domingo, 22 de abril de 2007

Crise na Santa Casa?


Hospital da Fundação Estadual Santa Casa de Misericórdia do Pará
Há cerca de 23 anos a Santa Casa de Misericórdia do Pará submergiu em uma crise que parecia na época terminal. Em 1990, contrariando interesses antipáticos à saúde pública, ressurgiu íntegra como fundação estadual, graças aos esforços de médicos como Rubens Guilhon Coutinho, Angelina Lobo e André Luiz, do apoio da Universidade Federal do Pará e da tenacidade de seus funcionários, que trabalharam sem receber e renegociaram dívidas trabalhistas pendentes em nome da sobrevivência da centenária instituição. Em condição de equilíbrio financeiro e adotando um modelo de gestão inovadora, foi transmitida sua administração ao Governador Almir Gabriel que iniciava o primeiro dos três governos da chamada União pelo Pará (PSDB - PFL e grande elenco) em 1995.
Findos doze anos de governo tucano, leio hoje n'O Liberal que novamente o hospital está em crise. Na realidade, a matéria segura na retranca o detalhe para esconder a verdadeira dimensão da crise, que é a saúde pública do Estado do Pará. Não tem qualidade em hospital de referência estadual que sobreviva doze anos sem investimentos governamentais na organização de uma rede hierarquizada e regionalizada de hospitais públicos no interior do Estado. A prova está aí para quem quizer comprovar, ou sofrer as conseqüências da escassez de leitos.
Certamente, frente a esta constatação seria natural indagar quanto a demora para iniciar o funcionamento dos hospitais regionais não inaugurados pelo extinto governo da União pelo Pará. É fato que requer respostas claras e imediatas ao cidadão que sofre as incertezas de acesso na rede SUS de atendimento. E poderíamos começar respondendo: São incompatibilidades com a forma de contratualização privatista? É a indefinição no custeio dessas unidades? É a inadequação dos projetos às necessidades de saúde da população adstrita, que os tornará elefantes brancos no imediato? É a não previsão de pessoal, equipamentos e insumos suficientes para fazê-los funcionar seguindo as normas sanitárias? Ou estarão operando forças ocultas, como sugeriu o blogue 5a. Emenda outro dia? Está na hora de clarearem essa questão arrastada por demais.

17 comentários:

Cris Moreno disse...

Oliver, vc fechou a pauta para o Mauro Neto(O Liberal).
Bjs.

Marky Brito disse...

Perguntas para os bicudos tucanos... que ficarão sem respostas, claro.

Ana Júlia responderá? Veremos.

Anônimo disse...

acredito que você tenha dificuldades em saber as respostas a todas essas e outras dúvidas que você tenha em consequência de seu modo de viver: flanando, flanando, sempre flanando. Viajando, tirando fotos, lendo revistais televisivas e que retratam as fofocas artísticas, aliás, em determinados momento tenho até inveja dessa sua vida. Agora com tantas dúvidas querer comentar ou expressar opiniões sobre problemas administrativos em saúde pública. paciência, isso não é para você. Largue disso. Nós gostamos de você flanando.

Flanar disse...

Ô lindeza!
Acho que vc está muito enganado sobre o autor do post, anônimo. Aliás vc parece ter vindo mesmo de outro planeta.
Oliver está longe deste suposto perfil que vc traça, de forma aliás, desrespeitosa.
Nem ele, nem eu, estamos nesta bitola que vc parece querer aplicar.
Se não gostou do texto, é compreensível sob os mais variados aspectos. Inclusive sob o aspecto da provável pequenez de sua compreensão. Mas daí a aplicar-lhe a bitola que muito provavelmente lhe serve com mais apuro, dado o conhecimento de causa, é ultrapassar o limite da cordialidade.
Se continuar nesta linha, será sua última participação neste blog.
Vá e não volte.
Mas se de fato, seu desejo é debater sobre saúde pública, aguardamos seu "majestoso" pronunciamento a respeito.

Anônimo disse...

Pergunta para o Oliver, médico, com certeza muito cioso nas informações aqui colocadas: quem era o médico que assumiu a direção da Santa Casa em 1995? Qual a avaliação do trabalho dese médico durante os oito anos que ele ficou à frente da Fundação? E, como médico, Oliver, se vc lembra bem como estava a Santa Casa exatamente em 1995? E como estava a Santa Casa no final de 2006? Quem investiu mais na Santa Casa nesses últimos 12 anos: dinheiro do Sus, em função dos atendimentos realizados; recursos do Ministério da Saúde, ou, ainda, recursos do próprio Estado?
São perguntas, só perguntas para quem, parece, sabe de toda a história e deve estar com vontadade de contar a verdade. Só a verdade ....

Pedro Paulo

Flanar disse...

Então tá, "Pedro Paulo"!
Pessoalmente, acharia melhor que vc dissesse qual exatamente a "verdade" que deseja ouvir.
Mas deixemos que o Oliver decida se deseja responder a hipotéticos reptos que vc parece gostar de fazer, hoje e sempre diga-se, sob os mais diversos pseudônimos.
Mas mantenha sempre o controle sobre o que diz.
Não faça como o anônimo de sábado, explodindo em imbecilidade.
Faça como vc fez hoje.
Direitinho.

Anônimo disse...

Flanar, que tb é médico, bem que poderia se adiantar e responder, se quiser claro, todos ou mesmo alguns dos questionamentos. Lhe prometo manter a linha, como sempre faço na minha, embora vc não me conheça: repito, só perguntas ,nada mais d que perguntas. Até porque acho que o Blog serve pra isso mesmo. Discussão de idéias e propósitos. E , claro, que se respeite as preferëncias e opiniões diferentes. É da democracia, não é mesmo. Do contrário, vou cantar em outra freguesia. E vcs, donos do Blog, fiquem com as versões que acharem melhor. Paciência...

Pedro Paulo

oliver disse...

É uma falsa polêmica. Primeiro porque o comentário diz respeito a crise da saúde no Pará, como origem dos problemas vivenciados pelo hospital. Nada tenho a comentar sobre a administração do Hélio Franco. Quem pode fazer juízo crítico do que ele fez ou deixou de fazer no hospital são os funcionários, os pacientes e os diretores-presidentes que o sucederam.
Quanto a investimentos na Santa Casa, cabe incluir entre as fontes citadas, as Organizações Romulo Maiorana, que capitanearam uma bem sucedida campanha para construção e compra de equipamentos para a UTI pediátrica, obra que a Fundação ou o governo do Estado parece não podiam bancar. Lembro que a direção do hospital agradeceu penhoradamente o ato de caridade pública.
Quanto ao nosso estilo flaneur, digo-lhe que não faz mal nem a saúde, nem ao espírito. Ao contrário, entre tantas boas coisas que nos oferece, garante ao menos que não fiquemos bitolados.
E lembre-se: quando o comichão perguntador lhe inquietar, não se acanhe, pergunte, mas sempre com bons modos. Afinal, o conhecimento nasce exatamente da dúvida.

oliver disse...

E a propósito, quase esquecia, fique a vontade para apresentar seu julgamento sobre a administração Hélio Franco e sucedâneos, bem como os números financeiros da Fundação, para que todos aqui possam opinar.

Anônimo disse...

Como vc não respondeu aos meus questionamentos, infelizmente, tenho que dizer que vc julgou o que não conhecia. ou, pior, fez de conta que não sabia. Lamentável, meu caro. É sempre bom perguntar, mas quando se tem respostas. Quanto as ORM, já que vc tocou no assunto, deveria saber que a UTI Neonatal implantada com a campanha dos Maioranas teve um custo de um terço de todo o investimento feito pelo Estado para colocar a UTI pra funcionar. Claro que foi bom e valeu a pena. Mas não se pode negar a participação do estado, com dinheiro do contribuinte que é, no final, quem banca tudo com os impostos que paga. Só que, infelizmente, tem muitos políticos que só fazem colocar esse mesmo dineirinho nos seus negócios: em rádios, emissoras de Tvs, jornal,fazendas e popr aí vai. Daí que não dá prá ficar falando de orelhada sobre o que não se conhece. Essa é a verdade nua e crua. Doa a quem doer. Publique se quiser. É um direito seu, dono do blog.

oliver disse...

Tu és teimoso em querer levar a conversa para outro rumo. Mas, com respeito a UTI, vou te dizeer uma coisa com firmeza e tranquilidade: não compareças aqui com truncagens. Qualquer um sabe que se gasta muito mais para manter uma unidade de saúde do que para construí-la e equipá-la. Esta regra vale tanto para um consultório quanto para um centro de transplantes.
Porém esse custeio, em saúde pública, pode ser otimizado com a produção adequada de AIHs, baixa incidência de infecção hospitalar, longa permanência, baixo desperdício, controle de medicação, etc, etc. Se não acontecer assim tem algo de errado, e não é o investimento feito por teus amigos na construção da tal UTI, se estás entendendo bem o rumo dessa prosa.
Por outro lado, convem destacar, no caso da Santa Casa, que um percentual das AIHs do SUS ainda é distribuída aos funcionários como gratificação (somando dá um 14o. salário)desde que alcançem metas de produtividade, estabelecidas a partir de indicadores específicos por unidade de produção, desde o setor da limpeza ao laboratório, desde a lavanderia ao centro cirúrgico - gratificação esta, sublinha, por favor, implantada pré-1995, no tempo em que tu visitavas o hospital não para apoiá-lo em seu processo de soerguimento, mas para visitar pessoas queridas tuas que lá estavam internadas em situação de grande sofrimento.
Começou a complicar para um leigo, não é? Meu digno leitor, assim é a vida real, longe dos gabinetes ou das luzes dos refletores a que estás habituado. Na saúde a câmera é outra. Os espectadores são a cidade e não dá pra fazer de conta sempre! Não dá para dormir no ponto doze anos sem ver o caos que aí está instalado. Simples como a aritmética do 2 + 2.
Por fim: não precisas desse festival de pseudônimos, usados aqui e noutros comentários, neste e noutros blogues, usando de pseudônimos tão diversos.
Quando quiseres, assina como fazias antigamente. Não tem o menor problema, ninguém vai te maltratar.

Flanar disse...

É isso mesmo. A idéia deste "anônimo" é sempre esta. Vir com esta conversa mole de "fazer apenas 2 perguntinhas" para depois, pretensamente ficar com a última palavra, no clássico "como vc não respondeu minhas perguntas".
Estratégia já velha e conhecida, que os blogues estão vacinados.
Se vc deseja discordar, anônimo, faça-o livremente simplesmente afirmando aquilo que acredita e submetendo-se a discussão como nós, de "peito aberto", o fazemos.
Não pense que estaremos receptivos a suas histéricas tentativas de manipulação de opinião pública.
E nem tente sair da linha, como tentou no primeiro post. Ponto final!

Flanar disse...

E aliás, como o Oliver afirma e este blogue já cansou de provar, vc será muito bem recebido se assinar com honestidade, como já fez em outras oportunidades.
Mas não tente dar uma de "João-sem-braço" que aqui não "damos ponto sem nó".

Anônimo disse...

Desculpe, mas vcs estão acusando uma pessoa errada. Por uma questão de justiça, eu não sou o primeiro anônimo apontado. Sou um outro, assinado com o pseudônimo de Pedro Paulo. Um direito que me assite. Quero ,sinceramente, que vcs apontem algum questionamento, expressões ou julgamentos que possam ser classificados como baixaria, desrespeito ou coisa parecida. Me interessei pela discussão. Só isso. Pensei em estabelecer o contratidório, dentro das informações que detenho. É sempre bom se ter uma boa discussão, como disse anteriormente. É saudável e alimenta o espírito, meus caros. É assim que se vive no dia-a-dia: com a família, amigos e , também, com quem não é amigo hoje, mas poderá vir a ser amanhã.Era isso o que eu pretendia. Mas, talvez, não seja isso que vcs querem.
Só mais uma coisa pra encerrar: querendo advinhar os questionamentos, vcs acabam sendo muito agressivos, afastando, assim, os possíveis comentaristas que alimentam essa ferramenta fantástica, que já domina a comunicação no mundo.

Pedro Paulo

PS: não sou médico. Bem que tentei no meu primeiro vestibular.Admiro muito a profissão de vcs e gostaria muito que pelo menos um dos meus quatro filhos seguisse a medicina. O caçula está fazendo odontologia. Menos mau.

PS2: mesmo sem ser da área, sei muito bem que mais caro que a construção e implantação são os custos de operação de uma uti neo-natal, como vc disse Oliver. Deve ser assim, também, com os hospitais regionais. É isso mesmo: saúde pública custa dinheiro, mas deveria ser, sempre, a prioridade de qualquer governo que respeita a população. Daí , concluo que as minhas informações e análises estavam corretas.
Desculpe se me estendi demais. Prometo, apartir de agora, ficar quieto.

Flanar disse...

E o blogue,"Pedro Paulo", como vc pode ter notado, publicou todas as suas "indagações" sem retirar uma linha sequer.
É óbvio que o tom de sua manifestação parece ter mudado repentinamente agora. Se de fato não quiséssemos "discutir" como vc insiste em afirmar, não teríamos publicado (e este é mesmo um direito que nos assiste como reais donos do blog) , como já fizemos com outras supostas tentativas feitas aqui, de supostos "democratas", interessados meramente na molecagem.
Mas as suas, mesmo discordantes, foram integralmente publicadas.
Acredite. Se não achássemos que o conteúdo de seu comentário de fato não valessa a pena, nem teríamos chegado aos 14 comentários que este post gerou.
Agora vc há de convir: "comentar" um post questionador com mais "duas perguntinhas para quem parece saber toda a história", não me parece mesmo uma maneira muito cortez de "comentar" o post, vc não acha? No mínimo, é uma maneira talvez pouco habilidosa (talvez involuntária, quem saberá por trás do anonimato?)de praticar a linguagem escrita. Já que vc se diz possuidor de outras informações que serviriam ao contraditório, melhor seria se tivesse meramente disponibilizado-as aos nossos leitores (mesmo como anônimo), para assim então, gerar a boa, velha e autêntica discussão.
Quanto a baixarias e etc, não afirmamos isso. Mas deixamos claro à todos, o nível do debate que queremos.
É que estamos devidamente preparados para responder de maneira proporcional as "questões" que nos forem enviadas. Mesmo que embrulhadas com celofane.
Quanto aos nossos comentaristas, não se preocupe com eles. Eles sabem como discordar e participar do Flanar.
Abs e obrigado.

Anônimo disse...

Só uma pergunta ao flanar:
Quanto o Hospital barros Barreto gasta na manutenção de sua UTI (pessoal, med, mat, manutenção, conservação e outra despesas de custeio, além, de investimentos) e quanto o SUS repassa como indenização pelos mesmos serviços prestados naquele setor? Busco os números da UTI do HUJBB, pois, segundo informações as chefias que aquele serviço tem experimentado nos últimos anos são muito competentes e empreendedoras.

Flanar disse...

Sugiro que vc dirija um ofício ao Dr. Luís Alberto Rodrigues de Moraes, Diretor daquela instituição, solicitando estas informações.
Abs