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domingo, 8 de setembro de 2013

O barbeiro-cirurgião, segundo ato

Logo após o dia amanhecer, antes do primeiro talho, Ambrósio costumava instalar a mini-caixa de som entre a parede e a pedra. Com a cumplicidade de seus pares, a benevolência dos enfermeiros e a resiliência dos enfermos de alma e de carne, Ambrósio se permitia ouvir "Il barbiere di Siviglia" (O Barbeiro de Sevilha, Rossini, 1816).  Assim disfarçava o tilintar das pinças, o fole da máquina respiratória, o gotejar do soro e o som do traçado do (próprio) coração. Eram apenas diérese, hemostasia, exérese e síntese -os fundamentos de sua ciência-, como se fossem acordes, batutas, barítonos e tenores. Era quando o barbeiro se envergava cirurgião e começava a sentir o peso da própria arte. O talho virou obra. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Brahms, melancolia e blues

Johannes Brahms



O termo melancolia tem sido usado nas neurociências como uma característica da depressão, seja na sua forma endógena, somática ou mesmo biológica, e tem a ver com a tristeza de forma direta.
Instintivamente acabamos por relacionar esta sensação a um céu cinzento, bem carregado de nuvens e/ou envolto por névoa, semelhante ao ora presente no dito inverno paraense. Se associarmos uma música triste a pensamentos ligeiramente negativos e repetidos (pensar num ente querido ausente, por exemplo), haverá uma grande possibilidade de surgir uma inquietação dentro de nós, uma agonia, como diz o sábio caboco.
Há poucos anos vivi uma experiência neurosensorial algo melancólica quando fui assistir a uma apresentação da Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz, cujo programa englobava algumas peças do compositor alemão Johannes Brahms.
O mês era dezembro e o inverno já mostrava as suas cinzas garras num dia exatamente como foi a última segunda-feira, aqui em Belém.
Enquanto a sinfônica tocava com maestria a enérgica e sombria Sonata Número 3, fui invadido por uma sensação de paixão e tristeza brutais e meu cérebro foi devastado por uma tempestade de neurotransmissores antagônicos. E tudo catalisado instantaneamente pelo lirismo romântico de Brahms.
Ao sair do da Paz fui obrigado a procurar mais melancolia e li alguma coisa de T. S. Eliot (ou algo parecido – os registros estão confusos na memória), apaziguando assim o meu sistema límbico.
Pois na última segunda, debaixo daquele temporal, sob raios e trovões, agradecendo aos deuses o fato d’eu não estar atravessando a barco a Baía do Marajó, inundei o carro com um poderoso blues de Buddy Guy, “Feels LikeRain”, e voilá, a mesmíssima sensação retornou de forma brutal.
Na hora, tive a certeza de que as mesmas áreas cerebrais e os mesmos neurotransmissores estavam envolvidos, tal a similitude e a intensidade das emoções desencadeadas nas duas ocasiões.
Foi um verdadeiro e curioso déja vu (ou déja senti?).
Lendo ontem um pouco de uma biografia de Brahms, descobri que o mesmo nutriu uma paixão (supostamente não-correspondida) pela esposa do seu mentor Schumann, Clara. Este fato, somado a uma infância difícil, às circunstâncias peculiares de sua vida profissional e a uma provável tendência depressiva, pode ter contribuído para a obra daquele que é o compositor favorito de muitos maestros e musicistas mundo afora.
E equalizando as duas experiências que vivi, cheguei a conclusão simplória de que o nosso inverno amazônico é uma espécie de guardião da melancolia que sub-existe nas profundezas de nossas mentes.
Vida longa ao inverno, ao blues e à música de Brahms!
E haja melancolia...

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O álcool e a criatividade

Modest Mussorgsky

A genialidade e o consumo exagerado de bebidas alcóolicas frequentemente se encontram em algum ponto da vida de artistas, pensadores, cientistas e mesmo de profissionais como médicos, advogados, empresários, engenheiros e professores.
O álcool, se ingerido em pequenas doses, aproxima as pessoas e as desinibe e talvez por isso tenha sido tradicionalmente um companheiro do homem em sua trajetória social desde tempos remotos. Quando utilizado como um hábito, no entanto, pode levar o usuário à obrigação de consumi-lo com frequência crescente, trazendo à tona seu enorme poder destruidor, inclusive através da devastação da capacidade criativa. Como então definir o ponto exato do início de sua nocividade e como rotular o usuário?
Em termos etimológicos, alcóolatra seria a pessoa que adora a bebida, e não necessariamente um viciado, um doente. Encaixa-se aqui a figura do colecionador de bebidas, por exemplo. Alcoolista seria aquele que nutre simpatia pelo álcool, o dito “bebedor social”, e alcoólico seria o verbete mais adequado para caracterizar o doente por abuso desta substância, aquele que é realmente dependente do álcool, ou seja, a pessoa que perdeu a capacidade de se abster do uso da bebida.
O primeiro nome que me vem à cabeça quando penso em um artista influenciado e/ou destruído pelo álcool é o do compositor russo Modest Mussorgsky, autor da famosa (e belíssima) ópera Boris Godunov (1870).
Aos 35 anos, Mussorgsky já assumia ser um bebedor inveterado, e era comumente encontrado caído pelas ruas de Moscou, como um mendigo. As suas composições passaram a ficar em grande parte incompletas, graças à interrupção do processo criativo pela intoxicação alcoólica.
Até os retratos do músico não escondem os sinais do vício, revelando um fácies típico dos alcoólicos, edemaciado e com o nariz avermelhado.
Além de Boris Godunov, sua música Noite no Monte Calvo ficou muito conhecida através do desenho Fantasia, de Walt Disney, assim como a releitura de Quadros de uma Exposição, feita nos anos 1970 pelo grupo inglês de rock progressivo, Emerson, Lake & Palmer.
Mas como impedir a transformação de um alcoolista em um alcoólico, evitando assim a destruição social e profissional de uma pessoa?
Parece não haver uma só resposta, pois a complexidade do tema envolve fatores genéticos, ambientais e psicológicos.
Nós, humanos, temos prazer em beber e tal pode ser cultuado sem culpa, desde que os nossos cérebros saibam nos fazer parar alguns passos antes da intoxicação.
Saúde!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Schumann e a psicose


Robert Schumann

Há muitos anos eu ouvi uma história curiosa sobre o renomado compositor musical alemão Robert Alexander Schumann e que tomei como verdadeira até a presente data.
Segundo um amigo pianista, Schumann havia tentado o suicídio por volta dos 40 anos de idade por não suportar mais ouvir a nota de forma ininterrupta, dia após dia, e que a causa de tal distúrbio teria sido uma otite adquirida na infância.
Pois hoje ganhei de presente um livro curioso, escrito por André Luiz Iorio, psiquiatra da USP-SP, chamado MÚSICA E PSICOSE - A COMPLEXA VIDA E OBRA DE ROBERT SCHUMANN (Editora Leitura Médica), que abalou a minha ideia pré-concebida sobre o compositor.
O autor, além de médico psiquiatria, tem extensa formação musical em piano, harmonia e contra-ponto, e fez uma profunda análise fenomenológico-existencial que passou pelas cartas da juventude, pelo diário pessoal do músico, chegando até às suas partituras.
Apesar do tom estritamente científico da obra, fica bem claro que a música de Schumann expressa de forma brutal, e ao mesmo tempo cristalina, as forças escondidas que emanavam de sua existência atormentada.
Schumann era portador de uma forma de psicose e a nota poderia ser "apenas" uma alucinação auditiva.
Fiquei pensando em quantos gênios, de tantas áreas do conhecimento humano, não sofreram (ou sofrem) de doenças mentais ou neurológicas, e em quanto a patologia não tem sido importante para as artes, ciências, religiões e para a própria história da humanidade.
Afinal, existe um linha de pensamento na moderna neurologia que diz mais ou menos assim: "toda doença pode trazer algo de bom para o paciente, redundando numa vida melhor do que o mesmo apresentava antes de adoecer".
Será?!...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

3º Encontro de Cordas da Amazônia


O poster recebe convite e divulga com o máximo prazer. Amanhã, dia 16, às 19 horas na Sala Ettore Bosio, vai acontecer o 3º Encontro de Cordas da Amazônia. Uma boa pedida.
Clique na imagem para ampliar e ver mais detalhes.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Gustav Mahler: Sinfonia No.4, em Sol Maior





Depois de uma breve apresentação (aqui) sobre o gênio que considerava-se "apátrida" (e quem de nós já não se sentiu assim, num dado momento da vida?). Finalmente consegui a íntegra da 4ª Sinfonia, em Sol Maior, de Gustav Malher – que procurava há alguns anos.

Optei por esta interpretação pelos motivos a seguir.

Breve ficha técnica

Tonalidade principal: Sol maior

Composição: 1899-1901

Revisão: 1910

Estréia: Munique, 25 de Novembro de 1901 (Margarete Michalek, soprano e regência de Mahler)

1a. Publicação: 1902 (Viena, Waldheim-Eberle)

Instrumentação:

4 flautas (2 alternando com piccolos)

3 oboés (um alternando com corne-inglês)

3 clarinetes (um alternando com clarone)

3 fagotes (um alternando com contrafagote)

4 trompas

3 trompetes

Tímpano

Sinos

Pratos

Glockenspiel

Triângulo

Tam-Tam

Bombo

Harpa

Quinteto de cordas (violinos I, II, Violas, cellos e baixos)

Soprano solo

Duração: aprox. 60 minutos

Movimentos:

I- Bedächtig. Nicht eilen

II- In gemächlicher Bewegung. Ohne Hast

III- Ruhevoll (poco adagio)

IV- Sehr Behaglich

Texto:”Das himmlische Leben” (vida celeste), da ‘Trompa mágica do menino’

Comentários: Muito diferente das anteriores, apesar de manter íntima relação com as canções do Das Knaben Wunderhorn, a Quarta é uma sinfonia de rara transparência e beleza. Mahler, que recentemente havia travado contato mais profundo com a obra de J.S. Bach, procurou nela fugir dos grandes efeitos de massa e encontrar na simplicidade da combinação timbrística e contrapontística o ponto de equilíbrio desta obra. Assim, prescindiu dos metais pesados (trombones e tubas) e trabalhou com uma orquestração extraordinariamente econômica para seus padrões. Seu final estava originalmente programado para encerrar a Terceira, mas Mahler, muito sabiamente, escreveu para aquela um outro. Mais aqui.

A quarta sinfonia de Mahler foi composta entre 1893 e 1896, mas estreou somente em 1901. Curiosamente, a obra começou a ser escrita pelo quarto movimento, originalmente concebido como passagens na terceira sinfonia. Mahler, entretanto optou por escrever uma nova sinfonia tomando por base essa composição, acrescentando-lhe as três partes iniciais.

Sinfonia 4, Primeiro Movimento, Mahler

O primeiro movimento é absolutamente clássico na forma, com suas três seções principais (exposição, desenvolvimento e recapitulação) claramente delimitadas. Até mesmo a escolha das tonalidades em que são expostos os dois temas principais (tônica e dominante, respectivamente) é rigorosamente formal, tal como numa sinfonia de Haydn. Chama a atenção, entretanto, a figura inicial dos guizos (instrumentos tradicionalmente atrelados a cavalos), que parece convidar o ouvinte para uma longa viagem. De fato, esses mesmos guizos aparecerão novamente no quarto movimento, onde se conhecerá o destino da viagem. Uma breve prévia de temas da Sinfonia 5 em Do sustenido menor se desenha, apresentando sugestões que serão melhor trabalhadas nessa sinfonia alguns anos depois. A pintura que executei inspirada nesse movimento foi um anjo sentado sobre um globo, onde ele observa algo no céu acima dele. A exploração de algo que ainda não sabemos, de uma viagem pelo desconhecido. A trombeta em seu colo repousa, marcando que algo certamente será anunciado.

Sinfonia 4, Segundo Movimento, Mahler

Também o segundo movimento tem forma clássica – um scherzo com dois trios. A inspiração aqui é uma pintura de Arnold Böcklin, intitulada “Freund Hein spielt auf” (O amigo Hein toca). O tal amigo Hein, esclareça-se, é uma representação alegórica da morte, que traz um inocente violino no lugar da foice. Com fina ironia, Mahler aqui escreve um solo de violino em scordatura (quando as cordas do violino são afinadas de maneira especial) que soa propositadamente estridente. Nos dois trios, o tom sarcástico do scherzo cede lugar ao ländler – danças folclóricas alemãs que lembram o antigo minueto. A pintura que executei é clara: a morte e seu violino, ao invés da foice. Sua forma lânguida, seus cabelos brancos e pele claríssima a tornam uma figura incomum, mas previamente reconhecível. Diferente do conceito de morte que nos é passado no decorrer da vida. Devo ressaltar, que Mahler não somente enchergava a morte de forma pesarosa e de perda, mas também a via de forma gloriosa, à qual deveremos chegar triunfantes e merecedores de sua graça. Quem desse violino a melodia ouvir, flanará com o que se decorre após.

Sinfonia 4, Terceiro Movimento, Mahler

O terceiro movimento, lento e melancólico, tem a placidez de uma lápide. O tema principal, inicialmente apresentado pelos violoncelos, passa por diversas variações em que o ritmo vai se intensificando. Este tema é às vezes intercalado por outro em que se cria no ouvinte uma expectativa frustrada: quando se espera o clímax, sobrevém na verdade o colapso de toda música. Esta atitude é muito comum na obra de Mahler. Pouco antes do final deste movimento, entretanto, aparece um exuberante clímax verdadeiramente mahleriano, na tonalidade de mi maior, justamente aquela em que se encerrará a sinfonia. A pintura aqui nos passa algo de total perda e tristeza. Como uma lápide, a imagem esguia apenas lamenta, sem lágrimas. Parafraseando uma passagem famosa de Drummond, “A vontade de chorar é tanta, que perplexa ela se cala.”

Sinfonia 4, Quarto Movimento, Mahler

Das Himmlisches Leben

O quarto movimento é o ponto focal da sinfonia. Aqui aparece a soprano solista, cantando “Das himmlische Leben” (A Vida no Paraíso) – poema popular alemão, de autoria desconhecida, parte do ciclo “Des Knaben Wunderhorn” (O Garoto e sua Trompa Mágica), utilizado por Mahler em várias composições. “Das himmlisches Leben” é o canto de uma criança que morreu e nos descreve o paraíso, com suas comidas deliciosas e abundantes, seus personagens e afazeres, sua música perfeita. As estrofes são intercaladas por breves interlúdios orquestrais, onde se sobressai o guizo do primeiro movimento. Nas duas primeiras estrofes a música vai se esvanecendo, terminando em total placidez nas notas mais graves da harpa e do contrabaixo. Na pintura desse anjo que executei, passo o ritmo da melodia serena deste quarto movimento da sinfonia. Como se quem canta é ele, ou quem nos traz a melodia no ar é ele. A mão segura algo. O que?! Uma áurea de mistério. O que nos anuncia? A letra da música nos dira, mas muito suscintamente. Uma prévia do que Mahler acredita encontraremos.

Excertos de texto do Maestro Flavio Florence, titular da Orquestra Sinfônica de Santo André de 1988 até 2008, quando faleceu. Discussão e montagem por Felipe de Moraes.

As sinfonias de Mahler costumam ser divididas em três períodos. E cada período faz com que as obras se relacionem entre si, tornando a produção artística de Mahler um universo único e constante que merece ser compreendido em sua totalidade.

As sinfonias do Primeiro Período são conhecidas como Sinfonias Wunderhorn, e abrangem as sinfonias 2, 3 e 4. Elas têm esse nome porque têm vínculos com as canções feitas por Mahler do ciclo de poemas conhecido como Das Knaben Wunderhorn, já mencionados acima. Pode-se dizer que elas representam a busca de Mahler por uma fé firme e ao mesmo tempo uma busca para suas respostas acerca da existência.

A Sinfonia 1 usa elementos das canções do ciclo de poemas Lieder Eines Fahrenden Gesellen (Canções de um Viajante Errante) e Das Klagend Lied (A Canção do Lamento). É puramente instrumental e também tem certa relação com Das Knabem Wunderhorn, ainda que de maneira mais indireta.

As sinfonias do Segundo Período, a 5, a 6 e a 7, costumam ser chamadas de Sinfonias Rückert. Elas têm esse nome porque a composição delas foi influenciada pelas canções que Mahler compôs sobre os poemas de Friedrich Rückert (1788-1866). Elas são puramente instrumentais e as mais trágicas do ciclo sinfônico.

O Último Período não tem nome e abrange as últimas obras do artista: as sinfonias 8, 9 e a inacabada 10, além da sinfonia canção Das Lied von Der Erde (A Canção da Terra). A voz humana é usada em grande arte da Sinfonia 8, e ela costuma ser chamada às vezes de Sinfonia Coral.

As sinfonias 9 e 10 são instrumentais, e o poema sinfônico Das Lied von Der Erde é cantado, ao redor do qual existe um certo mistério. A princípio era para ser a Sinfonia 9, mas por superstição, Mahler preferiu que fosse conhecida como um poema sinfônico.

A interpretação que ouviremos é executada por Daniel Harding ao comando da Orquestra de Câmara Mahler, tendo como soprano solista Dorothea Röschmann, no quarto movimento. Gravação realizada nos dias 27 e 28 de janeiro de 2004, no Auditório G. Agnelli, no Centro Congressi Lingotto, em Turim, Itália.

Gosto muito dessa interpretação, ela explora profundamente a dinâmica, indo do extremo pianíssimo ao extremo fortíssimo. O colorido orquestral dos instrumentos é muito bem calculado e equilibrado. Uma referência para a interpretação dessa obra. Dorothea Röschmann não menos esbanja elegância, charme e intensidade interpretativa.

Gustav Mahler (1860-1911)

Sinfonia n.º 4 em Sol maior

I – Bedächtig. Nicht eilen – Recht gemächlich

II – In gemächlicher Bewegung. Ohne Hast

III – Ruhevoll

IV – Sehr behaglich

Das himmlisches Leben

Wir genießen die himmlischen Freuden,

d’rum tun wir das Irdische meiden.

Kein weltlich Getümmel

hört man nicht in Himmel!

Lebt alles in sanftester Ruh!

Wir führen ein englisches Leben!

Sind dennoch ganz lustig daneben!

Wir tanze und springen,

wir hümpfen und singen!

Sankt Peter im Himmel sieht zu!

Johannes das Lämmlein auslasset,

der Metzger Herodes drauf passet!

Wir führen ein geduldig’s,

unschuldig’s, geduldig’s,

ein lieblisches Lämmlein zu Tod!

Sankt Lukas den Ochsen tät schlachten

ohn’ einig’s Bedenken und Achten;

der Wein kost’kein Heller

im himmlischen Keller;

die Englein, die backen das Brot.

Gut’ Kräuter von allerhand Arten,

die wachen im himmlischen Garten!

Gut’ Spargel, Fisolen

und was wir nur wollen!

Ganze Schüsseln voll sin duns bereit!

Gut’ Äpfel, gut’ Birn’ und gut’ Trauben,

die Gärtner, die alles erlauben!

Willst Rehbock, willst Hasen?

Auf offener Straßen

sie laufen herbei!

Sollt ein Fasttag etwa kommen,

alle Fische gleich mit Freude angeschwommen !

Dort läuft schon Sankt Peter

mit Netz und mit Köder

zum himmlischen Weiher hinein.

Sankt Martha die Köchin muss sein!

Kein Musik ist ja nicht ayf Erden,

die unsrer verglichen kann warden.

Elftausend Jungfrauen

zu tanze sich trauen!

Sankt Ursula selbst dazu lacht!

Cäcelia mit ihren Verwandten

sind treffliche Hofmusikanten!

Die englischen Stimmen

ermuntern die Sinnen,

dass alles für Freuden erwacht.

A Vida no Paraíso (Tradução do alemão )

Nos divertimos com os deleites do Paraíso,

então evitamos todas as coisas terrestres.

Nenhum clamor mundano

é ouvido no Paraíso

Tudo vive na mais gentil paz!

Levamos uma vida angelical!

Mas somos completamente alegres!

Dançamos e saltamos,

saltitamos e cantamos!

São Pedro no Paraíso observa!

João deixa o pequeno cordeiro livre,

o açougueiro Herodes o vigia!

Conduzimos docilmente,

inocente, docilmente,

doce pequeno cordeiro à sua morte!

São Lucas o boi abate

sem sequer um pensamento ou cuidado;

o vinho custa nem um centavo

na adega do Paraíso;

os anjos, eles que assam o pão.

Finas ervas de variados tipos,

crescem no Jardim do Paraíso!

Requintados aspargos, feijões

e qualquer coisa que queiramos!

Pratos inteiros são para nós preparados!

Boas maçãs, boas peras e boas uvas,

os jardineiros, nos permitem tê-las todas!

Quer carne de veado ou de lebre?

Nas largas alamedas

eles correm livres!

Se o dia de jejum se aproxima,

todos os peixes vêm alegremente nadando!

Correndo vem São Pedro

com sua rede e suas iscas

dentro da lagoa divina.

Santa Marta deve ser a cozinheira!

Não há música na Terra

que possa ser comparada com a nossa.

Onze mil virgens

se lançam à dança!

Santa Úrsula, entretanto, ri!

Cecília e seus parentes

são excelentes músicos de corte!

As angelicais vozes

deleitam os sentidos,

para que todos acordem para a alegria.

Retirado daqui.

A Quarta Sinfonia em sol maior de 1899-1900 pode ser considerada um epílogo para as três primeiras sinfonias. É a sinfonia mais intimista e em menor escala de Mahler, com orquestra reduzida e virtualmente nenhum efeito grandioso. Não se pode falar de simplismo ingênuo em ligação com uma composição tão sutil e disciplinada, mas a atmosfera é certamente infantil, de modo sumamente apropriado. Não admira que seja a mais popular e acessível sinfonia de Mahler, e é a primeira em que ele se conservou fiel aos quatro movimentos do modelo clássico.

Pensou em subintitulá-la Humoresque – uma pista (se alguma fosse necessária) para suas ligações com as canções Wunderhorn e, em especial, com Wir geniessen die himmlischen Freuden, composta em março de 1892. Um dos primeiros planos para a sinfonia mostra que sua concepção precedeu a Segunda e a Terceira – mais uma prova de que as sinfonias de Mahler são uma cadeia contínua e interligada ou, para usar um paralelo literário, uma vasta novela autobiográfica, da qual cada sinfonia é um capítulo. A teoria de Paul Bekker, depreciada por Neville Cardus, de que toda a sinfonia foi germinada por essa canção, parece-me convincente.

Cada movimento está tematicamente inteligado à maneira usual e alusivamente sutil de Mahler. Em todo caso, eis as próprias palavras de Mahler a Natalie Bauer-Lechner em 1901 : “Eu queria realmente escrever uma humoresque sinfônica que acabou se convertendo numa sinfonia completa, enquanto que antes, quando queria que se tornasse uma sinfonia, ganhou o tamanho de três (dois pontos) as minhas Segunda e Terceira”.

O primeiro movimento é melodicamente profuso, sua tessitura e estrutura constituindo um avanço sobre tudo o que Mahler compusera até então. Nunca um contraponto foi mais inventivo. A lucidez e o frescor do material recordam, com freqüência, mais Haydn do que Schubert. O estado de espírito de Mahler é aqui dominado pela descontração, o mundo dos conflitos e agressões é ignorado, quando não esquecido. É inesquecível a sua vibrante abertura – ele qualificou-a de “melodia divinamente alegre e profundamente melancólica” (…).

Dessa obra tão conhecida e amada dificilmente será necessário fazer mais do que lembrar suas belezas: a delicada coda do primeiro movimento, por exemplo – sancta simplicitas, se alguém jamais a ouviu; e o levemente fantasmagórico scherzo, associado de forma tão maravilhosa por Cardus às sombras projetadas pela luz de vela na parede de um quarto de criança. Nessa fantasia-Ländler, Mahler faz muito uso de um violino solo, com uma scordatura que permite tocar um tom inteiro mais alto do que o resto e faz o instrumento soar como “ein Fiedel”, o precursor medieval do violino e a origem da palavra inglesa fiddle. Num dos primeiros esboços, Mahler escreveu dessa passagem : “Freund Hain spielt auf”. O amigo Hain que toca era um violino espectral que guiava o caminho para a eternidade ou a perdição. Os demônios de Mahler estão de folga nessa sinfonia e o amigo Hain é mais pitoresco do que macabro. Entretanto, cumpre recordar a descrição que Mahler fez da composição dessa sinfonia:

Por causa da lógica irresistível de uma peça que tive de alterar, todo o trabalho subseqüente tornou-se confuso para mim e, para minha estupefação, eu tinha penetrado num domínio totalmente diferente, tal como num sonho nos imaginamos vagueando pelos jardins do Eliseu, entre flores de suaves aromas, e subitamente o sonho converte-se num pesadelo em que nos vemos lançados num Hades cheio de terrores. As pistas e emanações desses mundos, para mim horrendos e misteriosos, são freqüentemente encontradas em minhas composições. Desta vez, é uma floresta com todos os seus mistérios e horrores que força minha mão e se entretece em minha obra. Está ficando cada vez mais claro para mim que um indivíduo não compõe, mas esta sendo composto.

Daí o calafrio que, com freqüência, se apodera dessa obra luminosa, mesmo no adágio.

O final do scherzo, após uma sutil alusão ao tema do finale, tem um toque de severidade que se dissipa no adágio, o mais sereno movimento de Mahler, embora seu fluir tranqüilo seja interrompido, primeiro por dança e, depois, por uma “desintegração” apaixonada, tão poderosa quanto qualquer outra passagem da Quinta e da Sexta Sinfonias e, obviamente, o “Hades cheio de horrores” acima mencionado. Numa soberba passagem perto do final, a música explode sobre o ouvinte como um religioso afresco do Paraíso. Mahler usou a forma variação nesse movimento e pode assim, com extraordinária habilidade, manter lado a lado e interligadas as atmosferas de contentamento infantil do céu, um “céu azul sem nuvens” com Marta cozendo o pão e vozes angélicas entoando hinos a Santa Cecília.

A Sinfonia em sol maior foi publicada em 1902, mas Mahler reviu-a diversas vezes. É difícil acreditar que uma obra tão encantadora pudesse ter tido um acolhimento inicial tão frio – até mesmo a Alma ela desagradou – e que Mahler a descrevesse como uma “enteada perseguida”.

Sua revisão final, para suas duas récitas de Nova York, foi feita em 11 de outubro de 1910, mas Erwin Stein, na década de 1920, descobriu uma coleção de provas com revisões ainda mais extensas visando, como de costume, uma clareza cada vez maior. Incluíam mudanças de dinâmica e de sinais de expressão, e alterações tais na partitura como o reforço da melodia do oboé em quatro compassos no movimento lento pelo trompete com surdina, corne inglês e trompa, e uma redução do acompanhamento no finale. Também foram mudadas varias direções de ritmo. É como se Mahler, toda vez que regia suas próprias obras, voltasse a compô-las.

(KENNEDY, Michael. Mahler. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988 P. 109-112).

É isso aí. Espero que sintam o profundo prazer que eu mesmo tive, ao apreciar, peça de tamanha envergadura.

Gustav Mahler ( 1860-1911 ) - Sinfonia Nº 4 - Kubelik - Bavarian Symphonic Orchestra

1 - Bedächtig. Nicht eilen

2 - In gemächlicher Bewegung. Ohne Hast

3 - Ruhevoll (poco adagio)

4 - Sehr Behaglich

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

150 Anos do Genial Gustav Mahler

As gravadoras Deutsche Gramophon e Decca associaram-se para comemorar os 150 anos de nascimento de Gustav Mahler, um gigante musical da música clássica. Para registrar o evento, será lançada uma caixa de cds com o título Mahler - The People's Edition. Como o próprio título sugere se tratam das melhores versões ao gosto popular, mas com um diferencial: você escolhe por voto qual será o contéudo dos discos e no caso das músicas que você selecionar serem incluídas seu nome constará do livreto que acompanhará os discos. Para os que admiram a música de Mahler, a urna está aqui. Votem!

terça-feira, 6 de julho de 2010

O emprego que eu gostaria

Enquanto enfrenta problemas de desemprego, existe um nicho nos EUA que os tem de sobra. Mas não é qualquer emprego. A Orquestra Filarmônica de NYC tem nada menos que 12 vagas para músicos, tudo por conta de aposentadorias, saídas em busca de melhores oportunidades ou mesmo, posições há longo tempo sem candidatos. Mas não é só isso. A igualmente famosa Orquestra Sinfônica de Boston possui 10 vagas para preencher em seus quadros. Há vagas para clarinetistas, flautistas, celistas, violinistas, entre outros. Alguém se interessa? Leia mais no The New York Times.
OBS: as duas famosas orquestras citadas possuem ótimos websites. Clique nos links e veja.
*Imagem: Hiroyuki Ito para o The New York Times.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Coro Carlos Gomes no Itamaraty

Na noite de ontem o Coro do Conservatório Carlos Gomes apresentou-se no jantar para a delegação russa na Sala Brasil do Palácio do Itamaraty. A delegação está em visita oficial ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. Além de ficarem emocionados com o repertório que incluiu peças musicais russas, como as de Seguei Tanyev (interpretação que deu ao grupo medalha de ouro em concurso na Áustria), os visitantes impressionaram-se com o domínio perfeito do idioma russo pela maestrina Maria Antonia Jimenez. De origem cubana, Jimenez fez todo o seu estudo musical em Moscou na época da extinta URSS. Parabéns ao Pará e ao Brasil pela apresentação primorosa.

domingo, 11 de abril de 2010

Dois monstros sagrados do Jazz

Errol Garner e Oscar Peterson.

Absolutamente abduzido pelo documentário que assisti sobre a vida do menino prodígio Nelson Freire. Vocês já ouviram falar dele?

A ficha caiu instantâneamente: eu tenho tudo do Errol Garner!

Freire depôs:
- Tocar piano pra mim é amar. Um ato como respirar. Vou citar um exemplo: Errol Garner.
Errol tocava piano com amor, com alegria...
Eu toco piano com a minha alma. Cada nota, em qualquer lugar; não importa: aproximo-me de mim e agraço a Deus.

Nota do blog: Nelson Freire é mineiro e é considerado pela crítica clássica, o melhor pianista do mundo. Completa neste ano 70 anos de idade e está, completamente entusiasmado em executar Chopin - em homenagem aos 200 anos de seu nascimento, na reinauguração da Sala São Paulo.

Eu vou. Vamos?

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Tocatas & Fugas de Bach

* Legenda



Senhores (as) leitores (as), que tal a idéia de uma linha imaginária em que o objetivo principal é costurar uma teia sonora, a partir de um tema musical qualquer e sustentá-lo com apurado bom gosto, técnica impecável, variar o tema dentro de ambiente em que observa-se a clara intenção de fuga: isso mesmo! Uma fuga angustiante e ao mesmo tempo recorrente ao objetivo principal do tema; tudo isso sem descaracterizar a idéia inspiradora sonora, ou seja, sem macular a base dos acordes ao qual se imaginou no princípio da composição?!

Parece difícil imaginar tal tese?

-- Eu mesmo respondo:

Além de difícil, isso é tarefa que poucos arriscaram-se a fazê-la.

Hummm! Alguns certamente dirão. Que texto prolixo Val-André! Ocorre que é isso mesmo.

A técnica da fuga, quando falamos em música clássica é algo estupendo, dificílimo de executar; absolutamente compensador para os músicos que a dominam, algo como um êxtase supremo que abraça os sentidos, atingindo certeiramente o âmago da alma, fazendo aqueles que têm o privilégio da atenção; o gosto pelas belas coisas dessa vida; a busca pela realização completa de um termo passageiro, porém, nunca fugás.

Assim, descrevo Johan Sebastian Bach ao acumular um inigualável portfólio de Tocatas & Fugas, só comparável a outro gênio musical, em seus momentos mais inspirados ao piano e na arte da composição para Orquestra: Mozart.

Em música, a fuga é um estilo de composição contrapontista, polifônica e imitativa, de um tema principal, com sua origem na música barroca. Na composição musical o tema é repetido por outras vozes que entram sucessivamente e continuam de maneira entrelaçada.

Começa com um tema, declarado por uma das vozes (instrumento condutor) isoladamente. Uma segunda voz entra, então, "cantando" o mesmo tema mas noutra tonalidade, enquanto a primeira voz continua desenvolvendo com um acompanhamento contrapontista. As vozes restantes entram, uma a uma, cada uma iniciando com o mesmo tema. O restante da fuga desenvolve o material posterior utilizando todas as vozes e, usualmente, múltiplas declarações do tema.

Estas técnicas estilísticas todas, típicas de várias músicas de J. S. Bach, das suas invenções, das aberturas, nas partitas, tocatas, e especialmente usada nas fugas, deram-se origem primeiramente na forma musical chamada de cânone, mas que Bach elabora mais ainda, explorando a fuga com a forma de variações sobre o tema, variando o tom, o ritmo e especialmente a voz, com uso de imitação, assim como com uso de tema retrógrado, de inversão do tema, ou espelhando-o, modulando-o, expandindo-o, sintetizando-o, ou transpondo-o, em fim, utilizando ao máximo exaustivo das demais técnicas da forma de tema e variação na fuga, que o próprio nome já indica, como se o compositor estivesse fugindo e perseguindo o tema (perseguindo todas as pequenas partes do tema espalhados pela música) com cada uma de suas diversas variações.

A fuga evoluiu durante o Século XVIII, a partir de várias composições contrapontistas: ricercares, caprichos, canzonas, fantasias. Compositores do barroco intermediário e final, tais como Dieterich Buxtehude (1637–1707) e Johann Pachelbel (1653–1706) fizeram grandes contribuições para o desenvolvimento da fuga e o gênero atingiu o ápice de sua maturidade nas obras de Johann Sebastian Bach (1685-1750). Com o declínio de estilos sofisticados do contraponto no fim do Período Barroco, a popularidade da fuga como um estilo de composição enfraqueceu-se, eventualmente abrindo o caminho para a forma-sonata, a qual aprecio de paixão. Contudo, compositores de 1750 até o dia de hoje continuam a escrever e estudar a fuga com vários propósitos; elas aparecem no trabalhos de Wolfgang Amadeus Mozart na dupla fuga barroca, que já fora usada antes por Bach e Haendel (ie. no "Kyrie Eleison" do Réquiem em Ré menor-1791), e Beethoven (i.e. no fim do "Credo" da Missa Solemnis-1822), e muitos outros compositores como, Anton Reicha (1770–1836), Dmitri Shostakovich (1906–1975) escreveram ciclos completos de fugas. Felix Mendelssohn (1809–1847) também foi um compositor prolífico de fugas que mantêm um forte vínculo com o estilo de Bach e ainda assim soam novas e originais. As fugas de Mozart também são tão, ou mesmo mais, aderentes ao estilo barroco quanto as de Mendelssohn.

A palavra fuga vem do latim fugare (perseguir) e fugere (fugir). As variações incluem: fughetta (uma pequena fuga) e fugato, uma obra ou seção parecendo uma fuga sem, necessariamente, aderir às regras de formação de uma fuga. A forma adjetiva de fuga é fugal.

Acompanhem comigo, uma aula magistral de tocata & fuga de J.S. Bach e que encerro com uma bela Cantata pois, será o gancho para o próximo post em que discursaremos sobre esse outro pilar da técnica clássica.

Acredito que gostem tanto como eu aprecio selecionar o melhor de meu material. Quase todos fora de catálago.

Set List

1. Toccata and Fugue, for organ in D minor, BWV 565 (BC J37)
2. Cantata No. 51, 'Jauchzet Gott in allen Landen,' BWV 51 (BC A134): Jauchzet Gott in allen Landen
3. Cantata No. 140, 'Wachet auf, ruft uns die Stimme,' BWV 140 (BC A166): Wachet auf
4. Brandenburg Concerto No. 4 in G major, BWV 1049: Allegro
5. Orchestral Suite No. 3 in D major, BWV 1068: Air on the G String
6. Concerto for harpsichord, strings & continuo No. 1 in D minor, BWV 1052: Allegro
7. Cantata No. 208, 'Was mir behagt,' (Hunt Cantata), BWV 208 (BC G1, G3): Sheep May Safely Graze
8. Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067: Polonaise
9. Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067: Menuet
10. Orchestral Suite No. 2 in B minor, BWV 1067: Badinerie
11. Cantata No. 147, 'Herz und Mund und Tat und Leben,' BWV 147 (BC A174): Jesu, joy of man's desiring
12. Brandenburg Concerto No. 2 in F major, BWV 1047: Allegro assai

* Fotografia de Val-André de quadro em que J.S. Bach atua na corte de Frederico, O Grande: tocando órgão diante do rei, em 7 de agosto de 1747, na cidade de Postdam, Alemanha.

O mestre dos mestres musicais




Numa mesa de bar; num banco de igreja; esperando na fila do caixa eletrônico; confortavelmente instalado numa cabine de um transatlântico; contando as horas para que o avião chegue, de modo a saciar a ansiedade de ver a pessoa amada e tascar-lhe um apaixonado beijo; num dia chuvoso ou num dia de esplêndido sol; ao lado da fogueira com amigos num acampamento em lugar ermo e especial desse mundão de meu Deus. Não importa!

Se perguntarmos a qualquer intérprete, musicólogo ou compositor. Se indagarmos a qualquer desses muitos gênios musicistas, cada vez mais acessíveis, -e, no meu caso, dentro de minha própria casa (meu filho e meu sobrinho são músicos assombrosamente talentosos desde tenra idade). Qual o músico que mais admira, certamente uma imensa maioria, senão a totalidade, responderá sem hesitar: Johann Sebastian Bach. Essa unanimidade - que com certeza só quebrariam aqueles que o desconhecem e, sendo assim, não podem ser considerados músicos nem pessoas cultas - é a maior prova de seu valor, o reconhecimento de sua genialidade. Muito já se escreveu sobre esse assombroso músico e compositor, ocorre que este que vos comunica afirma: a genialidade em toda a obra e históricamente falando sobre música, foi consolidada graças à J.S. Bach.

Bach é único, inimitável, impossível de superar em qualquer um dos aspectos da técnica, no domínio de todos os ramos da música e sobretudo na inspiração. Qualquer pessoa que o ouça fica subjugada por seu talento. Se nos perguntarem de qual de sua composições mais gostamos, sentimos extrema dificuldade de responder, porque teríamos de citar, uma após outra, dezenas e dezenas delas, e em cada uma veríamos passagens de um valor e de uma beleza tais que só em outra obra sua encontraríamos. Não creio que esteja exagerando.

Publicarei aqui parte do que considero as obras-primas do músico ocidental mais influente de todos os tempos. Tentarei, também, descrever com as minhas modestas impressões, alguns conhecimentos sobre esse monumental homem, seus pensamentos, origem, influências... enfim. Proponho-me ao desafio de compartilhar informações adquiridas ao longo de minha vida, da vida de meu pai e de meu avô paterno, de quem herdei livros, discos, como também, o entusiasmo de um querido amigo e mentor, médico, italiano, apaixonado por música clássica; magistral pintor e inesquecível figura que forjou muito do que hoje sou. E é a ele que dedico com muito entusiasmo esta série que agora publico.

Dr. Amadeu Vivacqua. Onde estiveres e sei que estás bem, continue influenciando meus caminhos. Amém!

Set List


Regente/Violino-Solo: Jonathan Carney, conduzindo magistralmente a Royal Philharmonic Orchestra de Londres
Órgão: James Parson [+]
Trompete: Mark Bennet
Solistas: Martin Innes, Susan Bullock [++]
Flautas: Robert Winn, Julian Coward

1 Jonathan Carney: Royal Philharmonic Orchestra - Concerto N.° 147, “Jesus Alegria dos Homens”, BWV 147 / * A segunda música mais bonita jamais composta em minha opinião.
2 Jonathan Carney: Royal Philharmonic Orchestra - Tocata e Fuga em Ré Menor, BWN 565 [+]
3 Susan Bullock; Jonathan Carney: Royal Philharmonic Orchestra - Cantata N.° 51, “Jauchzet Gott In Allen Landen”, BWV 51 [++]
4 Jonathan Carney: Royal Philharmonic Orchestra - Cantata N.° 140, “Wachet Auf”, BWV 140 * / * A terceira música mais bonita de todos os tempos. Em post anterior, dedico a Mahler a música mais bonita jamais composta.
5 Jonathan Carney: Royal Philharmonic Orchestra - Concerto de Brandenburgo N.° 4, BWV 1049 (I. Allegro)
6 Jonathan Carney: Royal Philharmonic Orchestra - Ária na Corda Sol da Suíte N.° 3, BWV 1068
7 Martin Innes; Jonathan Carney: Royal Philharmonic Orchestra - Concerto para Cravo N.° 1, Em Ré Menor, BWV 1052 (I. Allegro) [++]
8 Jonathan Carney: Royal Philharmonic Orchestra - Cantata N.° 208, “Sheep May Safely Graze”, BWV 208
Suíte N.° 2 em Si Menor para Flauta, BWV 1067
1 Jonathan Carney: Royal Philharmonic Orchestra - Polonaise
2 Jonathan Carney: Royal Philharmonic Orchestra - Minueto
3 Jonathan Carney: Royal Philharmonic Orchestra - Badinerie
Concerto de Brandenburgo N.° 2, BWV 1047 (III. Allegro Assai)

terça-feira, 16 de março de 2010

Leitor enriquece a série sobre música clássica

Comparecendo com comentários que estão enriquecendo os especiais que estamos, de acordo com a disponibilidade de tempo deste poster, publicando aqui no Flanar sobre os grandes compositores e virtuoses da música clássica; trago ao palco principal o comentário do leitor Nilson Soares, evidentemente por se tratar de um entusiasta do grande gênero em tela.

Prezado Val,

Muito bons seus comentários. Excelente citação de Eduardo Rincon, crítico virtuoso com uma habilidade de expressar impressões sonoras inigualáveis. Já tivemos um maravilhoso que tinha programa semanal na Rádio Mec FM, o falecido e saudoso Arthur da Távola (como político não conheci sua obra).

Os trabalhos prediletos de Chopin para mim são os puramente pianísticas, concordo um pouco com o Francisco, mas não ao ponto de dizer que não aprecio as orquestrais.

Na verdade eu até evito de ouvir algumas músicas de Chopin, porque minha veneração por elas é tão grande que acho que só em ocasiões muitíssimo especiais posso ouví-las.

Alguns críticos reclamam muito da escola romantica na música, dizem que não é uma criação elaborada como a altura do barroco de Bach, Vivaldi, Haendel e de outros compositores do período chamado clássico (1750-1810), Beethoven, Mozart, Haydn: E daí?

Prezado Val, permita-me anexar um link para evidenciar que o romantismo de Chopin, tornou justificáveis a melancolia e a contenção do sofrimento, da amargura, pura e simplesmente para rasgá-las em explosão de notas de deslumbramento:

http://www.youtube.com/watch?v=W8Md2-o5OB8&feature=channel

Prezado Val, relativamente ao Salieri, acho que Peter Shaffer, escritor da peça teatral que inspirou Milos Formam a criar um roteiro para o cinema em Amadeus, na verdade queria homenagiar tanto Salieri como Mozart, com uma grande brincadeira, mas infelizmente, concordo, o grande público não entendeu bem a anedota e ficou mal para o italiano, muitos vêem (o "^" não se usa mais não é?) inclusive a história como verdadeira.

Abs,

Nilson

domingo, 14 de março de 2010

Estado da arte, Parte II: Frédéric Chopin

Reprodução



















Retrato realizado pelo célebre pintor Eugène Delacroix, em 1838, amigo íntimo de Chopin



Comemora-se em vários lugares do mundo os 200 anos do nascimento do gênio do piano.
Concertos, festivais e semanas inteiras dedicadas ao imortal compositor e solista, agitam a programação musical de vários países.

Como bem escreveu o crítico musical e maestro Eduardo Rincón, se existe uma figura que sintetize todas as virtudes, e alguns dos muitos defeitos, do romantismo é sem dúvida Frédéric Chopin.

Vida curta, intensa, cheia de triunfos e momentos maus, de sonhos que não chegaram a se realizar e de trabalho intenso, que o levou ao apogeu por mérito próprio.

Nascido em Zelazowa Wola, perto de Varsóvia, em 1.o de março de 1810, revelou muito cedo à família ligada à música, sua precocidade e aptidão para essa arte logo nas primeiras aulas que recebeu da mãe desde os seis anos de idade.

Aos sete anos começou a compor suas primeiras obras. Uma polonaise e uma marcha militar, que tiveram um resultado notável.

Em 17 de outubro de 1849, com a saúde extremamente debilitada, Chopin chama sua irmã Luisa a Paris – a França era a sua segunda pátria – sentido a proximidade da morte. Falece em aos 39 anos.

Foi uma força única, um compositor de uma personalidade tão singular que jamais teve de lutar para ser reconhecido: qualquer ouvinte, mesmo com pouco preparo, exclamava, ao ouvir qualquer uma de suas obras: “Esta música é de Chopin”. Essa personalidade dominadora fez com que deixasse um séqüito de imitadores, uma influência – quando não era imitação – que se fez sentir em toda a música européia. Se o leitor quiser compreender até que ponto sua personalidade musical se transmitiu já em vida ou depois do seu desaparecimento, basta citar alguns nomes famosos: Liszt, Scribian, Rachmaninov, Tchaikovski, Fauré, Debussy...

Sobre este especial
O que se conhece como “Primeiro Concerto para piano em mi menor” é na realidade o que foi composto em segundo lugar. Escrito durante o verão de 1830 na Polônia, estreou em 11 de novembro em Varsóvia, interpretado pelo próprio compositor. Este concerto gerou várias polêmicas, das quais, como sempre, participaram inúmeros “sábios” e “conhecedores”, especialistas na música do compositor polonês, que falaram da deficiência de sua orquestração, de passagens que deveriam ser revistas para “melhorar” etc. Quando alguém não é capaz de realizar algo digno de mostrar ao público, resta alcançar seu objetivo por meio da arte dos outros. Se julgamos que a obra tem defeitos – ou o que julgamos um defeito –, há que se aceitar a obra tal como o artista a realizou. Se a obra não interessa, ou julgamos que os seus defeitos são graves, é preferível não a ouvir.

Desse primeiro concerto realizaram-se novas orquestrações, fizeram-se intervenções para sanar os defeitos que um ou vários crêem que a obra tem, adulterando-a, ou seja, corrompendo o sagrado pensamento, bom ou mau, de um artista. A versão “com retoques para melhorá-la” que dessa peça fez André Messager é obra de um vampiro, quer se considere o resultado bom ou mau. “Se o senhor Messager quer melhorar algo, que escreva ele próprio; e, se capaz, o melhor que pode fazer é calar-se”, detonou Rincón em artigo sobre os dois consertos apresentados aqui.

O “Primeiro Concerto para piano em mi menor” parece bem menos interessante que o que aparece como numero 2 dos seus concertos para piano, mas isso não quer dizer que não haja nele momentos verdadeiramente felizes, belos, merecedores de uma séria audição “sem retoques”, como esta aqui apresentada em regência de Gilbert Varga, um dos mais solicitados no momento em toda a Europa; com o solista Sequeira Costa em execução da Royal Philharmonic Orchestra, observando e seguindo rigorosamente a partitura original e sem “retoques”.

Os dois concertos
Os naipes da orquestra que Chopin utiliza são os normais de uma orquestra sinfônica, exceto pelo uso um tanto reduzido dos metais: madeiras aos pares, quatro trompas, dois trompetes, um trombone, tímpanos e cordas. Está escrito em três andamentos: “Allegro maestroso”, “Romanza” e “Rondó”.

Apesar do compositor se permitir certas liberdades, o “Allegro maestroso” que abre a partitura é uma clássica forma-sonata, que se desenvolve a partir de dois temas principais e o trabalho de elaboração desses dois temas. A introdução, antes da entrada do piano com o primeira tema, é considerada pela crítica excessivamente longa – voltamos ao mesmo ponto: costuma-se cortar “algo” nos concertos. Não gosto disso e selecionei uma execução da obra original em respeito à memória do compositor.

É precisamente nesse tema que se desenvolve a introdução onde estão expostos, ainda que de uma forma oculta pela utilização de variantes dos dois temas principais e de motivos tirados destes, os elementos que vão gerar esse primeiro andamento. O piano solista entrará com acordes e oitavas em uníssono em forte, baseando-se na anacruse e nos dois compassos seguintes da introdução para realizar uma brilhante entrada que, além disso, contrasta vivamente com a doçura do primeiro tema principal. O desenvolvimento e a elaboração para dar entrada aos segundo tema são uma verdadeira jóia. Esse, por sua vez, é a exposição total do primeiro motivo que aparece na introdução, o que demonstra a inteligência contrapontística de Chopin ao elaborar sua temática com uma economia de meios que só se pode conseguir quando se trabalha seriamente as leis que a regem. Não há dúvida de que este segundo tema está elaborado com o material do tema da introdução. E não se compreende como não se costuma chegar a esta conclusão, que é bastante evidente para qualquer estudioso dessas leis.
Com esse material, as variantes ricas e diversas no seu desenvolvimento e variedade dos acompanhamentos e ornamentos, assim como os jogos contrapontísticos que utiliza.

Nota ao leitor:
Por razões de espaço. Posteriormente introduzirei um link com o texto sobre minhas impressões a cerca do 2. Concerto.

Set List
Concerto para piano N.o 1 em Mi menor, Op.11

1 Allegro Maestroso - Sequeira Costa; Gilbert Varga: Royal Philharmonic Orchestra
2 Romanza: Larghetto - Sequeira Costa; Gilbert Varga: Royal Philharmonic Orchestra
3 Rondó: Vivace - Sequeira Costa; Gilbert Varga: Royal Philharmonic Orchestra

Concerto para piano N.2 em Fá menor, Op.21

4 Maestoso - Sequeira Costa; Gilbert Varga: Royal Philharmonic Orchestra
5 Larghetto - Sequeira Costa; Gilbert Varga: Royal Philharmonic Orchestra
6 Allegro Vivace - Sequeira Costa; Gilbert Varga: Royal Philharmonic Orchestra

sábado, 13 de março de 2010

Estado da arte, Parte I: Gustav Mahler

Divulgação


Na inevitável e breve passagem por este mundo. Faz-se necessário o entendimento de algumas regras, de modo que possamos compreender alguns acontecimentos que julgamos injustos no viver e sobreviver nessa "selva" chamada Terra.
Mundo cercado de armadilhas de gente que come, bebe e até pede dinheiro emprestado para você, abusando de sua boa índole e generosidade; e cospe, e trai e revela-se; e é apenas um apêndice de nosso aprendizado. Apenas um. Há muitos.
Na quarta música deste especial clássico em que revelo aos leitores minha predileção clássica a qual fui induzido por critérios de qualidade e eliminação por meus pais; lá atrás, há quase 50 anos, no que chamo de privilégio. Destaco a beleza inexplicável da Terceira Parte da 5.a Sinfonia em Dó sustenido menor (Adagietto), composto pelo imortal maestro e compositor "apátrida" Gustav Mahler meu compositor predileto.
Este movimento, o "Adagietto" (em fá maior, mas com uma grande quantidade de modulações a meio do movimento), segundo o estudioso da obra do maestro Willem Mengelberg, no andamento "muito lento" (absolutamente poético) é uma declaração de amor que Mahler faz a Alma no verão. Parece que ― e ambos afirmam o mesmo ― uma vez terminado, Mahler o enviou a Alma, que o leu imediatamente.
Alma, por sua vez, vem a ser a mulher do gênio austríaco. Segundo consta, Mahler não queria que ele fosse interpretado em um andamento demasiado lento, tal como fazem muitos maestros hoje em dia. Fica muito doce e perde todo o caráter meditativo, ressalta, com proficiência, o especialista.
Dois dos principais maestros executores da obra do genial judeu "apátrida", qual sejam: Bruno Walter e Mengelberg, não menos extraordinários, consignaram que esse movimento ― um dos mais belos jamais criado pela civilização ― não poderiam passar de 7' e meio (às vezes, chegam quase a 8'), enquanto que há maestros que chegam aos 11' e até mais.O quê os dois melhores intérpretes da "atormentada alma" Mahleriana querem dizer é que, numa típica forma A-B-A, em que B é uma grande modulação com variações, escrita exclusivamente para quinteto de cordas e harpa; não cabe ou, não seja aconselhável, o equivocado entendimento cartesiano de que este movimento em particular, cuja melodia empregada por Mahler tem um estrito ou aproximado parentesco com as utilizações anteriores em várias ocasiões e que se distinguem pela sua evolução em graus conjuntos. É ascendente e proporciona modulações também ascendentes como o leitor pode, com facilidade constatar ao ouvir com atenção e repetição a magnífica passagem da sinfonia em tela.
Fico, ainda, com a perfeita definição do crítico e maestro português Eduardo Ríncon, a quem deploro as melhores impressões pelos livros publicados em linguagem acessível e esclarecedora.Ríncon finaliza: O movimento foi escrito com verdadeira mestria, pintado amorosamente, sem recorrer a grandes explosões orquestrais, mas com uma intensidade tal que prova que para compor boa música não é necessário fazer demasiado barulho."
E para não cansar o leitor. É de Mahler a sentença que, como descendente de libaneses, muito me toca e fortalece qualquer indício de intolerância: "Sou apátrida por três razões: como nativo da Boêmia na Áustria, como austríaco na Alemanha e como judeu no mundo inteiro. Sou um intruso em toda parte!". O grito de protesto contra o fator de ser tolerado, mas não totalmente admitido é do próprio Mahler.
Quantos de nós não nos sentimos assim em determinadas ocasiões de nossas vidas?
Grande maestro, tardando para ser reconhecido como excepcional compositor, a vida de Mahler foi inteiramente dedicada à música.
Ouça o que considero sua melhor sinfonia: a n.o 5, em soberba execução da Royal Philharmonic Orchestra, de Londres.
Mais sobre Mahler aqui.
Não menos extraordinário é o fechamento da obra com "Rondo Finale", da Terceira Parte.
-Senhores(as) leitores(as) : é quase como as boas-vindas de chegada ao Céu. Supimpa!
Mahler incompreendido em sua época, apresentou à melhor música um sistema inovador de composição, dado sua complexidade, atualmente firmado como polifonia.
Não se deixe reprimir nesse turbilhão arrebatador, pois, Gustav era assim.
- Eu sou assim!
Eis Mahler: "Com mais de oitocentos compassos, é quase impossível referir o seu caminhar sem seguir a partitura e uma descrição minuciosa, que aqui é impossível realizar", cravou o prestigioso regente lisboeta Eduardo Rincón sobre o gênio da polifonia.
- O homem que ligou a música do século XIX ao nossos dias.
Set List

Sinfonia N.° 5 em Dó Sustenido Menor – Gustav Mahler
Regente: Frank Shipway conduzindo a Royal Philharmonic Orchestra de Londres

Primeira Parte
1- Trauermarsch (Marcha Fúnebre)
2- Stürmisch Bewegt (Tempestuoso Agitato)

Segunda Parte
3- Scherzo * Trompa: John Bimson

Terceira Parte
4- Adagietto
5- Rondo Finale


P.S.: Chopin. Minha segunda predileção musical clássica. Será publicado amanhã.