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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Ele mesmo

Lendo a edição de hoje do Diário do Pará, percebe-se com clareza que o PMDB está sendo ele mesmo, nada mais que o PMDB de sempre.

Em notas sucessivas, faz críticas ácidas e levanta suspeições contra o governo tucano, a quem deu sustentação desde o primeiro momento. Mas como já estamos em pleno clima pré-eleitoral (!!!) e o rompimento entre as duas legendas já foi anunciado, porque a turma do Jáder deve se coligar com o PT, como em âmbito nacional, de repente o jornal que nosso saudoso Juvêncio de Arruda chamava de folha sobrancelhuda mudou a redação.

O negócio é nunca perder um bom negócio. Ora se negocia com o PT, supostamente com vistas a lançar o nome de Helder Barbalho ao governo (e Paulo Rocha para o Senado), ora se causa um constrangimento para os tucanos, que, a despeito de seu inexpressivo governo, têm fortes chances de reeleição porque dispõem da máquina pública para usar como coisa privada.

Em suma, de um lado ou de outro, eu quero é me dar bem.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Fina ironia



O vídeo acima foi pescado do Blog do Sakamoto, que hoje critica a intolerância e os interesses ocultos na abordagem do homossexualismo pela mídia .
Apesar da seriedade do tema, o vídeo não deixa de ser engraçado, no melhor estilo Monty Pithon.

terça-feira, 8 de maio de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Todos somos Lúcio Flávio Pinto


Os componentes do Flanar resolveram aderir à campanha que busca angariar fundos para pagar a condenação que foi imposta pela Justiça Paraense ao jornalista Lúcio Flávio Pinto na Ação Ordinária de Indenização n. 0003791-93.2000.814.0301, em tramitação pela 1ª Vara Cível de Belém.

As razões primeiras para que adotássemos essa postura são aquelas descritas no post O grileiro, mesmo morto, vencerá? e em um texto do próprio Lúcio, que pode ser lido aqui: http://www.twitlonger.com/show/ftq7va.

Lúcio Flávio Pinto merece o reconhecimento de todos aqueles que vivem na Amazônia. Ele é o verdadeiro curupira, o ser mitológico que defende a floresta. Nós, amazônidas, nossos filhos e netos teremos muito a agradecer-lhe, se esta luta não for em vão. Para que ela não seja debalde, precisamos nos mobilizar. Poucos têm a força hercúlea que este homem, de físico mirrado, demonstra ter na busca e demonstração da verdade que todos precisamos conhecer.

Mais que isso, porém, acreditamos que essa atitude tem também uma razão afetiva. No meio de tanta pancada, cremos que a mobilização de tantos quanto acreditam e confiam no trabalho do Lúcio representará para ele um afago, um sinal de que ele não está só, e que pode contar com nossa força sempre.

Sendo assim, um link permanente foi adicionado à lateral do blog, com o banner da campanha. Para participar, deposite qualquer quantia na conta-poupança do Banco do Brasil n. 22.108-2, agência 3024-4, em nome de Pedro Carlos de Faria Pinto, irmão do Lúcio. Para quem pretende fazer um DOC, o CPF do titular é o 212.046.162-72.

Vamos em frente!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O grileiro, mesmo morto, vencerá?

Reproduzo abaixo o artigo que o jornalista Lucio Flavio Pinto escreveu no último sábado e foi divulgado por diversas mídias, na internet. É mais um duro golpe na luta que LFP trava contra os grileiros na Amazônia, onde seu grito solitário é muitas vezes mais eficiente que qualquer ato estatal.

É um pouco longa para esse espaço, mas sua leitura é necessária.

O Grileiro vencerá?
Lúcio Flávio Pinto
(11 de fevereiro de 2012)
Como já é do conhecimento público, em 1999 escrevi uma matéria no meu Jornal Pessoal denunciando a grilagem de terras praticada pelo empresário Cecílio do Rego Almeida, dono da Construtora C. R. Almeida, uma das maiores empreiteiras do país, com sede em Curitiba, no Paraná. Embora nascido em Óbidos, no Pará, Cecílio se estabeleceu 40 anos antes no Paraná. Fez fortuna com o uso de métodos truculentos. Nada era obstáculo para a sua vontade.

Sem qualquer inibição, ele recorreu a vários ardis para se apropriar de quase cinco milhões de hectares de terras no rico vale do rio Xingu, no Pará, onde ainda subsiste a maior floresta nativa do Estado, na margem direita do rio Amazonas, além de minérios e outros recursos naturais. Onde também está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte, para ser a maior do país e a terceira do mundo.

Os 5 milhões de hectares já constituem território bastante para abrigar um país, mas a ambição podia levar o empresário a se apossar de área ainda maior, de 7 milhões de hectares, o equivalente a 8% de todo o Pará, o segundo maior Estado da federação brasileira. Se fosse um Estado, a “Ceciliolândia” seria o 21º maior do Brasil.

Em 1996, na condição de cidadão, atendi a um chamado do advogado Carlos Lamarão Corrêa, diretor do Departamento Jurídico do Iterpa (Instituto de Terras do Pará), e o ajudei a preparar uma ação de anulação e cancelamento dos registros das terras usurpadas por C. R. Almeida, com a cumplicidade da titular do cartório de registro de imóveis de Altamira e a ajuda de advogados inescrupulosos. A ação foi recebida pelo juiz da comarca, Torquato de Alencar, e feita a averbação da advertência de que aquelas terras não podiam ser comercializadas, por estarem sub-judice, passíveis de nulidade.

Os herdeiros do grileiro podem continuar na posse e no usufruto da pilhagem, apesar da decisão, porque a grilagem recebeu decisão favorável dos desembargadores João Alberto Paiva e Maria do Céu Cabral Duarte, do Tribunal de Justiça do Estado. Deve-se salientar que essas foram as únicas decisões favoráveis ao grileiro nas instâncias oficiais, que reformaram a deliberação do juiz de Altamira.

Com o acúmulo de informações sobre o estelionato fundiário, os órgãos públicos ligados à questão foram se manifestando e tomando iniciativas para evitar que o golpe se consumasse. A Polícia Federal comprovou a fraude e só não prendeu o empresário porque ele já tinha mais de 70 anos. O próprio poder judiciário estadual, que perdeu a jurisdição sobre o caso, deslocado para a competência da justiça federal, a partir daí, impulsionado pelo Ministério Público Federal, tomando rumo contrário ao pretendido pelo grileiro, interveio no cartório Moreira, de Altamira, e demitiu todos os serventuários que ali trabalhavam, inclusive a escrivã titular, Eugênia de Freitas, por justa causa.

Carlos Lamarão, um repórter da revista Veja (que chegou a ser mantido em cárcere privado pelo empresário e ameaçado fisicamente) e o vereador Eduardo Modesto, de Altamira, processados na comarca de São Paulo por Cecílio Almeida, foram absolvidos pela justiça paulistana. O juiz observou que essas pessoas, ao invés de serem punidas, mereciam era homenagens por estarem defendendo o patrimônio público, ameaçado de passar ilicitamente para as mãos de um particular.

De toda história, eu acabei sendo o único punido. A ação do empreiteiro contra mim, como as demais, foi proposta no foro de São Paulo. Seus advogados sabiam muito bem que a sede da ação era Belém, onde o Jornal Pessoal circula. Eles queriam deslocar a causa por saberem das minhas dificuldades para manter um representante na capital paulista. A juíza que recebeu o processo, a meu pedido, desaforou a ação para Belém, como tinha que ser. Hoje, revendo o que passei nestes 11 anos de jurisdição da justiça do Pará, tenho que lamentar a mala suerte de não ter ficado mesmo em São Paulo, com todas as dificuldades que tivesse para acompanhar a tramitação do feito.

A justiça de São Paulo foi muito mais atenta à defesa da verdade e da integridade de um bem público ameaçada por um autêntico “pirata fundiário”, do que a justiça do Pará, formada por homens públicos, que deviam zelar pela integridade do patrimônio do Estado contra os aventureiros inescrupulosos e vorazes. Esta expressão, “pirata fundiário”, C. R. Almeida considerou ofensiva à sua dignidade moral e as duas instâncias da justiça paraense sacramentaram como crime, passível de indenização, conforme pediu o controverso empreiteiro.

Mesmo tendo provado tudo que afirmei na primeira matéria e nas que a seguiram, diante da gravidade do tema, fui condenado, graças a outro ardil, montado para que um juiz substituto, em interinidade de fim de semana, pela ausência circunstancial da titular da 1ª vara cível de Belém, sem as condições processuais para sentenciar uma ação de 400 páginas, me condenasse a pagar ao grileiro indenização de 8 mil reais (em valores de então, a serem dramaticamente majorados até a execução da sentença), por ofensa moral.

A sentença foi confirmada pelo tribunal, embora a ação tenha sido abandonada desde que Cecílio do Rego Almeida morreu, em agosto de 2008; mesmo que seus sucessores ou herdeiros não se tenham habilitado; mesmo que o advogado, que continuou a atuar nos autos, não dispusesse de um novo contrato para legalizar sua função; mesmo que o tribunal, várias vezes alertado por mim sobre a deserção, tenha ignorado minhas petições; mesmo que, obrigado a extinguir a minha punibilidade, arquivando o processo, haja finalmente aberto prazo para a habilitação da parte ativa, que ganhou novo prazo depois de perder o primeiro; mesmo que a relatora, confrontada com a argüição da sua suspeição, que suscitei, diante de sua gravosa parcialidade, tenha simplesmente dado um “embargo de gaveta” ao pedido, que lhe incumbia responder de imediato, aceitando-o ou o rejeitando, suspendendo o processo e afastando-se da causa; mesmo que tudo que aleguei ou requeri tenha sido negado, para, ao final, a condenação ser confirmada, num escabroso crime político perpetrado pela maioria dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Pará que atuaram no meu caso, certamente inconformados com críticas e denúncias que tenho feito sobre o TJE nos últimos anos, nenhuma delas desmentida, a maioria delas também completamente ignorada pelos magistrados citados nos artigos. Ao invés de cumprir as obrigações de sua função pública, eles preferem apostar na omissão e na desmemoria da população. E no acerto de contas com o jornalista incômodo.

Depois de enfrentar todas as dificuldades possíveis, meus recursos finalmente subiram a Brasília em dezembro do ano passado. O recurso especial seguiu para o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Ari Pargendler, graças ao agravo de instrumento que impetrei (o Tribunal do Pará rejeitou o primeiro agravo; sobre o segundo já nada mais podia fazer).

Mas o presidente do STJ, em despacho deste dia 7, disponibilizado no dia 10 e a ser publicado no Diário da Justiça do dia 13, negou seguimento ao recurso especial. Alegou erros formais na formação do agravo: “falta cópia do inteiro teor do acórdão recorrido, do inteiro teor do acórdão proferido nos embargos de declaração e do comprovante do pagamento das custas do recurso especial e do porte de retorno e remessa dos autos”.

Recentemente, a justiça brasileira impôs novas regras para o recebimento de agravos, exigindo dos recorrentes muita atenção na formação do instrumento, tantos são os documentos cobrados e as suas características. Podem funcionar como uma armadilha fatal, quando não são atendidas as normas formais do preparo.

A falta de todos os documentos apontada pelo presidente do STJ me causou enorme surpresa. Participei pessoalmente da reunião dos documentos e do pagamento das despesas necessárias, junto com minha advogada, que é também minha prima e atua na questão gratuitamente (ou pró-bono, como preferem os profissionais). Não tenho dinheiro para sustentar uma representação desse porte. Muito menos para arcar com a indenização que me foi imputada, mais uma, na sucessão de processos abertos contra mim pelos que, sendo poderosos, pretendem me calar, por incomodá-los ou prejudicar seus interesses, frequentemente alimentados pelo saque ao patrimônio público.

Desde 1992 já fui processado 33 vezes. Nenhum dos autores dessas ações teve interesse em me mandar uma carta, no exercício de seu legítimo direito de defesa. OJornal Pessoal publica todas as cartas que lhe são enviadas, mesmo as ofensivas, na íntegra. Também não publicaram matérias contestando as minhas ou, por qualquer via, estabelecendo um debate público, por serem públicos todos os temas por mim abordados. Foram diretamente à justiça, certos de contarem com a cumplicidade daquele tipo de toga que a valente ministra Eliana Calmon, Corregedora Nacional de Justiça, disse esconderem bandidos, para me atar a essa rocha de suplícios, que, às vezes, me faz sentir no papel de um Prometeu amazônico.

Não por coincidência, fui processado pelos desembargadores João Alberto Paiva e Maria do Céu Duarte, o primeiro tendo como seu advogado um ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, à frente de uma das mais conceituadas bancas jurídicas do Distrito Federal. O ex-ministro José Eduardo Alckmin, que também advogava para a C. R. Almeida, veio a Belém para participar de uma audiência que durou cinco minutos. Mas impressionou pela sua presença.



O madeireiro Wandeir dos Reis Costa também me processou. Ele funcionou como fiel depositário de milhares de árvores extraídas ilegalmente da Terra do Meio, que o Ibama apreendeu em Altamira. Embora se declarasse pobre, ele se ofereceu para serrar, embalar e estocar a madeira enquanto não fosse decidido o seu destino. Destino, aliás, antecipado pelo extravio de toras mantidas em confinamento no próprio rio Xingu. Uma sórdida história de mais um ato de pirataria aos recursos naturais da Amazônia, bem disfarçado.

Apesar de todas essas ações e do martírio que elas criaram na minha vida nestes últimos 20 anos, mantenho meu compromisso com a verdade, com o interesse público e com uma melhor sorte para a querida Amazônia, onde nasci. Não gostaria que meus filhos e netos (e todos os filhos e netos do Brasil) se deparassem com espetáculos tão degradantes, como ver milhares de toras de madeira de lei, incluindo o mogno, ameaçado de ser extinto nas florestas nativas amazônicas, nas quais era abundante, sendo arrastadas em jangadas pelos rios por piratas fundiários, como o extinto Cecílio do Rego Almeida. Depois de ter sofrido todo tipo de violência, inclusive a agressão física, sei o que me espera. Mas não desistirei de fazer aquilo que me compete: jornalismo. Algo que os poderes, sobretudo o judiciário do Pará, querem ver extinto, se não puder ser domesticado conforme os interesses dos donos da voz pública.

Vamos tentar examinar o processo e recorrer, sabendo das nossas dificuldades para funcionar na justiça superior de Brasília, onde, como regra, minhas causas sempre foram vencedoras até aqui, mesmo sem representação legal junto aos tribunais do Distrito Federal.

Decidi escrever esta nota não para pressionar alguém nem para extrapolar dos meus direitos. Decisão judicial cumpre-se ou dela se recorre. Se tantos erros formais foram realmente cometidos no preparo do agravo, o que me surpreendeu e chocou, paciência: vou pagar por um erro que impedirá o julgador de apreciar todo meu extenso e profundo direito, demonstrado à exaustão nas centenas de páginas dos autos do processo. Terei que ir atrás da solidariedade dos meus leitores e dos que me apoiam para enfrentar mais um momento difícil na minha carreira de jornalista, com quase meio século de duração. Espero contar com a atenção das pessoas que ainda não desistiram de se empenhar por um país decente.
Belém (PA), 11 de fevereiro de 2012
LÚCIO FLÁVIO PINTO
Editor do Jornal Pessoal

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Franssinete Florenzano e a censura

A propósito da postagem Solidariedade a Franssinete Florenzano, a própria jornalista fez o comentário abaixo que, por sua pertinência e importância, sobe à ribalta (grande Juvêncio de Arruda):

Queridos Francisco, Edyr, Marise, Carlos, Yúdice e Silvina, muitíssimo obrigada, de coração, por suas palavras.

Confesso que tudo isso me deixou muito abalada, nunca pensei que um dia a coação moral e a censura fossem estender seu manto de forma tão odiosa sobre meu trabalho, ainda mais na forma como aconteceu no TCE-PA.

Não quis me pronunciar por causa do meu estado emocional. E também para não alimentar comentários maldosos de que eu estaria resistindo à exoneração.

Foram muitas as manifestações públicas, a começar do Sindicato dos Jornalistas, dos blogueiros e colegas jornalistas, além de amigos e até desconhecidos, no twitter e no Facebook, mensagens, e-mails e telefonemas.

Vejo, pela posição de Annita, que devo fazer um post esclarecendo de uma vez por todas o que aconteceu. É incrível como há quem pense que cargo público é um feudo, e que servidor é um empregado pessoal.

Não. Não é assim. Sou servidora pública. Tenho 28 anos de serviços prestados ao Estado do Pará, não a governos nem a particulares. Se as coisas ainda acontecem dessa forma repugnante, é por causa do entendimento colonial que infelizmente perdura, inclusive na cabeça de gente dita esclarecida.

No serviço público, só se deve fazer o que está previsto em lei. E não me consta que a Constituição tenha sido revogada nos seus dispositivos acerca das liberdades individuais, da livre manifestação e expressão do pensamento, e da liberdade de imprensa.

Meu abraço fraterno e agradecido.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Solidariedade a Franssinete Florenzano

A triste notícia da morte de Steve Jobs acabou por ofuscar um pouco outra má notícia, essa bem mais próxima de nós: a de que a administração do Tribunal de Contas do Estado sucumbiu à pressão do vereador Gervásio Morgado e exonerou a jornalista Franssinete Florenzano da assessoria do TCE, fazendo-a retornar a seu órgão de origem, a Assembleia Legislativa.

Para quem não acompanhou o imbroglio, Franssinete, que edita o blog e o jornal Uruá-Tapera, passou a ter sua cabeça a prêmio depois de denúncias feitas contra o vereador na internet. Como de hábito entre os poderosos da terra, em lugar de responder às acusações e prestar contas ao eleitorado, Morgado optou pelo caminho mais vil: pediu a exoneração da jornalista ao presidente do TCE e a obteve, no que teve como cúmplices outros edis, inclusive o presidente da Câmara Municipal de Belém.

Presto minha solidariedade irrestrita a Franssinete, fazendo minhas as palavras do professor Fábio Castro, que em seu Hupomnemata, definiu de maneira exata a questão:

A jornalista Franssinete Florenzano, editora do blog Uruá-Tapera e do jornal de mesmo nome foi exonerada do Tribunal de Contas do Estado por motivos políticos.

Franssi é uma jornalista competente, uma profissional honrada e dedicada ao seu trabalho. Há muito tempo vem sendo perseguida pelos poderes sujos do estado do Pará. Em episódios sucessivos, tem tido seu trabalho de jornalista cerceado. Dentre outros, pelo ex-deputado federal Vic Pires Franco (DEM); pelo atual governador Simão Jatene (PSDB), durante a campanha de 2010; pelo vereador Raimundo castro, presidente da Câmara Municipal de Belém e, ainda, pelo vereador Gervásio Morgado (PP). Recentemente, começou a receber ameaças anônimas.

A demissão da jornalista é resultado da pressão do vereador Morgado sobre o TCE.

Gervásio Morgado, por sua vez, não é um vereador competente. É o autor da proposta de mudar o nome da Travessa Apinagés, o autor de inúmeros atos de perdão de dívidas para com a prefeitura e o mesmo que foi fotografado bebendo cerveja em plena Câmara Municipal.

Esse tipo de situação exige que as pessoas se posicionem. Defender a Franssi é defender a sociedade, pois o trabalho dela é exemplo do jornalismo que interessa à sociedade, ao bem público, ao interesse comum. Um exemplo do jornalismo que não pactua com os interesses pessoais e empresariais que tomam a comunicação e a política, traindo, nelas, sua função elementar.

Essa situação é um abuso de poder político e nos leva a perceber o quanto o estado do Pará tem-se tornado refém desses interesses e de seus poderes sujos.

Não temos jornais, rádios ou TVs, mas temos a internet - e justamente é isso que tem incomodado a gente como Gervásio Morgado. Façamos uso dela: de nossos blogs, do Twitter, das redes sociais, enfim, para ajudar a evidenciar a maneira como as elites paraenses, na sua covardia, ganância e arrogância - sim, e na sua ignorância, é claro - têm abusado de prerrogativas públicas e do poder econômico para cometer injustiças e arbitrariedades.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Benedito Nunes no Jornal Pessoal

A última edição do Jornal Pessoal, do jornalista Lúcio Flávio Pinto, traz encartada uma entrevista concedida pelo filósofo Benedito Nunes ao editor, falando sobre sua formação literária e seu amor pelos livros. LFP explica que a reportagem deveria sair no Bandeira 3, antiga publicação sob sua responsabilidade, mas acabou sendo divulgada pela extinta Província do Pará, nos idos dos anos 70.

Mais tarde, por sugestão de Lúcio, a UFPa transformou a reportagem em livreto e o distribuiu aos calouros, em determinado ano, tornando aquela conversa transcrita uma raridade.

Agora, Lúcio Flávio resgatou a entrevista e a dispôs aos leitores do JP. Nela, Benedito fez uma relação de livros essenciais à sua formação, falou de seus autores preferidos, contou como formou sua biblioteca. Em um trecho poético, o filósofo fez notar que uma biblioteca é o organismo vivo, que cresce, tem perdas, aspirações, exige cuidados e, no caso, nasceu antes mesmo de seu proprietário, já que iniciada pelo pai com quem ele não teve contato pessoal.

A história do amor do professor Benedito Nunes aos livros é encantadora. Saber da dedicação à sua biblioteca e da generosidade de fraqueá-la a quem precisava (mesmo ao preço da perda de uns bons exemplares) poderia muito bem nutrir a pretensão de outros que sonham um dia formar torres de conhecimento como aquela que foi construída na Travessa da Estrela.

Parabéns ao Lúcio Flávio pela contribuição à memorabilia paraense. O encarte é para ser guardado como um pequeno tesouro.

Um apelo ao Jornal Pessoal

Aliás, todo o Jornal Pessoal da 1ª quinzena de março está muito bom. Esta edição do JP supera várias das edições anteriores do próprio jornal. Há tempos não se lia um Lúcio Flávio tão provocativo e tão inspirado.

É natural que uma publicação de cunho tão pessoal, escrita por uma única pena, esteja sujeita às vicissitudes daquele que a escreve. Os leitores do JP sabem bem das dificuldades que o solitário redator tem para dar conta das edições quinzenais, e principalmente para garantir-lhes o ótimo nível. A última edição deixou-me a impressão de que sobrou um tempinho a mais, nestes 15 últimos dias, para que LFP burilasse melhor seus artigos. Talvez suas lutas judiciais lhe tenham dado trégua; talvez – pior – tenha sido a dor da perda do mestre, o professor Benedito Nunes, o dínamo que embalou a publicação.

O fato é que algo precisa ser urgentemente dito, em favor do jornal: R$ 3,00 não pagam o serviço público que o JP presta à sociedade paraense. R$ 6,00 por mês são um investimento pífio, mais ainda se se comparar com o R$ 1,00, ou R$ 1,50 diários que Diário do Pará e O Liberal cobram, respectivamente, por suas edições.

Por isso, serei um consumidor que reclamará às avessas: quero que o JP aumente seu preço de capa. Cinco reais por edição seria um valor mais que justo; dez reais mensais se justificam sobremaneira, pela importância que o jornal tem para a sociedade paraense. Uma análise de mercado superficial já seria suficiente para dizer que o público do Jornal Pessoal, os cerca de 1.500 a 2.000 leitores que compram o jornal nas bancas de revista da cidade, detêm capacidade econômica suficiente para arcar com este aumento de 66% do preço de venda – uma bobagem, se notarmos que o JP não reajusta seu preço há uns bons anos.

De quebra, poderíamos ter a oportunidade de nos deleitar mais frequentemente com suplementos como este último, em homenagem a Benedito Nunes. Um suplemento que, por certo, rendeu um sacrifício extra ao solitário redator/editor/repórter do JP.

Por isso, apelo: Lúcio Flávio, reajuste o preço do Jornal Pessoal. Este seu leitor agradeceria.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Tsunami de mau humor


Charge de João Montanaro (Folha de São Paulo)

Às vezes tenho dificuldades para entender a reação das pessoas diante das tragédias, como o recente terremoto e o tsunami no Japão.

A grande maioria corre para o YouTube para ver, rever e divulgar os vídeos. A televisão repete as imagens até a exaustão e a mídia escrita vende muito mais: todos querem ver e comentar o assunto, não conseguindo evitar um certo prazer ao fazê-lo.

E isso acaba sendo rotulado como normal e como politicamente correto, se repetindo tragédia após tragédia.

No sábado, 12/3, o jornal Folha de São Paulo publicou uma charge retratando o tsunami e desencadeou a ira de centenas de leitores. Como pode alguém fazer um desenho sobre a tragédia, perguntou a opinião pública.

O autor, João Montanaro, de 14 anos, baseou-se em clássica xilogravura de Katsushika, retratando o tsunami de forma inocente, bem longe de fazer uma piada a respeito da onda gigante e de suas conseqüências, ou de desrespeitar as vítimas e suas famílias.

Na minha opinião pessoal, a imagem algo poética criada por Montanaro nos faz pensar e refletir sobre os acontecimentos e a recepção negativa exagerada dos leitores reflete apenas a hipocrisia, a chatice e o mau humor coletivo: um verdadeiro tsunami de mau senso e paranoia.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Sob Vara, senhor juiz

O nobre magistrado que trata de censurar o jornalista Lúcio Flávio Pinto, exemplo de homem de bem e inigualável profissional, tem que rever sua interpretação da Lei.

O tal Rominho et Caterva, surrupiaram dinheiro público. Isso é crime do colarinho branco. Dá cadeia em qualquer lugar onde as Leis funcionam.

O tal Rominho, faltou a três audiências, na próxima, o douto magistrado o convoca por mandato com urgência.

O mandato senhor juiz, tinha que ser sob Vara. Ele tripudia da justiça ou o senhor magistrado interpreta a lei diferente do que está escrito?

O senhor Sílvio Santos teria, igualmente de ir para a cadeia. O crime que praticou com seu banco Panamericano é contra o sistema financeiro nacional. Uma indecência que o fez lucrar R$ 400 milhões após a quebra tecnicamente da instituição financeira e causar prejuízo de R$ 4 bilhões, informa a imprensa especializada.

Quando esse país tomará rumo com uma Justiça dessa?

Quer dizer que o crime do colarinho branco compensa?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ameaças a Lúcio Flávio continuam

O blog em português da respeitada Knight Foundation (Jornalismo nas Américas) publica hoje uma matéria dando conta das ameaças judiciais a Lúcio Flávio Pinto, por conta de reportagens feitas por Lucio sobre um processo judicial contra o grupo O Liberal.

Segundo informações do blog e do Diário Online, Lucio Flavio está sendo processado por escrever uma matéria no Jornal Pessoal a respeito de um processo movido (em sigilo judicial) pelo Ministério Publico contra Romulo Maiorana Junior e Ronaldo Maiorana. Eles estariam sendo denunciados pelo Ministerio Publico por suposto "crime contra o sistema financeiro nacional".

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mamãe, eu quero...

Quando penso que o semanário Veja já chegou ao fundo do poço, eis que se abre um alçapão para os recônditos mais obscuros da alma de seus redatores.

Lula, agora, entrou em uma espécie de Index Nominem Prohibitorum. Não se menciona mais seu nome nas páginas da revista. Luís Inácio agora é tão somente "o ex-presidente".

Está faltando pipo na casa do Roberto Civita.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O "The Daily" mal chegou e já vai?

The Daily, em captura de tela feita agora há pouco
Há cerca de 1 semana, acompanhei calado a iniciativa de mais um magnata da imprensa americana, Rupert Murdoch. Dono do New York Post e de outras empresas, ele lançava em NYC um  agregador de notícias diárias com enorme estardalhaço na imprensa especializada. Trata-se do The Daily, um aplicativo para o iPad, (com assinatura anual de 40 dólares ou semanal de 1 dólar) que se propõe a substituir os jornalões convencionais e transformar o iPad agora em companheiro matinal do breakfest americano.
Em meio ao festejado lançamento, o The Daily era oferecido gratuitamente por um período experimental de 2 semanas de uso. Estimulado pela mídia que acompanha o iPad, baixei e passei a experimentá-lo. 
Logo de início, causou-me espécie o longo tempo de download de conteúdo. De imediato, atribuí esta "sensação" as nossas combalidas conexões locais à internet, que jamais poderão deixar de ser consideradas em experiências deste gênero. Contudo, dias após, comecei a ler comentários desfavoráveis na própria mídia americana, consumidora voraz deste tipo de produto. Todos reclamando do mesmo vício de origem: lentidão. Houve até quem o submetesse a vergonhosas avaliações, que parecem atingi-lo no fígado. Um usuário chegou a comparar o tempo que levava entre ir até a banca de jornais mais próxima e o final do longo carregamento do The Daily. Logo, ele já estava lendo a versão impressa de seu jornal favorito, enquanto o aplicativo ainda terminava de carregar conteúdo. 
Neste ponto, já seria cômico se não fosse trágico. Mas hoje, o Observatório de Imprensa vem com um artigo assinado pelo jornalista Paulo Rebêlo, que parece demolir completamente a iniciativa de Murdoch, naquilo que ele teria de mais crucial: a qualidade da informação. Veja o que ele diz.

Disponível, por enquanto, exclusivamente para leitores-usuários nos Estados Unidos, o Daily não passa de versão reduzida e mesclada, bem colorida e obviamente multimídia, do New York Post, um jornal de segunda (para alguns, de quinta) categoria da News Corp. de Murdoch, a mesma dona da Fox, Sky, DirecTV — e a lista segue. O New York Post vende bem, a exemplo de todos os jornais populares no mundo, inclusive no Brasil. Se, para o mercado, vender bem é sinônimo de bom jornalismo, o Daily é um sucesso: muitas fotos do mundo fashion, fofocas de celebridades e "matérias" bem curtas cujo conteúdo perde lugar para a forma.

Sendo assim, parece que ainda não veremos em termos de informação, algo que seja de fato interessante, à ponto de nos cobrar uma assinatura mensal ou anual. E neste sentido, existe um aplicativo inteiramente gratuito, que apesar de não exatamente fornecer o tipo de informação que agrade a todos, ao menos permite que o usuário personalize exatamente aquilo que teria maior probabilidade de gostar de ler.  Trata-se do modesto Flipboard. Com ele, além de acessar algumas publicações escolhidas no mundo online, você pode agregar redes sociais como o Twitter e o cada vez mais onipresente Facebook. Entre as publicações online disponíveis citamos CNN, ABC News, USA Today, BBC World News, The New York Times Photojournalism Picks, etc.  Há várias opções na área de tecnologia como Wired, CNET, Gizmodo, Engadget, All Things Digital, MacStories, entre outros. E há também opções muito interessantes como o National Geographic e o The Lonely Planet. Enfim, trata-se de um agregador de informações normalmente disponíveis online, sem que para isso, você precise necessariamente desembolsar um só centavo de dólar.
Mas não é só isso que parece estar no caminho do magnata americano. Se você acessar o The Daily Indexed, um website que resolveu beber na mesmíssima fonte do aplicativo de Murdoch, vai acessar o mesmíssimo tipo de informação disponível no The Daily, sem também pagar um centavo. Até quando, não se sabe, mas ele ainda está lá.
Enquanto isso, que fim estará reservado para o The Daily, no atual cenário? Melhor esperar para ver. Sem pagar.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A Ética Liliputiana das Vozes dos Donos

Colunistas de O Globo, JB, Estadão e Folha que se notabilizaram nesta campanha pelo moralismo e zelo ético, condenando os comportamentos de Lula, não acharam eticamente necessário condenar a baixaria de Serra. Esssa é a transcrição da chamada do texto "A Ideologia da Ética Jornalística", que Bernardo Kucinski publicou na revista eletrônica Carta Maior. Aqui.

O PIG existe?

Sempre impliquei com a expressão PIG, iniciais do tal "partido da imprensa golpista", cunhada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim para nomear uma suposta orquestração da grande imprensa contra Lula e seu governo.

Apesar da má vontade evidente de vários órgãos de imprensa para com o presidente, notadamente a hebdomadária Veja e o jornal Folha de São Paulo, "partido" e "golpista" me pareciam expressões superlativas para a realidade, que evidencia uma tomada de posição travestida de noticiário (e por isso não explícita), mas não um concerto destinado a subverter, perverter ou tomar de assalto as instituições.

Lúcio Flávio Pinto espelha esta mesma dúvida, em artigo publicado no blog do santareno O Estado do Tapajós. Recomendo a leitura.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Decifra-me, ou Devoro-te

Luís Nassif pretende interpretar a revista Veja. Vale a pena a leitura dos textos que iniciam com o seguinte parágrafo:
O maior fenômeno de anti-jornalismo dos últimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja. Gradativamente, o maior semanário brasileiro foi se transformando em um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando que suas páginas e sites abrigassem matérias e colunas do mais puro esgoto jornalístico.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Al Jazeera em Belém

Dois jornalistas da poderosa Al Jazeera estão em Belém, onde devem passar 2 dias. Na pauta Belo Monte e a visita de Lula à capital paraense.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Adeus ao JB

Hoje é um dia marcante para a memória jornalística brasileira: o Jornal do Brasil, mais que centenário diário brasileiro, em cujas páginas escreveram Rui Barbosa, José Veríssimo, Joaquim Nabuco, dentre muitas outras personalidades nacionais, circula pela última vez em edição impressa.

Desde quando vendido pela família Pereira Carneiro, sob administração do lendário Nascimento Brito, em quadro de grave crise financeira, o JB nunca mais se reergueu. O jornalão começou a murchar a partir do fim ditadura de 64/85, que apoiou desde o primeiro momento, em 1964, quando publicou o célebre editorial de 1o de abril, em que defendeu a deposição de João Goulart.

Sem prestígio, o JB, em sua última fase, chegou a ser descredenciado pelo Instituto Verificador de Circulação, o IVC, na mesma pecha que atingiu O Liberal, em Belém - este, vergonhosamente desassociado por divulgar falsos números de circulação diária, segundo se veiculou à época.

Agora, o Jornal do Brasil estará presente somente na internet. Resta saber se esta é uma tendência da imprensa brasileira, em razão dos novos formatos de mídia baseados na internet, ou se o ocaso do JB é um fato isolado.

Quem viver, verá.

De Ajuruteua para o mundo?

A bragantina Elisany Silva, de 14 anos e 2,06 de altura, ganha as páginas dos jornais e sites do mundo. Hoje foram os jornais DeMorgen e Gazet Van Antwerpen, dois dos mais lidos jornais belgas, que publicaram a foto ao lado.
O jornais flamengos contam a história da menina que, segundo suspeitas médicas, pode ter um tumor na glândula hipófise que a fez crescer de maneira excessiva. O que mais comove, nas reações dosleitores, é que a adolescente não consegue mais ir à escola no pequeno ônibus que faz o transporte escolar entre a vila de Ajuruteua, onde ela mora, e a sede do município. Ela teria um convite para desfilar agora em setembro, depois que sites de moda disseram que ela poderia ser uma modelo internacional. Nos seus 15 minutos de fama, ela já aparece em sites russos, americanos, ingleses, espanhóis, poloneses. E sempre a reação dos leitores, pelo menos nos sites Europeus, é que a adolescente paraense deve primeiro cuidar da saúde para depois sonhar com o glamour das passarelas.