domingo, 18 de agosto de 2013
Duas décadas de design
Para os apreciadores do design de alta performance, o vídeo acima da equipe Sauber de Fórmula 1 é um deleite sensorial.
É muito interessante observar a evolução dos projetos dos bólidos de competição em duas décadas, especialmente nos anos 90, quando o regulamento permitia maiores mudanças por parte dos projetistas.
Penso que não é à toa que máquinas criadas por "meros" engenheiros frequentem as exposições de museus de arte, como o MoMa, por exemplo.
A trilogia sonho, arte e engenharia parece ter links neuronais bem patentes.
terça-feira, 4 de junho de 2013
Memento
segunda-feira, 18 de março de 2013
Discuta em língua estrangeira!
Pude testar empiricamente esta ideia no período em que morei fora do Brasil, tanto no aspecto profissional quanto nas relações interpessoais, e acabei por concluir para os meus próprios botões que tendemos a brigar menos, a questionar menos e a evitar conflitos diretos usando este artifício.
Mas era apenas um feeling meu, uma observação livre, e eu jamais havia lido nada a este respeito até a semana passada, quando um link da revista Mente e Cérebro me levou a uma interessante publicação de autoria de Boaz Keysar, de 2011, no periódico PsychologicalScience.
A princípio, seria intuitivo pensar que as pessoas tomam decisões independentemente de qual língua estejam usando para a comunicação. Keysar e seu grupo da Universidade de Chicago, no entanto, demostraram ser justamente o oposto em seis experimentos.
Just do it!
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Inexplicável e imponderável
Alguns vídeos atingem um tal grau de popularidade no You Tube que fica difícil explicar o porque de tantas visualizações.
Dois exemplos claros (ou obscuros?) para mim são o do vendedor paquistanês anunciando peixe por uma libra esterlina em um mercado londrino (acima; mais de 30 milhões de views em duas versões) e o nacional E o Pintinho Piu (abaixo; 25 milhões de visualizações).
Os dois vídeos têm em comum o bom humor, a produção de baixo custo e melodias que facilmente se transformam em poderosos memes, grudando por horas nas nossas memórias.
No final de tudo o culpado parece ser o nosso próprio cérebro, esta máquina maravilhosa que tem inclusive a capacidade de zombar dos proprietários: nós mesmos!
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Brahms, melancolia e blues
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Cérebros e mapas
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Achados e perdidos
Pouco entendemos sobre o real mecanismo pelo qual adquirimos e armazenamos as informações, e muito menos sobre como realmente as perdemos.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
O álcool e a criatividade
domingo, 26 de agosto de 2012
Tripla recordação
sábado, 14 de julho de 2012
Transtorno de humor e experiência criativa
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Schumann e a psicose

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Eternamente jovens

Um dos raciocínios mais equivocados que costumamos ter é achar que vivemos com as mesmas células (ou um grande número delas) por todas a nossa existência.
A maioria das células vivas raramente consegue durar um mês inteiro, com a honrosa exceção dos neurônios (recebemos 100 bilhões e os renovamos a nível de seus componentes celulares) e dos hepatócitos (que sobrevivem vários anos).
O bioquímico belga Christian de Duve, ganhador do prêmio Nobel de Fisiologia/Medicina em 1974, nos mostrou que as células do fígado têm todos os seus componentes renovados em poucos dias.
O cientista americano David Bodanis argumenta em The Secret Family que não há uma só parte nossa, nem mesmo uma simples molécula, que tenha estado conosco há 9 anos.
Em português claro, abaixo dos 2 kg de células mortas que constituem a nossa pele, estaremos sempre novinhos em folha.
Até o fim.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
O mistério do Autismo
Poucas doenças do cérebro e do comportamento são tão enigmáticas quanto o Autismo.
Nas últimas décadas tem havido pouco progresso no entendimento real da patologia, que se manifesta clinicamente por um cortejo sintomatológico vasto, que inclui a dificuldade para as relações sociais (em graus variáveis, podendo chegar ao extremo da incapacidade absoluta de comunicação), a execução de movimentos repetidos e estereotipados, sensibilidade ao som e à luz e alterações comportamentais.
Fico, portanto, muito retraído quando vejo artigos como o publicado semana passada no JAMA, Journal of the American Medical Association, que descreve uma população neuronal maior do que o normal em certas regiões do lobo frontal de 7 pacientes autistas submetidos à autopsia (a maioria morreu por afogamento). O peso do cérebro também revelou-se acima do esperado.
A conclusão do trabalho aponta para uma provável causa intra-uterina do Autismo, realçando o substrato neurológico em detrimento do psiquiátrico.
Curiosamente já houve publicações no passado que indicavam um menor número de neurônios, em outras áreas cerebrais.
Enfim, creio que a prevista união futura da neurologia com a psiquiatria e um trabalho transdisciplinar exaustivo possam focar um faixo de luz nesta patologia, fadada até aqui à escuridão.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Limites da inteligência

Nós temos dentro de nossas caixas cranianas uma poderosa “máquina de pensar”, uma espécie de “pudim de leite” constituído de neurônios (mais de cem bilhões), células de suporte, líquido cefalorraquiano e vasos sanguíneos. Podemos ficar ainda mais inteligentes do que somos, ampliando a nossa já enorme capacidade de processamento?
A primeira idéia que nos vem à cabeça é a de que os cérebros maiores levariam vantagens sobre os menores, um pensamento, aliás, bem vigente nas décadas iniciais do século XX. O alto consumo energético e a lentidão das conexões mais longas passam então a ser fatores limitantes à expansão da inteligência.
Aliás, é justamente nos axônios, nas conexões entre os neurônios, que reside a maior dificuldade física para o aprimoramento do funcionamento cerebral. Um melhor “cabeamento” cerebral aumentaria o consumo e precisaria de um espaço desproporcional em nossos crânios.
Tornar os nossos axônios mais “finos” talvez esbarrasse em limites termodinâmicos, criando uma comunicação “ruidosa” e pouco efetiva.
Se a nossa massa cinzenta é poderosa, o mesmo não podemos dizer de nossa massa branca, do nosso “lento” serviço de “correio” axonal, que transformou-se no nosso “calcanhar de Aquiles” da evolução cerebral.
Se, individualmente, não podemos aumentar a nossa inteligência, tendo que confiar na carga genética que recebemos de nossos ancestrais, coletivamente ainda o poderemos fazê-lo, como uma espécie.
Penso que o futuro mostrará que sim.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Como pensam os cães

Imagem: Stanford University
O entendimento do funcionamento do cérebro de mamíferos “inferiores” a nós, primatas “evoluídos”, talvez possa ser de grande utilidade para o desenvolvimento de técnicas diagnósticas ou mesmo terapêuticas a serem aplicadas nos humanos num futuro breve.
Quão inteligentes são os cães? Eles podem processar informações de modo parecido ao nosso?
A questão é complicada, começando pelo ceticismo exacerbado que envolve as pesquisas sobre inteligência dos cachorros.
Poucos estudos científicos sérios têm sido publicados sobre o tema, alguns dos quais realçando a capacidade canina para executar tarefas complexas, aprender idiomas, ou mesmo pressentir crises convulsivas de seus donos com antecedência de até 5 minutos.
O pesquisador Stanley Coren, professor de psicologia da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá) e autor de vários livros sobre cães, afirma que o cão médio equivale intelectualmente a uma criança de 2 a 2,5 anos, tendo inclusive a capacidade de compreender alguns conceitos abstratos. É um defensor da idéia de que o processamento cerebral do cão não é tão divergente quando comparado ao nosso.
Outros, como Clive Wynne, professor de psicologia da Universidade da Flórida, discordam de Coren e pensam que os cães podem ter habilidades no aprendizado da leitura de pistas humanas, o que não significa que estejam pensando como pessoas. O mundo de um cachorro gira em torno de seu dono primário, e ele irá tentar arduamente responder a essa pessoa para com o objetivo de conseguir os seus objetos de desejo, como comida, carinho ou cuidados.
De qualquer forma, mesmo sendo talvez apenas um feliz acidente evolutivo das espécies, o fato de que o pensamento dos dois amigos, Canis lupus familiares e Homo sapiens sapiens, se sobrepõe de um modo suficiente para que possamos ter relações tão estreitas e gratificante com os cães, é por si só maravilhoso.
Apenas devemos evitar a armadilha psíquica de achar que os cães vêem o mundo como nós.
Eles pensam como cães.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Semana da Consciência Cerebral

Desde 2008 um grupo de universidades, hospitais e de diversas associações profissionais e de pacientes mundo afora realiza a Brain Awareness Week, com o objetivo de informar o público sobre os avanços das pesquisas referentes ao cérebro.
Neste ano, a imagem de um cérebro normal, contraposta a de um cérebro de portador da doença de Alzheimer, divulgada por um dos maiores “bancos de cérebros” existentes, o do Hospital Universitário Idee Belle, em Chêne-Bourg, Suíça, chocou o mundo.
Me parece absolutamente desnecessário atrelar palavras à imagem abaixo para que possamos entender a verdadeira devastação neuronal que ocorre nesta moléstia, assim como fica muito clara a necessidade de uma política mundial de investimentos direcionados às neurociências nas próximas décadas.
Cérebro normal e com doença de Alzheimer
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Neuromarketing

Muito se fala em Neuromarketing na mídia, como se esta nova "ciência" tivesse a real capacidade de ajudar a vender os mais variados produtos, de carros a shampus.
Apesar do grande potencial, o uso prático da Neurociência como ferramenta efetiva de marketing com o intuito de desvendar os segredos da mente de eventual consumidores, me parece ainda embrionário.
O sucesso e/ou o fracasso de um produto, de um logotipo ou de qualquer tipo de lançamento no mercado depende muito da resposta do comprador, da empatia gerada pela propaganda ou da estratégia de marketing utilizada.
Como interpretar as mínimas variações na reação de um olhar diante do produto, das alterações ínfimas no ritmo cardíaco ou do registro das ondas cerebrais por eletrencafalograma?
Na verdade, a maneira como o consumidor conhece a marca influencia a localização do “arquivo” na sua memória afetiva, e o posterior valor dado ao mesmo.
Resumindo, o primeiro contato é importantíssimo para a atitude da pessoa, a curto e a longo prazos.
No Brasil, que seja do meu conhecimento, apenas a firma Millward Brown, sócia do IBOBE, utiliza o método.
A restrição que eu faço, como leigo em marketing e como profissional da área neurológica, diz respeito ao exame mais utilizado no momento, o eletrencefalograma, bastante primitivo para a finalidade.
Com o avanço e maior disponibilidade de outros exames, como a Ressonância Funcional, talvez então as nossas mentes sejam invadidas pouco a pouco.
E não restam dúvidas de que os primeiros “astronautas” que “pisarão’ no solo virgem de nossos cérebros serão os marketeiros, a serviço dos empresários.
Será uma verdadeira “Cruzada Capitalista” nos territórios da memória e do desejo.
Para a nossa sorte e glória, ainda demorará bastante.
Eu espero.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Dicas de memória

Guarde esses números: mais de 5 milhões de norte-americanos sofrem do Mal de Alzheimer e a projeção para o ano 2050 supera os 15 milhões de enfermos.
O que fazer então, na prática, para manter os neurônios bem "lubrificados" durante os anos de declínio dos nossos cérebros?
As pessoas idosas em melhor forma cerebral parecem mais ativas e bem humoradas, e, apesar das evidências científicas serem mínimas, algumas dicas podem ser úteis.
1- Novas pesquisas endossam o que já se fala há décadas: o stress e a ansiedade são definitivamente nocivos para o cérebro, inclusive para o seu envelhecimento. Há um relato recente que relaciona diretamente o Transtorno Cognitivo Leve (forma precursora da Doença de Alzheimer) com o stress crônico. Portanto, declare guerra ao stress.
2- Jogos para o cérebro (quebra-cabeças, palavras-cruzadas, caça-palavras e outros) divertem e melhoram o nosso humor. Para quem não gosta dessas atividades, ler e/ou brincar com números (Sudoku) pode ser uma excelente alternativa.
3- Descanse. O sono insuficiente, antes ou depois do aprendizado, dificulta ou mesmo impede a absorção definitiva das informações em nossas memórias. Há trabalhos que relacionam melhora de até 30% na memorização após uma simples e boa noite de sono.
4- O coração e o sistema circulatório, inclusive cerebral, se beneficiam com dieta saudável, exercícios regulares e talvez com o consumo de álcool em doses baixas. Há evidências de que o consumo de uma dose diária de bebida alcoólica (uma taça de vinho, um copo de cerveja ou uma dose de um destilado) retarda a evolução das demências já instaladas.
5- Trapaceie o seu cérebro: faça listas, amarre um fio no dedo, repita em voz alta o que quer gravar ou mesmo peça ajuda a outras pessoas. Apenas não se entregue!
Resumindo, aqueles que conseguirem chegar à senilidade bem-humorados, ativos e com uma só taça de vinho na mão, poderão flanar em alto estilo por muito tempo.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Inspiração patológica

Existe um jargão na neurologia que diz mais ou menos assim: “toda doença sempre traz alguma espécie de benefício para o paciente, podendo da patologia advir uma pessoa melhor como um todo”.
Se é verdade ou mero consolo, eu não o sei, mas em alguns ramos da atividade humana, como na literatura, a doença tem exercido importância absoluta no resultado final.
Talvez o exemplo mais clássico seja o do escritor inglês Lewis Carroll (pseudônimo de Charles L. Dogson), autor de Alice no País das Maravilhas e de Alice no País do Espelho.
Carroll apresentava crises terríveis e freqüentes de enxaqueca, com dor latejante e alterações visuais complexas, tipo distorções da realidade visual, tendo registrado-as detalhadamente em seu diário.
Pois ao leitor atento não passa desapercebido o fato de que as alucinações de Alice, vendo os objetos aumentando e diminuindo de tamanho (como o gato reduzido ao seu sorriso), têm um cunho patológico e relação direta com a enxaqueca do autor (e/ou com a tintura de ópio que usava para aliviar as dores).
E talvez esse seja um dos pontos que torna a obra tão interessante através de gerações.
Outros escritores “enxaquecosos” famosos são Virginia Woolf, Miguel de Cervantes e o neurologista Oliver Sacks, autor de O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu.
Ah, Freud também sofria de enxaqueca.
E isso pode explicar muita coisa...
sábado, 23 de outubro de 2010
No limiar da (in) sanidade

Há tempos, a moradora de rua conhecida coma “a Louca da Vila Bolonha” adotou a frente do prédio onde moro como o seu campo de batalha privado.
Geralmente no meio da manhã, a dita senhora que habitualmente perambula pelas redondezas do Palacete Bolonha, aparece descalça, maquiada, suja, porém “arrumada” e sempre aos berros.
As conversas e gritos com pessoas e vozes que somente ela pode ouvir logo se transformam em acessos repentinos de raiva e pedras voam generosamente sobre transeuntes, casas e carros que têm a infelicidade de por ali estar.
Os moradores, curiosos e assustados ao mesmo tempo, se trancam e evitam sair durante os acessos de agressividade (eu, inclusive). No entanto, do alto do meu apartamento posso ver claramente que a maioria acaba não resistindo à tentação de espiá-la, como se fosse um animal raro, um ser selvagem ou mesmo um alienígena.
Sempre que a cena se repete me pego pensando nos doentes mentais que vagueiam e vagaram pelas ruas das vilas e das cidades deste mundo durante os últimos séculos, em quantos deles foram trancados, mal-tratados ou mesmo não-tratados e até mortos deliberadamente.
Nos tempos atuais, ditos modernos, não mais existe a “nau dos loucos”, mas é inegável que os homens e mulheres privados de suas sanidades mentais, 450 milhões de pessoas ao todo(segundo a OMS), continuam sendo tratados como loucos no discurso cotidiano dos “terráqueos” e excluídos de muitas maneiras (algumas das quais, subliminares).
As neurociências avançaram um pouquinho recentemente, mas é bem claro que ainda se mantêm muito aquém da plena compreensão de doenças como a esquizofrenia e o transtorno bipolar. E, enquanto não entendermos melhor as patologias, estaremos fadados a tratá-las de forma inadequada.
Eu recomendaria aos flâneurs e aos amigos comentaristas a leitura de uma obra literária ímpar, Entre a Razão e a Ilusão (Editora Segmento Farma), escrita a 6 mãos pelo psiquiatra Rodrigo Affonseca Bressan, pela terapeuta ocupacional Cecília Cruz de Villares e pelo vice-presidente da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia, Jorge Cândido de Assis (portador de esquizofrenia).
É como afastar um véu e tentar ver um fragmento do seu real rosto: do rosto da Maria, da Joana ou da Nazaré, quando ela ainda tinha um nome.
Vale a pena.








