pois) adota práticas predatórias, que lhes permitem lucros rápidos, mas ao custo da degradação ambiental, em prejuízo da fauna, da flora e dos seres humanos.
Essa gente gera divisas para o país porque não tem jeito: há tributação. Mas se investissem em tecnologia e qualidade, poderiam produzir mais e aumentar seus lucros, sem causar tantos problemas à sociedade. Só que aí entra o fator burrice: não se gasta com tecnologia, para ter lucros de médio ou longo prazo. Tudo é imediatismo. E quem estiver na frente que se lasque.
II.
Enquanto isso, o mundo repercute o assassinado dos líderes extrativistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo, em Nova Ipixuna. Motivo do crime? Os dois lutavam pela preservação da floresta e já vinham sendo ameaçados de morte. Como de praxe, o poder público não lhes assegurou nenhuma proteção e, mais uma vez, o Estado do Pará ganhou o noticiário internacional como cenário de derramamento de sangue, em situações típicas de distorções sociais.
Os ruralistas devem estar felizes.
III.
Pobre Brasil.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Se é imoral, é ilegal!
Inúmeras vezes escutei pessoas dizendo que certas práticas, na Administração Pública, são imorais, porém não são ilegais. Coincidência ou não, esta assertiva sempre é feita para tentar justificar alguma grande sacanagem que, no fundo, é injustificável.
A odiosa falácia foi repetida uma vez mais, em entrevista à TV, pelo senador Mário Couto. Ele comentava a estranhíssima licitação que permitiu a contratação de uma empresinha fabricante de farinha de tapioca para prestar serviços de engenharia à Assembleia Legislativa, ao tempo de sua presidência naquele poder. A tal empresinha pertence ao marido de uma servidora da casa, ligada a Couto. Caído no esquecimento, o episódio já era relativamente conhecido e, por causa dele, o senador ganhou o apelido de "Mário Tapiocouto".
Sem nenhum pudor, o senador afirmou desconhecer que norma impediria a empresa Croc Tapioca de participar da licitação. É mesmo? De fato, não existe na Lei n. 8.666, de 1993, nenhum dispositivo proibindo fabricantes de tapioca de realizar serviços de engenharia. Mas é uma condição sine qua non de toda licitação que o licitante possa oferecer o serviço a que se dispõe, certo? Além disso, o fato de as empresas, quando se constituem formalmente, precisarem indicar o seu objeto social, o seu ramo de atuação, deve servir para alguma coisa, não acha, senador?
E se somarmos a tudo isso o fato de que há um beneficiário suspeito, não seria o caso de evitar a cara na frente de uma câmera perguntando que mal há nisso?
Após todos esses bostejos, veio o reconhecimento cabal: "é imoral, sim, mas não é ilegal!"
Os princípios da Administração Pública inscritos na Constituição de 1988 só fazem sentido se interpretados conjuntamente. Portanto, se o fato é imoral, ele é necessariamente ilegal, porque contrário à Carta Magna.
Mas todos sabemos disso, não é, senador?
![]() |
Na tribuna do Senado, fazendo o que mais gosta: denunciar a corrupção dos outros |
Sem nenhum pudor, o senador afirmou desconhecer que norma impediria a empresa Croc Tapioca de participar da licitação. É mesmo? De fato, não existe na Lei n. 8.666, de 1993, nenhum dispositivo proibindo fabricantes de tapioca de realizar serviços de engenharia. Mas é uma condição sine qua non de toda licitação que o licitante possa oferecer o serviço a que se dispõe, certo? Além disso, o fato de as empresas, quando se constituem formalmente, precisarem indicar o seu objeto social, o seu ramo de atuação, deve servir para alguma coisa, não acha, senador?
E se somarmos a tudo isso o fato de que há um beneficiário suspeito, não seria o caso de evitar a cara na frente de uma câmera perguntando que mal há nisso?
Após todos esses bostejos, veio o reconhecimento cabal: "é imoral, sim, mas não é ilegal!"
Os princípios da Administração Pública inscritos na Constituição de 1988 só fazem sentido se interpretados conjuntamente. Portanto, se o fato é imoral, ele é necessariamente ilegal, porque contrário à Carta Magna.
Mas todos sabemos disso, não é, senador?
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Colocar o debate em termos
Surgiu, lá no meu outro blog, um debate sobre um projeto de lei apresentado na Câmara Municipal de Belém, com vistas a obrigar a gravação, em áudio e vídeo, de todos os procedimentos realizados em centros cirúrgicos, setores de urgência e emergência e unidades de terapia intensiva (aí, Barretto!) de todos os hospitais públicos e privados da cidade.
Gostaria de pedir aos caros colegas editores do Flanar, dentre os quais há médicos, assim como aos gentis leitores que nos prestigiam, que deem uma passadinha aqui, a fim de ajudar a manter o bom nível do debate, antes que ele descambe para grita, pura e simples, contra erros médicos, reais ou presumidos.
Desde já, meus agradecimentos.
Gostaria de pedir aos caros colegas editores do Flanar, dentre os quais há médicos, assim como aos gentis leitores que nos prestigiam, que deem uma passadinha aqui, a fim de ajudar a manter o bom nível do debate, antes que ele descambe para grita, pura e simples, contra erros médicos, reais ou presumidos.
Desde já, meus agradecimentos.
40 no total
Aqui na terrinha o debate gira em torno do desmembramento do Pará através da criação dos Estados do Tapajós e do Carajás. Um debate antigo, altamente polêmico, com argumentos relevantes e respeitáveis de ambos os lados, embora não se consiga manter a conversa num nível relevante e respeitável por mais de trinta segundos, já que normalmente a coisa descamba desde logo para a baixaria.
Mas Tapajós e Carajás estão longe de ser os únicos entes federativos cogitados para a redivisão territorial do Brasil. E além dos Estados, há propostas para criação de territórios federais, que há mais de duas décadas deixaram de existir no cenário nacional. Confesso, porém, que não sabia da quantidade de projetos desse tipo. Com surpresa, tomei conhecimento de que, se todas as proposições emancipatórias fossem aprovadas, o Brasil passaria a ter nada menos que 40 unidades federativas (incluindo o Distrito Federal). Veja o mapa:

Clicando aqui, você lê uma breve matéria sobre o tema.
Um argumento recorrente contra a redivisão está centrado no impacto financeiro para a organização administrativa dos novos entes. Diante do que vejo, sou forçado a perguntar: realmente vale a pena sangrar o contribuinte, já escorchado todo santo dia, com os ônus extraordinários de bancar tantos novos entes federativos? Ainda mais considerando o tamaninho de alguns deles? Não seria mais barato, rápido e eficiente mudar o comando político nessas regiões?
Não, não seria, porque isso pede um eleitor melhor e, portanto, políticos melhores. Eleitor consciente é mercadoria escassa. Político decente, então, nem se fala. Com isso, o Brasil continua aplicando a velha tática que adota para tudo: mata-se pulga com bala de canhão.
Detalhe: No quadro acima, não há referência ao Território Federal do Marajó. Talvez não exista um projeto de criação do mesmo, já formalizado. Mas há rumores quanto a intenções de criá-lo.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Com a mão na massa
A se confirmar a mais nova acusação de uso indevido da verba indenizatória do exercício parlamentar por políticos com mandato, a míriade de benefícios concedida aos parlamentares brasileiros ficará, cada dia mais, claramente identificada como uma grande sem-vergonhice.
Não bastassem as passagens aéreas utilizadas em proveito próprio, de amigos e familiares, que eclodiu no ano passado em mais um escândalo que virou pizza, agora seis deputados federais são acusados de utilizarem-se de verba indenizatória para campanhas eleitorais.
Os parlamentares paraenses Jader Barbalho (PMDB), Paulo Rocha (PT) e Giovanni Queiroz (PDT), os dois primeiros virtuais candidatos ao Senado nas próximas eleições, unem-se a Fernando Gabeira (PV-RJ), Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), Narcio Rodrigues (PSDB-MG) e Fábio Ramalho (PV-MG) no grupo dos apontados pela Folha de São Paulo como tendo utilizado da tal verba, no valor mensal de R$ 12.000,00, que visa exclusivamente ressarcir gastos com aluguel, manutenção de escritórios, locomoção, ou outras despesas diretamente ligadas ao exercício do mandato parlamentar.
Ao que parece, de mandato parlamentar não se tratava: os senhores deputados estavam fazendo campanha eleitoral para si ou seus candidatos a prefeito.
Quem acha que o assunto chegará à Justiça Eleitoral, que levante a mão.
Não bastassem as passagens aéreas utilizadas em proveito próprio, de amigos e familiares, que eclodiu no ano passado em mais um escândalo que virou pizza, agora seis deputados federais são acusados de utilizarem-se de verba indenizatória para campanhas eleitorais.
Os parlamentares paraenses Jader Barbalho (PMDB), Paulo Rocha (PT) e Giovanni Queiroz (PDT), os dois primeiros virtuais candidatos ao Senado nas próximas eleições, unem-se a Fernando Gabeira (PV-RJ), Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), Narcio Rodrigues (PSDB-MG) e Fábio Ramalho (PV-MG) no grupo dos apontados pela Folha de São Paulo como tendo utilizado da tal verba, no valor mensal de R$ 12.000,00, que visa exclusivamente ressarcir gastos com aluguel, manutenção de escritórios, locomoção, ou outras despesas diretamente ligadas ao exercício do mandato parlamentar.
Ao que parece, de mandato parlamentar não se tratava: os senhores deputados estavam fazendo campanha eleitoral para si ou seus candidatos a prefeito.
Quem acha que o assunto chegará à Justiça Eleitoral, que levante a mão.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
sábado, 10 de outubro de 2009
Falta de vergonha na cara - Parte II
Sufragando a indignação cidadã do querido Francisco, logo aí embaixo - uso as palavras dele porque já nem tenho ânimo para falar do prefeito-desastre e de seu séquito, notadamente o que se encontra dependurado no Poder Legislativo -, gostaria de ponderar um aspecto jurídico, embora os Direitos Financeiro e Tributário estejam longe de ser a minha praia.
Multas e correções monetárias de débitos fiscais, porque diretamente incidentes sobre o valor histórico da dívida, passam a fazer parte dela. Por conseguinte, elas são, também, receitas tributárias. De acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Poder Executivo só pode dispensar receitas tributárias quando indique, expressamente, quais são as medidas que compensarão a perda de arrecadação ou, num português ao nível dos nossos representantes políticos, de onde vai sair a grana para tapar o buraco deixado pela aprovação do projeto de lei que fez sorrir os proprietários de empresas de transporte coletivo. E não encontrei, nas notícias que li sobre o assunto, nenhuma referência a essa particularidade.
A omissão dessa providência constitui - veja só! - ato de improbidade administrativa.
Lembro este detalhe quase insignificante para o caso de algum cidadão estar neste momento redigindo uma ação popular ou - hipótese mais remota - o Ministério Público estar pensando em deslanchar alguma medida contra a tal lei, o que seria sua atribuição institucional. Porque de nada adianta mandar esta mensagem para o Poder Executivo. Primeiro porque não haveria ninguém para escutar. Segundo, porque desde 2005 já são tantos os casos de improbidade administrativa que um a mais, um a menos, eles nem darão bola.
Acréscimo:
É isso que dá não fazer o trabalho direito! O Lafayette já abordara esta questão em comentário à postagem anterior. Vá lá e veja o texto da LRF.
Multas e correções monetárias de débitos fiscais, porque diretamente incidentes sobre o valor histórico da dívida, passam a fazer parte dela. Por conseguinte, elas são, também, receitas tributárias. De acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Poder Executivo só pode dispensar receitas tributárias quando indique, expressamente, quais são as medidas que compensarão a perda de arrecadação ou, num português ao nível dos nossos representantes políticos, de onde vai sair a grana para tapar o buraco deixado pela aprovação do projeto de lei que fez sorrir os proprietários de empresas de transporte coletivo. E não encontrei, nas notícias que li sobre o assunto, nenhuma referência a essa particularidade.
A omissão dessa providência constitui - veja só! - ato de improbidade administrativa.
Lembro este detalhe quase insignificante para o caso de algum cidadão estar neste momento redigindo uma ação popular ou - hipótese mais remota - o Ministério Público estar pensando em deslanchar alguma medida contra a tal lei, o que seria sua atribuição institucional. Porque de nada adianta mandar esta mensagem para o Poder Executivo. Primeiro porque não haveria ninguém para escutar. Segundo, porque desde 2005 já são tantos os casos de improbidade administrativa que um a mais, um a menos, eles nem darão bola.
Acréscimo:
É isso que dá não fazer o trabalho direito! O Lafayette já abordara esta questão em comentário à postagem anterior. Vá lá e veja o texto da LRF.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Falta de vergonha na cara
Casa de Noca, expressão consagrada pelo inesquecível Juvêncio de Arruda, é cada vez mais o nome adequado para a Câmara dos Vereadores de Belém.
Nesta semana que termina, os edis da cidade resolveram premiar o empresariado de ônibus, concedendo-lhes o perdão fiscal de 86 milhões de reais. Evidentemente, não há qualquer retorno em benefício da população: os usuários do transporte urbano continuarão a se espremer, todos os dias, em ônibus sujos, mal cuidados, vários com mais de 20 anos de uso e disfarçados de novos, e a passagem continuará custando o mesmo preço atualmente em vigor - isto se a prefeitura não a aumentar, nas próximas semanas, completando o pacote de benesses.
Mais uma vez, também, o lamentável vereador Gervásio Morgado mostra que seu mandato só lhe serve para sacanear com a capital e seus moradores: fez ironias, tomou cerveja dentro da Câmara e ainda teve a cara-de-pau de dizer que "Duciomar está fazendo um bem para Belém".
Faça-nos um favor, vereador: guarde suas pérolas para si. E que Nossa Senhora de Nazaré esqueça da sua existência.
Nesta semana que termina, os edis da cidade resolveram premiar o empresariado de ônibus, concedendo-lhes o perdão fiscal de 86 milhões de reais. Evidentemente, não há qualquer retorno em benefício da população: os usuários do transporte urbano continuarão a se espremer, todos os dias, em ônibus sujos, mal cuidados, vários com mais de 20 anos de uso e disfarçados de novos, e a passagem continuará custando o mesmo preço atualmente em vigor - isto se a prefeitura não a aumentar, nas próximas semanas, completando o pacote de benesses.
Mais uma vez, também, o lamentável vereador Gervásio Morgado mostra que seu mandato só lhe serve para sacanear com a capital e seus moradores: fez ironias, tomou cerveja dentro da Câmara e ainda teve a cara-de-pau de dizer que "Duciomar está fazendo um bem para Belém".
Faça-nos um favor, vereador: guarde suas pérolas para si. E que Nossa Senhora de Nazaré esqueça da sua existência.
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