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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Mais do que espelhos

Quem ainda estava nos bancos escolares e universitários nos anos 80 lembra, com certeza, da coleção Primeiros Passos da Editora Brasiliense. Agora, a versão profundada é a série FGV de Bolso, da Editora Fundação Getúlio Vargas. Estou acabando de ler este Os Índios na História do Brasil, escrito com maestria pela professora Maria Regina Celestino de Almeida. Leitura super prazerosa, e muito mais aprofundada do que aqueles primeiros passos. O mais bacana é a atualização da visão/interpretação dos historiadores atuais  do papel e do comportamento dos primeiros e ancestrais  habitantes do Brasil no período colonial. Desmancha aquela a imagem do índio vítima, que recebia espelhos em troca das riquezas da terra recém-"descoberta". Como tudo no Brasil, "a indefinição é o regime". Tudo foi e continua a ser tudo meio lusco-fusco abaixo do Equador...
A sinopse do livro (abaixo) resume bem. Mas, arrisco dizer: Os Índios na História do Brasil é leitura obrigatória.
Este livro trata da história de índios em contato com as sociedades coloniais e pós-coloniais no Brasil. Índios que, até muito recentemente, quase não mereciam a atenção dos historiadores. O objetivo é apresentar uma revisão das leituras tradicionais sobre o tema, a partir de pesquisas recentes que têm revelado o amplo leque de possibilidades de novas interpretações sobre as trajetórias de grupos e indivíduos indígenas. É importante assinalar que essas novas leituras não resultaram apenas da descoberta de documentos inéditos, mas principalmente de novas interpretações fundamentadas em teorias e conceitos reformulados.

sábado, 7 de setembro de 2013

7 de Setembro

Bem Brasil (Premeditando o Breque & Caetano Veloso) 

E en tal maneira hé graciosa
Que querendo a aproveitar darse a neela tudo
per bem das ágoas que tem
Paro o mjlhor fruito que neela se pode fazer
Me pareçe que será salvar esta jemte
E esta deve ser a principal semente que Vosa Alteza
Em ela deve lamçar (Pero Vaz de Caminha)

Há 500 anos sobre a terra
Vivendo com o nome de Brasil
Terra muito larga e muito extensa
Com a forma aproximada de um funil
Aquarela feita de água benta
onde o preto e o branco vem mamar
O amarelo almoça até polenta
E um resto de vermelho a desbotar
Sofá onde todo mundo senta
onde a gente sempre põe mais um
Oh! berço esplendido agüenta
Toda essa galera em jejum
Apesar de Deus ser brasileiro
outros deuses aqui tem lugar
Thor, Exu, Tupã, Alá, Oxossi
leus, Roberto, Buda e Oxalá

Aqui não tem terremoto
Aqui não tem revolução
É um país abençoado
Onde todo mundo põe a mão

Brasil, potência de neutrons
35 watts de explosão
Ilha de paz e prosperidade
Num mundo conturbado
E sem razão

A mulher mais linda do planeta
Já disse o poeta altaneiro
Que o seu rebolado é poesia
Salve o povão brasileiro
Mais do que um piano é um cavaquinho
Mais do que um bailinho é o carnaval
Mais do que um país é um continente
Mais que um continente é um quintal

Aqui não tem terremoto
Aqui não tem revolução
É um país abençoado
Onde todo mundo mete a mão

Brasil, potência de neutrons
35 watts de explosão
Ilha de paz e prosperidade
Num mundo conturbado e sem razão

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Habitus

Pierre Bourdieu foi um sociólogo francês que desenvolveu o conceito de habitus. Sim, tem a ver com hábitos, com posturas arraigadas que acabam sendo transmitidas de uma geração a outra. Como o patrimonialismo e a safadeza entre os políticos brasileiros.

Veja-se o caso de Henrique Eduardo Alves, atual presidente da Câmara dos Deputados. O parlamentar do Rio Grande do Norte é filiado ao PMDB, o que já diz muito sobre ele. Mesmo na persistência da onda de manifestações populares por todo o país, com suas graves consequências até o momento (de mortes à súbita aprovação, pelo Congresso Nacional, de matérias do mais alto interesse dos brasileiros), o cidadão não se pejou de ir bordejar no Rio de Janeiro, com familiares e agregados, para ver a final da copa das confederações, usando um jato C-99 da Força Aérea Brasileira. Ou seja, nós, contribuintes, pagamos o lazer dos aristocratas.

Para o azar do legítimo peemedebista, a Folha de S. Paulo estava na área e tornou público o malfeito (ganhando destaque até no New York Times) . Aí a coisa se resolveu, certo? Errado. Aí a coisa piorou. Porque Alves, a fim de tirar o seu da reta, mentiu descaradamente, dizendo ter requisitado o avião porque possuía um compromisso oficial com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Ocorre que nem na agenda de Alves, nem na de Paes, havia o tal compromisso. A imprensa também tornou isso público. O que havia, isto sim, era o mencionado evento esportivo, ao qual Alves e seu séquito compareceram, ocupando cadeiras comuns e não a de autoridades, a revelar que o compromisso não era oficial. E como bons aristocratas contemporâneos, rechearam as redes sociais com fotos de seus momentos de deleite custeados com recursos públicos.

Paes ainda não admitiu a mentira. Como bom político pego coma boca na botija, tergiversou, disse que levou a família apenas porque havia lugar no avião. Mas já que mesmo isso é um problema, então mandou  pagar o valor correspondente às "passagens". Um santo, como se pode ver. Mas eu, que sou um demônio, insisto em perguntar: Não sendo a FAB uma companhia comercial, como se pode falar em "pagar passagens"? Como se chegou ao valor de 9.700 reais como despesas de viagem da patota inteira (segundo a Folha, o custo do voo chega a 158 mil reais)? Esses valores correspondem ao preço de mercado de passagens aéreas naquela data? Nesse montante foi incluído o custo da viagem do próprio deputado, já que o mesmo, comprovadamente, não viajou a serviço? Mesmo que, hipoteticamente, não houvesse prejuízo aos cofres públicos, a requisição indevida de uma aeronave não deveria ser objeto de investigação e punição?

E a pergunta mais importante de todas: o deputado mandou pagar as despesas com recursos próprios ou com verba de gabinete ou afins? Porque se usar dinheiro público, estará colocando dinheiro no nosso bolso direito e tirando de novo, do bolso esquerdo. Que é o que normalmente eles fazem.

Eu nem vou comentar aquelas declarações genéricas de virtudes que o Código de Ética e Decoro Parlamentar manda observar. Destaco, apenas, para o seguinte:

Art. 4º Constituem procedimentos incompatíveis com o decoro parlamentar, puníveis com a perda do mandato:
I - abusar das prerrogativas constitucionais asseguradas aos membros do Congresso Nacional (Constituição Federal, art. 55, § 1°);
V - omitir intencionalmente informação relevante ou, nas mesmas condições, prestar informação falsa nas declarações de que trata o art. 18;
VI - praticar irregularidades graves no desempenho do mandato ou de encargos decorrentes, que afetem a dignidade da representação popular.

Art. 5º Atentam, ainda, contra o decoro parlamentar as seguintes condutas, puníveis na forma deste Código:
VII - usar verbas de gabinete ou qualquer outra inerente ao exercício do cargo em desacordo com os princípios fixados no caput do art. 37 da Constituição Federal; 

Nem vou falar do uso de verbas públicas, porque não sei a esse respeito. Mas até onde compreendo, mentir acerca da atividade parlamentar e da utilização de recursos públicos constitui falta grave e deveria ser punida com a perda do mandato.

Vale lembrar, ainda, que em caso de ausência ou impedimento do presidente e do vice-presidente da República, é o presidente da Câmara dos Deputados que assume o comando do país (art. 80 da Constituição de 1988). E esse é um risco que eu não gostaria de correr, mesmo considerando que o vice-presidente da República já é o peemedebista Michel Temer. Jesus...

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Vergonha que não é alheia, é nossa

"A um ano do Mundial, o Brasil não está ainda no ponto no que se refere à infraestrutura: os aeroportos são velhos, os hotéis muito caros e o transporte caótico. A segurança está ainda por melhorar." (jornal Metro - Bélgica, edição em francês, de hoje).

Na reportagem do jornal, lido por mais de 800 mil pessoas na Bélgica francófona, estão os pontos cruciais:
-quatro dos seis estádios foram entregues com atraso à Fifa para a Copa das Confederações. Num deles, em Salvador, a cobertura se "desintegrou" após fortes chuvas,  "em razão de um erro humano" .
-nas grandes cidades, os engarrafamentos chegam a 200 km, as estradas estão em mau estado, os aeroportos saturados e os trens inexistem;
-outro grande desafio, a segurança: a cada ano, o Brasil, com 194 milhões de habitantes, registra 40 mil homicídios. Nas 12 cidades da Copa, "os níveis de violência são endêmicos";
-atualmente, o Rio é a terceira cidade mais cara do mundo no que se refere aos hotéis. A diária em um quarto custa, em média, US$ 246,71, à frente mesmo de destinos badalados como Nova York (US$ 245,82) e Paris (US$ 196,1), segundo um estudo da própria Embratur. 

domingo, 28 de abril de 2013

Cruzeiro do Sul, Acre



Pelos Andes em viagem,

Da nascença do Juruá,

vim “Pará” nessa paragem,

em cruzeiro no rio-mar



lembro a mais esbelta das palmeiras,

o silvo do sabiá,

“inda” quero a infância inteira,

e um tanto mais para enamorar



tem estrela no sul do nome

e um norte pra me guiar

assim me valer desse “homi”

um tapuio do verbo amar. 

me valer desse “home”

um tapuio do verbo amar. 

me valer desse homem

um tapuio do verbo amar. 

terça-feira, 12 de março de 2013

Bola fora no Vaticano?

Brasileiro é deslumbrado que dá nuju, como diz o cabôco. De uns dias para cá, surgiram notícias de que o cardeal brasileiro Dom Odilo Scherer seria um dos mais cotados para se tornar o novo Bispo de Roma. Eu nem me meto no mérito da questão, porque não sou católico e, honestamente, não estou minimamente preocupado com o desfecho do conclave, inclusive por não acreditar que vá ocorrer alguma mudança substancial na estrutura ou no modo de ser da Igreja.

Todavia, vejo com preocupação a eleição do brasileiro. Por mais virtuoso que ele possa ser, os efeitos emocionais que isso traria a um povo histérico e descompensado como o brasileiro seriam terríveis. No mínimo, os não-católicos teriam que suportar bullying por muito tempo...

Para piorar, a imprensa internacional tem dado margem a essas especulações. Hoje, p. ex., o Corriere della Sera publicou uma charge na qual Dom Scherer dribla os demais cardeais.


A charge está sendo interpretada como reconhecimento das reais chances do brasileiro. Eu, no entanto, como advogado do diabo, pergunto-me se não seria apenas uma piada com o fato de o Brasil ser conhecido como país do futebol, talvez até uma ironia. Mas sei lá. Aguardemos o desfecho da coisa. O conclave mal começou, no entanto pode ser que hoje mesmo a fumaça branca apareça no céu de Roma.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

"Nas favelas, no Senado..."

Só não direi que o Brasil é mesmo o país da piada pronta, como diz o Simão, porque é trágico demais para ser engraçado.
Vinha me perguntando se José Sarney deixaria, enfim, a sua presidência vitalícia do Senado ou se ele faria, mais uma vez, contra a própria vontade, o sacrifício cívico de assumir esse encargo. Segundo se está anunciando, ele deve levantar da cadeira, mas deixando no lugar ninguém menos que Renan Calheiros, que dispensa apresentações. Pode ficar pior? Claro que pode: a Câmara também ficaria sob o comando do pior partido deste país, o PMDB, um tal de Henrique Eduardo Alves.
Reza a lenda que Dilma Rousseff não vai com as fuças nem de um, nem de outro. Mas tem a tal da governabilidade, sabe como é. E os governos sempre necessitam negociar mundos e fundos com sua base de sustentação. E se há um nome para negociar vantagens, esse nome é PMDB.
Dane-se o Brasil.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Joe Carioca



Conta a lenda que o personagem Joe Carioca foi criado por Walt Disney, a pedido do governo americano, com o intuito de coibir o crescimento de "sementes comunistas" por aqui.
E assim, entre belíssimas aquarelas e intrigas internacionais do pós-guerra , nasceu o nosso Zé Carioca!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Caetano, 70 anos

Não recordarei Caetano Veloso, no dia de seus 70 anos, pelas inúmeras canções - que fazem parte da trilha sonora da nossas vidas - mas pelas palavras de discurso numa noite memorável em 1968. Vaiado pelo público do III Festival da MPB da TV Record, antes mesmo de começar a cantar É Proibido Proibir, Caetano Veloso fez um dos mais importantes manifestos  da História das Artes no Brasil do século XX. Transcrevo o discurso caetânico abaixo e acima postei o áudio. Para ler mais detalhes e ver fotos históricas, recomendo o excelente site  Tropicália, um projeto da pesquisadora Ana de Oliveira:

Mas é isso que é a juventude que diz quer tomar o poder?
Vocês têm coragem de aplaudir, este ano,  uma música,
um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado.
São a mesma juventude que vão (sic) sempre, sempre
matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem.
Vocês não estão entendendo nada, nada, absolutamente nada.
Eu vim dizer aqui que quem teve coregem de assumir a estrutura de festival,
não com o medo que o senhor Chico de Assis pediu, mas com a coragem,
quem teve a coragem de assumir essa estrutura e fazê-la explodir foi Gilberto Gil e fui eu!
Não foi ninguém. Foi Gilberto Gil e fui eu!
Vocês estão por fora!
Vocês não dão (sic) pra entender.
Que juventude é essa?
Mas que juventude é essa? Que juventude é essa? Vocês jamais conterão ninguém. Vocês são iguais sabem a quem? São iguais sabem a quem? Tem som no microfone? Vocês são iguais sabem a quem? Àqueles que foram na Roda Viva e espancaram os atores! Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada. E por falar nisso, viva Cacilda Becker! Viva Cacilda Becker! Eu tinha me comprometido a dar esse viva aqui, não tem nada a ver com vocês. O problema é o seguinte: vocês estão querendo policiar a música brasileira. O Maranhão apresentou, este ano, uma música com arranjo de charleston. Sabem o que foi? Foi a Gabriela do ano passado, que ele não teve coragem de, no ano passado, apresentar por ser americana. Mas eu e Gil já abrimos o caminho. O que é que vocês querem? Eu vim aqui para acabar com isso! Eu quero dizer ao júri: me desclassifique. Eu não tenho nada a ver com isso. Nada a ver com isso. Gilberto Gil. Gilberto Gil está comigo, para nós acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Acabar com tudo isso de uma vez. Nós só entramos no festival pra isso. Não é Gil? Não fingimos. Não fingimos aqui que desconhecemos o que seja festival, não. Ninguém nunca me ouviu falar assim. Entendeu? Eu só queria dizer isso, baby. Sabe como é? Nós, eu e ele, tivemos coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas. E vocês? Se vocês forem… se vocês, em política, forem como são em estética, estamos feitos! Me desclassifiquem junto com o Gil! junto com ele, tá entendendo? E quanto a vocês… O júri é muito simpático, mas é incompetente. Deus está solto! Fora do tom, sem melodia. Como é júri? Não acertaram? Qualificaram a melodia de Gilberto Gil? Ficaram por fora. Gil fundiu a cuca de vocês, hein? É assim que eu quero ver.
Chega!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Dilma no Sacrabala

A blogueira Flávia Guerra, do blog Na Perifa, conta que a nossa presidente Dilma, na recente estadia em Londres,  dispensou segurança e  comitiva e pegou o tube (o metrô) londrino para ir ao  Tate Modern, o descolado museu às margens do Tâmisa. A blogueira ainda faz aquele discurso paulistano: Que tal se mais líderes brasileiros usassem mais o metrô no Brasil? Metrô, colega?
Queria ver os "líderes brasileiros", e em especial a companheira Dilma, assim, sem o aparato presidencial,  em Belém, pegar o Sacramenta-Nazaré, ali por voltas das 22 horas, passando pela Ponte do Galo.
Vetinho, o poeta do Bole-Bole, teria que fazer uma nova versão da impagável canção Sacrabala:

Lá vem o Sacramenta-Nazaré sem freio
Vai passar bem no meio da Praça Brasil
E que tiver no meio fio
Vai dando logo no pé
Pois é, o motorista é uma figura
Ninguém segura o Sacramenta-Nazaré

A cobradora vai passando o troco errado

Pra safar alguns trocados
Que é pra dar pro seu filhinho
Que coitadinho, é um futuro cobrador
Mas que horror o Sacrament-Nazaré
Sem sacanagem é preciso ter fé
Pra viajar de Sacramenta- Nazaré

domingo, 29 de julho de 2012

O doce e o azedo

 Marina Silva carregando a bandeira olímpica na abertura dos Jogos Olímpicos em Londres foi um dos momentos mais doces e emocionantes nessa minha vida de brasileiro que vive fora do Brasil. No dia seguinte,  com um saudável orgulho, passamos um tempo explicando, aos nossos poucos amigos europeus que ainda não a conheciam, porque Marina estava ali.
Uma rápida olhada nos sites de notícias brasileiros, já nos azedou o dia. As reações no Planalto à supresa foram as mais sórdidas possíveis, afinal ninguém sabia, nem mesmo a presidente Dilma, que a ex-ministra participaria com tanto destaque de um evento global transmitido ao vivo. Entre outras coisas, se falou até em "ofensa ao Governo brasileiro", "mal-estar na comitiva presidencial" etc. O ministro do Esporte, Aldo Rabello,  ironizou a participação de Marina. Segundo ele, não é o governo quem escolhe a pessoa que vai levar a bandeira olímpica e sim a Casa Real.“Não podemos determinar quem a Casa Real vai convidar, fazer o quê?”, afinetou. “A Marina Silva sempre teve boas relações com a aristocracia europeia”. Errado!!! Quem organiza o evento é o Comitê Olímpico Internacional , e para o COI, Marina Silva mereceu ser convidada, pela “luta contra a destruição da floresta brasileira”, além de “enfrentar a oposição política e o assassinato de seu colega Chico Mendes”.
O sábio Tom Jobim dizia que sucesso no Brasil é ofensa pessoal. Eu acrescentaria que é também ofensa mortal quando quem faz sucesso é da oposição,  de origem pobre  e amazônida.
As reações dos políticos no poder não podem "apequenar" um grande momento histórico para o Brasil e para a luta pelos povos da Amazônia, como disse a própria Marina, numa emocionada entrevista à TV Estado.
Aqui, preferi postar um outro depoimento da mais importante ativista amazônida. Ela fala sobre como foi estar lá, junto com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, o maestro argentino-israelense Daniel Barenboim, Sally Becker (voluntária durante a Guerra da Bósnia com a Angel Operation), Shami Chakrabati (presidente da  British Civil Liberties Advocacy Organisation),  Leymah Gbowee (primeira mulher presidente da Libéria e Nobel da Paz em 2011),  Haile Gebrselassie ( o etíope considerado um dos maiores maratonistas da História), Doreen Lawrence (ativista britânica que teve dois filhos mortos em crimes raciais). E ainda, o grande Mohammed Ali.
Marina Silva estava ali por todos nós! Viva Marina! Viva  o Brasil que resiste!

sábado, 23 de junho de 2012

Brasil com S


 Uma das  lojas da Macy's em Manhattan, NY. Fotos: Edvan Feitosa Coutinho

 A rede Macy's, uma das mais tradicionais e maiores lojas de departamentos dos Estados Unidos (e eles se arriscam a dizer do mundo), colocou o Brasil na vitrine. Desde a primavera, uma imensa linha de produtos de moda masculina, feminina, decoração, acessórios e artigos de beleza tenta levar os consumidores ao paraíso. A ação da Macy's se chama  Brasil, a magical journey. Isso mesmo, Brasil com S. Os americanos também parecem ter mudado de atitude com relação ao gigante sul-americano não somente na grafia do nome do país, mas também no que se refere, nesse caso, ao conteúdo das coleções. Os designers são brasileiros, entre eles Francisco Costa (da Calvin Klein), Falchy (o mineiro célebre pelas bolsas), Marcelo Rosembaum (um mestre da cerâmica), Maria Oiticica (especialistas das bio-bijouterias) além de indefectível Romero Brito, talvez o mais celebrado artista plástico brasileiro nos States e rei do marketing em torno de sua arte.
A surpresa na parte comésticos/beleza fica por conta da Phebo - a  perfumaria paraense fundada em 1930 e há alguns anos nas mão da botica mais antiga do Brasil, a carioca Granado (de 1870). Na Macy's é possível comprar produtos Phebo desenvolvidos por Vic Meirelles, Amir Slama e Isabela Capeto.
A grande loja de departamentos também oferece o Brasil num app para Google Play, iPhone e iPad, com multimídia sobre a Amazônia, Carnaval e Futebol.
Uma série de eventos acontece nas lojas de costa a costa dos Estados Unidos. São as Brasil Launch Parties.  O texto dos convites e cartazes dessas festas é  tentador: Help us kick-off our magical journey by celebrating like only the Brasilians know how, with lots of live music, dancing, delicious food, colorful fashion and talented artists – don't miss it!

No website da  Macy's é possível ver o catálogo e conhecer os designers das coleções,  ainda,  os vídeos com making of da produção. O destaque é um dos vídeos com a designer Rachel Roy e o músico Seu Jorge.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Inexperiência é uma droga


Veja aí o que os gregos,  imersos há muito tempo em profunda crise econômica, disseram a respeito da última eleição por aquelas bandas. Esse pessoal do Velho Mundo é mesmo ingênuo. Nós, brasileiros, já fazemos isso há mais de um século. Se quiserem, podemos exportar o nosso know how.
Depois de outubro deste ano, então, estaremos afiadíssimos!

Fonte: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,tivemos-de-escolher-entre-o-mau-e-o-pior-dizem-gregos-sobre-eleicao,116586,0.htm

terça-feira, 29 de maio de 2012

A onda do momento

O mais popular e afamado ex-presidente da história deste país pressionar um ministro do Supremo Tribunal Federal para adiar o julgamento do "caso mensalão" seria, de fato, um escândalo passível de obter toda a repercussão que está tendo. Seria uma absurda subversão de qualquer lógica democrática e das mais comezinhas regras éticas. Meto minha colher.
Se a acusação é verdadeira ou não, ignoro. Admito, contudo, que não confio em Lula tanto assim, a ponto de me surpreender se amanhã ficar provada a veracidade do fato. O enredamento de Lula com os altos esquemas de corrupção durante seu governo, que envolveram até seu filho, são um nó que jamais saiu de minha garganta. E confio menos ainda em Nelson Jobim. Ocorre que confio ainda menos em Gilmar Mendes, para mim uma obscura personagem da República, cujo currículo foi lembrado pelo colega Joaquim Barbosa, que o chamou de "coronel".
E fundamentar uma informação com base na Veja, então? Faz-me rir.
Mas o que botou um sorriso nos meus lábios (não de alegria, mas de condescendência) são as análises jurídicas que a imprensa comum e blogueiros têm feito sobre o caso, mormente as que tocam a minha área de trabalho (naturalmente, não me refiro a nossa querida Marise Morbach, que já opinou sobre o tema aqui no Flanar, mas a umas aloprações que li por aí desde ontem). Estão acusando Lula de uns crimes que, faça-me o favor, não têm nada a ver. Mas brasileiro gosta mesmo é de um achincalhe, então vamos continuar bradando.
Pior mesmo é bradar contra moinhos de vento, já que dessa história, antecipadamente podemos dizer, não sairá consequência prática alguma.

domingo, 22 de abril de 2012

De novo, o preço dos carros no Brasil

Já sabemos disso, mas não custa nada atualizar as informações factuais.

O que se paga pelos carros no Chile é de causar espanto - e indignação - em qualquer brasileiro, em parte pela carga tributária muito menor cobrada pelo governo de lá e, talvez, também por margens de lucro mais estreitas em um mercado tão competitiva.

Leia o restante da matéria, conheça alguns preços e se lembre de que nossa vida poderia ser melhor, neste país, se fôssemos melhores não apenas como eleitores, mas também como consumidores. Boicote aos carros caros, já!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sinais dos tempos

Eu já gostei mais das posições do Ministro Marco Aurélio. Mas chegar à conclusão de que Gilmar Mendes foi melhor está me assustando muito...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Inundado

O Fantástico, da Rede Globo, exibiu ontem uma reportagem sobre a cidade submersa de Petrolândia, em Pernambuco, que foi destruída quando da formação do Lago de Itaparica, reservatório da Usina Hidroelétrica Luiz Gonzaga, integrante da Companhia Hidroelétrica do São Francisco, há 23 anos.
De Petrolândia restaram apenas algumas ruínas submersas (e a parte mais alta de uma das igrejas acima do nível da água), que as autoridades do turismo pretendem colocar no roteiro turístico de aventura. A matéria era sobre isso, mas não foi o que me chamou a atenção. Observei o elemento humano, as pessoas mais velhas falando da saudade que sentem da cidade antiga (uma outra foi construída e é maior e mais urbana), dos seus costumes, músicas e festejos. E vejam este excerto do texto escrito pelo jornalista Francisco José:

"Com a construção da barragem e a criação do lago, as cachoeiras do Rio São Francisco desapareceram. Em um trecho, o rio deixou de existir. Algumas espécies de peixes também foram extintas."

Pensei imediatamente em Belo Monte. Para a construção de uma usina menor, em Pernambuco, espécies de peixes foram extintas e um patrimônio natural foi perdido. Que prejuízo se pretende impor, agora, ao Rio Xingu?
Nada como um exemplo concreto para nos fazer pensar.

Mais:

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

DNA brasileiro

Grande sucesso da Ford, o EcoSport deixou de ser SUVzinho de mocinha, cresceu e virou carro. A nova versão do veículo  primeira grande reformulação, pois mudou a plataforma; todas as mudanças anteriores foram meros face lifts — foi apresentada hoje, na Índia, no Salão de Nova Délhi. Veja só o que começará a ser vendido no país em meados deste ano:

Cara de mau, porte robusto. Agora é carro de homem.

Traseira com ares de Hyundai. Dá vontade de ter um.

A presente postagem não se limita a simples entusiasmo de um fã de carros. Por incrível que pareça, este acontecimento sinaliza mudanças relevantes na economia mundial. Pense bem: Salão do Automóvel de Nova Délhi? Alguns anos atrás, isso seria impensável. Mas agora os países emergentes não são mais meros mercados do refugo da indústria automobilística. A indústria depende deles, já que os países ricos estão há anos numa crise que não dá sinais de arrefecimento. Consequência: os emergentes agora querem carros mais recheados de tecnologia, mais modernos e bonitos, econômicos e com preço justo.
O outro sintoma é que, pela primeira vez na história da Ford, uma empresa americana, será vendido no mundo (o tal conceito de carro global) um veículo desenvolvido pela engenharia brasileira. Yes, we can. E os brasileiros fizeram bonito, porque o resultado enche os olhos e faz o pé direito coçar.
Robusto, ele até impressiona. Mas sem os enfeites,
lembra os carros da Lada, aquela russa que passou
por aqui nos anos 1990. Ou seja...
Curiosamente, o anúncio de hoje trará efeitos colaterais para a própria Ford, que há tempos vem amargando quedas nas vendas do EcoSport. Ele reinou absoluto num mercado sem concorrentes por certo tempo, mas depois teve que brigar com importados que ofereciam mais por mais ou menos o mesmo preço. No segundo semestre do ano passado, a Renault quase nocauteou a Ford, ao lançar o Duster, agora um concorrente direto, de fabricação nacional, maior, mais robusto, mais vistoso e com preço competitivo, apesar de uma desconcertante pobreza no acabamento. Em apenas 15 dias, o Duster humilhou o EcoSport, num desempenho de vendas que se mantém. Agora que estamos prestes a receber a nova versão, as vendas do Ford devem despencar. Todo mundo preferirá a novidade, exceto aqueles que farão a festa com as promoções que a empresa será forçada a fazer.
Quando o novo EcoSport chegar, terá condições de dar uma chega pra lá no Renault, que tem seus méritos, mas incomoda com aquele design do leste europeu — o projeto é da Dacia, subsidiária romena da Renault, responsável pelo Logan, um dos carros mais feios já vendidos no Brasil. Seu visual algo coreano é magnífico, mas precisa oferecer mais do que isso: preço, consumo de combustível e melhorias no acabamento pobrinho, que sempre comprometeu o Eco.
Seja como for, a dobradinha governo (por causa dos impostos) e empresariado (por causa da ganância) farão o EcoSport custar muito mais do que poderia. Essa é uma realidade que ainda nos constrangerá por muito tempo. Quem sabe até aprendermos a ser eleitores e consumidores conscientes.
Que tal apoiarmos a ideia de boicote a carros caros?

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Independência ou...?

Considerando a situação econômica do Brasil, que enfrentou melhor do que outros países a recente crise mundial e que até já empresta dinheiro para os americanos, e particularmente a sua colocação na política internacional, com um nível de representatividade nunca antes visto, é o caso de perguntar:
Será que já podemos dizer que somos um país independente?

domingo, 4 de setembro de 2011

Talvez devêssemos parabenizar


Paulo Salim Maluf, hoje deputado federal, reuniu seus amigos (que são muitos, pelo que se constata) para comemorar os seus 80 anos. Geraldo Alckmin, Aldo Rabelo e Michel Temer foram alguns dos políticos de expressão nacional (Alckmin pode ser considerado assim?) que compareceram para prestigiar a ficha mais limpa do Brasil, consoante o próprio se proclamou quando autorizado pelo Judiciário a assumir o mandato que o povo paulista, mais uma vez e como sempre, lhe outorgou.
Não é demais lembrar que Temer é vice-presidente da República (mas é do PMDB, então não surpreende). O deputado federal Rabelo, contudo, é do PCdoB, partido que já foi mais firme em suas convicções. Pelo visto, paulistas se abraçam sempre.
Não deixei de notar que Maluf e sua esposa não têm voracidade alguma: seu jantar foi numa quantidade exígua. Pessoas finas que são, não vão com sede ao pote. Não atacam, não exageram.
Acho que é nosso dever parabenizar Maluf. Por todas as suas conquistas, por ter chegado a essa veneranda idade contabilizando apenas vitórias, superando as poucas rusgas que enfrentou, mas das quais ninguém escapa. Suas condenações, inclusive criminais, foram revertidas, portanto não se pode dizer que tenha cometido crime algum. É, de fato, um homem de ficha limpíssima. Imaculada. E um político que após tantos anos de atividade, em tantos mandatos, tantos cargos, inclusive executivos, chegar tão longe sem a menor mácula no currículo faz dele, provavelmente, um exemplo para todos nós, o modelo que devemos ensinar nossos filhos a ser, um orgulho para o Brasil.
Parabéns, Maluf. Você talvez seja o brasileiro perfeito. Agora me dê licença que aos domingos eu também trabalho.