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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Outras emoções chegando

A tal de copa está acabando. Quando a obsessão em torno desse assunto passar, a imprensa ficará dominada pelo noticiário político. E este é um ano eleitoral importante, não apenas pelo motivo óbvio de termos eleições nacionais, mas também por ser o primeiro pleito pós julgamento do caso "mensalão", que com certeza trouxe mudanças psicológicas para os envolvidos com política partidária.

No plano federal, um teste está para ser feito: o PT continua no comando se o candidato não é Lula, com seu fenomenal carisma junto às massas mais humildes? No plano estadual, também uma disputa polarizada, mas com coalizões antes impensáveis.

Nessas horas, a saudade do Juvêncio de Arruda ganha o componente adicional de saudade do blogueiro político bem informado, crítico e de escrita envolvente. Seria um ano para muitas pautas. De lá onde se encontra, espero que ele esteja intercedendo por nós junto aos Mais Altos. Porque aqui, ao nível da superfície, a coisa tá feia. De mal a pior.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Mais do que espelhos

Quem ainda estava nos bancos escolares e universitários nos anos 80 lembra, com certeza, da coleção Primeiros Passos da Editora Brasiliense. Agora, a versão profundada é a série FGV de Bolso, da Editora Fundação Getúlio Vargas. Estou acabando de ler este Os Índios na História do Brasil, escrito com maestria pela professora Maria Regina Celestino de Almeida. Leitura super prazerosa, e muito mais aprofundada do que aqueles primeiros passos. O mais bacana é a atualização da visão/interpretação dos historiadores atuais  do papel e do comportamento dos primeiros e ancestrais  habitantes do Brasil no período colonial. Desmancha aquela a imagem do índio vítima, que recebia espelhos em troca das riquezas da terra recém-"descoberta". Como tudo no Brasil, "a indefinição é o regime". Tudo foi e continua a ser tudo meio lusco-fusco abaixo do Equador...
A sinopse do livro (abaixo) resume bem. Mas, arrisco dizer: Os Índios na História do Brasil é leitura obrigatória.
Este livro trata da história de índios em contato com as sociedades coloniais e pós-coloniais no Brasil. Índios que, até muito recentemente, quase não mereciam a atenção dos historiadores. O objetivo é apresentar uma revisão das leituras tradicionais sobre o tema, a partir de pesquisas recentes que têm revelado o amplo leque de possibilidades de novas interpretações sobre as trajetórias de grupos e indivíduos indígenas. É importante assinalar que essas novas leituras não resultaram apenas da descoberta de documentos inéditos, mas principalmente de novas interpretações fundamentadas em teorias e conceitos reformulados.

sábado, 7 de setembro de 2013

7 de Setembro

Bem Brasil (Premeditando o Breque & Caetano Veloso) 

E en tal maneira hé graciosa
Que querendo a aproveitar darse a neela tudo
per bem das ágoas que tem
Paro o mjlhor fruito que neela se pode fazer
Me pareçe que será salvar esta jemte
E esta deve ser a principal semente que Vosa Alteza
Em ela deve lamçar (Pero Vaz de Caminha)

Há 500 anos sobre a terra
Vivendo com o nome de Brasil
Terra muito larga e muito extensa
Com a forma aproximada de um funil
Aquarela feita de água benta
onde o preto e o branco vem mamar
O amarelo almoça até polenta
E um resto de vermelho a desbotar
Sofá onde todo mundo senta
onde a gente sempre põe mais um
Oh! berço esplendido agüenta
Toda essa galera em jejum
Apesar de Deus ser brasileiro
outros deuses aqui tem lugar
Thor, Exu, Tupã, Alá, Oxossi
leus, Roberto, Buda e Oxalá

Aqui não tem terremoto
Aqui não tem revolução
É um país abençoado
Onde todo mundo põe a mão

Brasil, potência de neutrons
35 watts de explosão
Ilha de paz e prosperidade
Num mundo conturbado
E sem razão

A mulher mais linda do planeta
Já disse o poeta altaneiro
Que o seu rebolado é poesia
Salve o povão brasileiro
Mais do que um piano é um cavaquinho
Mais do que um bailinho é o carnaval
Mais do que um país é um continente
Mais que um continente é um quintal

Aqui não tem terremoto
Aqui não tem revolução
É um país abençoado
Onde todo mundo mete a mão

Brasil, potência de neutrons
35 watts de explosão
Ilha de paz e prosperidade
Num mundo conturbado e sem razão

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Primeiro-ministro e motora

 O motora é reconhecido (foto: site de Jens Stoltenberg)

O que  uma queda de popularidade pode provocar? No caso da Noruega, uma experiência, digamos, radical: o primeiro-ministro Jens Stoltenberg vestiu um uniforme e passou uma tarde de junho passado trabalhando como motorista de táxi nas ruas de Oslo. "É realmente muito importante para mim saber o que as pessoas pensam", disse o chefe do governo - cuja popularidade será posta à prova mês que vem nas urnas. "Qual o lugar onde as pessoas realmente falam o que pensam? Num táxi", explicou Jens.
Claro, que a tarde do ilustre motora foi devidamente registrada em câmera escondida e postada no site Taxi Stoltenberg e na página dele no Facebook. Em alguns casos, os passageiros logo reconheceram o primeiro-ministro. Alguns demoraram um pouco mais de tempo, porém no final todos souberam quem estava ao volante. A conversa com os cidadãos foram diversas: apoio aos estudantes, questões relacionadas à políticas sociais, desemprego.
Num dos vídeos, ele se reencontra com uma senhora imigrante chilena, que tinha encontrado o político numa das visitas de Michelle Bachelet, a  ex-presidente do Chile, à Noruega.
Políticos nas ruas não é novidade: dizem que Nero saía incognito às ruas para saber o que se falava dele na Roma do ano 57 d.C. O czar russo Peter, o Grande, navegou pelos mares da costa da Europa, no século XVII, como simples marinheiro, para aprender a construir navios.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, o antecessor dele, Tony Blair,  e o atual prefeito de Londres, Boris Johnson costumam  pegar o metrô londrino de vez em quando.
Bem, será que algum dos nossos nobres governantes verde-e-amarelos se arriscaria? Quem sabe, subir num Sacramenta-Nazaré, ou dirigir um táxi na BR-316 na hora do rush. Fica aqui a sugestão


 Cameron no tube londrino.(foto: site da BBC)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Zizek em Belém?!

A notícia da mera possibilidade da vinda de Slavoj Zizek à Belém, via UFPa e Flávio Nassar, já é por si só um evento digno de nota.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Humanos de Brasília


Muito interessante a entrevista da adolescente Marina Serra dos Santos, ontem, no Programa de Jô Soares.
A entrevistada participa do blog Humanos de Brasília, e é filha de Cristina Serra, jornalista paraense que integra o quadro Meninas do Jô.
No cardápio, ativismo e política vistos sob um prisma quase inocente, porém inteligente, direto e reto, nos mostrando que o frescor da juventude pode ser muito benéfico ao nosso por vezes embotado raciocínio.
Assista aqui.

domingo, 14 de julho de 2013

L'enfant (terrible) de la Patrie

"Allons enfants de la Patrie
Le jour de gloire est arrivé..
Aux armes et caetera..."

A impagável versão da La Marseillaise, o hino nacional francês, que rendeu muita controvérsia a Serge Gainsbourg, em 1979.
Aumenta o volume aí, c'est Le 14 Juillet !!!! Vive La France !!! (apesar do insosso François Hollande...).


quarta-feira, 10 de julho de 2013

INDIGNAÇÃO REPRIMIDA

José J. Camargo (*)

    Todos os que tentam explicar a intensidade crescente do clamor do povo nas ruas, citam fatos e circunstâncias, mas há um pasmo geral pela densidade dos protestos que revelam uma demanda de indignação reprimida, a ponto de uma simples revolta pelo aumento do preço de passagens ter servido de gatilho para um movimento que não parece ter data para terminar.
     O que impressiona mais é a mudança de atitude de um povo que aparentava alienação e que, de repente, se descobriu poderoso e indomável.
    Há cerca de três anos, estava em São Paulo esperando um avião para voltar para casa, quando fui surpreendido pela greve dos controladores de vôo e assisti estarrecido à naturalidade com que centenas de passageiros, diante da noticia de que não haveria decolagens naquela noite, assumiu a postura de cordeirinhos submissos, e sem mais que uns resmungos inconsequentes, deitaram no chão do saguão do aeroporto de Congonhas, a lamentar sua sorte, conformados e inertes.
     Aquele gesto representou para mim o emblemático comportamento de um povo que, desrespeitado nos seus direitos mais elementares, se encolheu como um cão de rua, revelando a perda absoluta de sua incapacidade de indignação.
     Mas aquilo foi apenas um incidente minúsculo do infindável rosário de atropelamentos de sua já combalida auto-estima. Mais estava por vir. E veio.
    Depois disso, as denúncias de corrupção inundaram os noticiários, a falta de segurança nos transformou em pigmeus amedrontados, os mais pobres passaram a morrer nas filas de espera por atendimentos nos hospitais sucateados, enquanto se construíam arenas milionárias em cidades onde nunca mais se jogará futebol depois da Copa.
     Como a espiral do acinte é ilimitada, se sucederam alguns primores de humilhação: um senador que renunciara temendo ser cassado por corrupção, voltou ao palco do poder para assumir a presidência da casa, deputados condenados no processo do mensalão assumiram postos na Comissão de Constituição e Justiça (!) e, quando se sentiram intocáveis e prestigiados, iniciaram um movimento para reduzir o poder de quem os condenara.
     Em nome da governabilidade, que é a justificativa técnica para o que conhece como conchavo, os ministérios se multiplicaram e, até as 17 horas, quando enviei esta coluna, já eram 39.
    Quando a crise da saúde pública ficou intolerável, os médicos foram convocados para assumir a culpa, porque eles se negavam a trabalhar nos rincões mais remotos do País sabendo que lá não existem hospitais, nem exames elementares, nem medicamentos, e que estariam condenados ao exercício de impotência de assistir às mortes evitáveis.
Diante da negativa, a solução solerte foi anunciar a importação de médicos estrangeiros sem exame de capacitação, quando os bem informados sabem que tudo não passa de uma manobra despistadora para repatriar os companheiros, que incapazes de passar no vestibular no Brasil, foram enviados para um faz de conta de estudar medicina lá fora. E agora estava hora de trazê-los de volta para a pátria amada, idolatrada.
     E claro, sem nenhum exame de revalidação, que serviria para desmascarar o arremêdo de formação técnica que tiveram. Se não fosse assim, por que se recusar a fazer a prova a que se submetem regularmente todos os estrangeiros que pretendam fazer medicina em outro país?
     Verdade que o povo mais humilde não lê jornais, mas pela TV, antes da novela da 9, deve ter ficado estarrecido quando anunciaram que o governo brasileiro, no instante em que a economia estagnou e inflação está de volta, anunciou garboso, o perdão de uma dívida de quase um bilhão de dólares.
     Com esta sucessão de sandices e desmandos, se acabou atingindo o limite de tolerância. A pressa em consertar os estragos, e o turbilhão de projetos desengavetados (e se eram tão bons porque não foram utilizados antes?) revelam a enorme perplexidade que tomou conta dos nossos governantes.
     Provavelmente o maior erro que cometeram foi ignorar que quem é obrigado a dormir no chão, um dia levanta com raiva. Muita raiva!
JJ Camargo é Médico - Cirurgião torácico -, e amigo particular. Membro Titular da Academia Nacional de Medicina.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Niet au serieux

Se tem uma coisa que adoro dos meus compatriotas belgas e brasileiros é essa capacidade de rir de si mesmo e das instituições. Na Bélgica, a gente costuma dizer, misturando neerlandês e francês, levar algo, alguém  niet au serieux - não à sério.
Na semana passada, depois de 20 anos de reinado, nosso rei Albert II, 79 anos de idade, anunciou, em rede nacional de TV e rádio,  que abdica o trono em favor do príncipe herdeiro Philippe, 53 anos de idade. A entronização do filho mais velho do atual soberano belga - que  provavelmente como rei se chamará Philippe I - será no próximo dia 21 de julho, data em que a Bélgica comemora  183 anos de independência. Ele será  o 7° Koning der Belgen / Roi des Belges - rei dos belgas, o título oficial do monarca da dinastia Saksen-Coburg en Gotha.
As charges, os cartoons nos jornais e na internet sobre o rei, o príncipe e entourage se superam cada dia. Mas o vídeo acima é um pimor. Para ver legendas em inglês ou francês, basta clicar na parte ondertiteling  abaixo, à direita.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Habitus

Pierre Bourdieu foi um sociólogo francês que desenvolveu o conceito de habitus. Sim, tem a ver com hábitos, com posturas arraigadas que acabam sendo transmitidas de uma geração a outra. Como o patrimonialismo e a safadeza entre os políticos brasileiros.

Veja-se o caso de Henrique Eduardo Alves, atual presidente da Câmara dos Deputados. O parlamentar do Rio Grande do Norte é filiado ao PMDB, o que já diz muito sobre ele. Mesmo na persistência da onda de manifestações populares por todo o país, com suas graves consequências até o momento (de mortes à súbita aprovação, pelo Congresso Nacional, de matérias do mais alto interesse dos brasileiros), o cidadão não se pejou de ir bordejar no Rio de Janeiro, com familiares e agregados, para ver a final da copa das confederações, usando um jato C-99 da Força Aérea Brasileira. Ou seja, nós, contribuintes, pagamos o lazer dos aristocratas.

Para o azar do legítimo peemedebista, a Folha de S. Paulo estava na área e tornou público o malfeito (ganhando destaque até no New York Times) . Aí a coisa se resolveu, certo? Errado. Aí a coisa piorou. Porque Alves, a fim de tirar o seu da reta, mentiu descaradamente, dizendo ter requisitado o avião porque possuía um compromisso oficial com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Ocorre que nem na agenda de Alves, nem na de Paes, havia o tal compromisso. A imprensa também tornou isso público. O que havia, isto sim, era o mencionado evento esportivo, ao qual Alves e seu séquito compareceram, ocupando cadeiras comuns e não a de autoridades, a revelar que o compromisso não era oficial. E como bons aristocratas contemporâneos, rechearam as redes sociais com fotos de seus momentos de deleite custeados com recursos públicos.

Paes ainda não admitiu a mentira. Como bom político pego coma boca na botija, tergiversou, disse que levou a família apenas porque havia lugar no avião. Mas já que mesmo isso é um problema, então mandou  pagar o valor correspondente às "passagens". Um santo, como se pode ver. Mas eu, que sou um demônio, insisto em perguntar: Não sendo a FAB uma companhia comercial, como se pode falar em "pagar passagens"? Como se chegou ao valor de 9.700 reais como despesas de viagem da patota inteira (segundo a Folha, o custo do voo chega a 158 mil reais)? Esses valores correspondem ao preço de mercado de passagens aéreas naquela data? Nesse montante foi incluído o custo da viagem do próprio deputado, já que o mesmo, comprovadamente, não viajou a serviço? Mesmo que, hipoteticamente, não houvesse prejuízo aos cofres públicos, a requisição indevida de uma aeronave não deveria ser objeto de investigação e punição?

E a pergunta mais importante de todas: o deputado mandou pagar as despesas com recursos próprios ou com verba de gabinete ou afins? Porque se usar dinheiro público, estará colocando dinheiro no nosso bolso direito e tirando de novo, do bolso esquerdo. Que é o que normalmente eles fazem.

Eu nem vou comentar aquelas declarações genéricas de virtudes que o Código de Ética e Decoro Parlamentar manda observar. Destaco, apenas, para o seguinte:

Art. 4º Constituem procedimentos incompatíveis com o decoro parlamentar, puníveis com a perda do mandato:
I - abusar das prerrogativas constitucionais asseguradas aos membros do Congresso Nacional (Constituição Federal, art. 55, § 1°);
V - omitir intencionalmente informação relevante ou, nas mesmas condições, prestar informação falsa nas declarações de que trata o art. 18;
VI - praticar irregularidades graves no desempenho do mandato ou de encargos decorrentes, que afetem a dignidade da representação popular.

Art. 5º Atentam, ainda, contra o decoro parlamentar as seguintes condutas, puníveis na forma deste Código:
VII - usar verbas de gabinete ou qualquer outra inerente ao exercício do cargo em desacordo com os princípios fixados no caput do art. 37 da Constituição Federal; 

Nem vou falar do uso de verbas públicas, porque não sei a esse respeito. Mas até onde compreendo, mentir acerca da atividade parlamentar e da utilização de recursos públicos constitui falta grave e deveria ser punida com a perda do mandato.

Vale lembrar, ainda, que em caso de ausência ou impedimento do presidente e do vice-presidente da República, é o presidente da Câmara dos Deputados que assume o comando do país (art. 80 da Constituição de 1988). E esse é um risco que eu não gostaria de correr, mesmo considerando que o vice-presidente da República já é o peemedebista Michel Temer. Jesus...

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Procura-se uma mão



A MÃO AO ASSINAR ESTE PAPEL
                                                                           (Dylan Thomas)

A mão ao assinar este papel arrasou uma cidade; 

cinco dedos soberanos lançaram a sua taxa sobre a respiração; duplicaram o globo dos mortos e reduziram a metade um país; 
estes cinco reis levaram a morte a um rei.

A mão soberana chega até um ombro descaído

e as articulações dos dedos ficaram imobilizadas pelo gesso;
uma pena de ganso serviu para pôr fim à morte
que pôs fim às palavras.

A mão ao assinar o tratado fez nascer a febre, 

e cresceu a fome, e todas as pragas vieram; 
maior se torna a mão que estende o seu domínio 
sobre o homem por ter escrito um nome.

Os cinco reis contam os mortos mas não acalmam 

a ferida que está cicatrizada, nem acariciam a fronte; 
há mãos que governam a piedade como outras o céu; 
mas nenhuma delas tem lágrimas para derramar.


(tradução: Fernando Guimarães)

Ele mesmo

Lendo a edição de hoje do Diário do Pará, percebe-se com clareza que o PMDB está sendo ele mesmo, nada mais que o PMDB de sempre.

Em notas sucessivas, faz críticas ácidas e levanta suspeições contra o governo tucano, a quem deu sustentação desde o primeiro momento. Mas como já estamos em pleno clima pré-eleitoral (!!!) e o rompimento entre as duas legendas já foi anunciado, porque a turma do Jáder deve se coligar com o PT, como em âmbito nacional, de repente o jornal que nosso saudoso Juvêncio de Arruda chamava de folha sobrancelhuda mudou a redação.

O negócio é nunca perder um bom negócio. Ora se negocia com o PT, supostamente com vistas a lançar o nome de Helder Barbalho ao governo (e Paulo Rocha para o Senado), ora se causa um constrangimento para os tucanos, que, a despeito de seu inexpressivo governo, têm fortes chances de reeleição porque dispõem da máquina pública para usar como coisa privada.

Em suma, de um lado ou de outro, eu quero é me dar bem.

domingo, 2 de junho de 2013

Um raio de sol para Maria Alekhina e Nadezhda

O sol brilha e a temperatura confirma que a primavera, atrasada, chegou nessa parte da Europa.
Mas, não consigo viver um domingo ensolarado sem pensar nos presos de consciência,
gente que por uma opinião contrária a um governo vive preso. É o caso de Maria Alekhina,
24 anos, poeta, estudante, mãe de um menino de 5 anos. E  Nadezhda Tolokonnikova, 23 anos, artista visual e estudante, mãe de uma menina de 4 anos. Junto com Yekaterine Samutsevich,
elas formam a banda punk russa Pussy Riot. Todas foram presas, em fevereiro de 2012,  durante um protesto numa igreja ortodoxa em Moscou contra Putin & quadrilha. Depois de um julgamento que não passou de farsa, as duas primeiras foram condenadas a um campo de trabalho forçado - sim meus caros, Stalin não morreu -  e  Yekaterine vive em liberdade condicional. Maria Alekhina fez greve de fome na semana passada para protestar pelo fato de que que não é ouvida nem nas audiências em que o pedido de liberdade condicional delas é examinado.
Ai Wewei, o artista chinês dissidente, há uns meses, fez a madona ortodoxa encapuzada acima em
homenagem às Pussy Riots.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O Grande Irmão está te observando!


George Orwell bem que tentou nos avisar, em seu clássico romance 1984 (publicado em 1949), que o futuro deveria fugir do totalitarismo.
Porém, segundo o Washington Post, a NSA (Agência Nacional de Segurança, dos EUA) intercepta e armazena 1.700.000.000 (um bilhão e setecentos milhões!) de e-mails, ligações telefônicas e outras formas de comunicação que transitam pela internet, diariamente. E mais de 20 trilhões de transações entre cidadãos americanos já foram analisadas pela dita agência. E muitos zettabytes de capacidade de armazenamento estão disponíveis para fins de vigilância. E...
Quer saber mais? Leia matéria no The American Dream.
O que isso tudo realmente significa? That it's too late! Big Brother is indeed watching you!

domingo, 28 de abril de 2013

Paralamas da memória



"Luis Inácio falou, Luis Inácio avisou..."
Ao assistir esta rara gravação da "música mais falada e menos ouvida do Brasil", de 1995, tudo soa muito estranho.
Afinal, dezoito anos depois, quem lembra dos "anões do orçamento"?!...

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Morrissey vs Thatcher

Entendo perfeitamente  a análise comparativa entre a direita conservadora britânica e a direita tupiniquim dos anos 70 e 80, feita por Elio Gaspari e reproduzida por Scylla Lage Neto, no post E se Thatcher tivesse sido brasileira . Aliás, Gaspari tem mesmo esse dom de entrar na cabeça da Direita, por que hein? Mais, enfin... No Brasil, no contra-campo,  os dissidentes em nada ficaram a dever à esquerda britânica, e também souberam gritar: "Que país é esse?", perguntava Renato Russo, um artista que encarnou no Brasil  o que o Morrissey foi e ainda é hoje na cena musical crítica inglesa. O ex-líder do The Smiths foi sempre uma das vozes contra Thatcher das algumas enumaradas  por mim no post Maggie, musa do avesso,
Há dois dias, no blog dele, Morrissey baixou o cacete no que ele chama de tentativa de se reescrever a História agora que a "sweet Maggie" se foi: "Thatcher não era uma líder forte ou formidável. Ela simplesmente não queria saber das pessoas, e esta frieza foi delicadamente transformada em bravura pela imprensa britânica, que está a tentar reescrever a história para proteger o patriotismo". Morrissey analisa fundo: "o nome de Thatcher deve ser protegido não por causa de todo o mal que ela fez, mas porque as pessoas ao redor dela permitiram que ela o fizesse, e, portanto, qualquer crítica à Thatcher lança uma luz perigosamente absurda em toda a máquina da política britânica".
E ataca o aparato de segurança do funeral de Thatcher marcado para a semana que vem, a um custo de 10 milhões de libras (11 milhões de euros ou 25 milhões de reais): "O funeral vai ter segurança pesada por medo de que os contribuintes britânicos possam finalmente expressar seu ponto de vista sobre Thatcher. Eles serão expulsos com gás lacrimogêneo ao menor gesto pela polícia."  Amargo, Morrissey conclui: United Kingdom? Syria? China? What's the difference?.
Não é à toa que o blog se chama True to you.

E se Thatcher tivesse sido brasileira?



A FALTA DE FAZ AO BRASIL UMA THATCHER
Elio Gaspari - Folha de São Paulo - 10/04/13


Margaret Thatcher foi criada atrás do balcão do armazém de seu pai. Tinha horror a consenso, deficit, inflação, sindicatos, empresas estatais, socialismo e desordem. Em 1975, ela conquistou a liderança do Partido Conservador, quatro anos depois tornou-se primeira-ministra e derrotou-os todos.
O Brasil vivia a mais longa ditadura de sua história e nenhum dos cinco generais que governavam o país, bem como os políticos e empresários que os apoiavam, assumiram-se como conservadores. No máximo diziam-se centristas. Era a jabuticabeira plantada em 1964: uma ditadura em nome da democracia.
Na origem da baronesa Thatcher esteve a figura esquecida de Keith Joseph (1918-1994), um agitador de ideias que encerrou o conservadorismo moderado de seu partido. Em 1974, criou um foro de debates, o Centre for Policy Studies, com uma plataforma simples: a direita tinha que ir para a direita, sem flertes. Quando tivesse votos, prevaleceria. Cinco anos depois, teve-os. Em Washington, intelectuais e empresários haviam criado uma instituição parecida, a Heritage Foundation. No seu elenco estava o ex-ator de cinema Ronald Reagan. Juntas, as duas instituições trabalhavam com um orçamento anual de 563 mil dólares.
Em 1975, noves fora as dezenas de visitas do embaixador da Federação das Indústrias de São Paulo ao DOPS, o governo e a plutocracia nacional organizavam eventos. Torraram pelo menos cinco milhões de dólares organizando um seminário internacional que reuniu magnatas em Salzburgo. O maestro Herbert von Karajan cancelou os ensaios da Filarmônica de Viena para liberar a sala da Konzerthaus. Baixaram na pequena cidade dois mil banqueiros e empresários americanos, europeus e brasileiros. A comitiva nacional teve três ministros e trezentas pessoas. O Banco do Brasil mandou nove representantes. (O Wikileaks acaba de mostrar que a Câmara de Comércio Americana só patrocinou a festa porque pretendia alavancar pleitos em Brasília.) A festa foi concebida e organizada pelo empresário Mário Garnero, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos. Ele diria: "Nem Mozart deve ter levado, num só dia, tanta gente à Konzertaus". Vinte e oito anos depois, Garnero organizaria, com sucesso, o discreto evento da aproximação do comissariado do Partido dos Trabalhadores com a Casa Branca de George W. Bush.
De evento em evento, a plutocracia brasileira safou-se da bancarrota econômica e política da ditadura. No ano da festa de Salzburgo, o Citibank, desprezando as próprias regras, dobrou sua carteira de empréstimos ao Brasil. Em 1984 um de seus diretores tornou-se chefe do cartel que cobrava o calote.
Thatcher e Keith Joseph foram o que foram porque chutaram o conservadorismo fingido e foram atrás do voto popular. Deus negou a Pindorama esse tipo de direita. Quando seu andar de cima organizou a festa de Salzburgo, não convidou para o evento um morador da cidade, o economista Friedrich von Hayek. Ele vivia no andar de baixo, numa casa que pertencera a um bombeiro, comprada com a venda de sua biblioteca. O autor de "O Caminho da Servidão", monumental manifesto liberal, poderia ensinar-lhes algumas coisas, mas talvez achassem que economista pobre é economista burro.

sábado, 23 de março de 2013

Ai Weiwei - Never Sorry

O mundo anda tão complicado que figuras como  Ai Weiwei são fundamentais para a gente continuar acreditando que sofrer calado é covardia.
O documentário de Alison Klayman (aqui o trailer) é a chave para entender esse artista plástico chinês que tinha tudo para ser um queridinho do governo da China, mas que nunca se conformou com os desmandos de Pequim. Par saber mais, vale visitar o site do filme.
A propósito,  até 14 de abril, é possível ver a exposição Ai Weiwei Interlacing. no MIS - o Museu da Imagem e do Som, em São  Paulo.