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quarta-feira, 16 de abril de 2014

A vida seria sonho?

Segismundo vivia aprisionado. Filho do rei polonês Basílio, dado à astrologia, desde a infância foi desterrado e preso em uma torre, por causa de um vaticínio que seu pai recebeu.

Tal como no mito da caverna, Segismundo só sabia da vida aquilo que aprendeu pelas grades da prisão, pelas sombras nas paredes e pela única pessoa com quem tinha contato – Clotaldo, seu guardião.

Descoberto por uma estrangeira que chegou ao reino foragida, Segismundo é posto em liberdade. No entanto, a previsão de Basílio se confirma e logo no primeiro dia fora da prisão o príncipe revela-se um tirano e mata, sem que nem porquê, um serviçal com quem se desentendera.

Decidido a prendê-lo novamente – a próxima vítima seria ele próprio – o rei, para não ser alvo da ira do filho, decide dar-lhe uma poção. Assim, ele dormiria e ao acordar estaria de novo na torre, sua velha cela, sem saber se aquilo que vivera fora da prisão tinha sido sonho ou não.

Novamente na cadeia, ao despertar da vida fora da torre – ou adormecer novamente para a vida na cela – Segismundo declama um solilóquio. A vida seria sonho?

Sonha o rei que é rei, e vive
com este engano mandando,
dispondo e governando;
e este aplauso, que recebe
emprestado, no vento escreve,
e em cinzas converte-lhe
a morte, desdita forte!
Que há quem tenta reinar,
vendo que há de despertar
no sonho da morte?
Sonha o rico em sua riqueza,
que mais cuidados lhe oferecem;
sonha o pobre que padece
sua miséria e sua pobreza;
sonha o que a medrar começa,
sonha o que afana e pretende,
sonha o que agrava e ofende,
e no mundo, em conclusão,
todos sonham o que são,
embora nenhum o entenda.
Eu sonho que estou aqui
destas prisões carregado,
e sonhei que em outro estado
mais lisonjeiro me vi.
Que é a vida? Um frenesi.
Que é a vida? Uma ilusão,
uma sombra, uma ficção,
e o maior bem é pequeno:
que toda a vida é sonho,
e os sonhos, sonhos são.


(A Vida é Sonho – Calderón de la Barca)

sábado, 25 de agosto de 2012

O Cortejo Árvore de Ouro - a reinvenção

Na Europa, as velhas cidades  costumam recriar fatos históricos em grandes cortejos que atraem turistas e promovem essa aura histórica. É assim com o Pálio, a corrida de cavalos medieval em Siena, na região da Toscana, na Itália. Aqui na Bélgica, há vários cortejos, mas talvez nenhum tão grandioso quanto o Grande Cortejo da Árvore de Ouro (em neerlandês De Praalstoet van de Gouden Boom). Para começar, ele acontece somente a cada cinco anos: ou seja, quem perder os dois domingos de desfile em 2012, só vai ter outra chance em 2017. 
Este ano, é a segunda vez que assisto o cortejo. O argumento básico é um fato histórico. Na metade do século XV,  Flandres era um riquíssimo condado governado por Carlos, o Temerário (Karel, de Stoute). Para firmar alianças, o então Conde de Flandres se casa com Magarita de York, irmã Eduardo IV e Ricardo II, reis da Inglaterra. O casamento foi realizado em julho de 1468. A noiva veio da Inglaterra e desembarcou em Damme, a 5 km de Brugge. De lá, veio em grande cortejo e entrou na cidade. Imaginem os festejos. Um dos eventos na praça central foi um torneio de cavaleiros com lanças, chamado torneio da Árvore de Ouro.
Pois, essa história toda foi remontada num cortejo já no meio do século XX. A primeira vez foi em 1958 e aí se estabeleceu que seria quinquenal. Nessa 12ª edição, pelo menos 2.000 atores e figurantes desfilam pelas ruas de cidade. O cortejo tem momentos de teatro de rua, com encenações e falas históricas e muita música ao vivo, garantida pelas bandas sinfônicas e fanfarras. Eles contam não somente o casamento de Carlos e Margarita, mas também relembram fatos históricos de Brugge, como por exemplo, a invasão viking, antes da Idade Média...


a luta contra dragões (este mostrengo fica estacionado, antes de entrar em cena,  na porta da nossa casa, pois a concentração dos atores e figurantes é aqui no nosso bairro).


a riqueza dos bruggelingen (os moradores da Brugge  medieval)...

que deixou Margarita de York (abaixo) abismada: "Eu pensava que não haveria gente tão elegante fora da Inglaterra, e aqui eles são centenas!"


Aqui, os pais do noivo, Felipe, o Bom e Isabel de Portugal.


E, à direita, o feliz Carlos, o temerário - aqui numa versão 2012,  um tanto baby face.

A escolta do conde, os temidos cavaleiros flamengos.

Os gigantes legendários aparecem também no cortejo.

e no final, uma representação da nobreza medieval européia por crainças, mostrando que, apesar da crise, a Europa sabe ainda se reinventar.
As fotos acima foram feitas por mim tanto na edição de 2007 e quanto na edição de 2012, que aconteceu no domingo passado, dia 19 de agosto,  e se repete amanhã, dia 26. Brugge espera receber pelo menos 50 mil pessoas só para o ver o cortejo.

sábado, 19 de maio de 2012

The outsider beatle II




A história de Stuart Sutcliffe e os Beatles em Hamburgo em 1960-1962, também  é muito bem contada no filme Backbeat, do diretor inglês Ian Softley. A produção é de 1994, e aqui vocês tem o trailer. O filme não fez muito sucesso, mas a versão musical ganhou elogios quando estreou em Londres, em 2010. Neste verão, em julho, Backbeat - The birth of the greatest band ever ganha uma nova montagem em Toronto no Canadá.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Belém da década de 1980



Na tarde chuvosa de ontem caiu de paraquedas (ou de guarda-chuva?) no meu colo um DVD bastante curioso, o documentário Belém aos 80, dirigido por Januário Guedes e lançado pela Sol Informática.
O filme, cujo ano de produção não consegui identificar, passeia por vários aspectos da Cidade das Mangueiras na fatídica década de 1980, mas tem como ponto forte a abordagem do então efervescente cenário cultural.
A fotografia, o teatro, a música e as artes plásticas são dissecados com propriedade através de entrevistas feitas com personalidades como Emanuel Nassar, PP Condurú, Simões, Miguel Chikaoka, Luis Braga, Walter Bandeira, Eloi Iglesias, Edgar augusto, Edyr Augusto e Paes Loureiro, entre outros.
Lucio Flávio Pinto também contribui à obra com interessante depoimento sobre o assassinato de Paulo Fonteles, disponível no You Tube.
Os vídeos musicais e das peças de teatro da época, oriundos principalmente da TV Cultura, são uma preciosidade tanto para os que viveram aquela década quanto para os que tem curiosidade sobre a Belém que "já teve" tanta coisa boa.
Ganhei a tarde e a semana inteira.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sem Dizer Adeus

Imagem: Divulgação
De Edyr Augusto Proença, nosso amigo virtual há mais de 5 anos nesta nem sempre tranquila blogosfera, titular do blog Opinião Não Se Discute.

Amigos
Eu vos acompanho diariamente, admirando, acima de tudo, as opiniões emitidas sobre os mais diversos assuntos. Venho fazer um apelo. Algo que penso ser absolutamente normal em pessoas tão cultas, envolvidas no dia a dia cultural da nossa cidade. O Grupo Cuíra já está entrando na terceira semana da segunda temporada da peça "Sem Dizer Adeus", adaptação do livro "Eu e as últimas 72 horas de Magalhães Barata", escrito por Dalila Ohana, sua última companheira, livro lançado em 1960 na livraria Dom Quixote, de Haroldo Maranhão. No palco, o grande Cláudio Barradas e Zê Charone, que considero a melhor atriz paraense de sua geração. O Teatro Cuíra tem 100 lugares, poltronas, ar condicionado, enfim, condições mínimas de conforto. Todos têm o direito inalienável de escolher seus programas culturais, é claro. Mas gostaria de fazer um apelo para que fossem assistir a peça. O resultado é muito bom. De repente, bom programa, assistir o Cuíra e depois sair para jantar, conversar, debater, como nos bons tempos se fazia. Que tal?
Abs

Sobre a peça Sem Dizer Adeus, leia também este post no blog de Edyr. Leia também esta matéria publicada no Guiart.com.br.


SERVIÇO
"Sem Dizer Adeus”, de Edyr Augusto Proença. 
Com Cláudio Barradas e Zê Charone e participações de Henrique da Paz, Olinda Charone, Saulo Sisnando, André Mardock, Roni Hofstatter e Flávio Ramos. 

  • 21h, no Teatro Cuíra (Rua 1º de Março, esquina com Riachuelo, Campina). 
  • Ingressos: R$ 20 (com meia-entrada para estudantes). 
  • A temporada segue até dia 4 de setembro, sempre às sextas, sábados e domingos, às 21h.

sábado, 21 de agosto de 2010

O escafandrista, sua mão e a pequena gigante



Há dois dias, uma multidão acompanha o drama do mergulhador escafandrista, de 9 metros e meio e de quase 3 toneladas, em busca de sua namorada pelas ruas de Antuérpia - a metrópole flamenga do norte da Bélgica. Isso é um espetáculo teatral de rua, com bonecos gigantes, movidos por gruas gigantescas e ainda uma equipe de dezenas de pessoas. O espetáculo, que tem o título desta postagem, é uma montagem da companhia francesa Royal de Luxe, baseada em Nantes há 30 anos. É a quarta vez que a troupe se apresenta na programação do Zomer van Antwerpen - o multifestival da maior cidade flamenga (ou segunda maior, já que os flamengos garantem e brigam dizendo que Bruxelas é Flandres).
O Royal de Luxe já se apresentou pelos quatro cantos do mundo e o diretor Jean-Luc Courcoult, sempre faz uma adaptação dos espetáculos, de acordo com as lendas locais. No caso de Antuérpia, ele acrescentou uma mão em referência à origem mítica do nome da cidade (jogar a mão ou hand werpen).
O gigante em movimento é algo impressionante. Além da grua, que mantém o boneco em pé, há ainda 30 homens que se revezam pulando, pendurados nas cordas que passam por roldanas e que fazem o gigante dar passos. Ele andou ontem e hoje, sábado, mas até agora não encontrou sua pequena gigante. Ela também se desloca por outras ruas do centro, com seus quase 900 quilos e 5 metros e meio de altura. Amanhã, domingo, encontro romântico deve acontecer na praça Sint Jan Plein.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Cinco anos de Billy Elliot, The Musical


Londres continua sendo "a" capital mundial dos melhores musicais. Na paisagem londrina, o musical Billy Elliot é o supra sumo da produção do West End. E está há cinco anos em cartaz. Dirigido por Stephen Daldry, que também dirigou o filme no ano 2000, e com música de sir Elton John, Billy Elliot The musical, conta a história do garoto de família proletária, do interior da Inglaterra, que por acaso descobre o balé e começa a ter aulas escondido do pai. Isso em plenos anos 80, em plena mobilização contra a mão de ferro de Mrs. Thatcher. Além de Londres, Billy Elliot está em cartaz em Nova York. A montagem inglesa é simplesmente extraordinária. Assisti no verão passado e hoje acordei com uma das canções na cabeça. É Solidarity, que está no medley deste vídeo acima. O site do musical tem mais, incluindo os bastidores da montagem, e vocês pode acessar aqui. Se algum leitor do blog está afivelando as malas para uma das duas cidades, recomendo Billy Elliot. Só precisa comprar os tickets com antecedência, mas isso é possível no site.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Vá ao teatro

Prafraseando as camisetas que faziam sucesso no Rio de Janeiro na década de 80, repasso o convite que o teatrólogo Edyr Augusto Proença fez em seu nada fuleiro blog:

Gostaria de convidar a todos os leitores deste blog fuleiro, a assistir no domingo, onze da manhã, no Teatro Cuíra, a peça infantil A Cidade do Circo, com Sueli Brito e Bárbara Gibson, dirigidas por Zê Charone. A peça já havia sido montada há pouco mais de quatro anos atrás. Naquela montagem, contava com músicas de Nilson Chaves e algumas imagens projetadas em tela. Agora, na estréia de Zê Charone na direção, o palco está limpo e o trabalho é de texto dos atores.

Confesso ter muita dificuldade em escrever para crianças. Tenho mêdo, sinto o peso da responsabilidade. Levo muito a sério. Enfim, está lá e é bem divertido.

No entanto, o que mais tem me deixado contente, feliz, pra lá de feliz, é perceber a reação da platéia. As crianças sempre reagiram e interagiram com as peças infantis. No entanto, creio que em uma época na qual elas interagem direto nos video games, a idéia de travar relação, quebrar a chamada "quarta parede", é muito mais ampla, diria. Elas conversam, dão opinião, informam, sobem ao palco, querem participar da trama, chegar ao resultado final, o que faz com que as atrizes se desdobrem em improviso e inteligência para, no momento certo, voltar ao texto para conduzir o espetáculo, evitando o caos. Um exercício maravilhoso. Fica o convite.

Faltou somente ao Edyr informar o preço do ingresso e a recomendação etária.

De todo modo, e contrariamente ao que diziam as camisetas, reforço o convite! É domingo, às 11 da manhã, no Teatro Cuíra (Riachuelo com Primeiro de Março, a poucos metros da Praça da República, a famosa Replin).

________________________
Atualizado às 12:36hs de 26/03/2010.

O autor da peça, o estimado Edyr Augusto, responde às perguntas do post na caixinha de comentários. A quem se interessar, sugiro que passe lá. Obrigado, Edyr.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

"Abraço" na próxima sexta

Na próxima sexta, 7 de agosto, às 21 horas no Teatro Cuíra, os leitores deste blog poderão assistir o espetáculo "Abraço" de autoria, direção e música de Edyr Augusto Proença. O espetáculo conta com os atores Cláudio Barradas e Zê Charone. Um programa excelente para uma sexta, que pode muito bem terminar no Bar da Walda.
O poster, com toda a certeza, vai estar presente. E desde já, pede boa companhia.