Mostrando postagens com marcador Literatura Paraense. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura Paraense. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de maio de 2013

The wall



“Eu sou de um país que se chama Pará” - IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
O Estado de S.Paulo - 03/05/2013

Por que tanta gente de talento não chega ao Sul? Onde fica o muro que nos separa?

BELÉM

Quando a mediadora Renata Ferreira disse que o meu conto o homem que viu a osga comer meu filho a tinha aterrorizado, assustei-me. Não tenho este conto. Ela riu e explicou:“O que vocês chamam de lagarto ou lagartixa, chamamos de osga.Aliás, está no Aurélio”. Estava certa, o conto existe.
Quando ouvi a fotógrafa Elza Lima contar uma história minha em que os olhos dos cavalos do carrossel de meu avô eram petecas, reagi: “Como petecas? Eram bolas de gude”. Elza: “Pois aqui, petecas são as bolasde gude”.Caminhava pelo Espaço Palmeira, um feirão popular, no centro da cidade.Aqui foi uma tradicional fábrica de bolachas, biscoitos e doces, fundada em 1892. Demolida, restou uma área de piso concretada sobre a qual se armam as barracas.Então,ouvi: “Vamos fazer nossa sombra aqui”, disse o mulato de chapéu branco. E sentou-se com dois amigos num canto. Não havia sombra alguma, ao contrário, era um solão, mas gostei da expressão. Porque grande e diverso é o Brasil.

Vim para a 17.ª Feira Pan-Amazônica do Livro, que no ano passado vendeu 850 mil livros, me contou Paulo Chaves Fernandes, secretário de Cultura, arquiteto que criou as Docas e o Mangal das Garças, imperdíveis. A Pan-Amazônica deste ano termina no próximo domingo com Affonso Romano de Sant’Anna. Pelo palco principal passaram Ziraldo,Tony Bellotto, Cristovão Tezza, Guilherme Fiuza, Tiago Santana e José Castello. Para terem ideia, o folheto com a programação tem 74 páginas com oficinas, seminários, aulas, lançamentos, mesas-redondas, salão do humor.

Tudo acontece no Hangar, um centro de convenções moderno e funcional. Ao falarmos,temos à nossa disposição auditórios variadosque vãode300 a 1.500 espectadores. Distante daqueles espaços fechados por divisórias de eucatex da Bienal do Livro de São Paulo, ondea barulheira do salão penetra e ninguém ouve o que se fala.

Lembrei-me que estive na primeira Pan-Amazônica, ainda no centro, sufocada, apertada, mas cheia de gente. Assim como me lembro de uma casa de sucos da terra, onde havia um de pinha que era puro regalo. A casa fechou, virou loja. Por outro lado,nas sorveterias você mergulha a colher em taças de sorvete de tapioca (deslumbrante), buriti, bacuri, cupuaçu, açaí, graviola, manga.

Quem me indicou a Cairu como o melhor sorvete da cidade foi Fafá de Belém. Opinião considerável.O Pará é terra da Fafá, da Gaby Amarantos, da Dira Paes, da Olga Savary (que está na cidade em que nasceu, emocionada,há muito não vinha), Leah Soares. E de Dalcídio Jurandir, um dos grandes escritores brasileiros de todos os tempos.

A feira deste ano foi dedicada a Ruy Barata, poeta, compositor, jornalista, político progressista, ícone paraense, homem que navegou em todas as águas. Dele é a frase epígrafe desta 17.ª Pan-Amazônica: “Eu sou de um país que se chama Pará”. Milhares de crianças vagando entre centenas de estandes. Perguntando: “O senhor é escritor?”. Correndo atrás do Ziraldo, que se intitula “o velhinho maluquinho”. Vi Ziraldo, com tremenda luxação no ombro, cheio de dores, sentar-se e autografar centenas de livros. Mais do que profissional, ele ama o que fez e adora ver ameninada em torno.

Certa noite,fomos jantar nas Docas, olhando o rio de frente.Chegavam homens feitos querendo tirar uma foto com o “menino maluquinho”. Chegavam também jovens querendo uma foto com TonyBellotto, que tinha acabado de fazer uma bela fala sobre seu romance Machu Picchu.Depois,elas viravam para mim:“ E o senhor é alguma coisa?”.Respondi com a maior seriedade: “Não, sou apenas pai do Bellotto”. E elas: “Não precisamos tirar fotos do senhor, não?”. Felizes com minha negativa, partiam, ruidosas, enquanto voltávamos ao filé de filhote, peixe delicioso, com risoto de pupunha e jambu, e ao pato com tucupi. Belém é sabor e é necessário comer, de preferência à noite, no Mangal das Garças, parque nascido à beira- rio,cheio de pássaros, tartarugas, borboletário. Iguanas verdes, figuras pré-históricas, vagueiam pelos gramados.

Tomei um avião e cheguei a Marabá 50 minutos depois. O nome da cidade vem de um poema de Gonçalves Dias. Região ligada à siderurgia e celebrizada pela Serra Pelada. Estudantes e professores se juntaram no Cine Marrocos para conversar com escritores. É a Pan-Amazônica expandida. A feira não acontece apenas em Belém, vai ao interior, agrega, abre-se às populações. A ideia avança pelo Brasil. A fotógrafa Elza Limame contou que esta “feira fora de feira” nasceu após a leitura de uma crônica, aqui, minha no jornal, falando de Fortaleza, da bienal fora da bienal, quando autores vão aos bairros e às cidades do interior. Andressa Malcher, coordenadora,apanhou a ideia no ar e desenvolveu.

Sentei-me no palco ao lado de Ademir Brás, jornalista, advogado e poeta de primeira linha. Ele descreve sua terra, a gente, as paisagens, o Rio Tocantins,manso e largo, silencioso. Pequenas casas coloridas inclinam se para as águas. A poesia de Ademir oscila entre a ternura e a indignação, com ritmo e afeto. Por ele e pelos jovens, soube do Pará.E contei das coisas de cá. Porque tanta gente de talento como Ademir não chega ao Sul? Onde fica o muro que nos separa?

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Feira Panamazônica do livro: "O RIO DO MEU LUGAR"



APRESENTAÇÃO
A volubilidade do rio contagia o homem.

A adaptação exercita-se pelo nomadismo;

Euclides da Cunha em: Amazônia – um paraíso perdido



Confesso: fui preparado para trilhas científicas, não para letras, mas aceitei o convite para esta “apresentação” por admirar o bom verbo. Como gentileza gera gentileza, debrucei-me sobre estas páginas que, no bojo, desvelam no tempo presente a relação híbrida de homem-espaço-linguagem: o Homo scribere e seu ethos.

Inicialmente, tal como cartógrafo, tracei o meridiano de Sodré no mapa-múndi. Vi nele, até chegar aqui, trajetória nômade em correnteza de rio. Os rios, na mesma tez de sua pele, infiltram seus poros e os barrancos tonificam suas veias até brotar palavras que sobranceiam cidades.

Da margem onde tudo começou está o mundo do rio Acre: Xapuri. De lá, Sodré arrumou as malas e, rio-acima-rio-abaixo, montou em proa de batelão e dobrou o Purus no rumo leste do Amazonas, prumo da Aurora. De permeio, andou por Rondônia admirando o estuário do Madeira; também pelo Xingu para ver encanto de gente, corredeira e diversidade do solo. Depois veio Macapá, onde degustou gengibirra ao ritmo do marabaixo até ficar taludo das ideias. Por fim aportou em Belém ao contornar, vento em popa, a Ilha do Marajó. Depois de arriar as malas nesta última margem, bateu sentimento. Viu ali sua aldeia e recostou a orelha para sentir o Ver-o-Peso arfar. Escutou sopro de vida. Por fim subiu no coletivo e parou em lugar onde casas e homens humildes deixam braços de rio escorrer por leitos de muitas pedras. Assim é a sua Pedreira, bairro.

De sulcar rio até sua aldeia, onde Sodré enterrou seu coração, nasceu “O rio do meu lugar”. A obra tem um narrador comum, de cidade, transmutado de DNA amazônico, cujo gene literário é incrustado de rio, cais e paragens. A partir desse mote, Sodré passa a conviver com seu locus carregando uma narrativa desamparada do vazio comum. Tal como nosso inverno, ora se vê rajadas polifônicas de Dalcídio Jurandir e Guimarães Rosa, ora é chuvisco prosificado repleto de tiradas ao modo de Rubem Braga e García Márquez, ilustres moradores de sua estante.

Para se ler “O rio do meu...”, vista-se então de garimpeiro. No giro da bateia, a cada fitada de olho reluzirá uma pepita: o áureo verbo nativo. O livro deixa boiando o linguajar de um povo entregue ao vernáculo que parece impingir personalidade às palavras. Lembra um código filogenético baseado nas relações entre os habitantes do interior e da capital; de outrora e de hoje, cada qual com suas intervenções. Sem bulir e ainda respeitar o estereótipo alheio - o cabano-, a obra, repito, veio bem a calhar homem-linguagem-lugar como se fosse junção de rios, ou melhor, a própria Baia do Guajará como metáfora de “aprender novas palavras e tornar outras mais belas”, diria nosso Drummond. É a própria flor do grão petalada de linguagem jeitosa que se lambuza de domingo em plenas manhãs de sábado e sai encenando uma cidade em reconstrução arquitetônica, artística e lexicográfica. 

Portanto, só me resta esperar que os leitores sintam-se beneficiados, a modo de também permear pela simplicidade de um autor achegado à filologia diletante, dado o chamegoso realismo urbano bem-humorado.

Mergulhem fundo e se banhem dessa leitura. Lê-lo é afirmar que a palavra - distante da invenção da roda e próxima da descoberta do fogo - é a maior criação, recriação e recreação do homem. É magia, alumbramento. 

Da série Créditos
Produção: Edir Gaya
Capa: Eduardo Alves e Natacha Barros
Coordenação: Agência + 3 Comunicação Integrada
Ilustrações: JBosco Azevedo
Prefácio: da jornalista Valeria Nascimento
Apresentação : do médico-escritor Roger Normando
texto capa: do poeta Edson Coelho
O livro está disponível no Estande dos Escritores Paraenses, na Feira do Livro

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Para se ler no ritmo da chuva



“Uma nuvem mais pesada de chuva cresceu no céu. É chover. É chover, Cachoeira fica encharcada e ele encharcado com esta doença do osso, da alma, já no outro mundo. Os campos da Cachoeira vinham de longe olhar as casa da beira do rio, com desejo de partir com aquelas águas. Quando chovia, mesmo verão, quanta chuva grande, os campos ficavam alagados. Eutanázio gostava um bocado de passear pelos campos. De atravessar os campos para chegar à casa de seu Cristovão que ficava na ponta da rua para os lavrados. Às vezes para ver Irene chegava com a roupa escorrendo, os cabelos pin­gando. Irene ria... “
Dalcídio Jurandir em: “Chove nos campos de Cachoeira.”


É o tempo “dela”, costuma dizer o paraense quando o inverno amazônico chega sem dar trela. Nessa estação de chuvas carregadas e nuvens turvas, qualquer local friozinho onde se ouve ou sente os respingos “dela” é um bom lugar para se ler um livro. Não digo pelo dito de Djavan (“Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro...”), mas por sentir que o frescor da chuva é um tempero azeitado para se harmonizar com a leitura, da mesma forma que se harmonizam prato e vinho - ou vice-versa.

Para esse novo ingrediente neuroquímico, leitura e chuva, tive a seguinte idéia: toda vez que chover neste inverno abrirei as páginas de um livro. Não um livro qualquer, mas “Chove nos campos de Cachoeira”, de Dalcídio Jurandir (reeditado em 2011, pois andou fora de catálogo desde 1976). Assim que acabar a chuvarada jejuarei da leitura e retornarei ao trabalho ou Blog, até que nuvens ressurjam em seus 256 tons de cinza e anunciem outra borrifada.

Nas primeiras chuvas das primeiras páginas do livro, a premiada obra recita um aguaceiro daqueles (epígrafe acima). Nas páginas seguintes se percebe os tradicionais burburinhos da tarde e céu claro. Depois volta o aguaceiro. Entre um pingo mais forte e outro mais fraco tem-se a impressão que Dalcídio escrevia sentado, acompanhando o ritmo das águas: ou por uma janela entreaberta, ou entre as gretas da casa de madeira ou ainda ouvindo o tilintar “dela” no telhado. Por isso  a ideia de ler a obra acompanhando a ambientação do autor.

É fato que levarei alguns meses nessa valsa. Em ritmo de aconchego com a natureza dalcidiana, me espicharei numa rede de varanda defronte para a baia, e lerei como se estivesse em Ponta de Pedras, terra do autor. Pretendo terminar a leitura quando as chuvas findarem, lá para março ou abril. Como gasto cerca de três minutos para ler cada página, 735 minutos de chuva seriam suficientes para ler toda a obra, composta de 245 páginas. Isso equivale a doze horas e 15 minutos de viagem literária pelos campos marajoaras, entre búfalos e cavalos baios. Nada mal. Vale chuva forte, vale chuvisco, vale alagado. O importante é djavaniar, ou melhor, com chuva é: dalcidiar.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O poço límpido do tempo

Da feita que passares e venceres o Nazaré do Fugido,
quando os rumos se descambam por um trecho trilho d'areias ama­relas,
por adonde as carroças escapam de uma face cuma que de lua,
sulcando a manhã e a tarde com a solidão do esquecimento,
e quando vires os anuns chorando nos ramos ralos o ta­manho imenso de suas caudas negras
e quando sonhares de perder o mundo na beira escassa de um riacho raso de águas embarreadas,
longos tempos esquecido nas margens incertas do caminho,
e cruzares os passantes,
atirados pelos rebordos e ri­banceras,
em suas quantas tarefas ou no ócio daquelas tardes e noites e manhãs,
quando ouvires longe e desprendido o sorfejo da mãe que soluça pela filha,
quando sentires erguidas no ar as pesa­das copas das mangueiras debruçadas por em riba de tua cabeça,
em volta o casario de barro,
as construções sombrias refletindo a luz do sol intenso,
e dentro as faces úmidas e ancestrais e as peles tesas daquela gente
 - Neste instante terás chegado à beira do poço límpido do tempo.

Walter Freytas em: Kararaô, 2011 (CEJUP) 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A vida imita a arte, mais que a arte imita a vida


A frase célebre de Oscar Wilde nunca foi tão atual quanto no caso do crime escabroso que comoveu a ilha de Mosqueiro e que tem sido manchete dos jornais nas últimas semanas.

O estupro seguido de homicídio do menor na Praia Grande lembra muito um livro breve, mas marcante, do autor paraense Edyr Augusto Proença, comentarista bissexto do blog: Moscow, editado pela Boitempo Editorial.

Quem lê a obra não imagina ser possível caber tanta violência na cabeça de um jovem; a vida prova que, sim, é plenamente plausível. Edyr Augusto sabe como poucos explorar a mistura de sexo e brutalidade que, muitas vezes os jornais comprovam, é inerente à espécie humana.

O resolução do caso real, que aponta para um crime torpe causado por ciúmes, é mostra do bestiário que o machismo possessivo do homem latino materializa todos os dias, na forma dos vários tipos de violência contra a mulher. Desta vez, a vítima foi o rival, aquele que trouxe à tona a baixa auto-estima que acomete esta espécie de macho alfa. Além do componente sexual, ainda há o envolvimento dos acusados com o tráfico e o uso de drogas. Tal mistura só poderia dar em solução violenta de um conflito que, ademais, parece que o morto sequer sabia que existia.

É nesse caldo que vivem os personagens de Moscow e aqueles do crime brutal, acontecido há algumas semanas em Mosqueiro. Não por acaso, ambas histórias, ficcional e verídica, foram ambientadas no mesmo distrito de Belém, abandonado pelo Poder Público.

As fotos da ilha que nosso confrade Carlos Barretto publica volta e meia nas páginas deste blog são a face doce do local. Belíssimas, elas, porém, sempre me deixam um gosto de melancolia. É que Mosqueiro foi - como de resto para boa parte da classe média desta cidade - o local onde coisas maravilhosas da infância e adolescência aconteceram. Hoje, porém (e desde algum tempo), está ela entregue a tudo de pior.

A história tão explorada pela imprensa, portanto, faz-me concluir algo triste: como prova o livro de Edyr, um crime de tamanha proporção até que demorou a acontecer na outrora bucólica Mosqueiro.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Educação ambiental



Neste complicado momento da história do planeta Terra, a abordagem correta da educação ambiental pode e trará repercussões definitivas nas próximas gerações.
Visando suprir a demanda por educação de boa qualidade, será lançado no próximo dia 29 o livro Educação Ambiental Escolar, da Profa. Nazaré Resende de Almeida.
Nazaré, de quem tenho a honra de ser amigo, é mestra em Educação pela Universidad de la Empresa, em Montevidéu (Uruguai), e leciona Ciências na Escola de Aplicação da U.F.Pa., em Belém, tendo, portanto, não só a vivência teórica, como a prática diária na sala de aula.
O lançamento será feito inicialmente en petit comité, numa cerimônia íntima para a família e uns poucos amigos.
Os interessados podem adquirir o livro pelo e-mail almeida.naza@bol.com.br.
Parabéns à Maestra Nazaré!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Jacilene já morreu

Edyr Augusto Proença, em seu Opinião não se discute, escreve um post que, desde já, reputo como antológico na blogosfera paraense. Ele nos conta apenas uma história. Uma história triste e dramática. Certamente apenas uma, entre tantas outras do cotidiano de nosso país. Mas em especial de nosso estado, que insiste em permanecer na triste ribalta nacional de histórias bizarras e escandalosas envolvendo menores.
No post Eu já morri, Edyr Augusto nos conta a estória de Jacilene. Uma garota em período escolar, que bem que poderia ser sua filha. Afinal, seu erro não foi tão singular, levando em conta as histórias terríveis que, por vezes, tomamos conhecimento à boca pequena, envolvendo adolescentes de famílias ditas abastadas. As circunstâncias iniciais, são absolutamente semelhantes às de Jacilene. Contudo, o poder econômico das famílias envolvidas, tem a mágica de produzir finais bastante diferentes. O "final" da história de Jacilene, certamente é o mais provável entre os 70% que constituem a chamada base da pirâmide social.
A história é contada em um texto impecável. E certamente, é para corações fortes. Para mim, foi muito difícil entendê-la como ficção.
Simplesmente leia.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Amazônia Exótica

Será lançado em 11 de agosto próximo o livro Guia Histórico - Amazônia Exótica, de autoria da pesquisadora do Museu Emilio Goeldi Olimpia Resque, com colaboração de Daniel Giese.
O evento dar-se-á na Fox da Dr. Moraes, às 18 horas.
Neste momento histórico vivido pela nossa Amazônia se torna imperioso rever algumas lições do passado e o lançamento desta obra pode trazer à tona a era das expedições dos naturalistas estrangeiros à nossa região e suas lições.
Imperdível.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Paes Loureiro lança hoje seu primeiro romance: “Café Central – o tempo submerso nos espelhos”

Poeta inaugura sua fase de prosa ficcional com uma narrativa sobre a alegoria dos espelhos que recobrem as paredes do Café Central

Nesta quinta-feira (26 de maio), às 19 horas, no Polo Joalheiro São José Liberto, acontecerá o lançamento do primeiro romance do poeta e professor João de Jesus Paes Loureiro: “Café Central – o tempo submerso nos espelhos”.

O Café Central é um espaço simbólico deflagrador de alegorias na realidade narrativa. Sendo lugar de poetas, escritores, pintores, teatrólogos, professores, estudantes, jornalistas, boêmios e visitantes, tornou-se um espaço de livre circulação das ideias antes e depois da deflagração da ditadura militar, a partir do que sua resistência foi sendo enfraquecida.

A obra consiste em uma narrativa da impossibilidade do homem, do ser, ficar fora do tempo e suas circunstâncias. Mesmo que tente se refugiar em alguma forma de exílio, ou no mito, ou no passado, o presente produz suas armadilhas e as circunstâncias suas situações de realidade. Nem sempre se pode fugir aos efeitos do real com que o destino tenta contrapor-se ao imaginário.

Não é, portanto, a história do Café Central, mas a alegoria dos espelhos que recobriam as paredes com seu imaginário cristalizado que justifica o subtítulo: “O tempo submerso nos espelhos”. É um ponto de partida e chegada, pois o romance apresenta vários outros espaços dramáticos ficcionalizados além do Café Central: a Pensão da Naty na zona da prostituição, a região das Ilhas em Abaetetuba, a prisão do Cenimar da Marinha no Rio de Janeiro, e, finalmente, o retorno ao Café Central.

“É a concretização de um sonho antigo. E este não será único. É minha fase de prosa ficcional que a poesia espia debruçada em minha alma” afirma Paes Loureiro ao traduzir o significado deste romance para sua carreira.

Sobre o autor

João de Jesus Paes Loureiro é poeta, prosador e ensaísta. Professor de Estética e Arte, doutorou-se em Sociologia da Cultura na Sorbonne, em Paris, com a tese Cultura amazônica: uma poética do imaginário. Sua obra poética tem sua universalidade construída a partir de signos do mundo amazônico – cultura, história, imaginário – propiciando uma cosmovisão e particular leitura do mundo contemporâneo. Dialogando com as principais fontes e correntes literárias da atualidade, Paes Loureiro realiza uma obra original, quase uma suma poética de compreensão sensível do mundo por meio das fontes amazônicas, em que o mito se revela como metáfora do real.

Sua obra Altar em chamas, publicada pela Civilização Brasileira, obteve, em 1984, o prêmio nacional de poesia da APCA. Com o livro de poemas Romance das três flautas, edição bilíngue português/alemão, da Roswitha Kempf Editora, em 1987, foi um dos finalistas do Prêmio Jabuti deste ano. Tem obras traduzidas na França, Alemanha, Itália, Japão e publicação, também, em Portugal. Suas obras mais recentes são: Pássaros da terra (teatro), 1999; Obras reunidas (4 volumes), 2000; Do coração e suas amarras (2001); Fragmento/Movimento, 2003 e Água da Fonte, 2006, todos pela Escrituras Editora; e Au-delà du méandre de ce fleuve, 2002, Acte-Sud, França.

A parte ensaística da obra de Paes Loureiro está constituída pela preferência relativa aos temas e reflexões de caráter transversal, seja no âmbito da cultura, mas, também, da estética, semiótica, do imaginário, da poética. Seu ponto de partida, de um modo geral, é a realidade cultural da Amazônia. Porém, assim como sua poesia, o local é o ponto vélico da convergência de reflexões que impulsionam as velas de sua reflexão no rumo do universal. Sua leitura da Amazônia é considerada original e significativa para a compreensão desse mundo e do mundo em que vivemos. “Café Central – o tempo submerso nos espelhos” é seu primeiro romance.


Lançamento do livro “Café Central – O tempo submerso nos espelhos”
Data: 26 de maio, quinta-feira.
Horário:
 19h
Local: Polo Joalheiro São José Liberto.
Endereço: Praça Amazonas S/N.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Livro sobre a História da Medicina no Pará

O que havia em Belém, antes de 1919? Quais as circunstâncias que determinaram a criação do Curso de medicina naquele ano? Quem foi o primeiro Diretor, o Barão de Anajás?  Como foi a luta do grupo, com Camilo Salgado, para fazer funcionar o curso? Os primeiros professores, os primeiros concursos; as primeiras aulas; a campanha para aquisição do prédio de Santa Luzia; a  movimentação dos estudantes; as primeiras formaturas; a luta pela equiparação do curso e, posteriormente, sua federalização; o crescimento da escola, a maior contribuição em termos de docentes e discentes, além dos prédios, para a formação da Universidade. Tudo isso e muito mais vocè terá no livro "Memória Histórica da Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará. 1919-1950. Da fundação à federalização", de Aristóteles Guilliod de Miranda e José Maria de Castro Jr. 
A mais completa e única pesquisa bibiliográfica sobre o assunto em um livro de mais de quinhentas páginas.
Aristóteles, com o codinome de Gui, já foi articulista do blog.
Não perca o lançamento no dia 25 de novembro.
Às 19 hs, na sede do Conselho Regional de Medicina.
Generalíssimo Dedoro, 223.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

"Passarinhou" Luiz Carlos França


"Passarinhou" hoje, no final da tarde, em meio ao trânsito agitado do centro da cidade, (talvez como fosse o seu desejo), o poeta Luiz Carlos França. Ainda o vi, frágil, débil, contudo, alegre e indiferente à doença, na semana passada. Antes de partir, deixou para nós um pequeno livro chamado Boca de Ferro. Uma jóia de arte gráfica e poesia. Ganhei o livrinho de uma querida ex-namorada, no dia dos namorados, que o comprou dele na minha frente e me deu, meio que de surpresa. Um momento único, que como uma fotografia, jamais se repetirá. Nele, podemos ler seus últimos versos.

Escrevo cada poema
como se fosse o último:
"meu canto dos cisnes".

Faço dele meu amparo,
meu grito.

Faço dele minha esperança,
minha oração.

Cada palavra é mastigada
como alimento da criação

Faço da dor do viver,
bálsamo dela mesma.

Tiro o leite das pedras,
não deixo amargar meu coração.

Meu poema é minha respiração,
meu pulsar,
minha inspiração.

Foi muita emoção para uma só noite. É muita emoção para um só dia. Bom descanso, Luiz.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Visita de Santo

Meu S. João,
na noite do vosso dia,
com fogueiras brilhando de alegria,
com alegras cantando num rojão,
parai um pouco na melancolia
do meu portão!

Ponde aqui o cordeirinho!...
Sentai no banco a meu lado!...

Tanta estrela no céu, e eu tão sozinho!...
Na terra, tantos sons, e eu tão calado!...

Meu santo bom, por outra noite vossa,
igual a esta (que lembrá-la possa
durante a vida que viver eu vou!...),
mandei-vos, num balão, um sonho lindo
que foi subindo,
foi subindo,
foi subindo,
té que, muito no alto, se queimou...

Mal de muitos?... Eu sei...
Mas também sei
que nunca mais outro balão soltei.
Nunca mais, nunca mais...

.....................................

Que brisa fria!...

Lá vem o sol como balão dourado!
Levantai-vos, partis?!... Muito obrigado!
DEUS vos pague no céu, meu S. João,
esta parada na melancolia
do meu portão!...

Antonio Tavernard: Místicos e Bárbaros (1953)

domingo, 6 de junho de 2010

Boca de Ferro


Olha quem vai lançar um livro de poesias. Luis Carlos França lança o Boca de Ferro, na próxima quinta, às 18 h, na Casa das Onze Janelas.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Os Caminhos da Liberdade: Ruy Barata

CANÇÃO DO POETA VIGIADO PELA POLÍCIA
"Esta delegacia exerce observação e vigilância sobre elementos simpáticos à revolução cubana, face ã existência de movimento de solidariedade encabeçado por elementos reconhecidamente comunistas".
(Trecho de um relatório enviado ao Secretário de Segurança Pública do Estado do Pará pelo Delegado da Ordem Política e Social).

Por Cuba, por Cuba-Libre,
(quem pode Cuba domar?)
por Fidel, rosa do povo,
(no povo a desabrochar)
o poeta é observado,
o poeta é vigiado
no céu, na terra e no mar.

E olho de todo tipo
rondando o desesperado:
olho fundo do plantão,
olho de guarda embalado,
olho magro do escrivão
( e o gordo do Delegado)
olho que anota e reporta
tosse, tédio, resfriado,
que pode traçar um mapa
de seu dente cariado.

Ah, Fidel, que tanto olho
para um queixo escanhoado!

Inútil fugir do olho
(o olho dorme acordado).
Na rua é reconhecido,
no banheiro - devassado.
O olho interrompe a ceia
com soturno mau-olhado.
O olho espreita, esmiúça,
cama, camisa e calçado.
Amar já não pode mais:
o beijo é fiscalizado.

Ah, Fidel, com tanto olho,
abdicou do pecado!

O olho confina o mundo
do poeta confinado.
Se anda - o olho caminha,
se para - o olho é parado.
Se entra no Bar e senta
o olho fica sentado.
O olho cheira, investiga,
o trago a ser emborcado.
Se for uísque ( o sem Selo)
o olho fica fechado.

Ah, Fidel, com tanto olho
por que só este apagado?

E se o poema vier?
(poema é bicho acanhado!)
Poema se ruboriza
em se vendo observado.
Poema precisa jeito
para ser encurralado.
Poema é criança tola
gosta de ser adulado.
Poema visto, se esconde.
(um custo pra ser achado!)

Ah, Fidel, com tanto olho,
rola o seu estro quebrado!

O poeta já nem sabe
como se suicidar,
vigiado como vive
no céu, na terra e no mar.
Pobre poeta enquadrado!
Pobre poeta marcado!
(por Fidel, rosa do povo,
no povo a desabrochar.)

Ruy Barata (1920-1990) IN:Cadernos do Povo Brasileiro. Poemas para a Liberade. Violão de Rua (vol. III).Rio de Janeiro. Ed. Civilização Brasileira, 1963.