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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A corda



A corda
  é uma oração de pés e braços 
   de mãos seguras
     em corpo-a-corpo e desespero 
      mil almas amarradas e libertas 
     unidas e desunidas em mil cores 
    mil caras de mil partes
   mais de mil portes
     mais de mil faces
         mais de mil preces
          mais de mil pedidos explodindo em êxtase
          explodindo em olhos
         em poros, pelos e apelos
        das mãos, dos pés, dos braços
       que se afastam
      e que se abraçam

Benedicto Monteiro, em: "Discurso sobre a corda - poesia"
Imagem: "Corda expressionista" CÍRIO da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - UFPA) do ano de 2012.



sábado, 8 de outubro de 2011

Trasladando

Imagem: Carlos Silva

Todo ano, nesta época nazarena, eu acabo trasladando velhas memórias dos tempos em que dei aulas de inglês no finado Modern English Center.
Influenciado pelo clima de festa, apliquei uma redação valendo nota, com o tema "Trasladação and Círio de Nazaré".
Ainda recordo da curta e original redação de um aluno minimalista:

"Trasladação, many people. Círio de Nazaré, nor if talks".
(tradução livre: Trasladação, muita gente. Círio de Nazaré, nem se fala).

Pode haver síntese melhor da grande festa da nossa padroeira?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Correção ao post "Luzes da Cidade"

Faz-se necessária uma correção à postagem Luzes da Cidade: a decoração de mau gosto da Praça Batista Campos é uma oferta da Federação das Indústrias do Estado do Pará, a FIEPA. Não há culpa direta do alcaide no fato. Indireta, porém, sim: não se colocam luzes em logradouro sem autorização da prefeitura.

De qualquer maneira, não é a FIEPA quem deveria desligar as luzes pela manhã. Nisso, a crítica permanece intacta.

O clima do Círio de Nazaré

Imagem: Heloá Canali (Portal ORM)
"Chegou o tempo de andar com um nó na garganta e não estamos falando de gravatas, mazelas nas amígdalas ou coisa que o valha. Pelas ruas de Belém, há um estouro constante de fogos de artifício e um cheiro de erva cozida, esfumaçado, saindo das panelas. A qualquer momento uma multidão pode cruzar o caminho com flores, velas, fitas e senhoras zelosas."

Não perca tempo e leia o ótimo texto do jornalista Anderson Araújo para o Círio de Nazaré, no Belém do Pará. Conseguiu traduzir linha-a-linha o clima que envolve os paraenses, nesta época tão marcante.

Leia na íntegra clicando aqui.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Luzes da cidade

Sou um opiniólogo de marca maior. Arvoro-me também a dizer que tenho um certo bom gosto estético. Por isso, feriu meus olhos a decoração que a prefeitura de Belém (leia-se Duciomar Ambiental Costa) instalou na praça Batista Campos.

Além de feias e cafonas, as luzes penduradas nas mangueiras seculares do logradouro estão claramente deslocadas no tempo: na quadra do Círio, presentes, sinos com laços, bolas coloridas e uma imagem de Nossa Senhora que mais parece um pinheiro evocam à toda evidência o Natal. Tudo regado a um colorido que se poderia chamar de pornográfico, próprio da entrada dos lupanares das novelas do saudoso Dias Gomes.

Não bastasse isso, passei agora pela manhã e vi as luzes todas ainda acesas. Vale dizer: além de gastar mal o dinheiro público com ornamentos que enfeiam uma das nossas praças mais bonitas, a prefeitura ainda vai pagar além do necessário a conta de energia elétrica de seu cometimento. Ou alguém acha que a Celpa não cobrará o consumo?

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Círio - os anjos que atravessam o Atlântico



Se tem uma época que sinto uma saudade imensa de Belém é essa semana pré-Círio...Durante muitos anos, Círio significou trabalho intenso: meses antes era pesquisa, produção, redação e intermináveis horas nas ilhas de edição. Tudo culminava com a transmissão ao vivo - que dirigi tanto na TV Liberal quanto na TV Cultura. Atiçando essa saudade, recebi hoje esse link no You Tube, de meu amigo Júnior Braga é, sem nenhum exagero, um dos melhores profissionais de produção e direção do Brasil.
É como se os anjos atravessassem o oceano e me levassem de volta para Belém.

Créditos:
Homenagem da TV Cultura ao natal dos paraense. O Círio de Nazaré.

Intérprete: Lucas Padilha
Música: Toni Soares e Guaracy Jr.
Direção: Júnior Braga
Produção: Sonia Ferro e Ana Paula Andrade
Imagens: André Mardock
Edição: Rennan Rosa

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Guerra santa fluvial


Imagem: AFP

Os alemães do leste passaram a perna no Bispo Edir Macedo e lançaram hoje na água uma igreja flutuante, denominada Vineta, que foi levada para a localidade de Magdeborn, perto de Leipzig.
Imaginem só o poder de evangelização que teria uma igreja móvel, bonita e funcional como essa, em regiões como a Amazônia.
Se a idéia pegar, em breve poderemos ter uma miniatura da Basílica deslizando no Círio Fluvial e até uma verdadeira guerra santa aquática por aqui: Universal, Quadrangular, Assembléia e quem sabe até a Católica disputando as comunidades ribeirinhas palmo a palmo com suas catedrais flutuantes.
Delírio? Analisem a imagem e projetem o custo desta “embarcação” – não parece viável?

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Carro dos Milagres

por João de Jesus Paes Loureiro, poeta entre os maiores da Amazônia.

O Carro dos Milagres é um barco.
Navega sob nave de mangueiras
nas ruas de Belém…
No tombadilho
acumulam-se pernas, troncos, braços,
cabeças destroncadas,
destroços de poesia, cacos de esperança.
Acumulam-se casas, igarités, malárias, espinhelas.
Acumulam-se mazelas e penas desta vida…

Quando, nesse barco
tripulado por sonhos,
equipagem de graças e milagres,
há de haver
o cocar de algum índio celebrado
e o punhado de terras do colono
que garantiu seu chão para viver?

Quando há de haver
no Carro dos Milagres,
como no alvo garçal de Monte Alegre,
o levíssimo pousar de aves claras
revelando
que entre nós a paz pousou na terra.


Poema transcrito do Oratório do Círio de Nazaré, publicado no bloque do poeta.


Que a luz do Círio, a fé em festa, inspire-nos e aclare nossos caminhos.