Publicado na edição de 31/03/2014 do jornal Metro, edição flamenga
Curso de segurança para torcedores na Copa do Mundo Bruxelas - Torcedores que vão torcer pelos Diabos Vermelhos (NT: apelido dos jogadores de seleção belga) na Copa do Mundo de Futebol no Brasil podem se armar via um curso especial de segurança contra os criminosos. Em Ranst (NT: cidade da província de Antuérpia, a 55 km ao norte de Bruxelas), Campus Vesta, o centro provincial de treinamento para policiais, bombeiros e socorristas médicos de urgências, organiza tal treinamento junto com seu parceiro holandês ProCentrum. A Brazilian Experience é um curso interativo e se desenrola num bar fictício. Os torcedores ganham uma prova da noite noturna brasileira com samba ao vivo e deliciosos tira-gostos, mas também com batedores de carteira profissionais. "Você pode ler na internet o que pode fazer e o que deve evitar, mas logo se esquece. Mas se você mesmo descobre, então fica mais na sua cabeça", garante Ben Cuypers, treinador de controle de agressões.
O projeto Evolução Silenciosa, criado em 2009 pelo artista Jason de Caires Taylor, transformou-se silenciosamente no maior museu subaquático do mundo.
Localizado próximo à Isla Mujeres, em Cancun (México), o espaço submerso conta atualmente com 413 esculturas feitas em concreto de pH marinho neutro, as quais se transformam progressivamente em recifes artificiais para incontáveis espécies.
O fato de estar apenas a nove metros de profundidade permite que o museu seja visitado por mergulhadores, praticantes de snorkel e por turistas em barcos com fundo de vidro.
Não sei se a Volkswagen do Brasil errou ou acertou ao chamar o "New New Beetle" de Fusca. De qualquer modo, para deleite do Pedro, do Paulete, do Roger e de milhões, o Fusca voltou!!! (imagens: Scylla Lage Neto)
Oficialmente, no Brasil, o carro chamar-se-á Fusca.
Há exatos dois anos, escrevi aqui no Flanar sobre a beleza efêmera do Tapete de Flores no Grote Markt/Grand Place in Brussel. Como o evento é bienal, repito a dose, desta vez com um curtíssimo vídeo postado no Youtube. Este ano, a África é inspiração. Há mais imagens numa reportagem da TV Éen, onde uma entrevistada conta: "minha irmã mora no Brasil e até lá eles mostraram o tapeta na TV".
Para ler detalhes sobre o tapete, recomendo a página da ONG que organiza um dos eventos mais bonitos da Bélgica.
No melhor dia dos pais que já vivi (tudo bem que, como pai, não foram muitos...), fui dar uma volta com a família, a originária e a constituída. Decidimos dar uma olhada na nova orla de Belém, aquele 1,2 Km como sempre batizada com um nome pomposo e dramático. Eram mais ou menos 17h30 e não havia um único espacinho onde pudéssemos estacionar. Demos duas voltas, na expectativa de que alguém fosse embora, em vão. Fica para uma próxima.
Meus acompanhantes disseram que o espaço é bonito, mas não pude prestar atenção, porque quem dirige não se pode dar ao desfrute de contemplar paisagens, ainda mais se busca local para estacionar.
Como era de se esperar, a orla está coalhada de publicidade autoglorificadora disfarçada, usando as cores da logomarca do atual desgoverno como fundo para pessoas mortas de felizes. Só não havia as legendas descaradas.
O que eu não esperava era ver o acinte em outros pontos turísticos.
O miserável mandou instalar placas supostamente turísticas, indicando o nome do logradouro. Eu as vi na Praça Frei Caetano Brandão e no Arsenal de Marinha, entrada do Mangal das Garças. São postes altos, placas grandes e gritantemente alaranjadas, causando inclusive poluição visual e incomodando quem, p. ex., quer olhar para a Catedral da Sé, mas se depara com aquela feiúra bem no campo de visão. Em ano eleitoral, tão óbvio quanto grotesco.
Mas como não há legendas, apenas o nome do logradouro, a Justiça Eleitoral, que tem aquele terrível problema de visão, nada enxergará de anormal. E as placas ficarão por ali, eternizando o layout da atual gestão desastre, inclusive depois que ela terminar e nós passarmos à fase de lutar desesperadamente por virar essa página hedionda.
Antiga capital do dizimado império inca, (momento em que chegou a ser conhecida como "umbigo do mundo"), Cusco é uma cidade estratégica para o turismo em terras peruanas. Situada em um vale a 3400 metros de altitude, a cidade é charmosa, movimentada, com trânsito feroz pelas suas ruelas. Por vezes tão estreitas, que obrigam os motoristas a manobras delicadas para retornar após entrar em algumas delas.
Do alto dos inúmeros mirantes existentes no entorno (as ruínas incas de Saqsaywaman proporcionam uma excelente visão panorâmica) é possível ver a cidade espalhada ao longo do vale, com suas casinhas em tons predominantes de terracota.
Cusco a partir de Saqsaywaman - Imagem: Carlos Barretto. Todos os direitos reservados.
A cidade possui uma infinidade de prédios históricos de notável beleza, a maioria construída pelos colonizadores espanhóis sobre antigas edificações incas (que trataram de demolir sistematicamente, não sem antes aliviá-las de fabulosos trabalhos em ouro). A maioria destes prédios abriga obras de arte do que se convencionou chamar de arte cusqueña. Não sou exatamente um entendido no assunto. Mas pelo que pude ler e ouvir dos guias locais, as pinturas eram feitas por encomenda para a igreja católica com temas que visavam propagar a ideologia do colonizador. Nelas, os santos católicos podem aparecer ao lado de divindades incas, construindo a falácia da integração das culturas. Uma ação política determinada a garantir uma espécie de "pax espanhola", se me permitem a analogia.
Ponto de partida para quem deseja chegar ao principal atrativo turístico da região, Cusco é uma cidade relativamente pequena mas cheia de gente. Hordas de turistas por lá circulam, criando uma babel que em nada difere da encontrada em outros atrativos concorridos mundialmente. Machu Pichu, é sem nenhuma dúvida, o objetivo de todos. Lá também encontramos engarrafamentos em horários de pico, favelas nas encostas íngremes, e o detalhe mais desconfortável: o soroche. É como é conhecido por lá o mal da altitude.
Ruelas estreitas de Cusco à noite. Imagem: Carlos Barretto. Todos os direitos reservados.
Logo ao desembarcar no aeroporto, instalei em meu indicador direito um pequeno oxímetro de pulso e me assustei com o que vi: ele marcava 77% de saturação de oxigênio (normal acima de 90% ao nível do mar). Era a comprovação de que estava com hipóxia, muito embora não sentisse qualquer tipo de desconforto respiratório. Mas ao caminhar por ladeiras ou qualquer escadinha com poucos degraus, o aumento da frequência cardíaca (acima de 130 batimentos por minuto) e o extremo cansaço surgiam inequívocamente.
Mas o soroche não é apenas isso. Pode ser ainda mais desconfortável, se acompanhado de náuseas, vômitos, cefaléia, tonturas e até mesmo derivar para sintomas de extrema gravidade. Além disso tudo, em alguns pontos a própria topografia da cidade parece também cobrar um preço. Inúmeras ladeiras, algumas bastante íngremes, podem inviabilizar o ato de caminhar pela cidade. Mas os táxis são baratos e acabam sendo a melhor maneira de ir de um ponto a outro, mesmo que de curta distância.
Fiz o que foi recomendado para as primeiras 24 h de adaptação: repouso, alimentação leve, muita água e litros de chá de coca (disponível gratuitamente nos hotéis, que também possuem tubos de oxigênio para os mais necessitados). Consegui me adaptar, respeitando sempre os limites impostos pelo cansaço e taquicardia.
Como é tradicional nas cidades de colonização espanhola, a Plaza de Armas é o ponto principal (e central) da cidade. As principais atividades culturais e cívicas acontecem lá. É onde também estão algumas lojas importantes, alguns restaurantes (sempre cheios e concorridos) e a magnífica Catedral de Cusco. Foi na Plaza de Armas que pudemos testemunhar o ponto culminante deste post. Um pequeno vídeo que editei, mostrando um evento que para mim, além de surpreendente, gerou grande emoção: os festejos de Corpus Christi.
Na verdade, a data religiosa é lá comemorada por uma semana inteira, onde grupos locais vestindo trajes coloridos acompanhados de bandas bem paramentadas (algumas com muitos integrantes), fazem evoluções no entorno da catedral, descendo em direção a Avenida del Sol. Foi uma grande sorte e surpresa para nós estar lá naquele momento. Centenas de turistas e moradores enchiam o trajeto do evento deixando o trânsito de veículos infernal. Mas o que vimos lá, valeu a pena.
Veja você também.
O vídeo também foi feito com o iPhone 4S, editado no iMovie (onde ganhou uma pretensiosa trilha sonora) e encaminhado para o You Tube com qualidade máxima permitida em HD. Experimente carregá-lo em HD e assistir em tela cheia.
O título é pretensioso. Afinal, sinceramente, não vejo como transmitir a emoção que tive ao realizar um sonho pessoal. E também o encantamento de conhecer aquela maravilha pré-colombiana, que parece surgir, como num rompante, após uma pequena (mas íngreme) e dura trilha a 2400 metros de altitude. Apesar de estar 1000 metros mais baixa que Cusco, Machu Pichu ainda consegue provocar aquele cansaço extremo ao fazermos qualquer avanço em suas trilhas, incontáveis escadarias e labirintos.
Fizemos dois "ataques" à cidadela. E fomos premiados com dois dias lindíssimos, porém algo exigentes. Na pequena localidade de Machu Pichu Pueblo (antiga "Aguas Calientes"), localizada no vale do rio Urubamba, as manhãs habitualmente começavam e terminavam muito frias (cerca de 2 graus). Entretanto, ao subir a montanha rumo a Machu Pichu, a temperatura subia dramaticamente (acima de 20 graus). Isso, nos obrigava a ir tirando os agasalhos, colocando-os nas mochilas ou enrolando-os na cintura. Mas o que vimos lá em cima, foram duas belas manhãs ensolaradas, com aquele céu indescritível das grandes altitudes. Um azul profundo com luz intensa, que geram fotografias espetaculares ao mais amador dos fotógrafos. E também um leve bronzeado nos rostos.
Preciso arranjar tempo e disposição para descrever mais detalhes e dicas da viagem. Sei que estou devendo. Por enquanto, deixo este vídeo feito no iPhone, editado no iMovie e encaminhado ao You Tube.
Está disponível também em HD (720 p)*. Basta clicar no ícone de engrenagem no canto inferior direito, change settings e escolher 720 p.
Vejam!
*OBS: em HD, pode-se perceber a mais que generosa capacidade da pequena câmera do iPhone 4 S. Após o carregamento completo do vídeo em HD, experimente clicar no ícone de full screen. Um prodígio que fez justiça ao cenário encantador.
Talvez por Belém ser uma cidade quase sem espanhóis, raramente temos a oportunidade de degustar um boa paella (um dos meus pratos favoritos) na sombra das mangueiras.
Pois ontem, em São Paulo, tive a oportunidade de conhecer um restaurante pequeno, escondido no bairro do Ipiranga, que destronou os até então imbatíveis Don Curro e Los Molinos, como a melhor paella paulistana: o Paellas Peppe. Peppe, aliás, José Gutierrez Espin, trouxe a receita secular da Espanha e por décadas preparou o prato valenciano exclusivamente para a família. Após a sua morte, seu genro Emílio abriu o restaurante, atando-se de forma rígida ao princípio "o homem cozinha e mulher ajuda".
Hoje sob o comando do neto Mário, o Paellas Peppe abre apenas de sexta a domingo com vasto cardápio da culinária espanhola.
Não tenho como descrever a levíssima paella lá servida, mas posso tentar resumir em uma só palavra: pecaminosa!
E, indo à Sampa, recomendo que não percam a oportunidade de pecar.
Para os que frequentam o caminho das águas entre Belém e o porto de Arapari, o restaurante Maloca do Orlando, localizado "logo ali - no primeiro furo a estibordo, passando o porto", é uma referência de longa data.
Aos sábados, e principalmente aos domingos, chega a haver engarrafamento de lanchas, iates, voadeiras, jet-skis, canoas e até veleiros no embarcadouro generoso do estabelecimento.
Ontem, após meses de ausência, fomos vítimas da hospitalidade e da boa comida de Orlando e sua patroa, o que gerou a constatação de que o restaurante continua excelente e honesto.
Nossos convidados, um amigo-irmão de Fortaleza e sua adorável esposa ficaram boquiabertos com o feijão e especialmente com a "arretada" farofa, que acompanham quase todos os pratos.
A minha sugestão, aos que por lá se aventurarem é: camarão frito (do regional, é claro!), de entrada; filhote frito, a estrela da casa, como prato principal; e de sobremesa, o indefectível açaí, lá mesmo amassado.
Após o almoço, ainda há a possibilidade de se fazer uma trilha pela propriedade, para estimular a digestão.
O banho de rio pode ser feito em rampas junto ao deck, e é restaurador na vazante e estimulante na enchente, mesmo na maré de lance.
O veredito final é: nota 10, em termos de culinária regional.