segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Belém da saudade

Saudade é uma palavra viva. É mesmo a palavra que dá vida a tudo o que está morto. Palavra que faz ressurgir tudo o que já não existe. Palavra que traz para junto de nós tudo o que está longe.

Assim o poeta e ensaísta Osvaldo Orico, paraense que foi membro da Academia Brasileira de Letras, define a palavra saudade em seu livro A Saudade Brasileira (Editora A Noite, RJ, 1940).

Hoje, senti uma saudade imensa da minha cidade. Saudade de algo que não está morto, mas cuja vida lateja com bem menos viço, em determinadas partes de seu corpo. Belém que, sistematicamente mal-tratada, vê-se constantemente ante encruzilhadas, costumeiramente escolhendo o caminho errado.

Saí cedo, pelas ruas, para procurar a Belém que eu lembrava da infância. Apaixonei-me por Belém à distância, já que minha vida até a pré-adolescência foi passada longe daqui. Mas apaixonei-me de verdade, porque a lonjura trazia-me sempre em pensamento para cá.

Nesta cidade, em que a ignorância e o desamor surgem como mato que os terçados mais afiados relutam em desbastar, vez ou outra surgem pérolas nos escombros. Uma destas jóias foi recentemente restaurada: o prédio que abrigava, no início do século XX, a Livraria Universal, de Eduardo Tavares Cardoso, na Rua João Alfredo, no Comércio.

A iniciativa é um sopro de brisa fresca no rosto de todos que, como eu, amam Santa Maria de Belém do Grão-Pará. A Belém da nossa intimidade ainda é linda: ela continua a brilhar, apesar de tanta barbaridade.

6 comentários:

Yúdice Andrade disse...

Pela iniciativa e pela postagem, entusiásticos parabéns. Só me pergunto se tinhas escolta para andar com uma câmera fotográfica pelo centro da cidade. A insegurança tem me desestimulado a realizar um antigo desejo, de fotografar detalhes da cidade antiga.
Abraços, meu amigo.

Flanar disse...

Pelo que se pode ver na foto do bondinho, prudente, FRJ não precisou sair do carro.
Conseguiu a façanha meramente dando um belo passeio pela cidade.
Rsss...

Francisco Rocha Junior disse...

Pois é, Barretto. Só me arrisquei nas fotos da Livraria Universal - não sem antes checar bem as redondezas e apressar-me nos clicks...
Também facilitou o fato de ter tirado as fotos de celular, mais fácil de esconder que uma máquina fotográfica.
Abraços aos dois.

Flanar disse...

De celular???!!!!
Como se diz em bom paraense:
É - GU - A!!!
Égua do celular bom!
Parabéns!

Francisco Rocha Junior disse...

É um Samsung SGH-U600, com uma câmera de 3.2 megapixels. Realmente, para um celular, as fotos ficam muito boas.
Uso-o nos finais de semana, quando o Blackberry vira um trambolho que não combina com bermudas...

Flanar disse...

Aguarde que até o fim do ano talvez, seu iPhone vai substituir o Blackberry da RIM com louvor.