terça-feira, 5 de outubro de 2010

O Estado Laico, a Democracia Grega e a Autocracia Religiosa

Pastor batista em debate transmitido no blogue do jornalista Luiz Nassif diz que a tolerância do estado laico nos fará chegar ao estado grego, onde o homossexualismo e a pedofilia foram tolerados.
Nem vou abordar a questão pela perspectiva cultural da Grécia Antiga, pois não seria produtivo frente ao emperdenido argumento. Basta refletirmos que há 5 mil anos judeus, árabes e cristãos tentam remover da face da terra os homossexuais por meio do silêncio, do castigo, da tortura e morte desses seres humanos.
Tivesse a mínima serenidade intelectual, o pastor deveria considerar a falência secular das igrejas para tratarem desse assunto com moralidade aceitável, que não agravasse o papel humanitário temporal que essas instituições possuem.
O desafio portanto que está posto é dobrar o estado laico às ordens do dogma religioso, favorecendo a negação de uma realidade, danificando o conceito de cidadania e avacalhando a ordem democrática em nome de um discurso que na outra ponta sugere para o Brasil o modelo de uma autocracia religiosa cristã ao modo do Irã, entre outros exemplos.

Um comentário:

Marky disse...

Caro,

Os exemplos de "Estados Religiosos" não são lá muito bons, não é mesmo? Nesta época eleitoral minha paciência foi zerada ouvindo pastores candidatos bradarem insanidades na TV, além de ver gente graúda da política em cima do muro.

Sou 1000% a favor do estado laico, inclusive com a proibição de símbolos religiosos em escolas, Tribunais de Justiça, Prefeituras, etc. Fico ofendido quando vejo isso, pois se é para expor uma cruz que se coloque também um Buda, um Origixá, etc.

Daí vão argumentar que somos um país com raízes religiosas e tal. Mas, quando uma prefeitura de um município miserável, como Marituba, constrói uma enorme estátua religiosa no meio de sua praça principal e nunca conclui seu ginásio de esportes, empurra centenas de jovens para o tráfico, o uso de drogas e o crime. Certo?

Portanto, que o dinheiro público seja usado para o público sem discriminação.

Abraços do Acre.