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domingo, 11 de maio de 2014

Les yeux de ma mère




Talvez não exista canção que mais traduza a relação mãe-filho do que esta de Arno, o cantor belgo-flamengo. Adoro porque mostra esse lado insano da maternidade, e nossa relação física, quase edipiana com ela:  "Minha mãe tem uma coisa perigosa, provocadora e encrenqueira; Ela tem olhos que matam, mas eu adoro as mãos dela no meu corpo e eu amo o odor de suas axilas;(...) 
E ainda, esta certeza que não existe ser no mundo que nos conheça melhor:
Minha mãe , ela sempre me escuta quando eu estou em apuros.  Ela sabe quando sou fraco e canalha, e quando eu estou bêbado como uma baleia. É ela que sabe que meus pés fedem É ela que sabe como eu estou nu Mas quando estou doente, ela é a rainha do supositório".


A letra completa traduzida, pode ser lida abaixo, seguida da versão original em francês.

Os olhos da minha mãe
(Arno)

 
Minha mãe tem algo
Alguma coisa perigosa
Algo de uma provocação
Algo de um encrenqueiro

Ela tem olhos que matam
Mas eu amo as suas mãos no meu corpo
Eu amo o cheiro debaixo de suas axilas
Sim, eu sou assim.

Nos olhos de minha mãe
Há sempre uma luz
Nos olhos de minha mãe
Há sempre uma luz
e o amor que eu sempre encontro
Nos olhos de minha mãe
Nos olhos de minha mãe
Há sempre uma luz

Minha mãe , ela sempre me escuta
Quando eu estou na merda
Ela sabe quando sou fraco e canalha
E quando eu estou bêbado como uma baleia
É ela que sabe que meus pés fedem
É ela que sabe como eu estou nu
Mas quando estou doente
Ela é a rainha do supositório

Nos olhos de minha mãe
Há sempre uma luz
Nos olhos de minha mãe
Há sempre uma luz
E o amor que eu sempre encontro
Nos olhos de minha mãe
Nos olhos de minha mãe
Há sempre uma luz

Minha mãe tem algo
Alguma coisa perigosa
Algo de provocação
Algo encrenqueiro

Nos olhos de minha mãe
Há sempre uma luz
Nos olhos de minha mãe
Há sempre uma luz
Nos olhos de minha mãe.

Minha mãe tem algo
Alguma coisa perigosa
Algo de provocação
Algo de encrenqueiro.

Les yeux de ma mère
(Arno)

Ma mère elle a quelque chose
Quelque chose dangereuse
Quelque chose d'une allumeuse
Quelque chose d'une emmerdeuse

Elle a des yeux qui tuent
Mais j'aime ses mains sur mon corps
J'aime l'odeur au-dessous de ses bras
Oui je suis comme ça

Dans les yeux de ma mère
Il y a toujours une lumière
Dans les yeux de ma mère
Il y a toujours une lumière
L'amour je trouve ça toujours
Dans les yeux de ma mère
Dans les yeux de ma mère
Il y a toujours une lumière



Ma mère elle m'écoute toujours
Quand je suis dans la merde
Elle sait quand je suis con et faible
Et quand je suis bourré comme une baleine
C'est elle qui sait que mes pieds puent
C'est elle qui sait comment j'suis nu
Mais quand je suis malade
Elle est la reine du suppositoire

Dans les yeux de ma mère
Il y a toujours une lumière
Dans les yeux de ma mère
Il y a toujours une lumière
L'amour je trouve ça toujours
Dans les yeux de ma mère
Dans les yeux de ma mère
Il y a toujours une lumière

Ma mère a quelque chose
Quelque chose dangereuse
Quelque chose d'une allumeuse
Quelque chose d'une emmerdeuse



quarta-feira, 10 de julho de 2013

Coração (latino) americano

Para Milton Nacsimento, ela era a voz da América Latina, quem sabe a voz do Terceiro Mundo: Mercedes Sosa, que hoje faria 78 anos anos, como bem lembrou Erka Morhy, em Celebremos a poesia, pos poetas,e as poetizas.

domingo, 26 de maio de 2013

Will you still love me when I'm no longer young and beautiful ?

-Of course we'll do, darling!!!.

A nova super diva está na trilha sonora de The Great Gatsby, o novo filme Baz (Moulin Rouge/Romeoa and Juliette) Luhrmann.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Maggie, musa do avesso

(image from the blog Occasional Links and  Commentaries http://anticap.wordpress.com/2011/07/11/thatcher-killed-football/)

Talvez não exista na História do Pós-Guerra figura pública que tenha merecido ódio em verso e prosa quanto  Margaret Thatcher. A ex-primeira-ministra britânica partiu hoje aos 87 anos deixando atrás de si um legado devastador na economia e um bom punhado de canções contra ela - na verdade, contra os tubarões que ela representou tão bem. Pelo menos duas canções contra Maggie desejavam-lhe a morte e duas a acusavam de alta traição. Todas compostas pela nata da nata do Pop Rock Brit: Morrisey, Elton John, Roger Waters e Elvis Costello.

-Margaret on the guillotine: o bardo Morrisey, logo depois de acabar com The Smiths, dedicou uma faixa do primeiro álbum solo (Viva Hate)  à "fofa" da 10 Downing Street .  Nenhum rock visceral, mas uma suave canção, com harpa, um som de guilhotina no final e alguns versos singelos como estes:

The kind people
Have a wonderful dream
Margaret On The Guillotine
Cause people like you
Make me feel so tired
When will you die ?


O povo amável
tem um sonho maravilhoso
Margaret na guilhotina
Porque pessoas como você
me fazem sentir tão cansado
Quando você vai morrer?

-Merry Christmas Maggie Thatcher: Sir Elton John escreveu essa para o musical Billy Elliot, a versão West End londrino do filme de Stephen Daldry, que retrata os confrontos da greve dos mineiros ingleses, em Durham em 1985.

So merry Christmas Maggie Thatcher
May God's love be with you
We all sing together in one breath
Merry Christmas Maggie Thatcher
We all celebrate today
'Cause it's one day closer to your death


Então feliz natal Maggie Thatcher
Possa o amor de Deus estar com você
Nós cantamos juntos num só fôlego
Feliz Natal Maggie Thatcher
Nós todos celebramos hoje
Porque é um dia mais perto para a sua morte

- Get your filthy hands off my desert: Roger Waters escreveu essa para o álbum The Final Cut do Pink Floyd in 1983. Era um protesto contra o que ele chamava de traição de Maggie aos valores do pós-guerra ao levar os ingleses ao inferno da Malvinas.

Brezhnev took Afghanistan.
Begin took Beirut.
Galtieri took the Union Jack.
And Maggie, over lunch one day,
Took a cruiser with all hands.
Apparently, to make him give it back
 
Brezhnev tomou o Afeganistão.
E Begin tomou Beirute.
Galtieri tomou a União Jack (a bandeira britânica)
E Maggie, no almoço um dia,
tomou um cruzeiro com todas as mãos.
Aparentemente, para fazê-lo devolver


-Tramp The Dirt Down: Elvis Costello em uma super poética canção de ódio dizia:



When England was the whore of the world
Margeret was her madam
And the future looked as bright and as clear as
the black tarmacadam
Well I hope that she sleeps well at night, isn’t
haunted by every tiny detail
‘Cos when she held that lovely face in her hands
all she thought of was betrayal

 Quando a Inglaterra era a puta do mundo
Margaret era a cafetina
E o futuro parecia brilhante e claro como seria
o asfalto negro
Bem, espero que ela durma bem à noite,

que não seja obcecada por cada peaueno detalhe
Porque  quando ela sustentava seu formoso rosto nas mãos

tudo o que ela pensava era traição.

 Bem, Maggie era mesmo a anti-musa; E olha que eu nem vou escrever aqui sobre as bandas punks que tinham a meiga como alvo favorito nos anos 80.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Musa underground insuperável




Sexta-feira retrô. Desde ontem escuto Nico, aqui junto com o Velvet Underground, em Femme Fatale. A canção traduz um pouco essa  cantora e modelo alemã, musa de Andy Warhol, namorada de Jim Morisson e Alain Delon (com quem teve o filho Ari).
Ano passado relançaram o mais que clássico álbum Velvet Underground & Nico - de 1967, com o icônico desenho de uma banana by Warhol.  Femme Fatale é uma das faixas
E agora,  mês passado, em Nova York, John Cale, produtor dos discos solos da alemã,  começou a turnê americana em homenagem à musa justamente ititulada Life Along the Borderline: A Tribute to Nico.
Num mundo tão sem divas underground ( agora chamado indie), Nico parece ser insuperável.

sábado, 19 de janeiro de 2013

The Pearl 70


Há exatos 70 anos, na pequena Port Arthur, no estado do Texas, nascia a pérola do rock, soul e, principalmente, do blues  para uma trajetória fulgurante e curtíssima. Viveu 27 anos e 9 meses, mas entrou para a História como uma das maiores vozes de todos os tempos. Seu nome: Janis Lyn Joplin. Entre as preciosidades dessa carreira intensa e curta está a presença dela no Festival de Woodstock, em Bethel, no estado de Nova York. Era 16 de agosto de 1969. Janis se  apresentou com a The Kozmic Blues Band. Aqui, 10 minutos dessa performance antológica. E para mergulhar no universo de Pearl, como a chamavam,  recomendo o site oficial de Janis.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Diva 2012

No começo deste ano escrevi aqui algo sobre ela.
Hoje, a vi num enorme painel publicitário numa das estações de trem de Bruxelas. Ela é o rosto da coleção outono-inverno da H&M - a rede sueca de lojas de roupas, que desembarca no Brasil em 2013. No site da marca e no Youtube, o vídeo onde ela canta Blue Velvet. Uma superprodução com ares David Lynch.
Lana del Rey parece mesmo ser a diva de 2012.

domingo, 29 de julho de 2012

O doce e o azedo

 Marina Silva carregando a bandeira olímpica na abertura dos Jogos Olímpicos em Londres foi um dos momentos mais doces e emocionantes nessa minha vida de brasileiro que vive fora do Brasil. No dia seguinte,  com um saudável orgulho, passamos um tempo explicando, aos nossos poucos amigos europeus que ainda não a conheciam, porque Marina estava ali.
Uma rápida olhada nos sites de notícias brasileiros, já nos azedou o dia. As reações no Planalto à supresa foram as mais sórdidas possíveis, afinal ninguém sabia, nem mesmo a presidente Dilma, que a ex-ministra participaria com tanto destaque de um evento global transmitido ao vivo. Entre outras coisas, se falou até em "ofensa ao Governo brasileiro", "mal-estar na comitiva presidencial" etc. O ministro do Esporte, Aldo Rabello,  ironizou a participação de Marina. Segundo ele, não é o governo quem escolhe a pessoa que vai levar a bandeira olímpica e sim a Casa Real.“Não podemos determinar quem a Casa Real vai convidar, fazer o quê?”, afinetou. “A Marina Silva sempre teve boas relações com a aristocracia europeia”. Errado!!! Quem organiza o evento é o Comitê Olímpico Internacional , e para o COI, Marina Silva mereceu ser convidada, pela “luta contra a destruição da floresta brasileira”, além de “enfrentar a oposição política e o assassinato de seu colega Chico Mendes”.
O sábio Tom Jobim dizia que sucesso no Brasil é ofensa pessoal. Eu acrescentaria que é também ofensa mortal quando quem faz sucesso é da oposição,  de origem pobre  e amazônida.
As reações dos políticos no poder não podem "apequenar" um grande momento histórico para o Brasil e para a luta pelos povos da Amazônia, como disse a própria Marina, numa emocionada entrevista à TV Estado.
Aqui, preferi postar um outro depoimento da mais importante ativista amazônida. Ela fala sobre como foi estar lá, junto com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, o maestro argentino-israelense Daniel Barenboim, Sally Becker (voluntária durante a Guerra da Bósnia com a Angel Operation), Shami Chakrabati (presidente da  British Civil Liberties Advocacy Organisation),  Leymah Gbowee (primeira mulher presidente da Libéria e Nobel da Paz em 2011),  Haile Gebrselassie ( o etíope considerado um dos maiores maratonistas da História), Doreen Lawrence (ativista britânica que teve dois filhos mortos em crimes raciais). E ainda, o grande Mohammed Ali.
Marina Silva estava ali por todos nós! Viva Marina! Viva  o Brasil que resiste!

sábado, 12 de maio de 2012

One of those shows you'd talk about for years



Há exatamente um ano escrevi aqui sobre a suprema experiência de assistir um show de Sade ao vivo. No post A Diva Hipnótica,  eu arriscava que, pela quantidade de câmeras no Sport Paleis de Antuérpia, se poderia imaginar que a turnê de 2011 da deusa anglo-nigeriana viraria um DVD. Pois posso dizer: my dreams come true. Daqui alguns dias vai ser lançado  Sade Bring me Home Live 2011. Gravado em 4 continentes, diante de um público total de 800 mil espectadores ( foi a oitava turnê mais rentável no mundo o ano passado), é o que se pode chamar de um triunfo da beleza sonora e visual, como descreveu um dos jornais de uma das mais de cem cidades por onde a diva passou. Diria que é para assistir de joelhos. She was flawless, como disse Snoop Dogg.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Talento brasileiro, medalhas belgas



  (Fotos: divulgação, do site da atleta).
No final do ano passado,  uma amiga perguntou-me se eu teria tempo para ajudar uma equipe de TV a traduzir do português para o flamengo (neerlandês) algumas cenas de um programa que tinha sido rodado no interior do Maranhão. Foi a partir desse convite - que no final das contas, infelizmente, não pude aceitar -  que descobri uma jóia brasileira de nascimento, mas que é belga por adoção: Aagje Van Walleghem (o prenome pronuncia-se Árriê). Ela é conhecida como a primeira atleta belga a ganhar uma medalha num Campeonato Europeu de Ginástica (em Debrecen, Hungria, em 2005).
Ao nascer, em 1987, numa pobre família em Poção das Pedras, no centro do Maranhão, ela recebeu o nome de Ana Maria Pereira da Silva. Era uma bebê doente e estava condenada, assim como milhares de crianças, a entrar nas estatísticas brasileiras dos que não chegam a completar um ano de vida.  A grande mudança foi que ela acabou sendo adotada aos dois meses de idade, por uma família belga. Ao vir para a Bélgica, Aagje conseguiu se tornar uma criança saudável e a mãe adotiva, Hilde Walleghem,  notou nela o talento para o esporte. A pequena maranhense  já aos seis anos participou do primeiro torneio de ginástica. Em 2001 foi eleita a jovem promessa atlética da Bélgica. Daí em diante, Aagje seguiu uma carreira que durou onze anos - com participação nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004 (23° lugar), medalhas em competições internacionais e diversas finais em Campeonatos Mundiais e Europeus de ginástica.
Este ano, ela  anunciou o fim da carreira. Os motivos são o cansaço e uma sucessão de lesões, como as que a afastaram do sonho olímpico em Pequim 2008.
Aagje é uma celebridade. O anúncio da aposentadoria dela, há cerca de um mês - um pouco  antes do torneio classificatório para Londres 2012 -  comoveu a Bélgica e ganhou espaço nas capas dos jornais e manchetes de TV. Com mais tempo, Aagje tem agora uma agenda cheia de eventos e deve, em breve, participar como apresentadora de um programa de TV.
Antes disso, ela estará num dos mais populares emissões da TV flamenga, o All you need is Love. Trata-se de uma série em que a produção promove encontros-surpresa de belgas com família, amores e amigos fora do país. A idéia do programa surgiu a partir da notícia, publicada em jornais, que Aagje,  um dia,  foi surpreeendida com um pedido de amizade no Facebook: "Olá, eu sou sua irmã. Você quer me aceitar como amiga?" ; Era uma das irmãs brasileiras de Aagje. "Eu fiquei em choque. Há anos perdi contato com minha família biológica, porque eles se mudaram do norte do Brasil para Brasília", contou a atleta.  Até então, Aagje tinha ido apenas uma vez ao interior do Maranhão visitar a família. E isso já fazia mais de 15 anos. Os contatos no Facebook se intensificaram mesmo com a dificuldade de idioma - Aagje não fala nada de português e a irmã sabe um pouco inglês. Mas, o caso acabou gerando o interesse do programa All you need is Love.  Numa viagem de uma semana ao Brasil, foram gravadas cenas em Brasília e  Poção das Pedras. Entre essas cenas,  o reeencontro de Aagje com mãe e irmãos brasileiros,  que não sabiam que ela os visitaria. O resultado vai ao ar em breve.

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Noite Internacional da Mulher



Passado o lusco fusco e instituída oficialmente a noite do
Dia da Mulher, aqui vão as minhas sugestões para as próximas horas:

- Blues, muito blues, tipo Buddy Guy
- Vinho branco, como o Pinot Gris, da Alsácia
- Frutas vermelhas
- Flores azuis
- Roupa de algodão
- Chuva, muita chuva

And it feels like rain...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Elis para sempre Regina



Agora, o braço não é mais o braço erguido num grito de gol.
Agora, o braço é uma linha, um traço,um rastro espelhado e brilhante.
E todas as figuras são assim: desenhos de luz, agrupamentos de pontos,
de partículas,um quadro de impulsos, um processamento de sinais.
E assim — dizem — recontam a vida.
Agora, retiram de mim a cobertura da carne,
escorrem todo o sangue,
afinam os ossos em fios luminosos,
e aí estou, pelo salão, pelas casas, pelas cidades,
parecida comigo.
Um rascunho.
Uma forma nebulosa, feita de luz e sombra.
Como uma estrela.
Agora, eu sou uma estrela.

(Texto de Fernando Faro, que Elis declamava no seu ultimo show, O Trem Azul).
________________________________

Elis se foi ha exatos 30 anos.
Das dezenas de coisas que estão na internet sobre essa data, o site do Estadão faz bonito, com um Especial multimídia sobre a eterna Elis. Um dos destaques é, sem dúvida, uma entrevista com Pedro Camargo Mariano, um dos três filhos da cantora.

domingo, 9 de outubro de 2011

O adeus de Cesária Évora

Num comunicado publicado apenas na versão em francês de seu site oficial, a cantora cabo-verdiana Cesária Évora anuncia o fim de sua carreira. Uma pena, pois foi ela, a Musa dos Pés Descalços, que, no final dos anos 80, começo dos 90, colocou Cabo Verde no mapa, não somente musical. Lembro de alguns conhecidos que nem sabiam da existência desse pequeno e lindo país, um arquipélago perdido no Atlântico a 640 km da costa africana. Foi dona Cesária que veio dizer a muitos lusófonos no mundo: "ei, existe um lugar chamado Cabo Verde, onde se fala também português".
A cantora completou 70 anos de idade no dia 27 agosto passado e se mostrava em forma na temporada européia da primavera. Mas no finalzinho do verão - há três semanas - chegou à Paris completamente debilitada. Segundo o comunicado oficial, os problemas de saúde recentes da cantora são consequência de várias cirurgias, a mais recente uma intervenção cardíaca, em maio de 2010. A ordem médica foi clara: suspender a turnê em nome da saúde . Mas Cesária conversou com seus produtores e acabou por decidir a dar um ponto final na carreira. Ela renuncia à vida itinerante que a levou aos quatro cantos do mundo desde 1991, quando começou uma tardia carreira internacional e se tornou a embaixadora da morna, a música por excelência de Cabo Verde. O mais recente CD da cantora foi lançado há menos de um ano. São duetos com consagrados artistas de 15 diferentes países, entre eles o malinês Salif Keita, a peruana-mexicana Tania Libertad, o sérvio-bósnio Goran Bregovic, o sengalês Ismael Lo, o cubano Compay Segundo e os brasileiros Caetano Veloso e Marisa Monte. Com o Brasil, a ligação de Cesária é bem antiga. Ela sempre se declarou fã de Angela Maria, Clara Nunes e de outras referências incontornáveis da nossa MPB. A cantora dizia que ouviu música barsileira desde a infância pelas emissoras luso-africanas captadas pelos velhos rádios no Cabo Verde.
Numa entrevista ao jornal Le Monde, Cesária Évora explicou sua decisão de parar a carreira, e se desculpou junto aos fãs: "sinto muito, mas eu preciso descansar".

Vida longa e saúde, dona Cesária. A senhora nos deixa com uma sodade imensa.

terça-feira, 8 de março de 2011

Sonhar faz bem


Grunzgurke é um anônimo que sonha.

Versado em letras. Adora o seu país.

Entusiasmado com a brisa que paira sobre o lugar. Grunzgurke, associou uma, de minhas músicas, de uma de minhas bandas prediletas; para a sua visão de sonho.

– Seu sonho.

Um sonho sonhado

de

um cantor suicida

de uma vida

má.

Grunzgurke

Sonha.

Eu sonho.

A nova ordem, foi, há tempos atrás, o que outro sonhador, queria determinar para a sociedade em seus delírios, também, suicidas.

A Joy Division, servia-se, estrupava e matava, o sonho de muitas mulheres, para deleite de soldados da SS nazista.

E veio, a poesia. Capturada numa cidade industrial britânica, cuja população, apavorada, resisistiu.

Não

Não foi um sonho

Pesadelo

Grunzgurke

Sonha

Eu

sonho.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Em 3D - A Riquelme, Barretto.

Dessa vez vamos ter que estacionar uma UTI móvel na porta daquele luxuoso prédio no Umarizal, enquanto o proprietário estiver lendo a curvas da Larissa Riquelme na próxima Playboy. Se o nosso galante intensivista tiver um bug de tanta emoção, será removido com os óculos azul e vermelho, agarrado com a revista que traz as imagens de uma de suas musas prediletas. Enquanto isso ele vai testando a resistência com a prévia publicada ali.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Beleza cabocla

Imagem: Walda Marques
Que me desculpem aqueles que discordam. Mas na minha humilde opinião, pela beleza cabocla, Élida Braz é uma das mulheres mais bonitas do Pará. Ela estava agora há pouco na Taberna São Jorge. Arrasou total! Que volte sempre.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

E Riquelme tirou a roupa

Larissa Riquelme, a bela modelo paraguaia, prometeu e cumpriu. Mesmo com a seleção paraguaia carimbando seu passaporte de volta para casa, ela tirou mesmo a roupa para o jornal paraguaio Diario Popular.
Mas que bela paraguaia, sem dúvida! Com todo o respeito, é claro.
Para quem desejar ver mais imagens e conferir os detalhes da moça, pode ir suando a camisa aí no Google Images. Vai ver que ela é mesmo bem bonitinha.
Mas não esqueçamos um detalhe: ela é paraguaia. Sendo assim, podemos perceber uma boa dose de silicone nos seios e, Photoshop, é claro. Mas mesmo assim, imagino ser do agrado dos leitores. Afinal, silicone e Photoshop, está longe de ser privilégio da nação paraguaia.
E a copa da África do Sul produziu esta e muitas outras celebridades. Ou será que vamos esquecer Mick Jagger e, o polvo, é claro.

domingo, 9 de maio de 2010

Uma mulher, um autódromo



Imaginem a cena: Grande Prêmio Internacional de São Paulo de Automobilismo, 1936.
Nas ruas do bairro Jardim América uma mulher francesa de nome Hellé Nice pilotava furiosamente em segundo lugar, atrás apenas do ídolo brasileiro Manuel de Tefé, quando perdeu o controle de seu Alfa Romeo e desencadeou um acidente que veio a ocasionar 4 mortes dentre os espectadores, além de muitos feridos. Curiosamente a mesma caiu do carro sobre um soldado, que teve morte instantânea.
A própria Hellé Nice permaneceu em coma por 3 dias e após 2 meses de internação recebeu alta como uma heroína, uma sobrevivente.
A notícia teve grande repercussão na época e até os dias atuais o nome feminino Helenice (ou Elenice) é usado para batizar meninas país afora.
A carreira desta lenda do automobilismo mundial continuou e sua vida foi povoada por fofocas (amantes em profusão) e escândalos de espionagem (foi acusada de ter sido agente da Gestapo durante a Segunda Guerra), e pode ser conferida aqui.
O seu acidente terminou por mudar a história do automobilismo brasileiro, pois ficou clara a necessidade de criar o primeiro autódromo nacional, um lugar onde os espectadores pudessem ver as corridas com segurança.
Assim nasceu o autódromo de Interlagos, inaugurado em 12 de maio de 1940 com o III Grande Prêmio Cidade de São Paulo, vencido pelo brasileiro Nascimento Júnior, também com um Alfa Romeo.
Em 1954 o circuito de então 8 km de extensão foi comprado pela prefeitura e viveu dias de glória e decadência.
Hoje o traçado de 4.309 metros oferece 80% de visibilidade em alguns setores, como o A, fato inédito mesmo nas pistas mais novas e mais modernas.
Este mês Interlagos completa 70 anos.
Hellé Nice, falecida em 1982, nunca voltou ao Brasil para conhecê-lo.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Sexo forte



Hoje, certamente, há muito mais espaço para mulheres no mundo que antes. Elas construíram, com ousadia e coragem, a imagem que hoje têm de organização, eficiência, força moral, esteio familiar. Ainda sofrem com o preconceito e a arrogância machistas – ainda há, aqui e pelo mundo, aqueles que se julgam donos de suas mulheres, suas filhas, suas empregadas –, mas não há mais tanta condescendência da sociedade para desvios de conduta que violentem a condição feminina.

Como toda luta, a feminista também tem seus símbolos. Algumas mulheres, cientes da igualdade que somente muito depois lhes seria reconhecida pelo Direito, anteciparam-se à História e avançaram na dura realidade de seu tempo. Sempre houve espaço, no imaginário popular, para personalidades fortes; tratando-se de mulheres, então, viraram logo lendas. Daí o reconhecimento a personagens históricas como Cleópatra, Joana d’Arc, Elizabeth I, Ana Bolena. Daí a evocação, na memória brasileira, de Ana Néri, Chiquinha Gonzaga ou, mais recentemente, Leila Diniz e Elis Regina.

Assim, evocando a lembrança de uma dessas mulheres-símbolo, o poster presta sua homenagem às leitoras que nos honram com sua presença no Flanar por meio da imagem e da voz da maior cantora brasileira de todos os tempos. A canção de Joyce e Ana Terra fala das mulheres que ainda hoje precisam por vezes lutar contra a opressão do tal macho, adulto, branco que pretende estar sempre no comando. Mas fala isso de um modo poético e singular, como só às mulheres é dado fazê-lo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009