domingo, 4 de dezembro de 2011

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira

Imagem: Wikipedia
Da jornalista Erika Morhy, no Facebook:

Reflexiva com a morte do Doutor Sócrates, quando também lembrei da morte de Amy. Meu sentimento é de certo reconforto. Ou identificação, sei lá! Resguardadas as devidas diferenças entre os dois, aventuro-me a dizer que viveram intensamente suas escolhas, com toda dor e delícia inerentes. Lamentar o que? Fizeram muitos felizes e tristes. Foram felizes e tristes. E ainda contribuíram para o mundo em suas áreas. Que mais se quer? Saudemos a vida e nossas escolhas, intensamente!

6 comentários:

Marise Rocha Morbach disse...

Érika e Barreto, comentava com o Lucas ontem sobre o Sócrates! Sempre gostei de ler as opiniões dele na Carta Capital. Sou corintiana e grande admiradora do futebol elegante que ele tinha. Fazer escolhas é coisa difícil, muito! Penso que só a maturidade nos dá essa dimensão. Mas não vejo a situação da Amy nem do Sócrates como escolhas. Mas, respeito e muito a dimensão trágica de cada um deles.

Erika Morhy disse...

É tão difícil, Marise, que me dedico à tática do escolher e não olhar pra trás com nostalgia ou angústias, mesmo que elas me espreitem. Prefiro acreditar que escolhi o melhor para aquele momento; escolhi o que pude também. Prefiro acreditar que as escolhas não são para nos fazer sofrer. Ao contrário, são necessárias e devemos escolher o que nos fará felizes. Então nada de lamentar o que não foi escolhido. No caso de Sócrates e Amy, acho que eles também escolheram, mesmo no caso dos lícitos e ilícitos, que os levaram à morte (algo nos levará e sobre este determinismo ainda não temos poder de escolha). Acredito que os dois também foram felizes com essas e com outras escolhas que fizeram parte de suas vidas, não resumidas à boemia. É sempre bom trocar idéias com você, querida. Obrigada pela companhia furtiva e doce, Erika.

Alan Souza disse...

Eu vi Sócrates jogar! Ele era bom, muito bom, mas era mais do que isso: era surpreendente! Num mundo sempre marcado pelos "delegados" que não passam a bola pra ninguém, Sócrates fez seu nome com um passe de bola, uma genial jogada de calcanhar que o marcou.

Copa do Mundo de 1982, primeiro jogo do Brasil, contra a União Soviética, em 14 de junho de 1982. Os russos abriram o placar aos 34 do 1º tempo, e perdíamos o jogo até 35 do segundo tempo, quando Sócrates empatou com um belo gol de fora da área, depois de entortar magnificamente o meio-campo russo Susloparov.

Esse jogo ainda teve um dos mais lindos gols do Brasil que já vi: aos 43 do segundo tempo, Falcão recebe o passe de Paulo Isidoro, mas ouve um "deixa!" às suas costas. Deixou a bola passar e Éder disparou um chutaço de canhota, tão potente que o goleiro soviético (Dasayev, um dos melhores do mundo em todos os tempos) não viu a bola entrar!

O gol de Sócrates e o gol antológico de Éder podem ser conferidos aqui:

http://youtu.be/IcW7eqhaVNE

Descanse em paz, Doutor! A Nação Corintiana, hoje paradoxalmente em luto e em festa, ora por você e agradece por tudo.

Lafayette Nunes disse...

Concordo até o momento que as escolhas não viram doenças.

Beber álcool é antigo. Uma das técnicas de domínio do homem em transformar/criar algo da natureza é a fermentação para fins de "tomar uma".

Mas, enquanto o alcoolismo for tratado como "escolha do doente", esta doença, que mata mais que câncer, acidente de trânsito etc etc, será tratado pelo Poder Público como, apenas, mais um problema normal.

Sócrates era um grande jogador de futebol.

Erika Morhy disse...

Sabe, Lafayette, não tenho dúvidas do quanto é difícil, quase impossível, ter condições de fazer escolhas em situações como as de algumas doenças, sejam elas ligadas ao álcool ou não (a depressão, por exemplo). Mas acredito que antes de se chegar a algumas dessas situações limitadoras, houve oportunidade de escolha. E algumas são feitas de forma inconsciente. Na limitação, temos de nos permitir ser guiados por "almas generosas", que possam nos conduzir à sanidade e/ou sobriedade possível. Acredito que nossos comportamentos não são mediados apenas pelo organismo, nem só pela razão. É por isso que me expresso desta maneira. Mas é apenas um dos olhares possíveis.

Erika Morhy disse...
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