Há um certo sebastianismo em algumas famílias. Há sempre quem viva no passado, achando que os tempos idos eram mais felizes, que as pessoas eram melhores e que os antepassados eram mais valorosos. Nem tudo é verdade.
Também entre os parentes mortos há aqueles que foram desonestos, desumanos, maus profissionais, pais ausentes, péssimos maridos.
Mas a morte, como se fosse efetivamente aquilo que liberta a alma boa do corpo vil, apaga os defeitos e ressalta as qualidades - mesmo as inexistentes.
Também é verdade que, como os parentes de pessoas mortas, há quem ache que sua cidade, seu tempo de juventude, seu passado não tão distante era melhor que hoje. Será isso fato ou imaginação?
Talvez seja bom lembrar que o mito sebastiano original nunca se resolveu. Até hoje os portugueses, saudosistas como nenhum povo há - até pelo uso da palavra "saudade", que dizem não existir com esse significado em nenhuma outra língua -, continuam esperando o retorno de Dom Sebastião das areias de Marrocos. Esperam há cinco séculos. Esperam por alguém que sequer viram partir.
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Schnitzler versus Freud
Para os que querem preencher o final de semana com uma literatura light, pero no mucho, aqui vai uma sugestão que certamente abalará as estruturas psíquicas de um leitor desavisado.
O livro O Retorno de Casanova, do médico austríaco Arthur Schnitzler, foi publicado em 1918, e aborda uma hipotética volta do conturbado personagem histórico Giacomo Casanova à então república de Veneza.
Velho, falido e desmoralizado, Casanova esperava tudo, menos se apaixonar. E aí então...
Para os que desconhecem o autor, Schnitzler trabalha em espelho no mesmo território psicanalítico do Dr. Sigmund Freud, escrevendo romances que parecem casos clínicos, como o famoso Breve Romance de Sonho, filmado por Stanley \Kubric em 1999 (De Olhos Bem Fechados).
Freud chegou mesmo a expressar, em carta dirigida a Schnitzler em 1922, a admiração pela sua obra.
"Sempre que me deixo absorver profundamente por suas belas criações, parece-me encontrar, sob a superfície poética, as mesmas suposições antecipadas, os interesses e conclusões que reconheço como meus próprios. Ficou-me a impressão de que o senhor sabe por intuição – realmente, a partir de uma fina auto-observação – tudo que tenho descoberto em outras pessoas por meio de laborioso trabalho". Sigmund Freud
Bom mergulho na leitura, aos que ousarem fazê-lo!
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Me and my crazy self
Desde que iniciei a vida de leitor compulsivo, na adolescência, sempre fui chegado a acreditar ter um alter ego, um outro eu, geralmente absorvido dos personagens fortes (ou até dos fracos) oriundos de romances, poesias épicas, filmes, biografias, novelas, músicas, propagandas, enfim, de todo tipo de manifestação humana que tivesse a capacidade de se insinuar em meu cérebro.
Talvez o meu primeiro alter ego tenha sido Huckleberry Finn, rebelde personagem de As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, que ganhou livro próprio em 1884 e até protagonizou filme, em 1993. Eu sonhava acordado ser como Huck, e até na verdade em ser o próprio Huck Finn.
Muitos o sucederam no cargo hipotético de alter ego, como Rick Deckard, de Do Androids dream of eletric sheep?, livro de Philip K. Dick que originou o filme Blade Runner, passando por Eneias, eternizado pelo gigantesco poeta Virgílio em A Eneida, e até mesmo o detetive John Diphoo, da fantástica trilogia O Incal, de Alejandro Jodorowsky e Moebius.
Mas há algum tempo fiquei fixado definitivamente por Corto Maltese, tão encantadora criatura que até o seu criador, o italiano Hugo Pratt o tomou para si como alter ego.
Como definir Corto Maltese sem expor as minhas próprias entranhas?
Corto é um viajante, sempre em movimento e isso me agrada sobremaneira. Percorre o mundo todo, não por dinheiro ou poder, e sim pela liberdade de o percorrer. A imaginação é o seu combustível e nem sempre ele é politicamente correto. Aliás, quase nunca.
Ele é verdadeiramente um anti-herói, uma espécie de Ulisses ao contrário. Ama muito, procurando sua alma gêmea, e um dia a encontrará, desde que ela se disponha a acompanha-lo, de rosto virado para o vento norte.
Nesse ponto, a vida real esboça tocar a surreal. No delírio onírico de Corto, como no meu, a mulher utópica é na verdade uma andróide, como a doce Rachel, de Blade Runner. Ou talvez seja mais parecida com o alter ego desta última, a insinuante Pris? Ou com ambas?
Ou poderia ser uma andróide para cada ego?! Terão os andróides alter-egos?!
Pris
Rachel
Corto e eu precisamos nos encontrar, um dia...
segunda-feira, 18 de março de 2013
Discuta em língua estrangeira!
Quer controlar as suas emoções na hora de tomar decisões? Faça-o em idioma estrangeiro!
Há tempos que tenho a convicção de que usar uma segunda língua em situações em que precisamos aguçar a razão, contrapondo-a à emoção, pode ser muito útil numa gama de momentos cruciais de nossas vidas.
Pude testar empiricamente esta ideia no período em que morei fora do Brasil, tanto no aspecto profissional quanto nas relações interpessoais, e acabei por concluir para os meus próprios botões que tendemos a brigar menos, a questionar menos e a evitar conflitos diretos usando este artifício.
Mas era apenas um feeling meu, uma observação livre, e eu jamais havia lido nada a este respeito até a semana passada, quando um link da revista Mente e Cérebro me levou a uma interessante publicação de autoria de Boaz Keysar, de 2011, no periódico PsychologicalScience.
A princípio, seria intuitivo pensar que as pessoas tomam decisões independentemente de qual língua estejam usando para a comunicação. Keysar e seu grupo da Universidade de Chicago, no entanto, demostraram ser justamente o oposto em seis experimentos.
Pude testar empiricamente esta ideia no período em que morei fora do Brasil, tanto no aspecto profissional quanto nas relações interpessoais, e acabei por concluir para os meus próprios botões que tendemos a brigar menos, a questionar menos e a evitar conflitos diretos usando este artifício.
Mas era apenas um feeling meu, uma observação livre, e eu jamais havia lido nada a este respeito até a semana passada, quando um link da revista Mente e Cérebro me levou a uma interessante publicação de autoria de Boaz Keysar, de 2011, no periódico PsychologicalScience.
A princípio, seria intuitivo pensar que as pessoas tomam decisões independentemente de qual língua estejam usando para a comunicação. Keysar e seu grupo da Universidade de Chicago, no entanto, demostraram ser justamente o oposto em seis experimentos.
Portanto, fica a informação de cunho prático: em situações
adversas, no trabalho ou na vida pessoal, tente argumentar em língua
estrangeira e a chance de obter um maior equilíbrio entre perdas e ganhos
aumentará muito.
Just do it!
Just do it!
domingo, 10 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Como pensam os cães

Imagem: Stanford University
O entendimento do funcionamento do cérebro de mamíferos “inferiores” a nós, primatas “evoluídos”, talvez possa ser de grande utilidade para o desenvolvimento de técnicas diagnósticas ou mesmo terapêuticas a serem aplicadas nos humanos num futuro breve.
Quão inteligentes são os cães? Eles podem processar informações de modo parecido ao nosso?
A questão é complicada, começando pelo ceticismo exacerbado que envolve as pesquisas sobre inteligência dos cachorros.
Poucos estudos científicos sérios têm sido publicados sobre o tema, alguns dos quais realçando a capacidade canina para executar tarefas complexas, aprender idiomas, ou mesmo pressentir crises convulsivas de seus donos com antecedência de até 5 minutos.
O pesquisador Stanley Coren, professor de psicologia da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá) e autor de vários livros sobre cães, afirma que o cão médio equivale intelectualmente a uma criança de 2 a 2,5 anos, tendo inclusive a capacidade de compreender alguns conceitos abstratos. É um defensor da idéia de que o processamento cerebral do cão não é tão divergente quando comparado ao nosso.
Outros, como Clive Wynne, professor de psicologia da Universidade da Flórida, discordam de Coren e pensam que os cães podem ter habilidades no aprendizado da leitura de pistas humanas, o que não significa que estejam pensando como pessoas. O mundo de um cachorro gira em torno de seu dono primário, e ele irá tentar arduamente responder a essa pessoa para com o objetivo de conseguir os seus objetos de desejo, como comida, carinho ou cuidados.
De qualquer forma, mesmo sendo talvez apenas um feliz acidente evolutivo das espécies, o fato de que o pensamento dos dois amigos, Canis lupus familiares e Homo sapiens sapiens, se sobrepõe de um modo suficiente para que possamos ter relações tão estreitas e gratificante com os cães, é por si só maravilhoso.
Apenas devemos evitar a armadilha psíquica de achar que os cães vêem o mundo como nós.
Eles pensam como cães.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Blue Monday I

Como nesta pintura do mestre flamengo Peter Brueghel (1525-1569), De sombere Dag (O dia sombrio), os dias de inverno no Hemisfério Norte podem ser difíceis mesmo para quem nasceu aqui. Agora vocês imaginam para quem, como eu, veio da Terra do Sol. Por isso, estou me preparando para o que aqui, na Europa, se chama The Blue Monday. O conceito, dizem, surgiu sob encomenda da agência de viagens inglesa Sky Travel. Num press-release distribuído em 2005, o psicólogo Cliff Arnall apontava a terceira segunda-feira de janeiro como o dia mais deprimente do ano. Ele justificava o fenômeno - comprovado em pesquisa, segundo o comunicado - pela conjugação de vários fatores: aquele clima das Festas de Natal e Reveillon acabou, estamos conscientes de que as "boas resoluções" de Ano Novo já foram por água abaixo, estamos em pleno inverno, com noites mais longas e frias, dias sombrios (aqui na Bélgica há duas semanas não vemos o sol) e as férias estão longe demais...A conclusão do psicólogo é óbvia: para escapar dessa segunda-feira deprê é preciso viajar (Bora-Bora, quem sabe?). Como não podemos viajar agora, resta ajudar meus alunos da turma de Português e Cultura Brasileira. Na próxima segunda-feira, a aula vai ser sobre piadas. Cada um receberá um piada escrita e deverá contar aos outros. Piadas belgo-flamengas podem ser adaptadas também. Como rir ainda é o melhor remédio, espero que a estratégia funcione.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Duas ou três palavras sobre o preconceito

Imagem: Worldpress
Vivemos num período interessante da história, no qual a informação e o esclarecimento seriam as armas usadas para o combate ao preconceito.
No entanto, além das clássicas formas de discriminação em relação a assuntos como opção sexual, raça e religião, outras formas de preconceitos continuam escondidas em nosso dia-a-dia.
As vítimas desta forma mais velada de preconceito são os deficientes físicos, os gordos, os feios, os velhos e até os canhotos, entre outros.
Há cerca de 15 dias ouvi um relato de um jovem paciente, estudante de direito em Belém, que me impressionou.
Ele iniciou o desabafo me perguntando se eu já teria sido prejudicado deliberadamente por alguém, no passado, por ser gordo. Pensei um pouco e respondi que talvez sim, na escola, por um professor que parecia ter algo contra mim que não pude identificar naquela altura. Lembrei-me instantaneamente de alguns outros episódios semelhantes ocorridos no decorrer da minha vida, como a xenofobia sofrida quando morei na Alemanha e a segregação por ser do norte (em São Paulo).
Ele confidenciou que estava sendo vítima de “marcação” por um professor em particular, que supostamente o teria prejudicado por várias vezes em relação a notas, sempre que o caráter subjetivo da avaliação o permitia.
Eu insisti então numa busca mais detalhada por sinais e sintomas mais objetivos para fechar o diagnóstico de preconceito e ele pôde apenas descrever vagos episódios de um desdém leve, de uma maneira diferente de olhar, de um discreto sarcasmo nas palavras e atitudes, que apesar de tudo o machucaram muito além da provável reprovação na matéria e conseqüente perda de um semestre do curso.
Fiquei então pensando se nós os gordinhos não estaríamos irritando os não-gordos por aumentarmos o consumo de combustível dos carros, piorando o efeito estufa. Ou por sermos responsáveis pela elevação dos custos assistenciais de saúde. Ou mesmo por forçarmos os magros a diagnosticar os seus próprios níveis de preconceito...
E os feios e feias, o quanto sofrem silenciosamente durante uma vida inteira?
Estamos cada vez mais acostumados a ver a beleza como a normalidade plena.
Quer comprar uma casa num condomínio de luxo? A corretora será quase que certamente uma bela senhora. Um carro? O vendedor não será feio ou deficiente.
Obesos na mídia? Ligue a televisão e conte o número de gordos. A exceção talvez fique por conta da série de TV Huge, que estreou na semana passada nos E.U.A (na ABC).
E os velhos, os de pele sofrida, aqueles com rugas, por que não aplicam botox? Ou fazem laser? Peeling químico? Os nossos inconscientes às vezes parecem fazer estas perguntas.
E o quanto sofrem os deficientes aos olhos dos ignorantes?
A partir de uma simples conversa com um jovem angustiado pude perceber o quanto há de preconceito suspenso em nossa volta, disfarçado de forma sutil através da ridicularização socialmente aceitável.
Apesar das vindouras mudanças na legislação, ainda teremos um longo caminho na história da humanidade até o total extermínio do preconceito.
A minha dúvida é se o percorreremos.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Piti, pitiá ou piripaque?

Imagem: enrichmentjournal
Através das décadas vários termos têm sido usados para designar um esgotamento mental latente ou instalado, um descontrole de emoções e atitudes, mas o mais sólido deles sem dúvida é colapso nervoso.
Esta expressão tem mais de 4 décadas de uso e quer dizer algo como “melancolia” ou “esgotamento emocional”.
Antes do colapso emplacar na linguagem médica e posteriormente na coloquial, o termo usado era Crack-up (desabamento, numa tradução informal).
E nos últimos anos os psiquiatras europeus vêm diagnosticando o substituto do colapso nervoso, a Síndrome de Burn-out (algo como combustão completa).
Se ter um crack-up nas décadas de 30 e 40 era sinônimo de ser doido e ter um colapso nervoso nas décadas de 50 e 60 talvez um pouco menos, a Síndrome de Burn-out pode significar algo de caráter vago, que permite ao usuário do termo controlar parcialmente o seu significado.
Aqui na capital paraense e no interior do estado os termos mais usados pela população ainda são piripaque, piti ou o clássico pitiá (diminuitivo de pitiatismo).
Ninguém precisa explicar o que tais termos significam pois todos já presenciamos tal fenômeno uma ou mais vezes na vida.
Quem trabalha em unidades médicas de urgência aqui no Pará já viu com certeza a sua modalidade mais grave, o pitiá crônico cruzado agudizado e infectado, que geralmente ocorre de madrugada.
Esse, nem as melhores vendedoras de ervas do Ver-o-Peso curam..
Esta expressão tem mais de 4 décadas de uso e quer dizer algo como “melancolia” ou “esgotamento emocional”.
Antes do colapso emplacar na linguagem médica e posteriormente na coloquial, o termo usado era Crack-up (desabamento, numa tradução informal).
E nos últimos anos os psiquiatras europeus vêm diagnosticando o substituto do colapso nervoso, a Síndrome de Burn-out (algo como combustão completa).
Se ter um crack-up nas décadas de 30 e 40 era sinônimo de ser doido e ter um colapso nervoso nas décadas de 50 e 60 talvez um pouco menos, a Síndrome de Burn-out pode significar algo de caráter vago, que permite ao usuário do termo controlar parcialmente o seu significado.
Aqui na capital paraense e no interior do estado os termos mais usados pela população ainda são piripaque, piti ou o clássico pitiá (diminuitivo de pitiatismo).
Ninguém precisa explicar o que tais termos significam pois todos já presenciamos tal fenômeno uma ou mais vezes na vida.
Quem trabalha em unidades médicas de urgência aqui no Pará já viu com certeza a sua modalidade mais grave, o pitiá crônico cruzado agudizado e infectado, que geralmente ocorre de madrugada.
Esse, nem as melhores vendedoras de ervas do Ver-o-Peso curam..
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Tô Doidão... Bicho, Tô Doidão!
Depois de liderar uma cruzada pela liberação da maconha no continente, Fernando Henrique Cardoso se volta contra Lula, comparando-o ao obscurantismo da ditadura militar de 64. Ora bolas, dizer que Lula assassina com seus impropérios a magnatas e jornalistas, ao modo como Médici executou seus opositores armados, é uma bad trip abaixo da crítica para ser levada a sério, especialmente quando é feita por quem todos nós sabemos quem é.
Confesso que eu quase paro a escrita aqui - para que perder tempo? -, não fosse a interrogação que me faço sempre quando leio essas patuscadas de ex-qualquer coisa no Brasil: Por que, céus, neste país, ex-presidentes sem ter fundamento do que dizer não aposentam a língua, como é costume em terras situadas acima do Trópico de Câncer?
Mas, sem resposta que me convencesse, e após reler o artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, não posso deixar de ver ecos do que a imprensa e os opositores da extinta UDN publicaram sobre Getúlio Vargas, em sua fase de presidente constitucional, nos dias da chamada República do Galeão. Vê-se no artigo de FHC que mudam os tempos e os personagens, mas a inspiração, os argumentos e os objetivos são os mesmos que outrora denunciaram o desespero de quem vê no golpismo a salvação de um projeto retrógrado para o país, a qualquer custo moral.
Não à toa, o mesmo FHC buscou desmoralizar Lula pela crise econômica, com base na afirmação presidencial de que entre nós o tsunami norte-americano se converteria em marola. Pois mal decorridos seis meses, sem qualquer efeito prático da mal calculada crítica anterior, eis que sem pejo comparece diante de nós um FHC, com a originalidade de uma indisfarçavel bolinha vermelha no nariz, alucinado em sua mesopotâmica insistência de se tornar o desmoralizador maior do governo Lula, desta feita apostando na roleta uma chance pelo viés pantanoso da política!
Ainda que seja um incorrigível em arrogância e vaidade, sua indisfarçada opção pelo pântano é preocupante até para os mais pacientes Jós da democracia. Logo, o melhor a fazer é aconselhar - mais uma vez! - que FHC vista o pijama e poupe-nos de vê-lo autoexpondo ao rídículo a dignidade do cargo que ocupou, visto que a fantasia de intelectual ele a rasgou ou queimou há muito tempo com as fanfarras afoitas que o tipificam perante a História. Principalmente, porque constatamos que Getúlio está morto, a UDN não existe mais, Lula está vivo e, graças a Deus, revólveres e baionetas não fazem parte da realidade que o Quo Vadis tucano pretende conjurar.
Confesso que eu quase paro a escrita aqui - para que perder tempo? -, não fosse a interrogação que me faço sempre quando leio essas patuscadas de ex-qualquer coisa no Brasil: Por que, céus, neste país, ex-presidentes sem ter fundamento do que dizer não aposentam a língua, como é costume em terras situadas acima do Trópico de Câncer?
Mas, sem resposta que me convencesse, e após reler o artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, não posso deixar de ver ecos do que a imprensa e os opositores da extinta UDN publicaram sobre Getúlio Vargas, em sua fase de presidente constitucional, nos dias da chamada República do Galeão. Vê-se no artigo de FHC que mudam os tempos e os personagens, mas a inspiração, os argumentos e os objetivos são os mesmos que outrora denunciaram o desespero de quem vê no golpismo a salvação de um projeto retrógrado para o país, a qualquer custo moral.
Não à toa, o mesmo FHC buscou desmoralizar Lula pela crise econômica, com base na afirmação presidencial de que entre nós o tsunami norte-americano se converteria em marola. Pois mal decorridos seis meses, sem qualquer efeito prático da mal calculada crítica anterior, eis que sem pejo comparece diante de nós um FHC, com a originalidade de uma indisfarçavel bolinha vermelha no nariz, alucinado em sua mesopotâmica insistência de se tornar o desmoralizador maior do governo Lula, desta feita apostando na roleta uma chance pelo viés pantanoso da política!
Ainda que seja um incorrigível em arrogância e vaidade, sua indisfarçada opção pelo pântano é preocupante até para os mais pacientes Jós da democracia. Logo, o melhor a fazer é aconselhar - mais uma vez! - que FHC vista o pijama e poupe-nos de vê-lo autoexpondo ao rídículo a dignidade do cargo que ocupou, visto que a fantasia de intelectual ele a rasgou ou queimou há muito tempo com as fanfarras afoitas que o tipificam perante a História. Principalmente, porque constatamos que Getúlio está morto, a UDN não existe mais, Lula está vivo e, graças a Deus, revólveres e baionetas não fazem parte da realidade que o Quo Vadis tucano pretende conjurar.
Postado por
Itajaí
às
22:34
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Temas:
Política,
Psicologia
quinta-feira, 9 de julho de 2009
DEPRESSÃO INFANTIL: TERAPIA X DROGA

Imagem: autor desconhecido; 1937 (EUA)
A Organização Mundial da Saúde vem alertando há alguns anos que a taxa de depressão infantojuvenil cresce de modo significativo, chegando ao importante número de 8%, na faixa etária entre 6 e 16 anos.
Os motivos são variados, e parecem oscilar entre a violência urbana e a impossibilidade de brincar em espaços abertos.
Recente trabalho publicado no Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry revela que a saída está na associação de medicamentos antidepressivos e terapia comportamental.
O trabalho dividiu 439 crianças entre 12 e 17 anos em 3 grupos tratados com terapia cognitivocomportamental, antidepressivo (Fluoxetina) ou a combinação de ambos.
Ao cabo de 36 semanas os 3 grupos apresentaram a mesma taxa de eficácia: 60%.
Em relação à possibilidade de recidiva dos sintomas depressivos, a combinação dos 2 métodos parece reduzí-la de modo significativo.
Esta é a segunda ou terceira vez neste ano que tive oportunidade de ver "ressucitada" a psicoterapia dentro da literatura médica, após anos de questionamentos, principalmente nos trabalhos de origem norteamericana.
Sem dúvida a força da indústria farmacêutica não pode aniquilar de uma só tacada as idéias do velho Sigmund.
Freud não morreu!
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Sofrimento psíquico e trabalho hospitalar
Este é o título do trabalho publicado pelos psicólogos Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira e Ana Cleide Guedes Moreira na Pulsional - Revista de Psicanálise. Abaixo, um trecho do abstract do trabalho.
O objetivo deste artigo consiste em analisar de que forma o sofrimento psíquico dos(as) trabalhadores(as) de um hospital público é influenciado pela relação destes trabalhadores com os pacientes e a organização do trabalho.
Para obtê-lo na íntegra em PDF, clique aqui.
O objetivo deste artigo consiste em analisar de que forma o sofrimento psíquico dos(as) trabalhadores(as) de um hospital público é influenciado pela relação destes trabalhadores com os pacientes e a organização do trabalho.
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