terça-feira, 15 de julho de 2008

Ecos de Dantas

Luís Nassif mata a pau, mostrando a calhordice dos colunistas e editores da revista VEJA, no caso Daniel Dantas:

Os estertores

A luta está chegando ao fim. O que se tem agora são estertores do pior jornalismo que este país já conheceu em muitas décadas. A Abril estava esperando baixar a poeira para pensar em mudanças inevitáveis na revista Veja. Demorou, o furacão chegou e o preço a pagar será cada vez mais alto. Cada semana de Eurípedes Alcântara e Mário Sabino será mais saque sobre o ativo de imagem da revista.

Agora é apenas aguardar o sangramento até que a Abril encontre a oportunidade adequada para promover as mudanças e tentar recuperar a revista. Tenho cá para mim que o desgaste já chegou a um ponto de não-retorno.

Ainda se levará bom tempo para avaliar o que esse período de esbórnia, essa violência pornográfica, a falta de escrúpulos tentando compensar a falta de talento, produziram na maior revista brasileira.

A quebra de imagem é irreversível e não apenas entre os leitores mais esclarecidos – cuja ficha caiu há muito tempo. A falta de qualidade das matérias, a carência de pauta, a repetição monocórdica de escândalos mal apurados, mal escritos, a truculência, a arrogância, o exercício sistemático das armas da injúria e da difamação já bateram no leitor comum. Mais ainda nas redações.

Veja já foi uma revista admirada. Depois, passou a ser temida – o que de pior pode acontecer com qualquer forma de poder. Agora é ironizada. A incapacidade de fugir do ritual amador dos ataques destrambelhados, a impotência em trabalhar competentemente qualquer tema de peso já entraram para o terreno da galhofa. Pior: a cara da revista não é mais seu corpo de jornalistas, dos mais bem pagos do país. O modelo da gestão Eurípedes resumiu-se à criação de dois atiradores: um pilantra e um desequilibrado, incensados em suas cartas ao leitor, como se fossem a síntese do corpo editorial da revista. É tudo o que se produziu de novidade nesses anos desastrosos.

Indague-se de qualquer jornalista da grande imprensa, das assessorias de comunicação, da assessoria das grandes empresas o que representa a Veja, para eles. Lixo! Indague-se dos jovens candidatos a jornalistas cursando Faculdades, o que pensam da Veja. Lixo! E não é força de expressão. É a expressão corrente. É inacreditável que só agora tenha caído a ficha da Abril.

Eurípedes Alcântara e Mário Sabino entrarão para a história do jornalismo brasileiro pelo maior anti-feito de que se tem notícia: em poucos anos, arrebentaram com o maior ativo da Editora Abril, a imagem da revista Veja.

Os futuros manuais de jornalismo tratarão de estudar por muitos anos, como se fossem fósseis da pré-história jornalística, a troca despudorada de favores – eu-te-elogio-tu-me-elogias -, a tentativa de transformar uma pessoa medíocre no “oráculo de Ipanema”, a manipulação de listas de livros para auto-promoção, o uso de desequilibrados para inibir os críticos, a terceirização da reportagens para esquemas de corrupção, do qual o mais influente foi o de Daniel Dantas. Comportaram-se como donos de botequim ante uma Editora que perdeu completamente o controle sobre a gestão da opinião – o maior ativo de que dispunha.

Eurípedes Alcântara e Mário Sabino entram para a história do jornalismo nacional como o melhor anti-exemplo para as novas gerações: conseguiram desmoralizar a falta de escrúpulos. Durante anos, os alunos sairão das Faculdades sabendo que ambos se enterraram por terem desprezado princípios elementares de jornalismo, não terem conseguido se desvencilhar da armadilha da prática diuturna da difamação, por terem apelado para pistoleiros da reputação para se defenderem de ataques contra sua incapacidade de fazer jornalismo.

Para não repetirem a sina, só haverá uma alternativa para os estudantes: estudar e se esmerar no aprendizado permanente do bom jornalismo.

14 comentários:

Anônimo disse...

Luís Nassif é sério? "Péra-la"! VEJA como toda revista tem suas particularidades e até parcialidades, mas tem coisa muito mais nojenta alimentada pelo governo federal e defendida por alguns. Calhordas são aqueles que defendem os santos de hoje que foram os diabos de ontem. Ah! Mas é bonito se fingir de politicamente correto, isso é!!

Francisco Rocha Junior disse...

Das 12:08hs, pergunto e você me responde, em sua iluminada sapiência: quem são os santos de hoje? Lula e o PT, ou FHC e a turma tucana?
Eu respondo, sob o meu ponto de vista: santos hoje são Arthur Virgílio, Fernando Henrique, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Pérsio Arida e todos aqueles que criaram o filhote do dragão que atende pelo nome de Daniel Dantas. Ou você acha que as operações ilícitas do gajo começaram com o mensalão, como quer fazer crer a revista VEJA?
Outra, para você pensar: VEJA tem "particularidade e até parcialidades", mas deixa isto claro? Ou será que reportagem é lugar de se fazer editorial?

Anônimo disse...

Veja foi o unico veiculo que mostrou a trajetoria de espertezas de Dantas, de cabo a rabo.De FHC a Lula.
Informou e antecipou.
Leia sem preconceito.

Francisco Rocha Junior disse...

Das 8:43hs, vou lhe dar uma prova do meu "preconceito": sou assinante de Veja, mas não da Carta Capital. Recebo semanalmente a revista da Abril em minha casa; quanto à CC, tenho que ir à banca buscá-la, semanalmente.
Ocorre que vem se estabelecendo um padrão, no Brasil, de cegueira crítica: vejo muita gente do meu convívio que repete, como papagaio, o discurso de Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo e companhia. Não atentam para os interesses da Abril e de suas ligações políticas antigas com boa parte da elite paulistana e carioca, envolvida com Daniel Dantas e outros espécimes desta natureza.
Digo a você mais, como leitor antigo das duas revistas que citei antes: Carta Capital é que vem seguindo e informando ao leitor a trajetória de Daniel Dantas, e isto há muito tempo. Desde 1998, quando a revista foi criada. Veja só não tapou o sol com a peneira quando lhe foi impossível, senão brigaria com a notícia.
Evidentemente, Carta Capital não é modelo de desinteresse. Entretanto, a postura de Mino Carta é muito mais honesta que a dos Civita. Mino declarou, em ambas as eleições vencidas por Lula, seu voto ao petista. Seu posicionamento político, porém, ficou nos editoriais; as reportagens raramente foram contaminadas pela opção do chefe.
Veja, ao contrário, nunca foi clara em seus propósitos. Nem seus colunistas podem se vangloriar de independência, pois a linha editorial da revista segue exatamente o que Mainardi e Azevedo vaticinam - ou vice-versa.

Flanar disse...

Acho que vc não deve se preocupar em provar nada para ninguém, FRJ. Suas participações neste e em outros blogs, para quem acompanha, já são o suficiente para termos uma boa idéia de sua análise adequada dos fatos, em minha opinião.
Mas existem outras opiniões, é claro.
Espero que elas sejam expressas sem que os interlocutores achem por bem se utilizar de adjetivos desnecessários. Basta que argumentem por inteiro em defesa de seus pontos de vista. Como vc fez e faz no post original e na resposta ao comentário anônimo.

Abs

Paulo Emílio disse...

Nobre Francisco, me perdoe mas dizer que Mino Carta é imparcial é o cúmulo do absurdo. Respeito sua opinião, embora dela não compartilhe. Aliás, o que o Mino e equipe compartilha muito bem é das benesses desse atual governo. E não venha me dizer que desde do nascimento de Cristo os tucanos, demos, FHCS, etc. faziam o mesmo porque essa desculpa é de uma probreza intelectual típica de esquerdistas engajados e pseudos protetores dos interesses dos menos afotunados em posses ou inteligência. Aconselho, com todo respeito, a você não comprar ou ler a VEJA, pois ficarás feliz só com a Carta Capital, Minos e Nassifs da vida. E se alguém vier a repetir o discurso de Manardis, Reinaldos, etc. faça ouvido de mouco, ou melhor, respeite o livre arbrítio de outrem. E continue a defender o descarado aparelhamento da máquina pública e alguns pensamentos dos menos cuidadosos.

Abs,

Paulo Emílio P. V.

Francisco Rocha Junior disse...

Caro Paulo Emílio,

Serei pontual em minha resposta:

1. Eu não afirmei que Mino Carta é imparcial. Vou repetir o trecho do meu comentário que demonstra isto: "Evidentemente, Carta Capital não é modelo de desinteresse. Entretanto, a postura de Mino Carta é muito mais honesta que a dos Civita. Mino declarou, em ambas as eleições vencidas por Lula, seu voto ao petista. Seu posicionamento político, porém, ficou nos editoriais".

2. A ressalva que faço é da honestidade de princípios: nos editoriais, local onde a publicação firma posição sobre os assuntos da semana, Mino não se nega a dar opinião. No resto (ou seja, nas reportagens), não há tomada estridente de posição travestida de notícia - postura que leva à distorção de fatos ou à fuga do foco principal da notícia, que ocorre comumente na VEJA.

3. Eu nunca recorreria ao argumento de que "se eles fazem, ou fizeram, não podem nos criticar". Concordo com você: este é o argumento mais néscio ou mal intencionado que pode existir. Critiquei esta postura, certa vez, aqui no blog, ao falar do discurso infeliz de Lula em Paris, quando estourou o escândalo do mensalão (que existiu, sim!).

4. Se conselho fosse bom, não se dava; vendia-se. Não é este o ditado popular? Pois então: dispenso seu conselho de não comprar ou ler a VEJA - ele é ruim, com todo o respeito. Quero ouvir os dois lados da moeda, bem identificados que estão. Mas eu tive a sorte de ter nascido em família classe média, razoavelmente intelectualizada, para poder discernir estas posições. A maioria da população, infelizmente, não teve as mesmas chances que eu e acaba por engolir a seco o discurso torto da imprensa.
De minha parte, não aconselho ninguém, mas vou continuar fazendo o que sempre fiz na vida, desde que adquiri um certo atilamento, digamos assim: vou continuar sendo crítico em tudo o que leio e ouço, e vou apontar o dedo em discursos cegos que repetem mentiras mal proclamadas.

5. Respeito o livre arbítrio, mas não posso tolerar a irresponsabilidade e o preconceito da classe letrada - existente, inclusive, em VEJA, em Mainardi, em Azevedo e outros colunistas.

6. Volto a repetir: defendo a democracia, acima de tudo. É o princípio norteador de minhas ações e de meus pensamentos. Sou crítico ferrenho do governo Lula; procure outros posts de minha autoria, aqui no blog, e verá. Mas algumas coisas devem ser evidenciadas. Sobre este papo de aparelhamento, por exemplo, faço minhas as palavras do Nirlando Beirão: se aparelhar o Estado é governar com seus quadros, o que queria a oposição? Que o PT governasse com os quadros do PSDB? Francamente...

Obrigado por sua leitura e comentário. Volte sempre.

Francisco Rocha Junior disse...

Barretto, os comentaristas têm se "comportado" muito bem... hehehehe...
É ótimo quando eles vêm aqui e contestam. É assim que o debate vinga.
Abração.

Flanar disse...

É.
Mas com um tom acima do necessário ou admissível para quem diz estar "disposto a debater".
Estes, que procurem sua turma.

Anônimo disse...

Achei o debate muito bom. Claro que os anônimos tucanos que lêem "VEJA" continuam cegos, por verem apenas o que querem ver e acham que criticar sua majestade FHC é defender Lula, exercitando um maniqueismo bem rudimentar. E é desse maniqueismo que a revista se beneficia para vender suas matérias para lá de tendenciosas.

Francisco Rocha Junior disse...

Das 10:07hs, você pegou bem o ponto: o maniqueísmo das opiniões contamina o debate. Nada mais negativo que a "futebolização" das opiniões: se você não é do nosso lado, automaticamente é do outro.
É isto que, entendo, devemos superar.
Obrigado pela leitura e comentário.

Flanar disse...

Pois é.
Nem o "sapo barbudo", nem o "farol de alexandria".
Rsss...

Paulo Emílio disse...

Engraçado como anônimo das 10:07 AM fala de cátedra sobre maniqueismo, chega a ser rísivel sua incongruência. Só porque não se elogia o sapiente Lula, o cidadão é tucano. Ele deve enxergar muito bem, o que só ele que ver e que vale a algo ou alguma coisa. Isso que é um aperfeiçoamento no sentido lato. E pior, ainda encontra eco. Parabéns pelo nível do debate.

Sds,

Paulo Emílio

Francisco Rocha Junior disse...

Obrigado, Paulo Emílio. Volte sempre.