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sábado, 24 de agosto de 2013

A Alemanha e seu cinema


Fazia tempo que eu não lia um livro “didático” tão bem escrito e tão interessante quanto este Studying German Cinema, da britânica Maggie Hoofgen. A partir dele, tenho revisto filmes, como Das Cabinet des Dr. Caligari (1920), e descoberto obras monumentais, como Heimat – a trilogia do diretor alemão Edgar Reitz, que conta uma saga em 32 capítulos, com 56 horas de duração, produzidos entre 1981 e 2006, cobrindo a história de uma família alemã desde 1910 até o século XXI.
Fiz uma livre tradução (cheia de pitacos meus) da apresentação do livro, que acredito, ainda não tem uma edição em português. Para quem se interessar em lê-lo, abaixo dou as coordenadas da obra para uma busca, via Amazon ou outro caminho.

Estudando o Cinema Alemão
De todas as cinematografias européias, o cinema alemão tem a história  mais dramática - e decididamente-  a que teve maior impacto na definição da Sétima Arte.. Desde os primeiros momentos do cinema, quando os cineastas germânicos lideraram o mundo do cinema  com seus estilos e inovações – com destaque para o Expressionismo -, até os anos 70, na Alemanha Ocidental, com o surgimento da geração que enfrentou os traumas pós-Segunda Guerra, a história do cinema alemão é a história do pais em si ao longo do século 20. E assim permanece até agora, com a nova geração pós-Muro de Berlim, e da segunda  geração de novos alemães – filhos dos imigrantes, mas já nascidos na Europa e antenados com os países de origem de seus pais, como a Turquia, por exemplo.
Como uma abordagem  cronológica, o livro Studiyng German Cinema se dirige a um  público  não especializado, mas também para quem estuda cinema de modo geral.
Em cada um dos 14 capítulos, o livro foca um filme chave – do essencial filme de horror Nosferatu até o vencedor do Oscar Das Leben der Anderen  (A vida dos Outros) situando a obra em seu contexto, que vai das práticas da indústria cinematográfica na Alemanha dos anos 20, depois das Alemanhas Ocidental e Oriental, passa pela a tradição do cinema de autor  (incluindo filmes de Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog e Wim  Wenders), até as questões atuais dos “novos alemães”, divididos entre a tradição dos pais imigrantes e a interação na sociedade européia. Cada filme é visto como algo resultante do contexto cultural e político. Junto, as discussões históricas, o livro  proporciona uma visão global da História do Cinema Alemão,  desde o fim da I Guerra Mundial até o presente. Indicações práticas de outros filmes e bibliografia relativas aos filmes analisados no livro  fazem dele uma introdução completa à uma das mais fascinantes e turbulentas cinematografias mundiais.
A autora
Maggie Hoffgen é formada em Heidelberg, Alemanha,  com um  Master of Arts em Cultural Studies, com foco em Cinema, pela Manchester University. Ela trabalha como conferencista free-lancer para jovens e adultos,  dá cursus sobre análise de cinema em geral e Cinema Alemão em particular, e também escreve artigos em publicações especializadas em cinema.

Studiyng German Cinema 
Serie: Studying Films
 256 pag.
Editor: Auteur (janeiro de 2010) 
Idioma: Inglês

ISBN-10: 1906733007 
ISBN-13: 978-1906733001 




quarta-feira, 29 de maio de 2013

Le Sacre du Printemps - 100 anos

29 de maio de 1913 ficou, na História da Arte, como o dia de uma revolução na música e na dança. No Théàtre des Champs Elysées, em Paris, Les Ballets Russes quebrou todas as convenções com  Le Sacre du Printemps (A Sagração da Primavera), com música de Igor Stravinsky e coreografia de Wlaclav Nijinsky.
A obra é considerada até hoje como o marco da dança e da música  moderna, indicando caminhos dessas duas artes no século XX.
Primeiro, o que é essa música?  Stravinsky parte de sons da natureza - pássaros, chuva, trovões - e vai num crescendo de contrastes e rompantes que até hoje são considerados obras-primas da música clássica inovadora e experimental.
Segundo, o que é essa coroeografia? Nijinksky, na flor de seus 23 anos e no auge de sua genialidade, quebra todas as convenções. Ele  retrata, no balé, um ritual pagão dos povos eslavos em que uma virgem é eleita para o sacrifício e dança até morrer. Um choque para a época. Os bailarinos dançavam com os pés entortados para dentro, num ato de anti-balé completo. Claro, a Paris de então ("caretas de Paris", já cantou Caetano Veloso) não estava aberta para  atitudes tão avant-garde.
A crítica se dividou, o público também.Le Sacre du Printemps foi vaiado e aplaudido. Logo saiu dos reportório da companhia dirigida por Sergei Diaghilev, sendo reencenada mais uma meia dúzia de vezes na Inglaterra e na Áustria.
A coreografia de Nijinsky já teve mais de 200 releituras - de Maurice Béjart a Pina Bausch, todos os grandes nomes da dança moderna tiraram o chapéu para Nijinski.
Neste mês de maio, em todas as capitais culturais da Europa, os 100 anos da obra de Nijinsky-Stravinsky são comemorados com espetáculos, conferências, exposições. Em Brugge, Bélgica, o Concertgebouwn, o teatro da cidade, trouxe Brussels Philharmonic Orchestra ao palco e convidou o bailarino canadense Jose Navas para uma releitura minimalista do Sacre du Printemps. Foi uma maravilha!!!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Revendo os clássicos - Once Upon A Time In The West






O inverno voltou por aqui (hoje a máxima é 2°C)  e, assim, nada como um bom filme em casa. Escolhi rever Once Upon A Time in The West (Era uma vez no Oeste), de 1968, do genial Sergio Leone. Acho que assisti pela primeira vez  no cineclube da APCC, coordenado pelos nossos mestres  Pedro Veriano e Luzia Miranda Álvarez, lá pelos idos de 1984/1985. Depois, já na Université de Louvain, em 2008, o melhor professor que tive no mestrado mostrou essa sequência, neste que  é um filme com várias sequências antológicas: o confronto dos pistoleiros na chegada de Harmonica (Charles Bronson) na estação de Flagstone, o duelo entre ele e Frank (Henry Fonda),... E claro, toda a atuação de Claudia Cardinale, divina no papel de Jill McBain.
O especial nessa cena, sem diálogos,  começa com a música do mestre Ennio Morriconi, combinada com a fantástica direção de arte na recrição do Oeste nos tempos dos "pioneiros". É uma aula de cinema: a passagem de Jill pela estação, a câmera que se mantém do lado de fora e que depois se movimenta até mostrar um panorama  do lugarejo em ebulição, e a partida de Jill numa carroça...
Bem, para quem se maravilha com Tarantino e Robert Rodriguez, nada melhor que ver a fonte onde eles beberam para serem vistos como diretores cult nesse começo do século XXI.