terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Direito à morte natural

"Como um instrumento musical, a vida só vale a pena ser vivida enquanto o corpo for capaz de produzir música."

Rubem Alves escreve um interessante artigo hoje na Folha de São Paulo sobre o polêmico assunto da Eutanásia. Muito embora os médicos através do Conselho Federal de Medicina (CFM) defendam a chamada Ortotanásia, que vem a ser o direito a morte digna para pacientes reconhecidamente terminais evitando a administração de tratamento fútil, o articulista vai além e toca no assunto sem rodeios.
O artigo está disponível apenas para assinantes, clicando aqui.
Assim que a Folha liberar, disponibilizamos para os demais leitores.
Enquanto isso, o Vaticano é contra a Eutanásia e também contra a chamada "obstinação terapêutica" (que é de fato o foco da chamada ortotanásia defendida pelo CFM).
E a justiça brasileira, com seus representantes no Distrito Federal, suspendeu em 30 de outubro os efeitos da resolução do CFM, que regulamentava e autorizava a Ortotanásia. Em seu despacho, o juiz enfatizou que a ortotanásia, mesmo se tratando de uma questão que envolve a classe médica, não deve ser regulamentada pelo CFM e sim pelo Congresso Nacional.
O fato é, que a sociedade precisa parar, buscar informações e definir posições a respeito do assunto.
Mas como já disse Oliver alguma vez por aqui, o assunto é "uma pedreira" daquelas.
Será que veremos o assunto na pauta do Congresso?
Ou vamos esperar sentados?

Um comentário:

Oliver disse...

Meu caro,
Não mudei de opinião. Se a AMIB não entrar em campo a situação ficará como está, pois o principal adversário se impõe até quando não chega perto... coisas de religião, que se torna persuasiva ao tempo de eleições. O ideal, portanto, é operar no início da legislatura federa, pois é melhor já ensinava o Nicollo.
Não tenho dúvida que é justa e correta tua preocupação. Eu e a musa das urgências, ela uma das decanas da Terapia Intensiva no Pará, não pouca vezes nos defrontamos com a situação em que tínhamos no CTI pacientes internados fora de possibilidade terapêutica, frente a demanda para internação de pacientes que, embora em estado gravíssimo, tinham chances de se recuperar se tivessem acesso a cuidados intensivos. Logo, uma das questões fundamentais, para a solução da situação, é fazer entender aos colegas de outras especialidades que o morrer é parte da vida, não competindo prolongá-la quando não mais é possível obter um desfecho terapêutico favorável; com o agravante de ao proceder em contrário significar negar uma chance a quem ainda pode sobreviver se tiver acesso a uma UtI/CTI.
Como sabes, antes de se tornar especialidade, eu saí da TI, mas reconheço que esse é um dos grandes desafios impostos aos intensivistas e merece toda a atenção do poder público no sentido de regular o direito à vida.