quarta-feira, 28 de maio de 2008

Sem emergência

Alegando conteúdo exclusivo, o jornal da RBA desta noite bateu duramente no serviço de ambulâncias do SAMU 192, aquele mesmo que, há mais de doze anos, chegou a ser premiado na França pela excelência de seus serviços, ao tempo em que o prefeito era Hélio Gueiros. Sim, o próprio.
Dois eram os suportes para as graves acusações. O primeiro, uma auditoria do Ministério da Saúde, que concluiu oficialmente pela comprovação de diversas irregularidades, dentre elas a ausência de comprovação para cerca de um milhão de reais, que deveriam ter sido empregados na capacitação de equipes de atendimento médio e avançado. Some-se a isso o sucateamento da frota.
O segundo fundamento são as acusações formuladas pelo sindicato que reúne os servidores do SAMU, o SINDISAÚDE. Segundo o representante sindical entrevistado, suas sucessivas reivindicações não são atendidas. O sistema de comunicação das ambulâncias não é posto a funcionar deliberadamente pois, através dele, o Ministério da Saúde poderia monitorar via satélite o uso dos veículos, exatamente o que não se quer que aconteça.
Esta manhã, uma comissão de vereadores (um deles o prefeitável Zeca Pirão) visitou a sede do SAMU e confirmou que nove ambulâncias novas - adquiridas com recursos federais, lembre-se - estavam encostadas, porque o Município não teria cumprido a sua obrigação de licenciar, emplacar e fazer o seguro dos veículos, que são muito caros e são dirigidos normalmente em condições perigosas. Alegadamente, durante a vistoria, duas ambulâncias deixaram o pátio e voltaram emplacadas, demonstrando que a solução do problema estaria na dependência de... boa vontade.
Em momento algum se falou em prefeitura ou prefeito. O foco estava na própria administração do SAMU. Mas uma coisa leva a outra, claro. Afinal, as irregularidades constatadas pela auditoria começam justamente no ano de 2005.
O negócio promete.

4 comentários:

Oliver disse...

Esse foi um projeto muito caro do governo federal, que fundamenta-se no original francês e absorve algumas experiências brasileiras, acumuladas antes do início do governo Lula.
É uma pena que as administrações municipais estejam pondo-o a perder, por conta de sem-vergonhice administrativa. É brincar, realmente, com o dinheiro público investido e, principalmente, com saúde das pessoas.
Quanto ao prêmio francês atribuído ao "Chame 192 Urgente" (era esse o nome), que, em termos funcionais, não era o que hoje chamamos de SAMU, nunca ouvi falar. Nem mesmo no serviço nacional francês, ou no Ministério da Saúde francês, escutei menção ao fato, muito embora tivessem notícia da existência dele.

Oliver disse...

Para compreender o absurdo que está acontecendo no SAMU Belém basta acessar o link:
http://portal.saude.gov.br/portal
/arquivos/pdf/Politica%20Nacional.pdf

Yúdice Andrade disse...

Caro Oliver, o prêmio a que me referi foi muito trombeteado por Gueiros, ao tempo em que ainda era prefeito. Posteriormente, quando Edmilson Rodrigues assumiu, sofrendo aquela implacável perseguição de todos os lados, um dos argumentos de seus tantos opositores era justamente o 192: segundo os críticos, o serviço passara de premiado para sucateado.
O problema é que já faz muito tempo e, por isso, não me recordo de maiores detalhes que possa fornecer.

Oliver disse...

Eu lembro bem do problema do sucateamento. Mas, não deixe de dar uma lida no link. O documento revela o tamanho da brincadeira de ambulância do Dr. Duciomar no SAMU-Belém.