sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Diplomacia em fim de mandato

Depois de oito fazendo o maior estilo vaselina, o presidente Lula dá sinais de que já não se preocupa tanto em fazer ou manter amizades. Em solenidade oficialmenrte destinada a fazer um balanço do Programa de Aceleração do Crescimento, nesta quinta-feira, o presidente fez um pronunciamento veemente em favor de Julian Assange, titular do polêmico WikiLeaks, atualmente preso em Londres, no aguardo de uma possível extradição para a Suécia, onde é acusado de crimes sexuais.
Para Lula, o problema não é o rapaz que divulgou a bobagem, e sim quem escreveu a bobagem. Em seu entendimento, os autores das "bobagens" é que devem ser punidos. Não bastasse dar a entender que encampa a tese de que as acusações de crimes sexuais contra Assange são uma conspiração para calá-lo, a solidariedade em si já seria o bastante para irritar várias nações com as quais se tenta manter boas relações, notadamente os Estados Unidos, maiores prejudicados até o momento pelo vazamento de informações secretas (se verdadeiras, não sei).
Duvideodó, como diria minha avó, que Lula seria tão enfático em relação a um caso tão melindroso em outros tempos. Mas a 21 dias do término de seu mandato, parece que ele, no quesito diplomacia, já apertou aquele famosíssimo botão vermelho.

2 comentários:

Luiza Duarte Leão disse...

Engraçado que na primeira frase do texto eu já sabia quem o tinha escrito! Rolei a página para baixo só pra confirmar! Depois dizem que a internet é impessoal!
Mas voltando ao assunto, tenho dificuldade em dizer se gosto ou não da política internacional lulista. Ao mesmo tempo em que ele parece fazer questão de ser contrário aos EUA, ainda que em certas situações possa parecer pura birra, devo reconhecer que o país, neste período, conquistou uma relevância jamais vista, na área diplomática, o que também e reflexo do aumento de sua importância econômica.
Discordo de você, porém, que o Presidente não faria isso se não estivesse em fim de mandato. Ele já fez coisa muito pior, no meio dele, como ignorar um pedido de manifestação de apoio de um ativista cubano em greve de fome e apoiar a "soberania" do Irã no caso da mulher que seria apedrejada.
Ele deve se arrepender amargamente disso, pois, de "O Homem do Ano" por jornais americanos, franceses e espanhóis, ele passou a ser visto como não-simpático aos Direitos Humanos, o que enterrou suas pretensões para um cargo na ONU.

Yúdice Andrade disse...

Veja bem, Luiza: minha afirmação foi no sentido de que ele, ao longo do mandato, tentou ser simpático com todo mundo, assumiu uma postura algo forçada de conciliador. É claro que, ao ser leniente com o Irã, irritou muita gente, notadamente os americanos. Mas a ideia era agradar o Irã nesse ponto, os americanos em outro, os europeus em outro e assim por diante.
Agora, ele parece não se preocupar em criticar abertamente. Isso não significa que ele não tenha cometido gafes sérias, a começar por aquele episódio lamentável do jornalista Larry Rohter.
PS - É o tal do estilo, querida.