sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sonho ou vigília?


Procurando por algo diferente para ler no final da noite, ou no fim-de-semana, ou mesmo no final dos tempos?
Jean Giraud, aliás, Moebius, pode ser a solução.
O mais importante quadrinhista europeu do Século XX teve duas obras publicadas recentemente no Brasil pela Editora Nemo: Arzach e Absoluten Caufeutrail & Outras Histórias.
Ambas as obras são absolutamente visuais, com pouco ou mesmo nenhum texto, e refletem uma fase de grande liberdade do autor, a década de 1970.
Em Arzach, um dos personagens favoritos de Giraud, os sonhos são dissecados, à guisa da exploração de seus conteúdos, de forma nua e crua, com resultado próximo às obras dos mestres surrealistas.
No segundo livro, Absoluten Caufeutrail, Moebius trabalhou sem roteiro e sem esboços, diretamente "na tinta", explorando brutal liberdade que por vezes beira à própria psicoterapia.
A editora ainda promete para breve mais três livros do mestre francês, um dos quais, A Garagem Hermética, não pode faltar em nenhuma biblioteca decente do planeta.
Bem-vindos à exploração interior!
Bien venus `a l'univers de Moebius!
Bem-vindos aos sonhos!


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Que venham os SSDs

Imagem: Wikipedia
Os hard disks convencionais integrados a maioria dos computadores atuais, parecem ter chegado ao limite de sua performance. A velocidade de acesso aos dados, a despeito de enormes capacidades de armazenamento, permanece estagnada no tempo. Não estaria exagerando em apontá-los no presente momento, como o mais vexatório gargalo da microinformática. A razão disso, é óbvia. Os discos rígidos sempre padecerão dos limites físicos impostos em qualquer tecnologia dependente de partes móveis. Ou seja, discos magnéticos girando em altas rotações, com leitores posicionados sobre eles, obrigados a percorrer setores e mais setores, em busca de seus preciosos dados. 
Há algum tempo, surgiram os chamados Discos de Estado Sólido ou SSDs (Solid State Disks). Como utilizam memória flash, (mesma tecnologia embutida em pen drives e cartões de memória) possuem velocidades de acesso absurdamente maiores que os HDs. 
Vejam no final do vídeo abaixo, uma comparação de velocidades de boot entre um Macbook Air e um Macbook de primeira geração. O primeiro, equipado com um drive SSD de 128 gbytes.




Perceberam a extraordinária diferença? O fato de possuir um SSD, faz do Macbook Air uma máquina  quase que instantânea.
Contudo, ao menos por enquanto, os SSDs tem um probleminha: continuam caríssimos, sendo que os mais acessíveis ao bolso do usuário doméstico chegam no máximo a 256 gbytes. Enquanto isso, os discos rígidos já armazenam terabytes de informação.
Mas um dia, esta tecnologia também deverá seguir o fluxo natural de todas as outras atualmente disponíveis. Deve se tornar mais uma desejável banalidade. Espero ainda estar vivo para comemorar.

Fim de linha para os Macbooks Brancos

Não tenho certeza. Sempre fui péssimo para recordar datas. Mas acredito que minha adoção da plataforma Mac começou há cerca de 5 anos. 
Naquela época, como o resto do mundo, estava plenamente envolvido com PCs da plataforma conhecida como Wintel (computadores equipados com processadores Intel e sistema operacional Windows). 
Isso mesmo! Neste momento, eu era um entusiasta dos PCs, do Windows, e principalmente, da sedutora possibilidade de configurar e montar meu próprio hardware
Computadores? A princípio, como todos, comprava-os montados. O primeiro deles, com o Windows 3.11, o melhor sistema operacional da época. Encantado com a primeira experiência em microinformática, passei a ler muito sobre seu funcionamento, constituição, características técnicas, etc. Como consequência, passei a desejar montá-los pessoalmente. Arrisquei comprá-los aos pedaços. Placa-mãe, gabinete, placas gráficas, HDs, memória, drive de CD/Disquetes, etc. Reservei um domingo, montei tudo e finalizei instalando a versão mais recente do Windows (na época, Windows 95). 
Foi de um prazer indescritível, ao final do lento e meticuloso (e às vezes, rude) processo de montagem, apreciar a máquina completar o seu primeiro "boot". O grand finale de um desafio auto-inflingido. Algo bem maluco mesmo. Afinal, eu tinha a opção de evitar tudo isso adquirindo o micro pronto, como todos faziam. 
Neste cenário, estimulado pelo que lia e ouvia falar, arrisquei tímido e receoso (na verdade, apavorado), com a máquina Apple mais acessível que poderia adquirir. Um computador portátil, feito de impecável plástico branco, com uma duríssima missão: provar ser poderoso e eficaz em substituir tudo o que me era permitido (mesmo que parcialmente) com os estimados PCs Wintel.
A princípio, experimentei algumas dificuldades que logo entenderia como naturais.  Com efeito, somente um pouco mais adiante, cumprida a indispensável curva de aprendizado/dessensibilização, absorveria este conjunto de sinais e sintomas,  e, como num primitivo rito de iniciação, batizaria-os de "síndrome pós- windows" (SPW). Algo forte, mas totalmente passageiro. Essencialmente,  defino a SPW, como o tempo que todo mortal precisa para entender que "tudo o que você faz com o Windows, será plenamente capaz de fazer com o Mac".
E foi com o modesto Macbook Branco (um portátil Apple), com aquele perfil de hardware fechado tipicamente de iniciante (entry level), que consegui substituir os PCs Wintel. Com uma vantagem adicional : não precisava mais instalar antivírus/firewall, habitualmente capazes de diminuir sensivelmente a performance do PC mais poderoso.
Não havia como resistir ao apelo do novo paradigma. Tanto, que logo em seguida, toda a família adotaria alegremente os Macs.
Concluindo, foi com alguma melancolia que tomei conhecimento hoje, que a Apple deixará de produzi-lo. Simplesmente, o branquinho deixou de fazer sentido no mercado. E o motivo é simples. Pelo preço de um Macbook de plástico, você hoje compra uma máquina Apple portátil muito mais resistente e poderosa.
Hardware mais poderoso e barato, associado a natural resistência e robustez do alumínio, inviabilizaram o pioneiro de plástico.
Fim do caminho para os Macbooks Brancos. Que repousem em paz. Com toda a honra e respeito.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

É um pássaro? É um avião?

Vejam o que estes 3 caras fizeram em NYC, para promover o lançamento de um filme.



Bacana, não?

[Via Facebook/Antonio Fonseca]

Antes e depois do iPhone


Muito interessante esta imagem publicada no MacMagazine. Prova inequívoca da revolução detonada pelo iPhone, no até então tedioso mercado de telefones celulares.

Tá no jornal, é só trocar!

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Recebo de Elias Ribeiro Pinto a edição de seu Crônicas a sangue frio, com dedicatória e tudo. Obrigado Elias! Li e gostei muito. E, confesso, a bronca de seu irmão Lúcio Flávio Pinto está muito engraçada. É um belo e carinhoso puxão de orelha. Eu concordo com Lúcio Flávio: queremos mais livros de Elias Pinto.
Para quem não sabe, Elias Pinto é o curador da coleção Pará de Todos os versos, de Todas as Prosas. Uma iniciativa do jornal Diário do Pará que é dá melhor qualidade. Temos bons e dedicados escritores, e que não chegam aos leitores porque não são divulgados, nem são dadas as condições para tal. Meus parabéns ao Elias Pinto e ao Diário do Pará.
Da coleção já li Crônicas da Cidade Morena III do escritor Edyr Augusto Proença. Gostei muito das crônicas! São deliciosas: leves, em uma linguagem acessível; e nos colocam diante do espelho. Ri bastante.
Vamos que vamos Elias Pinto e obrigado pela lembrança!

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Cadê a credibilidade?

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A carta do presidente da Assembléia Legislativa do Estado, Manoel Pioneiro(PSDB), e as denúncias da deputada estadual Simone Morgado(PMDB), nos expõe ao ridículo e ao bufo. Nada mais somos do que os financiadores das negociatas e arapucas do poder legislativo. Repita-se: poder legislativo.
É patente o desrespeito ao cidadão. É clara a quebra de relações protocolares. É nítida a sensação de que somos palhaços: - Palhaços das perdidas ilusões.
O presidente da Alepa afirma que se tratam de inverdades e, ao contrário do que se espera, começa logo por destituir a comissão disso e a comissão daquilo. A deputada estadual Simone Morgado(PMDB), por meio de seus atos, tornou evidente a qualidade dos conflitos em competição: captura, achaque e quebra de relações de autoridade. Ambos demonstram desconhecer as razões que os levaram a ocupar uma cadeira na Assembléia Legislativa.
O cidadão paraense ainda tem o infortúnio - ou a responsabilidade? - de contar com fontes de informação venais, comprometidas com interesses privados e de grupelhos políticos. O jornal
O Liberal deu uma aula de como ser tendencioso na difusão da notícia. O Diário do Pará é um jornal de partido, do PMDB e de seus aliados. No frigir dos ovos, nenhum dos dois tem credibilidade.

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Pior!

Do blog da Franssinete Florenzano

[...]Ontem à noite, a Mesa Diretora da Alepa reuniu e tomou decisões para enfrentar a crise detonada pelas denúncias da 1ª Secretária da Casa, deputada Simone Morgado(PMDB). Os bombeiros trabalharam para que o presidente da Alepa, deputado Manoel Pioneiro(PSDB), conduzisse a sessão de hoje sem fazer qualquer comentário, mas ela entregou logo cedo à imprensa considerações acerca do pregão para aquisição da cesta básica e aí o caldo entornou.

Todos os deputados inscritos para discursar na tribuna abriram mão de se manifestar e Pioneiro leu uma nota rebatendo as acusações. Ao final, pediu desculpas por estar alterado e prometeu aos servidores que trabalhará para regularizar o funcionamento da Assembleia, praticamente paralisada, sem material de expediente e de consumo.

Os deputados estão atônitos com a situação. Um deles, quando perguntei o que pensa de tudo isso, me respondeu que “nem pensa mais”.[...]

Tanto riso, oh quanta alegria!

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[...]O governo federal vê risco elevado de a greve da Polícia Militar baiana se alastrar para mais seis Estados: Rio de Janeiro, Alagoas, Pará, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul. Destes, o Rio é considerado o mais crítico.
Há temor de violência às vésperas do Carnaval. O serviço de inteligência que abastece o Planalto classifica-os de "Estados explosivos".[...]


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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A banalidade e a delícia das rádios web

As chamadas rádios online não são nenhuma novidade.  Desde a primeira versão da web, elas foram surgindo e se multiplicando. É daquela época, o link que descobri nos favoritos de meu navegador. Um autêntico achado de "arqueologia digital". Refiro-me ao radios.com.br. Através dele, (que ainda mantém o velho e horroroso design daqueles tempos), localizava facilmente alguma programação inusitada em alguma parte do mundo.  Bizarro, não?

De lá para cá, ao menos nos grandes centros, tudo mudou. A tecnologia utilizada para streaming se aperfeiçoou, nossos computadores ficaram mais poderosos e, principalmente, a velocidade de nossas conexões aumentaram substancialmente. Comparar a experiência com os velhos modems para conexão discada com um singelo modem 3 G da atualidade, é um disparate. Acreditem. Mesmo com a conhecida precariedade de algumas conexões 3G de nossos tempos, os modems discados eram absurdamente lentos.

O fato é que essas melhorias, transformaram o streaming de áudio (sem nenhum exagero) em uma desconcertante banalidade. Se compararmos as exigências de banda para vídeos, o cenário favorável ao áudio é ainda mais notável.

Sendo assim, hoje é perfeitamente plausível (e até recomendável) deixar uma rádio web tocando em uma aba do seu navegador em segundo plano, enquanto continua a fazer o que bem entender nas demais. O streaming de áudio jamais irá comprometer sua experiência regular de navegação na web por consumo de banda. Na época das conexões discadas, isso era impensável. Ou ouvíamos as rádios, ou navegávamos na rede. 

Tenho certeza que neste exato momento, já existem milhares de rádios online transmitindo em streaming por aí. Muitas, são rádios do mundo real, transmitindo sua programação em paralelo pela web. Outras, são exclusivas do mundo virtual. 

A Last FM, por exemplo, foi pioneira e certamente já deve ser muito conhecida dos leitores. Auto denominada de maior catálogo musical do mundo (de acordo com o Google), ela tem grande variedade de gêneros musicais à disposição do ouvinte e está totalmente traduzida para a língua pátria. Contudo, ela vai lhe exigir uma conta pessoal (um formulário para preencher, um login, uma senha e blá, blá, blá). Além disso, depois de ouvir 50 músicas, finda-se a versão de avaliação gratuita e a rádio vai lhe cobrar 3 reais de mensalidade. É uma quantia modestíssima se levarmos em conta o tamanho do catálogo disponível e a plena possibilidade de fazer sua própria programação (ou playlist). E por esta razão, a Last FM é um serviço diferenciado.

Mas é sempre bom saber que você tem opções. E ótimas opções inteiramente gratuitas. De repente, até com a comodidade de deixar a programação à cargo de alguns notáveis de bom gosto musical. Afinal, mesmo gratuitas, se pecarem na qualidade de sua programação, rapidamente poderão ser punidas e até extintas pela falta de ouvintes.

Neste último cenário de gratuidade com qualidade, é claro que os leitores devem ter suas próprias sugestões. Vou citar então, apenas duas opções de minha preferência pessoal. Quem quiser acrescentar as suas, é só usar a caixinha de comentários.

Cultura FM - Portal Cultura - É minha preferida no grupo das rádios do mundo real com streaming paralelo na web. E a razão, não poderia ser mais simples. Como sempre gostei da programação da rádio real, tê-la ao alcance de meu navegador é um privilégio irresistível. Lembro que pelo portal, também é possível assistir a programação da TV Cultura. 

PopJazzradio - No grupo das rádios exclusivamente virtuais, hospedada na alemanha, a PopJazzRadio é minha favorita absoluta. Com um webdesign inteiramente fiel ao conceito do "menos é mais", a rádio carrega rápido. Em seguida, você ganha duas opções de ouvi-la.  Se der um clique no ícone de play do botão superior, a música é executada no próprio navegador quase que imediatamente. De outro modo, se optar pelo botão inferior, a programação será executada no seu player digital padrão (iTunes, Windows Media Player, entre outros). A programação sofisticada é dedicada ao Pop/Jazz. Em geral, você vai ouvir músicas predominantemente lentas, canções executadas por Jazz Singers notáveis como Diana Krall, Jane Monheit, Madeleine Peyroux, Ernestine Anderson, Ella Fitzgerald, etc. E sempre há algo para surpreender o ouvinte. 

Maravilhosa banalidade, não?

O elo perdido



Quando o filme de ficção científica Blade Runner foi lançado, na década de 1980, milhares de jovens (inclusive eu) foram impulsionados à leitura das obras de Philip K. Dick, que havia morrido um pouco antes.
Os maravilhosos textos de Dick acabaram por me cegar para um livro que havia sido lançado quatro meses depois daquele filme, Neuromancer, de William Gibson, que acabaria por gerar um sub-tipo sci-fi conhecido por cyberpunk.
Apenas no final dos anos 1990, com o lançamento de outro filme de impacto, Matrix, a obra visionária de Gibson passou a ter o destaque editorial merecido, apesar dos inúmeros prêmios literários recebidos (Nebula, Hugo e o próprio prêmio Philip K. Dick).
Em Neuromancer, os conceitos de inteligência artificial e de um cyberespaço "físico" (a Matrix) foram explorados pela primeira vez na literatura, assim como muitas idéias absurdamente visionárias para a época, tais como tecidos transgênicos, a "televisão da realidade" e as próprias bases conceituais para os ambientes virtuais (como os jogos e a internet, inclusive prevendo o surgimento de megacorporações, tipo Apple e Microsoft). Hackers, vírus de sistemas e computadores portáteis, que só iriam florescer um década depois, já estavam lá e muito bem descritos.
Na verdade a roupagem tecnológica é apenas um disfarce para um enredo sobre os humanos e suas sociedades. O futuro projetado por Gibson há quase 30 anos ainda está por ser atingido, mas a leitura deste livro me mostrou que estamos perigosamente no rumo por ele apontado, do ponto de vista tecnológico, político e social.
E hoje me pergunto como pude me permitir não ler este livro tão fantástico, inovador e perturbador, e vir a acessá-lo apenas em 2012?!
A culpa, eu presumo, é de Philip K. Dick, que me "forçou" a viajar mentalmente para o futuro, correndo para trás no tempo cronológico de suas obras.
Agora tentarei reajustar o rumo magnético ao mergulhar de cabeça nos outros dois livros que, juntamente com Neuromancer, constituem o que o autor denomina de trilogia Sprawl: Count Zero e Monalisa Overdrive.
Espero sobreviver.

PS: a bela ilustração da capa da edição brasileira (Ed. Aleph) foi feita pelo artista de rua Titi Freak.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Melhor assim...

Edição encadernada do jornal, que fez Ethel tremer. Foto: Carole Liogier


Cada um com sua sapiência, né? Pois é. Eis que me vejo toda serelepe ao receber equipe do Arquivo Público do Pará - a graciosa Ethel Valentina e o suave Leonardo Tori – e o historiador Fernando Arthur Neves, pró-reitor de Extensão da UFPA. Foram na Sociedade de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), para darmos continuidade aos planos de restauro e democratização do rico acervo da entidade.

Abro velhas caixas de papel fotográfico, aquelas de capa amarela, da Kodac. Nelas está amontoada boa parte do arquivo. Num misto de decepção, com o estado delas, e de felicidade, com o primor que espero que fiquem no final das contas, passo a mão num bocado fotos:

- Veja, professora?!

- Erika, vou te engasgar! – ela disse calmamente se contorcendo na cadeira.

Tori, com o jeitinho clássico oriental que tenho em mente, sorri silencioso e me acode, dizendo que não se pode passar a mão nas fotos.

Paciente e inquieta, Ethel me deu várias aulinhas em poucos minutos sobre os tipos de papel, de química, de práticas amadoras de revelação... enfim. Contou suas próprias experiências desastrosas. Tudo se acalmou.

Refeita da minha ignorância, apresento-lhes a encadernação com algumas edições do jornal Resistência. Eu vi Ethel levar suas mãos à testa e imaginei que naturalmente teria feito algo de errado novamente.

- Também não devo tocar nas folhas? – perguntei no típico sorriso sem-graça.

- To preocupada é com esses marcadores grudados nas folhas.

- Ah, é que fizemos uma exposição. Inclusive temos uma edição toda plastificada! - enchi a boca.

- Viiixe! – ela sentiu que o trabalho seria árduo.

- Mas tudo bem, vai durar mais algum tempo. Fizeram sem saber – pacificou o professor Arthur.

Bem, vamos começar tudo com um curso de manuseio do acervo. Melhor assim.

Fraquinho

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Eu tenho pena da Demi Moore. Uma mulher bonitíssima, razoavelmente informada, mãe de três seres humanos, e que sofre por ter sido abandonada pelo idiota do Ashton Kutcher? Ele não parecia mais idiota porque estava casado com ela. Agora ela?! - o que aconteceu? - Nessas horas me dá um fastio desse mundo das celebridades. Transformar um babaca como esse cara em um objeto de desejo de milhares de mulheres. Pobre da Demi Moore! Tadinha da Demi Moore! Ela foi vista magérrima e triste fazendo os cabelos no salão mais badalado dos E.U.A., enquanto lágrimas eram detectadas por paparazzis.
Que sorte teve a Demi Moore! Se eu fosse ela me bandeava para os lados daquele deus chamado George Clooney. Nem o Luis Fernando Veríssimo ficou imune a ele. Escreveu uma crônica engraçadíssima falando da inveja que ele sentia do George Clooney. Se eu fosse ela não esperava mais nenhum segundo e dava uma festa em comemoração ao despacho do Ashton Kutcher.
É muito fraquinho esse rapaz: muito!

Compra-se, mas por uma ótima causa!

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A causa está aqui!

Equador?

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Desde esta madrugada forças federais estão protegendo a Assembléia Legislativa da Bahia.
A cobertura jornalística aponta para o fato de que a situação é tensa. Não podendo escapar das imagens, sou transportada para Recife durante a Ditadura Vargas. Antes, vejo as barricadas de Paris em 1848, as descrições de Alexis de Tocqueville; e a reinstauração da República francesa levando Napoleão ao poder. Sem tanto clamor, em 30 de setembro de 2010, o governo do Equador enfrentou gravíssima rebelião policial e militar, com mortos e feridos. Entre eles o presidente do Equador, Rafael Correa.
Desde a madrugada de hoje forças federais estão protegendo a Assembléia Legislativa da Bahia. O que isso significa? Tenho algumas convicções; mas que as imagens falam por si: isso falam!

Mudar é fácil?

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Para muitos é facílimo: são verdadeiros camaleões. Mudam de opinião, ideologia e credo a cada segundo. São os eternos partidários de seus próprios interesses. Nos negócios e na política essa é uma regra muito observada: saber se adaptar aos tempos. Temos aí a afirmação literária do Príncipe de Falconeri - O Leopardo de Lampedusa - "tudo deve mudar, para que tudo fique como está".
A questão fica bastante superficial quando os camaleões esquecem de combinar com o eleitor e com os "russos". Aí a coisa pega, vai pro brejo, rola pelas escadas abaixo.
As próximas eleições municipais tem tudo para transformar os conselhos do Príncipe de Falconeri no figo mais apetitoso da bandeja. Mas, oito anos da administração de Duciomar Costa não é uma coisa tão simples de se esquecer. Quem come do figo, que saiba mastigá-lo!

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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Mueve La Cintura Mulata



Com Cuarteto Oriente

Cada vez que miro a mi mulatona
no se que pasa por mi
no me puedo contener


Cada vez que miro a mi mulatona
no se que pasa por mi
no me puedo contener


Y le digo así, y le digo así
mulata, tienes en las caderas una tembladera
que arrebata
mulata, tiene tu dulce boca una risa loca
que me mata


Cada vez que miro a mi mulatona
no se que pasa por mi
no me puedo contener


Cada vez que miro a mi mulatona
no se que pasa por mi
no me puedo contener


Y le digo así, y le digo así
mulata, tienes en las caderas una tembladera
que arrebata
mulata, tiene tu dulce boca una risa loca
que me mata


Mueve la cintura mulatona de mi vida, que me muero yo por ti
Que me muero yo por ti, que la vida doy por ti


Mueve la cintura mulatona de mi vida, que me muero yo por ti
Cuando hicieron las mulatas, me la hicieron para mi


Mueve la cintura mulatona de mi vida, que me muero yo por ti
Esa mulatita es mía, yo la tengo para mi


Mueve la cintura mulatona de mi vida, que me muero yo por ti


Mueve la cintura mulatona de mi vida, que me muero yo por ti
Esa mulatita es mía, que la hicieron para mi


Mueve la cintura mulatona de mi vida, que me muero yo por ti
Con esa mulata linda me la llevo hasta Pekín


Mueve la cintura mulatona de mi vida, que me muero yo por ti
Esa mulatita es linda, yo la tengo para mi


Mueve la cintura mulatona de mi vida, que me muero yo por ti


Como quiero esa mulata, que me muero yo por ti
Esa mulatita es mía, que me muero yo por ti
Yo la quiero bien así, que me muero yo por ti
Como quiero esa mulata, que me muero yo por ti


Mueve la cintura mulatona de mi vida

A inesquecível lembrança de "Asterix, O Gaulês"


Que tal esta imagem com quase todos os elementos que nos traziam tantas gargalhadas?
Até os incríveis javalis estão presentes!


E que tal esta? Com uma daquelas hilariantes brigas, onde não sobravam os peixes do verão passado de Ordenalfabetix e sua querida Ielosubmarina? 
Sem a menor dúvida, Asterix, O Gaulês marcou minha juventude. E continua a ser um de meus bens mais preciosos: uma vistosa coleção completa da obra dos franceses Albert Uderzo (ilustrador) e René Goscinny 
(escritor).
Entre os dois, difícil dizer quem seria o mais importante no sucesso de Asterix. Talvez, seja o exemplo mais exemplar de uma parceria perfeita*. 
René Goscinny
René Goscinny foi o escritor. Aquele que deu um sabor todo especial nas aventuras do intrépido gaulês. Seja pelo humor de fina estampa, seja pela extraordinária e surpreendente pesquisa histórica, muitas vezes encontrada em diversos exemplares. Nascido em 14 de agosto de 1926, morreu subitamente no consultório de seu médico durante um teste de esforço, aos 51 anos, em 5 de novembro de 1977. É o único que possui um website pessoal.

Albert Uderzo
Albert Uderzo dispensa comentários. Foi o responsável pelo sofisticado desenho daqueles personagens inesquecíveis. Notáveis são alguns desenhos panorâmicos, que ocupavam duas páginas inteiras da revista, com uma riqueza de detalhes impressionante. 
Ainda entre nós, Uderzo anunciou sua aposentadoria ano passado, aos 84 anos.

Você já tinha visto a cara destes dois? Eu não. Para mais detalhes, indispensável clicar nos links contidos no texto.
Antes de terminar, um pequeno detalhe. Visitando o website oficial de Asterix o Gaulês, tomo conhecimento desta preciosidade.

La Grande Collection, passa a ser meu sonho de consumo.

*Uma opinião pessoal: após a morte de Goscinny, Asterix nunca mais foi o mesmo.

Granito de milênios em detalhes

Imagem: Carlos Barretto. Todos os direitos reservados.

Durante minha última visita ao escandaloso Museu do Louvre, utilizando uma super lente macro da Nikon, fiz o registro dos detalhes do granito rosa de uma das inúmeras estátuas da seção egípcia.

A Fotografia de Paulos Santos no Museu Nacional em Brasília


A exposição Amazônia: Estradas da Última Fronteira do amigo e parceiro de blog Paulo Santos será reeditada na próxima terça às 20 h, na Galeria do Térreo do Museu Nacional do Conjunto Cultural da República em Brasília. 
A exposição foi apresentada aos paraenses no dia 5 de agosto do ano passado no Museu Histórico do Estado do Pará. Na oportunidade, o Flanar a divulgou em duas notas: aqui e aqui.
Sobre ela, ninguém melhor para falar que o próprio fotógrafo em um ótimo texto que me enviou por e-mail, que tomo a liberdade de publicar.
Muito orgulho deste amigo, companheiro e ótimo profissional, com uma vida dedicada a fotografia, com foco no fotojornalismo.

O projeto Amazônia - Estradas da Última Fronteira alcança a segunda etapa com a mostra em cartaz no Museu Nacional de Brasília, a partir do próximo dia 7. Neste caminho até a capital federal, tive o apoio fundamental de alguns amigos do peito e profissionais de alto quilate, a quem agradeço por acreditarem nessa ideia.
Em momentos assim, quando a gente percebe que tem alguma coisa para dizer ou mostrar, imediatamente uma dúvida e uma certeza nos assaltam. A certeza é de que só vale a pena investir num projeto desse porte se ele tiver o perfume da inovação e a categoria do registro histórico. Do contrário, será apenas mais um. A dúvida é justamente o contraponto da certeza: será que tem mesmo?
O apoio dos amigos, a repercussão na mídia, a opinião de pessoas respeitáveis, o convite do Museu Nacional e o desafio de traduzir em meio físico um conceito abstrato me ajudaram a acreditar na viabilidade e importância desse projeto. Conto com todos esses elementos para ir adiante.

Paulo Santos


SERVIÇO:

AMAZÔNIA: ESTRADAS DA ÚLTIMA FRONTEIRA

GALERIA DO TÉRREO DO MUSEU NACIONAL DO CONJUNTO CULTURAL DA REPÚBLICA
7 de fevereiro à 18 de março
Terça a Domingo de 9 às 18:30 H.

Sobre a Liberdade

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Prá mim é a imagem mais cruel sobre o que foi a Ditadura


Teenteen



Contra os meus próprios prognósticos, gostei muito do filme Tintin, na versão motion capture em 3D de Steven Spielberg e Peter Jackson.
Os apreciadores da obra maior do belga Hergé não terão dificuldades para identificar as três histórias originais que cederam parte de seus enredos ao roteiro do filme: O Segredo do Licorne, O Caranguejo das Patas de Ouro e O Tesouro de Rackham, o Terrível.
O filme flui bem, com ótima música, visual bem clean (a la Hergé) e com a esperada ironia fina dos personagens.
Minhas poucas críticas dizem respeito à duração talvez um pouco longa demais do filme , ao excesso de cenas de ação e a uma leve americanização do resultado final (que pensando bem, não poderia ser diferente: o filme, nos EUA, deveria se chamar Teenteen!).
Mas o ingresso vale cada real - não percam!

PS: na verdade cometi um grande erro, pois resolvi reler Os Charutos do Faraó na mesma noite em que fui ao cinema e acabei gostando mais do livro de 1955 do que do próprio filme. Falha de estratégia...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Thérèse Desqueyroux

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Volto ao tema da literatura para falar de uma mulher incrível. A personagem de um romance do François Mauriac: Thérèse Desqueyroux. Ela é uma mulher que começa a matar o marido com doses homeopáticas de veneno.
Como esse dado entra na narrativa, é surpreendente! O leitor se vê diante de uma mulher que enlouqueceu. Vamos sendo levados aos fatos de Thérèse; aos crimes que praticou. Mas ela apresenta grandes justificativas para seus atos criminosos: e o leitor vai entrando na ambivalência das cenas. A tradução que li era do Drummond: imaginem o filé. Leiam mulheres! Vocês vão ficar estarrecidas com a Thérèse.
Um belíssimo personagem.

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Thérèse Desqueyroux de François Mauriac.

ABAETETUBA, DE AVIÃO

Os espelhos verdes paralelos
e, entre eles,
os anelos
o escaravelho, o outrora...
A lesma do sempre
soletrando-se
viscosissimamente...


Ali a praia de Beja. Ali
desinocências.
Ali a Ponte Grande.
Ali o Velho Camões, a Igreja, O Lobisomem.
Ali Joaceli, Brígida, as maninhas. Ali o tempo
a mergulhar no rio, O Boto arisco. Ali prazeres,
bubuiar nas águas, sonhos. Adão ali adolescente
na fileira ávida de Laura (o pênis verga erguendo
as velas do prazer mal bordejado...) Ali
as Pastorinhas, O Tio Miguel, a Nina Abreu.
O cemitério ali, o deletério medo
ante ao eterno. Ali o Grupo Escolar.
Ali a poesia.
Ali a vida, igarapé-oceano,
com palavras de amor boiando em preamares
eu-mesmo a pescar
entre piabas
as sílabas do ser, a eterna fala...


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João de Jesus Paes Loureiro/Água da Fonte.

Invernal

Desde 1619, ele enfrenta os invernos belgas, mas às vezes não é facil. Na atual onda de frio que varre a Europa, até o nosso Manneken Pis - chafariz que é um garoto fazendo xixi, simbolo do espirito anarquico do brusselaar ou bruxellois (o habitante de Bruxelas) - anda sofrendo. A prefeitura da capital belga fechou o fluxo de água para evitar o congelamento e os consequentes danos à estátua nesses dias em que a temperatura máxima não tem passado dos -4°C e as minimas beiram os -18°C. (com foto da Agência Belga)



Bom dia!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sinais dos tempos

Eu já gostei mais das posições do Ministro Marco Aurélio. Mas chegar à conclusão de que Gilmar Mendes foi melhor está me assustando muito...

Veloster, Molóster ou Slowster?


Nós, brasileiros compradores de carros, devemos ter fama intergaláctica de trouxas, ou algo parecido.
Não vou nem entrar no mérito dos impostos, ou dos lucros enviados pelas montadoras a suas matrizes, nem das regras financeiras em eterna mutação e da baixíssima qualidade dos carros aqui produzidos.
Vide apenas o exemplo do lançamento recente (há cerca de 6 meses) do esportivo Veloster, da Hyundai.
Carro de design bonito, algo polêmico até, foi divulgado exaustivamente pela mídia e vendeu bem, a princípio, gerando inclusive uma pequena fila de espera.
O único e grande problema do veículo, logo constatado pelos felizes proprietários, era o fato de que ele não mostrava desempenho nem de longe compatível com os 140 cavalos anunciados pela produtora. Resumindo, os belos carros não conseguiam subir ladeira alguma.
Alguns comentários tímidos chegaram à imprensa especializada, com destaque para a edição de dezembro da revista Quatro Rodas, cuja avaliação final do carro, no entanto, foi bastante positiva.
Somente agora, em fevereiro, a revista Fullpower (que por coincidência não apresenta em suas páginas propagandas da Hyundai ou da Kia), ousou publicar reportagem sobre o teste do motor do Veloster em dinamômetro, e advinhem?!... Dos 140 cv anunciados, apenas 121 são entregues (a matéria completa está disponível no UOL Carros).
E agora?
A única medida real tomada pela montadora foi a supressão pura e simples das informações técnicas sobre a potência do motor no seu site. E nada mais.
Parece que inauguramos, com este affair, uma nova fase de nossas vidas como consumidores: a da globalização.
Agora somos enganados também pela indústria sul-coreana.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A primeira tabuada


As reações foram variadas. Algumas de sarcasmo, outras de saudosa lembrança, nenhuma irada. Mas quase todos, reagiram de alguma maneira, a esta singela imagem que compartilhei ontem no Facebook. 
Afinal, a primeira tabuada, ninguém esquece.