Semana passada ela estava no Central Park in NY. Ontem , estava no Barbican Centre, em London, com resenha no jornal The Guadian. Hoje, ela sobe ao palco do simpático Festival Sfinks, em Boechout, em Antuérpia, considerado a vitrine de novidades entre os mais de 250 festivais de música na Bélgica - muita gente que passa por lá volta em outros festivais nos anos seguintes.
Gaby Amarantos tem tudo para fechar a mini-turnê internacional hoje na Europa com novos convites para o ano que vem. Tomara!
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sexta-feira, 26 de julho de 2013
sábado, 13 de abril de 2013
De bigode e salto alto em Israel e no mundo
Depois, eles sairam organizando noites Arisa pela Europa, pelo mundo, e chegaram a ir a São Paulo em 2011, numa das Viradas Culturais.
Uriel Yekutiel, de cílios postiços, maquiagem e bigode, é personagem em clip de outras bandas descoladas da cena israelense, como a The Young Professionals, sobre a qual escrevi aqui, em setembro de 2011, o post Tel Aviv Beats.
Os videos da Arisa são hilários porque brincam com estereótipos, e isso no berço de todo radicalismo religioso, Israel.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
O Libé e os ricos
Sempre digo que o Brasil ainda carrega seqüelas da longa noite da ditadura. Passados quase 30 anos da redemocratização, a imprensa saiu da mordaça política-ideológica de direita para a mordaça político-econômica ou, talvez o inverso seja mais correto, econômico-política. Tudo é muito dissimulado. A mídia nunca sai do armário, embora vejamos todas as evidências de interesses estampadas nas capas e conteúdos das Vejas, Folhas e outros pasquins do gênero. Em alguns países, apesar das crises ideológicas depois da Queda do Muro e do "fim da História" (aqui na concepção de Hegel), ainda existem claros posicionamentos. A França, talvez seja o melhor exemplo. E isso se liga ao comportamento; Se você vê alguém carregando o jornal Le Figaro, sabe que se trata de alguém conservador, enfim, de direita. O oposto é o leitor do Libération. O jornal de esquerda, por certo, perdeu plumas depois dos anos Mitterand e da descrença nos socialistas. Mas o Libé, como é chamado, se mantém na trincheira, apesar desse lusco-fusco ideológico do século XXI.
O jornal não tem medo de dar a cara à tapa. Anteontem, por exemplo, saiu com mais uma pérola de capa (abaixo):
Gerard Depardieu, o mais famoso e bem pago ator francês é chamado Le Manneken Fisc. Trata-se de um trocadilho intrincado, que tem como fundo o fato de o ator, há pouco tempo, ter se domiciliado no pacato lugarejo belga de Néchin, perto da fronteira com a França. Tudo para escapar do novo imposto sobre fortunas, adotado pelo governo socialista de François Hollande. A capa do Libé refere-se ao Manneke Pis, a famosa estátua-chafariz de um garoto fazendo xixi, um dos símbolos de Bruxelas, a capital belga; segundo, ao fato de que o ator, no verão do ano passado, num dos aeroportos de Paris, foi "convidado" a se retirar de um avião, prestes a decolar para Dublin, porque resolveu urinar no corredor da aeronave.
Depardieu, com uma renda anual de 2 milhões de euros, junta-se aos 2 mil e 800 milionários franceses que viraram exilados fiscais na bucólica Néchin, escapando da taxação de 75% sobre rendimentos acima de 1 milhão de euros/ano..O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, classificou a mudança do ator de um atittude patética. E já se fala no Parlamento francês sobre a possibilidade de perda de nacionalidade de Depardieu - aliás Chevalier Depardieu, condecorado com a Légion d'honneur (1996) e com a Ordre national du Mérite (1985), duas das maiores distinções da terra dos croissants.
Riche con
O Libé já havia gritado este ano com a movimentação dos milionários rumo à Bélgica. Em setembro, o "agraciado" foi Bernard Arnaud, o presidente do grupo LHMV (Louis Vuitton Moët Hennessy), a maior empresa de artigos de luxo do mundo - detentora de marcas das champagnes Moët Chandon e Veuve Clicquot, e de grifes, como Dior, Givenchy e Karl Lagerfeld, só para citar algumas.
Arnaud, detentor de 41 bilhões de dólares (a quarta maior fortuna do mundo, segundo a revista Forbes), não somente se domiciliou na Bélgica, como entrou com o pedido de nacionalidade belga. O Libé não perdoou: estampou o mega-empresário na capa com um insulto: Casse-toi, riche con! (Te cala, rico fodido). A frase é uma alusão a umas das diatribes do então presidente francês Nicolas Sarkozy, registrada em vídeo e amplamente divulgada. Em 2008, numa feira agrícola, no interior da França, um agricultor se recusou a apertar a mão do presidente dizendo: "Ah non, touche-moi pas ! Tu me salis !" "(ah, não, não me toca! Tu me sujas!"), Sarkozy, perdeu a pose e retrucou "Casse-toi, alors, pauvre con!" ("te cala, então, pobre fodido!").
No affaire Libé versus Arnaud, o mega-milionário processa o jornal, num caso que pode chegar a até 150 mil euros de indenização.
Ao reagir ao processo, o Libé não perdeu o tom político-irônico com mais uma capa:
"Bernard, se tu voltas, a gente anula tudo". Mais uma referência a Sarkozy: um SMS que o então presidente enviou à ex-mulher, Cécile, um pouco antes de casar com a modelo-cantora Carla Bruni.
No Brasil,bem, no Brasil, as capas-choque não fazem parte da chata e quase monocórdica paisagem mediática.Coisas do jeitinho e da cordialidade verde-amarela.
sábado, 20 de outubro de 2012
From the Jurunas to the the world
Foto: BBC site
Ela esta lá, ao lado de Marcelo Camelo e Siba, entre outros, afinal, nada mais LatAm Beats do que Gaby Amarantos. Para ver o vídeo da jurunense, bata clicar no link para o site da BBC inglesa. E aproveite para ver os outros talentos na série
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Comentando um comentário de Erika Morhy, acrescento: Como também venho do Jurunas, conheço Gaby há muito tempo, mesmo antes dela ter se aproximado dos "descolados" da cena paraense no começo dos anos 2000. Ali todo mundo jà via nela um conteúdo e a metamorfose ambulante que ela é. Ela sempre agregou pessoas talentosas ao trabalho dela. Nesse vídeo se nota que, se comparada à Ivete Sangalo - para citar um caso apenas de cantora mainstream - Gaby tem um background de inteligência e diversidade muito maior. Tenho a convição que o tecnobrega, assim como o manguebeat, é a seqüência natural de um caminho aberto pela Tropicália há mais de 40 anos. Antropofagia versão século XXI.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
No mundo de hoje
"Você vai crescer num mundo cheio de terror, então, sempre feche bem o portão do jardim."
Mais uma boa do cartunista Zak, do jornal flamengo DeMorgen. A charge, publicada em 2010, me veio à cabeça hoje, quando uma suspeita de um carro-bomba perto da Embaixada dos Estados Unidos paralisou o centro de Bruxelas no começo da tarde. Nada demais, além de um carro suspeito, mas felizmente sem explosivos.
sábado, 25 de agosto de 2012
O Cortejo Árvore de Ouro - a reinvenção
Na Europa, as velhas cidades costumam recriar fatos históricos em grandes cortejos que atraem turistas e promovem essa aura histórica. É assim com o Pálio, a corrida de cavalos medieval em Siena, na região da Toscana, na Itália. Aqui na Bélgica, há vários cortejos, mas talvez nenhum tão grandioso quanto o Grande Cortejo da Árvore de Ouro (em neerlandês De Praalstoet van de Gouden Boom). Para começar, ele acontece somente a cada cinco anos: ou seja, quem perder os dois domingos de desfile em 2012, só vai ter outra chance em 2017.
Este ano, é a segunda vez que assisto o cortejo. O argumento básico é um fato histórico. Na metade do século XV, Flandres era um riquíssimo condado governado por Carlos, o Temerário (Karel, de Stoute). Para firmar alianças, o então Conde de Flandres se casa com Magarita de York, irmã Eduardo IV e Ricardo II, reis da Inglaterra. O casamento foi realizado em julho de 1468. A noiva veio da Inglaterra e desembarcou em Damme, a 5 km de Brugge. De lá, veio em grande cortejo e entrou na cidade. Imaginem os festejos. Um dos eventos na praça central foi um torneio de cavaleiros com lanças, chamado torneio da Árvore de Ouro.
Pois, essa história toda foi remontada num cortejo já no meio do século XX. A primeira vez foi em 1958 e aí se estabeleceu que seria quinquenal. Nessa 12ª edição, pelo menos 2.000 atores e figurantes desfilam pelas ruas de cidade. O cortejo tem momentos de teatro de rua, com encenações e falas históricas e muita música ao vivo, garantida pelas bandas sinfônicas e fanfarras. Eles contam não somente o casamento de Carlos e Margarita, mas também relembram fatos históricos de Brugge, como por exemplo, a invasão viking, antes da Idade Média...
a luta contra dragões (este mostrengo fica estacionado, antes de entrar em cena, na porta da nossa casa, pois a concentração dos atores e figurantes é aqui no nosso bairro).
a riqueza dos bruggelingen (os moradores da Brugge medieval)...
que deixou Margarita de York (abaixo) abismada: "Eu pensava que não haveria gente tão elegante fora da Inglaterra, e aqui eles são centenas!"
A escolta do conde, os temidos cavaleiros flamengos.
e no final, uma representação da nobreza medieval européia por crainças, mostrando que, apesar da crise, a Europa sabe ainda se reinventar.
As fotos acima foram feitas por mim tanto na edição de 2007 e quanto na edição de 2012, que aconteceu no domingo passado, dia 19 de agosto, e se repete amanhã, dia 26. Brugge espera receber pelo menos 50 mil pessoas só para o ver o cortejo.
que deixou Margarita de York (abaixo) abismada: "Eu pensava que não haveria gente tão elegante fora da Inglaterra, e aqui eles são centenas!"
Aqui, os pais do noivo, Felipe, o Bom e Isabel de Portugal.
E, à direita, o feliz Carlos, o temerário - aqui numa versão 2012, um tanto baby face.
Os gigantes legendários aparecem também no cortejo.
As fotos acima foram feitas por mim tanto na edição de 2007 e quanto na edição de 2012, que aconteceu no domingo passado, dia 19 de agosto, e se repete amanhã, dia 26. Brugge espera receber pelo menos 50 mil pessoas só para o ver o cortejo.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Pague o credor
Salvo engano de minha parte, certa vez Paulo Maluf respondeu a um jornalista dizendo que, se provasse que o político possuía uma conta bancária no exterior, poderia ficar com todo o saldo nela depositado.
Pois bem, chegou a hora de acertar a fatura. Termina hoje, no Bailiado de Jersey, conhecido paraíso fiscal, julgamento no qual se decidirá o destino de 22 milhões de dólares reivindicados pela prefeitura municipal de São Paulo, depositados naquele país em conta que, tudo indica, pertence a Maluf. Se for um homem de palavra, mesmo perdendo tal quantia, o mínimo que Paulo Salim pode fazer é pagar outros 22 milhões de dólares ao seu credor. Aposto que ele possui o numerário em alguma outra conta. Pode ser no Brasil, mesmo.
Segundo matéria no blog de Jamil Chade, os advogados de Maluf não negaram a titularidade do dinheiro; apenas alegaram que o uso de doleiros, para mandar dinheiro para o exterior sem pagar impostos, era uma prática "aceita pela sociedade brasileira". Legal, não? Confessou sonegação fiscal, mas não cometeu crime por causa da aceitação social, embora não tenha esclarecido que sociedade é essa. Afinal, suponho que a esmagadora maioria da sociedade brasileira jamais mandou dinheiro para o exterior, a qualquer título.
Ao final, o blogueiro destaca o questionamento feito, no processo, pela prefeitura de São Paulo: por que Maluf não compareceu à corte? Ora, pois, seria por causa da Interpol?
PS — Se for para Maluf sofrer uma condenação judicial, que seja em Jersey, porque no Brasil todas as suas condenações foram revertidas, permitindo a ele zombar de todos nós, ao dizer que não existe ficha mais limpa que a dele no país. É desse jeito...
Pois bem, chegou a hora de acertar a fatura. Termina hoje, no Bailiado de Jersey, conhecido paraíso fiscal, julgamento no qual se decidirá o destino de 22 milhões de dólares reivindicados pela prefeitura municipal de São Paulo, depositados naquele país em conta que, tudo indica, pertence a Maluf. Se for um homem de palavra, mesmo perdendo tal quantia, o mínimo que Paulo Salim pode fazer é pagar outros 22 milhões de dólares ao seu credor. Aposto que ele possui o numerário em alguma outra conta. Pode ser no Brasil, mesmo.
Segundo matéria no blog de Jamil Chade, os advogados de Maluf não negaram a titularidade do dinheiro; apenas alegaram que o uso de doleiros, para mandar dinheiro para o exterior sem pagar impostos, era uma prática "aceita pela sociedade brasileira". Legal, não? Confessou sonegação fiscal, mas não cometeu crime por causa da aceitação social, embora não tenha esclarecido que sociedade é essa. Afinal, suponho que a esmagadora maioria da sociedade brasileira jamais mandou dinheiro para o exterior, a qualquer título.
Ao final, o blogueiro destaca o questionamento feito, no processo, pela prefeitura de São Paulo: por que Maluf não compareceu à corte? Ora, pois, seria por causa da Interpol?
PS — Se for para Maluf sofrer uma condenação judicial, que seja em Jersey, porque no Brasil todas as suas condenações foram revertidas, permitindo a ele zombar de todos nós, ao dizer que não existe ficha mais limpa que a dele no país. É desse jeito...
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Rio+20 vista da Europa
Duas décadas atrás se previa que a Rio 92 seria um momento-chave para o planeta,
mas nada realmente se concretizou.
Agora, líderes mundiais como Barack Obama, Angela Merkel ou David Cameron
deram o bolo, assim como Elio Di Rupo (o primeiro-ministro belga) e Kris Peeters (o ministro-presidente de Flandres).
Quem partiu para o Brasil,
onde a conferência sobre desenvolvimento sustentável ameaça ser um flop,
foi o príncipe Laurent (o filho mais novo do rei belga Albert II, com fama de figura folclórica e inconsequente).
Uma melhor ilustração da insustentável leveza desse evento é difícil de imaginar.
Este foi o final do editorial Klimaatflop, assinado hoje por
Steven Samyn, o editor-chefe de Política do principal jornal flamengo, o DeMorgen.
mas nada realmente se concretizou.
Agora, líderes mundiais como Barack Obama, Angela Merkel ou David Cameron
deram o bolo, assim como Elio Di Rupo (o primeiro-ministro belga) e Kris Peeters (o ministro-presidente de Flandres).
Quem partiu para o Brasil,
onde a conferência sobre desenvolvimento sustentável ameaça ser um flop,
foi o príncipe Laurent (o filho mais novo do rei belga Albert II, com fama de figura folclórica e inconsequente).
Uma melhor ilustração da insustentável leveza desse evento é difícil de imaginar.
Este foi o final do editorial Klimaatflop, assinado hoje por
Steven Samyn, o editor-chefe de Política do principal jornal flamengo, o DeMorgen.
Inexperiência é uma droga
Veja aí o que os gregos, imersos há muito tempo em profunda crise econômica, disseram a respeito da última eleição por aquelas bandas. Esse pessoal do Velho Mundo é mesmo ingênuo. Nós, brasileiros, já fazemos isso há mais de um século. Se quiserem, podemos exportar o nosso know how.
Depois de outubro deste ano, então, estaremos afiadíssimos!
Fonte: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,tivemos-de-escolher-entre-o-mau-e-o-pior-dizem-gregos-sobre-eleicao,116586,0.htm
sábado, 5 de maio de 2012
Um passo atrás?
Na contramão da imagem de liberalidade, a Holanda dá mais um largo passo (atrás?) na restrição do consumo das chamadas drogas leves. Desde 1° de maio, os coffee shops de três províncias ao sul do País Baixo só podem vender maconha e derivados aos moradores da região. São as novas regras, new rules. Na prática, os famosos coffee shops tornam-se uma espécie de clube fechado. Cada cliente precisa provar, com a carteira de identidade, que mora na área e deve se inscrever para ter o chamado WeedPass, o cartão maconha. Amsterdam ainda está fora da restrição mas, a partir de 1° de janeiro de 2013, a regra vai valer no país inteiro. A idéia é combater o turismo da droga que, segundo autoridades, traz distúrbios à segurança pública e alimenta o tráfico para os países vizinhos, como a Bélgica e a Alemanha. Claro que a medida não passou em branco: quase todos os dias há manifestações e bate-boca nas ruas e na mídia holandesa e européia. Dados dos donos dos coffee shops em Maastricht, por exemplo, apontam que, por ano, mais de 1 milhão e 500 mil pessoas vão à cidade para queimar um ou vários...Para os comerciantes, restringir a venda aos moradores da cidade significa excluir 90% da clientela. Gente que puxa fumo, mas também paga diárias em hotel, mata a larica nos restaurantes, compra souvenirs etc. Na semana passada, um juiz holandês se pronunciou a favor do governo. Mas os cidadãos contrários prometem ir até mesmo ao Tribunal de Den Haag (Haia) para reverter a decisão. Para os oponentes, a nova regra é um erro do governo conservador - que aliás se desfez há duas semanas, antecipando as eleições parlamentares para setembro deste ano. Muita gente acha que a medida vai reforçar o tráfico e o consumo ilegal de cannabis na Holanda e nos países em volta.
terça-feira, 1 de maio de 2012
1° de Maio
Imagens: Edvan Feitosa Coutinho- 2005
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Uma novata de peso

2012 está sendo um ano que começa a desenhar muitas incertezas pela frente.
Setores estratégicos como a economia (Zona do Euro, literalmente derretendo). O conflito do Oriente Médio voltando a nos aflingir com suas turbulências. Ameaças de conflitos generalizados após os acontecimentos da "Primavera Árabe". A região voltou a ser o principal emissor de quadros para operações terroristas de atuação global; agora acrescido da ameaças que é sinônimo de um pesadelo medonho, com essa história do programa nuclear iraniano.
São fatos graves e que contaminam perigosamente outras regiões, como a Ásia, via Coréia do Norte, Paquistão e prostestos no Nepal contra a política de dominação chinesa.
Péssimas notícias e perdas inestimáveis nos deixaram muito tristes e desde já saudosos, no que se refere à perdas inestimáveis para cultura nacional e internacional.
Esse turbilhão começa a me assustar. Só posso reagir com esperança. Há dificuldades pela frente, presumo, mas há também, compensações, espero.
Vejo-as em todo lugar.
Num ano em que tinha tudo para ser a reabilitação da inigualável Whitney Houston. Não foi. Ela se foi. Eis que surge uma grande estrela. Com real potencial para nos fazer sorrir e nos emocionar.
Será um alento? Quem sabe.
Um carinho? Com certeza.
Poesia? Sem dúvida.
Uma linda mulher é a responsável por isso.
Guardem esse nome: Emeli Sandé, uma negra escocesa, filha de pai zambiano e mãe inglesa. Dona de uma voz espetacularmente sedutora e atualmente atuando no gênero R&B e Soul.
Bem que essa garota poderia incurcionar pelo jazz. Seria um arraso! Mas isso já é outra história.
Ah! Ela estudou medicina na Universidade de Glasgow, com um grau intercalado em neurologia.
Atention please, mister Scylla and Barretto! Ela é médica.
Gostaria de perguntar aos amigos se esse "grau intercalado" equivale à especialização em neurologia na Europa. É isso?

Acredito que seus atributos intelectuais, unem-se e valorizam ainda mais a chamada inteligência emocional dessa sensacional cantora e compositora.
Logo na primeira audição desse trabalho de estréia, os bons ouvidos certamente notarão que seu trimbre e impostação de voz enganam – e muito – aqueles que se atreverem a compará-la a californiana Suzanne Vega. Sandé supera com folga essa suposta similaridade.
Estou acompanho com gosto a escalada dessa promissora novata no UK Albums Chart, um dos termômetros confiáveis para esses tipo de indagção inicial.
Ao emplacar o excelente álbum "Our Version of Events", há 7 semanas entre os três mais vendidos no Reino Unido. Só falta dois degraus, e é dura a missão para desbancar o 2º lugar, "Nothing but the Beat", da usina de hits e sucesso de vendas do Dj francês David Guetta, que esta semana estabilizou-se nessa posição, após 37 semanas no topo.
Ocorre que mais difícil ainda, será desbancar a "Rainha do Pop", Madonna, "armada até os dentes" com seu álbum duplo "MDNA". Uma grande porcaria, diga-se, mas que "arrebentou", estreando em 1º lugar em todo o mundo.
Acredito, no entanto, que Emeli Sandé consiga emplacar o primeiro lugar nas próximas semanas.
Os arranjos são muito bem feitos e as músicas, maravilhosas.
– Recomendo o álbum com louvor –e, desde já é um dos melhores do ano.
Set List
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Bolão Y
O blog Generacíon Y já foi eleito o melhor do mundo por um jornal internacional. Sua autora, a controversa jornalista Yoani Sánchez, desvela para o mundo a realidade de Cuba, do ponto de vista de quem vive lá e sofre as consequências das opções de seu governo.
Disse que ela é "controversa" porque sua fama não é nada boa no próprio país e, aqui fora, muitos senões são levantados, porque existe uma aura de santidade em torno de Cuba e de Fidel Castro, o que a meu ver chega a ser quase um extremismo de esquerda. E olha que eu sou esquerdista. Mas não posso fechar os olhos para o fato de que um povo guiado por décadas pelo mesmo homem, e sucedido por decisão própria por seu irmão (como se o poder fosse patrimônio pessoal), não está exatamente numa democracia.
Conheço gente que me atiraria pedras só por eu fazer tal ponderação. Afinal, Castro lutou contra o imperialismo dos Estados Unidos e blá-blá-blá; tem também o Che Guevara, que é um ícone sagrado e até hoje vende muitas camisetas.
Não pretendo fazer um discurso sobre ciência política aqui, primeiro porque não tenho formação para isso, segundo porque não é a finalidade. Só direi, assumindo os riscos de estar sendo simplório, que não acredito em democracia sem alternância no poder e sem que as Forças Armadas sejam apenas auxiliares do governo, sem se confundirem com ele.
Yoani Sánchez pretende vir ao Brasil. O governo brasileiro já concedeu o visto, mas ela não pode sair de Cuba sem autorização expressa e pessoal de seu governo (o que não me parece nada democrático). As 18 tentativas anteriores fracassaram. Será que a iminente visita de Dilma Rousseff àquela ilha facilitará as coisas para a blogueira?
E assim chegamos ao ponto. Digamos que Yoani consiga vir ao Brasil. Eu aposto que, uma vez aqui, ela pedirá asilo político. Quem concorda? Quem discorda?
Disse que ela é "controversa" porque sua fama não é nada boa no próprio país e, aqui fora, muitos senões são levantados, porque existe uma aura de santidade em torno de Cuba e de Fidel Castro, o que a meu ver chega a ser quase um extremismo de esquerda. E olha que eu sou esquerdista. Mas não posso fechar os olhos para o fato de que um povo guiado por décadas pelo mesmo homem, e sucedido por decisão própria por seu irmão (como se o poder fosse patrimônio pessoal), não está exatamente numa democracia.
Conheço gente que me atiraria pedras só por eu fazer tal ponderação. Afinal, Castro lutou contra o imperialismo dos Estados Unidos e blá-blá-blá; tem também o Che Guevara, que é um ícone sagrado e até hoje vende muitas camisetas.
Não pretendo fazer um discurso sobre ciência política aqui, primeiro porque não tenho formação para isso, segundo porque não é a finalidade. Só direi, assumindo os riscos de estar sendo simplório, que não acredito em democracia sem alternância no poder e sem que as Forças Armadas sejam apenas auxiliares do governo, sem se confundirem com ele.
Yoani Sánchez pretende vir ao Brasil. O governo brasileiro já concedeu o visto, mas ela não pode sair de Cuba sem autorização expressa e pessoal de seu governo (o que não me parece nada democrático). As 18 tentativas anteriores fracassaram. Será que a iminente visita de Dilma Rousseff àquela ilha facilitará as coisas para a blogueira?
E assim chegamos ao ponto. Digamos que Yoani consiga vir ao Brasil. Eu aposto que, uma vez aqui, ela pedirá asilo político. Quem concorda? Quem discorda?
sábado, 7 de janeiro de 2012
Flanando no Egito pós-Mubarack
O templo de Karnak impressiona.
A suposta "assinatura" do poeta francês Rimbaud no templo de Luxor - talvez feita em 1875, nos tempos de Une Saison en enfer.
Os egícios vivem grudados no celular, sejam eles mulçumanos ou cristãos coptas, como a mais velha das monjas do convento de São Tawadros, no deserto perto de Luxor. Será que ela é quem continua a atiçar os manifestantes na praça Tahrir?quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Sofrimento na ditadura
Digam o que disserem, eu definitivamente não acredito nas reações absolutamente histéricas que o povo norte-coreano está exibindo, nas ruas, pela morte do ditador Kim Jong-il. E não sou apenas eu, evidentemente, já que a grande imprensa tem destacado essas reações absurdas e ridículas com um perceptível tom de desconfiança.
Sabemos que todo regime totalitário tenta se respaldar em uma violenta propaganda ideológica. Não me surpreenderia se boa parte do povo norte-coreano estivesse sofrendo de verdade essa perda. Mas daí a assomarem as ruas, perfilados como se fossem pelotões militares, voltados todos para uma mesma direção, gritando como cães do inferno, vai uma longa distância, que a baixíssima inteligência dos staffs de ditadores não seria capaz de perceber. Embora não seja dado a teorias conspiratórias, cofio minha barba pensando se Jong-il não deixou instruções expressas sobre o comportamento do povo após sua morte, a ser assegurado pelas forças públicas, à bala se preciso, como forma de pavimentar o sucesso de seu filho à frente do país.
Tantos grandes líderes já morreram e não houve reação semelhante. Não me refiro aos bons homens, apenas. Mesmo quando crápulas mundiais morrem, seus seguidores reagem com violência, atentados, terrorismo. Mas são atitudes mais ou menos isoladas, erráticas, próprias de pessoas em confusão emocional. Nunca antes vimos um marcha-soldado de condolências.
Poucas coisas conseguem ser tão ridículas quanto uma ditadura. Até o sofrimento é melhor nas democracias.
Sabemos que todo regime totalitário tenta se respaldar em uma violenta propaganda ideológica. Não me surpreenderia se boa parte do povo norte-coreano estivesse sofrendo de verdade essa perda. Mas daí a assomarem as ruas, perfilados como se fossem pelotões militares, voltados todos para uma mesma direção, gritando como cães do inferno, vai uma longa distância, que a baixíssima inteligência dos staffs de ditadores não seria capaz de perceber. Embora não seja dado a teorias conspiratórias, cofio minha barba pensando se Jong-il não deixou instruções expressas sobre o comportamento do povo após sua morte, a ser assegurado pelas forças públicas, à bala se preciso, como forma de pavimentar o sucesso de seu filho à frente do país.
Tantos grandes líderes já morreram e não houve reação semelhante. Não me refiro aos bons homens, apenas. Mesmo quando crápulas mundiais morrem, seus seguidores reagem com violência, atentados, terrorismo. Mas são atitudes mais ou menos isoladas, erráticas, próprias de pessoas em confusão emocional. Nunca antes vimos um marcha-soldado de condolências.
Poucas coisas conseguem ser tão ridículas quanto uma ditadura. Até o sofrimento é melhor nas democracias.
sábado, 22 de outubro de 2011
Vamos acabar sabendo, mesmo
Eu não gosto de Hugo Chávez. Conheço gente — gente que respeito muito, por sinal — que acredita em suas aspirações libertárias e questiona duramente quem suspeita dos objetivos do líder da revolução bolivariana. A pessoa em questão, contudo, tem tanta raiva do imperialismo americano e da forma como aquele país se conduz, em suas relações internacionais, que ouso duvidar de sua isenção ou objetividade intelectual, nesse particular.
Não sou cientista político e não possuo qualquer qualificação para examinar a matéria. Estou me arriscando numa simples opinião.
Duvido de revolucionários. E duvido mais ainda de alguém que assume a presidência de um país e, ao invés de vestir o universal terno e gravata, ou os trajes típicos de seu povo, como faz Evo Morales, faz questão de envergar uniformes militares. Pode ser trauma, talvez. Todavia, por debaixo das vestes está o homem que promoveu o maior investimento bélico das últimas décadas na América Latina, sem enfrentar, antes, o desafio de erradicar a pobreza do povo. Não é um investimento como o que está sendo feito pelo Brasil, em equipamentos que podem ser usados na segurança pública (qualquer hora escrevo sobre os investimentos da Polícia Federal), mas uma preparação para a guerra.
Acima de tudo, desconfio de qualquer pessoa que se perenize no poder, não importa o quão democrático se afirme que as suas re-eleições sejam. Eu não queria um terceiro mandato de Lula e já me incomoda o PT por 12 anos comandando o país (e teve meus votos, para isso). Isso só não me incomodaria se o governo fosse maravilhoso mas, convenhamos, isso está longe de ser o caso.
Chávez mudou a Constituição (por razões óbvias, desconfio de governantes que mudam a Constituição) da Venezuela e se permitiu não mais uma, e sim quantas re-eleições quisesse. Também conseguiu que o Congresso lhe delegasse poderes para legislar, sozinho, sobre matérias que antes exigiam leis votadas pelo Parlamento. Digam o que disserem, não posso acreditar no caráter democrático de um governo assim, ainda mais conhecendo os modos como se ganham eleições e maiorias no Poder Legislativo, em países de incipiente evolução democrática, como o nosso mesmo.
Nesse meio tempo, Chávez praticou diversos atos típicos de governos ditatoriais, como perseguição a opositores em geral, chegando ao ponto de cassar a concessão de uma emissora de TV que não rezava por sua cartilha. Ameaçou expulsar do país qualquer pessoa que falasse mal do governo, inclusive jornalistas estrangeiros. E se permitiu usufruir do habitual populismo, dos discursos vazios e encomiásticos, permeados de alusões à liberdade e de combate a um Grande Inimigo, no caso os Estados Unidos, figurinha fácil de arrebanhar antipatias.
Não, eu não gosto de Hugo Chávez.
E eis que, de repente, ele precisou se deparar com uma força contra a qual não há Exército, Legislativo, imprensa, oposição, povo ou Estados Unidos que dê jeito. Um câncer severo, um risco elevado de enfrentar a Indesejada, Aquela Que Não Marca Hora, Aquela Que Não Pode Ser Evitada. Tratamento em Cuba e mais discursos ideológicos.
Aparece então um antigo médico pessoal (ou que assim se disse) e calculou em dois anos a sobrevida do presidente, mesmo sem ter qualquer contato pessoal com ele. Supostamente, avaliou as características da doença em si e as possibilidades de tratamento. A polícia aparece e revista a casa e o consultório do tal médico. Ele foge do país com sua família, alegando medo de retaliações. Agora uma junta médica desqualifica a manifestação do suspeito e afirma que Chávez evolui de modo satisfatório, havendo boas chances de cura. Todo governante alegaria a mesma coisa. Afinal, as eleições se aproximam. É preciso angariar mais um mandato, para si mesmo ou para alguém da corriola.
Tudo cheira a conspiração. Seria o médico Salvador Navarrete um instrumento da oposição, ou dos Estados Unidos, querendo enfraquecer o governo ante a ideia da morte de seu líder e de uma clara perseguição a um homem que, supostamente, quer bem a esse homem e apenas falou a verdade? Estará o governo mentindo deliberadamente para os venezuelanos, dando esperanças de vida a um pré-moribundo?
Decerto que não saberemos a verdade por enquanto. Mas ela está lá fora. E dentro de mais ou menos dois anos pode já ter revelado a sua face.
Saudade de postar no Flanar. Queria fazê-lo com um texto maior e mais pessoal. Espero que alguém me diga se tenho alguma razão ou se apenas viajei.
Não sou cientista político e não possuo qualquer qualificação para examinar a matéria. Estou me arriscando numa simples opinião.
Duvido de revolucionários. E duvido mais ainda de alguém que assume a presidência de um país e, ao invés de vestir o universal terno e gravata, ou os trajes típicos de seu povo, como faz Evo Morales, faz questão de envergar uniformes militares. Pode ser trauma, talvez. Todavia, por debaixo das vestes está o homem que promoveu o maior investimento bélico das últimas décadas na América Latina, sem enfrentar, antes, o desafio de erradicar a pobreza do povo. Não é um investimento como o que está sendo feito pelo Brasil, em equipamentos que podem ser usados na segurança pública (qualquer hora escrevo sobre os investimentos da Polícia Federal), mas uma preparação para a guerra.
Acima de tudo, desconfio de qualquer pessoa que se perenize no poder, não importa o quão democrático se afirme que as suas re-eleições sejam. Eu não queria um terceiro mandato de Lula e já me incomoda o PT por 12 anos comandando o país (e teve meus votos, para isso). Isso só não me incomodaria se o governo fosse maravilhoso mas, convenhamos, isso está longe de ser o caso.
Chávez mudou a Constituição (por razões óbvias, desconfio de governantes que mudam a Constituição) da Venezuela e se permitiu não mais uma, e sim quantas re-eleições quisesse. Também conseguiu que o Congresso lhe delegasse poderes para legislar, sozinho, sobre matérias que antes exigiam leis votadas pelo Parlamento. Digam o que disserem, não posso acreditar no caráter democrático de um governo assim, ainda mais conhecendo os modos como se ganham eleições e maiorias no Poder Legislativo, em países de incipiente evolução democrática, como o nosso mesmo.
Nesse meio tempo, Chávez praticou diversos atos típicos de governos ditatoriais, como perseguição a opositores em geral, chegando ao ponto de cassar a concessão de uma emissora de TV que não rezava por sua cartilha. Ameaçou expulsar do país qualquer pessoa que falasse mal do governo, inclusive jornalistas estrangeiros. E se permitiu usufruir do habitual populismo, dos discursos vazios e encomiásticos, permeados de alusões à liberdade e de combate a um Grande Inimigo, no caso os Estados Unidos, figurinha fácil de arrebanhar antipatias.
Não, eu não gosto de Hugo Chávez.
E eis que, de repente, ele precisou se deparar com uma força contra a qual não há Exército, Legislativo, imprensa, oposição, povo ou Estados Unidos que dê jeito. Um câncer severo, um risco elevado de enfrentar a Indesejada, Aquela Que Não Marca Hora, Aquela Que Não Pode Ser Evitada. Tratamento em Cuba e mais discursos ideológicos.
Aparece então um antigo médico pessoal (ou que assim se disse) e calculou em dois anos a sobrevida do presidente, mesmo sem ter qualquer contato pessoal com ele. Supostamente, avaliou as características da doença em si e as possibilidades de tratamento. A polícia aparece e revista a casa e o consultório do tal médico. Ele foge do país com sua família, alegando medo de retaliações. Agora uma junta médica desqualifica a manifestação do suspeito e afirma que Chávez evolui de modo satisfatório, havendo boas chances de cura. Todo governante alegaria a mesma coisa. Afinal, as eleições se aproximam. É preciso angariar mais um mandato, para si mesmo ou para alguém da corriola.
Tudo cheira a conspiração. Seria o médico Salvador Navarrete um instrumento da oposição, ou dos Estados Unidos, querendo enfraquecer o governo ante a ideia da morte de seu líder e de uma clara perseguição a um homem que, supostamente, quer bem a esse homem e apenas falou a verdade? Estará o governo mentindo deliberadamente para os venezuelanos, dando esperanças de vida a um pré-moribundo?
Decerto que não saberemos a verdade por enquanto. Mas ela está lá fora. E dentro de mais ou menos dois anos pode já ter revelado a sua face.
Saudade de postar no Flanar. Queria fazê-lo com um texto maior e mais pessoal. Espero que alguém me diga se tenho alguma razão ou se apenas viajei.
domingo, 11 de setembro de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
Especulação
"Se o líder líbio for forçado a sair do poder, haverá dúvidas quanto à capacidade da oposição de restabelecer a estabilidade no país exportador de petróleo. O comando das forças rebeldes tem sido abalado por disputas e rivalidades."Transcrito de http://www1.folha.uol.com.br/mundo/963133-rebeldes-dizem-controlar-tripoli-com-excecao-do-complexo-de-gaddafi.shtml
Aposto que os Estados Unidos, generosos como sempre, e preocupados com a liberdade do povo líbio, de bom grado aceitariam administrar o país por algum tempo, até as disputas e rivalidades internas se resolverem.
Pode ser ou eu viajei?
sábado, 16 de julho de 2011
O último austro-húngaro
Os olhares europeus, mesmo dos que não simpatizam com as velhas monarquias do Velho Mundo, estão voltados, hoje, para Viena, capital austríaca. É onde Franz Joseph Otto Robert Maria Anton Karl Max Heinrich Sixtus Xaver Felix Renatus Ludwig Gaetan Pius Ignatius von Österreich, ou simplesmente Otto Habsburg será sepultado. Ele era filho do último imperador austro-húngaro. Na foto ao lado, Otto aparece no enterro do tio-avô, o imperador Francisco José I, acompanhando os pais Carlos de Habsburg e Zita Bourbon-Parma. Otto Habsburg era mesmo um nobre no sentido mais puro da palavra. E um europeu acima de tudo: ele tinha quatro nacionalidades: era austríaco, húngaro, alemão e croata. Foi um dos incentivadores da União Européia, membro do Parlamento Europeu e presidente da União Internacional Pan-Européia. Foi opositor do nazismo (que anexou a Áustria) e do comunismo da cortina de ferro (que massacrou seus súditos húngaros) e lutou pela unidade da Europa, tirando lições dos horrores de duas grandes guerras. Otto morou em Portugal, mais precisamente na Ilha da Madeira, onde a família Habsburg chegou depois de ser salva ao ganhar um visto do governo português para escapar da fúria nazista na invasão da França, na Segunda Guerra. Ele morou ainda na Bélgica, onde estudou Ciência Política na mesma faculdade da Universidade de Leuven onde eu fiz meu mestrado (olha, tenho mais um motivo para simpatizar com ele). Nas últimas décadas da vida, Otto morou na Alemanha, onde foi eleito deputado europeu pela Baveira.
Em 1989, Otto ajudou a organizar o "Piquenique Pan-Europeu" na fronteira austro-húngara (foto ao lado). O evento promoveu uma abertura rápida da Cortina de Ferro que separava o Ocidente capitalista do leste europeu comunista, fomentando ainda mais o movimento que levaria à queda do Muro de Berlim. Nada mal para um descendente da imperatriz Maria Teresa Habsburg, chamada mãe da Europa, cujos filhos e filhas casaram com os herdeiros das casas reais de todo o continente: desde a Suécia até Portugal e ainda, além-mar: a nossa imperatriz do Brasil, Leopoldina, afinal era uma Habsburg, filha de Maria Teresa.
O site da cidade de Viena conta mais sobre o funeral e a vida de Otto Habsburg.
sábado, 2 de julho de 2011
Esplêndida simplicidade


Há uma semana tive a grata satisfação de ver estampada foto do desfile de André Lima, com destaque, no site e depois na versão impressa do jornal mais prestigiado da Bélgica, DeMorgen. O texto era: "Proposta da coleção verão de André Lima na SP Fashion Week". O belenense André é hoje um dos mais prestigiados criadores de moda do Brasil e chama atenção na Europa pela mistura de ousadia, técnica apurada e criatividade. Tudo isso, a gente já sabia. Nós que conhecemos André ainda nos primeiros passos na moda, naquele que talvez tenha sido o período mais fértil da cena cultural de Belém. O circuito era Fotoativa, o 3 x 4 Bar, o salão Skalp, um raros mas badalados desfiles na Brás de Aguiar, a pista do La Cage, e daí para o underground que somente os descolados - independente da opção sexual - se arriscavam. Essa cena em Belém do final dos anos 80, é reconhecidamente uma das bases criativas de André, posterior à base da infância e adolescência dele, no casarão da família Cardoso Lima, na Rua Oliveira Belo, no Umarizal, numa família em que as mulheres - mãe, avó e as tias - eram o centro. Há dez anos na SP Fashion Week, André Lima chegou à posição de encerrar o mais importante evento de moda da Almérica Latina com um show que, a cada estação reafirma a capacidade dele de surpreender.
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