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sexta-feira, 18 de abril de 2014

A Erendira de García Márquez e Ruy Guerra

Francisco Rocha Junior escreve sobre Gabriel García Márquez como o autor da saudade e da nostalgia. Nas minhas memórias afetivas, García Márquez é o primeiro autor que traduziu a influência do macroambiente em que vivemos nas relações pessoais - familiares, amorosas, profissionais. La increíble y triste historia de la cándida Erendira y su abuela desalmada é um conto de García Márquez  escrito em 1972 e publicado em 1978.
Em 1983, Ruy Guerra, o cineastra moçambicano-brasileiro, fez este filme com a grande atriz grega Irene Papas e a estreante Claudia Ohana - então casada com Guerra. O filme foi uma produção da França, México e Alemanha, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes. Mas o único prêmio que ganhou foi o de melhor cenário no Festival de Cinema do México.
Já tinha lido o conto quando vi a obra de Guerra. Ele soube bem dar um tom sombrio e melancólico ao filme que é um dos poucos que quase se equivalem à obra escrita original. 



Es una obra en la que se trata ampliamente el tema de la prostitución de menores en el Caribe Sudamericano. Narra la historia extendida de Eréndira, una joven criada por su abuela desde que murió su padre. Al llegar a la preadolesencia, la prostituye para así mantener su nivel de vida.
También se puede interpretar como una metáfora de García Márquez entre la explotación de los países menos desarrollados (Eréndira) por parte de países desarrollados (La abuela).
Comienza así su peregrinaje. En uno de tantos pueblos, Eréndira conoce a Ulises, quien se enamora de ella. La busca, le dice que en la noche volverá por ella y la llamará usando el canto de una lechuza. Los dos huyen pero la abuela consigue que la autoridad militar los persiga y atrape. Para que eso no se repita, desde entonces la abuela mantiene encadenada a la cama a Eréndira.
(do blog La Historia del día).



sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

We gaan naar de Oscar, hè!

The Belgium's nominated  for the 2014 foreign language film Oscar category is a powerful and haunting tale of love, death and bluegrass – a mournful song played on a broken instrument, with striking visual accompaniment ( The Guardian)

A Bélgica vai aos Oscar 2014 com um forte candidato: The Broken Circle Breakdown, do diretor flamengo Felix Van Groeningen. Como o jornal inglês (menção acima)  define: é mesmo um poderoso e doído conto de amor morte e bluegrass - essa country music que assim como o sertanejo no Brasil - pelo menos aquele "das antigas" -  tem a capacidade de unir beleza, simplicidade e melancolia.
Espero que com essa nominação, o filme tenha distribuição no Brasil. Roteiro, fotografia e produção são impecáveis. Não foi à toa que o filme ganhou 11 prêmios internacionais. Mas o que fica marcado nos espectadores é mesmo a performance dos atores: Johan Heldenbergh é  excelente. E acima dele, a atriz Veerle Baetens chega ao sublime. Ela ganhou o European Film Award deste ano. Com certeza a atuação dela merecia a indicação ao Oscar de melhor atriz. Sorry Merryl  Streep, mas prefiro a  Veerle.
Enquanto, não chega no Brasil, vale a pena conferir o site do filme.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Um achado: Ni una sola Palabra de Amor


Sou fã da revista Piauí e sobretudo do site. Na seção Achados & Imperdíveis, a gente pode ver coisas realmente incríveis. Como este curta argentino  premiadíssimo, Ni uma sola Palavra de Amor (produzido em 2011).
O filme nasceu do som e não da imagem: num mercado de pulgas, o diretor, El Niño Rodriguez, achou uma fita cassete de uma velha secretária eletrônica. Nela, uma certa Maria Teresa deixou vários recados para um certo Enrique. O clima é de drama - acentuado pelo espanhol, para mim, o idioma perfeito para  situações no gênero bolero. A ideia de dar rosto à Maria Teresa ficou perfeita com os efeitos de falhas da fita cassete. Criatividade em altísimo nível. Viva o cinema argentino!  

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Jeunet de volta


Ele voltou! O melhor cineasta de fábulas do cinema mundial: Jean-Pierre Jeunet. O diretor de clássicos Delicatesse (1991) e Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain  (2001), lança um novo filme: L'Extravagant Voyage du Jeune et Prodigieux T. S. Spivet (ou The Young and Prodigious T.S. Spivet). Veja aqui em cima o trailer.
Jeunet conta a estória do gênio, de 12 anos de idade, que deixa o rancho da família num fim de mundo em Montana, EUA, para receber um prêmio do prestigado  Smithsonian Institute,em Washington D.C.
Desta vez, o diretor francês se valeu de efeitos em 3D para dar imagem aos inventos do pequeno T.S. Numa entrevista a um jornal inglês, Jeunet conta que o filme se passa nos Estados Unidos, mas foi filmado quase inteiramente no Canadá. Não é uma produção americana. É um filme essencialmente franco-canadense, baseado num livro do escritor americano Reif Larsen. Durante anos, o autor do livro cogitou ceder os direitos de filmagem a diretores de peso como Alfonso Cuarón (Y tu mamá también), Wes Anderson (The Darjeeling Limited), Guillermo del Toro (El Laberinto del Fauno), e Tim Burton ( Alice in Wonderland, Edward Scissorhands). 
Talves, Larsen  fez a melhor escolha:  Jeunet tem a capacidade de contar uma fábula com menos efeitos especiais que os seus colegas que estavam na disputa.   E entre eles, tem um senso de direção de atores bem mais aguçado. Estou curioso para ver o resultado.

 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Gravidade



O ano de 2013 está bom para os aficionados por sci-fi. e melhorando!
Filmes excelentes, como Oblivion, Star Trek - Into Darkness e o televisivo Battlestar Galactica - Blood & Chrome, ganharão em breve (11/10) a companhia de Gravidade, película que tenta ressuscitar a laureada Sandra Bullock como protagonista.
Somente o eletrizante trailer acima  já libera muitos neurotransmissores e nos causa anseios por pisar em terra firme.
A conferir.



sábado, 7 de setembro de 2013

Steve Jobs, entre a devoção e o menosprezo

É impossível acompanhar este blog sem saber que o nosso chefe de redação, Carlos Barretto, é um dos inúmeros fãs de carteirinha de Steve Jobs e consumidor contumaz de produtos tecnológicos que, quando produtos de informática, são da Apple. Assim, este não seria exatamente o local mais adequado para reproduzir o texto abaixo, uma crítica ao filme jOBS, que o público de Belém finalmente poderá assistir, escrita por Pablo Villaça, do Cinema em Cena, que como todo crítico é um chato, alternando momentos de brilhantismo com outros da mais cansativa marrentice.

Caberá a quem ler a crítica e ver o filme (devo vê-lo hoje) avaliar até onde Villaça foi feliz. Devo alertar que ele já começou a escutar. As primeiras respostas de leitores dadas a sua crítica (leia aqui) foram aborrecidas. Fazem-lhe acusações. Felizmente para ele, num nível decente e merecedor de respeito, que em suma dizem que ele não escreveu sobre o filme. Talvez algum despeito inconfesso tenha movido o rapaz. Mas há, claro, quem também elogie o crítico e a lucidez de seu texto, que fala sobre o comportamento das pessoas neste mundo de hoje.

Quem me conhece sabe que, desta vez, concordarei com Villaça. Naturalmente, não sobre os aspectos de um filme que não vi. Mas certamente sobre Ashton Kutcher ser um ator limitado e sobre computadores, telefones e gadgets, de um modo geral, serem apenas... máquinas. Ele os chama debochadamente de "eletrodomésticos". Um exagero, decerto, mas mesmo nós, modestos blogueiros domésticos, recorremos habitualmente a recursos de estilo para dramatizar, chocar e prender a atenção. Já fui bombardeado mil vezes por causa disso. E até admiti que devo evitar as generalizações.

Enfim, os gadgets de um modo geral, e mesmo os da Apple (também concordo com Villaça quando não consegue identificar a proclamada superioridade da marca), podem ser muito mais do que eletrodomésticos e contribuírem para mudanças radicais no modo como as pessoas vivem (p. ex., fazer um cara como eu, que sou professor, ter que competir com o WhatsApp...), mas eles continuam sendo máquinas e nada mais. São questões claras para mim, a ponto de não merecerem questionamento: bichos, por mais amados que sejam, não são pessoas; máquinas não são sujeitos de direitos. Daí a frase de Villaça, para mim, foi luminosa: eu também jamais aplaudiria um produto vendido em shoppings.

Mas cada qual no seu quadrado. Deixo-lhes a crítica e, se eu conseguir ver o filme, depois volto para falar algo a respeito. Há duas pessoas que eu queria ouvir sobre o tema. Uma é o nosso Barrettão, por isso fiz esta postagem aqui. A outra é um amigo filósofo, que convidarei para ler.

No mais, um belo final de semana para todos.

Eu tenho um iPhone. Aliás, neste exato momento estou usando o aparelho para ouvir canções organizadas numa lista especial que emprego sempre que escrevo. É uma invenção útil, sem dúvida alguma, e que facilitou bastante meu cotidiano pessoal e profissional. Dito isso, permanece sendo um aparelho, um eletrodoméstico. Não se trata da cura do câncer, de uma obra de Arte inesquecível ou de um tratado filosófico. Assim, quando, na cena inicial deste Jobs, o personagem-título apresenta o iPod como “uma ferramenta para o coração” e é aplaudido de pé por dezenas de pessoas enquanto travellings aproximam a câmera do rosto de personagens que sorriem com expressão de terem testemunhado a História sendo feita, tive a sensação de estar assistindo a uma comédia. Como membro da classe média, sou consumista como qualquer um, mas posso garantir algo: jamais me verão aplaudindo um objeto vendido em shoppings.
Terceira parte de uma trilogia informal que conta também com A Rede Social e Os Estagiários, este Jobs pode ser encarado como uma prequel dos capítulos anteriores, já que a aborda parte do surgimento da tecnologia que permitiria a propagação da Internet para os lares de todo o mundo: o computador pessoal. Escrito pelo estreante Matt Whiteley, o longa reconta a história da fundação da Apple a partir da trajetória de Steve Jobs (Kutcher), que passa boa parte da projeção celebrando vendas recordes e apresentando invenções “revolucionárias” para seus adoradores – e seu gênio para vendas pode ser constatado a partir da legião de fãs que atingem orgasmos múltiplos apenas com a menção de seu nome, atribuindo ao sujeito a responsabilidade por tudo de bom e justo que aconteceu no planeta nos últimos 30 anos.
O que é curioso, pois, se julgarmos pelo que é apresentado aqui, Jobs era bem canalha. Demonstrando seu descaso para com qualquer outro ser humano ao estacionar sempre na vaga para deficientes de sua empresa, o protagonista diz, em um instante, não ligar para posses materiais apenas para, momentos depois, ficar sem fala ao receber uma oferta de 5 mil dólares para completar um trabalho, não hesitando em mentir para o amigo Steve Wozniak (Gad, que, apropriadamente, também esteve em Os Estagiários) a fim de ficar com a maior parte do dinheiro resultante dos esforços deste. Tratando os subalternos com estupidez e agressividade, Jobs não vê problema em roubar a ideia de um parceiro comercial ao conceber o Apple II como uma máquina completa (em vez de uma simples placa-mãe), mas, hipocritamente, irrita-se ao suspeitar ter sido plagiado por um Bill Gates em início de carreira.
Aliás, se Jobs tem uma virtude é justamente o fato de evitar se transformar em uma hagiografia, retratando o personagem-título como um indivíduo egoísta, egocêntrico e mesmo cruel. Infelizmente, o longa falha ao jamais estabelecer uma conexão lógica ou mesmo alguma transição entre as várias fases e facetas do sujeito: em um instante, Jobs surge lamentando ter sido abandonado pelos pais biológicos (em uma troca de diálogos risível, diga-se de passagem); em outro, expulsa a namorada grávida de sua casa sem hesitar um segundo, recusando-se a visitar a criança mesmo depois de ter sua paternidade comprovada por exames – e quando, subitamente, a filha (já adolescente) aparece morando em sua casa, o filme não se preocupa em explicar como ele subitamente se transformou em “pai do ano”, contentando-se em mostrá-lo chamando a garota para tomar café e observando o filho caçula brincando no jardim. (E, do ponto de vista psicológico, seria no mínimo interessante observar que o nome do computador Lisa é o mesmo da filha por ele abandonada.)
Dirigido pelo mediano Joshua Michael Stern, Jobs traz constantes planos nos quais seguimos Steve Jobs enquanto caminha pelo campus, pelos corredores da Apple e em feiras de informática, como se acompanhássemos uma figura icônica – um ícone que permanece indecifrável e cuja natureza mutante se reflete nos figurinos: aqui, usa coletes e ternos para parecer mais profissional; ali, é o único a surgir usando roupas casuais em encontros de negócios. Enquanto isso, o design de produção faz um trabalho exemplar não só de recriação de época (melhor: épocas), como também é hábil ao sugerir a atmosfera amadora do início da Apple e, posteriormente, o ambiente estéril e corporativo que tomaria conta da empresa. Este cuidado com a fidelidade, aliás, é exibido com orgulho nos créditos finais, quando vemos fotos das figuras reais ao lado dos atores que as encarnaram – e, ao longo da projeção, o cineasta inclui inúmeros planos abertos que têm, como único objetivo aparente, demonstrar como Ashton Kutcher aprendeu a imitar o caminhar típico de Steve Jobs.
Kutcher que, infelizmente, não consegue ir muito além de uma imitação em sua performance, já que, em nenhum momento, conseguimos esquecer que ali se encontra o astro de That 70’s Show e Cara, Cadê Meu Carro? e cuja vida pessoal tem mais destaque que a profissional. Ator naturalmente limitado, ele constantemente deixa clara a artificialidade de sua composição – e quando Jobs se levanta abalado após ser excluído da empresa que ajudou a fundar, a expressão de Kutcher denota um ator que aprendeu a imitar uma emoção em vez de vivê-la em cena. Por outro lado, parte do problema de seu personagem deve-se mesmo ao roteiro, que falha em decidir-se não apenas com relação à natureza do protagonista, mas também de sua empresa. Steve Jobs era um idealista ou um mercenário? Sentia remorso de suas ações passadas ou achava-se justificado? E já que em vários momentos ouvimos personagens falando orgulhosamente sobre “o que a Apple representa”, creio ser razoável que perguntemos, então, o que ela representa, afinal – algo que o filme jamais se preocupa em esclarecer. Quando pensamos na marca, o que deve vir à mente: produtos úteis no cotidiano e de design elegante ou as fábricas na China que exploram trabalho escravo, incluindo mão-de-obra infantil? E se estivermos falando da primeira opção, o que torna a Apple diferente da Sony, da Microsoft ou da HP? Se a resposta for “o estilo” ou mesmo “a qualidade dos produtos”, sinto em dizer que isto não “representa” nada do ponto de vista filosófico (como muitos parecem querer acreditar), tratando-se meramente de características industriais.
E é aqui que Jobs peca como narrativa: mesmo enxergando seu protagonista como um homem falho, o longa ganha tons reverenciais sempre que aborda a Apple como empresa, com direito a trilha inspiradora durante a apresentação dos produtos, quando beira o puro infomercial. Além disso, ao estabelecer Steve Wozniak como o verdadeiro gênio por trás das tecnologias apresentadas pela companhia, o filme inspira mais interesse pelo sujeito do que pelo personagem-título – o que, associado à performance multifacetada de Josh Gad, sugere que, num mundo justo, estaríamos assistindo a Woz em vez de a Jobs.
Porque se Steve Jobs tinha um talento especial, este dizia respeito ao comércio, já que suas apresentações repletas de frases de efeito e hipérboles levavam os MacHeads ao delírio, quando aplaudiam empolgadamente produtos (o que já é ridículo por natureza) sem nem mesmo terem uma ideia clara do que estes faziam (o que cruza a fronteira do patético). Se provocar devoção a ponto de levar adultos a permanecerem dias e dias numa fila interminável apenas pelo prazer de se encontrarem entre os primeiros a comprar um eletrodoméstico é algo digno de admiração, Jobs homenageia a pessoa certa; por outro lado, se a criatividade, o puro gênio e um bom caráter fossem os critérios avaliados, o filme se beneficiaria caso se concentrasse no gordinho barbudo que, mesmo criando tudo que estabeleceu a Apple como a Apple, virou coadjuvante de luxo do sujeito que se encarregou de vender suas invenções e descartar todos que deixavam de ser úteis ao seu projeto pessoal de grandeza.
Um homem tão falho que nem o longa que recria sua trajetória parece aturar.
05 de Setembro de 2013

domingo, 1 de setembro de 2013

As trilhas do DJ Dolores

(Foto: Facebook DJDolores)

Helder Aragão de Melo é a perfeita tradução de "Pernambuco falando para o mundo" - como o slogan da Rádio Jornal do Commercio 780 AM, no ar desde de 1948.
Como DJ Dolores,  ele é um dos maiores artistas da cena contemporânea brasileira. Produtor, músico, DJ, vencedor do BBC Awards, na categoria “Club Global”. Dolores tem um boa lista de trilhas de cinema para filmes como  "A Máquina”, “Narradores de Javé”, e mais recentemente, “Estradeiros”, “O Som ao Redor” e “Tatuagem”, premiado no Festival de Cinema de Gramado (RS) deste ano.
Também compôs músicas originais para teatro e dança.

Hoje, me deparei com um post dele, como Helder, no Facebook, partilhando uma preciosidade: uma seleção de faixas de trilhas sonoras de cinema feita à pedido do site Deep Beep (d-.-b).
Reproduzo aqui abaixa  a lista com os comentários do DJ Dolores, e você pode ouvir na Rádio d-.-
 Biscoito mais do que fino! 

 1. Ennio Morricone & Chico Buarque – Funerale Di Un Contadino
Morricone é um dos grandes mestres. Seu senso narrativo é comparável aos dos diretores com quem ele colaborou. Escolhi esse track conhecido de Chico Buarque produzido por ele para mostrar a dimensão do arranjo do grande maestro/arranjador.
02. The Troublemakers – Get Misunderstood
O projeto Troublemakers, de Marselha, costuma fazer trilhas sonoras imaginárias. Essa é uma das melhores e me fazem pensar na França situacionista de 68. Quando entra o canto, política e paixão se misturam. Como na vida real.
 03. DJ Dolores – Subúrbio Soul
Fiz esse tema no começo dos anos 2000 para o filme “O Rap do Pequeno Príncipe contra as Almas Sebosas”. Adoro a ambiência da cidade, com gente falando. Lembra o centro do Recife, vivo e sujo, com uma enorme dose de melancolia.
 04. S. D. Burman – The Burning Train
Um clássico de um dos maiores compositores de Bollywood, S. D. Burman. A produção era industrial e dizem que os músicos gravavam lendo a partitura, sem ensaio prévio, tal era a urgência. O fato de estar mais concentrada num canal apenas seria decorrente da pressa?
 05.  Shankar Jaikishan & Anand Bakshi – Jaan Pehechan Ho
Mais um clássico da indústria cinematográfica indiana, composta pela dupla Shankar Jaikishan e Anand Bakshi. Tornou-se popular no ocidente ao ser citada no filme “Ghost World”.
 06. Goran Bregovic – Ya Ya (ringue ringue raja)
Uma incrível versão do clássico americano “Waiting for My Ya Ya”, um primor de letra nonsense, aqui cantado por Goran Bregovic, sob encomenda para o filme “Underground”.
 07. DJ Dolores – Fúnebre
Livre adaptação produzida por mim para a peça de teatro “O Bem Amado”.
 08. DJ Dolores – Satie Dub
Outra adaptação livre de um tema de Eric Satie, com elementos da música nordestina. Assim como o tema seguinte, foi feito para o filme “Os Últimos Cangaceiros”.
 09. DJ Dolores – Mulher Rendeir
Criei a ambiência de western e acrescentei a letra em função da necessidade do filme. Particularmente é uma homenagem aos temas sensacionais dos faroestes italianos.
 10. Angelo Badalamenti – Dub Driving
Não poderia deixar Angelo Badalamenti de fora desse set.
 11. Morton Stevens -  The Long Wait
Um tema cinematográfico por natureza, por Morton Stevens. É incrível como ele nos conduz em climas diferentes até um maravilhoso crescente no final. Arrepiante!
 12. The Lecuona Cuban Boys – Tabou
Lecuona Cuban Boys fixeram bastante sucesso na Europa no começo do Século XX. Essa gravação me impressiona pela ambiência sonora que poderia estar em qualquer produção cinematográfica tal é a quantidade de elementos imagéticos que ela sugere.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O Jantar Errado


O escritor albanês Ismail Kadaré bem que poderia ter nascido no Brasil, e seu último livro, O Jantar Errado (Companhia das Letras), poderia ter sido facilmente ambientado em uma pequena ou média cidade do sudeste brasileiro, como Campos do Jordão ou Atibaia, por exemplo.
Boato, mistério, política, sombras e silêncio vão se entranhando a medida que a trama avança, flertando entre o real e o surreal.
Este foi o segundo livro que li deste autor, e talvez o outro (o famoso Abril Despedaçado, que inspirou o filme homônimo de Walter Salles, de 2001) tenha me impressionado mais.
Mas tal não tira o mérito desta intrigante e divertida leitura, apropriada para o balançar da rede nas quentes noites de agosto.
Recomendadíssimo!

sábado, 24 de agosto de 2013

A Alemanha e seu cinema


Fazia tempo que eu não lia um livro “didático” tão bem escrito e tão interessante quanto este Studying German Cinema, da britânica Maggie Hoofgen. A partir dele, tenho revisto filmes, como Das Cabinet des Dr. Caligari (1920), e descoberto obras monumentais, como Heimat – a trilogia do diretor alemão Edgar Reitz, que conta uma saga em 32 capítulos, com 56 horas de duração, produzidos entre 1981 e 2006, cobrindo a história de uma família alemã desde 1910 até o século XXI.
Fiz uma livre tradução (cheia de pitacos meus) da apresentação do livro, que acredito, ainda não tem uma edição em português. Para quem se interessar em lê-lo, abaixo dou as coordenadas da obra para uma busca, via Amazon ou outro caminho.

Estudando o Cinema Alemão
De todas as cinematografias européias, o cinema alemão tem a história  mais dramática - e decididamente-  a que teve maior impacto na definição da Sétima Arte.. Desde os primeiros momentos do cinema, quando os cineastas germânicos lideraram o mundo do cinema  com seus estilos e inovações – com destaque para o Expressionismo -, até os anos 70, na Alemanha Ocidental, com o surgimento da geração que enfrentou os traumas pós-Segunda Guerra, a história do cinema alemão é a história do pais em si ao longo do século 20. E assim permanece até agora, com a nova geração pós-Muro de Berlim, e da segunda  geração de novos alemães – filhos dos imigrantes, mas já nascidos na Europa e antenados com os países de origem de seus pais, como a Turquia, por exemplo.
Como uma abordagem  cronológica, o livro Studiyng German Cinema se dirige a um  público  não especializado, mas também para quem estuda cinema de modo geral.
Em cada um dos 14 capítulos, o livro foca um filme chave – do essencial filme de horror Nosferatu até o vencedor do Oscar Das Leben der Anderen  (A vida dos Outros) situando a obra em seu contexto, que vai das práticas da indústria cinematográfica na Alemanha dos anos 20, depois das Alemanhas Ocidental e Oriental, passa pela a tradição do cinema de autor  (incluindo filmes de Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog e Wim  Wenders), até as questões atuais dos “novos alemães”, divididos entre a tradição dos pais imigrantes e a interação na sociedade européia. Cada filme é visto como algo resultante do contexto cultural e político. Junto, as discussões históricas, o livro  proporciona uma visão global da História do Cinema Alemão,  desde o fim da I Guerra Mundial até o presente. Indicações práticas de outros filmes e bibliografia relativas aos filmes analisados no livro  fazem dele uma introdução completa à uma das mais fascinantes e turbulentas cinematografias mundiais.
A autora
Maggie Hoffgen é formada em Heidelberg, Alemanha,  com um  Master of Arts em Cultural Studies, com foco em Cinema, pela Manchester University. Ela trabalha como conferencista free-lancer para jovens e adultos,  dá cursus sobre análise de cinema em geral e Cinema Alemão em particular, e também escreve artigos em publicações especializadas em cinema.

Studiyng German Cinema 
Serie: Studying Films
 256 pag.
Editor: Auteur (janeiro de 2010) 
Idioma: Inglês

ISBN-10: 1906733007 
ISBN-13: 978-1906733001 




sábado, 17 de agosto de 2013

De um segundo ao outro



Quando a AT&T encomendou ao lendário diretor alemão Werner Herzog um documentário sobre digitar e/ou ler textos em celulares enquanto se dirige veículos automotores, talvez ninguém pudesse imaginar uma obra tão devastadora quanto "From One Second To The Next".
Herzog nos envolve com maestria ao mostrar quatro casos, flutuando entre rostos e relatos. e nos obrigando a mergulhar na profundeza de nossas próprias emoções.
Acredito que, apesar de ser uma obra "não muito fácil" de se assistir, seu efeito quando exibido em escolas e instituições afins será bombástico.
Afinal, como sintetizou o próprio diretor, "em um segundo, vidas inteiras ou são varridas, ou modificadas para sempre".
Imperdível!

ps: vídeo compartilhado, via Facebook, por Vicente Cecim.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Os fantásticos livros voadores



Começar a semana assistindo ao premiado curta-metragem The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, vencedor do Oscar em 2012, é um irresistível convite ao onírico.

terça-feira, 2 de julho de 2013

NASCAR em stop motion



Para realizar um filme em stop motion é necessário ter, além de criatividade, muita paciência.
Afinal, criar uma animação quadro a quadro, filmando ou fotografando 24 fotogramas que preencherão apenas um segundo do filme, demanda tempo e dedicação.
No cinema já tivemos bons filmes feitas com essa técnica, como Coraline, A Noiva Cadáver e Frankenweenie, além de uma infinidade de excelentes curta-metragens.
O vídeo acima, apesar de não ser nenhuma obra-prima, me impressionou pela paixão do cineasta amador ao automobilismo, especialmente à categoria americana de turismo NASCAR.
Os meninos vão gostar, eu acho.
Afinal, quem nunca brincou de carrinho?!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Cyberpunk 2077



Com previsão de lançamento apenas para 2015, o vídeo-game Cyberpunk 2077 é apresentado em arrepiante e breathtaking trailer.
A propósito, o universo cyberpunk é tão complexo, inclusive do ponto de vista visual, que a indústria cinematográfica ainda nos deve a tecnologia para a realização de um filme à altura de livros como Neuromancer, de William Gibson.
Mas tudo indica que o futuro segue a fundir-se virtual- e imperceptivelmente ao presente.
Afinal, o que é real e o que é virtual?

domingo, 26 de maio de 2013

Will you still love me when I'm no longer young and beautiful ?

-Of course we'll do, darling!!!.

A nova super diva está na trilha sonora de The Great Gatsby, o novo filme Baz (Moulin Rouge/Romeoa and Juliette) Luhrmann.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O que é real?


“A minha preocupação principal é a diferença entre a nossa percepção da realidade e o que é realmente a realidade.” Philip K. Dick

Por mais que eu fuja da literatura inquisidora de Philip K. Dick, acabo sempre retornando ao seu universo de memórias induzidas, realidades virtuais, dimensões paralelas e humanos artificiais.
Neste último final de semana fui "obrigado" a "ver" um presente que ganhei, o box Blade Runner - 30th Anniversary - Colector's Edition (3 BD's + livreto + holograma), o que me impulsionou imediatamente a começar a reler a obra literária sombria e cult de PKD.
E apesar de estar apenas na metade do primeiro livro escolhido ao acaso, o pouco conhecido A Penúltima Verdade, a pergunta que se recusa a calar já começou a morder o meu inconsciente: afinal, o que é real?



“Dick parece prever um futuro em que questões intelectuais da filosofia académica irão se mudar para a rua de modo a que qualquer pessoa será obrigada a resolver tais problemas contraditórios como a “objetividade” e a “subjetividade,” porque a sua vida dependerá do resultado.” Stanislaw Lem

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Turismo e cinema


Atenção, cinéfilos de plantão! Programação interessante no Olympia, na próxima terça à tarde.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Rivalidade nas telas



A Universal liberou hoje cedo o esperado trailer do filme Rush, do diretor Ron Howard (de Uma Mente Brilhante) que versa sobre a rivalidade atroz entre os pilotos Niki Lauda (interpretado por Daniel Bruhl, de Bastardos Inglórios) e James Hunt (vivido nas telas por Chris Hemsworth, de Thor) durante a temporada de 1976 da Fórmula 1.
Como a carência de filmes sobre o automobilismo é grande, espera-se que o ambiente glamouroso e algo sensual da Fórmula 1 dos anos 1970 traga uma pitada de frescor sobre o tema fascinante da velocidade.
Nas telonas, em setembro.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Bons ventos


Com estréia prevista para 13 setembro próximo, o filme Aviões promete arrebatar fãs da aviação de todas as idades, em versões 3D.
Como curiosidade, apesar de ser inspirado no sucesso Carros, o filme é pilotado pela Disney, mas sem a Pixar no cockpit.
Decolagem autorizada!

sábado, 23 de março de 2013

Ai Weiwei - Never Sorry

O mundo anda tão complicado que figuras como  Ai Weiwei são fundamentais para a gente continuar acreditando que sofrer calado é covardia.
O documentário de Alison Klayman (aqui o trailer) é a chave para entender esse artista plástico chinês que tinha tudo para ser um queridinho do governo da China, mas que nunca se conformou com os desmandos de Pequim. Par saber mais, vale visitar o site do filme.
A propósito,  até 14 de abril, é possível ver a exposição Ai Weiwei Interlacing. no MIS - o Museu da Imagem e do Som, em São  Paulo.

domingo, 17 de março de 2013

A propósito do Papa argentino II

E coincidência do destino, chegou nesse fim de semana às salas européias o filme Elefante Blanco,  o mais recente de Pablo Trapero, o diretor argentino dos excelentes El Bonarense (2002),  Leonera (2008) e Carancho (2010).
O filme conta a história de dois padres engajados social e politicamente  na periferia de Buenos Aires. O bairro se chama Ciudad Oculta  e neles os padres Julián (Ricardo Darin, os mais consagrado ator argentino dos últimos anos)  e Nicolás (o belga Jéremie Renier, indicado a Trapero pelos irmãos Dardenne), trabalham junto com  a assistente social Luciana ( Martina Gusmán, que foi protagonista de Leonera). Eles  lutam para resolver os problemas sociais da comunidade, mas para isso,  enfrentam tanto  a hirarquia eclesiástica como aos poderes do governo e do narcotráfico.
Bem que Francisco I, se não viu, poderia assistir. Talvez para refeletir sobre uma possível penitência.
O trailer é uma mostra do que os críticos belgas chamam de vigor narrativo.