quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

De onde quer que se viesse...


Arquivos IBGE. Vista do Cais do Ver-o-Peso. T. Jablonski

"A Santa Maria de Belém chegava-se pelo rio. Pelo rio ia-se embora. Se fosse para muito longe, passava-se pelo Farol do Atalaia em Salinas e depois era o mar verde-sujo, verde-esmeralda, à noite negras-negras parecendo as águas. O navio rompia caminho no mar tenebroso. Os medrosos rezavam e jejuavam de estômago embrulhado, esperando que o sol se abrisse para sossegarem um pouco.
Leves eram os baques da água na borda do cais. Não se tinha lembrança de que pelas cercanias da cidade, pelo Rio Pará, pela Baía do Guajará, tivesse acontecido uma pororoca, que é o rio com raiva. Calma era a correnteza do rio. As canoas passavam transbordando frutas. O Ver-o-Peso era um porto de lama sujo cujo cheiro podre os nativos nem sentiam mais. Sentiam os adventistas, não entendendo o perfume de lodo e caranguejo, de pupunha e piquiá, do mugunzá fumaçando nas cuiapitingas. Apuravam o nariz. Olhavam a paisagem de urubus e de tupinambás vestidos de sunga que saltavam de canoa em canoa, rápido deslocando-se de convés em convés como se os conveses fossem tábuas machetadas, um piso igual, chão superposto sobre as águas espessadas de lama, encardidas águas mas alegradas pelas velas amarelas, vermelhas, azuis, enroladas agora no mastro. As canoas carregavam ou descarregavam. A " Viajante II". A "Miss Macapá". A "Lindo Mar". A "Suprema". A "Flor do Cajari". A "Santa Providência". A "Rosflandina". A "Muanense". A " Vespertina do Cocal". A "Deusa Esperança". A "Cantora de Afuá". A "Lírio de Nazaré". "
(Rio de Raivas - Haroldo Maranhão. Ed. Francisco Alves, 1987)
iPhone e o mago da Apple

Steve Jobs apresenta o mais novo e genial lançamento da Apple.
Chama a atenção a tela sensível ao toque e a animação da platéia ao longo da apresentação.

391 anos completos!!!


Belém do Pará - Estrada de São Jerônimo (Postal de 1936)

Apple e suas maravilhas



Você certamente já viu um iMac, um iPod ou um Macbook. E deve ter achado todos eles um show de design. Design é a palavra de ordem na Apple. Mas estaria sendo injusto se afirmasse que apenas ele é que importa. Tecnologia também é sempre superlativa em seus produtos.
Design e performance seriam as duas palavras mágicas da Apple. Acrescentaria também inovação e criatividade.
Para conferir, basta uma visita no website da Apple e conhecer o mais novo lançamento, que promete estremecer tudo o que já foi feito em termos de mp3 player, telefone móvel GSM, PDA, câmera digital de 2 megapixels, conectividade sem fio entre outras funcionalidades. Uma aposta da Apple no que parece ser a tendência do futuro: convergência digital. Tudo do tamanho certo, com o design certo e com a mais alta tecnologia disponível na atualidade. E a apresentação em Flash no website é impecável.
A cada dia que passa, acreditamos cada vez mais que melhor que um iPod são 2 iPods ou outro mais moderno. Não tem Zune que dê jeito.
Só tem 2 coisas que definitivamente não são boas: o diminuto armazenamento onboard de até 8 gigabytes e o precinho, é claro. Mas isso melhora. Sempre melhora com o tempo.

Conheça o iPhone.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

As cores do arco-íris


Murubira e o arco-Íris...

...que aqui aparece com zoom e contraste exagerados no programa
de edição de imagens para realçar sua mágica e suas cores.


Neste fim de semana, cumpri um ritual que se não fosse mágico, seria no mínimo poético.
Junto com meu filho menor de 10 anos, armado com aquela câmera digital e um iPod, passeamos pela praia do Murubira em Mosqueiro. Longe de ser um mero passeio, costumamos curtir a praia de inúmeras e divertidas maneiras. Além de aproveitar o momento para conversar sobre tudo o que nos viesse a cabeça, caminhávamos sobre a areia procurando encontrar coisas que a maré alta deixa na beira da praia. Para cada coisa encontrada, uma história é inventada.
Além do lixo - que não escapou do juízo crítico do caçula - procurávamos encontrar e nomear as sementes e frutos que a floresta sabiamente ainda insiste em espalhar pelas praias, semeando a continuidade de sua existência. No caminho, íamos achando e nomeando sementes de seringa, andiroba, frutos de buritizeiro, coquinhos, e uma ampla variedade de outros ítens que não conseguíamos indentificar. Mas presumíamos sua importância.
Achamos também muitos objetos que ali não deveriam estar. Seja pela inevitável constatação da falta de educação ambiental de muitos, seja pelo potencial de dano a integridade física dos usuários da praia. Entre cacos de vidro, latas de cerveja, e outros objetos cortantes - restos indesejáveis do reveillon na ilha - encontramos uma tampa de sanitário quase que inteira enterrada na areia da praia.
- Incrível! - dizia meu filho.
Pura realidade aos nossos olhos, entristecidos de ver aquela excrescência no meio de tanta beleza.
Após purgarmos dentro de nossos corações aquela visão aterrorizante, o tempo resolveu nos dar uma compensação.
Com o sol batendo de lado, já por volta de 17 h, vento forte e uma chuvinha rala que não nos fez arredar o pé do programa planejado com carinho, eis que aparece o mais brilhante e completo arco-íris, com visão total de 180 graus. Via-se de uma ponta a outra.
Uma imagem vale mais do que mil palavras.
Quem sou eu para estragá-la com todo este texto.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Medicina

Belém inicia o ano com mais um curso de medicina. É o terceiro no estado, se considerarmos o de Santarém como um apêndice ao da UEPA. O novo curso, particular, com a mensalidade condizente com o status que a profissão insiste em manter, vem se somar aos 159 já existentes no Brasil, enquanto mais 70 esperam na fila a liberação para seu funcionamento. Se a todo momento discutimos a deficiência na formação médica, por todo o país, qual a necessidade e o interesse da abertura de novas escolas, ao invés de procurar recuperar as já existentes? Afinal, precisamos de mais médicos ou de melhores médicos? Talvez precisássemos mesmo era de deixar de ensinar medicina e mais de ensinar a ser médico. A título de curiosidade, nossos “irmãos do norte” têm 125 cursos de medicina em atividade ancorados em cerca de 400 hospitais-escola.

Foi a década da Editora Brasiliense, que sob a batuta de Caio Graco Prado editou a mais completa tradução do espírito dos Anos 80. Além de Feliz Ano Velho, a Brasiliense levou para as livrarias poetas do calibre de uma Ana Cristina César:

“Acreditei que se amasse de novo

esqueceria outros

pelo menos três ou quatro rostos que amei

Num delírio de arquivística

organizei a memória em alfabetos

como quem conta carneiros e amansa

no entanto flanco aberto não esqueço

e amo em ti os outros rostos”

(A teus pés - Ana Cristina César, 1982)

A primeira volta ao mundo (Lembrando os 80 - I)


Os anos 80 foram anunciados com a atitude do ex-guerrilheiro e exilado político Fernando Gabeira, que, no verão de 79 - o verão da Abertura-, abalou Ipanema apresentando-se com uma micro-tanga de croche azul-rocha, na verdade a calcinha da Leda Nagle, de quem ele havia emprestado a peça do vestuário por não ter com que ir à praia. Depois desse fato e do episódio das latas com maconha prensada boiando na Baía da Guanabara, o Brasil dos militares jamais seria o mesmo.
Mas, os 80 começavam e pra valer pra cima da ditadura militar, já meio alquebrada depois de 16 anos de LSN, AI-5 e 477, divída externa impagável e inflação galopante. Entretanto a coisa não foi lá muito fácil até que chegássemos finalmente a eleger o Tancredo Neves, ainda que o para o Zé Ribamar Sarney presidir o Brasil. Até Fafá de Belém saudar o Menestrel das Alagoas e anunciarmos pomposamente a chamada Nova República muita água rolou dos céus de Belém.
A começar pela reação da extrema-direita, inconformada de ser apeada do poder pelos comunistas que retornavam dos exílios. E mandaram bala, ou melhor, bombas.
Foi o tempo de explodir a OAB, a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, o Rio Centro e as bancas de revistas que distribuíssem pasquins vermelhos (O Resistência era um deles). Lembro que eu e Sérgio Carneiro, futuro presidente da UNE, estudávamos a maçuda Anatomia Patológica do saudoso Prof. Ronaldo Araújo, enquanto explodiam as bancas na Praça da República. Fechávamos então o Bogliolo e dávamos um pulinho pra ver o estrago. Dos autores, até hoje nunca se viu a cara, e olhe que nesse priapismo golpista tardio a tal linha dura terminou matando civis.
Falando na truculência do regime militar, lembro que é do início dessa época o assassinato de um estudante em sala de aula, no Campus Básico da UFPA, vitimado pelo disparo não proposital da pistola automática de um Agente de Polícia Federal. Nesse tempo, para espionar os estudantes, essa gente entrava nas universidades sem vestibular, infiltrava-se no movimento estudantil e se graduavam santamente. Ainda lembro vivamente do cortejo que levou o corpo do estudante até Santa Isabel, sob uma torrencial chuva, todos cantando Pra dizer que não falei de flores, do Vandré, e "quem cala sobre teu corpo, consente na tua morte", com polícia de tudo que é lado fotografando quem desse bobeira. Aliás, o rapaz assassinado foi irmão de Sandra Leite, obstetra bem afamada em Belém, petista e hoje dirigente do IPASEP. Esse crime permanece impune até hoje!
È de 82 a expulsão dos Padres Camio e Gouriou, franceses, presos em Belém com base na LSN por organizarem posseiros de terras no Araguaia, região especialmente sensível para os governos militares. Todo o movimento estudantil de Belém se organizou em vigília para pressionar o governo a libertar os religiosos, com apoio de segmentos da Igreja Católica. As vigílias aconteciam na Igreja da Trindade e o lanche era garantido pelo Pedro Anaisse, que morava na Gama Abreu. Todo o esforço de mobilização foi em vão. Foram expulsos os dois do Brasil com base na LSN.
Mas, politicamente, os 80 guarda a fundação do PT, da CUT e do MST, três pesos pesados com influência até hoje. É o tempo também da emenda Dante de Oliveira que, embora derrotada, não impediu que o país se levantasse pela redemocratização, reunindo-se o povo em comícios monumentais da campanha pelas eleições diretas para presidente - Diretas Já! era a palavra de ordem.
Pois o negócio foi tão contagiante que até o General Presidente Figueiredo foi democrata ao modo dele, do alto de um cavalo imaginário que parecia sempre cavalgar: Quem for contra a abertura política, eu prendo e arrebento! E não satisfeito completou adiante: o comício pelas diretas deu um milhão de pessoas? Pois daria 1 milhão e uma se eu estivesse no Brasil!
Mas, aqui, cabe um porém. Foi em 82 que as esquerdas se uniram em torno de Jáder Fontenelle Barbalho e o elegeram governador do Pará. E com o meu voto, arre! Mas, quem iria advinhar. Nessa época o Edmilson já andava pelo movimento sindical (nunca se interessaria por movimento estudantil), mas não havia cunhado o tal fé no que virá que o elegeria prefeito de Belém, quinze anos depois!

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

A primeira volta ao mundo (Lembrando os 80 - II)

Na UFPA as tendências do movimento estudantil disputavam com grande energia os diretórios acadêmicos, orgãos fundamentais para a redemocratização universitária - DAM, DCE, CACO, CABIO, etc. Com a conquista deles chegaram as primeiras greves e vi o Professor Moussalem de Estudos de Problemas Brasileiros -2 esbravejar que doravante usava dois cintos, um para segurar as calças e outro pra botar pra correr os grevistas baderneiros, inclusive os que eram professores, referindo-se a gente como Raimundo Areas, Eluisa Areas, Rômulo Paes, Sérgio Carneiro, Mário Magrão, Fernando (Índio) Barros, Roseli, Amaury Braga Dantas, Itajaí de Albuquerque, Isa Paula, Edmundo Gallo, Joseney dos Santos, Carlos Barretto, Paulo Weill, Tião Vianna entre outros com que me alongaria ainda mais, se os citasse.
Se por um lado as esquerdas hegemonizavam na Arquitetura, Biologia, na Comunicação, na História, na Odontologia e na Medicina, a direita acuada reagia no sócio-econômico da UFPA sob a liderança do Bacalhau, que assim nomeio (e peço desculpas por isso) por ter escapado da memória seu nome real.
É desse tempo, enfim, a promulgação da Constituição Federal de 88, que o Sr. Diretas, Ulysses Guimarães, tonitrou como "o documento da liberdade, da dignidade, da democracia, da justiça social do Brasil" - o velho sabia emocionar, quando discursava.
Os anos 80 são de muito mais coisas em termos políticos. Dos chamados "fiscais do Sarney", por exemplo. Um bando de senhores e senhoras da classe média que assumindo o discurso dos planos de estabilização econômica radicalizavam nas portas dos comércios. É desse tempo por exemplo o Presidente da República sair a caça de bois que os fazendeiros estariam sonegando da mesa dos brasileiros e brasileiras.
É tempo... Do Movimento da Meia Passagem! Tendo a frente o Luiz Araújo, depois secretário de educação do governo Edmilson, conduzindo os secundaristas pelas ruas com a palavra de ordem: Meia passagem! Meia passagem!
E foi a época em que vários de nós depois de tanta confusão nos graduamos em médicos no período regulamentar de seis anos, casamos e iniciamos a pós-graduação e a vida profissional.
O encerramento dessa década, contudo, foi mal. Em 89, na primeira eleição direta para presidente, pós-ditadura militar, o Brasil elegeu Fernando Collor de Mello e a chamada República das Alagoas levou o povo brasileiro ladeira abaixo nas desigualdades sociais e na sempre frágil moralidade brasileira com os negócios públicos. A história, mais uma vez protestou, por coisas e loisas, que não daria saltos às ordens de nossos corações de estudantes.
Uma busca, porém, ainda nos move com a memória desses anos 80, que pelo impacto em nossas vidas representa a admiração de uma volta ao mundo. Tal qual o muiraquitã do Paulo Chaves, a tanguinha do gabeira está desaparecida, aguardando que algum arqueólogo interessado nas relíquias dos anos 80 a encontre e destine quem sabe a alguma vitrine do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

LEMINSKI



echantagem

acabo de ser culpado de tudo

esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima

de tanto fazer tudo
parecer perfeito

você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito

pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito

que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar

tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade

o pau na vida
o vinagre
vinho suave

pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade.

Paulo Leminski - Polonaises, 1980


Batizado Agenor Miranda de Araújo Neto, o Cazuza, na música dos anos 80 é a estrela mais brilhante que se tornou legado.
Cazuza foi membro do pulsante Barão Vermelho e seguiu carreira solo das mais profícuas, produzindo verdadeiros clássicos da MPB, como Tudo o que houver nessa vida, Bete Balanço, Pro Dia Nascer Feliz e Maior Abandonado... entre outras.
Certamente representou como poucos de seus coetâneos o pensamento da década, ao produzir uma lírica sinalizada de inquietude, transitoriedade e preocupação social.
Infelizmente não teve tempo para prosseguir. Vitimado pela AIDS, faleceu no ínicio da década seguinte aos 32 anos de idade.

O cinema nacional dos anos 80 nos reserva poucos ícones. Mas esse aí de cima, do mais europeu dos nossos cineastas, o paulista Walter Hugo Khouri, é digno de nota. Além de integrar com brilho a obra do cineasta, traz duas brasileiras belíssimas, sendo que, no filme, Xuxa Meneghel aparece como veio ao mundo para revelar a um garoto de 12 anos os mistérios do sexo. Não a toa, depois, nos anos 90, a miliardária Rainha dos Baixinhos moveria ações judiciais para impedir a comercialização do filme. Amor Estranho Amor é um legítimo cult movie dos anos 80.

Recordando os 80


Impossível falar da música dos anos 80 e não resgatar na memória essa turminha aí de cima: O Balão Mágico, na sua formação quarteto com Mike, Simony, Tob e Jairzinho.
Os 80 foi uma das décadas mais ricas em termos de experimentar novas fórmulas musicais para disputar mercados. Foi nessa década que as grandes gravadoras pavimentaram a música instantânea e fugaz da década de 90, diminuindo o peso autoral dos anos 70, da Tropicália, de Chico, Elis, Mutantes, etc.
Musa dos 80

Falando em década de 80, como não mostrar uma das musas daquela época. Paula Toler, bela como sempre, aqui aparece cantando Fixação, em uma versão mais lenta, bem diferente da original.
Jane Monheit - Taking a chance on love

No primeiro dia de 2007, sugeri aos leitores do Flanar que ouvissem urgente a belíssima jazz singer Jane Monheit. E com a ajuda do You Tube, conseguimos um belo clip de Taking a chance on Love, de seu penúltimo disco que leva o nome da faixa.
Vale a pena ouvir!

Saudades mortas à pauladas

Ontem cumpri um ótimo programa ao final de mais uma escala normal de trabalho. Coisa que não acontece com tanta frequência e por isso, totalmente preciosa.
Em uma animada confraternização, totalmente inesperada, revi velhos e sempre queridos amigos da década de 80. Década que muitos dizem que não gostaram, a exemplo da galera do blog Totalmente-sem-noção. Mas afinal de contas, não se poderia esperar outra coisa da divertida galera deste blog, que afinal de contas, ao menos parece ser sincera no título.
Lá, fizemos tudo aquilo que sempre se faz em confraternizações. Reavivamos nossas amizades solidificadas para sempre, relembramos velhas e divertidíssimas histórias, trocamos telefones, e-mails, websites e tomamos um bocado de cerveja. Tudo isso bem no meio da semana e todos devem ter ido hoje ao trabalho algo mal dormidos porém, absolutamente felizes com o extraordinário e inesperado encontro.
Gostaria de citar nominalmente cada um dos presentes naquela festinha improvisada e para mim, agradavelmente inesperada. Quem me convidou, sabia com precisão que me faria muito feliz. Desde já, agradeço com emoção ao convite. Prefiro contudo manter a privacidade e anonimato dos que se fizeram presentes. Basta para nós que guardemos no fundo de nossos corações aqueles momentos felizes.
A década de 80, do esplendor do rock brasileiro, produziu Legião Urbana, Capital Inicial, Kid Abelha, Lobão e os Ronaldos, Ultraje à Rigor e deu vida a outros grupos não brasileiros como The Cure, The Smiths, Everything But The Girl, B-52, Sting, Phil Collins, etc, etc.
No cinema, víamos embasbacados o surgimento de inúmeros diretores e filmes antológicos que gostaria que os amigos citassem. Na televisão, o TV Pirata fazia a alegria da galera. E um jornalzinho de humor chamado Planeta Diário, explodia nas bancas com algumas manchetes bem humoradas como "Militares e Maria de Fátima tramam um novo golpe". Maria de Fátima era a megera da vez nas novelas da globo, protagonizada por Glória Pires.
No Brasil, saíamos de uma ditadura e entrávamos com tudo na universidade, onde acabamos por nos encontrar e formar um grupo sólido de amigos, hoje todos quarentões absolutamente bem humorados, mantendo viva a história de bom caráter e excelente companheirismo.
Lamento mesmo, que muitos de meus novos e atuais amigos, formados ao longo de minha vida como profissional, não tenham vivido da mesma maneira aqueles anos. Mas viveram a seu modo outras histórias. Que sempre trazem à cena o saudável contraponto.
Amigos diletos e sinceros, serão sempre bem vindos. Mas aqueles que ontem se encontraram, marcaram nossa trajetória para sempre. O que seria de mim hoje, se não os tivesse conhecido?
Deixo a pergunta sem resposta, pois para ela, o momento presente é suficiente para torná-la óbvia demais. Ou pequena demais diante da grandeza dos valores e princípios forjados naqueles anos do resto de nossas vidas.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Barraco na Unimed da Doca

Confirmando a nota publicada no Quinta Emenda no post Mistura Fina, o Diário Online acaba de publicar a notícia completa sobre a desagradável ocorrência que acabou mais uma vez nas seccionais policiais.
Pelo jeito, os médicos das emergências de Belém, terão cada vez menos motivos para se sentirem estimulados a trabalhar em tão importantes serviços. E o empresário citado na reportagem, não é o único a protagonizar este tipo de atitude nas salas de emergência.
Muitos, amparados em suposta notoriedade e/ou poder econômico, acreditam que tal fato é o suficiente para que os profissionais larguem de imediato o atendimento que estão fazendo em outros pacientes verdadeiramente graves, (sob a ótica estritamente profissional que só cabe aos médicos avaliar e por isto são frequentemente responsabilizados caso deixem de fazê-lo), para atender seus "quereres".
A idéia de colocar câmeras de monitoramento, a exemplo do que ocorre nos EUA, é interessante para proteger médicos e pacientes, nesta já tão atribulada área de atendimento. E deveria de imediato ser adotada, caso não existam restrições legais ou éticas.

Salvação pela leitura

A biblioteca de Leonardo
Folha de S. Paulo - 23/12/2006 - por Bernardo Carvalho
No sertão de Minas, onde, em vez de jagunços lutando e matando por honra, amor e amizade, há traficantes e adolescentes destruídos pelo crack, um pescador, tentando sobreviver às conseqüências da poluição de um dos maiores e mais emblemáticos rios do país, montou uma biblioteca ambulante na feira de uma cidade sem livrarias. Em 11 meses, Léo do Peixe reuniu 8.000 volumes e cadastrou 348 leitores no seu Clube da Leitura, numa feira livre, em Pirapora, às margens do rio São Francisco. Cinqüenta anos depois da publicação de Grande sertão: veredas, a obra-prima de Guimarães Rosa, o projeto heróico e obstinado do pescador revela, pela exceção, a realidade de um sertão que já não permite nenhum idealismo.
( do site Publishnews)

Não era defacement


No website normalizado, a razão do tal Banco do Bruno.

Na área circulada em vermelho onde se lê notícias, as explicações
sobre as alterações no website.


Corrigindo o post anterior, a súbita alteração no website do BB, que quase mata a todos nós do coração, é na verdade uma legítima intervenção da equipe de TI do banco que executa neste exato momento alterações em sua campanha publicitária para o ano de 2007.
A idéia, - entre inúmeras outras propostas para as unidades de tijolo e cimento - é justamente adotar o nome do cliente na home page do banco.
Só que a assessoria de imprensa do BB só avisou o que estava acontecendo às 15:23 h de hoje após provocar quase uma síncope nos usuários que tiveram esta desagradável surpresa ao tentar acessar o website do banco.
Trata-se muito provavelmente de um período de testes onde coisas estranhas podem acontecer. Como por exemplo ver no website o título Banco do Bruno, como aparece em uma das capturas de tela do post abaixo.
Em tempos de websites fraudulentos, é no mínimo uma impropriedade.
Veja abaixo a nota da Assessoria de Imprensa do BB.

Nova campanha publicitária do BB adota nome do cliente

Com quase 200 anos de história, o Banco do Brasil mudou a fachada de 300 agências em dez estados da federação para dizer, simbolicamente, que não medirá esforços para estar mais próximo das expectativas e desejos de seus correntistas e até não clientes.
No primeiro dia útil de 2007, elas foram rebatizadas de Banco do João, Banco da Maria, Banco do Antônio e outros nomes tipicamente brasileiros. A ousadia é parte da nova campanha publicitária, que substituirá por 30 dias as placas fixadas nas entradas das agências. Mas as novidades não param por aí. O cliente que acessar o Portal bb.com.br será surpreendido com seu nome no logotipo do BB, anúncios de 30 segundos serão exibidos nas principais emissoras do País e em revistas e jornais de grande circulação. O slogan da campanha é “Todo seu” e aprofunda o posicionamento anterior, “O tempo todo com você”. A proposta é reforçar a estratégia negocial da empresa de desenvolver produtos e serviços sob medida para cada segmento em que o Banco atua e prestar atendimento personalizado.

Notícia publicada em 02/01/2007 às 15h23

Fonte: Assessoria de Imprensa - 61 3310-3551

Defacement no website do Banco do Brasil


No Firefox...

... e no Internet Explorer 7, o ataque ao website do BB.

Muita atenção funcionários públicos federais e demais correntistas. O website do Banco do Brasil acaba de ser atacado. Quem digitar agora http://www.bancodobrasil.com.br vai ter uma surpresa.
O ataque parece ter sido apenas um defacement (pixação da home page) mas ainda não temos informações sobre a profundidade deste ataque ou mesmo se a página inicial do banco é segura de ser visitada pois, pode conter algum script que instale algum programa espião no PC do usuário. Melhor evitar e aguardar as providências da equipe de TI do banco que possivelmente,
deve ter sido acionada.

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Editada às 15 h

Parece que a equipe de TI do Banco acordou agora. O website não é mais acessível.
Mas aí em cima, estão as capturas de tela feitas às 14:20 h que provam a ocorrência.

Palavra inicial

O poema (ainda inédito) é de 2002. Entretanto, permanece atual a mostrar que, em geral, as coisas mudam para ficar do mesmo jeito.


PALAVRA INICIAL

Depressa desperto ao tempo
(atento)
e suas armas

Além, após,
os costumes de sempre
sinalizam céleres:

é o mesmo tempo
(ao mesmo tempo)
é um outro dia
outra vez.

Aristóteles Miranda - Janeiro, 2002.

Dois mineiros e um pernambucano:


O povo é mais que uma diferença de fundo

Love Lula if you're poor, worry if you're not


The Economist - 28/09/2006

Uma notícia está chegando lá do Maranhão
não deu no rádio, no jornal ou na televisão
veio no vento que soprava lá no litoral
de Fortaleza, de Recife e de Natal.
A boa nova foi ouvida em Belém, Manaus,
João Pessoa, Teresina e Aracajú
e lá do norte foi descendo pro Brasil central
chegou em Minas, e já bateu bem lá no sul.
Aqui vive um povo que merece mais respeito, sabe?
e belo é o povo como é belo todo amor
aqui vive um povo que é mar e que é rio
e seu destino é um dia se juntar.
O canto mais belo será sempre mais sincero, sabe?
e tudo quanto é belo será sempre de espantar
aqui vive um povo que cultiva a qualidade
ser mais sábio que quem o quer governar.
A novidade é que o Brasil não é só litoral
é muito mais, é muito mais que qualquer zona sul
tem gente boa espalhada por esse Brasil
que vai fazer desse lugar um bom país.
Uma notícia tá chegando lá do interior
não deu no rádio, no jornal ou na televisão
ficar de frente para o mar, de costas pro Brasil
não vai fazer desse lugar um bom país.

(Notícias do Brasil - Milton Nascimento e Fernando Brandt)

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

À luz do céu profundo, mandato de novo

Mas 2007 é de Iansã. Chuva!

O PIB cumprimenta o Presidente: Maurilio Biaggi e Gerdau do CDES


No primeiro Governo Lula, o Conselho de Desenvolvimento Social - CDES adquiriu maioridade política. Trata-se de um orgão de assessoria direta do Presidente da República, constituído por representantes considerados relevantes em nossa sociedade.
Nele têm assento, exclusivamente, lideranças da sociedade civil - representada, entre outros, por empresários, sindicalistas, cientistas, artistas, lideranças étnicas -, todos escolhidos pelo Presidente do Brasil.
É um espaço de debate e concertação em que os atores se reúnem periodicamente para discutir de modo crítico temas relevantes para o País e propor caminhos ao Poder Executivo.
Hoje, espaços institucionais de concertação entre governo e sociedade civil são considerados expressão de vivificação da democracia, inscrevendo-se entre os seus mais árduos defensores principalmente os países da Comunidade Européia.
O CDES, atualmente, é considerada uma experiência exitosa de prática governamental nas Américas, e, nele, o Pará está representado pelos Srs. Lutfala Bittar (Estacon) e Avelino Ganzer, (Cooperativas agrícolas) e pelo Prof. Dr. Alex Fiúza de Mello, Reitor da UFPA.

Momentos presidenciais - 3


"Quando um grupo de chefes, de dentro da cadeia, consegue dar ordens para fazer uma barbaridade daquelas, matando inocentes, eu quero dizer ao meu governo e aos governos estaduais: nós precisamos discutir profundamente, porque o que aconteceu no Rio de Janeiro foi uma prática terrorista das mais violentas."

Momentos presidenciais - 2

Momentos presidenciais-1


"Não faltaram os que, do alto de seus preconceitos elitistas, tentaram desqualificar a opção popular como fruto da sedução que poderia exercer sobre ela o que chamavam de ´distribuição de migalhas."

Jazz Singers: Jane Monheit



Para os amantes do jazz, aqui vai mais uma bela sugestão de jazz singer.
Com apenas 30 anos e sólida formação musical, Jane Monheit tem versões fantásticas das clássicas Baby It's Cold Outside e I Wont Dance. Fora a bela estampa, não é verdade?
E a bela morena tem namorado a música brasileira, gravando versões únicas de Águas de Março (Waters of March) e Chega de Saudade (No more blues).
Vale a pena conferir agora mesmo.