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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O melhor time de futebol da história do Pará


Em tempos de vacas magérrimas, temos que apelar à memória para manter a chama da paixão esportiva tremulando nos sofridos corações.
Para tal, registro aqui no blog a minha homenagem ao time de futebol que marcou a minha infância, o Clube do Remo de 1972, cujo goleiro Dico era o meu ídolo maior.
Ausente na foto está Alcino, o Negão Motora, artilheiro nato e o terror da torcida bicolor.
Na dita "era Alcino", o Leão foi tri-campeão estadual invicto (73-74-75) e adivinhem quem foi o artilheiro dos três campeonatos...
Bons tempos!
Hoje não sei o nome de um jogador sequer.
Mas sou Remista!


Alcino

domingo, 4 de dezembro de 2011

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira

Imagem: Wikipedia
Da jornalista Erika Morhy, no Facebook:

Reflexiva com a morte do Doutor Sócrates, quando também lembrei da morte de Amy. Meu sentimento é de certo reconforto. Ou identificação, sei lá! Resguardadas as devidas diferenças entre os dois, aventuro-me a dizer que viveram intensamente suas escolhas, com toda dor e delícia inerentes. Lamentar o que? Fizeram muitos felizes e tristes. Foram felizes e tristes. E ainda contribuíram para o mundo em suas áreas. Que mais se quer? Saudemos a vida e nossas escolhas, intensamente!

sábado, 14 de maio de 2011

O que você esperava?

Atribui-se a Winston Churchill a afirmação de que a democracia não é um bom sistema, porém que ainda não inventaram nada melhor. Assim sendo, precisamos conviver com mazelas e distorções que, se todos fossem bem intencionados, não seriam toleradas com tanta leniência.
Veja-se, por exemplo, o que acontece com o modelo de democracia participativa. Só se pode falar em um modelo realmente democrático se toda e qualquer pessoa puder se candidatar a qualquer cargo eletivo, inclusive o de presidente da República1. Repeti isso muitas vezes antes de Lula se eleger presidente. Enquanto boa parte das pessoas ao meu redor bostejava o estúpido argumento de que ele não era formado (uns, pretendendo-se mais cultos, acresciam que ele podia estudar e não o fazia por preguiça), eu tentava convencê-los de que seria fatal para uma nação, qualquer nação, que somente os egressos do funil universitário pudessem ocupar cargos que são essencialmente políticos, não técnicos. Nessa hora, eu lembrava que a eleição do sindicalista Lech Walesa à presidência da Polônia, em 1990, foi celebrado como um marco histórico. Já no Brasil, onde qualquer pobre é elitista, a eleição de outro era considerada como um amesquinhamento do país.
O fato é que, para mantermos o modelo de democracia representativa, temos que aturar que sub-sub-sub-sub-celebridades, inclusive oriundas de uma das mais imbecilizantes expressões da contemporaneidade — o Big Brother Brasil2 —, pleiteiem e até consigam mandatos. Cantores fracassados, atores que estão há muitos anos apenas "estudando papeis", gente que ganhou alguma notoriedade graças a programas sensacionalistas de rádio e/ou TV, exploradores da boa fé religiosa de incautos e uma raça que me provoca especial aversão: jogadores de futebol. Sim, eu detesto jogadores de futebol ricos. Considero uma das maiores indignidades que um sujeito fique milionário tão cedo porque bate bem uma porcaria de bolinha. Acho que deveria haver uma lei limitando o salário dessa gente, já que quem trabalha, quem faz coisas úteis ganha tão mal. E o resultado são os Ronaldos, os Adrianos, os Patos, os Neymares da vida — com suas festanças de incomodar os vizinhos, suas drogas, seus escândalos, suas inconsequências, suas arrogâncias, seus pitis, tudo o que deveria ser evitado já que, desgraçadamente, são referenciais para a nossa juventude. A começar pelos penteados. Quando vejo um sujeito com a cabeleira a la Neymar, tenho vontade de dar um pedala no indigente.
Pode ficar pior? Claro que pode. Elege-se um Romário, que já era detestável como jogador, e o sujeito começa sua vida parlamentar federal jogando futevôlei no Rio de Janeiro, em dia de sessão em Brasília, e pendurando amigos incompetentes em seu gabinete. Ou, para finalmente chegar ao ponto que me moveu a esta postagem: elege-se um Robgol, cujo único mérito foi ter sido goleador no Paysandu, um desses timinhos ordinaríssimos aqui do Pará, e o que ele fez? Segundo a imprensa comum, tornou-se um dos maiores mamadores das tetas públicas no período em que enxovalhou o mandato de deputado estadual. E o fez através de atos tão ostensivamente irregulares, que só podem ser compreendidos no contexto da certeza de impunidade.
Quando Robgol foi declarado eleito, houve quem perguntasse o que um sujeito desses teria a oferecer ao Pará. Nada, claro. Um forasteiro que não emplacou em nenhum grande clube e teve que se contentar com o Paysandu mesmo. E já que estava por aqui, aproveitou-se da alta qualidade do eleitorado paraense, que o elegeu por causa de seu histórico com o pijama de listrinhas alvicelestes. Eleitores que mereciam uma sanção penal, também.
No final, há fortes indícios de que Robgol deu uma goleada de irregularidades em cima de nós. Fez o que se podia esperar, se o eleitor tivesse algo além de futebol na cabeça. Pode ser deprimente, mas é também mera relação de causa e efeito.
Era mais ou menos isso que tinha a dizer. Agora é esperar as pedradas que receberei porque mexi com o futebol e, sabe como é, não existe nada mais importante no universo do que isso, né?

1 No Brasil, existem restrições devido à idade e à condição de analfabeto. Democratas radicais podem se insurgir contra as duas. Eu acho as duas bastante razoáveis.

2 Não faço críticas pessoais ao deputado federal Jean Wyllys: ele é inteligente e tem lá seus engajamentos sociais. Mas houve outros casos de gente de reality shows ou que nem chegaram a isso tentando um carguinho público, felizmente sem sucesso.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Do Baú - Imagens Sem Fronteiras.

O ano 1984, futebol feminino, Icoaraci, os times não lembro, nem o nome da atleta que quebrou a perna.


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Manda quem pode...

Rússia em 2018, Qatar em 2022: estes serão os países-sede da Copa do Mundo de Futebol, após sua realização no Brasil.

A cerimônia de "escolha" ocorreu em Zurique há poucas horas e, como sempre, houve grande festa das comitivas que representavam os candidatos vencedores. Os bilionários russos (Roman Abramovich, dono do clube londrino Chelsea, estava lá) e os xeiques do petróleo estavam lá, é claro.

As caras de surpresa e de emoção, no entanto, perdem para as aspas que grafei acima. Afinal, há quase um ano, o aiatolá do futebol mundial, o belgo-brasileiro João Havelange, disse em uma entrevista ao apresentador Galvão Bueno, da Rede Globo, que a Rússia seria o país mais indicado para sediar a Copa de 2018.

Já os xeiques, depois dos últimos escândalos ocorridos na Fifa em relação à escolha de sedes para a Copa - que respingaram em ninguém mais, ninguém menos, que o notório Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol -, nada neles é mais eloquente que seus petrodólares.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

E viva España!


O espanhol se iguala ao português como a língua do futebol: com a vitória da Fúria sobre a Seleção Holandesa, ontem, a língua de Cervantes agora tem cinco Copas do Mundo (Argentina, em 1978 e 1986; Uruguai, em 1930 e 1950; e a Espanha, em 2010), contra os mesmos cinco da língua de Camões (de Drummond talvez fosse mais adequado), do pentacampeonato brasileiro.

O título da Espanha também dá a todos a chance de conhecer um pouco mais da realidade de um país que são vários, dentro de um território exíguo. Ao final do jogo, Puyol e Xavi Hernandes, craques da seleção campeã do mundo, usavam cachecóis com as cores da Catalunha, evidenciando um sentimento separatista que ainda é forte, mesmo passados mais de 500 anos da unificação da Espanha católica pelo casamento dos herdeiros de Castela e Aragão.

Os olhos do mundo, que já observavam a ascendência dos gigantes Barcelona e Real Madrid, agora poderão saber que os Reais da Espanha (Real Madrid, Real Sociedad, Real Múrcia, Real Betis, dentre outros) eternizam a história de um futebol mantido pela Real Federação Espanhola de Futebol, com o selo real da unidade espanhola. Outros, que deliberadamente não detêm a denominação (Barcelona, na Catalunha, Athletic Bilbao, no País Basco), simbolizam a resistência à unificação e a luta por uma identidade regional, alheia às benesses decorrentes da subserviência à Coroa. Não é à toa que grande parte da receita do Barcelona, clube dos campeões mundiais Puyol, Piqué, Busquets, Xavi, Iniesta e Pedro, provém da mensalidade que os sócios do clube pagam, tornando possível ao milionário time de futebol independer de patrocínios estampados em seu uniforme.

Esta história, que o futebol hoje evidencia, torna ainda mais interessante a entrada da Espanha no clube dos campeões da Copa – seleto clube de agora oito seleções, como gostam de dizer os comentaristas esportivos. A geração vitoriosa que a Fúria conseguiu juntar merece.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Enquanto isso, o polvo...


Olha a cara séria do bicho aí. E ele já vaticinou: a Espanha será a novíssima campeã do mundo em 2010.
PS: Se ele acertar...Vai virar o oráculo de Matrix!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Emblema da Copa do Mundo de 2014



Taí o emblema da Copa do Mundo de 2014, apresentado ao mundo agora há pouco.

E Riquelme tirou a roupa

Larissa Riquelme, a bela modelo paraguaia, prometeu e cumpriu. Mesmo com a seleção paraguaia carimbando seu passaporte de volta para casa, ela tirou mesmo a roupa para o jornal paraguaio Diario Popular.
Mas que bela paraguaia, sem dúvida! Com todo o respeito, é claro.
Para quem desejar ver mais imagens e conferir os detalhes da moça, pode ir suando a camisa aí no Google Images. Vai ver que ela é mesmo bem bonitinha.
Mas não esqueçamos um detalhe: ela é paraguaia. Sendo assim, podemos perceber uma boa dose de silicone nos seios e, Photoshop, é claro. Mas mesmo assim, imagino ser do agrado dos leitores. Afinal, silicone e Photoshop, está longe de ser privilégio da nação paraguaia.
E a copa da África do Sul produziu esta e muitas outras celebridades. Ou será que vamos esquecer Mick Jagger e, o polvo, é claro.

Brigam Espanha e Holanda



Milton Nascimento compôs Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco em parceria póstuma com Leila Diniz, musa brasileira dos anos 60/70. A música faz parte do álbum Sentinela, de 1980, um dos mais belos da carreira do compositor carioca de alma mineira.

Tenho para mim que a música tem algo de fantasmagórico. Causa estranheza ouvir Leila, na versão do disco – infelizmente, ela não aparece na versão em vídeo que encabeça esta postagem –, após anos de sua morte trágica em um acidente de avião, na Índia. Aumenta esta impressão o uso da gravação original, sem filtros, que deixa ruídos junto à voz. Parece coisa do além, como se dizia na minha infância.

Milton e Leila falavam de uma guerra entre Espanha e Holanda pelos direitos do mar. A letra se refere, possivelmente, à chamada Guerra dos Oitenta Anos, por meio da qual a Holanda se libertou do domínio espanhol, no século XVI. Não poderiam saber, obviamente, que décadas depois de lançada a canção, Espanha e Holanda voltariam a se enfrentar pelo domínio de um novo território – um território subjetivo, desta vez, no imaginário esportivo de bilhões de pessoas.

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Nota: Para saber um pouco mais sobre Leila Diniz, recomendo esta excelente texto do escritor brasileiro Jeocaz Lee-Meddi.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Holanda e Espanha na final da Copa 2010

A Alemanha abdicou de jogar o futebol bonito que exibira nos dois últimos jogos da Copa. Resultado: deu Espanha na cabeça. Uma pena, por um lado; um castigo, por outro.

Domingo, os aficcionados pelo futebol verão uma final inédita de Copa do Mundo e, mais que isso, um campeão que nunca o foi antes será conhecido.

Alea jacta est
. Que vença o melhor!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Corrigiu, mesmo

Até uns segundos atrás, jamais saberia dizer quem no mundo é Carlos Caetano Bledorn Verri. Mas já que a imprensa toda está dando, é claro, ampla repercussão à carta que o aludido senhor, mais conhecido como Dunga, escreveu à Confederação Brasileira de Futebol, que o dispensou, devo dizer que li a tal carta e quero afiançar que uma coisa é verdade: Dunga, de fato, corrigiu erros do passado, a julgar pelo jeitão bronco de todas as suas entrevistas, quando revelava pouca familiaridade com o idioma.
Veja:

"Respeitosamente, dirijo-me a V. Sa., primeiro, para renovar os meus agradecimentos pela confiança, respaldo e autonomia concedida..."
A frase chama a atenção pela elegância, traduzida pela pontuação clássica. Esta é uma tônica em toda a missiva, na qual se percebe, ainda, uma escorreita aplicação das ênclises. O pronome de tratamento está de acordo com a norma culta. Mas eu diria "concedidos" em vez de "concedida", já que não apenas a autonomia, mas supostamente também a confiança e o respaldo o teriam sido.

"...todos, sem distinção, trabalharam para tal desiderato."
A palavra "desiderato" não é empregada na linguagem comum, estando restrita a círculos mais letrados. Contudo, como o texto não exagera em vocábulos desse tipo, não se torna cansativo nem pedante.

"eliminatórias sul-americanas"
A separação do prefixo está de acordo com a reforma ortográfica da Língua Portuguesa.

"como sempre foi à postura por mim adotada, incontinenti, resta-me acatar à sua decisão"
Vê-se, aqui, o uso sofisticado do advérbio "incontinenti" para indicar algo imediato. Contudo, creio que não se fazia necessário o itálico, porque o vocábulo, apesar do i no final, já está incorporado ao vernáculo. A locução latina in continenti era escrita assim, com separação.

Infelizmente, ainda restam erros a corrigir:
- Na segunda linha do terceiro parágrafo, o correto é "assegurando" em vez de "assegurado". Mas o ideal mesmo seria suprimir o desnecessário gerúndio.
- Na primeira linha do quarto parágrafo, não existe crase antes de "postura" nem antes de "sua decisão".
- Na quarta linha do mesmo parágrafo, "Senhor" não deve ser escrito com letra maiúscula, posto tratar-se de substantivo comum. Ricardo Teixeira pode ser Ricardo Teixeira mas não é Deus!

Alguém pensou em outro tipo de erro?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

FIFA reconsidera o uso de tecnologia na linha do gol

Interessado em sua reeleição, o presidente da FIFA, o suíço Sepp Blatter, pediu desculpas ontem em uma coletiva à imprensa internacional, pelos erros flagrantes da arbitragem nesta Copa do Mundo. Em especial aqueles que prejudicaram de maneira ridícula Inglaterra e México. Muito embora, em minha opinião, não tenham exatamente comprometido a inegável superioridade dos vencedores.
Os árbitros envolvidos foram discretamente mandados de volta para casa, sem dar entrevistas. Mas o mais importante, é que Blatter afirma que a FIFA finalmente considera a possibilidade de adotar tecnologia melhore o julgamento do que acontece na linha do gol. Do tipo câmeras posicionadas estrategicamente de forma a deixar o evento do gol registrado de maneira inequívoca. Mas afirmou que a tecnologia do "chip" embutido na bola, ainda estaria em fase experimental.
[Via Sport 24]

terça-feira, 29 de junho de 2010

Qual a razão da FIFA resistir à tecnologia?

Este gol de honra de Frank Lampard da Inglaterra contra a Alemanha, foi barbaramente anulado pelo juiz. Mesmo com os telões do estádio mostrando claramente, que de fato ele ocorreu. Uma crueldade sem tamanho. Como se não bastasse, desde então, a FIFA proibiu a exibição de replays nos estádios. Sintomático, não?
Mas afinal de contas, o que explica a resistência da FIFA à tecnologia disponível para garantir com precisão a informação de que a bola de fato cruzou as traves brancas?
Este artigo da Fast Company procura entender isso. Mas sinceramente, os argumentos acenados pela FIFA me parecem tolos demais. Bobos demais. Quase que escandalosamente tecnofóbicos. Ou árbitrofílicos? Ou o quê mais?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Olhos com que Olhas, Não São Os Que te Olho

Falei agora com uma amiga minha pelo skype. Doutora em Antropologia Linguística, de volta da Europa depois de um visiting fellowship numa universidade holandeza. Diz-me ela que em Belém, no Pará, os paraenses nas ruas comemoram a vitoria de 3 x 0 do Brasil sobre nossos hermanos chilenos. Foi um jogão contra uma seleção de corajosos, concordamos todos nós.
Invejo o discernimento de Belém. Aqui em Brasília, capital do Brasil e Distrito Federal, classificada como segunda maior renda per capta do país, nem buum de foguete ouvi nos três goals da seleção brasileira que nosso time fez nesta Copa de 2010. Gente estranha essa, meus vizinhos com seus BMWs, Mercedes, Land Rovers e Jaguares... nos seus apartamentos de 1 milhão de reais ou 4 milhões de dólares.
O que eles ignoram da fátua anestesia é que a partir da exceção um todo se constroi, porque o todo não se constitui senão pela dinâmica das partes aparentemente incongruentes, conjugadas da semeadura à colheita num ritmo doido que desafia o maestro, a banda e a audiência de maioria surda.
Daí a pergunta inescapável que é diferente daquela opositora e de viés ideológico, ainda que ambas sejam historicamente determinadas: Esses jovens concursados com qual cabeça e de qual caverna interpretam o mundo escroto, que por ser urbe tenebrosa lhes satisfaz com o a grife da hora, o nome do relógio, da roupa ou da marca de carro e lhes agravam como feitiço o senso e o salário para além da poupança?
O pensamento aqui estaria concluído, com ou sem resposta, não fosse emoldurado antes do termo pelo berro na sala ao lado, de sobrinho que anunciava a avó que amanhã "teria de qualquer jeito" a camisa do Nakamura. Desconcentrado pela exclamativa imponderável frente às circunstâncias etárias e financeiras do declarante, apenas restou-me à vista do inevitável o desconsolo de constatar que tal posse da camisa nakamuriana, símbolo dos exatos 15 minutos de glória do jogador japonês, estariam juntados outros tantos cobres obscuros destinados a um falsificador qualquer, atravessados por algum ambulante nas rotatórias das quadras ou em algum cubículo da Feira do Paraguai em Brasília, na Praça da República em Belém, na Cinelândia ou na Paulista, apesar de todos serem provenientes das economias de vozinhas incautas!
Barbaridade. A consciência é uma merda, quando inútil pelas circunstâncias. Escape-nos arqueólogos darem resposta a tais paraísos da serotonina, por escala animal presente antes da aventura cultural; porque do ponto de vista econômico a culpa dessas reflexões é por agora do Paul Krugman, keynesiano notável, que levou-me até ali e de lá vim para ter os ouvidos cheios das vozes de minha casa.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Dunga em "Um Dia de Fúria"



A briga de Dunga com a imprensa e, em particular, com a Rede Globo, chegou ao Youtube, em uma versão ao estilo "A Queda".

Desta vez, o filme usado para a paródia é "Um Dia de Fúria". Michael Douglas encarna o técnico da Seleção.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Enquanto isso, em Pyongyang

Uma postagem sobre futebol publicada por mim??? Estranho...
Obviamente que não dou a mínima para os resultados da copa do mundo, mesmo que seja um 7 a 0, num evento que está sendo considerado morno pelos entusiastas do futebol. Como, entretanto, as pessoas ao meu redor me torturam com intermináveis resenhas a respeito, não pude deixar de tomar conhecimento de que a goleada acima ocorreu e foi dada por Portugal sobre a Coreia do Norte, este último um país não-democrático, sempre enredado em discussões com o restante do planeta, que envolvem inclusive questões nucleares.
Ouvi dizer, dia desses, que o governo militar da Coreia do Norte não permite a transmissão dos jogos da copa para o seu próprio país. Ou pelo menos não em tempo real. Talvez eles tenham informado a
população sobre a derrota para a seleção brasileira - o que, reza a lenda, não seria nenhuma vergonha, já que se trata de uma das favoritas e a vitória foi por apenas um gol de diferença, sendo que os coreanos chegaram a marcar!
Talvez esse jogo tenha sido, senão transmitido, ao menos alvo de alguma reportagem convenientemente editada.
Mas o que fazer com um 7 x 0, que a imprensa, sempre ufanista, está classificando como "massacre" e "humilhação", entre outros termos, que até para mim soam como adequados?
Enquanto muitos governos, inclusive o nosso, usam o futebol para inebriar o povo e fazê-lo pensar que a vida está melhor do que realmente está, o da Coreia do Norte cerceia o direito de seu povo de acompanhar o mundial, por causa da ideologia. Creio que a ideologia seja um dos maiores problemas de uma ditadura. Deve ser muito cansativo dormir e acordar tendo que vender uma imagem de fachada. E, nesse caso, se a intenção era mostrar coreanos enfrentando de igual para igual os vermes do Ocidente, pelo visto o tiro saiu pela culatra.
Honestamente, eu me preocupo com os jogadores coreanos. Que futuro os aguarda na volta ao lar? Não apenas desclassificados, mas ridicularizados - e, o que é pior: um ridículo esperado -, diante de uma ditadura que perdeu, através dele, a oportunidade de mostrar a sua pretensa superioridade. E ainda considerando que os orientais hipervalorizam questões morais ligadas a tradições, família e concepções de honra, temo que haja retaliações concretas contra esses rapazes e seus familiares. Retaliações de que o mundo não terá total clareza, já que as informações são controladas.
Pobre Coreia do Norte. Mas, naturalmente, não por causa do futebol.

Acréscimo em 22.6.2010:
Com supresa, tomo conhecimento de que o jogo foi transmitido ao vivo. Do jeito deles, mas foi.

domingo, 20 de junho de 2010

Uma Jabulani pra você


A Adidas deve estar bamburrando nesta copa do mundo, frente à modesta concorrência. A bola oficial Jabulani, estava sendo vendida ontem num shopping central de Belém, por cerca de 500 reais. Contudo, uma match ball replica fabricada pela própria Adidas, com tamanho e peso oficiais, saía por 89 reais.
Meus filhos não resistiram a réplica.