"Mas numa coisa ninguém nos supera: em solidariedade"
Ruy Castro, em: "Escrito em fogo" (30/01/13)
A catástrofe
ocorrida no Rio Grande do Sul asfixiou nossas almas. Toda a sociedade civil
está mobilizada, seja gestual, seja sentimentalmente.
Um dos elementos gestuais é a abordagem médica. Houve uma grande
mobilização dos profissionais de saúde no RS e da cidade de Porto Alegre, que recebeu muitas vítimas. O SAMU Porto Alegre regulou os fluxos em contato direto
com SAMU Santa Maria. Equipes de pré-hospitalar e serviços privados realizaram
transportes. Todos de mãos dadas: Hospitais, Secretarias Municipal e Estadual,
Governo Federal, Exército, Aeronáutica, Força Nacional e SUS.
Foram 48 pacientes removidos por aeromédico (avião/helicóptero)
até a manhã de 28/01. O Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre tem dez
doentes internados. Os demais foram Hospital de Clínicas, Cristo Redentor, Nossa Senhora da Conceição e em Canoas. Segundo o Dr.
Luciano Silveira Eifler, membro Diretoria da SBAIT (Sociedade Brasileira de
para o Atendimento Integrado ao Traumatizado) e coordenador do Núcleo de
Educação Permanente (NEP) do SAMU, “foi feito contato com estes hospitais e a
SBAIT-RS se colocou à disposição para o que for necessário, transmitindo,
inclusive a preocupação e solidariedade provenientes do centro do país e outros
Estados, permanecendo os médicos em alerta e mobilizados”. A Sociedade
Brasileira de Queimaduras (SBQ) também está mobilizada no atendimento das
vítimas junto com muitas instituições e voluntários.
Sabe-se que os médicos estão fazendo um excelente trabalho na
transferência e tratamento das vítimas de Queimadura e de Inalação de fumaça (queimadura
por monóxido de carbono sobre a via aérea e pulmão), uma complicação de
mortalidade elevada. Apesar do número assombroso de casos e da gravidade de cada
um, os resultados têm sido animadores. Até o momento apenas um caso foi a
óbito (2%), devido à queimadura de 70% da pele (nesses a mortalidade é
próxima de 100%). Por sua vez, sabe-se que alguns pacientes já estão em “desmame”
da ventilação mecânica e com possibilidade de breve alta da UTI.
Mas essa questão gestual foi mais além. O Dr. Luciano Eifler, da
diretoria da SBAIT-RS, na tarde desta quarta-feira, propôs utilizar a rede de
cooperação via telemedicina em que participam diferentes centros (inclusive
Belém, Hospital Barros Barreto - UFPA), com o apoio da SBAIT, Universidade de
Miami e Sociedade Panamericana de Trauma. Dessa maneira ocorreu uma teleconferência
numa rede formada entre Miami e Unicamp. Foi nessa quarta feira, 30/01, às 15:00h.
Os hospitais de Porto Alegre apresentaram alguns casos mais complicados,
inclusive para troca de experiências com serviços do Brasil e exterior (Universidade
de Miami, Universidade da Califórnia, San Diego -UCSD e Universidade de Toronto).
A discussão foi predominantemente em português. Alguns estrangeiros, conforme a
contribuição, usaram a língua inglesa.
Nesta sexta-feira, às 10h local, nova discussão será aberta via
telemedicina, no mesmo local (HUJBB-UFPA). O grupo gaúcho mostrará alguns casos
que estão revertendo em sucesso. Nós daqui podemos até contribuir, porém o que
mais nos motiva é o que temos para aprender.



