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sábado, 11 de maio de 2013
In rock veritas
Em tempos de funk e tecnomelody, a clássica Oração do Rock, da Kiss FM, se faz cada vez mais necessária em nossos lares.
A voz é do lendário locutor paulistano Titio Marco Antonio.
Assim seja!
domingo, 17 de março de 2013
A propósito do Papa argentino
Bergoglio, aliás então futuro papa Francisco I, dá a comunhão ao general Jorge Videla.
A " Santa" Sé realmente mostrou não está mesmo nem aí para o mundo, para a atualidade e muito mesmo para o passado ao eleger Jorge Mario Bergoglio como papa. Aliás, o que esperar de um grupo que acolhe em sua cúpula figuras como o cardeal flamengo Godfried Danneels e os cardeais irlandeses, que se calaram durante décadas sobre os casos de pedofilia na Igreja belga e irlandesa? Ao ver Chico I ladeado de Danneels na sua primeira aparição pública pensei: esses cardeais tomaram iogurte com Johnnie Walker, ou seja (com licença da expressão): estão cagando e andando.Mas, como conheço os nossos hermanos, sabia que logo vozes conscientes iriam se levantar, porque argentino engajado, meus caros, não deixa barato. Me lembrei dos famosos escrachos - manifestações com bumbos e gritaria na porta da casa de ex-torturadores, que presenciei em Buenos Aires em pleno ano de 2006.
Pois, passada a euforia e o momento fofura, eis que os jornais europeus do final de semana ecoam vozes, como a de Horacio Verbitsky, autor do livro Doble Juego - La Argentina Católica y Militar.
E a de León Ferrari, um dos mais respeitados artistas plásticos argentinos, que teve uma exposição depredada em 2004, depois de ser declaro blasfemador pelo cardeal Bergoglio.
Para quem quer se aprofundar, recomendo a cobertura de Verbitsky para o jornal Página /12 sobre a primeira conferência de imprensa de Francisco I.
terça-feira, 12 de março de 2013
Bola fora no Vaticano?
Brasileiro é deslumbrado que dá nuju, como diz o cabôco. De uns dias para cá, surgiram notícias de que o cardeal brasileiro Dom Odilo Scherer seria um dos mais cotados para se tornar o novo Bispo de Roma. Eu nem me meto no mérito da questão, porque não sou católico e, honestamente, não estou minimamente preocupado com o desfecho do conclave, inclusive por não acreditar que vá ocorrer alguma mudança substancial na estrutura ou no modo de ser da Igreja.
Todavia, vejo com preocupação a eleição do brasileiro. Por mais virtuoso que ele possa ser, os efeitos emocionais que isso traria a um povo histérico e descompensado como o brasileiro seriam terríveis. No mínimo, os não-católicos teriam que suportar bullying por muito tempo...
Para piorar, a imprensa internacional tem dado margem a essas especulações. Hoje, p. ex., o Corriere della Sera publicou uma charge na qual Dom Scherer dribla os demais cardeais.
A charge está sendo interpretada como reconhecimento das reais chances do brasileiro. Eu, no entanto, como advogado do diabo, pergunto-me se não seria apenas uma piada com o fato de o Brasil ser conhecido como país do futebol, talvez até uma ironia. Mas sei lá. Aguardemos o desfecho da coisa. O conclave mal começou, no entanto pode ser que hoje mesmo a fumaça branca apareça no céu de Roma.
Todavia, vejo com preocupação a eleição do brasileiro. Por mais virtuoso que ele possa ser, os efeitos emocionais que isso traria a um povo histérico e descompensado como o brasileiro seriam terríveis. No mínimo, os não-católicos teriam que suportar bullying por muito tempo...
Para piorar, a imprensa internacional tem dado margem a essas especulações. Hoje, p. ex., o Corriere della Sera publicou uma charge na qual Dom Scherer dribla os demais cardeais.
A charge está sendo interpretada como reconhecimento das reais chances do brasileiro. Eu, no entanto, como advogado do diabo, pergunto-me se não seria apenas uma piada com o fato de o Brasil ser conhecido como país do futebol, talvez até uma ironia. Mas sei lá. Aguardemos o desfecho da coisa. O conclave mal começou, no entanto pode ser que hoje mesmo a fumaça branca apareça no céu de Roma.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Mais milagre
“Existem apenas duas formas de viver a vida: uma é acreditar que nada
é um milagre; a outra é acreditar que tudo é um milagre”
é um milagre; a outra é acreditar que tudo é um milagre”
O milagre da vida
Se há algo que me intriga desde a infância é a origem da vida, especialmente a dos seres humanos.
Sempre tentei entender, mesmo que parcialmente, como seria o mágico momento em que duas células são unidas por vital energia e chegam a desenvolver um novo Homo sapiens sapiens inteirinho a partir daquele ponto.
O estudo da biologia, da química e do catecismo no colégio logo se mostraram insuficientes para responder as minhas básicas perguntas.
Na faculdade continuei sem entender a maioria dos porques, porém logo absorvi a ideia de que somos máquinas biológicas de tal complexidade que precisamos de especialistas para cada sistema dos nossos organismos. Mas novamente fracassaram a embriologia, a genética e até a obstetrícia em me fornecer explicações capazes de apaziguar a sede desse saber específico.
Bem, acabei por desistir de entender e optei por aceitar a origem da vida como algo idiopático. Um milagre biológico!
E tudo isso veio a tona em minha mente com a mera notícia do nascimento de um pequeno amigo, rotulado carinhosamente de Fernandinho, ocorrido há dois dias aqui mesmo no planeta Terra, latitude -23° 32' e 51” e longitude -46° 38' 10”.
O pai, orgulhoso, me informa que ele nasceu chorando vigorosamente e que já é torcedor da Ferrari e de um clube de futebol aqui de Belém, cujo nome prefiro não digitar neste post por uma questão de estética.
Pensei numa maneira de registrar a bandeirada de chegada do Fernandinho de forma digital, torcendo para que no futuro algum cyberarqueólogo descubra esta singela homenagem ao meu amiguinho, pelo qual, apesar de ainda não conhecê-lo pessoalmente, já nutro sentimentos bons e fortes. Quem entende as emoções?!
Deixo então as minhas boas-vindas, em uma língua que certamente será a oficial da futura ciência que chamar-se-á Cyberarqueologia:
WELCOME TO THE JUNGLE, LITTLE FERNANDO!
domingo, 10 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Translendário 2013
A versão 2013 do super-polêmico Translendário foi lançada na última quarta-feira, em Fortaleza.
O calendário, criado pelo grupo teatral As Travestidas no ano passado, tem como objetivo quebrar o preconceito em relação às pessoas trans e usa muitas referências religiosas.
Dentre os colaboradores da obra deste ano está o cartunista Laerte.
Os interessados podem comprar o calendário na página do As Travestidas no Facebook.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Terça existencialista
"Eu vou acabar acreditando em Deus. Tá difícil acreditar em qualquer outra coisa"
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Gênese
Premiada no Festival de Cinema de Berlim em 2008, a animação em stop-motion The Animator, do australiano Nick Hilligoss, é no mínimo intrigante.
E do barro viemos!
terça-feira, 29 de maio de 2012
Fina ironia
O vídeo acima foi pescado do Blog do Sakamoto, que hoje critica a intolerância e os interesses ocultos na abordagem do homossexualismo pela mídia .
Apesar da seriedade do tema, o vídeo não deixa de ser engraçado, no melhor estilo Monty Pithon.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Sem ódio
A campanha publicitária Unhate, deflagrada em novembro último pela Benetton, segue a todo vapor com o reforço de um anúncio sobre acordo financeiro feito com a igreja católica, referente à utilização da imagem do Papa Bento 16 beijando Ahmed Mohamed ei Tayeb, imã de uma mesquita no Cairo.
Aliás, a referida fotografia, mostrada abaixo, já foi retirada da campanha.
O valor do acordo, é lógico, não foi divulgado.
Amém.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Tesouro
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
O irmão de Jesus
Semana passada recebi uma visita que mudou (para melhor) o meu espírito natalino, e que acabou contagiando toda a minha família.
Uma senhora, portadora da moléstia de Alzheimer, chegou muito agitada à consulta, gritando para a filha que a acompanhava que me desse o "pequeno Jesus", o "pequeno menino Jesus".
A filha prontamente retirou uma imagem de Jesus, dessas de presépio, a qual a paciente me entregou, ainda num contexto de grande agitação psicomotora.
Em vez de se acalmar, a senhora manteve-se meio agressiva verbalmente durante toda a consulta, desta feita gritando para a acompanhante, "o outro", "o outro".
Resolvi interferir e perguntei com muita calma, no tom de voz mais tranquilo que pude usar, o que ela queria que fosse feito.
Ela fez a filha retirar outra imagem do menino Jesus da bolsa e me deu, gritando, "o irmão", "o irmão".
Caí na gargalhada, e, ao receber o "outro" menino, disse a ela que não sabia que Jesus tinha tido um irmão, muito menos gêmeo, e indaguei o nome dele.
"Júnior", "Júnior", ela dizia compulsivamente, e ao repetir o nome terminou por acalmar-se pouco a pouco.
A paciente foi embora bem tranquila e eu fiquei ainda mais calmo, na companhia dos meninos.
O mais difícil foi encontrar um manjedoura apropriada para gêmeos.
A propósito, eles são bivitelinos: Jesus é loirinho, e José Júnior tem cabelos castanhos.
E ao reproduzir esta história me sinto inundado de felicidade por saber que, deste natal em diante, sempre teremos dois meninos em nosso presépio.
Feliz natal, Jesus e José Junior!

Jesus (à direita) e José Júnior, na manjedoura dupla
Uma senhora, portadora da moléstia de Alzheimer, chegou muito agitada à consulta, gritando para a filha que a acompanhava que me desse o "pequeno Jesus", o "pequeno menino Jesus".
A filha prontamente retirou uma imagem de Jesus, dessas de presépio, a qual a paciente me entregou, ainda num contexto de grande agitação psicomotora.
Em vez de se acalmar, a senhora manteve-se meio agressiva verbalmente durante toda a consulta, desta feita gritando para a acompanhante, "o outro", "o outro".
Resolvi interferir e perguntei com muita calma, no tom de voz mais tranquilo que pude usar, o que ela queria que fosse feito.
Ela fez a filha retirar outra imagem do menino Jesus da bolsa e me deu, gritando, "o irmão", "o irmão".
Caí na gargalhada, e, ao receber o "outro" menino, disse a ela que não sabia que Jesus tinha tido um irmão, muito menos gêmeo, e indaguei o nome dele.
"Júnior", "Júnior", ela dizia compulsivamente, e ao repetir o nome terminou por acalmar-se pouco a pouco.
A paciente foi embora bem tranquila e eu fiquei ainda mais calmo, na companhia dos meninos.
O mais difícil foi encontrar um manjedoura apropriada para gêmeos.
A propósito, eles são bivitelinos: Jesus é loirinho, e José Júnior tem cabelos castanhos.
E ao reproduzir esta história me sinto inundado de felicidade por saber que, deste natal em diante, sempre teremos dois meninos em nosso presépio.
Feliz natal, Jesus e José Junior!
Jesus (à direita) e José Júnior, na manjedoura dupla
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Salve, Yemanjá!
O ano era mil novecentos e oitenta e poucos.
A data exata era sete de dezembro, terça-feira.
Às 23:00h, precisamente, o movimento no Pronto Socorro da 14 de Março era quase nenhum.
Os acadêmicos de medicina então se reuniram para determinar quem ficaria no plantão e quem iria dormir em casa.
Eu estava entre os sortudos, e já planejava passar no saudoso Rango do Goiano (com certeza para exterminar um cheese-tudo) quando recebi um chamado de quatro colegas numa Brasília marrom: "queres ir à Icoaraci ver a festa de Yemanjá? - "claro!", respondi meio sem convicção.
A Vila Sorriso ficava muito longe, naqueles tempos, e mesmo assim estava abarrotada de gente, de centenas (ou milhares?) de devotos da Rainha do Mar.
Percebi imediatamente que os nossos trajes brancos nos davam um certo status, à medida que andávamos Primeira Rua abaixo (pais-de-santo, quem sabe?!).
Logo sentamos numa barraca na Praia do Cruzeiro e alguns de nós demonstraram de imediato enorme disposição para celebrar com muita vodca (certamente não-russa) e rum (nada caribenho).
Eu, sempre contido, comecei a beber devagar, mas mesmo assim, talvez pelo jejum, a alcoolemia foi aumentando rapidamente, embotando os sentidos e aniquilando o super-ego.
Estimo que até lá pelas 2:00 h eu ainda tinha domínio (mesmo não pleno) da situação, quando então ouvi a última frase que ficou estampada da minha memória: "eu já vi esse gordinho lá na casa do Pai João", dito por uma moça para a sua amiga.
O próximo registro deu-se lá pela 6:00h, enquanto eu andava pela Av. Cristóvão Colombo, e vinha da Brasília salvadora: "Caramba, onde tu andaste, cara?", gritado por um hoje famoso cirurgião do sistema digestivo.
O regresso pela Rodovia Augusto Montenegro foi gravado de forma meio embaralhada nos neurônios, e quando dei por mim estava já dentro do meu Golzinho, indo para casa.
Entrei pela cozinha e me deparei com toda a família tomando café.
Meu pai, como fazia usualmente, perguntou: "como foi o plantão?", num tom casual.
Enchi então o peito de ar e respondi com firmeza: "inesquecível!"
Fui dormir e só acordei bem tarde, lá pelas 16:00, com uma tremenda cefaléia e sede atroz.
Até hoje não sei se fui vítima de um pilequinho ou de alguma forma de transe, mas nunca mais se passou um Dia de N. S. da Conceição, digo, de Yemanjá, que eu não me lembrasse dela e desta inesquecível história cujo conteúdo foi esquecido.
Salve, Yemanjá!
terça-feira, 21 de junho de 2011
No céu

Numa rápida passagem por Belém, entre congressos, aproveito para compartilhar um momento muito especial vivido por mim na semana passada.
Por ocasião do VII Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções, em Gramado (RS), tive a oportunidade de dar uma "escapadinha" até o vizinho município de Três Coroas, e visitar o magnífico templo budista Khadro Ling, localizado no alto da montanha e cercado por paz de todos os lados.
A comunidade que lá vive é composta por cerca de 50 pessoas, praticantes do Budismo Tibetano Vajraiana, zeladores de 2 templos cuja beleza seguramente extrapola as imagens aqui exibidas.
Khadro Ling, a morada das dançarinas do céu, numa tradução livre, é um convite à paz, essa palavra mágica composta de vento e de cor.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
A Paixão Sevilhana
The place to be na Semana Santa na Europa sem dúvida é Sevilha, na região da Andaluzia, sul da Espanha. Este ano, conseguimos um tempo para ver de perto as famosas procissões de passos que começam no Domingo de Ramos e se estendem até o Domingo de Páscoa. Os passos são imensas plataformas com representações das cenas da última semana de vida de Jesus - da entrada em Jerusalém ao triunfo da ressurreição-, e imagens de Virgens Marias (a mais famosa delas, a Macarena), apóstolos, Herodes, Pilatos e todos os personagens envolvidos na Paixão de Cristo. As procissões são organizadas por confrarias - muitas delas fundadas no século XV, outras nos anos 40 ou 60 do século XX. Quase todas com nomes imensos, como por exemplo, Humilde y Fervorosa Hermandad y Cofraria de Nazarenos de Nuestro Padre Jesús Despojado de sus Vestiduras, Maria Santissima de los Dolores y Misericordia, Mayor Dolor de Nuestra Señora, San Juan Evangelista y San Bartolomé Apóstol, mais conhecida como Confraria Jesús Despojado. Somente no Domingo de Ramos, eram nove confrarias que percorriam o centro histórico de Sevilha, saindo de diversos pontos (normalmente igrejas, capelas ou conventos), das 15 h até 3 horas da madrugada da Segunda-Feira Santa. Todas as procissões passam obrigatoriamente pela magnífica Catedral de Sevilha - um dos maiores templos góticos do mundo. 

Cada procissão tem duas ou mais bandas de música, que tocam peças religiosas, pendendo para os ritmos marciais. Os membros da confraria vão de terno e gravata, mas alguns, os chamados nazarenos, vão de túnica e capuz. Eles representam os seguidores de Jesus, que preferiam se manter anônimos. Entre os encapuzados estão os chamados costaleros - homens e mulheres que carregam os pesadíssimos passos feitos de prata e ouro com imagens de tamanho natural. Sevilha tem as procissões mais famosas, mas elas também organizadas em várias cidades da Andaluzia, como em Málaga, onde está a confraria que tem Antonio Banderas, o ator almodovariano, como um de seus membros.
Nos dias que ficamos em Sevilha, o clima foi perfeito: sol e calor. Não deixamos de fazer comparações. O espírito dos sevilhanos era bem similar ao dos belenenses nos dias de Círio. Aquele ar de festa religiosa mas com espaço para o profano. Nos bares, ao longo do trajeto das procissões, os andaluzes bebem o bom vinho, a boa cervezita e comem muito bem.
domingo, 9 de janeiro de 2011
"Falta o resto do país"
Olá, meus caros, com um certo atraso retomo as atividades aqui no Flanar neste ano de 2011. E como ultimamente não ando muito disposto a contemporizar, começo com um tema que pode dar pano para manga.
A presidente Dilma Rousseff teria mandado retirar de sua sala o crucifixo e a Bíblia (momento para música trágica, baseada em percussão). A notícia foi dada pela insuspeita Folha de S. Paulo, que decerto torce ardorosamente pelo sucesso da nova gestão federal. Naturalmente eu tenho uma opinião sobre o caso, mas em vez de externá-la, prefiro subscrever na íntegra uma opinião muito mais abalizada, do doutor em Ciência Política, jornalista e blogueiro Leonardo Sakamoto. Leia aqui.
Ainda não soube de nenhuma repercussão do episódio, mas quem sabe a oposição queira trazer o caso à baila, quando o novo ano legislativo começar. A última campanha eleitoral deixou bem claro como, agora, como se não bastasse tudo o mais que já estava errado, você somente se credencia para governar a nação se for católico ou evangélico. As coisas, em termos de fundamentalismo religioso, parecem piores do que três, quatro décadas atrás, quando o catolicismo funcionava indiscutivelmente como religião oficial do país, a despeito de o ordenamento jurídico dizer o contrário.
Veremos se a novidade dará em alguma coisa.
A presidente Dilma Rousseff teria mandado retirar de sua sala o crucifixo e a Bíblia (momento para música trágica, baseada em percussão). A notícia foi dada pela insuspeita Folha de S. Paulo, que decerto torce ardorosamente pelo sucesso da nova gestão federal. Naturalmente eu tenho uma opinião sobre o caso, mas em vez de externá-la, prefiro subscrever na íntegra uma opinião muito mais abalizada, do doutor em Ciência Política, jornalista e blogueiro Leonardo Sakamoto. Leia aqui.
Ainda não soube de nenhuma repercussão do episódio, mas quem sabe a oposição queira trazer o caso à baila, quando o novo ano legislativo começar. A última campanha eleitoral deixou bem claro como, agora, como se não bastasse tudo o mais que já estava errado, você somente se credencia para governar a nação se for católico ou evangélico. As coisas, em termos de fundamentalismo religioso, parecem piores do que três, quatro décadas atrás, quando o catolicismo funcionava indiscutivelmente como religião oficial do país, a despeito de o ordenamento jurídico dizer o contrário.
Veremos se a novidade dará em alguma coisa.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Orient Express III
Não existem mais certezas no mundo, me disse outro dia um querido amigo, e cada vez mais concordo com ele. Uma das visitas que tinha planejado em minha volta à Turquia era ir ao templo dos Mevlana's Lovers - uma ordem religiosa islâmica mística, baseada na filosofia sufi, e que tem como fundador Jalalud-Din Mevlevi, ou simplesmente Mevlana. Ele viveu entre 1207 e 1273 na Ásia, entre o que hoje é o Afeganistão e a Turquia. Era filho de um rico pachá, mas abandonou a fortuna para ajudar os pobres. Uma espécie de São Francisco, mas numa versão mulçumana e mais mística ainda. Na prática diária de meditação, Mevlana instituiu a Sema - uma cerimônia onde o asceta dança. Primeiramente, gira o corpo no sentido descendente, para lembrar que tudo o que existe vem de Alá. Depois, gira no sentido ascendente, para manifestar gratidão ao Criador. Os adeptos dessa prática se tornaram mundialmente conhecidos como dervisches rodopiantes - e eles estiveram até mesmo no Brasil, na época do extinto Carlton Dance Festival, lá pelos anos 80.
Os seguidores de Mevlana têm duas sedes: o lindíssimo templo de Istanbul (onde assisti, em 1999 uma dessas cerimônias) e o templo em Konya (centro sul da Turquia, onde se encontra o mausoléu de Mevlana, que é lugar de peregrinação). As cerimônias eram abertas ao público, com a condição de não se aplaudir, já que não se tratava de um espetáculo.
Pois, em nossa viagem à Istanbul no mês passado, soubemos que o templo da ordem está fechado para reformas. Mas, cartazes pela cidade garantiam uma apresentação diária dos dervisches em um antigo hamam (um histórico prédio de banho turco). Ainda perguntei se eram os mesmos integrantes da ordem Mevlana's Lovers e todos diziam que sim. Mas, que nada. Assistimos algo completamente diferente da cerimônia que assisti 11 anos antes. Sem nenhum sentido espiritual, apenas aquela "exibição" de quatro ou cinco dançarinos - com certeza não integrantes da ordem de Mevlana. Em restaurantes de Istanbul, se anunciam e se fazem "espetáculos" semelhantes. A palavra dervische perdeu o sentido. Uma pena. Pensei que os verdadeiros discípulos de Mevlana talvez não tenham tomado providências para evitar isso. Quem sabe registrando o nome da cerimônia e até o termo que os designa. Na internet, achei alguns vídeos da Sema. E torço para que o espírito de Mevlana consiga restaurar o sentido dessa cerimônia em um tempo em que tudo está à venda, esvaziado d'alma.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
O Rock n' roll & Bossa Nova
Desde os primeiros acordes 4x4 de um maluco que "fundeou" um "Porto" de um Mar em plena deriva. Num desconhecido mundo de muitos caretas. O Rock n' Roll surgiu como um "tapa", no lombo de uma sociedade, calcada em valores duvidosos e fundamentalista de seus interesses. Muito diferente de uma lei da natureza. Seu nome: hipocrisia.
Um monte de novos oráculos surgiram na esteira da nova música.
Pastores que juram que são a reencarnação do filho de Deus. Vomitaram e vomitam:
-- Este é o ritmo do diabo!! E fogo neles (os que gostam de rock) é o que temos que alertar para as boas e sadias famílias do mundo!!!!!!
Na verdade uma lei física que propôs muitas explicações e pouca comprovação quando distanciada dos complicados elementos que arvoram-se a explicar:
1. Quem somos?
2. De onde viemos?
3. Para onde vamos?
Isso tudo. Claro. Se imbecis aos borbotões por ai, que posam de líderes de povos subjugados. Não resolverem, por conta própria. Anteciparem nosso destino comum, que é do pó e voltarmos, ao nada, antes da hora, --e, nos mandar para os ares todos. Por conta de uma visão apocalíptica de uma Bíblia, cujo evangelho é interpretado segundo suas taras pessoais.
Ritmo algo alucinado, extraído e inspirado da alquimia rítmica de muitas raízes. Decantadas do rhythm and blues, do country e de elementos do rockabilly. Poderíamos dizer que essa gênese, gerou o rock como conhecemos hoje. O rock que surgiu na década de 50?!
Para os crentes do país de origem do Rock. Essa é mais uma teoria que comprova, aos hipnotizados seguidores, que trata-se de mais um elemento do grande complô contra Deus.
-- Jesus. Fala com a boca cheia. Em transe. Um desses pobres pregadores.
-- Não voltou para a Terra, graças a "esses" (quem escuta algo que tenha um ritmo fora da Igreja dele) pervertidos. Eles foram "marcados" para destruir a boa família. Enquanto que eu (que gosto de rock), fui ungido pelo satanás para fazer o mal.
A boa família americana que seus embaixadores. Agora, por conta, das calças arriadas pelos seus próprios membros. São desnudados, num prosaico site na internet (http://wikileaks.org), trata-se de mais uma obra do diabo --, de acordo com 100% dos 100% dessas tristes criaturas que nos julgam.
E eles. Nossos julgadores. Que sequer concurso têm para fazê-lo -- se tiverem -- gostaria muitíssimo de examiná-lo. Bradam algo parecido ao fim dos tempos.
-- Tá dominado! É palavra proibida.
Mas, o que tá dominado? Sacripanta?!
-- Eu pergunto:
-- O rock?
E grita-se mais alto que um solo de guitarra. Apenas gritam, para apavorar os pobres coitados que os ouvem, e logo depois têm suas carteiras substancialmente aliviadas pelo dízimo. O dízimo sagrado que professam.
E onde fica, na alquimia? O Blues, Country e o Jazz?
Nos infernos?
Como disse. Só pode ser por ai, para muitos. E onde fica no caldeirão desandado? O caribe, samba e mantras?
Assim surgiu o Rock?
O rock é a mistura de vários outros tipos de músicas sejam elas Rock n' roll ou não?
E antes do Rock?
A principal novidade em termos musicais no rock and roll foi a utilização de um instrumento que havia nascido pouco antes do que o próprio ritmo, a guitarra elétrica. As primeiras foram criadas na década de 30 do século XX, sendo a primeira gravação de um solo de guitarra realizada no ano de 1938, por Eddie Durham, violonista e trombonista de jazz. Porém foi somente duas décadas mais tarde, com o rock clássico, e seu descendente direto, o rock and roll, que o instrumento foi utilizado em sua plenitude de recursos. O rock foi feito para o som estridente da guitarra elétrica, assim como a guitarra parece ter sido feita para tocar o enérgico rock and roll. Além disso, o rock é uma música híbrida, com heranças culturais tanto brancas (o Country and Western e o Bluegrass) quanto negras (o Jazz, Blues, Rhythm and Blues, Gospel e outros).
Antes de Elvis Presley, em 1948, Roy Brown gravou Good Rockin' Tonight (mais tarde regravada por Elvis) e, apesar de manter o compasso do blues, alterou o estilo triste para um acompanhamento mais acelerado e frenético, com um toque dos cantos religiosos negros, mais gritados que sussurrados. Essa versão rápida de blues deu lugar ao que se chamou de rhythm and blues (r & b) e que mais tarde seria interpretado por cantores brancos e fundido com o rock and roll. Em 1952, Alan Freed batizou seu programa de Moondgo's Rock'n'Roll Party, o que acabou definindo a expressão como designativa de um tipo específico de música. Foi o próprio Freed que organizou o primeiro concerto de rock and roll (1953), e acabou se transformando num grande sucesso, com participação de Big Joe Turner, Fats Domino, The Moonglows e The Drifters, tudo isso antes de Elvis Presley.
O grupo Bill Haley & His Comets já fazia sucesso nos EUA antes de Elvis, sem contar Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Boppe...
Historiadores apontam a música "Rocket 88", escrita por Ike Turner (marido de Tina Turner) em 1951, como a primeira gravação de rock.
Antes de Elvis Presley, em 1948, Roy Brown gravou Good Rockin' Tonight (mais tarde regravada por Elvis) e, apesar de manter o compasso do blues, alterou o estilo triste para um acompanhamento mais acelerado e frenético, com um toque dos cantos religiosos negros, mais gritados que sussurrados. Essa versão rápida de blues deu lugar ao que se chamou de rhythm and blues (r & b) e que mais tarde seria interpretado por cantores brancos e fundido com o rock and roll. Em 1952, Alan Freed batizou seu programa de Moondgo's Rock'n'Roll Party, o que acabou definindo a expressão como designativa de um tipo específico de música. Foi o próprio Freed que organizou o primeiro concerto de rock and roll (1953), e acabou se transformando num grande sucesso, com participação de Big Joe Turner, Fats Domino, The Moonglows e The Drifters, tudo isso antes de Elvis Presley.
O grupo Bill Haley & His Comets já fazia sucesso nos EUA antes de Elvis, sem contar Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Boppe...
Historiadores apontam a música "Rocket 88", escrita por Ike Turner (marido de Tina Turner) em 1951, como a primeira gravação de rock.
Aqui no Brasil. Um tal João Gilberto, marcaria outro gênero: a Bossa Nova.
Sobre a Bossa Nova. Escreverei depois.
De uma coisa sei, porém. Nós, humanos. Nunca mais fomos os mesmos, depois desses malucos.
E de malucos em palcos. Prefiro os que cantam aos que querem o meu dinheiro.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Guerra santa fluvial

Imagem: AFP
Os alemães do leste passaram a perna no Bispo Edir Macedo e lançaram hoje na água uma igreja flutuante, denominada Vineta, que foi levada para a localidade de Magdeborn, perto de Leipzig.
Imaginem só o poder de evangelização que teria uma igreja móvel, bonita e funcional como essa, em regiões como a Amazônia.
Se a idéia pegar, em breve poderemos ter uma miniatura da Basílica deslizando no Círio Fluvial e até uma verdadeira guerra santa aquática por aqui: Universal, Quadrangular, Assembléia e quem sabe até a Católica disputando as comunidades ribeirinhas palmo a palmo com suas catedrais flutuantes.
Delírio? Analisem a imagem e projetem o custo desta “embarcação” – não parece viável?
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