quarta-feira, 5 de julho de 2006

Alegria em BUE

Os argentinos fizeram um grande "buzinaço" na Av. 9 de Julho ontem á noite em comemoração a derrota espetacular da Alemanha frente a Itália. Ver a cara fria do técnico alemão em frente as câmeras e o desapontamento da primeira ministra alemã, definitivamente, não tem preço.
Brava Itália!

terça-feira, 4 de julho de 2006

Velhas doenças


La Boca e o Caminito - Passeio obrigatório para
os visitantes de primeira vez a BUE. Enfadonho
para quem já o fez em outras oportunidades.



San Telmo e suas belas casas antigas


Museu Argentino de Ciências
Naturais


Quanto gatos você consegue contar só na frente
do museu?

Buenos Aires, 4 de Julho de 2006
Temperatura: 17 graus
Nublado com névoa seca

Sim. Mas ao longo do dia a temperatura foi aumentando, o sol apareceu no final da tarde e nós, vestidos com 3 camadas para o mais rigoroso inverno (mania adquirida em Bariloche). Chegamos ao hotel com apenas calça e camisa e um bolo de roupas de frio nas mochilas. Conforta-nos ouvir o taxista dizer:
- Bueno! Aquí en Buenos Aires siempre estamos con algún pullover pues la temperatura puede cambiarse de un solo golpe.
Aliás os taxistas idosos são um espetáculo à parte. Sempre prestimosos e faladores, comportam-se como guias turísticos improvisados, geralmente dando-nos dicas de bons lugares para visitar, sob a preciosa ótica portenha.
Por eles, pudemos sentir que eles odeiam os argentinos do interior, bem como os paulistas os nordestinos e os novaiorquinos talvez os americanos de New Jersey e imigrantes de todo o resto do mundo.
A alegação é sempre a mesma: "só vem aqui para praticar crimes e tirar o emprego dos habitantes locais", entre outras alegações variadas e talvez impublicáveis.
Concluo que talvez este seja o comportameto típico das grandes e problemáticas cidades. Mas dizem receber bem os turistas. Digamos que até o momento, não temos do que reclamar.
Após visitar detalhadamente o belíssimo bairro de San Telmo, passar burocraticamente por La Boca (apenas para almoçar no "Il Materello", restaurante italiano muito querido por nós), fomos levar as crianças no Museu de História Natural onde vimos os famosos fósseis de dinossauros argentinos. Encontrados única e exclusivamente nesta região, entre eles destacam-se a preguiça e o tatu gigantes. Este último, muito frequente outrora na região, chegou a ser encontrado até durante a escavação da linha D do metrô, em plena capital.
Chama-nos a atenção, a grande quantidade de gatos nos locais públicos. São gordos, cheios de pelos, amáveis e parecem viver em comunidades. Nos jardins do Museu, pudemos contar cerca de 30 gatos. No cemitério da Regoleta vivem aos montes. Parece mesmo uma praga ou um animal sagrado como as vacas na Íìndia. Diferentes. Bem diferentes dos esqueléticos bichanos de Belém.

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Diferenças abissais

Prometi em "posts" anteriores não tocar mais no assunto mas, vamos aos fatos.
No café-da-manhã de hoje, vi a seleção argentina ser recebida efusivamente no aeroporto de Ezeiza por cerca de 5000 pessoas. Heróis nacionais.
Enquanto isso, no Brasil, como chegarão os nossos "guerreiros"? E como serão recebidos?
Comentem, por favor.

Nuvens baixas com Gardel




Palermo - Parque enorme com grandes
caminhadas entre belas árvores e
cachorros.


No bairro de Abasto, um shopping moderno
contrasta com casas antigas e a onipresença
de Carlos Gardel. Símbolo máximo do
tango argentino.


Sua música está na fachada das casas...


...placas de rua


E no Museo Casa de Carlos Gardel


Dentro, utensílios pessoais, cartas, música original
de fundo, dependências originais conservadas e a
história de sua trágica morte em acidente aéreo.


A seguir, exemplos de fileteado no bairro de Abasto,
a Lapa de Buenos Aires.







Tempo nublado, com nuvens baixas e uma névoa densa encobria os prédios prejudicando inclusive a visibilidade horizontal até cerca de 400 metros. Temperatura no entanto, permanece agradável, em torno de 15 graus. Cor predominante é o cinza que não ajuda as fotos coloridas. Resolvemos então encarar o metrô ("subte", como é chamado por aqui) para chegar até o distante bairro de Palermo. Para isso utilizei pela primeira vez um programinha para o "handheld" (no meu caso Pocket PC) chamado Metro. Basta escolher a cidade do mundo, escolher a estação de origem e a estação de destino que o programa mostra o melhor caminho. Muito recomendado para viajantes.
Chegamos então em Palermo, com seu enorme parque, seus plátanos desfolhados, lagos com gansos, seu planetário e as matilhas de cães de raça. É isso mesmo: matilhas. Os descolados da cidade, sem tempo de passear com seus cães, pagam cerca de 100 dólares mensais por cão para que outras pessoas o façam. E há muitos cães e muita gente ganhando a vida com isso. Cada tratador leva de 6 a 8 cães em coleiras. Muito cuidado ao andar no parque pois, o que tem de titica de cachorro no chão, não é normal.
Em seguida, após caminharmos cerca de 3 quilômetros, decidimos ir ao bairro de Abasto, local onde morou Carlos Gardel, um bairro que me lembrou a Lapa, no Rio de Janeiro. Mas a arte predominante nas casas antigas, esquinas, placas de ônibus, etc é conhecida como "fileteado". Um estilo de decorar as casas com pinturas manuais com curvas sinuosas e bem coloridas, dando ênfase aos rebuscados traçados com detalhes milimetricamente apostos em fundos de cores fortes. Fotografei vários destes detalhes. Conhecemos a casa de Carlos Gardel e fizemos contato com uma interessante característica dos portenhos: a paixão, a criação e cultivo de mitos a exemplo de Evita, Peron, Maradona, Boca Juniores entre tantos outros. Tem gente que sobe no túmulo de Gardel e se diz incorporado por ele. Plaquetas com agradecimentos por supostas curas de doenças e "graças alcançadas". Sem brincadeira ou desrespeito me lembrei da Severa Romana, Escrava Anastácia, etc.
Como todo habitante de grandes metrópoles, os portenhos são desconfiados mas de um modo geral, tem sido atenciosos. Mas tem um ou outro #$%*& que foge a regra.
Um motorista de táxi me deu uma aula de política local em apenas 20 minutos de corrida até o bairro de Mataderos ontem. Óbvio que não é científico nem desejável que daí eu conclua que eles são mais politizados etc e tal. Mas que são históricamente lutadores talvez o sejam. Contudo, em meio a tantos exemplos de boa conduta, vemos traços de maus exemplos latinos. Na Argentina, não é obrigatório o uso de cinto de segurança. E o pior é que poucos o usam mesmo. Uma lástima. Mas andar com elegância européia, eles andam.
Coisas difíceis de explicar mas em nada semelhantes ao que se vê em Nova Deli, para citar o titular do Quinta Emenda.
Em Nova Deli, o que se vê são os "brócolis laranja" do quasímodo Dudu e suas cápsulas espaciais desumanas e calorentas da Guarda Municipal. Além é claro do total desrespeito ao patrimônio histórico.
Neste sentido, mais uma vez vitória da argentina.
Brava. Muito brava!

domingo, 2 de julho de 2006

Na metrópole


Aeroporto de Bariloche - Lotado de Brasileiros


Hotel Hispano - Simples, barato e sua
fachada aparentemente despojada,
esconde as surpresas de seu interior.


Seu lobby rosado com azulejos espanhóis e
internet com e sem fio, é a grande surpresa
deste hotel.


A pequena seta vermelha mostra onde fica o
nosso quarto no final do lobby.


Deste cantinho no Hispano, eu mando os posts
para o blog.


Feira de Mataderos - Lá pode-se comprar
plaquinhas com fileteado argentino


Dançando ou palmeando...


...todos participam da festa


Olha só a cara deste casal curtindo suas
tradições.


Buenos Aires, 02 de Julho de 2006
Altitude: 13 metros
Temperatura: 20 graus

Chegamos ontem à noite em BUE após uma longa viagem, com espera de 2 horas no aeroporto de Bariloche, lotado de brasileiros. Passamos o jogo do Brasil inteiro em vôo. O que acabou por ser muito bom, tendo em vista o resultado lastimável e a terrível performance da seleção brasileira. Ficamos sabendo dos resultados ao chegar ao Aeroparque, por volta de 18 h, ainda dentro do avião, graças a um brasileiro que ligou o celular e perguntou.
Bueno. O que passou, passou e não se fala mais nisto.
Fomos direto para o hotel que havíamos reservado pela internet. Anotem bem o nome: Hotel Madrid, na Avenida Mayo. Uma espelunca que anuncia bem pela internet mas na verdade é uma grande porcaria. Tivemos que passar a noite de ontem lá mas hoje de manhã nos mudamos para o Hispano, este sim, um hotel legalzinho, com internet wireless e uma bela arquitetura. Além de tudo, baratinho.
Buenos Aires acordou linda, com céu azul e com temperatura de 20 graus. Perfeita para irmos até a Feira de Mataderos, onde entramos num clima de romantismo porteño absoluto.
Músicas típicas, quase sem turistas estrangeiros mas cheia de argentinos curtindo suas tradições e dançando no meio da rua com incensos perfumando todo este cenário. Muitas coisas para vender ao longo de barraquinhas com artigos em prata, couro, comidas típicas e parrillas.
Mataderos é a feira de argentinos para argentinos. Diferente da de San Telmo que é de argentinos para estrangeiros.
Um passeio que recomendaria a todos aqueles que tiverem a felicidade de chegar até aqui.
Agora a noite, iremos até o Centro Cultural Borges ver uma exposição sobre Frida Kahlo e Diego Rivera.
Estamos bem instalados e muito cansados, sin embargo, felizes.
Hasta mañana.

sexta-feira, 30 de junho de 2006

Brava Argentina!


Lago Nahuel Huapi em dia lindo, com os Andes
ao fundo.


O dia bonito, convida os habitantes ao passeio
obrigatório à beira do lago.


Tem que pegar na água gelada pra acreditar
que é de verdade.


E o sol se pondo, apenas um pouco à esquerda
do local de onde surgiu, ao amanhecer.


Águas transparentes, azuladas, com pedras
multicoloridas no fundo.


Bariloche, 30 de Junho de 2006
Altitude: 800 metros
Temperatura: 2 graus
Humidade: 60%

Pela primeira vez em 9 dias, hoje o dia amanheceu lindo, com sol e céu azul total. E quem conhece estes invernos austrais sabe que céu azul é sinônimo de mais frio. De fato os 2 graus (registrados em nosso termômetro digital de viagem que botamos do lado de fora de nossa janela) comprovam que lá fora não está para brincadeira. Reforçamos nossas vestimentas e saímos para um passeio. Um passeio antológico que certamente ficará registrado para sempre em nossa memória (e na câmera digital, é claro). O lago Nahuel Huapi estava lindíssimo, com águas calmas pela ausência absoluta de vento, feito um espelho e as montanhas a oeste estavam totalmente visíveis com seus picos de 2300 metros nevados. Apesar do frio cortante, bem aquecidos, fizemos um passeio à beira do lago absolutamente romântico e inesquecível. As pedrinhas multicoloridas que forram o fundo do lago, em suas águas perfeitamente transparentes, reveladas pela luz do sol intensa, que também batia na lateral das montanhas nevadas, ampliando sua majestade. E também foi interessante notar o sol nascendo a leste e num semi-círculo se pondo um pouco a esquerda do local de onde nasceu no horizonte. Daí as noites serem tão prolongadas por aqui no inverno. Um fenômeno notável e ao mesmo tempo estranho. Acordar cedo por aqui significa sair ainda na escuridão da madrugada até por volta das 9 horas, quando o sol finalmente dá o ar de sua graça.

Bem. Com este céu azul celeste os argentinos de Bariloche acordaram sentindo provavelmente um certo prenúncio de bom resultado no jogo de hoje com a Alemanha. E acreditem. Foi realmente muito triste ver a decepção estampada nos rostos de todos após a derrota por penaltis contra a Alemanha. A Argentina foi brava guerreira em todo o tempo do jogo e buscou a vitória como nunca, fazendo pressão no final da prorrogação. A derrota por penaltis nao lhes fez justiça e os brasileiros de Bariloche torceram muito por eles e foram solidários em sua tristeza. Talvez, quem sabe, para merecer o mesmo colo quando nossa vez chegar.
Enquanto isso, viva a brava Argentina!

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Apreensão


O frio intenso traz o inusitado


Caminhada revela surpresas


Centro Comercial


Museu da Patagônia


Centro Cívico (Prefeitura)


Bariloche, 29 de Junho de 2006
Altitude: 800 metros
Temperatura: 11 graus
Humidade 70%

Na véspera do jogo com a Alemanha, os argentinos de Bariloche nao escondem sua apreensão. Já temendo talvez um mal resultado, alguns alegam que se a Copa do Mundo já nao estiver "reglada" (combinada) para a vitória da Alemanha - dona da casa - a Argentina deve conseguir a vitória amanhã. Saibam entao todos, que se a Argentina perder o jogo, eles afirmarão que a Copa estava "reglada".
Nós, Brasileiros, somos mesmo fanáticos por futebol. Mas nunca a este ponto.

Hoje o dia amanheceu nublado como sempre mas a temperatura estava muito agradável. Só no meio da tarde, caiu aquela garoazinha fria que "sin embargo" não prejudicou um excelente passeio a pé pela cidade. Estadia em Bariloche, acredito que 4 dias seja suficiente. Afinal, após vencermos os principais atrativos turísticos da cidade, só nos restam os 800 metros do centro comercial para fazer compras, que talvez sejam mais aconselháveis em Buenos Aires mesmo, ou no Duty Free do aeroporto. Depende muito do que se deseja. "Hay" que caminhar bastante e pesquisar preços. Eu que já vou completar 8 dias aqui (vim antes de minha família para uma Convençao Internacional de Médicos no Hotel Llao Llao (que alíás vai merecer capítulo especial neste blog), confesso-me bastante entediado, louco para finalmente aproveitar as belezas da capital argentina, com muitas opçoes de divertimento.
Contudo, hoje como previsto, fizemos o "full contact" com a cidade visitando o Centro Cívico, o interessantíssimo Museu da Patagônia e após ir ao maior shopping da cidade (bem pequeno) caminhamos de volta ao centro conhecendo os lugares onde as pessoas trabalham, compram víveres, enfim, onde fato moram, longe do desagradável agito turístico (com todos aqueles turistas brasileiros com "uniformes" da CVC, aaarrrgghh!). Nao entendo como ainda tem gente que "paga estes micos" de viajar pela CVC. Se eles sequer imaginassem como são vistos por aqui, jamais cometeriam o mesmo erro.
Viajar, acima de tudo, é estar mais livre do que nunca para caminhar, sentir odores, estabelecer vínculos, sem esquecer de planejar e evitar os locais inseguros. Tudo isso é possível sem a tutela de nenhuma empresa uniformizada e equipada com rádios e outras traquitanas para "vigiar" seus "tutelados". Conhecemos outros brasileiros e backpackers por aqui (incluindo bons a amáveis paulistas) que foram unânimes nesta opiniao: CVC é uma bobagem que chega a ser irritante e mal vista pelos habitantes locais. Se eles não deixassem tantos pesos, talvez enfrentassem outra realidade.
Que sejam felizes também em suas viagens. Mas avisem ondem estarão para que eu me distancie, sempre que possível.

Futebol na cabeça dos latinos

Aqui só se fala em futebol. E em Bariloche especialmente, os argentinos que tenho conversado dizem se sentir mais amigos do Brasil do que o resto do mundo.
Se isto for verdade, em minha lógica de cidadao, encontraria variadas explicaçoes para tal fenomeno. Mas o fato é que os brasileiros sao a esmagadora maioria entre os turistas aqui nesta grande estaçao de inverno (que é muito frequentada e linda também no verao). E sao de importancia significativa para economia desta pequena cidade de apenas 18000 habitantes. De fato o turismo é sua principal fonte de renda. E sendo os brasileiros seus mais habituais frequentadores, melhor aos habitantes daqui dizer que nos amam de verdade.
E de fato nos tratam muito bem.
Para ilustrar este cenário, relato um depoimento de um lojista da Rua Mitre (principal do centro comercial).
Me disse o seguinte:
Nós argentinos nao esquecemos o posicionamento firme do governo brasileiro durante a Guerra das Malvinas, quando um caça inglês fez um pouso de emergência no aeroporto do Rio por falta de combustível. Lembro que naquela oportunidade, o governo brasileiro abasteceu o aviao alegando razoes humanitárias e os mandou sair de seu espaço aéreo.
Ora. Mas isto nao é mesmo uma conversa mole? Ou será que este prolixo comerciante de fato ainda avalia esta longínqua historieta como importante para o relacionamento bilateral?
Sinceramente, em tempos de copa do mundo, com "los hermanos" pegando fogo com as peripécias de Messi e da lerdeza de Ronaldo (que parece aos poucos melhorar sua performance), acredito que este papo seja uma típica "cortina de fumaça", ou bajulaçao pura.
Mas continuamos aqui a dar pontos a eles. Sua carne mnaravilhosa, seus vinhos excelentes e baratos, amolecem nosso juízo e favorecem o bom relacionamento.
Por ora, viva a argentina!

A Cordilheira de cada um


Na porta do Hotel Llao Llao, com um companheiro
de viagem, preparado para ir ao primeiro contato
com a neve: Cerro Catedral


Cerro Catedral - 2300 metros de altitude e
uma visão impressionante dos Andes.


Temperatura: 2 graus negativos


No primeiro contato com a neve, a gente faz
coisas estranhas.


Bariloche, 28 de Junho de 2006
Altitude: 2000 metros
Temperatura: 11 graus
Humidade: 70%

Neve, neve e mais neve. Aqui já andei na neve, deslizei em trenós, escorreguei ladeiras muito inclinadas, comi um pouquinho, e vesti um montao de roupas todos os dias. Muito trabalho para botá-las e mais um tanto para tirá-las. Após algum tempo, esta trabalheira transforma-se em mais uma tediosa e cansativa rotina. Há que se partir para outro tipo de ataque turístico após vencer esta curiosidade natural em torno da neve. Entao resolvemos partir para o ataque cultural. Ir ao cinema, assistir as manifestaçoes públicas, pegar um onibus de linha, ir ao mercado municipal e ver as frutas e variedades de alimentos disponíveis aos nativos, enfim, partir para o "full contact" com a populaçao local. Esta é a parte mais interessante de uma típica viagem turística com toques de aventura. A parte onde se pode cambiar impressoes entre pessoas comuns e seus problemas, em todo lugar do mundo parecidos.
E aí, tendo a Cordilheira como uma grande barreira a ser transposta, conhecer a "cordilheira" de cada um. Um passeio fantástico e em tudo mais interessante em qualquer lugar, a qualquer hora e em qualquer dimensao.
Vamos ao ataque.

sábado, 24 de junho de 2006

Ao pé da grande cordilheira


Refúgio Neumeyer. Daqui inicia-se um trekking
pela neve até o pico do Cerro Blanco.


De Land Rover se chega até ao refúgio


Para estar neste ambiente, tem que estar assim...


...e mesmo assim, pode acontecer isso.


Nosso heróico grupo mantém firme o ritmo rumo
ao Cerro Blanco.


No caminho do trekking, bosques sob a névoa.


Ao chegar ao topo, começa a nevar.


Após a longa caminhada, parada para o chá.

Bariloche, Sábado, 24 de Junho de 2006.
Altitude: 1000 metros
Temperatura: 5 graus
Humidade: 70%

Daqui deste lugar esotérico, à beira do lago Nahuel Huapi, de águas azuis, cristalinas e doces, com profundidade máxima de 400 metros, ventos de até 100 Km/h transformam a sensação térmica para além de 1 grau negativo, obrigando o uso ostensivo e necessário de roupas de goretex, que se vestem como macacões grossos e pesados. Botas térmicas com meias de lã mais uma camada de vestimenta térmica colada ao corpo para manter o calor (segunda pele).
Daqui, vejo as àguas azuis do lago refletindo os picos nevados da Cordilheira nesta regiao com altitude máxima de 2300 metros.
Lá em cima, ventos fortíssimos podem mesmo limitar a visitacao e até a sobrevivencia.
A neve é firme, paraíso dos esquiadores, e permite a nós, criados no calor equatorial, andar tranquilamente porém com atencao para nao ser pego por um dos muitos esquiadores iniciantes que em desbalada carreira (melhor seria dizer, "quase em queda livre"), com potencial de te levar ao chao feito um strike no boliche. Mas aqui todos se perdoam. A natureza é grandiosa demais para ficarmos aqui com nossas torpezas. Tolerancia e solidariedade sao obrigatórias e até naturais em ambiente hostil. Mas nada tao selvagem assim. Afinal, ao lado de todo este cenário supostamente Antártico que descrevo, existe uma grande estrutura de apoio ao turista, de maneira que chega a ser irritante.
E no meio disso tudo me lembro: Brasil deu de 4 a 1 no Japao!
Quase me esqueco: Viva Brasil!!!
Mas como nao poderia deixar de ser, vale um pequeno comentário:
1) Comer boa carne argentina = 40 pesos
2) Beber um bom Malbec Terrazas ou Trapiche = 40 pesos
3) Ver o Brasil dar um baile no japao de 4 a 1 em pleno território argentino = NAO TEM PRECO !

Hasta la vitoria!

segunda-feira, 19 de junho de 2006


By Kibeloco Posted by Picasa

"Veja" tem a verdade?

Chico Cavalcante em seu blog Comunicação Militante fez um excelente "post" sobre "Veja" e suas relações perigosas.

"Veja" tem o direito de ser reacionária
"Veja" é uma revista reacionária, direitista e parcial. Isso está errado? Sinceramente, acho que não.Muita gente prega a neutralidade ou imparcialidade da imprensa. Não acredito nisso. Papai Noel e fadas não existem. Tal neutralidade não passa de um mito reacionário. Como o mito do "bom selvagem", que serve para justificar a submissão, a neutralidade da imprensa serve para encobrir sua parcialidade. É uma camuflagem.A imparcialidade que um jornalista imprime ou expressa num veículo de comunicação estará sempre limitada por dois parâmetros de ferro: os interesses do dono da mídia onde ele vende sua força de trabalho e suas próprias referências político-ideológicas. Balizada dessa forma, sua opinião não será imparcial, neutra. Tomará sempre partido."Mas o fato é neutro, é ocasional, conjuntural", você diria. "Se um homem morre, se um carro bate, se um candidato perde e outro ganha, se um império cai, se um tive ganha, são fatos inquestionáveis". Correto, você tem razão. Mas o que se publica não é o fato, mas a versão; é a leitura do fato que é publicada e toda leitura ou transcrição é parcial, ou seja, é uma forma de expor um (1) ponto de vista, portanto, de se tomar partido.Por entender que uma opinião, um ponto de vista, se baliza pelo acúmulo histórico de quem o expressa, acho justo que veículos de comunicação se alinhem nas diversas raias ideológicas e políticas que a sociedade produziu e sedimentou ao longo de séculos. Além de justo, é legítimo. A imprensa escrita começou com a imprensa partidária e não é indigno nem imoral que até hoje expresse pontos de vista partidários.O problema, portanto, não é assumir um lado; ao contrário, é esconder isso do leitor, é ocultar que aquilo que está sendo vendido como fato não passa de versão. Como "Veja" faz. O imoral em "Veja" é vender-se aos incautos como o espaço da verdade, da dignidade, da moral, da imparcialidade quando tudo o que vende em suas páginas é opinião parcial, de segunda-mão, escritas sob uma ótica reacionária, direitista, atrasada, intercalada por anúncios de bancos, companhias telefônicas e multinacionais de cosméticos.Mas onde está a verdade, afinal? A verdade não está em "Veja". Está nas ruas. A verdade não é patrimônio privado da imprensa, ela não pode ser aprisionada nem apropriada por uma empresa, cujo fim derradeiro não é assenhorar a verdade, mas aumentar seu lucro. A verdade é a apreensão individual de fatos historicamente determinados. Não é mercadoria e não se submete ao ditame da opinião; só se submete ao julgamento da História."Veja" queria derrubar Lula não porque ele "operava o mensalão", mas por preconceito de classe. Porque ele é um migrante nordestino que não cursou a Universidade e dirigia um partido que não passava de um ajuntamento de pobres, sindicalistas, grevistas, ativistas ambientais, militantes sociais, feministas, agricultores semi-analfabetos, intelectuais esquerdistas e religiosos subversivos. Tudo o que a direita odeia. Esse homem e sua gente não tinham o direito de tomar o poder onde "Veja" sempre teve assento privilegiado. Lula no governo é uma usurpação, um tapa da cara dos reacionários. E "Veja" sentiu e acusou o golpe.A eleição de Lula frustrou "Veja" que passou, então, a jurá-lo de morte: Lula é despreparado, é semi-analfabeto, Lula não fala inglês, o governo dele é fraco, Palloci é médico, Zé Dirceu é quem manda, Lula e Zé Dirceu têm a língua presa, a inflação vai voltar, o Brasil se tornou o pior lugar do mundo desde 2002, etc, etc.Quando as denúncias de Roberto Jefferson vieram à baila, "Veja" viu nisso uma oportunidade e tanto de vingar-se de Lula - não do Lula presidente, mas do Lula povo, ícone de uma gente até ali sem esperança."Veja" deu o sinal. Mas o povo não ouviu seus apelos de "fora Lula". Isso frustrou "Veja" mais uma vez. Não deveria. Afinal, a revista tomou para si uma tarefa que as massas não haviam se dado. Apenas "Veja" e a oposição de direita PSDB-PFL queriam derrubar Lula, esquatejá-lo, execrá-lo, apedrejá-lo em praça pública.Mas "Veja" fez a sua parte. Direitinho. Convocou as massas, decretou o fim do governo, fez acusações com base em ilações, escalou um retardado chamado Mainardi para cuspir em Lula e no PT, jurou de morte ministros e políticas públicas, inventou uma conta no exterior para o presidente e seus ministros, comemorou a cassação de Zé Dirceu, denunciou a sobrevida política de Zé Dirceu mas (opa!) silenciou sobre a descoberta casual de que o "valerioduto" que desaguou em Brasília começou com o PSDB de Minas. E agora, senhores e senhoras?E agora? Silêncio. A imparcialidade jaz. Procure em "Veja" uma única crítica ou denúncia contra o PSDB ou o PFL. Se achar, raridade, será fruto da luta interna do tucanato que, zonzo, começa a lavar a roupa suja em público - como fez na briga Serra versus Alckmin ou da disputa intestina entre PSDB e PFL pelos nacos de poder que dispõem.O engajamento de "Veja", bem entendido, não se faz em nome da justiça e dos bons costumes, menos ainda em nome da "imparcialidade da imprensa" - essa utopia capitalista. Se faz em nome do projeto de poder do bloco PSDB/PFL - que governou por oito anos o Brasil, impediu a instalação de todas a CPIs e, pelo que vejo, só deixou saudade no departamento comercial da Editora Abril e nos investidores privados, que assumiram o controle de estatais lucrativas a preço de banana."Veja" clamou no deserto. O povo não atendeu ao chamado de "Veja". Nem ouviu, nem viu. Que povo inculto! Que malta de insensatos! Que miseráveis volúveis! Não percebem que estão sendo manipulados por esse "sapo barbudo" e seu partido de malandros e trapalhões?Para "Veja" a dialética é uma aberração. Só a lógica formal vive e prospera. Por isso, diante de um fato tão surpreeendente para seus mentores e conselheiros (Lula ganhará as eleições, dizem as pesquisas, com uma diferença maior de votos do que venceu em 2002), "Veja" se apressa em encontrar culpados, e, eureka!, os encontra! São os pobres ("gente inculta", "sem escolaridade formal", "nordestinos") de novo, esses que não lêem "Veja" e, por isso, servem de fortaleza para Lula.Se pudesse, "Veja" instituiria campos de reeducação ou colocaria essa "gentalha" para ler suas edições encadernadas sob o sol.Os donos de "Veja" vendem a revista como se fosse a Bíblia Sagrada do jornalismo, mas esse pasquim não passa de papel ordinário e opiniões datadas e repetidas. Direita é direita em qualquer parte. Esquerdas são diferentes.Como personagem de desenho animado que planeja em um sótão iluminado por relâmpagos conquistar o mundo, "Veja" acha que Collor caiu por decisão de seu comitê editoral. Ora, então basta isso para derrubar Lula. Epa! Mas não funcionou! O que aconteceu?Uma revista não derruba governos. Nenhuma revista tem tamanho poder. Pode atiçar, instruir, convocar, difamar, destruir reputações, ficar impune, mas só o povo é quem pode derrubar governos e fazer revoluções. E o povo não estava nem aí para "Veja", suas instruções e seu ajuntamento de reacionários - descontando André Petry, um articulista progressita que serve para mostrar que toda regra vem uma vez por mês.Ainda assim, você acha que "Veja" é imparcial? Faça um teste. Se há um fato qualquer, "Veja" está sempre do lado direito da questão. Nas origens, silenciou enquanto a ditadura matava e prendia no Brasil e afinou o coro do "Ame-o ou deixe-o" enquanto o sangue de mártires tingia nosso solo; esteve com Bush nos ataques ao Afeganistão e ao Iraque. Está com os Estados Unidos contra o Irã para garantir que apenas o país de Bush tenha o direito de se defender e atacar usando armas atômicas. Está com Israel contra os palestinos. Está com a direita Venezuelana contra Chaves. Demoniza João Pedro Stédeli e criminaliza o MST. Silencia diante da evasão de divisas de parlamentares de outros partidos enquanto põe o PT na roda dos expostos. Reforma trabalhista na França? "Veja" apoia se cortar direitos dos trabalhadores. Reforma agrária? Vade retro, satanás! Eleições presidenciais no Brasil? Está com Alckmin contra o bom senso que manda ver São Paulo e escolher se queremos que o cerco da bandidagem se reproduza, em escala, em todo o país."Veja" é reacionária. Direitista. Poderia assumi-lo. Tem esse direito. Contudo, insiste em levantar a bandeira dos fatos, embora não resista a eles.Tudo bem, você ainda acha que estou exagerando. Então leia o suplemento "Mulher", que acompanha a edição 1958 de maio de 2006 e que está nas bancas. É a prova cabal de que um reacionário legítimo expõe seus preconceitos até quando quer fazer crer não possuí-los.Confundindo conquistas do feminismo com frustrações femininas que não passam de frustrações humanas, coloca a mulher de volta à margem e às futilidades; reafirma preconceitos ao descrever como função social dos gays serem eles os melhores conselheiros de mulheres - "desde que não dividam interesse pelo mesmo tipo de homem"; torcendo número, afirma que o destino das mulheres bem sucedidas e com formação superior completa é amargarem a solidão ("com diploma e sem marido") e, tendo Margareth Thatcher como modelo, afirma que "o poder é masculino", ou seja, as mulheres, embora tenham alcançado posição de mando na vida pública e na iniciativa privada, apenas "imitam" os homens quando chegam ao poder ("poderosas e frias como os homens que também chegaram lá")."Veja" tem o direito de ser reacionária. E você, o direito de ler "Veja" sabendo disso.

Pausa para férias

Estaremos dando uma pausa nos posts deste blog até o dia 10 de Julho. Mesmo assim, sempre que puder, de algum lugar mandarei notícias.
Adios

Enquanto isso... Posted by Picasa