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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Filme belgo-flamengo no Oscar



Rundskop, o melhor filme belga (flamengo) de 2011 acaba de ser indicado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Pena que a Academia não indicou o nosso Mathias Schoenaerts, o ator principal de Rundskop, para o Oscar de melhor ator. Perto dele, você se convence que os Brads e Clooneys não passam de rostinhos bonitos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Oscars 3

E os filmes em si? Quem merece estar dentro e quem não devia estar? Quem foi esnobado desta vez?

O melhor filme em competição e meu filme favorito de 2009 é "The Hurt Locker". Escrito por um jornalista, Mark Boal, que passou um ano convivendo com uma equipe de desarmadores de bombas no Iraque, o filme é uma aula de cinema. Boal criou personagens incrivelmente complexos e realistas, exatamente porque foram baseados em pessoas reais. No centro da ação, Jeremy Renner, no papel de um sargento que sabe que é provavelmente o melhor do mundo na sua função.

A direcão de Kathryn Bigelow já entrou no canon dos mitos de Hollywood, e todo mundo vai ficar muito surpreso se ela não for a primeira mulher premiada com o Oscar de direção. A maneira como ela monta as cenas de ação é absolutamente impecável e "gripping". O filme te segura pelo pescoço na primeira cena, com Guy Pearce, e não te larga mais. Eu nunca me senti tão tenso e envolvido na ação.

O fato de Bigelow ter escolhidos atores desconhecidos (exceto por algumas pontas) adicionou muito ao realismo do filme. Nós acreditamos nos atores exatamente porque não são stars. Eles se tornam os soldados retratados no filme. E já que não são stars, a nossa sensação é que qualquer um deles pode morrer a qualquer minuto.

"The Hurt Locker" foi merecidamente indicado a 9 Oscars, empatando com "Avatar" como os dois filmes com mais indicações.

"Avatar" merece todas as indicações que teve, e deve levar alguns Oscars no dia 7 de março. Talvez até o de melhor filme.

Outra indicação merecidíssima: Meryl Streep no papel de Julia Child em "Julie & Julia". Child, já falecida, é um ícone da culinária e da TV americana, e Streep conseguiu dar vida a ela de uma maneira incrível. Imitando sem cair na caricatura. Um filme literalmente delicioso e um papel fantástico para esta que já é um tesouro da cultura cinematográfica.

Outras indicações que me deixaram particularmente feliz: "A Serious Man", dos irmãos Coen; e "District 9", ficção cientificia brilhante da Africa do Sul, foram ambos indicados ao Oscar de melhor filme. Merecidissimos.

Filmes que eu estava resistindo ver e que agora serei obrigado a ver: "Crazy Heart" (a atuação do Jeff Bridges é supostamente brilhante, mas o tema não me atrai); "The Blind Side" (idem para a atuação de Sandra Bullock, mas parece muito agua com açúcar pro meu gosto).

Vou ficando por aqui porque já devo estar esgotando a paciência de todos, mas prometo que ainda tenho muito o que falar amanhã...

Oscars 2

Aqui em Hollywood, uma "campanha" durante a "awards season" chega a ser tão cara quanto o orçamento total de alguns dos filmes sendo promovidos. Pra dar uma ideia, jornais como o New York Times cobram US$ 100 mil por dia por um anuncio de página inteira. A campanha para um filme como "Up in the Air", por exemplo, já está durando mais de dois meses, e todos os dias o NYT traz pelo menos um anuncio de pagina inteira para o filme de George Clooney. Agora some-se a isso todos os outros jornais metropolitanos, mais TV, rádio, outdoors, etc. Não é exagero dizer que estas campanhas acabam sustentando a mídia por alguns meses, pelo menos em New York e L.A.

As campanhas também envolvem "corpo a corpo" dos "candidatos". Muitos special screenings de todos os filmes são organizados para um público de atores, diretores, produtores, e jornalistas como eu. Estes screenings sempre contam com a presença dos atores, diretor(a), produtores, escritores envolvidos no filme mostrado, que ficam após a sessão para um tete-a-tete com os presentes. Eu, que sou apenas um jornalista interessado em cinema, recebo pelo menos três email-convites diários para este tipo de screenings.

E vale `a pena? Para filmes de baixo orçamento e sem dinheiro para marketing, como "The Hurt Locker" ou "Precious", estes special screenings são fundamentais. Para outros, como "Avatar" e "Up in the Air", eles tem um efeito multiplicador, e mantem o filme, cast e crew no spotlight o tempo inteiro.

A verdade é que Hollywood é uma indústria como outra qualquer: a única diferença é o glamour e o ego das pessoas envolvidas. Se fosse só pelo prestigio, ninguém se preocuparia tanto, mas o dinheiro a ser ganho e as somas envolvidas são tão astronomicas, que faz sentido completo para as produtoras e estudios gastarem com este tipo de promoção.

Oscars 1

Los Angeles acordou num frisson muito maior do que o normal hoje, quando as indicações para o Oscar foram anunciadas por Anne Hathaway (`as 5:35 da madrugada aqui em Hollywood). A grande novidade este ano é que são 10 filmes concorrendo a melhor película (e não mais 5). A Academia decidiu dobrar o número de candidatos para tentar conseguir uma audiência maior para a cermiônia de entrega das estatuetas.

Quem mora em outros países ou mesmo em outra cidades americanas não pode imaginar a importância que os Oscars e a indústria cinematográfica tem nesta cidade. Em fins de novembro, começa a tal da "awards season": a temporada de caça aos prêmios. Obviamente não são só os Oscars: cada ramo da indústria tem seu próprio prêmio (produtores, diretores, escritores, atores, etc), sem falar nos Globos de Ouro e nos prêmios dados pelos críticos das maiores cidades.

A "awards season" é importante porque a indústria em si é extremamente importante para a economia local, e ganhar premios geralmente se traduz em ganhos de até 100% ou mais nas bilheterias. Pra uma cidade que respira cinema, e na qual uma em cada cinco pessoas está de alguma forma ligada a industria do entretenimento, pode-se imaginar o frisson que está verdadeira "corrida ao ouro" ocasiona.