sábado, 8 de janeiro de 2011

E a nossa memória cultural. Como fica?



















A mesma indigência notada para uma política de recursos para pesquisa na área de Ciência, Tecnologia e Inovação, que atrasa o Brasil brutalmente. É uma realidade quando analisamos os recursos destinados no Orçamento Geral da União para Cultura e Preservação de nossa Memória Arquitetônica e Imaterial.

Os recursos para o Ministério da Cultura é um traço, um rubrica franciscana. Não dá para quase nada e o gestor tem que fazer milagres, dai a implementação das leis de renúncia fiscal que são, não a solução, visto que há uma inegável cabotinisse para a aprovação desse projeto (amigo do Rei) e não daquele (vassalo), seguindo critérios, digamos, sem o necessário rigor técnico e de custo benefício.

Aprovar uma renúncia fiscal para um projeto cultural nesse país é um desafio para poucos. Há que se ter muita competência, quando é o caso, ou articulação de um lobby, invariavelmente, político. Um erro terrível, claro.

Portanto, nessa linha de raciocínio, apresento aos leitores, um especial de rara beleza, eruditismo e resgate de nossa memória musical Sacra.

Foi necessário um estudante português, agora maestro respeitadíssimo, para resgatar algumas de nossas mais belas peças barrocas musicais mineiras e nos brindar com a qualidade musical do que era feito nas Minas Gerais, no Século XVIII! Uma vergonha para todos os patriotas.

Um povo sem memória, jamais terá futuro.

Compositores brasileiros eruditos como: Manoel Dias de Oliveira (São José del Rey [Tiradentes], 1735-1813), José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (Vila do Príncipe, 1746- Rio de Janeiro, 1805), dentre outros, são orgulhosamente reunidos nessa coletânea maravilhosa.

Eis o Set List
Manoel Dias de Oliveira (São José del Rey [Tiradentes], 1735-1813)
01. Fuga do Egito - Angelus Domini
atrib.Francisco Gomes da Rocha (1746-1808, Vila Rica, MG)
02. In pace in idipsum
José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (Vila do Príncipe, 1746- Rio de Janeiro, 1805)
03. Lamentações do Profeta Jeremias
atrib.Francisco Gomes da Rocha (1746-1808, Vila Rica, MG)
04. Laudate pueri Dominum
atrib. Jerônimo de Souza Lobo (Vila Rica 1780-1810)
05. Memento rerum conditor
José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (Vila do Príncipe, 1746- Rio de Janeiro, 1805)
06. Salve Regina
Manoel Dias de Oliveira (São José del Rey [Tiradentes], 1735-1813)
07. Surrexit Dominus vere
Anônimo (Séc. XVIII)
08. Vidi acquam

A propósito, o maestro Vasco da Gama Negreiros nasceu em Oeiras, Portugal, em 1965. Tem a minha idade. Aos dez anos, emigrou para o Brasil, onde iniciou estudos de piano. Na UNIRIO (Universidade do Rio de Janeiro), estudou Regência com Hernâni Aguiar, Viola d´Arco com Marie Christine Bessler e Piano com Estela Caldi. Na Escola PROARTE, também no Rio de Janeiro, completou os Cursos de Análise, Teoria e Direção Coral, sob orientação de Carlos Alberto Figueiredo. Ainda no Brasil, atuou na recolha, partituração e execução, como maestro de coro e de orquestra, de repertório setecentísta deste país, do que resultou o CD Brasil Barroco - Música Mineira do Século XVIII, gravado em 1989, que ora lhes apresento.

Na Alemanha, diplomou-se em Regência na Staatliche Hochschule für Musik de Karlsruhe, completando posteriormente Pós-Graduação, também em Regência, na Staatliche Hochschule für Musik und darstellende Kunst, Heidelberg-Mannheim. A partir de 1988, participou em inúmeros cursos de aperfeiçoamento de Direção, Piano e Viola d´Arco. Desde 1992, é professor de Direção Coral no Festival Internacional de Música Antiga de Daroca (Espanha).

Para além da atividade de Maestro, desenvolvida na Alemanha, em Espanha, no Brasil e em Portugal, atua também como compositor, tendo diversas obras executadas em Concertos e em Mostras de Música Contemporânea, e ainda como professor e conferencista, nas áreas da Direção Coral, da Musicologia e da Educação Musical.

Desde 1997, é professor Assistente Convidado da Universidade de Aveiro, onde dirige o Vocal Ensemble, conjunto exclusivamente dedicado à Música Antiga, sendo Coordenador da Área Específica de Teoria e Formação Musical da Licenciatura em Ensino de Música do Departamento de Comunicação e Arte desta universidade.

No momento, trabalha no seu Doutoramento, a respeito do Livro de vários motetes de Frei Manuel Cardoso, sob orientação de João Pedro Oliveira (Aveiro) e Owen Rees (Oxford).

2 comentários:

Itajaí de Albuquerque  disse...

Bastante interessante sua postagem, especialmente porque Portugal vem investindo consistentemente para superar o abismal atraso científico-tecnológico que o vem caracterizando frente aos países da UE.
Observo, contudo, que sua afirmação "A mesma indigência notada para uma política de recursos para pesquisa na área de Ciência, Tecnologia e Inovação, que atrasa o Brasil brutalmente"carece de uma contextualização necessária, pois permite que o leitor tenha uma visão equivocada sobre o assunto.
Embora o Brasil tenha ainda muito o que caminhar para superar suas dificuldades em C,T e I, avanços importantes teem sido feitos desde 2003 para recuperar a indigência de recursos e de política em décadas anteriores.Recomendo assim para melhor avaliação do assunto uma visita aos links:
http://tinyurl.com/2vh5ylz
http://tinyurl.com/35evjbc
Grande abraço.

Val-André Mutran  disse...

E ai amigo? Ainda de férias?
Lerei com atenção sua recomendação.
Minha afirmação baseia-se na análise fria do Orçamento Geral da União.
Oxalá que o competente ex-senador, economista e professor Alozio Mercadante, inove na sua pasta e articule um política de maior incentivo à participação da iniciativa privada para complementar os recursos necessários para que nosso país saia da indigência de recursos para o setor.
Os investimentos em Educação, Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação, têm que atingir, pelo menos o patamar de países como, por exemplo, a Coréia de Sul, em relação ao PIB nacional.
Sem isso, meu, tudo o que o governo Lula e governo Dilma e qualquer outro governo que vir, vai caminhar a passos de cágado.
Estou torcendo para o melhor.
Grande abraço.