sexta-feira, 24 de setembro de 2010
A Mulher Laranja
Ficha Limpa: A Culpa É do Joaquim Roriz
Segundo o jurista-filósofo
Com suas profundas culturas jurídica e filosófica, além de notável serenidade pessoal, Coelho vesgasta a lei, muito ao contrário do que eu preferiria, assim como sugere uma solução para o julgamento em sentido oposto, também, às minhas preferências pessoais. Mas como não estou atrás de discípulos e sim de aprender com quem tenha tutano para me ensinar, apresento-o aos ilustres leitores do Flanar.
O ponto que mais me chamou a atenção foi quando ele explicou os níveis da elegibilidade e da eleitoralidade. Devo dizer que isso é sofisticado demais para um povo que só se interessa mesmo por futebol...
Vale muito a pena lê-lo, clicando aqui.
O Par e o Ímpar no Julgamento da Ficha Limpa
Eu discordo do juiz. Também não adianta outros virem aqui, com aquela cara de malhador de Judas de subúrbio, e dizer que a razão do resultado 5 x 5 se deve ao fato do presidente Lula não ter nomeado a 11a. toga, vacância disponível desde que o ministro Eros Grau aposentou-se. A ausência do décimo primeiro voto era variável de antemão conhecida por todos daquela corte de justiça, e que, parece-me, foi mal ponderada quando decidiram julgar a Ficha Limpa num colegiado com número par de juízes.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Nunca a Extrema-Direita Produziu Tanto Material Fascista
(ditado árabe)
Talvez alguns digam que tudo resume-se à ideologia, nos limites da expressão do direito de opinião política, como fosse essa insípida, inodora, incolor e destituída de qualquer pretensão de consequência. Mas o que quer que seja um fato sobressai: quem quer que orquestre essa marcha fúnebre da democracia assemelha-se aos industriais alemães que financiaram os nazistas, porque viam neles um remédio e uma segurança, a saber:
1) Como força capaz de remediar a expansão do socialismo e do comunismo na Alemanha de Weimar;
2) Seguros de que, resolvido esse assunto, cuidariam de expelir o arrogante do Hitler e seus bozós travestidos de arautos da moralidade pública.
Nem precisa explicar por que deu tudo errado e no final aquele país saiu derrotado com a instituição desatrosa do mais poderoso estado criminoso que existiu na face da Terra, ainda hoje assombração no presente dos alemães.
A direita da região sudeste e seus bate-paus espalhados na periferia do país - com toda justiça a suas imagens "de bem" - acham que podem brincar com tudo, com todos, com a história do mundo, com o destino do Brasil e dos brasileiros, dando-se ao luxo de requebrarem-se como Messalinas em palcos de clubes onde podem ser servidos os mais venenosos coquetéis para a vida democrática do país.
Acredito, apesar do poder das mídias carioca e paulistana e de seus deformadores de opinião, que a sociedade brasileira dará um basta a toda essa desenvoltura fascistóide que, em última conclusão, baseia-se em que essa caterva nos cre todos ignorantes, integrantes de massa desajuizada de cidadania a ser conduzida como bestas pelas nove famílias proprietárias de veículos de mass media, ou relaxados para linchamento pelos seus seus cabras consorciados e comensais regionais da oportunidade, sempre que os contrariamos em seus projetos de poder, de mercadão, de mercado e mercadinho no mundinho pessoal de ao redor dos umbigos profundos e sombrios daquela gente.
No que concerne a essa comandita midiática, descuidam de como serão avaliados no futuro os seus agravos e despudores com a democracia brasileira. Os acadêmicos do futuro não os esquecerão, pois terão a sua disposição um manancial riquíssimo de intolerância política, racial e de gênero, apresentadas na forma de mentira e na prática de violência verbal às escâncaras. Com a disponibilidade dessas fontes, os arqueólogos do poder - filósofos, historiadores e sociólogos - escreverão sobre esse amálgama de histeria, nacionalismo barato e mau-caratismo ideológico com que diariamente os artesãos do golpismo midiático praticam de cara limpa ou com na sonsice de seus anonimatos. Aos pesquisadores de 2020 não faltará o batidão de calçada representado por essas fontes primárias na forma de artigos de revistas, de jornais e similares, das gravações dos programas de televisão e dos registros infames lavrados com anonimato nas páginas eletrônicas, nos blogues, no Tuíter e em outras redes sociais. E nem precisará declinar suas identidades, pois quem viveu esses tempos saberá ler nas análises do futuro necessariamente de quem se trata.
HP Slate vem com tecla muito especial
"Face Time" transforma o iPhone 4 em telefone dos "Jetsons"
Tempos atuais
Assim, deixo-lhes o artigo abaixo, do veterano jornalista Jânio de Freitas, publicado na Folha de S. Paulo, edição de hoje, para reflexão. Outra hora, voltarei ao tema.
ALÉM DO ÚLTIMO SINAL
A entrada em cena de forças extrapolíticas reproduz passo que pode levar situações tensas a fugir do controle
Um aviso de perigo, na via política, foi ultrapassado.
A entrada em cena de forças extrapolíticas, motivadas pelo confronto entre Lula e os meios de comunicação com maior presença, reproduz o mais conhecido dos passos que levam situações tensas a enveredar por processos que fogem ao controle com facilidade. E, se isso ocorre, põem em risco a integridade institucional -o próprio regime.
Se os meios de comunicação têm extrapolado ou não, no tratamento aos casos do sigilo violado na Receita Federal e das irregularidades originadas no Gabinete Civil da Presidência, até agora não houve indício algum da finalidade golpista acusada por governistas.
O que pode ser apontado são propósitos eleitorais. Mas os meios de comunicação brasileiros nunca deixaram de ser parte ativa nos esforços de conduzir o eleitorado. Sua origem e sua tradição são de ligações políticas, como agentes de facções ou partidos. Só em meado do século passado dá-se a primeira e derrotada tentativa, no “Jornal do Brasil”, de prática desconectada de segmentos políticos.
Na atual campanha, os meios de comunicação com maior presença são passíveis de acusações como desequilíbrio no ânimo em relação a este ou àquele candidato; de parcialidade no interesse em eventos de um ou de outro, e, no noticiário das irregularidades, de precipitações e erros que são os mesmos cometidos na cobertura de todos os escândalos.
À parte atingida cabe reagir na medida do possível, que, em geral, não é muito. E às vezes é quase nada, porque a própria reação está sujeita ao que é acusado no principal. Mas assim é a etapa em que a sociedade brasileira ainda está.
Daí a golpismo, na atualidade, a diferença é total. Idêntica à diferença entre prática primária da democracia e o golpismo com que o país conviveu por décadas, até o maior dos golpes.
No outro lado, nenhum fato sustenta a ameaça à democracia atribuída a palavras ou atos de Lula. As reações ao que considera insultuoso, ou injusto, ou inverdadeiro são à sua maneira: com destempero deplorável, nas palavras e na teatralidade da exaltação. Sem consideração alguma, até muito menos do que pelos adversários, pela própria condição de presidente da República. A faixa presidencial ainda não se distinguiu, para Lula, da camisa do Sindicato dos Metalúrgicos.
Nenhum espetáculo e nenhum ato presidencial pode ser apontado, com seriedade, como ameaça à democracia. Nem o mais acusado deles, a alegada ameaça à liberdade de imprensa. A proposta petista de criação do Conselho Nacional de Jornalismo, ou algo assim, vale mais uma discussão do que poderia ser, a serviço de todas as partes, do que qualquer das acusações trocadas.
Conselho de Jornalismo não é embaixada do inferno, não é chavismo, não é ditadura, necessariamente. São muitos os países “civilizados” e democráticos em que tal conselho existe.
Na França, por exemplo, foi criado há muito tempo, prestou muitos serviços e ninguém pensa em dissolvê-lo, assim como o da TV. A Inglaterra, os países nórdicos e outros têm as suas formas de conselho. Discuti-lo no Brasil seria difícil, mas não ameaçaria a democracia ou a liberdade de imprensa.
A esse conjunto de desproporções e deformações vêm somar-se três iniciativas. Sindicatos e jornalistas resolvem fazer uma manifestação pública contra os meios de comunicação. O que pode vir daí senão o acirramento de um lado e de outro? A dez dias das eleições, nem alguns trocados eleitorais essa manifestação localizada pode obter. Sua aparência é só a de um ato de indignação.
A pouco mais de uma semana das eleições, professores, advogados, escritores, e outros, fazem manifestação pública e lançam um manifesto “contra a marcha para o autoritarismo”. Haverá mesmo tal marcha, pelo fato de que Lula, nos estertores do seu mandato, rebaixa a função presidencial à de marqueteiro e cabo eleitoral? Se não está aí, o que indicaria que a prevista eleição de Dilma Rousseff é a marcha para o autoritarismo? É óbvio que o papel assumido por Lula macula a disputa.
Mas o que mais suscita reação, parece claro, não é o papel em si, que a lei nem cuidou de restringir: é que Lula o assume do alto de uma popularidade devastadora, que cai sobre os adversários. Nem por isso, no entanto, até agora sinalizadora de ameaças à democracia.
Por fim, um convite. O Clube Militar convida para um “painel”, às 15h de hoje em sua sede no Rio, com dois jornalistas de oposição a Lula e ao governo. Sobre nada menos do que “A democracia ameaçada: restrições à liberdade de expressão”. Tivemos longo aprendizado do interesse militar por ameaças à democracia e pelas restrições à liberdade de expressão. O título do “painel” não esclarece o sentido atual dado às expressões, mas tanto faz. Sua realização é sugestiva por si só.
As três iniciativas, à parte seus objetivos, são formas fermentadas das tensões decorrentes do processo eleitoral e das feições que tomou. Mas correm o risco de estimular projeções para depois do resultado eleitoral, e sobre ele. E, a depender do resultado, o risco de transpor o início do futuro governo. Como já aconteceu tantas vezes, nenhuma para resultar em algo bom.
Visitantes do Flanar e seus sistemas operacionais
O Brasil agradece, Ayres Britto
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| Meu atual ministro favorito, enquanto lavava nossa alma |
Contudo, nem posso recriminar Toffoli pelo pedido de vistas. Afinal, ele pedia a palavra e ninguém o deixava falar. Mas ele se comprometeu a devolver os autos hoje, permitindo a retomada do julgamento.
É possível que a deliberação mais importante para o Brasil, neste momento, seja conhecida hoje. O que pode ser bom para uns tantos paraenses, que já nem possuem mais unhas que possam ser roídas.
Como já disse antes, imagino que o pior vai acontecer. Mas que Ayres Britto — não apenas pelo voto em si, mas pelos argumentos nitidamente éticos sustentados — merecia uma camiseta com a estampa "Britto, I love you", vendida em cada banquinha de camelô do país, lá isso merecia.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
O Aurélio no Mac
Google Transparency: um flash da censura na internet
A Pane do Metrô e o Teatro Político de Variedades

Assim, portanto, encena-se como pantomina o arrastão da maior tragédia partidária jamais vista nesse país, que as viúvas adiadas seguem em galope cego rumo ao abismo, ao modo de Dom Fuas Roupinho na disparada que o fez lendário. Leiam com dois cliques sobre a imagem a matéria de Brasília Confidencial que motivou essa reflexão.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Sarah Shourd Agradece ao Brasil
Vale lança blitz publicitária
A Vale, segunda maior mineradora do mundo, resolveu lançar uma blitz publicitária milionária na mídia mundial. Ontem abri a revista "The Economist" e me deparei com um anúncio de página inteira com o símbolo da empresa e o slogan "Future". Hoje foi a vez do "Financial Times", que disputa com o Wall Street Journal o título de jornal financeiro mais influente do mundo.
O texto do anúncio é um daqueles típicos das empresas de petróleo e mineradoras: todos aqora são defensores do meio ambiente "desde criancinha". Uma amostra parcial: "We're a global mining company. Not just because we are present around the world. But also because we care about the world... We're also present in forests, helping conserve thousands of square miles of green areas around the globe. In rivers, by recycling 76% of the water we use..." e por aí vai.
O rodapé do anúncio anuncia o site: www.vale.com/future. Foi daí que eu baixei o video acima.
5 bilhões de imagens!!
Apesar das dificuldades já bastante divulgadas do Yahoo.com, seu serviço de compartilhamento de imagens Flickr vai bem. Muito bem. Ontem, ele completou esta inacreditável marca. E ainda é, meu serviço preferido de imagens. E para quem quiser visitar meu modesto cantinho no Flickr, é só clicar aqui.4 dias com o iPhone 4
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| iPhone 4 com a capa de couro da Belkin disponível na Apple Store BR |
- Design extraordinário, como já era esperado;
- Algo mais pesado que os modelos anteriores (carcaça de aço inoxidável);
- Por ser mais estreito em sua largura e pelo peso adicional, a pegada é um pouco estranha, dando a sensação que poderá vir ao chão em algum momento de desatenção;
- Retina Display é realmente uma maravilha de cores e definição, fato que fica mais evidente na leitura de textos;
- O tal do death grip (ou pegada da morte) é real em alguns momentos, parecendo depender da região onde estamos utilizando o aparelho. Mas afirmo que não percebi nenhum impacto no uso cotidiano;
- O iPhone 4, utiliza os novos chips micro-SIM. Isto obriga a adquirir um novo chip ao fazer o upgrade de qualquer outro telefone para ele, mantendo o mesmo número telefônico.
Corrida de garçons em Bruxelas
Em Belém-Pará, anos atrás, o mesmo evento foi realizado com regularidade. Os garçons com trajes profissionais saíam da Praça Pedro Teixeira em passo acelerado com destino ao seu sindicato, situado na emergência da rua Ferreira Cantão com General Gurjão, 11 quadras distantes do ponto de largada. Levavam em uma das mãos uma bandeja em que estavam arrumados copos e garrafa de cerveja, mantendo o braço oposto cruzado nas costas.
Eu penso que a corrida de Belém, embora mais curta, era mais difícil pela presença do aclive no início da avenida Presidente Vargas e porque os garçons utilizavam uma bandeja rasa, sem o anteparo da utilizada por seus colegas belgas. O vencedor da corrida seria aquele que chegasse por primeiro, desde que ao cruzar a linha de chegada mantivesse intacto o conjunto que transportava. Não sei se ainda acontece em Belém essa interessante comemoração, que era realizada no Dia do Garçom, em 19 de agosto. Após o encerramento da corrida, a diretoria do sindicato oferecia um almoço aos seus filiados.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Tecnologia e Arte: O NY Met Produz "O Anel dos Nibelungos"

O ciclo de óperas "O Anel dos Nibelungos", de Wagner, já é famoso por ser um dos mais massivos, longos, difíceis e conhecidos grupo de óperas do mundo. Quando encenadas "back-to-back", as quatro óperas chegam facilmente a nove ou dez horas de duração, envolvendo os atores e a plateia numa verdadeira maratona lírica.
O Metropolitan de New York prepara-se para montar um novo ciclo completo, o primeiro "novo" ciclo do Met nos últimos 25 anos. E haja encenação: é uma das montagens mais caras e complicadas da história do Met, e também a que usa os recursos tecnólogicos mais avançados.
O trailer acima já dá uma ideia da loucura que vai ser esta montagem. A primeira ópera, "Das Rheingold", estreia na próxima segunda-feira, 27. As outras três óperas seguem sendo encenadas na primavera e outono de 2011, e finalmente na primavera de 2012.
O sucesso está praticamente garantido. Não só porque este ciclo tem um "built in audience" por ser o ciclo de óperas mais famoso do mundo, mas também pela ousadia e inovação tecnológica desta montagem em si. Mas nesta era de espetáculos impregnados da tecnologia mais avançada (vide qualquer espetáculo do "Cirque du Soleil"), será que a montagem do Met vai mesmo puxar as fronteiras da inovação?
domingo, 19 de setembro de 2010
O Golpe Branco em Curso
Vinicius Wu, na Carta Maior
“Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos“
Trecho do Editorial de “O Globo” de 1 de abril de 1964.
No sombrio despertar das ditaduras latino-americanas, ditadores jamais se apresentaram enquanto tal. Golpistas jamais aplicam “golpes”. Na pior das hipóteses adotam “medidas extremas” para salvaguardar a democracia, a liberdade e, em casos mais graves, o “sagrado” direito à propriedade. Esta foi uma das “inovações” mais bizarras das ditaduras que emergiram no contexto da guerra-fria. Não é por acaso que até hoje, nos círculos saudosistas do regime militar, o golpe que depôs o Presidente eleito João Goulart seja saudado como “Revolução Redentora”.
De acordo com esta narrativa, as prisões, as torturas, o silêncio imposto à livre manifestação do pensamento e a perseguição política não foram mais do que gestos em defesa da “liberdade”. Até aí nada de novo. Porém, deve causar inquietação entre as forças democráticas no Brasil de hoje o ressurgimento desta retórica com uma força perturbadora ao longo das ultimas semanas.
Alguns dos principais jornais do país estão, há algumas semanas, trabalhando diariamente para imputar ao Presidente Lula a pecha de “ditador” e qualificar a eventual vitoria de Dilma como uma ameaça à democracia.
Foi o próprio Serra quem retomou o termo “República Sindicalista”, em reunião com militares no Rio de Janeiro. Agora, o remake de uma antiga propaganda de um periódico de São Paulo insinua comparações entre Lula e Hitler (sic), numa ignóbil peça publicitária que insulta a inteligência dos brasileiros.
Justiça seja feita a um dos mais erráticos colunistas do jornal O Globo, que há alguns dias foi quem lançou a moda de comparar o presidente mais popular da história do país, eleito e reeleito pelo voto direto, ao líder nazista. O mesmo colunista andou reproduzindo um artigo denominado “A solução final” (sic), no qual era apresentada uma tosca análise de um recente pronunciamento do Presidente Lula.
É sim preocupante o movimento, pois, embora não tenha força social e condições políticas de se transformar em um novo golpe, contribui para a emergência de um clima de recrudescimento da luta política no país, que pode ter graves conseqüências para a democracia e um desfecho imprevisível nos próximos anos.
Na verdade, o que buscam é a “venezuelização” do país. Ou seja, trabalham abertamente para a criação de um ambiente político de instabilidade permanente, fragilização das instituições democráticas e deslegitimação do voto popular.
O que está em jogo é o cenário em que se dará a luta política no país no próximo período.
Diante do fato de que a eleição de Dilma parece ter-se tornado um acontecimento praticamente irreversível, a questão passa a ser a definição do cenário em que se dará a luta política ao longo de um eventual governo Dilma. Pretendem inaugurar um ambiente de “crise permanente”, de confronto político aberto entre posições irredutíveis.
A comparação com a Venezuela é inevitável. Afinal, muito se fala por aqui dos erros de Hugo Chávez (em grande medida reais). No entanto, pouco é dito a respeito do comportamento golpista, desrespeitoso e grotesco dos grandes conglomerados de comunicação venezuelanos, que frequentemente chamam o presidente do país de “macaquito”.
Em seu renitente cinismo, os grandes monopólios da comunicação brasileiros alertavam para o “risco” da importação do chavismo por Lula. Agora passam, de fato, a incentivar a “Venezuelização” do Brasil, importando um comportamento golpista e irresponsável, característico da grande mídia venezuelana.
Já que não conseguem derrotar Lula trabalham para criar um ambiente de enfraquecimento da autoridade e da legitimidade social e política daquela que deve ser a próxima presidente do país.
A vitória do amplo diálogo social inaugurado por Lula – um dos elementos chave do sucesso de seu governo – conta com a aversão de determinados setores da grande mídia, que perceberam a centralidade de combater o novo “pacto” social – inaugurado por Lula – em sua estratégia de derrotar o PT a qualquer custo.
À época de Goulart a deslegitimação da democracia fundava-se no argumento de que a fraqueza da democracia estava permitindo a “bolchevização” do país, através da supostas concessões que o governo Goulart fazia ao PCB.
Na época atual, os esforços em favor da mesma deslegitimação visam atingir diretamente a figura do Presidente, identificando-o com o autoritarismo, o paternalismo e o clientelismo. Um grau de irresponsabilidade só compreensível face à enormidade do preconceito que lhes move.
Uma imprensa capaz de comparar um presidente democrata e com enorme popularidade ao criador de uma das maiores tragédias do século XX só pode mesmo estar disposta a tudo para fazer prevalecer sua visão de “democracia”. Estejamos atentos.
Adam Cohen - Take This Waltz
Leonard Cohen considera Frederico Garcia Lorca uma das maiores influências em sua arte e compos essa música delicada em homenagem ao grande poeta espanhol, membro do Partido Comunista Espanhol, executado pelos asseclas do generalíssimo Franco.
Esse caudilho liderou uma ditadura fascista na Espanha com o apoio dos nazistas alemães, depois prolongada com apoio dos EUA, da França e da Inglaterra até meados dos anos 70, no contexto da Guerra Fria contra a União Soviética, quando enfim o príncipe Juan Carlos reassumiu o reinado do trono espanhol.
Na música de Cohen está incorporada parte de uma poesia de Lorca: ambas podem ser lidas aqui.
Sem Meias Palavras
Serra, o golpista
Há horas em que a gente tem de falar as coisas sem meias palavras.
Serra e a grande imprensa estão pressionando as instituições da República para que se deflagre um golpe político-eleitoral de dimensões catastróficas.
Hoje de manhã, Serra patrocinou uma reunião com o senador Álvaro Dias para montar uma “convocação” de Dilma ao Senado para explicar. Explicar o quê? Do que ela é acusada?
As instâncias legítimas para qualquer investigação, de qualquer ato, de quem quer que seja, estão funcionando.
Tudo está sendo investigado pelas regras da legalidade democrática, mesmo as situações mais inverossímeis, como esta história de um cidadão chegar e encontrar R$ 200 mil numa gaveta como “presente” não solicitado. Mesmo as denúncias de um receptador de carga e de carro roubado, condenado pela Justiça. Mesmo o “favorecimento” do único laboratório que produz o remédio contra a gripe suína.
Não há acobertamento de coisa alguma. Se há alguma irregularidade, alguma desonestidade, alguma prevaricação, as autoridades públicas não dão sinal algum de que isso possa ser acobertado.
Lacerda fez isso com Vargas, até levá-lo à morte.
Os métodos são os mesmos.Mas não é, agora, o Corvo, mas a Democracia que diz: nunca mais, nunca mais…
Não temos nenhuma crise, econômica, política ou institucional.
O que temos é um processo de terrorismo de mídia. Uma completa irresponsabilidade de publicar algo – não discutindo se procedente ou não – sem qualquer prova senão acusações pessoais.
Qualquer coisa vai para a primeira página. Qualquer coisa vai para o Jornal Nacional.
Nem Collor, com Míriam Cordeiro chegou ao ponto que a grande mídia chegou.
O Ministério Público, que mediu cada sílaba pronunciada por Lula em cada evento público, para ver se havia “propaganda indevida” ignora o que se faz, todos os dias, em cada banca de jornal e aparelho de tevê. Vai, é incrível, atrás de achar favorecimentos inexistentes na única revista que não age como agente de José Serra.
O relógio, o calendário, as horas e dias passando sem que apareça uma chance à direita deste país, os açula.
Não, José Serra, você não vai transformar o Senado da República na República do Galeão. Não vai fazer ali o linchamento moral que os jornais, revistas e tevês que são, hoje, seus únicos apoios, os eleitores de um candidato que percorre ruas vazias, visita favelas cenográficas e cumprimenta populares a pedido dos cinegrafistas da Globo, fazem por você.
Somos, senhor José Serra, homens e mulheres civilizados. Queremos enfrentá-lo nas urnas. Nem mesmo queremos destruí-lo, apenas desejamos que se reduza à sua verdadeira estatura, a de um anão moral e político, de um homem a quem a sede de poder e mando encolheu, minguou, deformou até transforma-lo numa mórbida caricatura de seu passado.
O senhor, José Serra, é um cadáver insepulto, que exala os miasmas do golpismo.
As urnas o exorcizarão. O povo brasileiro poderá viver a luz do progresso. E o senhor, finalmente, descansará em paz , retornado ao pó em que sua ambição moeu um ser humano.
Artigo do jornalista Brizola Neto publicado no Blog Tijolaço.Com e reproduzido também no blogue de Hiroshi Bogéa.
Calvin & Haroldo: Máximas do Mínimo

E além do mais:
Porque perder tempo aprendendo quando a ignorância é instantânea?
Na minha opinião, nós não desenvolvemos pesquisas científicas suficientes para encontrar a cura para os idiotas.
Sobre sonhos e idéias

Cartaz americano de A Origem
Poucos filmes me deixaram tão confuso antes de ir ao cinema quanto A Origem, de Christopher Nolan.
Ao vê-lo pela primeira vez, há quase um mês, eu carregava comigo uma sacola cheia de dúvidas, esperando algo entre a chatice total e uma obra prima definitiva.
Saí do cinema com o mesmo feeling de quando vi Matrix e Blade Runner: o que é real?
Durante semanas fiquei re-digerindo, em divagações, passagens e idéias plantadas no meu cérebro pela película.
E finalmente tive a oportunidade de revê-lo há 3 dias, na folga de um congresso em Salvador, e passei a assumir que definitivamente adorei o filme.
Considerando que a ciência é plenamente incapaz de penetrar nos sonhos e que os considera como meras reativações de memórias estimuladas no decorrer do dia, a única maneira de neles interferir é através das experiências vividas no dia-a-dia. Isso inclui os delírios oníricos, ou seja, sonhar acordado. O filme, portanto, tem uma base científica 100% ficcional.
O tempo que passamos na fase REM do sono (onde os sonhos são ricos em imagens) é maior nos últimos ciclos, isto é, próximo à hora de acordar, e, ao contrário do filme, é proporcional ao tempo real. E nada impede, biologicamente, que haja um sonho dentro de um sonho.
As drogas hoje existentes são capazes de facilitar ou bloquear o sono REM, e só.
E mesmo que exames de Ressonância Magnética Funcional mostrem quais partes do cérebro são ativadas durante o sono, o conteúdo do sonho permanece secreto e restrito a quem o vivencia. Sonho e pensamento são territórios (ainda) secretos.
No filme de Nolan e na realidade das nossas vidas (ou do filme das nossas vidas), vagamos por um mundo em estado de aparente vigília, parcialmente sedados, esbarrando em alguns fantasmas, em muitos obstáculos e nas perdas passadas, projetando-os para um futuro de pouca definição.
A Origem (eu trocaria a tradução do título original Inception por A Absorção), apesar de ser um filme sobre sonhos, revelou-se para mim como uma obra de forte cunho realista.
E se, ao contrário do filme, o implante de idéias em nossas mentes tem que ser feito durante o nosso período de vigília, os psicólogos, padres/pastores, professores, médicos e políticos parecem ter um certo know-how intuitivo sobre a técnica a ser usada com esta finalidade.
Afinal, qual é a vida real?
"Google Instant" em vídeo para seu domingo
sábado, 18 de setembro de 2010
O Cansaço do Futuro do Pretérito
Na TV, pivô de denúncias contra Erenice admite chantagem e entra em contradição.Para não serem traídos com o que informam, os espertos nessa altura decidiram flertar com aquele tempo verbal da língua portuguesa . É fácil, sabe? Além da cara de pau midiática, basta separar a raiz verbal e somar aria, eria e iria aos verbos terminados em ar, er e ir. Depois é por na tv, no rádio, na internete, nos jornais e revistas, e mandar o eleitor se queixar ao Bispo, pois nesses tempos não há quase risco de encontrar os chamados padres melancias*...
Mas onde está Bart Simpson ?! O moleque deve estar vesgo com tanto futuro do pretérito saltando das folhas a sua frente.
*Pejorativo dado pela imprensa brasileira e membros da ditadura militar de 64 aos religiosos da Igreja Católica , alinhados com a Teologia da Libertação, por serem verdes (nacionalistas) por fora e vermelhos (c0munistas) por dentro.








