segunda-feira, 3 de julho de 2006

Nuvens baixas com Gardel




Palermo - Parque enorme com grandes
caminhadas entre belas árvores e
cachorros.


No bairro de Abasto, um shopping moderno
contrasta com casas antigas e a onipresença
de Carlos Gardel. Símbolo máximo do
tango argentino.


Sua música está na fachada das casas...


...placas de rua


E no Museo Casa de Carlos Gardel


Dentro, utensílios pessoais, cartas, música original
de fundo, dependências originais conservadas e a
história de sua trágica morte em acidente aéreo.


A seguir, exemplos de fileteado no bairro de Abasto,
a Lapa de Buenos Aires.







Tempo nublado, com nuvens baixas e uma névoa densa encobria os prédios prejudicando inclusive a visibilidade horizontal até cerca de 400 metros. Temperatura no entanto, permanece agradável, em torno de 15 graus. Cor predominante é o cinza que não ajuda as fotos coloridas. Resolvemos então encarar o metrô ("subte", como é chamado por aqui) para chegar até o distante bairro de Palermo. Para isso utilizei pela primeira vez um programinha para o "handheld" (no meu caso Pocket PC) chamado Metro. Basta escolher a cidade do mundo, escolher a estação de origem e a estação de destino que o programa mostra o melhor caminho. Muito recomendado para viajantes.
Chegamos então em Palermo, com seu enorme parque, seus plátanos desfolhados, lagos com gansos, seu planetário e as matilhas de cães de raça. É isso mesmo: matilhas. Os descolados da cidade, sem tempo de passear com seus cães, pagam cerca de 100 dólares mensais por cão para que outras pessoas o façam. E há muitos cães e muita gente ganhando a vida com isso. Cada tratador leva de 6 a 8 cães em coleiras. Muito cuidado ao andar no parque pois, o que tem de titica de cachorro no chão, não é normal.
Em seguida, após caminharmos cerca de 3 quilômetros, decidimos ir ao bairro de Abasto, local onde morou Carlos Gardel, um bairro que me lembrou a Lapa, no Rio de Janeiro. Mas a arte predominante nas casas antigas, esquinas, placas de ônibus, etc é conhecida como "fileteado". Um estilo de decorar as casas com pinturas manuais com curvas sinuosas e bem coloridas, dando ênfase aos rebuscados traçados com detalhes milimetricamente apostos em fundos de cores fortes. Fotografei vários destes detalhes. Conhecemos a casa de Carlos Gardel e fizemos contato com uma interessante característica dos portenhos: a paixão, a criação e cultivo de mitos a exemplo de Evita, Peron, Maradona, Boca Juniores entre tantos outros. Tem gente que sobe no túmulo de Gardel e se diz incorporado por ele. Plaquetas com agradecimentos por supostas curas de doenças e "graças alcançadas". Sem brincadeira ou desrespeito me lembrei da Severa Romana, Escrava Anastácia, etc.
Como todo habitante de grandes metrópoles, os portenhos são desconfiados mas de um modo geral, tem sido atenciosos. Mas tem um ou outro #$%*& que foge a regra.
Um motorista de táxi me deu uma aula de política local em apenas 20 minutos de corrida até o bairro de Mataderos ontem. Óbvio que não é científico nem desejável que daí eu conclua que eles são mais politizados etc e tal. Mas que são históricamente lutadores talvez o sejam. Contudo, em meio a tantos exemplos de boa conduta, vemos traços de maus exemplos latinos. Na Argentina, não é obrigatório o uso de cinto de segurança. E o pior é que poucos o usam mesmo. Uma lástima. Mas andar com elegância européia, eles andam.
Coisas difíceis de explicar mas em nada semelhantes ao que se vê em Nova Deli, para citar o titular do Quinta Emenda.
Em Nova Deli, o que se vê são os "brócolis laranja" do quasímodo Dudu e suas cápsulas espaciais desumanas e calorentas da Guarda Municipal. Além é claro do total desrespeito ao patrimônio histórico.
Neste sentido, mais uma vez vitória da argentina.
Brava. Muito brava!

2 comentários:

Anônimo disse...

Te recomendo, se não tens dificuldades ou resistência em ler o espanhol, que compres na Argentina o livro "Facundo", escrito por Sarmiento (1845). Está tudo lá o que politicamente vem a ser a Argentina e o pensamento de seu povo. Apesar de nossas divergências e disputas, brasileiros e argentinos somos, um e outro, indissociados no destino de latino-americanos.

Flanar disse...

Boa sugestao, anônimo. E muito bem vinda uma vez que posso tentar encontrá-lo aqui mesmo.
Nao tenho dúvidas contudo quanto a nosso destino comum como latino-americanos.
Mas vou atrás do Sarmiento.
Abs