terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sensibilidade científica


Nu Sentado: Michelangelo


As matérias e postagens muito carregadas de conceitos científicos são, sem dúvida alguma, pouco atraentes para a maioria das pessoas. O rigor científico, além de acarretar difícil compreensão dos textos, transforma a ciência numa coisa chata, o que ela verdadeiramente não o é.
Deveria haver uma forma de interferir no tradicional mundo científico para divulgar o saber de maneira pouco árida, sensível e algo artística.
A ciência e a arte são dois grandes campos intelectuais inventados pelo Homo sapiens sapiens para diferenciar e expressar os nossos mundos interno e externo.
Houve um período da nossa história recente, o Renascimento, no qual o charme das criações artística e científica floresceu, gerando um importantíssimo movimento humanístico.
Leonardo da Vinci (1452-1519) deu corpo a essa idéia na arquitetura e na engenharia.
Michelangelo Buonarroti (1475-1564) e Andréas Vesalius (1514-1564) foram também verdadeiros artistas da ciência, levando a exuberância anatômica de forma inteligente e sensível até o atrelamento real e onírico da forma à função.
O saber atingiu o seu auge pela fusão da arte com a ciência, gerando o que hoje chamamos de lógica sensível.
E se arte e ciência são paradigmas da expressão da nossa realidade, por que hoje, no período pós-cartesiano, binário e hiper-racional em que vivemos, pouquíssimas vezes conseguimos juntar a aversão a regras e a subjetividade da arte com a previsível e uniforme ciência?
A resposta parece estar nos nossos próprios cérebros, capazes de responder do belo ao útil através de uma lógica própria para cada uma das situações.
Se conseguirmos transitar sem amarras, livremente, entre os dois níveis de lógica, poderemos, na prática diária das nossas profissões e também em nossos momentos de lazer, resgatar continuamente a nossa visão apaixonada sobre o mundo e sobre nós mesmos.
Carpe diem!



Tractografia cerebral por Ressonância Magnética


PS: .: Stephen Jay Gould, falecido em 2002, e Carl Sagan, morto em 1996, fazem uma tremenda falta na divulgação da imensa beleza da ciência e da própria vida.

5 comentários:

Carlos Barretto  disse...

Texto profundo, capaz de efeitos bem mais artísticos do que a leitura apressada possa provocar.
Bem mais.
Abs

Scylla Lage Neto disse...

Obrigado pelas palavras, Charlie.
Eu sei que você vivencia a beleza (às vezes nada fácil) do cotidiano de uma terapia intensiva e que tem que fundir o seu lado subjetivo com os protocolos racionais impostos pela medicina.
E o melhor de tudo é conseguir sobreviver a isso, ainda achando e cultivando a beleza.
Abs.

Homem do Norte disse...

Scylla = Science. Puro brilho no estribilho da arte.

Scylla Lage Neto disse...

Égua, Roger, você está saindo da prosa rumo à poesia!
Obrigado e um abraço.

Homem do Norte disse...

Apenas reagi... Foi muito forte a sua aura.