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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Iguana iguana

Imagem: Scylla Lage Neto


Terra natal
lugar para morrer
Waremoko*

Mansaku Itami

*nome japonês da planta pimpinela (homófono da frase "eu também, portanto...")



sexta-feira, 8 de abril de 2016

Wavelength

Imagem: Scylla Lage Neto



"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada."

Cecília Meireles

sábado, 18 de outubro de 2014

Na beira do rio

Imagem: Scylla Lage Neto

"Eu sou como a garça triste que vive à beira do rio
As orvalhadas da noite me fazem tremer de frio
Me faz tremer de frio o medo da solidão
Esse vazio imenso que mora em meu coração.
Me faz tremer de frio a noite escura, sem luar
A saudade de quem fui, e que não vai voltar
Me faz tremer de frio essa dor imensa
que rasga meu peito
Essa falta de não sei o que
ou sei, quem sabe?
Me faz tremer de frio, voar sozinha
A procura de um ninho, um abrigo
Onde eu possa me aconchegar, descansar
Descansar da busca inútil
Descansar das mágoas,
Dos sonhos perdidos
Da desilusão
Ah quem me dera realmente ter asas e poder voar
Voaria pra bem longe
Pra uma estrela, talvez..."

(Castro Alves)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O Nosso Livro

Foto: Scylla Lage Neto


O NOSSO LIVRO

Livro do meu amor, do teu amor,
Livro do nosso amor, do nosso peito...
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,
Como se fossem pétalas de flor.

Olha que eu outro já não sei compor
Mais santamente triste, mais perfeito...
Não esfolhes os lírios com que é feito
Que outros não tenho em meu jardim de dor!

Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sois!

Ah, meu Amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro docemente:
"Versos só nossos, só de nós os dois!..."

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Quase (?) suicídio



Foto: Scylla Lage Neto

A data é incerta e desprovida de qualquer interesse.
O dia, afinal, é hoje, morada de nossa eterna prisão.
O abismo entre a perna e o lago, é real.
Na terra estranha, o vento gelado e a mão que segura a mão são as únicas testemunhas.
Quatro olhos em pânico miram o balançar da perna sobre o vazio.
Dois cérebros processam que nada acontece.
O corpo não cai.
Quatro pés correm.
O lago segue imaculado.
Ou não?!...

                                                                                                                                                                  Foto: Scylla Lage Neto

sábado, 30 de agosto de 2014

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Caminhando

Imagem: Scylla Lage Neto

Envelhecer

"Antes, todos os caminhos iam
Agora todos os caminhos vêm
A casa é acolhedora, os livros poucos
E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas"

Mario Quintana

domingo, 29 de junho de 2014

Para-brisa

Imagem: Scylla Lage Neto



E assim sigo surfando
Na minha própria existência
Como o carapanã que por sobre a BR 316 flutua,
Eternamente esperando por ti
Ou pelo inexorável para-brisa.



quinta-feira, 12 de junho de 2014

Aos namorados do Brasil



Imagem: Scylla Lage Neto

Aos Namorados do Brasil

Carlos Drummond de Andrade

"...pois namorar não é só juntar duas atrações
no velho estilo ou no moderno estilo,
com arrepios, murmúrios, silêncios,
caminhadas, jantares, gravações,
fins-de-semana, o carro à toda ou a 80,
lancha, piscina, dia-dos-namorados,
foto colorida, filme adoidado,,
rápido motel onde os espelhos
não guardam beijo e alma de ninguém.

Namorar é o sentido absoluto
que se esconde no gesto muito simples,
não intencional, nunca previsto,
e dá ao gesto a cor do amanhecer,
para ficar durando, perdurando,
som de cristal na concha
ou no infinito…"

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Sincronicidade

Imagem: Scylla Lage Neto

A imagem acima é do tempo da fotografia convencional, e faz parte de uma série então dedicada ao que eu chamava de "Homo sapiens sapiens". Foi tirada em 2003, na Ilha de Maiandeua, e encontrada hoje dentro do livro RACE TO THE SOUTH POLE, sobre a minha banheira.
Atrás da foto, há um adesivo com os seguintes dizeres, sem menção de data:

"O caminho leva à foz;
A foz conduz à paz;
Na paz reside o amor." 
Scylloca

Coincidência ou consequência?

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Sebastião Salgado no Roda Viva



Ouvir Sebastião Salgado é sempre uma experiência quase-visual.
Programa Roda Viva (TV Cultura) - 16/09/13

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Cicatriz

Imagem: Scylla Lage Neto - Flickr

"Ninguém venha me dar vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferido,
que não me quero curar,
que estou deixando de ser,
e não quero me encontrar,
que estou dentro de um navio,
que sei que vai naufragar,

já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo,
e estava apenas no fim.

Corações, por que chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e os corais.

Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço,
que só quis quem não me quis"

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Sexta-feira

Imagem: Scylla Lage Neto


Preciso

Preciso que um barco atravesse o mar
lá longe
para sair dessa cadeira
para esquecer esse computador
e ter olhos de sal
boca de peixe
e o vento frio batendo nas escamas.
Preciso que uma proa atravesse a carne
cá dentro
para andar sobre as águas
deitar nas ilhas e
olhar de longe esse prédio
essa sala
essa mulher sentada diante do computador
que bebe a branca luz eletrônica
e pensa no mar.

(Marina Colasanti)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Tributo à Terra


Lançado finalmente o livro Genesis, de Sebastião Salgado, fruto de trinta viagens feitas durante oito anos pelo fotógrafo-mor do nosso planeta.
As imagens já disponíveis impressionam pelo brutal contraste entre céu, mar, ar e neve, integrando animais e humanos à mãe Terra através de infinitas variações disponíveis entre o preto e o branco.
Mesmo como fã de carteirinha que sou, fiquei boquiaberto com o pouco que vi.
Ao término de uma visita a uma exposição fotográfica de Salgado, ou mesmo da leitura de um livro seu, dificilmente a pessoa permanecerá a mesma.
Pré-venda na Saraiva.



domingo, 20 de janeiro de 2013

Anton Corbijn, um outsider

Acabo de ver o documentário Shadow Play - The making of Anton Corbijn, sobre o trabalho do mais brilahntes diretor de arte e fotógrafo holandês.  É um retrato do fotógrafo e diretor que nasceu perto de Rotterdam, na Holanda, mas que firmou carreira  na Inglaterra como fotógrafo da então emergente cena pós-punk na Grã-Bretanha, depois elevada ao mainstream. Ele é o fotógrafo de capas de álbums e vídeoclips clássicos do U2, R.E.M, Depeche Mode, Tom Waits, Nick Cave, e Nirvana só para citar alguns.
Mas, Corbijn foi, e sempre será, ligado à história da legendária banda de Manchester, Joy Division. "Foi por causa deles que eu saí da Holanda, e claro, porque fui demitido da revista onde trabalhava porque minhas fotos eram consideradas muito dark", conta Corbijn.
Essa fama de ser fora do convencional, apesar de trabalhar com o supra sumo do mundo rock/pop dos anos 80, 90 e até agora, quase fez com que Corbijn fosse "desconvidado" da direção do filme Control, a biografia de Ian Curtis, o líder do Joy Division, que se matou em 1980.
Quem viu o filme sabe que nenhum outro diretor conseguiria mergulhar daquela maneira no universo atormentado de Curtis. Shadow Play foi feito justamente em 2007, durante o processo de produção de Control. 
Soube que há outro documentário mais atual sobre Corbijn. O trailer de Inside Out  está também no Youtube.
Para quem quiser saber mais sobre o Corbijn, recomendo o site dele, que é uma obra de arte só. Ah, ele também dirigou George Clooney, em O Americano.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Translendário 2013


A versão 2013 do super-polêmico Translendário foi lançada na última quarta-feira, em Fortaleza.
O calendário, criado pelo grupo teatral As Travestidas no ano passado, tem como objetivo quebrar o preconceito em relação às pessoas trans e usa muitas referências religiosas.
Dentre os colaboradores da obra deste ano está o cartunista Laerte.
Os interessados podem  comprar o calendário na página do As Travestidas no Facebook.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A respeito do Largo de Nazaré

Imagem: acervo digital de Antonio Sales

Reproduzo abaixo comentário feito por uma leitora do blog a respeito da postagem 1978: Largo de Nazaré, a qual solicita ajuda para um trabalho na faculdade.

"Olá, eu sou estudante da UEPA do curso de Pedagogia e estou fazendo um trabalho sobre história oral e pesquisando sobre o Largo de Nazaré, eu e minhas amigas estamos fazendo entrevistas com pessoas que moraram no local ou próximo para falar sobre o local, como era antigamente, as transformações ocorridas, estamos encontrado um certa dificuldade de encontrar entrevistados. Bom, vi que vocês conhecem bem o lugar, quem poder me ajudar ficarei muito agradecida, de verdade, não precisa se identificar, é um entrevista informal, podem ficar seguros. entrem em contato no meu email aline.uepa@gmail.com"

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Escombros

Gaza; novembro de 2012 (imagem: Tsafrir Abayov/AP)



Não Vás Tão Gentilmente Nessa Boa Noite Escura (Dylan Thomas)

Não vás tão gentilmente nessa boa noite escura,
Os velhos deveriam arder e bradar ao fim do dia;
Raiva, raiva contra a morte da luz que fulgura.

Os homens sábios, em seu fim, sabem com brandura,
O porquê a fala de suas palavras estava vazia,
Nâo vão tão gentilmente nessa boa noite escura.

Os homens bons, ao adeus, gritando como a alvura
De seus feitos frágeis poderia ter dançado em uma verde baía,
Raiva, raiva contra a morte da luz que fulgura.

Os homens selvagens que roubaram e cantaram o sol na altura,
E aprenderam, tarde demais, que o lamento toma sua via,
Não vão tão gentilmente nessa boa noite escura.

Os homens graves, perto da morte, enxergam com olhar que perfura,
O olho quase cego a brilhar como meteoro, então, cintilaria,
Raiva, raiva contra a morte da luz que fulgura.

E você, meu pai, do alto e acima de tudo que perdura,
Maldiga, abençoe, com sua lágrima triste, eu pediria:
Não vá tão gentilmente nessa boa noite escura,
Raiva, raiva contra a morte da luz que fulgura


(Tradução: Rodrigo Suzuki Cintra)