terça-feira, 28 de outubro de 2008

O iPhone como computador de bolso

O iPhone desde a última atualização de firmware (que coincidiu com o lançamento do iPhone 3G), definitivamente deixou de ser apenas um telefone pra lá de "bombado", para se transformar em um computador de mão. De fato, desde então, em sua loja de aplicativos no iTunes, inúmeros aplicativos começaram a surgir, trazendo novos ventos a idéia original do gadget da Apple. Alguns, ridiculamente inúteis. Outros, de enorme valor, e além do mais, inteiramente gratuitos.
É o caso do Epocrates, lançado quase que simultaneamente com o iPhone 3G, tendo sido inclusive utilizado como exemplo na própria keynote de lançamento por Steve Jobs.

Trata-se de um software velho conhecido dos profissionais da área médica. Com efeito, ele não é de forma alguma nenhuma novidade para os médicos usuários de palmtops. Já existia desde os primórdios para a plataforma Palm, sendo em seguida, desenvolvido para o Windows Mobile e até para o Blackberry. E foi com alegria que o descobri disponível para o iPhone.
Vejam então, a imensa utilidade deste software.

Através da tela inicial, aparentemente simplória, ninguém pode imaginar o enorme poder deste aplicativo. Veja que há uma caixa de pesquisa na parte superior, onde devemos digitar o nome farmacológico do medicamento que desejamos pesquisar. Na parte inferior, vemos 5 botões. O primeiro vem habilitado por default quando abrimos o aplicativo: drug search. Os demais, vão fornecer mais informações assim que encontrarmos o medicamento na base de dados do aplicativo, entre elas: interactions (interações medicamentosas), pill id (fotografia do medicamento), Updates (atualizações da base de dados de medicamentos) e um Help (ajuda). Basta então digitar na caixa de pesquisa o nome farmacológico da droga que pretendemos pesquisar.

No exemplo ao lado, digitei "clopidogrel" (uma droga de importância no tratamento das Síndromes Coronarianas Agudas). Num passe de mágica, eis que surgem as valiosas informações que todo médico pode precisar para prescrevê-la a seus pacientes. Nome de Fantasia, apresentações, indicações e doses, ajustes terapêuticos para pacientes especiais (insuficiência renal, gravidez, lactação, insuficiência hepática, etc), além de outras detalhadas informações. De posse destes dados iniciais (que não são poucos), você em seguida, poderá clicar no botão Interactions e obter informações sobre interações medicamentosas. No pill id, você tem uma fotografia da apresentação do medicamento pesquisado. Isso pode ajudar quando o paciente não sabe informar o nome do medicamento que toma, mas se lembra da aparência ("Doutor! É uma pilulinha verde"). Mas quanto a este recurso, não temos informação de que a indústria farmacêutica utilize os mesmos perfis de fabricação de comprimidos e drágeas em todo o mundo. Cabe portanto, alguma cautela ao utilizá-lo.


Trata-se obviamente de uma versão inicial para o iPhone. Ela ainda é incompleta se compararmos as versões já produzidas para outras plataformas, que além da base de dados de medicamentos, ainda possui algumas outras funcionalidades como uma poderosa calculadora médica, alguns algoritmos de tratamento de emergências como ACLS, ATLS, entre outros dados de máxima importância à prática da medicina de urgência.

Em suma, o epocrates é um verdadeiro canivete suíço para os médicos. Pessoalmente, já o utilizo há bastante tempo, desde a época do primeiro Palm. E posso afirmar que tem valor inestimável, além de trazer segurança a prática clínica diária. Pena que tenha um calcanhar de aquiles: é todo baseado na farmacopéia americana e não possui tradução para o português. E o usuário deve considerar isso durante seu uso. Os nomes de fantasia dos medicamentos, em sua maioria, são bastante diferentes dos nomes adotados no Brasil. Contudo, no exemplo acima, tal não aconteceu em relação ao clopidogrel. Mas acontece com muita frequência em relação a outras drogas, o que o médico deve levar em conta ao utilizar o aplicativo. Serve para nós brasileiros, como uma utilíssima base de dados farmacológicos. Mas deve ser utilizado com cautela, apenas como recurso de consulta e referência. Nunca como única fonte de conhecimento para a prática diária. Não substitui portanto o contínuo acesso a literatura científica internacional, à luz da medicina baseada em evidências. Esta sim, deve ser a boa fonte de onde buscar as informações mais atualizadas e confiáveis. De todo modo, não podemos deixar de recomendar o epocrates, como fonte emergencial de informações para aqueles momentos em que você precisa de um dado crítico e não tem disponível o acesso a web ou ao compêndio de farmacologia preferido.

Lembro que para quem tem acesso a web, o epocrates tem uma versão online com a mesma funcionalidade do aplicativo móvel. Basta preencher um formulário, obter login e senha e acessar a base de dados gratuitamente de qualquer computador.

4 comentários:

Bia disse...

..rsrsrs..

leio todos os seus posts, Carlos.

Às vezes, não entendo metade da linguagem específica - deficiência minha, não sua. Mas leio e leio e acho tudo bonito pra caramba! Namoro aqui no Flanar as inovações que você disponibiliza e aplicadamente auxilia a compreender e a tirar delas seu melhor desempenho. Admiro você também por isso.

Se um dia Santo Ambrósio me permitir entender-me melhor com as máquinas e saber utilizar tudo o que elas têm de bom, com certeza antes de agradecer a ele, agradecerei a você!

Beijinhos.

Carlos Barretto disse...

Puxa, Bia.
Tê-la como leitora, é uma grande honra. Meus posts são todos do assunto que mais gosto de escrever: tecnologia. (Vez por outra faço alguns cometimentos em outras searas). Neles procuro falar a linguagem mais acessível possível. Em alguns, reconheço, chuto o balde e, por mera preguiça, deixo de traduzir alguns chavões.
Penitenziagite por isso.
Mas de qualquer maneira, é ótimo tê-la como leitora.

Bjs

Anônimo disse...

É uma pena que não tenha encontrado nada sobre o G1. Acabo de voltar dos EUA e lá há uma verdadeira febre sobre o celular do Google (que, efetivamente, é melhor que o macphone).

Carlos Barretto disse...

Vc não encontrou nada sobre o G1 onde, anônimo?