terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Conversa de surdos e outras coisitas

O comentarista quase habitual deste Flanar, o simpático Lafayete, (titular de um blog com nome estranho Golden Slumbers fill your eyes...), no post Inteligência, lembrou-me de um velho dito popular que exemplifica a chamada "conversa de surdos":

- Vais lá?
- Não, vou lá.
- Ah, pensei que tu ias lá!

De imediato, lembrei-me de 2 fatos interessantes. Meu pai e minha mãe, quando já estavam em idade algo avançada, protagonizaram um diálogo destes, para meu total espanto:

- Isabel! Como se toma este remédio?
- No armário da cozinha!
- Com uma colherinha?

Bem. Acho que o Scylla já estaria receitando alguma coisa neste caso específico.

O outro fato que me veio de imediato à lembrança, foi uma cena protagonizada por meu irmão mais velho. Absolutamente fanático por futebol, era daqueles que em hora de jogo, adorava ouvi-lo pelo rádio, à moda antiga. Ficava horas intermináveis ao lado do rádio, ouvindo aquela narração característica dos jogos de futebol. Até hoje, não entendo como os radialistas conseguem narrar uma partida de futebol, articulando rapidamente grandes conjuntos de palavras, entremeando-as (ao que parece para seu fugaz descanso) com algumas vinhetas do tipo: o tempo maarrrrrrrrcca! Piiiiiuuuuiiiii! Piiiiiiuuuuiiiii!
Realmente admirável. Mas isso, apesar de nutrir respeito e admiração pela técnica vocal destes jornalistas, devo dizer que me incomodava. Me deixava algo perturbado. Afastava-me o mais que pudia do entorno do rádio. Nem queiram saber o quanto me alegrou, a chegada dos chamados "headphones" domésticos. E na época, o headphone era bem simplório: branco e só o usávamos em um ouvido. Acho até que até ainda tenho algum destes jogado em algum canto da casa.
Mas isso é tema para muitos outros posts.

Voltando ao meu irmão, em tempo de jogos no Baenão, ele não desgrudava do rádio de jeito nenhum. Deitava, ia ao banheiro, ia à cozinha, ficava agitado, mas, estava sempre grudado no rádio. Com o tempo, adquiriu um rádio um pouco maior e desenvolveu uma técnica especial, imprensando o rádio entre o ombro e a cabeça, de tal forma que... BINGO! Ele ganhava duas mãos livres para fazer outras coisas. Nada era mais interessante do que vê-lo circulando pela casa com o rádio imprensado no pescoço. Mas certo dia, as coisas atingiram um clímax hilariante.

Certo dia, com aquela facies tipicamente desesperada, ele se vira para mim e diz:

- Carlinhos! Tu viste meu rádio?

Atônito com a cena, eu respondi:

- Não sei. Mas procura na geladeira por que a banana está aí no teu pescoço!

E o rádio, de fato, ainda funcionava dentro da geladeira.

5 comentários:

Lafayette disse...

Bem, primeiro. Simpático é ótimo.
Melhor que feio arrumado. :):):)

Segundo. Sobre o outro comentário, informo que a idéia não é minha, é histórica e vem sendo aplicada desde o tempo de Roma, mas, como Belém é administrado por Austroptécus, ainda teremos que roer uma ossada...

Terceiro. Lafa é o que mais gosto.

Quarto. ESTRANHO??? Carlos se você falasse uma coisa dessas do lado de uma amiga minha, a Cídia, ela te desconjurava e te fuminaria com um olhar de seca-pimenteira.

É uma música dos demais, dos inimitávies, dos iguais-nunca-mais, dos fenomenais, dos dos dos e bote dos nisto, THE BEATLES!!!!

Claro que estiquei o título para toda a frase, afinal, nuvens douradas ficava meio sem sentido. :):):):)

Vai aqui:

http://br.youtube.com/watch?v=Gwt3yXQEZdU

Carlos Barretto disse...

Rsss...
Valeu, Lafa.
Vai desculpando a minha profusão de informalidades.
Rsssss...
Abs

Scylla Lage Neto disse...

Hey, Charley, adorei a da colherzinha. Como conheci ambos os protagonistas, posso até imaginar a cena com requintes de realidade.
E me lembrei dum jantar de natal, há tempos, em que uma tia-avó, querida e nonagenária, me contemplava atentamente enquanto eu devorava uma tonelada de nozes. Eu então perguntei: "a senhora gosta de noz?". A resposta me surpreendeu: "isso lá é hora de duvidar do meu amor por vocês!?...".
E, by the way, um colega do meu filho, de 14 anos, me perguntou há poucas semanas: "Beatles, o que é isso, uma banda?"
Eu nunca imaginei ouvir tal pergunta...
Um abraço.

Carlos Barretto disse...

Rssss...
Ótima esta história da Noz.
mas Beatles? O que é isso mesmo?
Rssss....

Itajaí de Albuquerque disse...

E o Scylla teria respondido:
Então não conheces Jesus Cristo, menino?