sexta-feira, 31 de maio de 2013

Aeroporto de San Diego, CA.


Tenho nojo!

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De saída de Belém, daqui a pouco, para aproveitar o que me restou deste feriadão; não posso sair sem me posicionar sobre o que está acontecendo com as nações indígenas, no Brasil. Não sei se estou ficando velha, ou se me acho muito importante: mas não tenho mais a menor paciência com a burrice, com a canalhice e com a falta de razão, que permeiam o planejamento público brasileiro. Os ingredientes das receitas de bolo, que são usados para resolver os problemas energéticos do Brasil, me dão náuseas. Estamos sendo atacados de sabre e de facão, na Amazônia. E tudo em nome do desenvolvimento nacional. Os fatos que envolvem as etnias indígenas nos últimos dias me dão nojo. Tenho nojo de ver uma parte da  intelectualidade brasileira retirando dos indígenas seus direitos civis, sociais e políticos. Tenho nojo, simplesmente, desta burocracia triste e ruim, que vive de causar danos aos mais fracos e aos mais frágeis. Quero demarcar o meu repúdio a Dilma Rousseff pela forma autoritária com que está conduzindo a efetivação de Belo Monte. Gostaria que os leitores do Flanar começassem a ler  "É isto um homem?",  de Primo Levi. Gostaria que os leitores do Flanar começassem a imaginar o que é viver em um Estado no qual a lei e os direitos não são respeitados. Muitos reclamam quando são alvos de tragédias, e são apanhados pela dor; mas não imaginam o que é viver sem direitos e sem lei. Eu sou favorável ao "Estado de Direito". As nações indígenas tem direitos adquiridos e que devem ser respeitados acima de qualquer tese sobre o desenvolvimento nacional. Estou com nojo; tenho nojo da hipocrisia nacional.

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Alguém falando "trê" com "lê" sobre a brutalidade contra os indígenas, no Brasil.

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Washington Novaes


Diz o relatório anual O Estado dos Direitos Humanos no Mundo, divulgado pela Anistia Internacional (BBC Brasil, 22/5), que "vivemos em um país sob um déficit de justiça muito grande" em vários setores, principalmente indígenas e de moradores de favelas, como sintetizou seu diretor executivo no Brasil, Atila Roque. Segundo ele, o "marco institucional" garante os direitos, "mas na prática isso não se realiza".
Como é observado no documento, para os indígenas 2012 foi um ano de "acirramento da violência", usada como "instrumento para favorecer interesses econômicos" - com "brutalidade chocante", de que o caso dos índios caiovás-guaranis, de Mato Grosso do Sul (MS), é um dos exemplos. E poderá haver muitos outros se prosperarem projetos em tramitação no Congresso Nacional, como o de emenda constitucional que propõe retirar da Fundação Nacional do Índio (Funai) - e passar para o Congresso - a atribuição de demarcar terras indígenas. Ou a proposta da "bancada ruralista" de CPI para analisar as relações da Funai e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) com organizações não governamentais (ONGs). A bancada cobra ainda a volta da portaria da Advocacia-Geral da União que autoriza o governo a contratar a implantação de rodovias, hidrelétricas, linhas de transmissão de energia em terras já demarcadas.
Por enquanto, a Casa Civil da Presidência mandou suspender processo de demarcação de terras no Paraná - onde há divergências entre a Funai e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) - e o ministro da Justiça promete para até o fim do ano novas regras para demarcação, que valerão para cem processos já em andamento (O Globo, 11/5). Mas ele diz ser contra a transferência de atribuições da Funai para o Congresso, pois "seria inconstitucional" (Folha de S.Paulo, 20/4). Já a ministra-chefe da Casa Civil, sabe-se, prepara um "pacote de mudanças no processo de demarcação" (Estado, 9/5) que altera os processos de identificação e demarcação de terras, basicamente para contemplar os "ruralistas" e impedir que passem a se opor ao Executivo no Congresso. A chefe da Casa Civil ainda lembrou que o Executivo aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em embargos declaratórios no processo sobre a demarcação da área dos índios ianomâmis, de 2008.
Enquanto isso, parece iminente a ameaça de conflito armado entre 45 mil índios caiovás-guaranis e fazendeiros que disputam suas terras em MS. É tema sobre o qual o autor destas linhas escreve há décadas. Centenas deles já morreram nos conflitos. E um jovem guarani suicidou-se no dia seguinte ao de seu casamento; enforcou-se numa árvore e deixou escrito na terra, sob seus pés: "Eu não tenho lugar" (sem terras, não teria como viver segundo sua cultura; fora delas, estaria condenado a ser boia-fria, mendigo, alcoólatra, como tantos outros).
É oportuno que, numa hora difícil, venha à luz o livro O Profeta e o Principal, do antropólogo Renato Sztutman (USP), que trata da obra do antropólogo francês Pierre Clastres, que morreu muito moço, mas conheceu várias etnias brasileiras, entre elas a dos guaranis. Um dos livros de Clastres trata exatamente dessa etnia - e do que ele designava como "sociedade contra o Estado". Esse é o título de outra obra sua, onde mostra que nós, não índios, nos habituamos a descrevê-los não pelo que têm, e sim pelo que não têm - não usam roupas, não detêm nossas tecnologias, não vivem como brancos. Com isso nos esquecemos do que têm e pode ser muito importante: 1) a não delegação de poder (o chefe não dá ordens; é o conhecedor da história e da cultura, o grande mediador de conflitos, mas não dá ordens - até porque seria recebido com espanto); 2) a autossuficiência no nível pessoal (um índio, na força de sua cultura, sabe fazer sua casa, plantar sua roça, colher, fazer seus instrumentos de trabalho e adorno, sua rede, conhece as plantas nativas úteis, etc., não precisa de ninguém para nada); e 3) o privilégio de conviver com a informação aberta, ninguém dela se apropria para transformar em instrumento político ou econômico.
Renato Sztutman pensa que "por se estruturarem como uma sociedade contra o Estado os guaranis se tornam indesejáveis para a nossa sociedade e o Estado hegemônicos", e ainda cercados pelo agronegócio (Agência Fapesp, 9/4) - embora até no Município de São Paulo haja três aldeias dessa etnia.
Nesta hora de graves ameaças aos direitos indígenas - que temos de respeitar - precisamos relembrar o parecer do respeitado constitucionalista José Afonso da Silva no processo em que o STF reconheceu o direitos dos índios ianomâmis a suas terras em Roraima. Catedrático de universidades, assessor de Mário Covas na Constituinte de 1988, secretário de Segurança Pública em São Paulo, o professor José Afonso liquidou a questão ao demonstrar que o reconhecimento dos indígenas a terras por eles ocupadas imemorialmente vem da legislação de Portugal, desde1640. Foi mantido pela legislação do século seguinte, chegou à nossa primeira Constituição, foi preservado nas de 1934, 1967 e 1988 - nesta, com o reconhecimento de que a demarcação de suas terras é um ato "meramente declaratório", antecedido pelo "direito originário" que está no artigo 231. "A demarcação", diz o parecer, "não cria nem extingue direitos, reconhece apenas a situação de fato e o direito consequente". E sendo assim, "a localização e extensão da terra indígena não é determinada segundo critérios de oportunidade e conveniência do poder público, porque o critério que define a localização e a extensão das terras é o da ocupação tradicional, ou seja, a demarcação tem de coincidir, precisamente, com as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios, definidas cientificamente por via antropológica". E isso, conclui ele, não ameaça a soberania nacional nem a atuação das Forças Armadas.
Em meio a tantas ameaças aos índios, convém refletir sobre isso.  

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Muito bonito!

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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Babado fortíssimo!

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MPF acusa Rômulo Maiorana Jr. de constranger auditora da Receita Federal

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal o empresário Rômulo Maiorana Júnior, o médico Vasco Fernando de Menezes Vieira e o editor-chefe do jornal O Liberal, Lázaro Cardoso de Moraes, por coagirem uma auditora da Receita Federal. Caso condenados, os acusados podem ser punidos com até quatro anos de reclusão e multa.
Segundo o MPF, a coação foi cometida em meio ao procedimento administrativo da Receita que identificou fraudes na compra não declarada de um jato para a ORM Air, empresa das Organizações Rômulo Maiorana (ORM), de propriedade de Rômulo Maiorana Júnior.
Em agosto do ano passado a Receita Federal reteve um avião da ORM Air, para verificação da regularidade do alegado processo de arrendamento da aeronave (após a investigação, a Receita comprovou que o arrendamento era só uma operação de fachada para encobrir a compra do equipamento e evitar o pagamento de mais de R$ 680 mil em impostos). Como é a inspetora em exercício da alfândega do aeroporto de Belém, Cláudia Gorresen Mello passou a ser alvo de coação por parte dos acusados, interessados em que as fraudes não fossem descobertas ou punidas.
Em 10 de dezembro de 2012, o marido da auditora, Arthur de Assis Mello, sócio da construtora Freire Mello, foi procurado pelo médico Vasco Vieira, que tentou fazer com que Arthur Mello influenciasse na liberação da aeronave, afirmando que Rômulo Maiorana Júnior estaria “aborrecido com a situação”. No mesmo dia, o médico entrou em contato com a auditora fiscal e disse “(…) que, como amigo do Arthur, estava muito preocupado com o que poderia acontecer com Freire Mello”.
“Denota-se que o médico estava, a mando de Rômulo Maiorana Júnior, com o nítido propósito de influenciar nos procedimentos administrativos para o desembaraço e liberação da aeronave apreendida, utilizando-se de mensagens como a acima transcrita para coagir a servidora pública a não criar empecilhos para tanto, sob pena de haver qualquer tipo de represália contra a construtora de seu marido”, ressalta o texto da ação criminal.
Em fevereiro de 2013, depois que foi detectada a tentativa de fraude  na transação comercial da aeronave, a Receita Federal lavrou auto de infração contra a ORM Air. A partir daí o jornal O Liberal, das ORM, passou a veicular notícias negativas contra a construtora Freire Mello. Essas notícias foram veiculadas nos dias 6, 7, 10, 14, 15, 16 e 17 de fevereiro.
“Não se trata de simples coincidência referidas matérias terem sido publicadas tão logo houve a ciência do auto de infração contra a empresa ORM Air Táxi Aéreo, cujo proprietário também o é do jornal O Liberal”, observa o texto da ação.
Em 11 de março, decisão administrativa da Receita Federal determinou o perdimento da aeronave para a União. Logo em seguida novas notícias negativas contra a Freire Mello passaram a ser divulgadas, agora também na TV das ORM, a TV Liberal. No jornal impresso foram veiculadas matérias nos dias 17, 24 e 31 de março, enquanto que na TV Liberal foram veiculadas notícias em 18 e 19 de março.
O MPF registra que reportagens colocaram a Freire Mello como responsável por crimes ambientais mas não houve, nos textos das notícias, a apresentação de provas, dados ou testemunhos que confirmem tais afirmações. Também não foi dado espaço para resposta da construtora acerca dessas acusações.
“As reportagens analisadas estavam desvinculadas de seus conteúdos jornalísticos, ou seja, não estavam sendo utilizadas para levar informação e conhecimento à sociedade, mas sendo utilizadas para pressionar – ameaçar – a auditora fiscal”, denuncia a ação.

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Le Sacre du Printemps - 100 anos

29 de maio de 1913 ficou, na História da Arte, como o dia de uma revolução na música e na dança. No Théàtre des Champs Elysées, em Paris, Les Ballets Russes quebrou todas as convenções com  Le Sacre du Printemps (A Sagração da Primavera), com música de Igor Stravinsky e coreografia de Wlaclav Nijinsky.
A obra é considerada até hoje como o marco da dança e da música  moderna, indicando caminhos dessas duas artes no século XX.
Primeiro, o que é essa música?  Stravinsky parte de sons da natureza - pássaros, chuva, trovões - e vai num crescendo de contrastes e rompantes que até hoje são considerados obras-primas da música clássica inovadora e experimental.
Segundo, o que é essa coroeografia? Nijinksky, na flor de seus 23 anos e no auge de sua genialidade, quebra todas as convenções. Ele  retrata, no balé, um ritual pagão dos povos eslavos em que uma virgem é eleita para o sacrifício e dança até morrer. Um choque para a época. Os bailarinos dançavam com os pés entortados para dentro, num ato de anti-balé completo. Claro, a Paris de então ("caretas de Paris", já cantou Caetano Veloso) não estava aberta para  atitudes tão avant-garde.
A crítica se dividou, o público também.Le Sacre du Printemps foi vaiado e aplaudido. Logo saiu dos reportório da companhia dirigida por Sergei Diaghilev, sendo reencenada mais uma meia dúzia de vezes na Inglaterra e na Áustria.
A coreografia de Nijinsky já teve mais de 200 releituras - de Maurice Béjart a Pina Bausch, todos os grandes nomes da dança moderna tiraram o chapéu para Nijinski.
Neste mês de maio, em todas as capitais culturais da Europa, os 100 anos da obra de Nijinsky-Stravinsky são comemorados com espetáculos, conferências, exposições. Em Brugge, Bélgica, o Concertgebouwn, o teatro da cidade, trouxe Brussels Philharmonic Orchestra ao palco e convidou o bailarino canadense Jose Navas para uma releitura minimalista do Sacre du Printemps. Foi uma maravilha!!!

Eu jogo arroz. Podem me convidar, que eu jogo!



Muito bacana a iniciativa de criar um espaço virtual dotado de bom conteúdo sobre o casamento civil igualitário e que aporta hoje com o lançamento de um som criado pelos Tribalistas Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown, batizado de Joga Arroz, numa alusão à cultura dos casais hetero ao sair de alianças da igreja.

Eu jogo e aproveito pra postar a letra da música, que é a cara do disco que os três artistas lançaram há uma década e que, à época, não me agradou de pronto. Minha época era outra.

Joga Arroz
(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte)
O seu juiz já falou
Que o coração não tem lei
Pode chegar
Pra celebrar
O casamento gay
Joga arroz
Joga arroz
Joga arroz
Em nós dois
Quem vai pegar o buquê
Quem vai pegar o buquê
Maria com Antonieta
Sansão com Bartolomeu
Dalila com Julieta
Alexandre com Romeu
Joga arroz
Joga arroz
Joga arroz
Em nós duas em nós todos
Em nós dois

Escute também nos sites:
www.arnaldoantunes.com.br
www.carlinhosbrown.com.br
www.marisamonte.com.br






Cyberpunk 2077



Com previsão de lançamento apenas para 2015, o vídeo-game Cyberpunk 2077 é apresentado em arrepiante e breathtaking trailer.
A propósito, o universo cyberpunk é tão complexo, inclusive do ponto de vista visual, que a indústria cinematográfica ainda nos deve a tecnologia para a realização de um filme à altura de livros como Neuromancer, de William Gibson.
Mas tudo indica que o futuro segue a fundir-se virtual- e imperceptivelmente ao presente.
Afinal, o que é real e o que é virtual?

terça-feira, 28 de maio de 2013

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Que linda!

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Dan voltou!!!


Não, não. Não quis dizer que Dan, meu filho, voltou para casa após estudo fora do país. Quis, sim, me referir a Dan Brown, o autor do Best Seller “Código Da Vinci”, velho conhecido. Ele me sai agora com “Inferno” (Editora Arqueiro). Vem para reavivar, à sua feição, a obra de Dante Alighieri, artista italiano. Tudo se passa na bela Florença de Dante.
Eu gosto de Dan Brown. Ele é muito pulsante em seus textos e “Inferno” não é diferente. Acabei de passar por um momento no livro que me lembrou quando estive, boquiaberto, defronte de um Michelângelo, tal como o personagem em epígrafe: “Ao ver pela primeira vez Davi de Michelangelo, ainda adolescente, Langdon ficara hipnotizado. Lembrava de entrar na academia delle Belle Arti, de passar lentamente pelas macabras estátuas Prigioni e então de sentir uma força inexorável atrair seu olhar para cima em direção à obra prima de mais de cinco metros de altura. As proporções gigantescas do Davi e sua musculatura definida espantavam a maioria das pessoas que o viam pela primeira vez.”
A magia de Dan é enigmática. Robert Langdon, sua criação humana, é diabólico e misterioso; passeia pela clássica obra do poeta italiano Dante Alighiere forçando-nos a parar de respirar a cada desdobrada de sua trama. Às vezes não é só a respiração que para, mas o pulso -, que não pulsa. 
Seus livros são repletos de códigos, símbolos e conspirações. Seus leitores adoram. “Quando coisas ruins acontecem no mundo, nos confortamos em buscar a razão de toda maldade. Tenho fascinação por conspiração, símbolos antigos e códigos secretos. Isso me leva a uma relação com o cotidiano de cada um de nós”, reporta Dan Brown.
Toda essa fascinação de Brown vem da infância, quando seus pais decidiram não ter televisão. Ao invés da tevê, eles passavam longas horas montando quebra-cabeças, palavras cruzadas e anagramas, além de praticar música. Todo natal os pais de Brown elaboravam caça-tesouros e, no final da trilha, repleta de códigos, o último deles levava ao presente mais importante do natal. Teve um ano, por exemplo, que o código final era: TOCEP. Após horas tentando decifrar ele dizia que aquele era o maior presente e teriam que conseguir. Nossas férias foram no Epcot Center (anagrama de TOCEP), na Disney.
Brown também se envolveu com música sacra. Certa vez (1983) foi a Veneza, catedral de São Marcos, e sentiu que aquelas estátuas de ouro o influenciaram fortemente em “Inferno”. Assim nasceu a sua nova trama.
Aquele Dan Brown voltou... o meu estar por vir.

domingo, 26 de maio de 2013

Kibutz científico


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André Nunes

Acho que todo mundo já pensou um dia em ganhar na loteria. Houve um tempo que isso para mim era um sonho constante. E, como sou megalomaníaco incorrigível, só conseguia pensar em mega-sena acumulada pelo menos duas vezes. Não era sonho besta de Carimbó da Sorte, Poupa-Ganha, ou mesmo uma fezinha no jogo do bicho. Tinha que ser muito mesmo. Essa uma de dois bilhões de dólares que correu há poucos dias nos Estados Unidos, talvez já desse para começar.
Sonhar é uma prerrogativa do animal homem (e mulher, para ser politicamente correto). Assim, como disse, sempre sonhei ganhar na loteria. Mesmo consciente que não teria nem aquela chance infinitesimal matemática que todo apostador possui, porque, simplesmente não jogo! Nem loteria nem bingo, cassino, bicho ou porrinha. Mas para o sonhador isso é irrelevante.
Digamos que mesmo assim eu ganhasse.
O busílis era o que fazer com essa dinheirama toda. Las Vegas, Monte Carlo e quejandos, como já se viu, estariam descartados. Amante argentina que, dizem, tem um talento especial para gastar, não está mais nos meus planos. O intuito era sempre mais nobre e justo. Pelo menos na minha ótica socialista. E essa ideia nem é original, em idos de mil, novecentos e sessenta e dois, ou três, dois jovens sonhadores (no tempo em que a juventude sonhava), Carlos Lyra e Francisco de Assis compuseram a Canção do trilhãozinho. Coisas do velho CPC da UNE. Onde eles diziam: ... “se eu tivesse um trilhãozinho meu país mais bonitinho ia ser, tão bom...” Não posso atinar o que eles fariam com esse trilhão, mas com certeza não seria nenhum PAC. Eu, pelo menos sempre tive outros planos.
Pela ordem de prioridade dos investimentos sonhados: Primeiramente pensei em financiar campanhas políticas. Pode ter coisa mais doida de que sair por aí distribuindo dinheiro a rodo para candidato a prefeito, vereador e deputado, em troca de um compromisso passado em cartório, de que eles não iriam roubar nem votar contra os interesses do povo? Pois é, como não achei a fórmula correta de fazer cumprir esse pacto de fidelidade, tive que abandonar o projeto. Depois veio a Lei de Financiamento de Campanhas Eleitorais e foi a pá de cal na doidice. Pensei também em creches para filhos de mães solteiras, cooperativas de artesãos, até escolas técnicas voltadas para as diversas regiões do Estado. Campo, várzea, floresta de terra firme etc.
De certa maneira esse nariz-de-cera em forma de blague foi para apresentar um sonho sonhado e que tenho certeza não conseguiria com um ou muitos trilhõezinhos:
Eu apenas queria que em cada estado brasileiro houvesse um Jornal Pessoal e a história desta vilipendiada Nação seria diferente. Mais republicana e menos cleptocrata. Simples assim. Simples?
Ah! Ia me esquecendo, a proposta do Lúcio Flávio Pinto de kibutz científico, não deixa de ser uma boa ideia.

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Entrevista com Newton Bignotto

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Newton Bignotto, professor de Filosofia Política na Universidade Federal de Minas Gerais


No Brasil, a política é realmente um jogo com partidos ‘de mentirinha’?
Todos ficamos incomodados com a maneira como os partidos políticos brasileiros se formam e se comportam. Mesmo partidos que já tiveram um perfil ideológico mais nítido, como o PT e o PSDB, hoje parecem ter perdido o eixo e disputam o poder como se não se importassem com a afirmação de suas diferenças. Outros partidos parecem existir somente para disputar eleições e ocupar espaços nas esferas de poder. Mas é preciso tomar cuidado para não trocar a análise da vida política brasileira concreta por aquilo que deveria ser idealmente. Em primeiro lugar, mesmo que semelhantes, há diferenças entre os partidos, as quais impactam na vida de milhões de brasileiros quando são transformadas em políticas públicas. Nesse sentido, não são exatamente “de mentirinha”. Em segundo lugar, é preciso ver que os partidos existentes refletem a sociedade em muitos de seus aspectos. A existência de partidos sem perfil ideológico definido se deve também ao grau de despolitização de franjas importantes da população. Por outro lado, pequenas formações partidárias defendem ferozmente os interesses de grupos particulares. Veja, por exemplo, a resistência de certas formações políticas a temas como o casamento gay. Assim, não podemos falar de acaso, ou de algo anedótico. Essa é a posição de uma parte da população brasileira e alguns partidos refletem isso de forma muito explícita. Talvez esse não seja o melhor dos mundos, mas se quisermos compreender o Brasil, ou mesmo mudá-lo, teremos de olhar para esse tecido político dividido e corrompido. Essa é a matéria da política brasileira e, em alguma medida, podemos dizer, sua verdade. 

Outra ‘mentira’ foi o fim do Bolsa Família. Como uma sociedade pode acreditar em rumores até agora não rastreados?
Boatos fazem parte da vida pública desde a Antiguidade. Na Roma antiga, era comum a pichação de muros com afirmações referentes a personagens importantes da cidade, o que impactava diretamente a vida política. Um rumor é um acontecimento político. Só se espalha porque toca num ponto sensível da sociedade. A questão central não é a veracidade ou a falsidade, mas o impacto que o boato causa na cena pública. E o que ele revela. No fundo, identificar a origem do boato não é tão importante quanto descobrir o que ele esconde. O rumor sobre a suspensão do Bolsa família revela não apenas a importância para grandes parcelas da população, mas as resistências que o programa suscita em alguns atores políticos. O boato provocou um efeito real – o pânico, no caso – e uma disputa em torno de uma prática política e de uma visão da realidade brasileira. 

Hannah Arendt diz que a política envolve, essencialmente, a produção e a dispersão de narrativas ‘convincentes’.  Mentir está na essência da política?

Arendt não quer dizer que a mentira “define” a política – isto é, sua essência –, e sim que a disputa entre verdadeiro e falso na arena pública não é um problema de lógica. Concerne aos fatos, mas também à percepção desses fatos. Por isso, a política é o terreno onde competem narrativas. A realidade não desaparece pelo simples fato de que construímos discursos sobre ela. Criar um discurso é uma maneira de interferir no real. O uso intensivo da propaganda pelos regimes totalitários mostra isso perfeitamente. Por isso, a defesa de um regime de liberdades não pode ser apenas uma defesa da coerência lógica de seus princípios. É preciso partir desse ponto para propor a um país uma narrativa sobre sua história e seus desafios capaz de sustentar uma escolha pela liberdade. A verdade é matéria para uma luta de natureza política. A mentira não vai desaparecer da cena pública por ser eticamente condenável. Terá de ser combatida. Esse combate se dá com as mesmas armas que nos levam a construir discursos que queremos verdadeiros sobre nosso tempo. 

Immanuel Kant também se debruçou sobre a mentira. As ideias do filósofo ainda valem para os dias atuais?
No texto Sobre um Pretenso Direito de Mentir por Amor à Humanidade, Kant investiga se há casos nos quais podemos mentir por razões “humanitárias”. Sem entrar nos detalhes, podemos dizer que o filósofo nega que se possa mentir e continuar fiel a seus princípios e à razão. Dizer a verdade é uma obrigação moral absoluta, que não pode ser quebrada. Essa posição radical contra toda forma de mentira foi muito influente em seu tempo e continua a ser discutida por pensadores atuais. 

O sr. é um estudioso de Maquiavel. Que ideias o italiano traz sobre a ‘verdade’? 
Maquiavel se preocupa em fundar um saber sobre a política na “verdade efetiva das coisas”. Assim se distancia de toda filosofia política que quer pensar o real a partir de modelos abstratos – que pretendem nos ensinar a viver, mas são incapazes de dizer como vivemos de fato. Essa guinada realista não o conduziu, no entanto, a acreditar que haja uma verdade na política que possa ser expressa de forma absoluta. O problema é que, no cenário da política, não podemos nos guiar por ideais irrealizáveis, por “utopias” diríamos hoje. Isso pode nos conduzir a simplesmente destruir as bases sobre as quais se funda um poder. Ao mesmo tempo, é preciso notar que o real é composto por vários elementos, entre os quais o simbólico e o imaginário ocupam lugares de destaque. Por isso, a política é tão fascinante e tão difícil de entender. Para além da posição realista, Maquiavel nos legou uma compreensão da complexidade da cena pública, que pode ser um bom remédio para os dogmatismos e as ideologias totalitárias. 

Os bastidores venezuelanos também marcaram a semana. Teorias da conspiração entram no jogo político? 
Essas teorias são parte da realidade política, porque constroem um discurso que se pretende verdadeiro. Assim fazem ao sugerir explicações que parecem mais profundas do que as que muitas vezes podem ser formuladas por cientistas sociais, filósofos ou jornalistas. Operam calcadas na ideia de que toda realidade pode ser explicada por uma lógica que apenas alguns são capazes de conhecer. Teorias da conspiração não são propriamente teorias políticas, mas seu uso no combate político é muito real. O essencial é que, ao veicular a ideia de que há uma causa escondida para tudo, essas teorias negam que ações políticas sejam frutos da liberdade dos homens e que por isso podem ser contingenciais. Como só alguns conhecem as verdadeiras articulações do real, apenas eles podem reivindicar o poder.  

Na política americana, o FBI deu ‘frágeis’ justificativas para a morte de um suspeito. 
Não tenho como saber o que aconteceu nos Estados Unidos, mas é possível observar que a morte do suspeito desencadeou uma disputa sobre seu significado que só é possível numa sociedade democrática. Se essa disputa caminhar é um sinal de que as instituições ainda garantem os valores essenciais da república. Se forem varridas para debaixo do tapete é um sinal de que não se trata apenas de um problema de credibilidade, mas de garantias constitucionais. E isso pode ser muito grave.  

Como diz o filósofo Oswaldo Porchat, ainda é preciso ser cético?
Porchat deu uma grande contribuição para a filosofia, com sua visão renovada do ceticismo. Em sua versão antiga, o ceticismo põe em dúvida a possibilidade de que proposições possam conter toda a verdade sobre uma coisa. Assim, elimina a ideia de que o papel da filosofia é explicitar a verdade em todas suas formas. Muitos céticos insistem não apenas sobre o fato de que o ceticismo introduz um elemento importante para a compreensão das ciências como processo de busca da verdade, mas altera nossa forma de olhar o cotidiano. Uma das consequências pode ser o afastamento da vida pública e o desenvolvimento de uma certa apatia, que seria adequada às sociedades atuais. É possível, no entanto, pensar o ceticismo como uma vacina contra todas as formas de dogmatismo. Nesse caso, continuamos a participar da vida pública sem, no entanto, acreditar deter a verdade sobre elas. Valores como tolerância e respeito às diferenças passam a nos orientar em um mundo no qual não é possível ter certezas absolutas. Talvez não possamos falar propriamente de uma filosofia política cética, mas é inegável que uma certa dose de ceticismo combine bem com a vida nas democracias. De fato, estamos mais céticos. E isso não é uma especificidade brasileira. O fenômeno ocorre em várias democracias atuais.

Com instituições tão abaladas, como uma sociedade resiste e não se desmantela? Quer dizer, em que ou em quem se pode confiar? 
Realizamos no Centro de Referência do Interesse Público (Crip-UFMG) pesquisas de opinião sobre a corrupção. Ali constatamos que a população pensa que as instituições políticas são corrompidas, mas é possível confiar em amigos e familiares. Isso mostra que há uma certa consciência da população brasileira de que a corrupção é um fenômeno importante de nossas vidas, mas não é absoluto. De fato, se não pudermos acreditar em nada, isso leva ao desespero ou a uma visão apocalíptica da realidade. Para vivermos em uma república, é preciso algum grau de confiança nas pessoas e mesmo nas instituições. Por isso, a corrupção é tão ameaçadora para um Estado de Direito. Desconfiar de tudo e de todos acaba tornando impossível a vida política, no lugar de propor um entendimento correto do que se passa e de como lutar contra as ameaças muito reais que corroem nossas vidas em comum.  

É possível manter relações sociais sem mentiras? Tipo ‘supersinceridade’?
É diferente ao se tratar da vida privada ou da vida pública. Não que a sinceridade não seja um valor nas duas esferas. Mas não pode ser vivida da mesma maneira em uma relação amorosa e em uma relação política. Na dimensão particular, é preciso lembrar que o desejo de ser absolutamente sincero e transparente esbarra no fato de que nem sempre somos transparentes para nós mesmos. Ora, na esfera pública, nem sempre a transparência é o melhor caminho para se preservar outros valores como a liberdade individual ou o direito à privacidade. Transformar a sinceridade em valor absoluto pode acabar comprometendo a sobrevivência das instituições democráticas. Ser totalmente “sincero”, por exemplo, sobre os meios de defesa de um país pode colocá-lo em risco diante de seus inimigos. Se tudo tiver de ser transparente, acaba a separação entre vida privada e vida pública e, como já mostrou Arendt, acaba também a política como expressão da liberdade. 

E rompantes de franqueza, como mostrou o ministro Joaquim Barbosa, são levados a sério? No fim, que bem faz a verdade? 

As palavras do ministro devem ser levadas a sério não por indicarem uma crise passageira entre os poderes da república brasileira, mas por mostrarem uma dimensão essencial da política contemporânea. Recentemente participei da organização do livro Dimensões Políticas da Justiça. Nele, pesquisadores procuram debater as diversas faces do conturbado relacionamento entre Justiça e política. O eixo desse trabalho é a ideia de que não se pode separar essas duas esferas da vida pública, sob pena de se deixar de lado um aspecto essencial da realidade atual. Talvez o fato mais importante seja a invasão da política pela lógica do Judiciário. Conflitos políticos são tratados como disputas jurídicas e perdem sua especificidade, alterando as regras que os guiam. Assim, quando o Congresso recorre repetidamente ao Judiciário para resolver suas querelas, abre mão de suas regras de embate para adotar aquela de um outro poder. Ora, o que Montesquieu já mostrou é que não buscamos o equilíbrio entre os poderes por uma razão moral, mas porque os poderes tendem a devorar os espaços dos outros. Por isso, precisam ser equilibrados para não levarem à perda do eixo de sustentação da vida republicana. No caso brasileiro, a judicialização da política implica o enfraquecimento do Poder Legislativo. Do outro lado, implica a politização do Poder Judiciário. Esse confronto é revelador de um processo muito mais amplo e profundo – e não apenas o sinal de uma crise envolvendo personalidades do momento.

Will you still love me when I'm no longer young and beautiful ?

-Of course we'll do, darling!!!.

A nova super diva está na trilha sonora de The Great Gatsby, o novo filme Baz (Moulin Rouge/Romeoa and Juliette) Luhrmann.

sábado, 25 de maio de 2013

Abraço

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Acabei de assistir a peça teatral "Abraço", de Edyr Augusto Proença. Zê Charone é uma belíssima atriz:  faz a morte. A morte que vem buscar um homem triste; e que ao descobrir-se diante da morte, fica feliz. Muito bonita a atuação dos dois. Cláudio Barradas está velho; é um velho ator; é um belo ator: está ótimo! Muito bem. O texto é atual. Edyr A. Proença diz que escreveu para seu pai; para homenageá-lo. Conseguiu homenageá-lo! Não foi amigo do personagem. Foi seu pai quem lhe apresentou o personagem: um velho amigo. E ele está lá, na peça teatral Abraço. Gostei muito.

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Laura! É linda!






Sábado para A.O.F.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Concordo !!!

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Fábio Fonseca de Castro

A publicidade governamental do Governo Jatene, a Griffo, o jornalismo paraense...
Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo JateneVamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”?“Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo.Os posts começaram, em seguida, construindo um perfil de Orly Bezerra, proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará.
Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo: R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará.Ainda que tenha faltado dizer que a maior parte desse dinheiro serve para alimentar os veículos de comunicação dominantes do estado, Ana Célia está certíssima na sua leitura desse processo. A simbiose contemporânea entre política e comunicação acaba produzindo situações complexas de poder, com essa. Situações anti-democráticas e de corrupção que tornam a política refém de processos de comunicação que não obedecem ao interesse público, mas sim, exclusivamente, ao interesse privado.Ana Célia estabelece uma diferença fundamental, que deveria ser compreendida pela sociedade civil e, sobretudo, pelos alunos de comunicação, futuros atores desse cenário:E é preciso fazer esta diferença: jornalista é aquele que quer a informação para repassá-la ao distinto público. Lobista da comunicação é aquele que quer a informação apenas para negociá-la em troca de dinheiro, cargos, ou sabe-se lá o quê.E sua conclusão, que todos conhecemos muito bem, é evidente:E, infelizmente, neste governo do chefe de quadrilha que é Simão Jatene, os lobistas dão as cartas no jornalismo do Pará.É evidente que o mal não é exclusivo do Governo Jatene. Sejamos honestos: essa simbiose está presente na base do sistema político contemporâneo. Independentemente do lugar no espectro político, que os governos ocupem, é a política que é vulnerável. Alguns países encontram meios para regulamentar e para acompanhar a comunicação governamental e pública. Não é o caso do Brasil.Província dominada por interesses privados, colônia eterna, o Pará é apenas um caso dramático. Os sintomas são uma comunicação que obedece a influxos de intriga, compadrio, calúnia, medo, rancor... A tarefa de informar cede espaço aEspecialistas em retorcer informações, (que) bisbilhotavam até as cuecas das lideranças oposicionistas, para transformar qualquer coisa em escândalo. E quando nada encontravam, simplesmente, inventavam. Bastava um copo de uísque em um bar para que o sujeito virasse um “alcoólatra”; um comentário incisivo, para que virasse um “desequilibrado cheio de ódio”.É todo um modus operandi. A ação orquestrada do boato sobre a extinção do Bolsa Família vem, muito, muito provavelmente, das hostes tucanas. O PSDB é o partido que, no Brasil, faz com profissionalismo esse tipo de comunicação. E como sempre, no Pará, excessos.
Aconselho a leitura. E aguardemos os próximos posts, porque eles começam a pautar o jogo eleitoral de 2014.

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Charlemagne

Olha só que legal: eu não sabia, mas o ator britânico Sir Christopher Frank Carandini Lee, já idoso, decidiu enveredar pela carreira musical. O que é muito propício, já que sua bela e peculiar voz é poderosíssima para isso. E não escolheu bobagem, não: sua onde é o rock.

Depois de lançar Charlemagne: by the sword and the cross, um disco de metal sinfônico, em 2010 (eu simplesmente não sabia), no próximo dia 27 de maio, quando estará completando 91 anos, ele lançará Charlemagne: the omens of death. E a definição da obra, agora, é "100% metal". Toma-te!

O cara que se tornou famoso como Conde Drácula e brilhou como o mago Saruman, da trilogia O senhor dos aneis (e de novo em O hobbit), dono de uma carreira tão longa quanto respeitada, soube se reinventar e em grande estilo. Escutei um pouco da música e gostei.

Fica a dica, já que neste blog temos DJ e roqueiros.

Website de Christopher Lee: http://christopherleeweb.com/

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sendo

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Quando o mundo repousa em nosso umbigo, podemos ser deliciosamente felizes e exaustos de tanto Eu. Quando o mundo é amplo, vasto e profundo, podemos ser imensamente felizes, etéreos: sem lugar. Em qualquer das dimensões levamos o que somos; como o escrevinhador leva seus alfarrábios e suas vestes. Tenho escutado uma dimensão do umbigo querendo o etéreo, do mundo. E o etéreo do mundo querendo o  umbigo. Que mundos estes! - "Existirmos, a que será que se destina?" A velhice começa a entrar no tema da minha geração, e ainda estamos mantendo o gás, rs. A geração da minha frente está na plena crise da velhice. Mas estão afirmando seus desejos: o que é ótimo! Estão curtindo a liberalidade dos tempos: aquela que relativizou tudo. Não é fácil. Não está fácil; e pode ficar mais difícil. Quando o mundo repousa no Umbigo, quem manda são os individualistas. Quando o mundo é etéreo, quem manda são os Beats, as caminhadas à Montanha e as longas viagens pelo mundo. Há muitos andarilhos pelo mundo. Queremos ser etéreos e individualistas: Ficamos cínicos com nós mesmos? Não sei! Como Gilberto Gil eu  prefiro "aprender a ser só, reagir e ouvir, o coração responder: Eu preciso aprender a só ser".



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Mídia e Poder

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A matéria do blog da jornalista Ana Célia Pinheiro traz informações importantes para compreender as relações entre agências de publicidade e governos, no Pará. É preciso lê-la! Aliás, esta é uma área que o jornalismo  não tem muito interesse em acompanhar. Por que será? Não se esqueçam das ações do Mensalão,  e de qual era a função de Marcos Valério! Não estou fazendo comparações, apenas julgo que são fatos do interesse público.


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As lições de geografia de Max Martins



Para que serve essa 'gramática'?



Por Pasquale Cipro Neto
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Certa vez, o coordenador de língua e literatura de uma grande instituição de ensino me disse que não aguentava mais aplicar aulas-teste, nas quais se avaliavam a didática e o conhecimento de candidatos a uma vaga no corpo docente da escola.
"Faço uma pergunta básica", disse ele. "E ninguém acerta." A pergunta "básica" é esta: "Defina o sujeito". As "definições" eram (e são) as mais disparatadas possíveis, desde a "clássica" ("sujeito é aquele que pratica a ação") até bobagens outras.
Se sujeito é aquele que pratica a ação, como explicar que em "Ele sempre apanhava da mulher" o sujeito é "ele", mas o "praticante da ação" é "a mulher"? E como explicar que em "Esse livro não foi lido pelos alunos" o sujeito é "esse livro", que não pratica ação nenhuma? "O livro" é o alvo, o paciente do processo expresso pelo verbo. O tal do "praticante da ação" é representado pela expressão "pelos alunos". E o que dizer de "Você é linda", em que nem ação há?
Posso fazer uma perguntinha? Qual é sujeito de "Faltou-me coragem"? "Eu", implícito no "me"? Que tal? Xô, bobagem! Essa é outra ideia torta, a de achar que o sujeito sempre (ou quase sempre) é um ser humano.
Qual é a forma verbal de "Faltou-me coragem"? É "faltou", não? Em que pessoa gramatical está flexionada? Na terceira do singular, certo? Pois o sujeito de "faltou" é o elemento com o qual a forma "faltou" concorda, ou seja, a coisa ou a pessoa que faltou.
O sujeito de "faltou" é "coragem". Foi ela (coragem) que faltou. Se você trocar "coragem" por "forças", o que ocorrerá? Será necessário trocar "faltou" por "faltaram" ("Faltaram-me forças"), já que o sujeito agora é "forças" (foram elas, as forças, que faltaram). E se você trocar o "me" de "Faltou-me coragem" por "nos" ou "lhes"? Não acontecerá nada com o verbo, já que não se terá tocado no sujeito. O verbo só se altera (em termos de concordância) se se altera o sujeito.
Agora uma pausa para que procuremos num dicionário ("Houaiss", "Aulete", entre outros) a palavra "sujeito". O que se encontra é basicamente isto: "Termo sobre o qual recai a predicação da oração e com o qual o verbo concorda". A parte prática dessa definição é essencialmente a segunda ("...e com o qual o verbo concorda"). Como definição geral, básica, a sentença "sujeito é o termo com o qual o verbo concorda" resolve a maior parte dos casos.
Sim, eu sei, há orações (poucas) sem sujeito e há orações (poucas) em que o verbo não concorda com o sujeito, mas com o predicativo ("A cama eram umas palhas", por exemplo), porém em 90 e tal por cento dos casos o verbo concorda com o sujeito (estamos falando de língua culta).
Uma colega e amiga me informa que na escola em que sua filha estuda foi decretado que o sujeito de "Tudo acabou com a morte" é "a morte". E de nada adiantaram os seus argumentos --de quem é do ramo (ela é excelente professora de português).
Que salada, santo Deus! Os docentes da bela petiz confundem sintaxe com semântica, já que acham que, se foi com a morte que tudo acabou, ou seja, se foi ela (a morte) a causa do fim de tudo, é ela (a morte) o sujeito. E onde enfiamos a preposição "com"? Então o sujeito de algo como "As esperanças de dias melhores se esvaíram com a morte dele" é "a morte dele"? Jogamos fora o "com" e decretamos que "a morte dele esvaíram"?
Um dos motivos sustentados por especialistas que defendem o fim do ensino de gramática na escola é justamente o que acabamos de ver: há professores de gramática que não sabem gramática...
Eu vou por outro lado. Prefiro o ensino funcional de gramática, que, no caso visto hoje, é o ensino de que o conhecimento do que de fato é o sujeito nos dá os instrumentos necessários para estabelecermos a concordância entre o verbo e o sujeito. É isso.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Inside Bowie

Fotos: Edvan FCoutinho

2013. De tudo o que aconteceu ou ainda possa acontecer neste ano, poucos eventos culturais se sobreporão à histórica exposição Bowie is no Victoria & Albert Museum, em London. Não foi à toa que os 42 mil ingressos foram vendidos em pouquíssimo tempo, estabelecendo um recorde nas exposições do respeitado V&A. Passamos horas na internet até conseguir um ingresso do tipo combi-ticket para uma outra exposição, mas mesmo esse meio está esgotado.

No quarto de David Robert Jones


 Foto: do site Kaltblut Magazine
A primeira parte da exposição é mesmo um mergulho na gênese de Bowie: o que ele escutava, o que ele lia, o que ele fezia, as pessoas que contribuiram para os primeiros passos. A instalação que mistura objetos e projeções de vídeo nos dá a sensação de estar no quarto de Bowie, ou melhor,  do ainda David Robert Jones.Já nesse espaço, a gente se impressiona com a qualidade do equipamento de áudio individual que cada visitante recebe. Basta chegar perto de um display de vídeo para ter o áudio claro no seu fone de ouvido.

Uma olhada no guarda-roupa de Bowie



 Foto: V&A Museum

Cartas, desenhos, livros, letras originais, instrumentos musicais. Tudo vai formando um quadro da obra de Bowie, entremeado por vídeos, fragmentos de áudio. Claro que a exposição dos  figurinos nos transporta no tempo e nos deixa de cara com os famosos modelitos de Ziggy Stardust e até diante daquela discreta extravagância dos casacos feitos por Alexander McQueen para Bowie  nos anos 1990.

Mergulho na tela e na  platéia


Foto: V&A Musem

Um espaço especial na exposição mostra trechos de alguns filmes de Bowie ator. Senti falta do super cult The Hunger (chamado de Fome de Viver, no Brasil), de 1983, onde ele fazia par vampiresco com Catherine Deneuve. Mas, na exposição estão trechos de clássicos como Merry Christmas, Mr. Lauwrence (do mestre Nagisa Oshima, de 1983) e Labyrinth, de 1986, e ainda descobertas, como The Prestige, filme feito em 2006, por Christopher Nolan.
A parte final da exposição é um mergulho nas performances live de Bowie, entre os anos 70 e 90, o período mais fértil dele. O apuro técnico impressiona: a tela - dois imensos paredões -  se divide e se unifica em diversos momentos, a qualidade sonora nos fones de ouvido nos transporte às platéias de shows entre os anos 70 e 90, o período mais fértil dele. Mas, a exposição tem um pé nos tempos atuais. Em várias partes, se mostra o processo de criação do novo álbum. The Next Day, lançado em março passado, com letras, arranjos e depoimentos dos colaboradores da mais mais recente obra bowiana. Bem, para quem ver mais, recomendo um belo depoimento em vídeo da jornalista cultural Sarah Crompton para a série I've just seen, do jornal inglês The Telegraph; Além, claro do inside exhibition próprio site do Victoria & Albert Musem.

Formação em deformação nos cursos de Jornalismo?

Reproduzo pequena parte do texto publicado na agência Carta Maior, de autoria do colega Pedro Pomar, sob o título "Novo currículo do curso de jornalismo escamoteia poder do oligopólio", que já diz tudo. Ele acredita que já perdemos esta batalha, o que é uma pena. Vale muito ler o texto completo na agência.

"Pesquisadores acadêmicos de alto quilate conseguiram a proeza de propor as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Jornalismo sem se pronunciar sobre como se configura o sistema empresarial, oligopólico, firmado sobre a propriedade cruzada de diferentes meios de comunicação.

*Pedro Pomar

Estão prestes a ser homologadas pelo ministro da Educação as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Jornalismo, aprovadas pela Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) em 20/2/2013. O Parecer 39/2013 CNE/CES pouco alterou o relatório final da chamada Comissão Marques de Melo. O estágio obrigatório de 200 horas foi mantido, apesar da posição inicial desfavorável do relator.

A meu ver, a ausência mais aguda nas Diretrizes Curriculares é a do Capital. Um conjunto de pesquisadores acadêmicos de alto quilate conseguiu a proeza de reunir-se para tratar do Curso de Jornalismo tendo chegado ao final de seu trabalho sem se pronunciar sobre como se configura no Brasil o sistema empresarial, oligopólico, firmado sobre a propriedade cruzada de diferentes meios de comunicação, que dá as cartas na mídia e no jornalismo brasileiros. Dizendo de outra forma, o sistema responsável pela produção da maior parte do jornalismo brasileiro, diário ou semanal, seja ele impresso, televisivo, radiofônico ou digital, é ignorado no documento.

Desse modo, não há uma avaliação crítica do papel desempenhado no jornalismo pelos empregadores de importante parcela dos atuais e dos futuros jornalistas, empregadores esses dotados de notável poder econômico e político na sociedade brasileira, habituados a moldar o jornalismo que praticam de acordo com seus interesses. Eles deixaram de ser criticados pelos especialistas da “Comissão Marques de Melo”, que, no entanto, preocuparam-se em atender suas demandas, por exemplo por meio da figura do estágio obrigatório (“possibilitando a interação da universidade com o setor produtivo”) ou do Mestrado Profissional (recomendação felizmente ignorada pelo CNE/CES), que permitiria a “formação de profissionais especializados, pleito histórico das organizações jornalísticas” (leia-se: empresas de jornalismo).

Também no tocante à comunicação entendida como sistema global, mundial, o relatório que embasou as novas Diretrizes Curriculares valorizou excessivamente as redes sociais e a convergência digital, bem como os “novos sujeitos”, sem levar em conta que prossegue célere o processo de concentração e fusão das corporações gigantes de mídia, ou seja, dos capitais que atuam no setor. Por exemplo, afirmam os especialistas: “Os conteúdos da atualidade, veiculados pelos gêneros jornalísticos são, em esmagadora maioria, ações discursivas de sujeitos que agem no mundo e sobre o mundo por meio de acontecimentos, atos, falas e/ou silêncios. Valorizados pelas técnicas e pela identidade ética, esses conteúdos são socializados no tempo e no espaço do Jornalismo, pelos instrumentos da difusão instantânea universal. E assim, pelas vias confiáveis do Jornalismo, se globalizam idéias, ações, mercados, sistemas, poderes, discussões, interesses, antagonismos, acordos” (Relatório, p. 4). Tudo parece, assim, muito difuso e etéreo, quando a realidade é bem outra, mesmo na Internet, onde a presença das grandes corporações, bem como a ação de grandes Estados, é avassaladora.

Quando cita o mercado ou as empresas, o relatório final da “Comissão Marques de Melo” o faz acriticamente, como se o protagonismo desse setor nada tivesse a ver com o jornalismo que se pratica hoje (no Brasil e no mundo) ou com a formação jornalística. O jornalista, assim, apesar da retórica humanística do texto, ao fim e ao cabo é apenas força de trabalho para as empresas de jornalismo. Mas o Relatório não se limita a escamotear, na abordagem geral prévia, o oligopólio da mídia e do jornalismo. Ele também deixa de incluir esse tópico nos próprios conteúdos curriculares sugeridos. E o CNE/CES aprovou integralmente tais conteúdos".

domingo, 19 de maio de 2013

Joãozinho Gomes lança “A flecha passa e poemas DiVersos”



Em 2007, quando publicamos um livro de Cirurgia (EDUFPA), divulgado aqui no FLANAR e lançado inicialmente em Belo Horizonte (Minascentro) e depois no Barros Barreto-UFPA, a professora Laïs Zumero, então editora-chefe da EDUFPA, ficou encasquetada com cada epígrafe que antecedia os capítulos. Eram duas ou três de conteúdo médico-científico, as demais, pura poesia: de Waldemar Henrique a Fernando Pessoa passando por Thiago de Mello, Ferreira Gullar, Guimarães Rosa e, entre tanto mais, Joãozinho Gomes.

À época Joãozinho já desenhava a ideia de escrever A flexa passa. Deu-me alguns versos, uma espécie de embrião do que seria seu primeiro livro de poesia. Comecei a saborear aquela saga mitológica e percebi que a textura poética se compatibilizava com o livro que começara e escrever. Então comecei a encaixar versos a cada capítulo que surgia. Combinava com o livro, afinal de contas o epicentro do tema era a violência. Fui montando um roteiro que ora variava trecho literário, ora poesia pura, e assim saiu o livro após dois anos. A abertura, por exemplo, está em A flexa passa:

O anúncio: zune agudo o som da flauta

Que agonia o mundo.

Algo unia o mundo?



De fato, a agonia do mundo - guerras e a violência sanguinária -, não só é a "água-de-carne" de nosso livro, mas também a tônica de João Gomes. Agora digo: se o Flecha... foi pano de fundo desse meu desafio infinito, que sirva de reflexão a todos que se propuserem a ler essa epopéia, essa espécie de viagem até Homero, ou mais além. A poesia de João é bem diferente de suas letras para música: veste-se de poeta, mesmo. Veja no trecho seguinte que a flecha de sua tribo cruza o céu e se transforma em bala de canhão para derrubar o soldado alhures: um prelúdio às guerras:

O arco retesado arremessa-a...
(a flecha passa e corta o infinito,
o aço ao osso é puro atrito)
e cai ao solo um moço.



Mas se nada no mundo une os homens, então quem sabe a poesia possa fazer esse elo? A flecha do índio Joãozinho aponta também para o prelúdio do amor ao se vestir de Eros, deus do amor e, como se fosse o próprio Cupido com sua flecha:

sulco-sêmen-aberto à gris do agro-ego,
onde em segredo sagro-me, e segrego-me

agregado ao grego, a Gregório, o Sagrado,
o que ao meu lado semear-lhe-á astros.



Joãozinho lança a flecha em mim, lança a flecha em nós...



Data do lançamento: 22.05.2013

Local: Centur, dentro do programa “A noite é uma palavra”.