quarta-feira, 22 de julho de 2009

Males midiáticos

Seria a epidemia brasileira de gripe suína um novo surto de febre amarela? Luís Nassif diz que sim.

Mas aqui estamos a falar de uma pandemia. A mídia do mundo todo está apavorando a população do planeta? Ou a mídia lá de fora não está tratando o assunto como a daqui?

Um comentário:

Itajaí de Albuquerque disse...

Francisco,
A gripe H1N1 requer cautela com generalizações. Trata-se de um vírus que estréia uma pandemia, que inaugura um novo ambiente ecológico que rompe fronteiras não só geográficas, mas também entre as espécies porcina e humana. Para quem não sabe, o porco está entre os animais com grande afinidade genética conosco, a ponto de se constituir um excelente modelo experimental em pesquisa pré-clinica.
Contudo, Nassif tem razão quanto a mídia nacional mais uma vez - e não só nesse assunto - ao mostrar-se despudorada no trato sério da informação. E neste caso, ou em outros, como se quiser, o jornal a que o jornalista alude não transige em filtrar qualquer matéria pelo viés político sempre que for necessário constranger o governo federal.
Modelos matemáticos para epidemias não são exatamente uma novidade em ciência e permitem, se bem construídos, que pesquisadores experimentem cenários a partir de cruzamento de informações estatisticamente válidas. Não se trata de experimento in vivo, tão pouco in vitro, mas in silicio.
O H1N1 de um modo geral tem apresentado um comportamento de baixa letalidade e responsivo a terapia com anti-virais, desde que as autoridades nacionais de saúde impeçam o acesso indiscriminado a eles, pois em caso contrário teremos cepas resistentes e o arsenal de anti-virais é infinitamente menor que o disponível em termos de antibióticos.
Hoje, no mundo, a gripe suína provocou algo em torno de 700 óbitos. É pouco? Claro que não, são vidas. Mas a The Lancet, uma das mais prestigiadas revistas científicas internacionais, traz um artigo interessante esta semana. Trata-se exatamente de um ensaio com modelo matemático, que considera a hipótese do atual vírus H1N1 ter igual virulência ao que provocou a gripe espanhola no início do século XX. Tivesse ele igual virulência, o ensaio conclui que teríamos no pique da pandemia algo em torno de 62 milhões de mortos no mundo.
Para não termos esse cenário catastrófico não há dúvida de que temos que apostar em medidas que evitem uma possível mutação; faz-se necessário exatamente que informações sejam transmitidas de forma fidedigna pelas autoridades e meios de comunicação e, principalmente, seja evitado o estímulo ao consumo de anti-virais sem prescrição médica.